Veni Vidi Vici

4 Give Me Love


Notas iniciais
Bom, como prometido, mais um capítulo, e eu quero ver comentárioooos hahhaha Sério, to meio triste com a recepção dessa fic pq eu esperava que fosse melhor, o primeiro capítulo teve uma boa recepção mas os últimos capítulos nem tiveram comentários, então sei lá.. :( Nesse capítulo temos realmente o primeiro flashback do passado, trazendo um segredo do personagem principal. Música do capítulo: https://www.youtube.com/watch?v=FOjdXSrtUxA

O fim de tudo começou em julho.

Tantos meses atrás.

As férias de julho foram o início para as piores decisões que eu tomaria até agora.

19 de Julho de 2014.

Ela o perdoou, a mim não, não sei se tenho o direito de dizer que é injusto, mas eu acho.

Eu realmente gostava do Gabriel, eu que tinha feito ele e Fernanda ficarem juntos, eu tinha criado aquele casal que agora tinha 1 ano de namoro. Eu me orgulhava disso, assim como eu havia me orgulhado de Eduarda e Richard, o problema é que depois de fazer uma coisa boa, eu sempre fazia outra potencialmente ruim.

Foi assim com a Fernanda.

Foi assim com a Eduarda.

Com Gabriel foi um pouco diferente, talvez até pior.

Era para ser apenas uma tarde normal, talvez até um pouco entediante.

Gabriel era muito legal, eu começava a gostar dele como um irmão, e eu apenas convidei-o para vir aqui em casa. Ele não quis contar para a namorada dele, que também era a minha melhor amiga, que vinha aqui, eu não entendi o porquê, mas não fiz objeções, aí começava a ladeira dos meus erros, por que eu esconderia algo de minha melhor amiga? Que era minha amiga a muito mais tempo que ele? Não tenho a resposta para isso, estupidez talvez.

Não nos conhecíamos há muito tempo, mas eu já confiava em Gabriel, ele era o tipo de pessoa que você quer confiar, ele tinha algo especial, pelo menos eu achei que sim. Eu queria confiar nele, queria que ele fosse meu melhor amigo, e eu o dele, tudo isso pra nada, nada em nossa amizade teve real significado, nada foi real eu acho, mas nesses meses atrás eu não sabia disso, e eu confiava cegamente que Gabriel gostava de mim tanto quanto eu dele.

– Gabriel, posso te contar um segredo? – perguntei, ainda inseguro sobre a decisão de conta-lo.

– Claro. – ele respondeu, curioso e sorrindo.

E essa frase foi o fator decisivo para a minha queda.

Eu estava trocando a noite pelo dia ultimamente.

Dormia logo após chegar da escola, acordava lá pelas 22hrs, e ficava acordado até a hora de ir para a escola, cheguei à conclusão de que ficar sozinho durante a noite era mais fácil do que durante o dia, me fazia achar que eu só não tinha ninguém para conversar porque era tarde e todos já estavam dormindo, e não porque as pessoas que eu amava já não sentiam o mesmo por mim, além de que desse jeito eu não via muito os meus pais, o que tristemente era algo bom.

Porém, essa sessão de estudos na casa de Vinicius fez isso mudar, já que tive que ficar a tarde acordado ensinando-o química. O estranho é que eu só me dei por conta do quanto estava cansado quando saí da casa dele e fui pra parada, mas eu estava contente, eu estava fazendo um novo amigo, eu não queria ficar contente demais porque sempre que eu ficava muito contente com algo, tinha alguma coisa que dava errado, mas eu queria me permitir sorrir sinceramente.

Quando cheguei em casa, meu pai já estava bebendo, ignorei as diversas coisas que ele tagarelava incessantemente e fui para meu quarto, minha mãe fazia alguma coisa na cozinha e mal me olhou quando eu passei. Eu já estava acostumado.

Desabei na cama e logo caí no sono, em meus sonhos, eu estava com Fernanda em um restaurante, junto com duas outras garotas que eu nunca havia visto na vida, Fernanda e eu éramos amigos de novo, eu reconhecia o restaurante, nós já tínhamos estado ali antes de... bom, antes de tudo acontecer, e quando eu acordei, ao perceber que era apenas um sonho, uma lágrima escorreu de meus olhos, e eu me prendi à ideia de que aquilo algum dia pudesse se tornar realidade até o caminho da escola. Todos dizem que todo mundo merece uma segunda chance, mas do mesmo modo, quando todas essas pessoas são postas no lugar de perdoar alguém, de dar a tão desejada segunda chance, é mais difícil fazer do que pensam, e a maioria não consegue, assim como Fernanda.

Era intervalo e eu ia procurar Amanda, e antes que a encontrasse, topei com Vinicius, não era muito difícil já que nossas salas são no mesmo prédio.

— Estou procurando a Amanda. – falei, após cumprimenta-lo.

— Vamos juntos então. – ele sorriu e descemos as escadas.

Ficamos alguns segundos sem saber o que falar, então puxei um assunto estúpido.

— E o Cris?

— Ah, vi ele hoje na entrada, aliás, eu nunca te vejo na entrada. – ele respondeu enquanto descíamos o último lance de escadas até o térreo.

— Bom, deve ser porque eu sempre chego em cima da hora.

Ele assentiu sorrindo.

— Acho que o Cris não gosta muito de mim, sabe, só acho... – ironizei enquanto andávamos para o pátio.

— Nada a ver! – Vinicius discordou, passando os olhos pela multidão à procura de Amanda, eu fazia o mesmo.

— Qual é, 95% das ações que ele faz pra mim é revirar os olhos, e os outros 5% são os cumprimentos forçados. – eu falei aquilo como brincadeira, mas era algo que realmente me incomodava, talvez Cris tivesse alguma espécie de faro, e sentisse o tipo de pessoa que eu era.

— Ah não dá bola pra isso. – Vinicius riu. – Ele só deve estar com ciúmes de mim.

— Nossa, e você é muito modesto, né? – brinquei, dando meia volta.

— Apenas realista, sou um ótimo amigo, é sensato que ele tenha medo de me perder. – ele encenava um sorriso teatral que ficava extremamente bem nele, como daqueles heróis super confiantes em desenhos animados.

Dei um soquinho no braço dele e balancei a cabeça sorrindo.

Apesar da descontração do momento, as frases de Vinicius fizeram me lembrar frases que eu mesmo dizia, e que só agora eu percebia o quanto elas eram mentira. Sempre me achei muito legal e amigável, até que tudo isso se provou o contrário, eu era legal por fora, mas não fui uma boa pessoa quando veio a ser provado o meu valor.

— Amanda! – gritei, avistando-a um pouco longe, no saguão.

— Aí está você! – ela exclamou de volta. – Tava te procurando também.

Amanda cumprimentou Vinicius com um beijo na bochecha e fomos andando para o pátio. Novamente, esta cumprimentava diversas outras pessoas enquanto andávamos em direção às quadras.

— Bá, eu tenho que achar o Cris, ele tá com uma coisa minha que vocês vão curtir. — Vinicius pareceu lembrar-se de repente.

Ótimo, mais uma busca.

Andamos mais um pouco pelo colégio.

– Meu Deus, ele não tem whats? – perguntei, irritando-me de dar voltas pela escola.

– Sem 3G. – Vinicius respondeu sorrindo.

Felizmente, não demoramos muito para encontrar Cris, ele estava com algumas garotas – calculei, calculei, e cheguei à conclusão que: Tudo puta. – Yasmin, Andressa e Anne. Não que eu não fosse esquecer o nome delas depois de 5 minutos, mas só para constar.

Ele também tinha um violão no colo.

— Me dá meu bebê! – Vinicius brincou, tomando o violão da mão dele.

Cris fez o que eu havia falado antes, saudou-me com um cumprimento forçado, à Amanda não, seu desgosto parecia se limitar apenas à mim, o que fazia eu me sentir um pouco pior.

— Eu sei que vocês amam quando eu toco. – Vinicius falou com os olhos fechados e novamente uma cara confiante.

— Seu maior fã... – brinquei com uma voz desanimada. Mas era verdade, eu amava quando Vinicius tocava.

— Shhh... – ele faz sinal para que eu ficasse quieto, sorrindo e começou a tocar.

Give Me Love do Ed Sheeran.

Observamos Vinicius fechar os olhos e se concentrar na melodia, e é lindo, quero dizer, a música...

Ele para depois de alguns momentos e curva a cabeça como se esperasse aplausos, que não veem propositalmente.

— E você não canta? – Amanda pergunta.

— Não, não. Meus talentos se limitam ao meu amigo aqui. – responde ele dando tapinhas no violão em seu colo.

— Você canta, né? – Amanda se vira pra mim.

— Não, óbvio que não! – exclamo, prevendo um terrível futuro em que Vinicius me pediria para cantar ali.

— Canta sim, você cantava com o Theo. – Ela insiste, me dando um empurrãozinho.

— Canta? – Vinicius arregala os olhos. – Como não me falou isso?

— Eu canto assim como todo mundo canta! – insisto. – Não sou nenhum talento ou nada.

— Ele canta bem. – Amanda finge estar sussurrando com Vinicius, como na padaria.

— Amanda, cala boca! – Me desespero.

— Ah, agora eu quero ver. – Vinicius fala. Aí está, você já pode me chamar de Raven, ou Mãe Dinah, como preferir.

— Não, Vini, pelo amor de Deus, não! – imploro.

— Tudo bem, só tem nós aqui.

E ele realmente estava certo, já havia acabado o intervalo, e as únicas pessoas nessa parte do pátio somos nós, daqui a pouco a coordenadora de turno vai vir aqui nos mandar para a sala logo, então posso enrolar ele, só mais um pouquinho...

Porém, todos começam um coro de “Canta! Canta! Canta!”.

Até Cris, o que me surpreende, e a única explicação que encontro em seu olhar que justifique seu súbito interesse em me ver cantar é de que eu seja tremendamente ruim e que ele possa dar umas risadas. Por isso, resolvo cantar, para mostra-lo que está errado.

— Pode ser Give Me Love mesmo. – anuncio, tentando transparecer a confiança que Vinicius consegue o tempo todo.

Eles comemoram e Vinicius começa a tocar o comecinho.

Give me love like her

'Cause lately I've been waking up alone

Pain splattered teardrops on my shirt

Told you I'd let them go...

Enquanto canto percebo o quanto a letra tem a ver comigo, com o que está acontecendo no momento.

“Me dê amor como ela...”

Me dou conta de que tudo que eu preciso é amor, amor que eu tinha dos meus amigos e perdi, era isso que eu queria.

“Porque ultimamente eu tenho acordado sozinho.”

Acordado, dormido, vivido, eu tenho estado sozinho desde que perdi Fernanda, Eduarda e Richard, Amanda não era como eles, ela não sabia todos os meus segredos nem eu os dela e nós nos víamos apenas na escola, eu não tinha mais amigos de verdade.

Terminei de cantar após o fim do primeiro refrão e Amanda e Vinicius aplaudiram, imitando-o, fiz a reverência com a cabeça e eles riram, Cris obviamente forçou um sorriso e algumas palmas inaudíveis, o que não me surpreendeu.

Nosso momento acabou com Marli, a coordenadora de turno, vindo enfurecidamente nos correr do pátio, ameaçando nos levar para a diretoria por estarmos fora de sala de aula mesmo depois de 10 minutos do fim do intervalo.

Amanda que estava no terceiro ano foi para o prédio B, e Vinicius, Cris e eu subimos o “A”.

— Tive uma ideia! – Vinicius exclama.

— O que? – Cris e eu perguntamos juntos.

— Vamos nos apresentar no Sarau! – ele responde muito animado e eu solto uma gargalhada.

— Claro, claro. – desdenho a proposta, sem chance de eu me apresentar para o colégio todo.

Ah, e caso não saibam, Sarau é um evento cultural que o colégio tem todo ano, onde tem apresentações de Curtas Metragens feitos por alunos, apresentações de música e teatro entre outras coisas, todo mundo é obrigado a fazer o Sarau, bom, não obrigado, mas é boa parte da nota do segundo trimestre, então eu sempre fazia Sala Interativa, que tinha como objetivo decorar uma sala com algum tema e receber os alunos, podendo até mesmo vender comida, ou como Vithor fez ano passado, maconha, escondido, é claro.

— To falando sério, porra! – ele insite, muito sério, porém sua expressão de criancinha que quer muito algo me fez rir. – Não ri, eu quero muito tocar, mas ninguém canta e você canta bem, por favor.

É realmente um amor ele pedindo por algo, mas não... não posso.

— Olha, eu faço qualquer coisa! – ele insiste, me segurando pelo braço.

— Qualquer coisa? – pergunto com um sorriso malicioso.

— Sim. – Vinicius confirma, com a mesma carinha infantil.

— Vamos lá, Vinicius, antes que a Marli nos pegue. – Cris chama do outro lado de Vinicius, visivelmente incomodado com a situação.

— Veremos... – eu respondo, e soltando meu braço de sua mão, vou para minha sala e Vinicius e Cris cada um para a sua, e eu sabia que por mais que eu não quisesse, eu faria isso por Vinicius, cantaria com ele no Sarau.

Notas finais
Espero que tenham gostado, e espero também ver COMENTÁRIOS hahahah eu vivo pelos aplausos u.u Mas óbvio que não vou parar de postar, próximo capítulo chega dia 20/04. Até lá =33