Notas iniciais
Olá! Bom, não postei ontem pois estava esperando os leitores aparecerem com suas respectivas opiniões. Como isso não aconteceu (carinha de triste aqui), vou postar hoje para todos aqueles que comentam e acompanham! Um agradecimento especial à Luar que me avisou sobre o capítulo errado. ~risos~ É isso! Espero que gostem e não deixem de ler as notas finais!

Fazia uma semana que Elise chegara ao Django. Durante sua estada no cabaré, ela observava cada detalhe que seus olhos podiam captar, sem deixar quase nada passar despercebido.

Constance se fez um pouco ausente durante os sete dias, já que era uma mulher de negócios e bastante requisitada por nobres e poderosos da região. Ela organizava festas particulares e comandava a preparação dos shows que as garotas apresentavam no cabaré.

Nada acontecia ali sem o aval da mulher.

A loira evitou cruzar com Adam durante toda a semana. Percebera que Katherine era uma pessoa esquentada e não queria de forma alguma arrumar confusão com a latina, ainda mais sendo ela uma das preferidas de Constance. Elise estava ali de favor e não poderia arriscar dar um passo em falso e acabar novamente sem teto.

E por falar no abrigo que lhe fora oferecido, a jovem já começava a pensar em uma forma de contribuir no cabaré. A possibilidade de ser cortesã passou momentaneamente por sua cabeça, mas ela não se atreveu a pensar mais sobre o assunto, mandando a ideia para bem longe.

Decidiu então propor um emprego como garçonete, limpando e servindo as mesas. Esperaria apenas uma oportunidade para conversar com Constance e tentar convencê-la de que não poderia ficar ali sem ajudar em nada.

Estava sentada, observando os movimentos de um grupo de dançarinas, que tentavam acertar o passo. Elas estavam descontraídas, sorrindo aqui e ali, mas concentradas no que faziam. Da mesma forma estava Elise. Focada em observar a dança, algo que a atraía grandemente e lhe causava imenso interesse.

— Por que não se junta a elas? — A voz grave de Adam soou bem próxima ao ouvido da loira, fazendo-a virar apressadamente para fitar seu rosto.

O mesmo sorriso de lado ocupava os lábios carnudos do moreno. Seus olhos não encaravam a mulher ao seu lado e sim o grupo de garotas no centro do palco.

— Ora, isso não lhe diz respeito. — Ela torceu o nariz, controlando a sua vontade de prolongar a conversa, e falando com rispidez.

— Achei que fôssemos amigos.

— Não tenho amigos. Muito menos amigos da sua laia.

Adam ergueu uma das sobrancelhas, olhando confuso para ela. Claro que ele sabia exatamente do que ela se referia, mas gostava de jogar com as mulheres, e não seria diferente dessa vez. Deu-se por desentendido, puxando uma cadeira para se sentar.

— Eu deveria me ofender? — Ele questionou, olhando na mesma direção que ela.

Elise manteve o olhar fixo no palco, e permaneceu em silêncio. Não daria pano para manga à ele.

— Qual o motivo dessa cara amarrada, senhorita Rivers?

— Não estou de cara amarrada, só não quero sua companhia.

— Oh... — Adam decidiu por provocá-la um pouco: — Essa rispidez tem algo a ver com Katherine? Ela realmente estragou nosso flerte.

A jovem teve que fitá-lo, tamanha sua descrença com o que tinha ouvido. Ele estava descaradamente falando sobre o assunto como se aquilo fosse totalmente aceitável.

— Não acredito. Como tem coragem de admitir que estava flertando comigo, sendo que já possui um relacionamento?

Ele sorriu. Sorriu do jeito bravo com que a mulher falava com ele e também do restinho de inocência que pairava sobre ela.

— Elise, minha cara, olhe ao redor. Você está em um cabaré. Esse lugar exala luxúria! Não existe certo ou errado aqui dentro. Os homens vêm aqui para se divertir, com as mulheres que estão aqui para isso.

— Eu sei! — Ela disse exasperada. — E não me interessa o tipo de gente que você é.

— Então por que mesmo você está chateada?

Ela calou-se, voltando a observar as dançarinas.

— Escuta, vamos deixar esse assunto para lá, está bem?

Elise acenou positivamente, sem mudar o foco do seu olhar.

— Você parece gostar do que elas estão fazendo... — Ele disse referindo-se as mulheres no palco.

— Eu costumava gostar de dançar, mas isso foi há muito tempo. Quando eu tinha uma vida.

Ela soltou e arrependeu-se imediatamente de ter aberto – um pouco que seja – o seu passado para ele. Deveria começar a mentalizar a frase que Constance a dissera.

— Você pode tentar. Aposto que Constance não se incomodaria se você se juntasse à elas nos ensaios.

— O que você faz aqui se o Django ainda não está aberto? Trabalha para Constance? — Elise disparou, olhando fixamente para ele e mudando drasticamente o assunto.

Os olhos negros do moreno vacilaram um pouco, desviando o olhar da mulher por alguns segundos, antes de dar sua resposta.

— Tenho negócios com ela, mas não necessariamente trabalho para ela.

— E o que você faz, afinal?

— Ora, isso não lhe diz respeito! — Adam respondeu irônico, imitando a fala anterior da loira e despedindo-se com um breve aceno.

Levantou-se suavemente da cadeira e saiu andando para fora do cabaré. A loira o observou até que ele não pudesse mais ser visto. Ela sempre ficava desconfiada com as pessoas ali. Não sabia ao certo o que elas queriam realmente dizer, o que elas realmente faziam.

E Adam não era diferente.

Ele deixava Elise inquieta. Plantava dúvidas e desconfianças que consumiam os pensamentos da loira. Ela realmente tinha vontade de juntar-se às dançarinas, mas isso seria mesmo proveitoso? Não sabia se ainda conseguia dançar, se conseguiria pegar o ritmo do Django e das garotas, ou se suportaria ser cortejada tão intensamente e resistir à tornar-se cortesã.

A maioria das dançarinas atendiam clientes especiais. Vários deles com títulos na sociedade e que queriam exclusividade.

E mais uma vez a loira estava pensando na possibilidade de ser uma das garotas de Constance. Aquilo a perturbava. Seu cérebro cogitar repetidas vezes aquilo, assustava-a de uma forma impressionante. Seu subconsciente desejava o luxo e o poder que tais mulheres tinham, desconsiderando todos os contras que vinham na bagagem.

{...}

Constance estava em seu escritório com Michael, seu advogado. Os dois debatiam sobre algum processo pendente contra a mulher na França. A loira parecia agitada com o assunto, enquanto o homem mais velho tentava acalmá-la.

— Já é uma causa ganha, Constance, não há com o quê se preocupar!

— Mas me preocupo. Olhe em volta! Tudo o que eu conquistei está despertando a inveja de pessoas esquecidas há muito.

— Eu compreendo, mas estou dando a minha palavra. Não há com o quê se preocupar. Eles não possuem provas o suficiente para te acusar e mesmo que eles arrumem, o crime está prestes a prescrever.

Constance fitava o nada. Relembrando o que acontecera de forma dolorosa. Nunca fora sua intenção cometer tal ato, mas, o destino não lhe deixou escolhas.

Foi acordada de seus devaneios por batidas na porta.

— Quem é? — Ela perguntou pouco simpática.

— Adam.

Foi a única coisa que o moreno precisou dizer. Ela levantou-se e caminhou até a porta, abrindo-a e deixando-o entrar em seu escritório. Dirigiu a próxima fala para Michael, sem ao menos olhá-lo.

— Deixe-nos.

Ele não pestanejou e agarrou sua pasta de couro preta, cumprimentando Adam e saindo dali.

Os dois presentes na sala permaneceram em silêncio, enquanto Constance preparava uma bebida. Ela colocou duas pedras de gelo em cada copo americano e em seguida despejou o uísque, cuidadosamente.

— E então? — O silêncio enfim foi quebrado pela loira.

— Posso dizer que ela ficou bastante pensativa depois de nossa conversa.

— Ótimo! Ela demonstrou algum interesse?

— A princípio comentou que costumava dançar quando tinha uma vida. Ela não se aprofundou, mas eu tratei de encorajá-la a pedir-lhe uma chance como dançarina.

— Espero que tenha sido discreto quanto à isso... — Constance pontuou, entregando o copo com a bebida para Adam. Ele assentiu.

— Até parece que não me conheces, Constance.

Ele tomou um gole da bebida e a mulher sorriu de lado.

— Elise deve achar que todas as suas decisões foram tomadas livres da influência de terceiros. Por isso que lhe deixei encarregado disso. Você não levanta suspeita, já que não está diretamente ligado a mim. Se eu o fizesse, ela desconfiaria logo de cara. As pessoas não gostam de se sentirem manipuladas.

Adam levantou o copo, propondo um brinde com a mais velha:

— A quê brindaremos? — Ela questionou.

— À sua joia prestes a ser lapidada.

Notas finais
E então? Gostaram? Se chegaram até aqui, não custa nada deixar um review com a sua opinião. Por menor que seja, acredite, faz toda a diferença. Um beijo!