Ventos que me Levam
1 Prólogo
Notas iniciais
PROLOGO.
Will correu pelado e molhado pelo chalé, o pequeno bebê ria enquanto Halt tentava alcançá-lo, ensopado até os cotovelos, o arqueiro finalmente segurou o corpo gorducho que ria sem motivo para o homem. Era mais um dia praticamente normal em sua residência, hora do banho passava a ser o momento de diversão.
Will tinha seus um anos e seis meses de vida. Após a morte de seus pais, a criança havia ficado sozinha, com pena e com a dívida para com o pai, o arqueiro resolveu cuidá-lo e educá-lo ao seu modo.
“Não adianta Will”. O menino esperneou alegre, suas bochechas volumosas avermelhadas de tanto rir, agarrou o pescoço de Halt querendo dormir no colo quente. “Não seja espertinho, guri, depois é cama”.
A água estava morna, mas o sono parecia que estava um tanto longe, jogando sabão para o alto o menino Will se divertia com a cara carrancuda do outro.
Halt molhou os cabelos cacheados e desgrenhados com cuidado, havia prometido que cuidaria dele e era isso que faria. Então, ajeitou-o melhor na banheira ensaboando-lhe quando ouviu cascos de cavalos; arqueiro se aproximando. Depois um tropeço, Gilan.
Seu aprendiz ainda não havia parado com a mania de cair na entrada do chalé. Ele balançou a cabeça com a lembrança do dia em que chegou com o recém-nascido Will, choroso, faminto e tão enrugado que nem parecia ser um fruto ou projeto de humano. Gilan se enciumou, pela primeira vez havia visto o sério e silencioso arqueiro carregando uma coisa tão frágil.
A porta se abriu e o Gilan gritou do outro lado, algo sobre, que iria chover neve. Will reconheceu sua voz gritando bem alto e agudo, molhando o rosto do barbado, Halt fechou os olhos com o som, Gilan veio até a entrada do banheiro rindo também da cena enquanto comia uma maçã verde.
“Ótimo! Agora, venha terminar o banho dele antes que eu tenha que trocar as vestes por completo”.
A janta estava até tranquila, em uma cadeira à esquerda estava o faminto Gilan, devorando as folhas de espinafre, aliás, o prato cozido estava do agrado do menino: as ervas perfumavam o prato de espinafre com ovo temperado com mostarda, alho poró e gengibre. O ovo de pata era grande e suculento, derretia na língua, a quentura do espinafre enchia de regozijo e satisfação, seu sabor marcante e inconfundível era um dos preferidos de Gilan— filho do importante David teve sempre alimentos bons, os melhores pães, carnes, doces que deixava-no quase sempre sem palavras — porém, Halt era diferente, prezava a boa e educada alimentação saudável.
Seus pratos saborosos eram simples, entretanto, deixavam forte e nutrido para os treinos com o arco, assim como, os exercícios rigorosos que caiam em seus ombros todas as manhãs, se não tivesse a reforçada refeição, provavelmente não conseguiria ficar bem-disposto a nova vida.
Gilan pensou mastigando os fios esverdeados, vendo em sua frente o bebê Will também devorar o purê de maçã doce da sua vasilha redonda, cujos dedinhos batiam na mesa, enquanto, lhe davam na boca.
Cauteloso em seu serviço, Halt bebia seu vinho ao mesmo tempo, muito concentrado no que fazia, que não percebeu o olhar de admiração do aprendiz, ele parecia uma verdadeira figura paterna cuidando de seu filho diante à mesa. Uma raposa zelosa cuidando de seu filhote.
Will estufou o peito chateado quando a última colherada se foi, mesmo muito pequeno já sabia que quando o potinho acabava era o fim da diversão. Isto acarretava numa careta feia e engraçada, no rosto avermelhado, logo depois, num choro de tristeza capaz de dar pena.
Halt segurou contra seu peito, deitando sua cabeça pequena, afagando as costas até que parasse. Gilan recolhia a louça, lavando dentro da bacia de água com sabão. O arqueiro andava pelo chalé cantarolando uma canção baixíssimo, as persianas estavam abertas fazendo com que um frio entrasse arrepiando o quase adormecido Will, ele olhou para cima vendo o rosto conhecido com calma, seus braços quentes embalavam-no para um caminho tão complexo.
“Ai! Nossa ele está manhoso hoje” Gilan disse rindo virado para trás.
“Acordou desse jeito”. Disse, “Como foi lá na cidade?”
“Não foi nada demais, o festival estava bem divertido, mas algumas pessoas se afastavam quando me viam”.
Aquilo era normal para qualquer arqueiro. Olhares tortos, ele teria que se acostumar com a dura realidade de portar o arco, mas agora ainda estava em treinamento e teria tempo, até lá, já que viviam um tempo de paz. Isso lembrou que também segurava uma outra criança que não sabia de nada.
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