Vento nas Folhas

2 Espaço Cinza


(...)

(Suspiro profundo)

Há uma incógnita terrível no passar dos dias.

Muitas manhãs e tarde simplesmente se esvaem sem compromisso ou compasso.

“Um dia após o outro”

O intervalo de fechar os olhos e abri-los novamente. O cansaço da rotina repetitiva.

Tentar fugir dela, revela-se doloroso e desorganizado, traz crises e tempestades consistentes.

Não há elevação ou sublimação, apenas mais do mesmo, dia após dia.

E assim os anos se passaram, sem surpresas, apenas um marasmo estarrecedor, onde os únicos crescentes são: Medo e desconforto.

Finalmente tomei coragem para colocar essas palavras para fora.

Há certa vergonha em admitir.

Mas o marasmo maçante da rotina tem me sufocado. E tenho buscado o novo insistentemente, em contrapartida, também cansa lutar sozinho. Contra mim mesmo, meu medo e desamparo, mas e todas as coisas que vieram antes de mim.

Dando murros em ponta de faca.

Sem sentido, doloroso e cruel.

A zona cinza, tornou-se a “casa” do sentir nada. Estar amortecido. Sem forças para levantar, tudo acontece ao seu redor e você continua no mesmo adormecimento, nada te abala por que em sua essência, nada traz admiração, tudo é contentamento.

Tudo é Cinza.

Quanto tempo tudo foi cinza?


Quando as surpresas pararam de ser divertidas?


Hoje sonhei novamente.

Mas, suas palavras não trouxeram conforto. Seus lábios traziam culpa e suas mãos não traziam afago, contudo, distância.

“Não podemos viver assim”

Sussurrei cheia de sentimentos lastimosos. Inúmeros deles, traziam dor física.

“Eu sei que não, estou aliviado de colocar isso para fora. Nunca vou esquecer que te amei tanto. Mas, não suporto mais a culpa. Talvez em outra vida, possamos envelhecer juntos.”

Então tudo é Cinza novamente.

Nunca há uma terceira pessoa nos sonhos. Sua voz é sempre um sussurro rouco. Sua risada é íntima e entre os beijos. Mas, sempre é fim de tarde, sempre está alaranjado e cheio de calor. Sua presença é cor e calor, não sei se me faço entender. Então quando o fim chega, é como tirar o fim de tarde lindo e caloroso de mim. Acordo como quem retorna a esse mundo, assustada, com o coração acelerado e a pele quente onde ele havia tocado. Os lábios saudosos de seus beijos comedidos…

Seria esse último sonho nossa despedida?

Não ter respostas traz um tipo diferente de desconforto.

Essa saudade do que não houve e a possibilidade de ter acontecido…

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O que teria acontecido se tivesse sido…?

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E se…?

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E se não fosse?

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Nesses últimos dias, toda vez que sinto o vento fresco levanto a cabeça para senti-lo no rosto. Passei muito tempo evitando sentir isso.

Mas, não posso mais fugir.

Nem fingir.

Deixo que ele acaricie tudo de mim.

E se despeça com um beijo em meus cabelos e lábios enquanto sorrio satisfeita.

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Parece que há uma pequena borboleta colorida passeando pela paisagem cinza.

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Finalmente, há esperança de cor.

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🧡