Notas iniciais
Pintando a parede da loja! :DD Espero que gostem desse capítulo~

“Achei que você não tinha que trabalhar no sábado.”

Estava tentando sair sem ser percebido, mas meus pais estavam na sala de estar quando passo. E, quando eu conto a verdade, toda a merda começa de novo.

“Não preciso, eu só vou ajudar a pintar as paredes.” Explico rapidamente, indo até a porta da frente.

“Que perda de tempo.” Meu pai resmunga. “Achei que, ao menos aos finais de semana, você iria estudar e fazer coisas importantes para sua carreira.”

“Estou fazendo.” Abro a porta e a fecho com uma batida. Não vou lidar com eles hoje.

Ligo para Levi e o pergunto se queria uma carona na minha bicicleta mas ele recusa, então eu acabo chegando à loja bem cedo e o enchendo de mensagens no celular. Fiquei um tanto feliz quando ele me deu seu número ontem.

Vinte minutes depois ele aparece com uma mochila e respirando pesado.

“Por que você não deixou eu te buscar?” Pergunto, oferecendo para segurar sua mochila. Ele aceita e me agradece.

“Não seria uma boa idéia.” Ele responde, misterioso. “Bom, vamos fazer essa merda.”

“Você não parece muito empolgado.” Noto, e ele me dá uma olhada.

“Quem estaria empolgado para pintar uma parede?” Ele revira os olhos. “Vamos lá, me ajuda a colocar esse projetor em algum lugar.”

Pegamos uma extensão da loja e colocamos o projetor em uma cadeira a certa distância da parede, até que o desenho estivesse grande o suficiente. Era apenas o logo da loja com uma carinha sorridente, então não parecia muito difícil de fazer. Bom, claro que para mim seria super difícil, mas não era problema meu. Levi organiza os pincéis e tintas e começa a desenhar o contorno do desenho na parede com um lápis. Ele era bom em fazer uma linha reta.

“Você vai assistir?” Ele se vira para mim. “Pega a tinta amarela e começa a pintar aquele lado.”

Concordando rapidamente, eu faço como ele diz e começo do outro lado da parede. O amarelo suave ficaria bem para a loja, dando-a uma aparência refrescante e limpa.

Pintar era fácil, não demandava nada mais do que atenção para não deixar nenhuma parte faltando ou coisa do tipo. E logo fica chato. Levi estava concentrado em seu desenho, já pintando as letras, e eu estava suspirando a cada segundo que passava o pincel na parede.

“Ei, e se colocarmos música?” Sugiro. “’Tá chato fazer isso em silêncio.”

“Pergunta pro pessoal do turno do final de semana lá dentro se vai incomodar.”

E então eu o faço sem hesitação. Entro na loja e encontro o casal aos beijos atrás dos caixas.

“Uh, gente...” Tento chamar a atenção deles.

“Ah, Eren!” O rapaz me olha, sorrindo. “O que foi, precisam de outra extensão?”

“Não, nós só... estávamos pensando se iria incomodar se colocássemos música. Pintar a parede em silêncio é muito chato.”

“Bom, se não for heavy metal, tudo bem!” A garota diz, rindo.

“Sim, cara!” O rapaz se levanta e vai até a porta dos fundos. “Aqui, leva o rádio com você. Dá pra ligar seu celular nele.”

“Obrigado!” Vou até ele e pego o aparelho.

Volto lá fora e ligo o rádio na extensão. “O que quer escutar?” Pergunto, pegando meu celular.

“Madonna.” Levi suspira. “Brincadeira, põe o que quiser.”

“Na verdade eu tenho Madonna aqui, se você quiser.” Eu rio.

“Sério?” Ele se vira para mim, curioso. “Nunca imaginaria que você escutava.”

“E eu nunca imaginaria que você escutava, garoto roqueiro.”

“Eu tenho meus momentos.” Ele dá de ombros. “E eu mal escuto músicas que combinem com meu visual.”

“Já notei. Mas se você não usasse lápis nos olhos ninguém acharia que você é roqueiro.”

“E eu seria bem sem graça.”

“Aposto que não, seu rosto é bonito.” Ele se vira para mim quando eu digo isso, franzindo o cenho e com um meio sorriso. “O que foi?”

“Isso foi tão gay que eu vou ignorar.” Ele balança a cabeça.

“Mas é verdade.” Eu faço um beiço. “Nem todo mundo tem sorte de nascer assim.”

“Uh, bom, obrigado.” Ele murmura.

Acabo colocando todas as músicas de meu celular em modo aleatório e deixo tocando. Nossos gostos eram mesmo parecidos; Levi cantarola junto a quase todas as músicas. Era meio fofo escutá-lo assim.

“Você ta brincando, eu amo essa música!” Ele diz, empolgado, quando a música Paris da Lana Del Rey começa.

“Achei que você amava todas as últimas vinte, do jeito que estava cantando...” Eu brinco.

“Mas essa é especial.” Ele me olha torto. “Take me to Paris, let’s go there and never look back, Paris, we can be crazy like that...”

Eu apenas rio e o deixo continuar a cantar.

Quando estávamos um pouco depois da metade, o rapaz do turno de final de semana nos traz sorvetes, dizendo que nós provavelmente estávamos morrendo com o calor, e nós decidimos parar um pouco para comer. Levi come todo cuidadoso para não se sujar, e era engraçado assistir.

“Sei que você acha que meu rosto é bonito, mas para de me encarar.” Ele chuta minha perna, em tom de brincadeira. “Qualquer um que ver isso vai achar que você tá apaixonado por mim.”

“Mas você é tão charmoso, Zangado...” Brinco, rindo. “Estou tão feliz de ter arrumado esse emprego e ter te conhecido...”

“Desculpa, Dunga, mas sou hétero.” Ele suspira. “Se você fosse uma garota...”

“Não!” Coloco a mão no peito, fingindo dor. “Como vou viver agora?”

“Mude sua genitália e venha para mim.”

“Qualquer coisa por você, querido.”

Ele ri e continua a comer. Eu continuo a comer também, tentando não fazer uma bagunça com aquele sorvete. “Mas, sério, eu tô feliz de ter conseguido esse emprego. Acho que pulei corretamente.”

“Se você acha isso, então tudo bem.” Ele dá de ombros.

“Sim. Queria que meus pais concordassem com isso, eles me encheram o saco antes de sair hoje. Meu pai disse que eu deveria estar estudando e fazendo algo importante pra minha carreira.”

“Não posso dizer que eu não concordo completamente com ele.” Ele murmura. “Você tá em uma universidade ótima, você poderia estar fazendo outra coisa.”

“Por favor, não concorda com ele...” Eu suspiro. “Eu não quero mais nada naquele mundo. Eu queria algo de fora; eu queria ver o mundo fora da linha que tinha sido planejada para minha vida. Eu sinto que eu precisava de uma experiência assim.”

“Eu entendo e não entendo. Não consigo imaginar em que essa experiência está te adicionando, mas, bom, se você se sente assim, então é tudo. Sua opinião é a única que importa.”

“Eu acho que sim. Mas é tão difícil convencer os meus pais disso...”

“Eles são seus pais. Eles só querem ver você feliz.” O tom de Levi soa mais triste. “Eles querem o melhor pra você.”

Eu fico em silêncio por um tempo, absorvendo suas palavras. Eu sabia que era isso, mas era tão frustrante que eles não queriam ver o meu lado e respeitar minhas escolhas.

“Como são seus pais? Eles tão te irritando com essas coisas sobre o futuro como os meus?” Pergunto, e Levi se vira para mim com uma expressão surpreendida.

“Oh.” Ele olha para o chão. “Acho que eles estariam se estivessem vivos.”

Fico bravo comigo mesmo por ter perguntado. Nossa, se eu soubesse... “Desculpa.”

“Tudo bem, já faz um tempo.” Ele dá de ombros. “Vamos voltar pra parede?”

“Sim.”

Levi não canta as músicas seguintes, ele apenas pinta a parede totalmente concentrado. E eu continuo me xingando internamente por tê-lo deixado triste dessa forma.

Então decido fazer algo para tirá-lo desse estado e passo meu pincel sujo em sua bochecha.

“Ei!” Ele franze o cenho, tentando limpar.

Tento sujá-lo mais e ele ameaça me sujar com o seu. E, bom, ficamos todos sujos de tinta. Pelo menos fiz com que ele risse, e logo ele estava cantando novamente uma música feliz que começa a tocar. E nós brincamos e esquecemos qualquer coisa que estivesse nos preocupando.

Terminamos tudo quando o sol estava prestes a sumir do céu. A Srta. Zoe passa na loja para nos pagar e nos agradece pelo trabalho. Cinqüenta dólares. Não era muito, mas eu poderia usar esse dinheiro pra comprar uma camiseta nova. Levi parecia mais empolgado com seu pagamento, entretanto, guardando-o em sua carteira e dizendo que guardaria para alguma necessidade.

Acho que eu era o único que não estava trabalhando por causa do dinheiro.

Insisto em levar o Levi para casa e ele concorda, então eu o deixo na porta. Brincamos o caminho todo, faço curvas para fingir que íamos cair e Levi bate em minhas costas, ameaçando nunca mais pegar uma carona comigo.

Mas eu sabia que ele estava brincando.

Assim que chegamos a sua casa, paro a bicicleta na calçada e nós notamos alguém sentado na varanda de sua casa. Levi rapidamente desce de minha bicicleta.

“Onde você estava?” A pessoa desce a escadinha e vem até nós. Era um homem velho, alto e assustador.

“Trabalhando. A Hanji me pediu – nos pediu pra pintar a lateral da loja.” Levi explica, nervoso. “Esse é meu colega de trabalho.”

“Hm.” O homem nos encara, cruzando os braços.

“Bom...” Levi se vira para mim, respirando fraco. “Obrigado pela carona. Você pode ir agora.”

“Okay...” Eu concordo com cuidado. “Te vejo segunda.”

“Sim. Tchau.”

“Tchau.”

Queria ir lento para ver o que ia acontecer, mas Levi fica me encarando como se estivesse me mandando desaparecer e eu não consegui encontrar uma forma de não fazê-lo. Quem era esse homem assustador? Seu responsável? Levi tinha idade suficiente para não precisar de um, e eu nunca ficaria com um responsável que era assim tão assustador.

Volto para casa perdido nesses pensamentos e me perguntando se eu deveria mandar uma mensagem pra ele quando eu chegasse em casa, só pra conferir se estava tudo bem. Mas eu acabo não fazendo isso e vou tomar um banho.

Notas finais
Até semana que vem!