Venha me pegar (PRIMEIRA VERSÃO)
34 Você nem imagina o que eu tenho aqui
Aquela era uma manhã especial na escola. Era o DIA DO BRINQUEDO, onde as crianças podiam trazer um brinquedo de casa para a aula. A dinâmica funcionava como quebra de rotina. A companhia do amiguinho inanimado aliviava a manhã escolar maçante, e os alunos adoravam exibir os seus bonequinhos, bichos de pelúcia, ou qualquer objeto que usassem com o propósito de se divertir.
O professor propôs uma atividade lúdica. Os alunos deveriam apresentar os brinquedos à classe, seja contando a história real de como os ganharam ou narrativas inventadas. Leona achou a tarefa incrível, e não teve dúvidas sobre qual item do seu vasto acervo de brinquedinhos levaria para a escola.
O brinquedo em questão é tão especial, mas tão tão tão especial, que Leona não brincava com ele. O guardava na prateleira mais alta da estante, longe de qualquer mão intrometida. O ganhou aos três anos de idade. Isto é, quatro anos atrás. É claro, estamos falando do porta-contêineres que Onyakopon deu de presente à Leona. E há de se afirmar, Leona cuida tão bem desse brinquedo que o estado impecável do barco não evidencia sua idade real.
Leona se encontrava de pé em frente à classe de dezenove crianças e de costas para a lousa. O professor a assistia com a mesma atenção e interesse verdadeiro dos alunos. Leona não se abalou ante os vinte pares de olhos expectantes. Falar em público não a desestabilizava.
— Esse aqui. — Leona levantou o barco acima da cabeça. — É o porta-contêineres que o senhor Onypon me deu.
Os telespectadores admirados fitaram o barco com curiosidade. As crianças invejosas encararam os seus brinquedos, e então olharam o de Leona, grande e colorido, e desdenharam dos seus próprios.
— O que um porta-contêineres faz? — Perguntou um moleque sardento.
— Ele anda na água. — Respondeu Peter.
— Isso também.
Concordou Leona, se aproximando da fila de alunos do centro. A menina da carteira mais próxima engoliu o barco com os olhos. Leona pôs o porta-contêineres na mesa dela. A garota pediu permissão para tocá-lo. Leona permitiu e começou a história.
— O porta-contêineres é um navio grande e valente. Ele enfrenta o mar cruel carregando mercadoria e
— Mercadoria? O que é mercadoria? — Perguntou Otto.
— Como você é burro. Mercadoria são os sacos de arroz, de farinha... os negócios que o meu pai vende. — Peter era filho do dono da mercearia.
— Até parece que um barco grande desses serve para carregar arroz. — Rebeca mostrou a língua.
Leona levantou a cabeça numa pose autoritária. Costumava se engrandecer quando queria ser ouvida. O senhor Levi vivia dizendo que Leona tinha muita marra para uma criança daquele tamanho. Hange rebatia que quem tem boca vaia Roma. E vai a Roma também. A voz presente de Leona interrompeu a discussão.
— Pessoal, por favor. Prestem atenção em mim.
Os alunos obedeceram. Leona limpou a garganta; em seguida, fazia o barco navegar no ar. Imitou o barulho violento das ondas, fingindo enfrentar uma tempestade das brabas. Por cerca de dez minutos Leona narrou as aventuras vividas por aquele barquinho cheio de caixinhas coloridas. Contou sobre os oceanos atravessados, os países visitados, e citou o valor inestimável dos objetos transportados, que deveriam ser entregues o mais breve possível.
Relatava a fantasia com detalhes minuciosos, exagerando na parte gestual. Embarcou de cabeça na inventividade. A própria Leona viu-se acreditando no faz-de-conta. Nomeou capitão do navio e os golfinhos acompanhando o barco. O tempo da apresentação findou, entretanto, Leona estava tão concentrada que o professor não teve coragem de silenciá-la.
As crianças perguntaram sobre a tal mercadoria. Leona deixou o importantíssimo conteúdo a cargo da imaginação dos colegas, limitando-se a dizer que o porta-contêineres transporta de tudo um pouco. Até mesmo trens, aviões e casas. No entanto, a resposta aberta gerou mais dúvidas. Os colegas fizeram perguntas até deixar Leona tonta. O professor, encontrando uma brecha, avisou Leona sobre o tempo extrapolado e ela, contrariada, voltou para o seu lugar na classe.
O professor chamou um garotinho de orelhas de abano. O menino mostrou o seu brinquedo: uma espada de madeira carcomida. O moleque alegou que a espada pertenceu a um valente soldado matador de titãs. Leona assistia à apresentação com entusiasmo — adorava ouvir histórias.
Um rangido de cadeira quebrou a concentração de Leona. Ela apurou os ouvidos, e se virou de vez ao constatar, pelo rabo do olho, a sombra em seu encalço. Se surpreendeu ao ver Diana, e franziu as sobrancelhas em confusão quando a menina sentou ao seu lado.
— Oi.
O "oi" de Diana veio carregado de timidez exagerada; algumas pessoas extrovertidas (Leona inclusa) confundiam o tom inibido com indelicadeza. Diana morava uma rua antes da de Leona. Ela era a menina mais alta da turma. O seu cabelo preto ia até a cintura e estava sempre preso num rabo de cavalo muito ajeitado. Diana enfeitava o cabelo com uma tiara cor-de-rosa, apesar de não haver franja a ser mantida longe dos olhos. Na verdade, a tiara era o marco da pessoalidade de Diana. Todos a conheciam como a menina da tiarinha.
Leona gostava de Diana da mesma forma como gostava das outras crianças. Na cabeça de Leona, todos os seres vivos são seus amigos até que se prove o contrário; no entanto, Diana meio que... vinha provando o contrário. Ao menos assim pensava Leona. Diana frequentemente recusava convites para brincadeiras, evitava conversas e, a falta mais grave na opinião de Leona, aparentava indiferença para com animais de rua.
— Oi, Diana. O que foi?
Leona não queria que Diana percebesse o seu espanto, portanto a cumprimentou com cordialidade. Diana sorria para o chão e evitava olhar nos olhos, envergonhada embora Leona não tivesse dito nada errado. Leona sorriu de canto, sem saber direito como reagir. Estaria acontecendo algo com Diana? Deveria Leona continuar a conversa? Bem, Diana parece estar querendo dizer alguma coisa. Deixe-a falar. Mas ela não consegue falar. Deveria chamar o professor? Mandá-la embora? O acanho de Diana deixava Leona nervosa.
— Eu adorei o seu porta-contêiners. Digo, porta-contêineres. — Diana apertou ursinho de pelúcia em seu colo como se de repente necessitasse de um abraço. — É bem mais bonito do que o meu ursinho. Eu... — Completar a frase extinguiu a carga social de Diana — ...quero ver o seu barquinho na água.
— Claro.
Leona deu um sorriso radiante e Diana se encolheu como se estivesse se protegendo dos raios solares. O professor percebeu as duas crianças juntas e mandou Diana voltar para o seu lugar. A menininha chispou de cabeça baixa, sem pedir desculpas ao mestre.
A aula terminou meia hora depois. As crianças fugiram correndo para a liberdade. Os amigos de Leona a chamaram, contudo, Leona tinha outros planos. Saltou até a classe de Diana, que já punha a mochila nas costas e carregava o ursinho de pelúcia. Leona a pegou pela mão e decretou, explodindo de felicidade:
— Vem, vamos no banheiro.
Leona, saltitante e alegre, arrastou Diana pela escola. As pernas longas nada adiantaram para a pobre menina, pois embora estivesse empolgada, seu júbilo não era enérgico como o da outra criança. Passaram voando pela escada. Diana pediu para Leona ir devagar, pois quase tropeçara nos degraus. Nossa, a Diana nem sabe correr, Leona reparou. Diana pisava na saia, gritando "ai!" e recobrando o equilíbrio com a maestria que só alguém que tropeça inúmeras vezes desenvolve.
Alcançaram o banheiro. Ambas suavam pela correria. A sala de aula era fresca e agradável, e agora, no lado de fora, tinham noção da potência do sol naquela manhã sem nuvens. Leona desgrudou a franja da testa, a penteando para a esquerda. Ela recuperou a respiração e desatou a rir. Diana, contagiada pela felicidade de Leona, riu junto.
— Vou fechar a porta. — Avisou Diana em meio a risadinhas.
— E eu vou encher a pia. — Declarou Leona, apontando para si mesma com o polegar.
Leona pôs a bolsa transversal no chão e pegou o caderno. Arrancou duas folhas cheias de jogos da velha e as entalou no ralo da pia, vedando-o. Na falta do tampo, o papel serviria de improviso. Então, Leona abriu a torneira. A pia começou a encher. Leona pôs o barco na água, e as duas meninas assistiram o brinquedo navegando sobre as ondas curtas. Os olhos de Diana cintilavam, e o corpo tremia pela urgência de estar aprontando; inquieta, corria o olhar brilhante entre o barco e a porta, temendo a aparição da diretora. Leona achou graça. Na sua concepção, não havia mal nenhum colocar um barquinho na água.
O banheiro já era quente, e de porta fechada se transformou numa fornalha. Leona aproveitou o clima abafado para executar o pensamento intrusivo que teve quando abriu a torneira: jogou água na cara de Diana. Fez isso enquanto a outra criança ria — a água entrou direto na boca dela.
Após se recuperar do afogamento acidental, Diana retribuiu o ataque dando um banho em Leona. Diana gargalhava com uma espontaneidade que Leona nunca tinha presenciado. Diana perdeu o controle sobre si mesma, e nisso Leona descobriu, sem querer, um dos segredos daquela criança misteriosa. O riso ritmado deu lugar a risadas incontroláveis; o som emitido era semelhante ao ronco dos porcos. De súbito, Diana lembrou da presença de Leona e tampou a boca.
Leona, contudo, não se importava se Diana ria feito um porco. Para ela, o importante era ver as pessoas sorrindo. Leona deu continuidade à brincadeira jogando mais água na nova amiguinha. Diana tentou se controlar, porém, a vontade de brincar era mais forte, e as duas recomeçaram a guerra. Ninguém reparou na torneira aberta, tampouco no barquinho caído no meio da poça d'água.
Vozes de adultos cortaram o clima bagunceiro. Leona não reconheceu a voz da diretora de imediato, mas Diana sim, e começou a tremer tal qual um cachorrinho de pelo curto ensopado. Leona viu o chão molhado, disse "opa" e fechou a torneira. Ao contrário de Diana, não se preocupava com possíveis broncas. Para ser sincero, o horror da amiga era incompreensível para Leona.
— O que houve, Diana? É só água.
— Vão falar para os nossos pais! — A voz de Diana beirava o pranto.
— E daí? — Leona de fato não entendia a apreensão.
— E daí que a minha vó vai brigar comigo.
Ah, agora sim. Leona emitiu um som gutural, pôs a mão entre o nariz e o lábio e matutou alguma possível solução. Lá fora, a diretora e o vice-diretor percebiam a água escorrendo pelo vão da porta. Leona pegou o barquinho no colo, virou-se para Diana e a mandou se esconder nas cabines. A outra menina desapareceu num piscar de olhos.
— Pela Santa, o que é isso?!
A diretora pôs as mãos na cabeça, encarando o piso alagado com desalento. O vice-diretor franziu o cenho para Leona, a única culpada. A menina se encontrava no meio da água, de cabelo e roupa molhados, e carregando o barquinho com ar de inocência — diferente da pose astuta de segundos atrás.
— Desculpe, eu só estava brincando.
— Todo mês é a mesma coisa. A gente devia dar um fim nesse tal dia do brinquedo.
Zangou-se a diretora, agarrando Leona pelo braço. A menina nem fez menção de mirar as cabines das privadas. O vice-diretor balançava a cabeça em desaprovação. Leona se encolheu apenas pelo constrangimento de estar sendo repreendida, pois não se arrependia da travessura. Faria tudo de novo.
— Eu vou contar para a sua mãe as malcriações que você faz, senhorita Leona Zöe Smith.
Leona baixou a cabeça, fingindo desaponto. Se o senhor soubesse as coisas que a minha mãe fazia na escola... Hange fazia diabruras que Leona sequer teria criatividade (e perversidade) para elaborar por si só, quanto mais para executar. Tinha absoluta certeza que Hange não a puniria pela traquinice. Era capaz de a mãe lhe mostrar a palma da mão e dizer "bate aqui, filhotinho".
— E você ainda trouxe dois brinquedos. Sempre isso, sempre isso. Só é permitido UM brinquedo. Por que vocês não obedecem? Aqui, toma o seu ursinho.
O vice-diretor lhe estendeu o urso de Diana. Leona, por impulso, quase negou a posse do urso de pelúcia. Por sorte lembrou-se da mentira que estava sustentando e aceitou o brinquedo. Os dois adultos acompanharam Leona a repreendendo por ser uma menina má.
A bronca dos adultos entrava por um ouvido e saia pelo outro. A roupa molhada não incomodava Leona, muito menos o cabelo gotejante. Ela só conseguia pensar em Diana. Todo esse tempo confundiu a introversão com aversão à sua pessoa, quando na verdade, uma doce amizade aguardava o momento de florescer. Leona abraçou o urso. Cuidaria dele até a hora de devolvê-lo.
XXX
Levi não suportava dias quentes. Sua sala no quartel já era sufocante por si só, independentemente se deixasse as janelas abertas vinte e quatro horas por dia. O capitão passou a manhã inteira de mau-humor. No horário do almoço, a rabugice minimizou um pouquinho, pois o carteiro apareceu trazendo uma correspondência especialíssima endereçada à Tropa de Exploração e seu governo.
Levi bateu na porta do quarto de Hange e recebeu permissão na segunda batida. Porém, ao girar a maçaneta, encontrou-a trancada. Hange veio abrir. Levi não se surpreendeu ao ver Hange nua da cintura para baixo. Metade do uniforme jazia no chão, incluindo a medalha de ranking. Dava para ver o formato e a cor dos seios através do tecido branco da camisa. Ela tinha tirado a calcinha também, embora não desse para ver muita coisa. A blusa comprida, duas vezes o tamanho de Hange, garantia a proteção.
— Para de me olhar e entra rápido.
Levi entrou e trancou a porta. Hange jogou-se na cama, atirando-se no lençol bagunçado. O prato do almoço na cabeceira da cama estava limpo, como se Hange tivesse lambido a louça após devorar a comida. Levi tirou os sapatos e sentou do lado da comandante esparramada.
— Está tão quente. Não quero voltar para o escritório.
— Dá pra ver. — Levi colocou a carta na barriga de Hange. — Acabou de chegar. É de Hizuru.
Essa notícia trouxe ânimo aos ares de Hange. A comandante pegou o envelope amarelo e abriu o lacre sem a mínima cerimônia. Dentro havia duas epístolas escritas em línguas diferentes, de quatro folhas cada. Uma delas estava escrita em japonês, o idioma nativo de Hizuru. Já a segunda, em eldiano.
— Como a língua deles é estranha.
Hange apertava o olho tentando ler as letras complicadas. A palavra "língua" ficou na cabeça de Levi. Ele queria mostrar à Hange os outros significados desse vocábulo. O capitão deslizou a mão na perna da comandante tal qual uma cobra, invadindo a camisa e afagando o monte de vênus. Hange afastou a carta, dando visão de sua feição aborrecida, e bateu na mão de Levi.
— Você não pode ver boceta? — Ralhou Hange.
Levi sorriu, pervertido. Hange revirou o olho e levantou a carta, deixando o capitão fora de sua vista. A mensagem começava com "caros amigos de Paradis" e cumprimentava a rainha, o exército e seus representantes. Hange deveria fazer cópias daquele documento e entregar aos demais comandantes. A original iria para a Capital.
Devagarinho, Levi se acomodou entre as pernas de Hange feito um gatinho indo dormir junto do dono. A comandante abriu as pernas deliberadamente. Só foi perceber o que acontecia quando sentiu a respiração de Levi na vulva. Hange quase jogou a carta longe. Viu o desejo escondido na inexpressividade de Levi. O capitão a beijou na parte interna das coxas.
— O que está fazendo?
Dessa vez, Hange não teve força de vontade para afastá-lo. O capitão absorveu o cheiro do sexo de Hange como se fosse um bolo recém-saído do forno. Uma comparação esdrúxula, porém verdadeira, a julgar pelo suspiro apetente. Levi parecia estar com água na boca. Ele já tinha dito mais de uma vez que amava o cheiro dela.
— Leia a carta, Hange. Em voz alta. Também quero saber o que eles estão dizendo.
Hange o estudou por alguns segundos, e então começou a ler. Lá em baixo, Levi mal podia esperar para ver até onde a comandante seria capaz de ir. Tendo em vista o pouco autocontrole, não conseguiria nem terminar a primeira página.
— Caros amigos de Paradis, agradecemos o interesse em estabelecer uma união formal conosco...
A língua do capitão fez o seu trabalho. Levi a atacou direto no ponto fraco de todas as mulheres, e Hange nada pôde fazer além de apertar as bordas das folhas e mover o quadril como se fosse fugir. No entanto, os braços de Levi circundavam ambas as pernas, impedindo fugas.
— ...Hizuru e Eldia sempre foram boas amigas. Antes de Paradis, nossas nações já andavam de mãos dadas. Por adversidades do destino, acabamos separados. Aqui em Hizuru, feriados eldianos são celebrados como datas comemorativas locais, e toda criança com sangue de Eldia é livre desde o nascimento...
Levi realizava movimentos suaves, dispondo de uma delicadeza que ninguém jamais imaginaria pertencer ao capitão mais ranzinza do exército. O coração de Hange acelerou, e ela sentiu um adorável tremor na vagina. Contorceu o corpo, quase rasgando as páginas ao pressioná-las. Os gemidos roucos interrompiam a leitura.
Hange pegou os óculos, pois as letras de repente ficaram borradas. O capitão usava os braços tanto para segurá-la quanto para ajudá-la a erguer o quadril, coisa que Hange acabou fazendo quando o prazer começou a dominá-la. Ela mordeu o lábio, com muito custo controlando a garganta barulhenta.
— Habitantes de Paradis, portadores do sangue eldiano em sua forma imaculada, têm nossa admiração e respeito. Em épocas sombrias, é necessário nos unirmos em prol do bem maior- ah, Levi!
Ler esse trecho já foi difícil por si só, entretanto, quando Levi moveu a cabeça e mudou o ângulo da performance, não foi possível terminar o parágrafo. Mesmo ofegante e agitada, tentou ler a longa carta cujo texto não parava de enrolar. Contudo, não conseguiu ir além. Hange largou a carta sobre o peito, enfim entregando-se ao prazer. Levi estava certo, afinal; o autocontrole de Hange ia para o espaço facilmente.
Hange esfregou o pulso no rosto suado, esbarrando nos óculos. Alinhou-os de novo, afastou o cabelo da testa molhada, e descansou o braço no travesseiro, logo acima da cabeça. Morria de calor. Já era uma tarde quente e Levi fez questão de ferver as coisas. Gemidos e palavrões substituíram a leitura. Hange agarrou o cabelo de Levi e pediu mais. O subordinado obediente deu o que ela queria.
Levi beijou o clitóris inchado e começou a usar os dedos. Encontrou-a encharcada e receptiva, preparada para recebe-lo. A comandante moveu os pés sobre as costas de Levi, involuntariamente arrastando a camisa do capitão. Hange soltou o ar pela boca aberta, declarando à Santa e ao mundo como o seu peito fervia, como era bom tê-lo entre as pernas, e exigindo mais.
A voz escandalosa de Hange aumentou três, quatro notas. O capitão previu o momento exato em que Hange derreteu. Levi continuou a dar-lhe prazer. A comandante revirou o olho e puxou o cabelo do subordinado, mantendo o rosto do capitão grudado em sua virilha pela duração do orgasmo, até os músculos relaxarem e o apertão se transformar num carinho amoroso.
Nesse instante, Levi avançou no corpo da comandante, beijando o monte de vênus e alcançando a barriga. O abdômen de Hange nunca se recuperou da primeira gravidez. Ela tinha pneuzinhos e estrias brancas, sobretudo abaixo do umbigo, onde a pele era mais flácida. Levi contou as marquinhas, beijando as cicatrizes de Hange com devoção. Hange era tão macia. Nossa, como a amava.
— Deixa as minhas banhas em paz.
A voz zangada de Hange soava embevecida. Hange empurrou a cabeça do capitão. Levi se afastou apenas para subir em cima dela, tendo a decência de empurrar a carta para o lado com o cotovelo. O capitão a beijou e Hange retribuiu, sorrindo entre o gesto.
— Sua boca está com o gosto da minha boceta. — Disse Hange em tom brincalhão.
— É bom, não é?
— Cala a boca. Venha aqui, você vai ler a carta. Ei, aonde você vai?
— Lavar as mãos. Ao menos que você queira que a carta também fique com o cheiro da sua boceta.
Hange arregalou o olho, espantada. Imaginou Zackly reclamando dos pobres coitados que trabalham nas embarcações. "Veja o que esses vagabundos fizeram!", Hange fantasiou o general aborrecido em sua mesa batendo na carta fedorenta com as costas dos dedos, "armazenaram a carta junto com os peixes, olha o fedor de bacalhau. Secretária, por favor, cheire isso aqui e me diga se não estou louco."
— Do que você está rindo, doente?
Levi perguntou da soleira da porta do banheiro. O capitão secava as mãos limpas. Hange cobriu a boca numa vã tentativa de conter os gracejos; riu tanto que sequer foi capaz de contar a Levi o motivo da graça. Levi deu de ombros — não estava tão interessado assim nos delírios de Hange. O capitão pôs a mão no nariz de Hange, de propósito encostando dois dedos específicos nas narinas da comandante.
— Vê se está com cheiro de boceta.
— Não. — Hange respondeu após a curta inspeção. — Está com cheiro de sabonete.
— Ótimo. Me dê a carta.
Levi passou os olhos por cima da primeira e da segunda página em busca do parágrafo onde Hange parou. Ela tinha passado pela introdução e pela apresentação da família Azumabito. Encontrou o último ponto de leitura na terceira folha. Levi limpou a garganta.
— Os últimos meses foram intensos para nós, governantes e civis de Hizuru. Como é de vosso conhecimento, Marley é um perigo para todos os países contrários à sua ideologia. A ditadura marleyana é uma ameaça real. Nações ao redor do globo vêm retribuindo- ei, o que está fazendo?
Agora, era a vez de Hange arranjar um espacinho entre as pernas do capitão. Se Levi se acomodou com a graciosidade de um gatinho, Hange agia tal qual um cachorrão carente. Ela se enfiou na virilha do capitão sem aviso prévio. Nada recatada, agarrou a calça e a puxou.
— Continua lendo, querido.
Hange só o chamava de nomes carinhosos quando queria provoca-lo — e não com lascívia. Levi sentiu vontade de enrolar a carta num tubo e bater na cabeça de Hange. Através de muita força de vontade, controlou o impulso. A comandante percebeu a irritação e deu risada.
— Nações ao redor do globo vêm retribuindo a hostilidade. No entanto, Marley está se mostrando mais forte. É uma adversária implacável. Se continuar assim, vai se consolidar soberania...
Hange apertou a virilha. Ele estremeceu ante a boca quente no sexo vestido. Hange beijou e alisou, dedilhando a intimidade masculina, sentindo o formato, parecendo querer tirar a cueca com os dentes, pretensão essa concretizada. Levi se focou na carta. Mostraria à comandante que ele, ao contrário dela, tinha sim autocontrole. No entanto, é difícil ser obstinado quando se tem alguém fazendo coisa feia com você, sobretudo se esse alguém conhece o seu corpo e sabe onde e como tocar.
Hange beijou os testículos e a base do pênis, intercalando chupões molhados. Ela massageou o períneo; aquela região encantadora entre o ânus e o sexo. Levi arrastou o corpo no colchão, acomodando a nuca no travesseiro. A comandante abocanhou a glande. Hange o sugava com volúpia, não maneirando na pressão. Levi suspirou, vendo estrelas e sentindo o calor infernal no baixo-ventre.
Então, Hange cuspiu a ereção fora.
— Você não vai ler?
— Ah, vou. — Levi ergueu a carta. — ...portanto é necessário aprendermos com os erros. Marley não será derrotada sozinha. Nós o parabenizamos pela iniciativa e escolha inteligente, caro povo paradisiano. Com vossa força, Marley ei de recuar- puta merda, essa porra não acaba nunca.
— Vou ficar aqui até você terminar.
A comandante roçava a ereção no rosto. A glande babava na bochecha dela, pouco abaixo do olho. Levi fez carinho no cabelo castanho e Hange, sem vergonha como era, lambeu o pênis de cabo a rabo como se fosse o doce mais delicioso do mundo. O capitão retomou a leitura, sorrindo.
— ...portaaaaanto... mais umaaaa veeeeeez... aaaagraaaadecemoooos...
Hange desatou a rir. Depois, a comandante franziu o lábio superior, mostrou os caninos e rosnou. Levi recuou por instinto. Não é bom duvidar da loucura de Hange.
— Leia direito, idiota.
Levi voltou a ler, e Hange a dar-lhe prazer. Sons molhados atuavam como ruído de fundo para a leitura vacilante. O deleite de Levi escapava através da respiração entrecortada e suspiros discretos. Hange fez uma pausa apenas para babar os dedos, e quando as falanges relaram no ânus do capitão, foi a vez dele de perder o ritmo.
O capitão fechou os olhos e mordeu os lábios, reações que Hange entendeu como aval positivo para acrescentar outro dedo. Ela continuava com o pênis na boca, e se dividia em dar atenção às duas zonas erógenas. Controlar a voz se transformou numa tarefa impossível, e ele deixou Hange saber o quão excitado estava. Receber estímulos nos dois pontos mais sensíveis do corpo levaram o capitão a loucura. Levi mandou Hizuru ir se foder. Descargas elétricas o faziam empurrar a virilha na boca que o bolinava. Hange o dominou com maestria, pressionando a base do pênis para retardar o orgasmo.
Mesmo assim, a partir do momento que a comandante encontrou a próstata, as técnicas para fazer o sexo durar não tiveram eficácia. Levi se contorceu, penetrando a boca de Hange. Ela deixou-o ir fundo, e engoliu o orgasmo. Ao se afastar, Hange lambeu os lábios com ar de quem quer comer mais. Levi abriu os olhos devagar, vendo duas Hanges na visão turva. O suor e o vermelhão na face da comandante não passaram batido, tampouco os mamilos duros se destacando na blusa. Hange parecia pronta para outra rodada. Levi, julgando-se recuperado do transe, pegou a carta com impaciência.
— Vou pular logo para a última página. — Sugeriu Levi, sôfrego.
— Não mesmo. Leia tudo.
— Bem, de qualquer forma, eu já estava no fim da terceira folha. — Levi esperou a respiração falha voltar ao ritmo normal. — Nós, a família Azumabito, negociamos com os representantes internacionais de vosso país e com Zeke Yeager sobre uma possível união entre as nações. Ficamos sabendo de Mikasa Ackerman. Temos suspeitas de que a moça seja nossa parente distante, e confesso que estamos ansiosos para conhece-la, da mesma forma como mal podemos esperar para encontrar vossa majestade.
— E vossa rajada de gelo.
Hange mencionou, vindo deitar ao lado de Levi. A comandante o abraçou com um afeto suspeito, pondo a perna sobre ele e roçando os seios excitados na caixa torácica do capitão. Levi a encarou de soslaio e concordou com a verdade escondida na piadinha – os Azumabitos só queriam saber de dinheiro. O parágrafo lido dava fim à terceira página. Por sorte, o texto da quarta e última folha não chegava ao centro do papel.
— Destarte, eu, Kiyomi Azumabito, matriarca da família, embaixadora de Hizuru e a pessoa que vos escreve, tenho o prazer de avisar que estaremos em Paradis na primeira semana de novembro...
Hange deu um berro e sacudiu as pernas. O próprio Levi também se agitou. Leu o restante da carta numa voz apressada cuja nota aumentava de velocidade e volume a cada palavra proferida.
— ...para oficializarmos a união e discutir nossas estratégias. Atenciosamente, Kiyomi Azumabito.
— MINHA SANTA AMADA! LEVI, OS AZUMABITOS ESTÃO VINDO! VOCÊ OUVIU? CARALHO! QUE PRESENTÃO DE ANIVERSÁRIO!
O aniversário de Hange era daqui cinco dias. Levi, o esquadrão 104 e Onyankopon vinham organizando uma festa surpresa. Perto daquela notícia maravilhosa sobre Hizuru, a festinha se transformava num presente ordinário – uma meia, por exemplo.
A comandante puxou Levi com agressividade. Hange encheu o rosto do capitão de beijinhos, comemorando o avanço e, ao mesmo tempo, convidando Levi a celebrar junto. Hange o abraçou com as pernas, e Levi grudou o quadril nu no da comandante.
— Ah, Levi, estou tão feliz! Tão tão tão feliz!
— Eu também, Hange.
Os dois se beijaram. Hange não reprimiu o desejo. Ela mordeu a boca do capitão e o arranhou por baixo da camisa, o incitando a mover o quadril, coisa que o capitão fez. Hange rebolou, aumentando o atrito, suspirando de felicidade e de deleite. O sorriso largo brilhava no rosto da comandante, e ela abraçava Levi com ardor. Levi também estava contente, embora não fosse expressivo como Hange.
Tinham um porto, uma ferrovia, conhecimento, e a taxa de desemprego nunca esteve tão baixa. Nenhuma criança paradisiana ia para a cama sem jantar. E agora, encontravam aliados. Não estavam sozinhos na guerra. Levi e Hange compartilharam a felicidade através de beijos, apertões, arranhões e abraços. Levi chupou os seios por cima da camisa, e Hange de pronto se livrou da peça, incentivando Levi a fazer o mesmo. Os corpos se uniram. Levi a descobriu molhada, quente e macia.
Hange tocou o rosto do subordinado, o afagando e mantendo imóvel, face a face consigo. A comandante arquejante sorria de orelha a orelha. Hange o encarou, riu e o beijou. Um beijo longo, intenso e apaixonado, interrompido pelo gemido prazeroso que ela deu ao receber uma investida mais forte. Hange passou os braços pelo pescoço do capitão, e sussurrou:
— Levi, sabe aquelas caixas que eu tenho lá em casa?
— Quais? — Levi escutou a própria voz debilitada. — Você tem várias.
— Heh, estou dizendo as caixas que eu tenho lá em cima do guarda-roupa. Sabe? Aquelas com as placas de laboratório.
O capitão entendeu. Depois da experiência da farmácia, Hange comprava os chás abortivos direto com os fornecedores. Os remédios vinham bonitinhos e com certificação de garantia. Mesmo assim, Hange fazia exames de gravidez de tempos em tempos. Nesses quatro anos juntos, não aconteceu nenhum acidente.
— Sei. O que tem?
— E se eu jogar tudo fora?
Ambos pararam. Levi não conseguiu fazer nada senão a encarar, pasmo. Hange entrelaçou o cabelo do capitão entre os dedos e roçou o rosto no dele, ronronando daquela maneira carente, o incentivando a reassumir a penetração. O capitão, contudo, se encontrava em estado de choque. E não por achar a ideia de Hange um absurdo, mas por ver-se aprovando o plano. Esse é o momento correto? Perguntou-se Levi, e o ímpeto de beijar aquela mulher bastou como resposta.
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