Verbotene Liebe
7 Noite na Fogueira

Após passarem a manhã e a tarde inteira brincando, nadando e realizando outros tipos de atividades, os seis já eram bem amigos e, no momento, se encontram reunidos em um círculo com uma grande fogueira no centro, contando diversas histórias. A ordem exata do círculo ia de Shanks, Buggy, Nami, Sanji, Zoro e terminava com Vivi.
Juntos, além de conversarem, também comiam marshmellows quentes como em todo bom acampamento. Shanks estava contando uma história de terror que conhecia, envolvendo fantasmas que se escondiam nas montanhas.
– O nome dele é Jack. – Dizia, sombriamente. – Um garotinho ruivo com sardas e baixinho. Jack mora em um morro, em forma de espírito.
– Não tinha um nome mais comum, não? – Sanji interfere. – Já tem tantos Jacks. O estripador, o mundo de Jack...
– Deixa o Jack se chamar Jack, Cook. – Zoro adverte. – Pelo menos ele não tem nenhum nome ridículo começado com "S".
– Bom, contanto que ele não seja um espadachim de merda que corta as pessoas em forma de " Z"...
– Hã, o que você disse, maldito?
– Gente, dá pra parar? – Nami interrompe. – O nome do garotinho é Jack, pronto, acabou!
– Bom, eu vou continuar. – Shanks diz. – Em tempos antigos, Jack saiu de férias em um acampamento de sua escola, junto com os outros alunos. Entretanto, Jack era discriminado por seus cabelos serem da cor do fogo e–
– Pera aí, ninguém é discriminado por ser ruivo. – Vivi o corta. – No máximo fazem piadinhas, mas não chega a ser uma opressão real.
– Ah, eu não gostava do meu cabelo quando era pirralho... – O ruivo se justifica.
– Eu também ouvia algumas piadinhas vem infelizes. – Nami fala.
– Pelo menos vocês não têm cabelo azul. – Buggy e Vivi dizem.
– Ou verde. – Zoro também.
– Ai, gente, é só cabelo. – O único loiro do grupo se defende.
– Tá, tá, Jack sofria preconceito por ser gordo. – Shanks continua. – As crianças não gostavam dele, viviam o deixando de lado propositalmente, até que à noite, naquele mesmo acampamento, houve uma festa nas montanhas. Convidaram Jack, porém, planejavam fazê-lo se perder de madrugada por entre as árvores, e foi o que fizeram. No dia seguinte, Jack havia misteriosamente sumido.
– Ai, tadinho... – Nami se sensibiliza. – As crianças são tão malvadas.
– Daí Jack pois uma máscara e saiu matando geral com sua serra elétrica, hehe. – Zoro continua a história.
– Que falta de criatividade, hein. – Sanji assume. – Se bem que algas marinhas não tem cérebro.
– A história não acaba por aí. – Shanks volta a dizer. – No dia seguinte, as professoras ficaram desesperadas atrás de Jack, mas, como não encontravam de jeito nenhum, afirmaram aos pais que Jack havia encontrado uma colmeia e morrido, picado por mil abelhas. Desde então, sempre que alguém sobe aquela montanha, consegue ouvir perfeitamente a voz suave de um garotinho dizendo "Eu só queria brincar...".
– Ai, que horror. – Nami dramatiza. – Era pra ser uma história assustadora, não triste.
– Ah, eu gostei! – Vivi exclama. – O Shanks conta histórias muito bem.
– Ele fazia teatro lá na escola, era bom mesmo. – Buggy relembra.
– Hahaha, verdade! Eu sempre gostei de atuação.
– Ahh, mas agora bateu um sono... – Nami se espreguiça.
– Já tá tarde, querem ir deitar? – Vivi sugere.
– Eu topo. – A ruiva diz e ambas se levantam. – E vocês, rapazes?
– Acho que eu vou separar umas coisas pro café da manhã e te encontro depois, Nami. – Sanji diz.
– Eu vou dar uma volta pela floresta. – Zoro fala.
– Ah, o céu tá tão bonito... – Shanks aprecia. – Quer ficar vendo as estrelas comigo, Buggy?
– E nós temos outra solução? Nossa barraca tá meio quebrada...
Dito, os jovens apagaram a lareira e se separaram. Sanji ficou dando uma olhada nas comidas, Zoro se perdeu na floresta, as meninas foram dormir e cochichar na cabana e tanto Shanks como Buggy foram para um lugar mais afastado, colocaram um pano no chão e deitaram, um do lado do outro.
Ficaram olhando para o céu, iluminado pelas estrelas que brilhavam intensamente. A luz estava escondida por uma nuvem rasa, mas não deixava de ser linda. Ficaram com as mãos atrás da nuca, estirados no chão.
– Que visão linda. – O ruivo diz.
– Com certeza. – Buggy concorda. – Já faz até tempo que eu não olho pro céu desse jeito.
– Nós ficamos tanto tempo na cidade que esquecemos completamente da natureza, chega até a ser triste.
– A gente deveria fazer isso mais vezes, nem que seja um fim de semana por mês.
– Com certeza. Aliás, nós já fizemos juntos, não é?
– Lá na escola? Sim... a gente ia no terraço do prédio e ficávamos deitados, você lembra?
– Caramba, é verdade. Pena que um dia pegaram a gente, e como tinha toque de recolher, não nos deixaram ficar.
– Bom, agora somos adultos.
– E ainda gostamos de olhar a lua.
– Sim. – Buggy vira seu rosto e olha para Shanks. – O vento da noite também é ótimo.
– O vento... – Shanks também vira seu rosto, e seus olhos se cruzam. – O vento do céu que corre pelo campo. É verdade, é bem refrescante.
– Você tá com frio?
– Não, e você?
– Também não, eu gosto de frio. Esse lugar até me lembra outro que eu já viajei.
– Aonde?
– Era uma área cheia de pinheiros, tinha até alguns alces. Fui pra fazer caminhada.
– Ah, sim. – O ruivo vira seu corpo e fica de frente para ele. – Você gosta de viajar?
– E você? – Buggy também se vira e ambos deitam juntos, um de frente para o outro, próximos.
– Eu adoro... nós dois podíamos viajar juntos muitas vezes.
– Principalmente agora que nos reencontramos depois de tantos anos.
– Pois é, foram muitos anos. Eu nunca me esqueci de você, sabia? – Diz, com um sereno e ínfimo riso no canto dos lábios.
– Ei também não. – Responde, olhando fundo em seus olhos. – Até me preocupava porque você parecia ser bem dependente naquela época.
– Haha, você acha? Realmente... não era a mesma coisa viver sem você e os seus sermões.
– Quando você pensava em mim, pensava nas broncas que eu te dava?
– Pensava "o que o Buggy faria?".
– E qual era a resposta?
– "Ele me bateria e me chamaria de ruivo idiota".
– É, provavelmente é o que eu faria mesmo.
Os dois ficam em um silêncio contínuo, ouvindo apenas o canto dos grilos, o vento ao seu redor e olhando os olhos um do outro. Shanks solta uma pequena risada distraída, desvia o olhar e sobe uma de suas mãos, abraçando a cintura do outro.
– É tão bom te ver de novo. – Voltou a olhá-lo.
– É. – Responde baixo, desviando o olhar para os lábios do ruivo e, embora o vento, sentindo um valor confortável. – É bom mesmo.
– Eu senti sua falta, Buggy.
Ficam em mais um silêncio até o ruivo subir sua mão calmamente, indo ao encontro da nuca do outro. Ficou acariciando o espaço entre seu pescoço e cabelos azuis, até voltar a fazer Buggy cruzar os olhares consigo. Àquela altura, conversavam apenas pela mente, sem a necessidade de voz.
Até o ruivo aproximar um pouco mais seu rosto, sentindo a respiração do outro bater em si. Os olhos dos dois foram caindo e, sem perceber, seus lábios haviam aberto-se e encostado-se, formando um beijo lento e calmo, bem quente e cuidadoso.
Nenhum dos dois se afastou, até mesmo pelo contrário. Shanks voltou a apoiar sua mão na cintura do outro que fez o mesmo, entregando-se completamente ao seu beijo. Não pararam mais, ficaram na mesma por um grande período de tempo. Se afastaram, olharam de novo um nos olhos do outro e continuaram.
(...)
Ao mesmo tempo, depois de acertar tudo para o café da manhã, Sanji resolveu fazer uma nova lareira e acendeu um cigarro, fumando e apreciando de relance o céu. Estava muito introspectivo quando viu uma criatura verde aparecer ali, surgindo da floresta.
– Até que enfim achei! – Zoro exclama.
– Se perdeu na floresta, Marimo? – Sanji pergunta, mas o olha somente de relance, por estar gostando de ficar sozinho.
– Claro que não, eu só... enfim. – Zoro vai ate o lado de Sanji e se senta, esquentando-se na lareira. – Urgh, que frio!
– É sério que você realmente ficou preso na floresta nesse frio?
– ... cuida da sua vida.
– Ui, não precisa ficar na defensiva. – Sanji apenas fumava tranquilamente. – Eu não tô afim de brigar hoje.
– Então não suponha que eu me perdi, porque eu não me perdi, eu só estava... explorando.
– Explorando?
– Pra garantir que nenhum urso invada o local.
– Oh, então você é o nosso defensor, que legal. Já tá tarde, quer ir deitar?
– Você ainda não me disse porque ficou aqui, nesse frio, Cook. Eu achei que você seria o primeiro a dividir a barraca com as garotas.
– Ah, eu fiquei cuidando dos preparativos do café e percebi que você ainda não tinha chegado, então eu... fiquei esperando.
– Hm, ficou preocupado comigo?
– Do jeito que você é azarado eu pensei que talvez o Jack te atacasse, então eu me sentiria culpado se perdesse a sua morte.
– Bom, sinto-lhe informar que eu não pretendo morrer tão cedo.
– Nada é perfeito.
– Mas e aí, vai ficar me xingando e fumando sozinho ou quer beber um pouco antes de ir dormir?
Sanji deu um último trago antes de apagar seu cigarro e aceitar o convite do outro, pegando uma garrafa de cerveja e iniciando um assunto aleatório.
– Posso te perguntar uma coisa? – O loiro diz.
– Pergunte.
– Quem era aquele de hoje de manhã?
– Han, o Mihawk? Não sei direito, eu conheci ele numa festa. Por quê?
– É que sempre que eu te vejo ou você tá na academia ou dormindo, daí eu achei que vocês estivessem namorando, sei lá.
– Nah, namoros envolvem dividir cerveja com os outros, não é a minha praia.
– Você tá dividindo cerveja comigo. Estamos namorando agora?
– Como se eu namorasse cozinheiros tarados com sobrancelhas ridículas...
– Mas eu realmente acho que você deveria arrumar alguém, faria bem pra você. Alguém com mais cérebro e responsabilidade, de preferência.
– Obrigado pela preocupação, mas não. O meu último namoro foi desastroso, depois disso eu nunca mais fiz questão de criar esse tipo de laço.
– O que houve?
– Durou dois anos, e eu nem sei porque durou tanto. A família da pessoa me odiava com todas as forças; ela tinha uns problemas psicológicos e eles me culpavam por isso. No final eu ficava preso em casa todos os dias, até abandonei a escola.
– Nossa, que barra, hein.
– Pois é... acho que durou tanto anos porque eu tentei proteger essa pessoa, mas não deu em nada. Ela acabou cometendo suicídio e eu me senti culpado.
– Sério? Caramba... desculpa te fazer lembrar disso.
– Relaxa, eu já superei esse lance. De verdade, namoros não fazem falta na minha vida.
– Mas a culpa não é sua, você fez o que tinha que fazer. – Sanji volta a pegar seu cigarro e o acende.
– É o que todo mundo diz.
– É a verdade. Não deixa isso te prender, não existe ninguém capaz de mudar o passado.
– Mas eu poderia ter mudado o futuro.
– Poderia, assim como talvez não pudesse. Não tem como saber como algo seria se fosse diferente, então não adianta ficar se culpando e criando hipóteses.
– É... eu acho.
– Eu tenho certeza que essa pessoa era feliz em ter você por perto, então só tenta pensar nos momentos bons. – O loiro se levanta e apoia a mão nos cabelos de Zoro, os bagunçando. – Já tá tarde, eu vou dormir. Você vem?
– Vou sim, obrigado.
Zoro levantou-se também e ambos foram caminhando até sua barraca, contudo, um pequeno empecilho aparece no caminho e acaba dando um susto no de cabelos loiros.
– AAAAAAAAAAAAAAAAH! – Sanji grita, assustado, após ver um besouro enorme. – T-T-Tira essa coisa da minha frente!
– Huh, o quê? – Zoro fica sem saber o que fazer.
– T-T-Tira daqui! – E o loiro não para, pelo contrário, vai na direção do outro e o abraça, tentando se proteger. – É-É sério, tira daqui!
– C-Calma! – Zoro o abraça de volta. – É só um besouro.
– N-Não é só um besouro, é um...
Sanji, que se amedrontava facilmente por seu pavor de insetos, mal percebeu que havia abraçado logo a pessoa que julgava ser a mais insuportável dali. Contudo, assim que virou seu rosto, acabou ficando de frente para Zoro, que estava olhando sua reação sem saber o que dizer ou como agir. Os dois acabaram encostando os narizes devido a aproximação e ficaram parados, sem conseguir se mexerem.
– Cook... – O chama, com uma voz baixa, sendo obrigado a encarar seus brilhantes olhos azuis arrepiados e seus lábios trêmulos, assustados, além da respiração eufórica que batia em sua pele.
– Huh? – Sanji estava paralisado, nem se importava mais com a presença do besouro, somente o abraçava e era retribuído. Estava até meio hipnotizado.
– Pode... me soltar agora?
– A-Ah! Foi mal, eu... – Até acordar para a vida e largá-lo em um susto, virando seu rosto. – É que eu tenho um pouco de medo de besouros.
– “Um pouco”? – O outro diz, debochado. – Interessante saber do seu medo, heh.
– Tsc, cala boca, idiota. Vamos dormir logo.
– Sim, vamos. Aliás... onde você acha que o Shanks e o Buggy estão?
– Han? Ah, agora que você mencionou, é verdade, eles perderam a barraca. Será que ainda estão vendo a lua?
– Quer ir lá?
– Vamos.
– Só cuidado porque tem alguns besouros no caminho...
– Tsc, fica quieto.
Ambos resolvem ir caminhando até onde os outros dois estavam, que ficava em uma subida de morro. Ao chegarem lá, de relance, conseguiram ver perfeitamente a imagem de Shanks e Buggy dormindo juntos, no chão, com o de cabelos azuis encostado no peito do ruivo, que o estava abraçando.
– Awn, eles acabaram dormindo. – Sanji comenta, ao lado de Zoro. – Que gracinha.
– Só espero que os besouros não os comam vivos enquanto dormem.
– Affs, insuportável.
– Heh, relaxa, Cook. – Zoro bagunça seus cabelos. – Eu te protejo dos besouros, pode deixar.
– Obrigado, eu não seria nada sem a proteção de uma aberração de cabelos verdes.
– Não mesmo. Agora vamos dormir logo, eu tô morrendo de sono...
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