Ventos que me Levam

3 Capítulo 2: Seja meu Mestre.


Notas iniciais
Olá, desculpa a demora básica, mas minha beta também tem uma vida. u.u fiquem sossegados que a história já esta quase terminada. Então eu não deixei de lado, apenas... bom, é a vida né pessoas.

Não me cabe conceber nenhuma necessidade tão importante durante a infância de uma pessoa que a necessidade de sentir-se protegido por um pai.

Sigmund Freud

Will espiou pelo vidro do chalé com cautela, nas pontas dos pés, com dois anos e meio já conseguia subir nas coisas com dificuldade, entretanto, isso não impedia o menino de se enfiar nos mais ilustres lugares como: nas camas, nos armários e nos cestos de roupa suja.

Ele cantarolou uma canção que Gilan sempre fazia durante seu banho, com melodias e rimas. Desde que aprendeu as sílabas e as palavras, o pequeno Will se divertia em formá-las; batendo as mãozinhas ele continuou com sua arrastada sinfonia complexa, vendo que ele, vinha correndo lá de fora com um cesto coberto, ele sorriu — estava verificando se Abelard estava bem de saúde agora, que parecia que tirava férias dos serviços da ordem, poderia deixar certos hábitos de lado, mas ainda tinha o animal como responsabilidade, aliás, o Pônei era também da família à qual fazia parte nos bons e piores momentos dos Arqueiros.

Will correu como um raio até à porta que se abria, colando nas pernas antes mesmo do mais velho colocar os pés do assoalho—Will havia crescido uns bons centímetros abaixo dos joelhos, seu rosto estava mais um tantinho formado, os olhos maiores e brilhantes, os cachos bem formadinhos como se ele fosse um anjo dos vitrais das igrejas. Pulando, dizendo sem parar e atropelado: “Papai, posso no pônei?”

Um ensaio de um sorriso quase brotou dos seus lábios, estar presenciando a mudança rápida daquele menininho, que outrora não passava de um ser delicado incapaz de saber a realidade do mundo, parecia um sonho distante, agora, ele estava ali, agarrado nas suas pernas impossibilitando-o de, pelo menos, dar um passo a mais. Ele andou gemendo, simulando uma forte dor nas costas como se fosse um trapo velho, Will riu como sempre, com aquele escândalo desnecessário típico do garoto.

A cesta foi posta na mesa com cuidado. Eram maçãs frescas que nasciam suculentas no pomar ao lado do chalé. Alimento preferido de Will depois do desmame com o leite das cabras. — dados dos fazendeiros, onde Halt fazia às vezes uma patrulha em troca dele. Will crescia forte e saudável. Olhando para cima, implorando com os olhos para que pudesse ver o tão gracioso cavalinho robusto. Sempre via-o pastar durante dias de sol e era curioso, como todas as crianças.

Puxando a calça, chorava para o alto, numa birra dissimulada que não passou despercebida pelo arqueiro que levantou as sobrancelhas pela esperteza já tão evidente do baixinho. Ele é um tratante. Pensou Halt, enrugando as feições, esticando a cabeça pelo bico enorme nos lábios chorosos. Já estavam nessa luta há semanas, na qual o inimigo era a teimosia e a bravura do ser mais guloso que Araluen já viu nascer. Ele suspirou, derrotado, pela primeira vez. Finalmente, o poderoso e destemido Halt foi passado a perna numa tardezinha qualquer.

Olhando para calmaria que se encontrava, Gilan treinava sozinho neste período, praticando o que havia mostrado pela manhã, aperfeiçoando suas habilidades no arco-e-flecha, também não iria fazer nada, a não ser o jantar às 18:00 horas. Bagunçou os fios rebeldes, Will teria a primeira aula de equitação da sua vida. Este seria um momento que não gostaria de esquecer jamais.

Abelard era um pônei treinado para os arqueiros, não recebia qualquer cavaleiro ou forasteiro, era silencioso e obediente, além de sempre estarem ao seu lado para o que der e vier. Mas, naquele dia, parecia que os olhos inteligentes do animal percebiam o pitoco de gente em pé, olhando para o imenso focinho redondo e peludo como sendo um mestrezinho. Abelard abaixou o focinho, cheirando-lhe com atenção, Halt estava ao lado vendo a interação, confiava na sua montaria destemida e sabia que ele não machucaria Will de forma alguma. O menino acariciou, sentindo a textura macia, do fundo do peito largo, o pônei fez um som como se falasse: Olá pequeno Will, como vai?” E como resposta àquela indagação, que apenas ambos se comunicavam, o pedido foi feito, a ordem foi concedida.

Trotando levemente, macio e suave, o som dos cascos do pônei era ouvido, o mundo havia crescido tanto que nada era impossível agora. Halt segurava seu bracinho enquanto fazia movimentos giratórios. Não era bem uma aula, teria que deixá-lo sozinho se realmente fosse o caso. Não iria queixar-se de que preferia uma missão qualquer, pois sentia o vento morno em seu rosto e, ainda por cima, estava ouvindo as risadas de Will, se não tivesse outra opção, faria um abaixo-assinado a favor de dias de paz.

Will segurou a crina do animal, puxando os fios para os lados, na sua mente infantil, estava andando em seus sonhos, passeando como gente grande. Olhando para o lado, sorrindo de ponta em ponta, os dentinhos mostravam-se lá, nas janelinhas da infância, na brandura dos olhos luminosos para aquele que amava como se fosse, de fato, seu pai, seu mentor, sua âncora de ferro.

Aquele dia atendia a todas as necessidades do seu dia perfeito.

Logo mais, um se juntou àquela animação. Gilan chegou à vista um tanto cansado, mas sorriu vendo a cena inédita, correu até lá, soltando suas coisas pelo canto, Will gritou e impedindo que caísse pelas mãos fortes que rodearam sua cintura, Abelard balançou a cabeça relinchando alto.

“Pensei que ficaria mais tempo por lá”. Disse, retirando Will do lombo, mas não foi o que o menino queria.

“Já está anoitecendo e um ar mais frio fez meus pelos arrepiarem-se na mata sozinho”. Gilan contou, dando ênfase no frio e fazendo carretas de medo — Will iria resmungar, mas prestou atenção nas feições medrosas do mais velho, isso evitou uma bronca da parte de Halt que, aliviado, apenas deixou que Gilan segura-se ele , podia ouvir a fala confusa de Will, tocando o rosto gelado do menino que riu pela preocupação. Levando, novamente, Abelard ao estábulo, ambos sumiram para dentro do chalé quente.

“Obrigado, amigo”. Ele o beijou, colocando nas costas musculosas a manta quente, o pônei aceitou o agrado, assim como as maçãs dentro do cesto, seria uma noite tranquila.

Quando entrou, Will cantava bem desafinado junto com Gilan as mesmas frases, em frente à lareira.

Notas finais
Bom, obrigada a que ler o mesmo, e quem comentou o passado. Fico feliz. ^^ Podem comentar, a tia BBALLEN deixa srsr