Verbotene Liebe
17 A Banalização do Revenge Porn
Notas iniciais

Um dia não muito típico estava por se iniciar. O trio de irmãos, Ace, Sabo e Luffy haviam acabado de saltar do ônibus e chegaram na escola como faziam todos os dias, porém, algo dessa vez estava diferente e eles nem imaginavam o que poderia ser.
Assim que pisaram na Sweet Piece, tudo parecia normal, a mesma escola e as mesmas pessoas de sempre. Só não notaram que algumas dessas pessoas olhavam disfarçadamente para o trio, que foi seguindo caminho até a sala de aula, conversando como bons irmãos.
— Nossa, eu não esperava isso de você Luffy, sério. – Sabo comentou surpreso.
— Kishishi, é que eu não tinha nada pra fazer mesmo, aí eu acabei fazendo o dever de casa. Acho que foi o primeiro do ano que eu fiz.
— Eu também fiz o meu, eu até gosto de História.
— E você, Ace?
— …
— Ace? – Luffy insiste em perguntar.
— … – Mas seu irmão apenas olhava para o chão e andava no automático, distraído.
— Ele passou a noite acordado pensando no que diria quando visse o Marco de novo. – Sabo explica. – Agora tá assim, distraído.
— Ah, entendi, kishishi.
— Han, o quê? – Ace finalmente acorda. – Vocês falaram alguma coisa?
— Não, pode continuar pensando no seu namorado, haha. – O irmão do meio retruca.
— Tsc, para com isso, Sabo, ele não é nada meu.
— Mas você tava pensando nele, né?
— Não, não estava.
— Então era em quê?
— Eu... não lembro mais.
— Hahaha, tá bom.
— É sério, eu não tava!
— Eu acredito, eu acredito.
— Acredita mesmo?
— Aham.
— Então tá, hmpf, não faria diferença mesmo se você não acreditasse.
— Ok, Ace, mas vai se preparando pra reencontrar o Marco porque todo mundo já deve ter entrado na sala.
— …
Mesmo hesitante e com um pouco de timidez em ter que reencontrar o loiro depois do beijo acidental na última festa que foram, Ace e seus outros irmãos finalmente chegaram na sala de aula, que já estava cheia, contudo, algo um tanto estranho aconteceu nessa hora.
Luffy e o garoto de sardas não notaram por estarem distraídos, então sentaram-se normalmente em seus lugares, mas com Sabo foi diferente. Ele percebeu que todos os alunos olhavam para eles cochichando entre si e rindo disfarçadamente. Sentou-se em frente ao irmão como de costume e se virou para trás, falando com ele.
— Ei, Ace. – O loiro o chamou.
— Não, Sabo, eu não vou ir falar com o Marco, ele que venha falar comigo.
— Não é isso.
— É o que então?
— Você não percebeu? Tá todo mundo meio que olhando pra cá...
— Ahn? – Ace acabou notando, todos os alunos de sua sala estavam rindo baixinho e olhando para ele. – É verdade, o que houve? Eu tô com alguma coisa na cara?
— Não... eu tô?
— Também não.
Ao mesmo tempo, Coby também conversava com Luffy.
— Ei... Luffy...
— Hm?
— Ahn.. ér... – Coby parecia mais constrangido que o normal. – O seu irmão, ahn... ele meio que...
— O quê, qual irmão?
— Não, é que... uhm... como eu posso perguntar...
— Só diz logo, Coby, o que houve?
— Seu irmão... o Ace, e o Shanks...
— Han?
— Ei, Ace!— Enquanto Coby tentava falar com o chapéu de palha, Marco foi finalmente falar com o garoto de sardas.
— A-Ah, oi, Marco... – Que ficou meio tímido. – O que houve com essas pessoas? Por que elas estão olhando pra mim?
— O que houve depois que eu saí da festa entre você e o Shanks?
— Hm, entre mim e o Shanks? – Indaga com uma sobrancelha arqueada, estranhando. – Como assim?
— O Shanks foi te ajudar lá no banheiro, não é? – Sabo pergunta, ouvindo a conversa dos dois.
— “Ajudar” pffff...— Os alunos que estavam em volta tentando espionar a conversa acabam rindo baixo entre si, o que fez os irmãos estranharem ainda mais.
— O que tá acontecendo aqui?
— Cara, você precisa ver isso urgente. – Marco põe a mão em seu bolso, buscando seu celular. – Alguém mandou uma foto no grupo da sala de aula com você e o Shanks!
— Hã, comigo e com o Shanks?
Por quanto o loiro mostrava a foto sugestiva que haviam tirado de Ace e seu professor no banheiro da festa de Hancock, o horário da aula finalmente chegou. Shanks, que era o responsável pela classe naquele tempo, entrou na sala como fazia normalmente.
— Hahahahahhahahhahahhaha! – E nesse momento, a maioria dos alunos soltaram altas risada. O ruivo não entendeu nada, só ficou olhando para os lados e se dirigiu até sua cadeira.
— Olha só, Ace! – Helmeppo exclama em pé, apontando. – Seu namorado chegou! Não vai lá falar com ele?
— Hm? – Shanks se indagou, não entendeu do que seus alunos falavam ou riam, só tentava encontrar o contexto.
— Hahahaha, é, não precisa mais ficar escondendo! – Outro aluno, amigo de Helmeppo, comenta alto.
— Talvez eles estejam esperando dar o intervalo para irem ao banheiro juntos! – Mais um sugeriu. Ace estava em um misto de raiva, dúvida e constrangimento, não sabendo bem o que fazer diante de tudo aquilo.
— Ei, vocês, parem com isso! – Porém, Marco grita com raiva, levantando-se. – Vocês não têm mais o que fazer não? Óbvio que essa foto é falsa!
— O que tá acontecendo? – Luffy pergunta.
— Olha, pra mim não parece nenhum pouco falsa! – Um dos adolescentes grita, com o celular na mão.
— Algum babaca espalhou um boato de que o seu irmão e o professor têm um caso. – Hancock explica ao garoto do chapéu de palha.
— Han, o meu irmão e o Shanks?
— Hã, calem a boca, nada disso é verdade! – Ace tenta tomar alguma atitude, mesmo trêmulo. – Vão se foder, eu nunca fiquei com o Shanks em lugar nenhum!
— Ei, vocês, parem com isso, falem mais baixo! – O professor ruivo grita, já com raiva. – Isso aqui é uma sala de aula, tenham mais respeito!
— É, vocês não têm mais o que fazer, não? – Marco indaga. – Bando de babacas.
— Hihihi, olha ele com ciúmes. – Dessa vez, é uma garota que cochicha com a amiga.
— É, até parece que a gente não viu você e o Ace ficando lá na festa da Hancock também!
— Hahaha, acho que tem alguém com ciuminhos.
— A-Ahn, i-isso... – Marco fica constrangido também.
— Uau, Ace, eu não tava sabendo disso! – Helmeppo vai até o garoto para debochar dele frente-a-frente. – Então você conseguiu pegar dois “boys” numa mesma festa? Hm... que ousada você!
— Hahahahahahahaha!! – Nisso, houveram muitas risadas altas.
— CALA BOCA! – E Ace não aguentou, puxou forte o uniforme de Helmeppo e ameaçou dar um soco nele, com o um dos braços já preparado. – VOCÊ TÁ QUERENDO MORRER, DESGRAÇADO?
— EI! – O professor exclama. – Parem com isso, todos vocês! Ace, larga o Helmeppo!
— É-É, idiota, me larga. – O loiro diz hesitante por estar intimidado. – Ou já se esqueceu que eu sou filho do Morgan que pode falir essa escola?
— Tsc… – Ace acaba o soltando.
— Ace… – E vai para perto de seu irmão Sabo, que tentou o acalmar.
— Eu vou perguntar pela última vez! – O ruivo exclama. – O que tá acontecendo? Vocês não são mais alunos do fundamental pra agirem assim, tenham mais respeito!
Nessa hora, todos ficaram sem ter o que dizer, mas logo o diretor surge.
— Ei. – Doflamingo aparece com um olhar terrivelmente sério junto com Kaidou, o vice-diretor. – Shanks.
— Sim..?
— Na minha sala. Agora.
Um silêncio se perpetualizou enquanto o ruivo caminhava em direção à saída da sala de aula. Todos os alunos calaram-se e sentaram-se; os três irmãos e Marco ficaram juntos, cochichando sobre o ocorrido. Ace continuava num misto de ódio e vergonha.
— O que foi isso? – Luffy perguntou. – Por que eles acham que o Ace ficou com o Shanks?
— É culpa minha… eu mandei o Shanks pro banheiro pra tirar o Ace de lá. – Sabo fala.
— Não, não, a culpa é minha, se eu não tivesse bebido tanto isso não teria acontecido. – Marco diz. – Foi por minha causa que o Ace se trancou no banheiro.
— Calem a boca vocês dois, a culpa é desses idiotas! – O de sardas exclama. – Por que é que vocês têm que se sentir culpados pela merda que os outros inventam? Eu não fiquei com o Shanks!
— Mas todo mundo acha que você ficou graças a essa foto de merda. – Sabo comenta.
— Quem é que começou com esse boato?
— Eu não sei. – Marco responde. – Postaram essa foto em anônimo lá no grupo.
— Deve ter sido o Helmeppo. – Luffy sugere.
E enquanto os quatro tentavam se acalmar e buscar uma solução, Shanks estava na sala do diretor, sentado à frente de Kaidou e Doflamingo, que havia acabado de mostrar a tão famigerada foto com duplo sentido. No momento, o professor não sabia o que dizer.
— Eu… nem sei o que dizer.
— Provavelmente foi tudo um engano, nós sabemos que você não faria isso. – Lovato tentou ser gentil e amenizar a situação.
— Onde você estava no momento da festa? – Porém, Doflamingo perguntou com um ar sério.
— Eu fui à festa de dezessete anos da Hancock.
— O que você estava fazendo na festa de uma aluna?
— Ela me convidou.
— Por que ela convidaria você, um professor? Vocês se falam fora do colégio?
— Não, claro que não, ela me convidou por eu ser o professor preferido dela. Pelo menos foi o que ela disse.
— É tão bom ver que esse tipo de interação entre professor e aluno ainda existe… – Kaidou fala alegremente.
— Tsc, que piada. – Mas Doflamingo estava sem paciência. – Professores não devem ter esse tipo de relação com os alunos, só traz problema!
— Desculpa, mas não foi com más intenções…
— Tudo bem, foi só um acidente infeliz, certo? – Indaga o vice.
— Como você explica esta maldita foto? O que um professor fazia no banheiro com um aluno?
— Isso tá parecendo um interrogatório de policial mau versus policial bom.
— Chega de piadas, responde! – Doflamingo perde a paciência.
— E-Eu fui ajudar o Ace, ele tava passando mal no banheiro.
— Corta essa, para de enrolação! Como você soube que ele estava lá?
— O irmão dele, Sabo, me disse que ele tinha se trancado no banheiro depois de ter sido beijado por acidente.
— Ter sido beijado por você?
— N-Não! O Marco beijou ele, o Ace bebeu uma vodka que tinha no banheiro e eu ajudei ele a vomitar, foi só isso.
— O que uma vodka fazia na cena do crime?
— Como eu vou saber?
— Sou eu quem faço as perguntas aqui!
— Desculpa...
— Então você aproveitou que ele tinha passado por uma desilusão amorosa, embebedou ele no banheiro, fingiu que era amiguinho e seduziu seu aluno?
— H-Hã?!
— Doffy, você tá embaralhando a história inteira… – Kaidou fala.
— Fica quieto, Kaidou! Shanks, você está demitido.
— Demitido?
Aquela simples palavra foi o bastante para abalar completamente o ruivo. Ele, que acordou imaginando estar em mais apenas um dia normal, acabou tendo uma surpresa inacreditável, cruel e direta. E o pior de tudo, sem ter feito nada de errado.
— Doffy, você não acha que isso é cruel demais? – Kaidou pergunta. – Foi tudo um mau entendido.
— Por mais que tenha sido, os pais dos alunos certamente vão ficar reclamando. E essa é uma acusação muito forte, pode até acontecer algo mais sério que uma demissão.
— Então... não tem mesmo outra saída? – Pergunta o desolado Shanks.
— Sinto muito, não há nada que eu possa fazer.
Doflamingo prepara os papéis de demissão e os assina, finalizando sua decisão. Lovato sentia-se péssimo pelo ruivo, que continuava sem saber o que iria fazer, pois tinha sido um enorme choque para ele. Shanks, então, retira-se da sala do diretor.
— Ei! – Mas enquanto caminhava em direção à solitária saída, seu amigo e também professor de matemática Buggy, o chama.
— Hm? Ah, oi, Buggy.
— Como você tá? Todos os meus alunos tão falando da sua foto com o Ace.
— Eu tô bem...
— Bem que eu te disse pra não ir naquela festa, só causaria problemas e olha no que deu! Eu sei que você não fez aquelas coisas, mas mesmo assim foi muito arriscado, você poderia ter sido demitido.
— Buggy...
— Mas tudo bem, você sempre foi meio irresponsável mesmo. A gente só tem que parar com esses boatos e levar como uma brincadeira de mau gosto, em uns três dias ninguém mais vai falar nisso!
— … eu fui demitido.
— E tudo vai ter sido só uma grande pi... oi? Como assim?
— Eu tô indo pra casa agora, não vai dar pra irmos juntos. Você se importa de pegar um ônibus quando for voltar pra casa?
— M-Mas como assim? Você foi demitido mesmo? Por uma brincadeira? Mas você não fez nada!
— Eu sei, eu sei...
— Isso não é justo!
— Buggy, a gente pode conversar sobre isso mais tarde? Eu... meio que só quero dormir agora.
— Tem certeza que tá tudo bem? Eu possso pedir pro Doflamingo me dar folga e ficar com você em casa.
— Não faz isso, continua com o seu trabalho aqui, eu também quero ficar um pouco sozinho.
— Tem certeza? Eu nunca te vi desse jeito.
— Tenho sim. Obrigado, Buggy.
Shanks nem ao menos conseguiu encontrar forças para se despedir de alguém; foi logo para sua casa descansar até conseguir pensar no que fazer. Buggy ficou péssimo, mas a única coisa que poderia fazer era tentar defender seu amigo do resto dos alunos.
Ao mesmo tempo, Kaidou e Doflamingo continuavam na sala do diretor, discutindo sobre o caso.
— Eu ainda acho que essa sua decisão foi muito ruim, você não deveria ter demitido o Shanks tão fácil assim, Doffy!
— Kaidou, para de pensar que a vida é um mar de rosas, quem faz merda tem que pagar o preço.
— Você acha mesmo que ele fez alguma coisa contra o Ace?
— Não importa o que eu ache, o que importa são os pais dos pirralhos. Se um dos nossos professores tiver esse tipo de denúncia, o que você acha que vai acontecer com a Sweet Piece? Os boatos rodam fácil!
— Mas ele não tem culpa dos boatos que espalham sobre ele!
— Isso não importa. O que você faria se um dos pais viesse aqui reclamar contigo que tem um professor com histórico de assediar alunos aqui?
— Eu diria que é mentira, ué.
— Não é tão simples assim, você deveria saber disso.
— Você deveria saber que é ruim isso mais do que eu, teve o seu lance com o Law né? Você tinha sido demitido da escola por ter tido um caso com ele.
— São assuntos totalmente diferentes, Kaidou! Eu errei e admiti o meu erro, foi idiotice ter feito isso, mas o meu arrependimento não significa que eu poderia ter sido readmitido no colégio. Eu poderia até ter sido preso se ficasse lá! Com o Shanks é o mesmo.
— Mas... mesmo assim...
[Toc Toc]— Bateram à porta do diretor enquanto conversavam.
— Entra. – Ordenou Doflamingo.
No mesmo instante, um homem alto, com corpo e olhares fortes, cabelo liso negro bem penteado entrou na sala com um porte sério. Lovato logo o reconheceu e até levou um pequeno susto, mas Doflamingo não se importou com a presença dele.
— Oi. – Foi andando até a cadeira que ficava na frente da mesa do diretor, até sentar-se. – Meu nome é Crocodile, me deram uma transferência pra essa escola.
— Ah sim, eu lembro de terem comentado sobre. – Fala o loiro. – Que coisa, você chegou num péssimo dia, hein.
— Que legal saber disso, animou mais ainda o meu dia. – Diz, irônico e sem o menor interesse.
— Pera, é você..? – Kaidou perguntou a Crocodile, olhando bem para ele.
— Que que tem eu?
— Você é o cara daquele dia, né? Se não é parece bastante.
— Huh, que dia?
— Kaidou, para de assustar ele. – Doflamingo diz, em seguida se vira para Crocodile, meio sussurrando para ele. – Não liga não, o Kaidou é meio estranho mas você se acostuma.
— Tá...
— Não, eu tô falando sério! – Lovato continua insistindo. – Ele é aquele cara que a gente encontrou na festa, lembra?
— Han, que festa? – O loiro indaga.
— Eu não frequento festas. – E o moreno afirma.
— Mas você tava lá, eu tenho certeza. Lembra, Doffy? Aquela festa onde só entrava homens, onde você até reencontrou o Law.
— Ah, essa festa.
— Law? – Crocodile pergunta, com uma sobrancelha levemente arqueada. – Trafalgar Law?
— Cê conhece?
— Só por nome.
— Relacionado a quê?
— Relacionado a... coisas não tão boas.
— Normal.
— Então esse tal de “Law” e vocês dois estavam na mesma festa que eu fui semana retrasada? – Crocodile achou curioso. – Que interessante... e eu não vi nenhum dos três, só fiquei encostado numa parede.
— Então é você mesmo! – Exclama Lovato, entusiasmado por estar certo. – Você ficou encostado nessa parede e o Doffy foi até você... ahn... e aí vocês dois, ér... bem....
— Ah é, eu fiquei com você pra ensinar ao Kaidou como ficar com alguém. – O loiro enfim se lembra.
— Ah. – Mas o moreno não se importa muito. – Foi você?
— Vocês não se lembram das pessoas que vocês ficam..? – Lovato pergunta.
— Tava escuro. – Donquixote se justifica.
— Eu lembro, eu tava esperando o meu amigo acabar de pegar um guri, aí eu fiquei encostado na parede fumando e um estranho veio do nada e me beijou.
— Foi mal, eu achei que você estivesse ali pra isso.
— Tá.
— Fufufufu, já começou o seu emprego bem.
— Oh, então eu fui contratado só por ficar com o meu chefe?
— Calma, antes disso eu preciso te fazer umas perguntas padrões pra saber se você está apto a dar aulas aqui.
— Hm.
— Tem treinamento militar?
— Eu não seria professor se não o tivesse.
— Luta?
— Eu sou faixa preta em Jyu Jitsu, faixa azul em Muay Thai, roxa em Taekwondo e comecei agora com o Krav Maga.
— Oh, que interessante. – Doflamingo abre um sorriso, mas Kaidou fica um pouco intimidado. – Você costuma usar isso em seu favor na sala de aula?
— Já fui expulso de escolas por ser autoritário demais com os alunos. E isso antes de virar professor.
— Gosta de mandar, então?
— Gosto.
— Não leva desaforo?
— Nunca.
— Uma frase?
— “Um dia não é completo se nenhum aluno chorar.”
— Dá aula há quanto tempo?
— Dez anos.
— Quantas reprovações por aluno?
— Zero.
— Sério?
— Eu dou aula de sociologia, cara...
— Contratado. – Donquixote aperta as mãos dele. – Agora eu só preciso de uma cópia dos seus documentos e já pode começar hoje.
— Aqui.
Crocodile entrega seus documentos para que Doflamingo pudesse colocar seus dados no computador da escola, porém, assim que o loiro leu a identidade do outro, tanto ele como Kaidou, que estava do seu lado, acabaram estranhando. Nela, ao invés de estar escrito “Crocodile”, estava um nome feminino.
— Acho que você me deu a identidade de outra pessoa por engano. – Diz, em modo duvidoso.
— Não, é essa mesmo.
— Você é trans? – Kaidou pergunta.
— Sim.
— Sério? – Doflamingo se surpreende. – Não parece.
— E como eu deveria parecer?
— Sei lá... mas você não vai mudar o nome nos documentos? Isso deve atrapalhar muito a sua vida.
— Não sou eu quem decido se mudo ou não, não é tão fácil quanto parece. E sim, atrapalha bastante.
— Bom, que seja. – Se vira de frente para o computador, terminando de fazer o cadastro de Crocodile no sistema. – Seria bom se você já começasse, o terceiro ano vai ter sociologia agora.
— Logo a turma do Ace... – Lovato murmura.
— Ah é, tem uma coisa que você precisa saber.
— O quê?
— Um professor foi demitido hoje por ter se envolvido com um aluno, justo da sala que você vai dar aula agora. Lá deve estar uma baderna.
— Caramba, sério?
— Ele não se “envolveu”, foram só boatos. – Kaidou esclarece, defendendo Shanks.
— Enfim, o que importa é que ele foi demitido. Vem comigo, eu vou te levar até a sala.
Os três saem de onde estão e vão para outra parte da escola, onde encontrava-se a sala de aula do terceiro ano do ensino médio, onde Ace e os outros alunos estavam. Como Doflamingo previu, todos continuavam a falar sobre o ocorrido e a situação não estava nada boa.
— CALA BOCA! – O garoto de sardas estava em pé, em cima de uma carteira, jogando objetos nos outros. – Eu nunca fiquei com ninguém, seu animal!
— A-Ace, fica calmo, por favor! – Sabo, seu irmão, tentava tirá-lo lá de cima e fazer com que ele se acalmasse.
— Hahaha, não precisa ficar assim não, ninguém vai ficar te julgando! – Um dos alunos exclamava, tirando sarro. – Quem nunca se apaixonou por um professor ficou com ele num banheiro, né?
— Ow, eu nunca fiz essas coisas não. – Diz outro.
— Hahahaha, nem eu, só mesmo esse viado do Ace!
Tudo estava um verdadeiro caos. Ace encontrava-se com muita raiva e mesmo tendo seus irmãos e Marco para tentar acalmá-lo, era difícil com tantos alunos fazendo o possível para estressá-lo mais ainda. Doflamingo, Ace e Crocodile estavam do outro lado da porta, somente observando.
— Viu só? – O loiro fala. – Tsc, eu vou ter que controlar esses pirralhos pra que você possa se apresentar em paz, mas vai ser meio dif–
— Deixa comigo.
Crocodile empurra Kaidou e Doflamingo com o peito, entrando na sala com um ar terrivelmente sério e já fazendo questão de marcar presença.
— EI, SEUS MERDAS! — Grita. No mesmo segundo, todos pararam o que estavam fazendo e o encararam firmemente, em silêncio. – O merdinha que não estiver sentado, quieto, em seu devido lugar vai receber uma punição.
Os adolescentes fizeram o que o moreno sugeriu e sentaram-se imediatamente. Doflamingo e Kaidou ficaram na porta assistindo e Crocodile prosseguiu, andando até a mesa do professor e encarando cada aluno durante sua passagem.
— Escutem aqui, seus porras. – Bate seu livro na mesa, com tudo. – Meu nome é Crocodile e eu vou ser o novo professor de sociologia de vocês. Eu tenho algumas regras de conveniência e quem desrespeitar, eu prometo que vai se arrepender. Entenderam?
— … – Houve um silêncio mútuo.
— PERGUNTEI SE ENTENDERAM!
— S-S-Sim, s-senhor! – Todos responderam com um susto, intimidados.
— Ótimo. Eu não sei exatamente o que houve, mas o professor de história de vocês foi demitido hoje graças a alguns boatos e–
— O professor Shanks foi demitido?! – Hancock o interrompe ao saber, levando um susto.
— Ei, garota. Quem é você?
— Boa Hancock, eu sou a representante da turma.
— Ótimo. Por que me interrompeu, representante da turma?
— Perdão, mas é que você disse que o Shanks foi demitido, a gente não tava sabendo nada disso!
— Sim, ele foi demitido há pouco tempo por uma denúncia grave de assédio sexual. Eu não dou uma foda pra se isso é boato ou verdade, tudo o que eu exijo aqui dentro é respeito e silêncio mútuo. Caso alguém esteja com traumas dessa história, que procure um psicólogo fora da escola.
— … – Novamente, um silêncio devastador. Doflamingo assistia entusiasmado, enquanto Kaidou havia ficado um pouco assustado.
— Eu só vou perguntar uma coisa. Quem de vocês é o Ace?
— … – O garoto se levanta, timidamente. – E-Eu...
— Eu vou te dar a chance de explicar a sua versão da história antes de encerrarmos esse assunto de vez. Diz aí, o que aconteceu naquele dia?
— Cara, eu só fiquei trancado no banheiro da Hancock e tava passando o mal, o Shanks só me ajudou a vomitar! Só isso!
— Ótimo, agora pode sentar. – Ace o obedece. – Vocês deveriam ter vergonha de ter feito tanto tumulto por uma história merda dessas, e mais envergonhados ainda por criarem um boato tão absurdo. Escutem aqui, assédio é coisa séria, não é brincadeira de criança! Um adulto perdeu o emprego por causa disso e sabe-se lá como vai fazer pra arranjar outro, enquanto vocês, fedelhos que ainda cheiram à porra, são só bancados pelos pais. Tomem vergonha na cara! Não quero mais nenhum comentário sobre isso.
— … – Os irmãos ficaram se entreolhando e cada um dos adolescentes sentiu uma pontada no peito de dor e arrependimento.
— Agora façam o que vieram fazer aqui e peguem seus livros, abram na página duzentos e trinta e cinco!
Todos obedeceram Crocodile, sem dar mais nenhum pio.
— Cara... o que foi isso? – Doflamingo comenta com Kaidou, em êxtase.
— Nem me fale, esse cara é muito bruto e severo, as crianças só vão aprender na base do medo. Isso não é nada lega–
— Eu tô apaixonado! – Diferente de Lovato, o loiro adorava aquele tipo de atitude. – Eu nunca vi ninguém dar conta dos pirralhos tão rápido assim.
— … – Kaidou ficou olhando para os olhos do loiro e, mesmo eles estando cobertos por seus óculos, dava para perceber todo o entusiasmo. – … sério que você ficou tão feliz assim com o novo professor..?
— É! Quer dizer, você viu isso? Ele foi muito foda!
— Eu nunca tinha te visto tão... assim.
— A gente tava mesmo precisando de alguém com pulso firme de verdade, agora as coisas vão melhorar bastante nessa escola, Kaidou.
(…)
Acabou que ninguém mais mencionou sobre o ocorrido durante a manhã inteira na escola. Ao fim das aulas, os três irmãos voltaram para casa onde encontraram seu pai, que havia decidido não ir trabalhar depois de receber uma ligação de Kaidou sobre o ocorrido.
— Oh, vocês chegaram. – Dragon parecia super preocupado e logo foi em direção dos filhos, assim que adentraram a casa.
— Pai! Não sabia que você estaria aqui. – Disseram juntos.
— Acho que vocês vão querer conversar sozinhos, eu vou tomar um banho pra sair com o Eustass. – Luffy diz, indo embora dali.
— É... acho que eu também vou pro meu quarto estudar. – E Sabo faz o mesmo, deixando Ace sozinho com o pai.
— … traidores. – Ace reclama de estar sozinho.
— Filho, senta aqui, precisamos conversar.
Mesmo odiando aquela situação, o garoto de sardas sentou-se com o pai no sofá, ainda um pouco tímido. Dragon começou falando, preocupado com a situação envolvendo seu filho e o professor.
— O que houve? Por que você não tinha me dito nada?
— Porque não teve nada pra dizer! – Estava sobretudo com raiva e indignação. – Nada, nada, absolutamente nada! O Shanks nunca fez nada daquilo e agora ele tá levando toda a culpa por causa de um idiota que espalhou os boatos.
— Eu já imaginava que eram só boatos, senão você não teria passado o fim de semana tão normal... e o Shanks parece ser uma boa pessoa, o Luffy gostava dele.
— O Shanks não tem culpa nenhuma, pai! E graças a essa história ele tá sem emprego. Não tem como você falar com o Doflamingo pra colocar ele de novo lá na escola?
— Eu não sei, essa é uma acusação séria demais, é capaz dos outros alunos contarem pros pais como se fosse verdade porque tem muita gente que acredita e tal. Você sabe quem começou com essa história?
— Não, não sei.
— E como tá lá na escola em relação a você?
— Um inferno. Tava todo mundo rindo de mim, falando como se eu tivesse uma tara pelo Shanks, me chamando de viado e essas coisas. Foi horrível, argh! Mas aí entrou hoje um novo professor que acabou com isso.
— O que ele fez?
— Ah, ele tem todo um estilo meio militarzinho, ele chegou gritando com a gente, deu até medo. Mas acho que depois disso ninguém vai mais tocar no assunto.
— Nossa, sério? Uau...
— Mas falando sério, não tem como você pedir pro Doflamingo colocar o Shanks lá de volta? A gente sente saudades dele, ele era o melhor professor.
— Agora tá tudo muito recente, espera pelo menos a poeira baixar um pouco, daí o Doflamingo até pode mudar de ideia. Antes disso eu gostaria mesmo era de dar uma palavra com o Shanks, você tem algum número dele?
— Por que você quer falar com ele?
— Bom, eu me sinto na responsabilidade de conversar com ele sobre isso, né, envolve o meu filho.
— Eu posso ver se acho ele no Piecebook...
— Ok, faz isso. Toma um banho, descansa um pouco, o seu dia deve ter sido muito estressante, eu vou ver se preparo alguma coisa pra você e os seus irmãos comerem.
— Tá. Brigado, pai!
Ace subiu, indo até o quarto que dividia com seu irmão mais novo Sabo, o qual estava no computador. O loiro, ao notar a presença do irmão, logo interrompeu o que estava fazendo para perguntar.
— E aí, foi tudo bem com o papai?
— Foi, ele disse que tentaria ver se o Shanks pode voltar pra escola e que também faria comida pra gente.
— Que bom, então. – Sabo coloca uma mão nas costas do irmão, afagando. – Você ficou muito nervoso hoje na escola, nem parecia você.
— Claro, né! Você viu o que aquelas pessoas tavam falando, qualquer um ficaria nervoso.
— Eu sei, mas você não pode deixar esse tipo de gente te deixar nervoso. Eles são só uns idiotas, não vale a pena.
— Foi mal, é que foi tudo meio repentino.
— Tudo bem, até porque agora que a gente sabe que tão rolando esses tipos de boatos, se tentarem fazer de novo já vamos saber como responder direito.
— Fora que tem aquele novo professor né, ele parecia um general do exército.
— Pois é! E o antigo professor de sociologia era tão “paz e amor”, hahaha.
— Né? Eu nem lembro direito como ele era na verdade, eu dormia em todas as aulas.
— Não só você, ele entrava e a maioria já pegava no sono.
— Tadinho... o que houve com ele, foi demitido?
— Sei lá. Ah é, esqueci, o Marco te mandou uma mensagem no Piecebook.
— Sério? Pera, como você sabe disso?
— Ah, é que tava logado na sua conta quando eu liguei o computador...
— Você não tava espiando a minha conta não, né?
— Não, por quê? Tem alguma coisa lá que eu não posso saber?
— C-Claro que não, hmpf. Por que teria?
— Sei lá...
— Enfim, eu vou ver a mensagem do Marco.
“Oi, Ace! Cara, mesmo você falando que eu não tive culpa de nada dessa situação, mano, me perdoa... nem deu pra falar muito lá na escola pela confusão, eu acabei nem te pedindo desculpas pelo beijo. Eu tava muito bêbado, foi mal de verdade, eu fiquei me sentindo um merda. Espero que a gente ainda possa ser amigos mesmo depois disso.” — Dizia a mensagem de Marco.
— Nossa... – E Ace levou uma pontada no coração depois daquilo.
— O Marco foi muito sensível, né? Mas ele gosta bastante de você. – Sabo comenta.
— Ele ficou pior do que eu... depois do que rolou hoje eu nem me lembrava mais desse beijo.
— Então diz isso pra ele.
— Você acha mesmo que eu deva responder a mensagem?
— Ué, por que não?
— É que sei lá, deixa um clima meio estranho.
— Eu acho que você tem que responder sim. Você gosta dele, né? Como amigo e tudo mais.
— Claro que eu gosto... tá bom, eu vou responder.
“Cara, não fica assim, eu só tinha ficado mal durante a festa mesmo, depois o idiota do meu irmão ficou me enchendo tanto o saco no ouvido que eu percebi que não tinha motivos pra ficar chateado contigo porque foi só um beijo aleatório numa festa aleatória. Então tá tudo bem de verdade, tá? E brigado por me defender lá na escola.”
— Ficou muito meloso..?
— Eu só tiraria a parte do “meu irmão idiota”.
— Mas é a melhor parte da mensagem, vai perder o brilho se eu tirar.
— Bom, pelo menos assim a rixa de vocês foi resolvida, menos um prolema no mundo.
(…)
E por falar em problemas no mundo, vamos até outra parte da cidade onde havia um consultório médico. Lá, terminado a consulta, o doutor Trafalgar havia acabado de entrar no horário de almoço, então estava conversando com seus amigos Satchi e Penguin.
— Vamos num restaurante hoje nós três? – Penguin perguntou.
— Podem ir vocês dois sozinhos, eu já marquei de sair com outra pessoa. – Law afirma.
— Como sempre... – Murmura Satchi.
— Vejam pelo lado bom, assim vocês têm uma desculpa para terem seus encontros românticos, já que continuam enrustidos.
— … n-nós não somos enrustidos. – Falam juntos, um pouco corados. – Nós só não temos nenhum tipo de relação.
— É, e eu não gosto desse cara. – Penguin afirma.
— Nem eu gosto desse cara. Quem gostaria de alguém que tem “pinguim” no nome?
— Pelo menos o meu nome tem um significado. O que diabos significa “Satchi”?
— Não te interessa, somente pessoas legais sabem o que significa “Satchi”. Você não é uma delas.
— Nem você deve saber o que significa.
— E-Eu sei muito bem, tá?
— Então o que é?
— Não vou falar, você não é um merecedor de respostas.
— Hmpf.
— Rum.
— Bom, eu vou indo nessa. – Law retira seu uniforme médico e sai de seu consultório. – Té mais pra vocês, tentem não estarem casados quando eu voltar.
O médico foi na frente e não muito tempo depois, Penguin e Satchi estavam juntos na rua, andando até o restaurante que haviam combinado de comerem juntos como dois amigos normais e civilizados. Entretanto, enquanto caminhavam, acabaram notando do outro lado da calçada, duas outras pessoas que não esperavam ver juntas.
— Nossa, que barra isso com o seu irmão.
— Pois é, ele ficou muito irritado. Pior que o Shanks era meu professor favorito, e agora ele foi demitido...
— Cê não acha que tem chance do seu diretor readmiti-lo depois que essa história acabar?
— Não sei, o papai disse que ia falar com o Mingo.
No mesmo segundo, Satchi e Penguin não hesitaram em se esconder atrás da primeira parede que viram na rua. Eles haviam acabado de encontrar Eustass Kid e Luffy juntos, os quais eram namorados mas ambos tinham um caso secreto com o médico.
— C-Caramba, você viu isso?! – Satchi pergunta surpreso.
— Nossa, os caras que o Law fica se conhecem, que bizarro.
— E não é só isso. Você viu, Penguin? Eles estavam juntos demais pra mim...
— Espera... você não acha que..?
— Hahahaha, m-mas será que é? O Law tá saindo com duas pessoas que já namoram!
— Isso é ridículo, Satchi, qual seria o sentido da vida? Sete bilhões de pessoas no mundo e eles se traem com a mesma pessoa? Tudo bem que é o Law, mas...
— E o que você acha então?
— Eles podem ser só amigos, oras.
— Amigos não andam tão próximos assim.
— Por quê? Nós estávamos andando do mesmo jeito que eles.
— B-B-Bom... e-enfim, você acha que eles podem ser só amigos então?
— Eu acho que a gente deveria segui-los e tirar fotos.
— Wow, que nem detetives! Parece divertido.
Fizeram o que Penguin havia sugerido e ficaram à espreita, observando Eustass e Luffy caminharem juntos, também tirando fotos. Os dois rapazes agiam como amigos que saíam normalmente, mas os dois outros não perderam a esperança de descobrir que ambos eram um casal. Continuavam tirando fotos e os seguindo.
— Cara, acho que isso não vai dar em nada. – Penguin comenta. – Eles só estão andando e conversando.
— É, nem dão as mãos.
— É, nem parecem um casal.
— É, devem ser só amigos mesmo.
— É, eles andam que nem a gente.
— É.
— Não deve ser nada então.
— Não mesmo, perda de tempo.
— Total.
Entretanto, antes que desistissem, ambos surpreenderam-se e levaram um enorme susto quando Eustass parou de andar, puxou o braço de Luffy, o abraçou pela cintura e deu-lhe um longo e demorado beijo que, é claro, não passou despercebido pelas câmeras.
— V-V-Você filmou isso?!
— C-Claro que filmei! Caramba, eles se beijaram!
— Então são mesmo um casal!
— Sim, eles são um casal, o Luffy e o Eustass são um casal! Nossa!
— Wow!! S-Será que eles sabem que os dois tão ficando com o Law?
— Não sei... será que o Law tá sendo feito de otário por esses dois?
— Não sei, mas a gente precisa descobrir.
(…)
Ao mesmo tempo em que Satchi e Penguin davam uma de detetives, Trafalgar Law aproveitou para fazer seus negócios. Realizou uma pequena viagem para uma zona mais afastada da cidade, onde não era muito rica, tampouco existiam prédios, somente barracos semi caídos, cachorros andando pela rua e pouco policiamento.
— Você por aqui de novo? — Pergunta sério, uma mulher com um capuz verde escondendo seu rosto. – Pensei ter dito que você não era bem vindo.
— Eu vim na paz, só pra comprar, ok?
— Tem dinheiro?
— Eu tenho tanta cara de pé rapado assim por acaso?
— Sabe como é, sempre me dizem que quem vê cara não vê coração, mas você têm os dois.
— Só faça o seu trabalho que eu faço o meu. Não me faça ter vindo pra esse canto da cidade por nada, Ivankov!
Trafalgar Law havia ido se encontrar com Ivankov em seu horário de almoço, escondido dos outros dois amigos.
— Irrá! – Ivan joga as mãos para o alto, gritando com um sorriso. – Muito que bem, se foi tão difícil e sufocante pra você ter deixado a zona sul em que vive pra colocar seus pészinhos na periferia, eu vou te dar o que você veio buscar.
— Ótimo.
(…)
— Como assim “Luffy e Eustass são namorados"? Vocês ficaram loucos?
Após voltar para seu emprego, o médico encontra Penguin e Satchi que já estavam lá e a primeira coisa que fizeram foram contar o ocorrido. Começaram anunciando o que haviam descoberto, e já estavam buscando em seus celulares as gravações.
— A-A gente tá falando sério! – Penguin exclama.
— É, a gente viu os dois andando romanticamente lá na rua!
— E daí? Vocês andam da mesma forma, já assumiram publicamente que se amam?
— N-Não troca de assunto. – Satchi diz, encabulado. – Olha, eu tenho como provar!
Ele então pega seu celular, mostrando os vídeos e as fotos de Luffy e o ruivo beijando-se e abraçando-se no meio da rua, coisa que faz o médico levar um susto.
— Caramba...
— Viu só como é verdade? – Penguin reforça.
— Então eles se conhecem mesmo. E não só não se conhecem, eles também namoram?!
— É! Hahaha. – Satchi ri. – Parece que os dois se traem com você sem nem saberem!
— Wow. Penguin, Satchi, sabem o que isso significa?
— Que você vai parar de ficar com eles porque sabe que traição é uma coisa muito feia e que você não deve sustentá-la? – Sugere Penguin.
— Que você vai contar pra ambos o que eles fazem porque sabe que traição é uma coisa muito feia e que você não deve sustentá-la?
— Não. – Law afirma com convicção, abraçando ambos pelo ombro. – Isso significa menáge!
— Sabia... – Murmuram juntos.
— O Kid vem hoje, certo? Daqui a uma hora mais ou menos. – Em seguida, se afasta dos amigos e pega seu celular. – Eu poderia ligar pro Luffy e trazê-lo pra cá.
— Pera, você vai convidar os dois ao mesmo tempo? – Indaga Penguin.
— E fazer, tipo, os dois se encontrarem aqui? – Satchi confirma.
— Isso! Vai ser uma ótima surpresa. Aliás... – Volta a falar com uns amigos, com um sorriso malicioso. – Vocês vão odiar o que eu vou dizer, mas hoje eu me encontrei com uma pessoa.
— Com quem?
— Ivankov.
— O QUÊ?! – Tiveram uma reação de espanto mútua e quase caíram para trás.
— V-Você foi fazer o quê lá?! – Penguin pergunta surpreso.
— É, você prometeu que nunca mais ia ver essa pessoa de novo! Seu mentiroso!
— Eu sei, eu não queria ir lá, vocês sabem que eu a odeio mais do que tudo. E tsc, o jeito que ela fala comigo como se eu fosse uma criancinha de merda me irrita, mas o importante foi o que eu comprei lá.
— O que você comprou?
— Seis pinos de cocaína, cinquenta de maconha e quatro cartilhas de doce. – Afirma com orgulho.
— C-Caramba...
— Você é maluco? – Penguin se sobressai. – Não faz essas coisas, é perigoso!
— Não tem perigo nenhum, e relaxem, eu divido com vocês.
— Isso não vai dar nenhum pouco certo. – Satchi afirma. – Nem seu lance com a Ivan, nem o seu lance com o Luffy e o Eustass.
— É o que veremos. – Trafalgar pega seu celular e liga para Luffy que, para atender, se distancia um pouco do namorado.
“Torao?”
— E aí, Luffy! Tudo bem contigo?
“Tudo sim, e com você?”
— Também. Escuta, amanhã vão surgiu uns compromissos, será que eu poderia te encontrar hoje?
“Ahn, é que agora eu tô um pouco ocupado...”
— Mas seria só lá pelas quatro horas.
“Acho que eu posso então.”
— Tá combinado então, até mais tarde. Beijos.
“Beijo!”
— Viram só? – Law fala com os amigos depois de encerrar a ligação. – Parece que vamos ter uma boa surpresa hoje.
(…)
Mais tarde, Roronoa Zoro havia saído de seu trabalho na oficina e chegado em casa. No momento, estava assistindo televisão com Nami enquanto Sanji, que morava com eles e namorava a ruiva, não havia voltado da lanchonete onde trabalhava.
“Não percam no próximo fim de semana o maior evento culinário da Alemanha, nossa feira que contará com a presença de diversos cozinheiros famosos!” — O anúncio da televisão dizia.
— Oh, vai ter feira culinária? – Zoro indaga curioso.
— Pois é. – Mas Nami diz sem estar muito animada.
— O Cook deve gostar dessas coisas, não é?
— Eu também achava, mas até que não...
— Como assim?
“Também teremos uma competição de culinária!” – Volta a exclamar a notícia. – “Será selecionado o melhor cozinheiro da região e este será reconhecido mundialmente por seu trabalho.”
— Por causa disso. – A ruiva afirma.
— Nossa, essa competição parece bem legal, é sério que o Cook não gosta? É a cara dele!
— Sim, eu também acho que o Sanji deva se inscrever, mas parece que ele conhece a juíza. Ela é uma cozinheira famosa e há uns dez anos disse que a comida dele era nojenta.
— Sério..? – Zoro ficou pasmo. – Nossa, nem dá pra acreditar. Ele é tipo, um dos melhores cozinheiro que eu já vi na minha vida.
— Eu acho que depois dessa crítica ele se esforçou muito pra chegar aonde estava, mas mesmo assim, isso derruba qualquer um.
— E ele não quer ir nessa feira culinária nem participar da competição por causa dela?
— Sim, o Sanji é muito convencido, ele não aguentaria ouvir isso de novo.
— Pois pra mim isso é bobagem, ele deveria ir lá e fazer o melhor prato só pra esfregar na cara dessa mulher.
— Nossa, você defendendo tanto assim o Sanji, quem diria.
— E-Eu não tô defendendo ninguém, só digo o que eu acho justo. É inegável que aquele idiota seja talentoso.
— Você deveria falar isso pra ele quando ela chegar, talvez ele te ouça.
— Você acha que ele vai me ouvir?
— Uma coisa são os amigos dando apoio, outra é o rival fazendo o mesmo, né?
— Tem razão, eu vou ver se falo com ele quando ele chegar.
E assim foi feito. Os dois continuaram vendo televisão até que o loiro chegasse e tudo corria como normalmente; sua namorada o cumprimentou e Sanji tomou um banho para se limpar do trabalho, indo para a cozinha a fim de fazer o jantar dos três. Eis que, enquanto ele cozinhava, Zoro adentrou o cômodo.
— E aí, Cook! – O cumprimentou como fazia normalmente.
— Tsc, Marimo, o que você quer?
— Eu vim ter certeza de que você não colocaria nenhum veneno na minha comida.
— Se nós moramos juntos há tanto tempo e eu ainda não fiz isso, por que eu faria agora?
— Por que você disse “ainda”?
— Não importa. É só isso que você quer? Pode ir embora então.
— Na verdade eu queria falar contigo a respeito da feira culinária que vai rolar.
— Hm, eu não vou.
— Por quê?
— Não te interessa.
— A Nami me contou, é por causa da juíza que falou mal da sua comida, não é?
— E-Ela te disse isso?
— Cara, você não pode deixar que uma crítica de dez anos te persiga até hoje, você tem que mostrar quem você é!
— Eu não sei o que a Nami fez pra você estar vindo tentar me dar apoio moral, mas não, não vai adiantar. Eu sou bem firme em minhas decisões.
— Então você vai deixar o seu passado te impedir de ter um futuro?
— Do que você tá falando, Marimo?
— Eu tô falando que quem ganhar esse concurso vai ser reconhecido como chefe mundialmente! Você trabalha numa lanchonete hoje, não é nem em um restaurante, e você tem tudo o que um chefe de cozinha tem.
— Hã? Falando desse jeito nem parece você, o que aconteceu?
— Eu só não gosto de ver as pessoas desistindo de seus objetivos tão fácil, e nem sabia que você era desse tipo.
— Ei, eu não sou desse tipo, calma lá.
— Mas é o que tá parecendo. Você tá com medo de ter sua comida chamada de “nojenta” de novo e nem vai fazer nada pra mudar isso. E se essa chefe provar a sua comida atual e te elogiar? Isso não iria ser uma coisa boa?
— Seria uma coisa boa, mas não vai acontecer.
— Por quê?
— Porque eu não vou me inscrever nessa merda de concurso!
— Tsc, você é um porre mesmo. Além de ser um cozinheiro tarado é um covarde também.
— Hã? Eu não sou covarde e eu não quero ouvir lição de moral de um monte de algas marinhas sem cérebro!
— E você acha que eu quero ficar dando lição pra um cara com uma sobrancelha escrota que morre de medo de levar uma crítica?
— Vai se foder! – Sanji fica com tanta raiva que empurra o outro. – Você não tem noção do que é ouvir que o trabalho da sua vida é “nojento” porque você nunca teve nada do que você pudesse se orgulhar!
— Como é que é? O que você sabe da minha vida pra ficar afirmando esse tipo de coisa?
— Você só fica o dia inteiro deitado naquele sofá, trabalha numa oficina de merda que nem deve gostar e tudo que sabe fazer é levantar uns pesos naquela academia de bosta! Isso é objetivo pra você? Isso sequer é importante?
— Hã? Tudo o que eu conquistei na academia foi por esforço, você acha que eu gostava de ouvir do meu instrutor que eu seria um fracote pro resto da vida? Não, mas se eu não ouvisse esse tipo de coisa talvez eu nem tivesse me esforçado tanto!
— Grandes merdas, você não é nenhuma fonte de inspiração pra mim e nem pra ninguém, eu não aceito que nenhum tipo de pessoa fale mal da minha comida, que é a única razão pra eu viver nesse mundo de bosta!
— Então vai lá praquela merda de concurso e esfrega a sua comida na cara da mulher que te ofendeu há anos, mostra que você sabe cozinhar agora!
— Não, não vou! Eu não quero nunca mais passar por aquele tipo de coisa de novo!
— Viu só? Isso é uma coisa que só um covarde diria.
— Que droga, PARA DE ME CHAMAR DE COVARDE! – Fica com mais ódio ainda e acaba segurando a camisa de Zoro, a puxando e o empurrando novamente, gritando com fúria. – Eu não suporto que uma mulher que nem me conheça e que se acha só por ser famozinha pode se achar no direito de falar mal do meu trabalho de graça!
— Mas você não entende? É por isso mesmo que–
— Não, não vai adiantar nada ir lá de novo, ela não vai mudar a opinião dela! Quando ela me vir, ela vai me reconhecer e ela tinha falado bem claramente pra eu desistir da culinária que eu nunca teria talento, então é exatamente isso que eu vou fazer!
— Sério que essa é a melhor solução que você consegue arrumar? Tsc, você é um merda mesmo.
— E o que você espera que eu faça? Que finja que eu não me importo com a opinião de uma profissional sobre o assunto? É fácil agradar as pessoas da lanchonete, só que uma competição é outro nível, eu não tô preparado pra isso!
— Você não deveria estar falando isso sem nem ao menos tentar se inscrever, parece até que você não conhece o próprio trabalho!
— E por que é que logo VOCÊ tá me dizendo isso? Você não me suporta desde que me viu pela primeira vez! Nunca fez nada pra mim ou me ajudou com nada, por que é que agora você tá me dando tanta lição de moral? Quem é que você pensa que é pra me diz–
— PORQUE, DE LONGE, VOCÊ É O MELHOR COZINHEIRO QUE EU JÁ VI NA MINHA VIDA!
— … – O impactante grito que Roronoa havia acabado de dar foi suficiente para calar a boca de Sanji, que até então estava nervoso, mas depois ficou sem reação. O de cabelos verdes somente ficou respirando forte com a boca, deixando o nervosismo escapar para depois continuar.
— Então seria desperdício demais pro mundo ficar sem conhecer alguém tão talentoso como você.
Nami ficou à espreita da cozinha, atrás da parede, somente ouvindo os dois brigarem para em seguida ficarem em um silêncio assustador. Sanji não estava conseguindo perceber que Zoro havia dito mesmo todas aquelas coisas, principalmente baseado na relação dos dois, que era composta apenas por brigas e ódio.
Os dois só conseguiam ficar se encarando, em silêncio profundo, com as respirações pesadas depois de terem gritado tanto, como se estivessem em um estado hipnotizado, com a cabeça nas nuvens. Sanji somente voltou à realidade quando percebeu que o jantar que estava fazendo já havia ficado pronto e precisava desligar o fogo.
— Você... acha mesmo que eu deva entrar nessa competição? – Pergunta, sem olhar para Roronoa, terminando a comida.
— Acho.
— Acha mesmo que eu tenho tanto talento assim?
— Acho.
— Ótimo... – Desliga o fogão, com a comida já pronta. – Mas mesmo que eu mudasse de ideia, é tarde demais, as inscrições já encerraram. Os participantes precisariam mandar um formulário por correio até hoje.
— Huh, sério? Então ainda dá tempo.
— Não, os correios já estão fechados, eles encerram cedo.
— Puts... que droga.
— Não, tudo bem. Não era pra ser mesmo.
— Bom... vão haver outras competições, não é?
— Sim... claro.
(…)
De volta à zona periférica da grande Alemanha, Dragon, pai de três garotos adolescentes, havia pego seu carro e dirigiu até onde Ivankov e as outras meninas trabalhavam. Ao chegar, convidou a de cabelos roxos para entrar no seu carro e a levou para o motel onde costumavam ir, abrindo uma garrafa de vinho.
— Você vem até bastante vezes pra alguém que só quer conversar. – Ivankov diz, sentada no sofá com a taça enquanto o homem se servia.
— Eu não ia vir hoje, é que aconteceram algumas coisas que me deixaram meio frustrado, aí eu precisei vir falar com você. – Diz, sentando-se em frente a ela.
— E sobre o que é?
— Meu filho... ele foi em uma festa na sexta, só que ele passou mal no banheiro e o professor da escola dele foi ajudá-lo.
— Sério? Na minha época professores e alunos não frequentavam as mesmas festas.
— É, eu também não entendi direito porque ele tava lá, mas algum engraçadinho tirou foto dos dois no banheiro e espalhou pra escola que o Ace tava tendo um caso com o professor.
— Nossa, sério? Com esse tipo de coisa não se deve brincar.
— E agora o professor foi demitido graças a isso, tá uma situação bem pesada lá em casa.
— Que absurdo! As coisas no tempo de escola também nunca foram fáceis pra mim, tanto é que eu fui expulsa de umas três por arrumar brigas com as pessoas que tentavam fazer bullying comigo e nunca me formei! Irrá! Bom, também não fez diferença nenhuma na minha vida.
— É horrível isso, escolas deveriam ser ambientes seguros já que é o primeiro ambiente de socialização que uma pessoa pode ter.
— É exatamente por isso que não é seguro, sociedades dificilmente são seguras, não importa quão ricas elas sejam. Sempre vai ter a área mais pobre e o classicismo que separa as crianças ricas das pobres até mesmo nas escolas, a utopia ainda não é uma realidade.
— E foi difícil pra mim porquê, mesmo o Ace não tendo sofrido nenhum tipo de assédio de verdade, eu percebi que é uma coisa que poderia ter acontecido. A gente costuma achar que as coisas ruins só vão acontecer com os filhos dos outros, nunca com os nossos.
— Nem me fale,e o pior é que os assédios nem sempre são levados a sério, tanto é que a maior parte das vítimas nem denuncia o agressor por medo, ou até mesmo às vezes pensa que aquela é uma atitude normal. Mas de uma certa maneira sempre fica guardado, eu tenho trinta e oito anos e me lembro de todos, tanto do primeiro como dos outros duzentos e cinquenta e seis.
— Caramba... seus números sempre me assustam, a sua realidade me dá bastante medo também. Eu não sobreviveria um dia na sua pele.
— As pessoas acham que só porque uma pessoa é prostituta precisa estar sempre à serviço delas, mas nunca se lembram que é um trabalho como outro normal e que não deveria ser desmoralizado. E também eu quase não saio de dia na rua, pra mim, é mais seguro sair à noite.
— Sério? Geralmente as pessoas acham que sair de noite é mais perigoso.
— Sim, porque são tipos diferentes que frequentam as ruas de dia e de noite, esse tipo de gente que acha mais seguro sair de manhã geralmente é o que me odeia, e todas as pessoas que eu me sinto segura de andar são noturnas.
— Que curioso... eu espero que o meu filho seja tão forte quanto você pra aturar aquelas pessoas na escola. Você acha que eu deveria mudá-lo de colégio?
— Pra quê? Toda escola costuma ser igual, você precisa fazer seu filho aprender a se defender e não a fugir.
— Tem razão. – Dragon se senta ao lado de Ivan no sofá e fica olhando em seus olhos, apoiando uma de suas mãos por detrás da orelha dela e puxando devagar alguns fios roxos de seu cabelo, brincando e acariciando-os com um ínfimo leve sorriso no rosto. – Obrigado por me dar tantos conselhos.
— Eu não dou conselhos, eu só converso com você e você aproveita as coisas que eu digo.
— Antes de te conhecer eu achava que já sabia de tudo depois de ter vivido quarenta e um anos, mas eu percebi que não sei de nada.
O homem de longos cabelos negros continua a acariciar levemente a pele de Ivan e a olhar bem no fundo de seus olhos, ficando cada vez mais apaixonado ainda pela beleza que nele os via. Nisso, ele aproxima seu rosto e dá um beijo em seus lábios de modo lento e sem pressa.
— A-A-Ahn, q-quer d-dizer... – Mas ao perceber o que fez, se afasta rapidamente e coça a cabeça, tentando arrumar algum tipo de desculpas. – N-Não era isso que eu queria fazer, fo-foi mal!
— Han? – Mas Ivan não entende o motivo de ter se afastado de modo tão brusco. – Do que você tá falando?
— É que eu meio que te beijei agora, eu não deveria ter feito isso, eu nem sei se você queri.
— Como assim..?
— Sei lá, você nunca deu nenhum sinal de que queria, então eu tenho medo de ter sido um beijo forçado.
— … você sabe que eu sou prostituta e nós estamos em um programa, né?
— Huh?
— Você sai comigo há três meses e nunca tinha feito nada além de conversar, sendo que esse nem é meu trabalho direito.
— Ah, eu não vejo isso como um programa, eu gosto de conversar com você porque eu gosto de você, eu só te pago porquê... bom, pra você isso é um trabalho e eu respeito.
— Então não precisa pedir desculpas.
— Mas você queria me beijar?
— … como assim?
— Quer dizer, como eu não vejo isso como um programa, então eu não quero fazer nada com você que você não esteja afim.
— Querido, mesmo você não vendo isso como um programa, continua sendo, então você não precisa ficar me perguntando se eu quero ou não fazer esse tipo de coisa com você.
— Então você não queria?
— Eu não tenho que querer nada, quem tem que querer é o cliente.
— Esquece esse negócio de cliente, eu só quero saber se você queria ou não!
— Mas que diferença isso faz? Foi só um beijo, não foi nada demais.
— Pra mim foi porque eu gosto de você, mas eu preciso saber se você gosta de mim pelo menos um pouco ou não.
— O meu trabalho é dar prazer pros outros, não pra mim mesma.
— Esquece esse negócio de trabalho...
— Não dá pra esquecer, essa é a minha vida! Eu não posso deixar os meus clientes insatisfeitos dizendo se eu quero ou não fazer tal tipo de coisa com eles.
— Mas você não vai me deixar insatisfeito, eu já gosto de você independente de tudo.
— Não é assim que funciona. E se eu disser que não? Você só vai embora atrás de alguém que diga “sim”, é uma lógica simples!
— Eu não vou!
— Você diz que não vai, mas não é verdade. As pessoas se apaixonam muito fácil, mas depois que conseguem o que querem, elas vão embora e tudo não passou de um momento.
— Não vai ser assim comigo, eu juro. – Dragon segura o rosto dela, o olhando de perto novamente. – Eu só quero uma resposta pra saber se alguma coisa mudou nesses três meses, se não tiver mudado tudo bem, eu não vou desistir.
— Mas... o que você quer que eu diga?
— Só “sim” ou “não”?
— O que vai te deixar satisfeito? Eu não posso te magoar nem nada do gênero.
— Eu só quero a verdade, só isso.
— Mas–
— Ivan. Só me diz, independente de outras coisas, você quer ou não me beijar?
Um silêncio é criado enquanto Ivankov pensa no que dizer, olhando nos profundos olhos castanhos de Dragon.
— … não.
— Então tá. – E ele se afasta. – Desculpa por isso.
— Tá bom...
— E então, quer abrir outro vinho? – Diz, sorrindo, como se nada tivesse acontecido. Ivankov hesitou por um instante, por achar aquele tipo de atitude bem diferente, mas não de um jeito ruim.
(…)
Um pouco antes das onze da noite, Roronoa Zoro fugiu de casa. Imprimiu a inscrição dos competidores, colocou os dados completos de Sanji e fez o possível para enviá-la. Não poderia mandar uma carta sem selos e nem poderia comprá-los no próprio correio, por já estar fechado, então decidiu fazer o que achava certo.
Determinado a inscrever o companheiro de quarto na competição da feira de culinária, ele rodou todas as bancas de jornais, cuja maioria estava fechada, até encontrar, muito tempo depois, selos à venda. Colou-os no envelope onde continha a inscrição e colocou a carta em uma dessas caixas de correio que ficavam na rua.
— Espero que dê certo...
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