Veni Vidi Vici

13 The Heart Wants What It Wants


Notas iniciais
Apesar de ninguém parecer se importar com essa fic (nenhum comentário no último capítulo), eu continuarei postando porque acho horrível escritores que param de postar, apesar de estar bem desanimado. Bom, esse é o primeiro capítulo narrado pelo Vini, espero que gostem, e por favor, deixem suas opiniões. Música do capítulo: https://www.youtube.com/watch?v=ij_0p_6qTss

Não lembro a última vez que eu tinha sido rejeitado.

Acho que é porque isso nunca aconteceu.

Não quero ser convencido, mas acho que a maioria das pessoas gostaria de ficar comigo, então porque ele não queria?

Ele, um garoto, o primeiro garoto do qual eu gostava havia me rejeitado, e eu não conseguia entender o porquê.

Eu revirava a minha mente centenas de vezes à procura da resposta e não conseguia encontrá-la, e eu não sabia mais o que fazer, eu nunca tinha ficado triste assim, eu nem sabia direito como reagir à isso.

Minha vida nunca foi perfeita, meu pai abandonou à mim e minha mãe quando eu tinha 4 anos, eu senti falta dele por um tempo, mas agora não sinto mais, ele era um inútil, provavelmente não conseguiu viver com sua própria estupidez e nos deixou, não sei e nem quero saber onde ele está agora.

Minha mãe era ótima, por mais que ela trabalhasse muito como advogada ela sempre dava um jeito de ficar um tempo comigo, ver algum filme, um jantar, qualquer coisa, eu a amava.

Ela era a pessoa que eu mais confiava, e por essa razão eu falaria para ela que estava apaixonado, ao contrário de 99% dos outros gays, eu não estava com medo de sua rejeição, eu tinha certeza que ela não faria isso, ela me amava.

— Mãe, tenho que conversar com você. – eu anunciei depois do jantar, eu não estava com medo, mas ainda assim estava nervoso.

— O que foi, meu filho? – ela pergunta, olhando-me com seus olhos verdes atenta, olhos que eu gostaria de ter herdado, e não os do meu pai.

Eu queria não ficar nervoso, mas estava.

— Eu acho que... – comecei errando. – Mãe, eu sou gay. – as palavras simplesmente saltaram da minha boca.

Ela me analisou por um instante, e meu coração batia forte contra meu peito.

E então ela abre um grande sorriso.

— Achei que nunca fosse me falar.

— Hã? Como assim? – pergunto boquiaberto.

— Eu sou uma advogada, garoto. – ela ri, como se a resposta fosse óbvia. – Eu sei ver e muito bem nas entrelinhas.

Minha boca continua aberta e ela parece achar graça.

— Aliás, também sei que você gosta daquele seu amigo que veio aqui no outro dia. – ela acrescenta, bebericando do restinho de seu suco no copo.

— Mas... mas como? – sinto que estou prestes a ter cãibra no maxilar de tão boquiaberto que estou.

— Vi no modo como você olhava para ele. – ela sorri bondosamente e eu enrubesço. – Está tudo bem, meu amor. Você devia saber que eu sempre irei te amar e sempre iria te apoiar.

— Mas eu sabia, mãe. – respondo sincero. – Só não tinha ideia que você soubesse de tudo isso.

— Hum, então porque você tá com essa carinha triste? – ela continua a conversa enquanto recolhe os pratos com a minha ajuda, levando-os para a cozinha.

— Não sei se fiz alguma coisa errada, mas ele não quer ficar comigo. – respondo, e diferente de também 99% dos filhos, eu não tinha problemas de falar esse tipo de coisa para minha mãe, ela era sempre a primeira a saber.

— Se você fez algo errado é melhor descobrir e consertar o erro, o relógio não para Vinicius, e quando você se dá por conta, perdeu todas as oportunidades. – Mamãe responde lavando os pratos e eu ao seu lado com um pano para secá-los.

— Mas eu não sei! – digo frustrado. – A gente ficou, ele pareceu feliz e tal, eu até ia trazer ele aqui, mas do nada ele sumiu e quando falou comigo de novo estava estranho e disse que não podia ficar comigo e sei lá mais o que.

Ela ficou em silêncio por um tempo.

— Tem mais alguém no meio. – decidiu, sem desviar sua atenção da louça.

— O que? Como assim? – exclamo. – Ele tá gostando de outro?

— Não necessariamente, pode ser só alguém que está no meio disso. – ela explica e finalmente me encara. – Mas disso eu tenho certeza, resta a você descobrir quem é e resolver isso.

Assento com a cabeça, tinha sido tão estúpido, nunca tinha pensado na possibilidade de ter outras pessoas no meio disso tudo, achei que era apenas entre nós dois, mas e se ele estivesse mesmo gostando de outro cara e não quisesse nada comigo? Eu não queria perder ele, já sentia tanto sua falta... Das suas piadas, do seu jeito... De tudo.

Eu tinha que descobrir logo quem era que estava no caminho da minha felicidade.

* * *

Se passaram mais alguns dias e eu não sabia nem por onde começar a desvendar o mistério de quem era a pessoa no meio do meu relacionamento com ele.

Acabou que a resposta veio até mim.

Numa quinta feita ensolarada – até demais – eu estava perambulando sozinho no intervalo ainda tentando achar a peça que faltava no quebra-cabeça, o pior era ver ele isolado também, sem falar com Amanda.

Amanda!

Talvez ela soubesse de alguma coisa para me ajudar.

Procurei por todo o pátio da escola até que avistei-a de costas meio que atrás de uma árvore, ela conversava com alguém, um amigo dela que eu acho que se chamava Edmar.

— Sim, o Vinicius! – ela falava baixinho.

Parei de imediato ao ouvir meu nome, ela estava a poucos metros de mim.

— Bom, não vou dizer que me surpreende. – o garoto de cabelos negros, que por pouco não me via se recuperava de uma expressão de choque.

— Ah, cala a boca, eu vi sua cara. – Amanda riu. – Mas eu não consigo contar pra ele!

Contar o que?

Dei um jeito de me esconder atrás de uma coluna do saguão e apurei os ouvidos.

— Quem te viu, quem te vê, hein, Amanda? – Edmar ria. – Quem diria que você ia estar nessa indecisão e insegurança toda só por gostar de um cara.

— Para de rir do meu sofrimento, praga. – Amanda censurou-o com um vestígio de brincadeira. – É pra você me ajudar!

— Eu? Já falou com aquele seu amigo? O que é gay?

— Já, mas ele anda meio estranho esses dias. – ela respondeu com um ar de tristeza.

Nesse instante o sinal tocou e Edmar disse apressado.

— Foi mal, Amanda, mas eu tenho uma prova de matemática agora e tenho que correr, a gente conversa melhor depois... – e se apressou a passar por ela.

— Ah, tá bom Ed. – Amanda disse desanimada.

A verdade me atingia como choques pelo meu corpo.

Amanda. Gostava. De. Mim.

Não só gostar de amigos, mas gostar de tipo... gostar!

Era isso, minha mãe estava certa, agora estava tudo claro, ela era o motivo do qual ele não queria ficar comigo, porque ele era amigo dela e não queria que ela ficasse mal.

Eu até entendia ele, mas ele devia pensar na sua felicidade primeiro, por mais que Amanda fosse sua amiga, agora eu estava sentindo um pouco de raiva dele, raiva por não ter me contado, poderíamos ter resolvido isso juntos, eu poderia ter conversado com Amanda e todos ficariam bem.

Dane-se, isso não importa agora, eu tinha que consertar tudo sozinho.

E foi isso que eu fiz, na saída, esperei Amanda descer, ela conversava com Edmar novamente, e ao me ver calou-se rapidamente e sorriu bobo. Agora eu via tudo com outros olhos, os arreganhos de Amanda, os sorrisos, tudo.

— Oi, Amanda. – cumprimentei tentando parecer descontraído.

— E aí, como tá? – ela respondeu ainda sorrindo. – Ed, depois a gente se fala, okay?

O garoto concordou e passou por nós dando um aceno de cabeça para mim.

— Pra falar a verdade, não muito bem. – respondi sincero.

Amanda ficou séria.

— Ué, como assim?

— É que... tem uma coisa que eu quero que você saiba, mas não quero que fique triste. – Porra, eu podia ter herdado só um pouco mais do talento da minha mãe com palavras.

Amanda ficou instantaneamente nervosa, quase consigo visualizar o turbilhão de pensamentos passando em sua mente. Ela fica em silêncio, e eu novamente fico nervoso.

— Amanda, eu sou... eu sou gay. – desembucho.

Ela me encara e então cai na gargalhada.

— Nossa, Vinicius, essa foi boa, não, sério mesmo. – ela mal consegue falar de tanto que ri, eu encaro-a confuso. – Fez eu ficar nervosa, hein.

— Amanda, eu estou falando sério. – insisto.

Ela diminui as risadas, mas não parece convencida, o que me irrita.

— Amanda, eu estou apaixonado por um cara... – acrescento impaciente.

Agora ela me fita sério e fica em silêncio, meu coração pulsa forte clamando por uma reação além disso.

— Não, não pode ser... – ela diz, mas ela acredita, porém está em negação.

— Eu... Eu sei dos seus sentimentos sobre mim também. – continuo, e ela olha para mim com os olhos arregalados, ficando gradualmente mais vermelha a cada segundo que passa.

— Hã? O quê? – ela diz depois de alguns segundos.

— Não tem problema, sério. – tranquilizo-a. – E sei que é ridículo falar isso, mas realmente não é você, sou eu, não posso ficar com você porque bem... eu sou gay né... – ela só me olha, atônita. – Só quero que você saiba e me deixe pra lá porque eu gosto muito de você e você não merece ficar triste por mim.

Amanda novamente permanece em silêncio, e então seus olhos ficam marejados e me amaldiçoo mentalmente pelo que falei, mas eu não sou mesmo bom com palavras e eu só quero que Amanda não goste mais de mim e eu possa ficar com quem eu gosto.

— As coisas não funcionam assim, Vinicius. – Amanda diz, secando os olhos antes que as lágrimas caiam. – Você não pode simplesmente escolher não gostar mais de alguém! – ela acrescenta com raiva.

— Eu sei, mas... – tento começar, mas ela me interrompe.

— Não, eu já ouvi o bastante! – e ela passa por mim, mas para antes de sair da escola. – Ah, Vinicius! Seja feliz, você pode. – e então passa pelo portão.

Aquilo me deixa triste, Amanda sempre foi tão legal comigo e agora eu não podia fazer nada para não deixa-la triste.

Eu pensaria em algo, e não pensaria sozinho, agora eu tinha que resolver a outra parte do quebra-cabeça.

Ele.

Notas finais
Heeey, tomara que tenham curtido, o próximo capítulo já será narrado pelo personagem principal novamente e será postado dia 24/05. Até lá =3