Notas iniciais
Olá! Estou muito contente com a recepção da fic. Agradeço a cada pessoa que leu, comentou, favoritou e está disposta a acompanhar-me nessa aventura repaginada. O primeiro capítulo retrata a chegada da nossa protagonista em Chicago. Espero que gostem! Boa leitura!

Era uma noite fria na cidade de Chicago. O movimento estava fraco e as poucas pessoas que transitavam por ali estavam devidamente agasalhadas. As mulheres com seus casacos de pele e os homens com seus sobretudos, todos andavam apressadamente em direção a seus destinos. Fossem esses seus lares, com o aconchego de sua família; ou os populares cabarés, com o aconchego de belíssimas cortesãs.

Um grupo de homens fumavam seus cigarros e bebiam seus uísques em um simplório bar de esquina. A conversa empolgada dos rapazes contrastava com o silêncio das ruas gélidas e quase vazias. O dono do bar não se agradava muito da presença dos varões, que eram, em suma, filhinhos de papai, porém, reclamar e mandá-los embora estava fora de cogitação.

Eles eram os únicos clientes que traziam algum lucro significativo para Oleg – o velho de bigode grosso que herdara o bar como herança de família – e também, os jovens baderneiros, eram membros das duas famílias mais poderosas da cidade. Se assim quisessem, o pequeno estabelecimento deixaria de existir do dia para a noite.

Os risos exagerados foram contidos ao notarem a presença de uma jovem loira, com frio e sozinha no outro lado da rua. Ela caminhava de cabeça baixa, com os braços cruzados para se proteger. Seu corpo coberto apenas por um fino vestido marrom amarrotado e rasgado, tremia ao toque do vento congelante da cidade de grandes ombros.

Apesar de sua situação deprimente, a beleza que possuía continuava a saltar aos olhos de quem a via. Seus lábios estavam totalmente pálidos, mas seus olhos verdes destacavam-se em sua fisionomia apática. Eles vagaram pela rua escura em direção às vozes que se sobrepunham atrás de si, focando-se no grupo de rapazes no bar.

As feições deles causaram arrepios na jovem, que tratou de acelerar o passo quando percebeu um dos moços levantar-se.

Seus braços que já estavam cruzados em seu peito foram ainda mais pressionados, como se ela tentasse esconder-se dentro de si mesma. Um calafrio percorreu seu corpo inteiro quando ouviu a voz de um dos rapazotes.

— Moça, você não deveria está andando sozinha durante a noite. Ainda mais nesses trajes. — Sua voz estava carregada de más intenções e petulância, aumentando a sensação angustiante no corpo da loira.

Ela estava realmente desprotegida de tudo. Estava sozinha, não tinha a quem recorrer e sentia todos os seus músculos congelados com à baixa temperatura. Se estava difícil até mesmo andar, a jovem não queria imaginar como seria doloroso tentar escapar correndo de um grupo de seis homens.

— Me deixem em paz, por favor. — Ela pediu acelerando o passo, mas o rapaz não desistiu, segurando-a pelo braço.

Os dedos enluvados do moreno pressionaram o membro superior da moça, causando-lhe dor. Ela arfou baixo, tentando parecer forte diante daquela situação extremamente desesperadora.

O infinito verde nos olhos da loira encheu-se de medo. Ainda mais medo. Seu corpo que já tremia de frio, agora tremia o dobro com o pavor espalhando-se como pólvora por sua corrente sanguínea.

O destino estava sendo ainda mais sacana com ela. Que ironia mais amarga fugir de algo que mais tarde a encontraria novamente e com ainda mais intensidade e dor.

— E aí rapazes? O que devemos fazer com a mocinha? — Ele questionou, acariciando o rosto da loira, que se encolheu imediatamente.

— Devem soltá-la imediatamente e irem embora antes que eu decida contar a seus pais o que pretendiam fazer com uma dama indefesa.

Uma voz firme e feminina ecoou pela rua agora vazia e chamou a atenção dos rapazes. A senhora dona da voz era simplesmente Constance Fontaine, uma francesa que herdou uma fortuna com a morte de seu último marido, mudou-se para os Estados Unidos e abriu o cabaré de luxo, que atualmente, é o maior e melhor da cidade.

Ela era amiga de todos os ricaços da região, que eram frequentadores assíduos do Django, sua mina de ouro.

Os rapazes resmungaram xingamentos baixo e soltaram o braço da moça, lançando um olhar reprovador para a madame Fontaine, que permaneceu com o nariz empinado.

— Você não deveria se meter nos meus assuntos. — O moreno, aparentemente líder do grupo, advertiu, enquanto caminhava para longe.

A loira mais velha gargalhou como se tivesse ouvido a mais engraçada das piadas.

— Você que não deveria se meter nos meus, honey.

Ela disse com a voz firme, encarando os baderneiros até que eles virassem à esquina. A jovem a qual protegera ainda tinha olhos assustados, mas finalmente respirava aliviada.

— Muito obrigada, senhora.

— Oh, por favor, me chame de Constance. E o que diabos aconteceu a você, honey?

A moça permaneceu em silêncio. Não sabia se era seguro contar sobre sua vida para uma estranha, mesmo que ela parecesse cheia das melhores intenções.

— Ok, não precisa me contar agora, mas, ao menos, deixe-me ajudá-la. Venha comigo para minha casa, tome um banho e vista roupas quentes. Depois pode decidir o que irá fazer.

— Desculpe-me, senhora...

— Constance. — A mulher a corrigiu. — Qual é o seu nome, a propósito?

— Elise.

— Oh, lindo nome! Assim como você, minha jovem.

— Obrigada, obrigada mesmo, mas eu não acho seguro ir para a casa de alguém que não conheço. Desculpe-me.

— Oh, claro. É muito mais seguro permanecer na rua a mercê de homens estúpidos dos quais acabei de salvá-la.

Um pouco de sarcasmo viria a calhar para que Elise aceitasse sua proposta. A jovem não tinha argumentos contra a última fala de Constance e, dando-se por vencida, acompanhou a senhora até sua residência.

{...}

Elise observava o ambiente luxuoso à sua volta. Era um salão. Um salão recheado de pessoas bem vestidas, bebidas, cigarros e mulheres belíssimas trajando vestidos curtos e ousados. Alguns homens do local cumprimentavam Constance e a questionavam sobre a moça que lhe acompanhava. A senhora sorria e dizia:

— Ela não é uma das minhas meninas, honey.

As duas caminharam pelo extenso cômodo até uma escada que dava acesso aos quartos. Afinal, um cabaré que se preze deveria ter suas suítes dignas de abrigarem um pouco mais de diversão.

— Você é a dona daqui? — Elise questionou, ainda observando o ambiente e o luxo que lhe saltava às vistas.

Constance apenas assentiu com um leve aceno de cabeça.

— Me obrigará a trabalhar para você?

A jovem recuou. Parando no meio do corredor.

— Você é muito desconfiada. Credo! — A senhora respirou, retomando sua paciência. — Eu só quero lhe ajudar, Elise. Não a obrigarei a nada. Você pode ir embora amanhã mesmo. Ou agora se quiser.

— Tudo bem. Eu estou morrendo de cansaço e fome.

Constance sorriu simpática para a loira e a estendeu a mão.

— Honey, eu vi nos seus olhos o seu sofrimento. Sua angústia e sua raiva. A sua inquietude chegou a me acariciar. Eu me vi em você.

Por um minuto a confiança inabalável da dona do Django estremeceu e ela desviou o olhar por alguns segundos, fitando um ponto qualquer. Então respirou fundo e em seguida soltou todo o ar que preenchera seu pulmão, eliminando seus fantasmas durante a expiração.

— Venha, vou te arrumar um quarto e vestes quentes. Ah! E também uma deliciosa refeição.

Elise agradeceu à senhora que continuou a segurar sua mão, até que chegassem ao último quarto do corredor.

Constance girou a chave, abrindo a porta do cômodo. Não era enorme, mas bastante aconchegante. Talvez fosse o quarto mais simples da Django, mas já era o paraíso para a jovem que caminhou vagando pela cidade por mais de duas horas.

Notas finais
O que acharam? Espero sinceramente que tenha atendido à expectativa de vocês. Obrigada por lerem! Um beijo!