Velha Infância - Berita
15 Capítulo 14
Notas iniciais
Ao perceberem que estavam com falta de ar, Clarita e Beto se distanciaram daquele beijo.
– Por que fez isso? – questiona Clarita.
– Ainda não entendeu?
Clarita fecha os olhos.
– Entendi, mas isso não pode acontecer – fala ela, abrindo os olhos.
– E por que não pode acontecer?
– Você é filho do meu patrão e...
Clarita não termina de falar, pois é interrompida por seu celular que está tocando.
Depois de se afastar e falar com a pessoa que ligou para ela, Clarita volta sua atenção para Beto.
– E então?
– Então o que? – questiona ela.
– Quem que te ligou?
– Francis.
– E o que o metido a barista queria?
– Ele não é metido a barista nada! – exclamou a garota. – Ele é um ótimo barista por sinal.
– Está defendendo ele, Clarita?
– Ciúmes, Beto?
– Eu com ciúmes? – ele ri. – Apenas perguntei o que ele queria, algum problema com isso?
– Ele virá aqui – explicou. – Na verdade, já deve estar chegando.
– Esse Francis não tem algo mais produtivo pra fazer?
– Beto!
– O que foi?
Clarita o encara.
– Esqueça o Francis. O que vai ser da gente agora?
– Como assim?
– Clarita, não se faça de desentendida! – gritou Beto. – Eu te amo e quero que... – Beto é interrompido pela campainha. – Mas que droga! Será que nem se declarar pra mulher da minha vida eu posso? – questiona ele, olhando em direção a porta.
Sem Beto perceber, Clarita dá um sorriso ao ouvir suas palavras.
– Pensei que só mulheres tinham TPM – disse ela, indo em direção a porta.
– Não tenho TPM! Tenho raiva do babaca do outro lado da porta.
– Então o babaca que se cuide – fala ela. – O Beto não está num bom dia.
– Até estava há alguns minutos atrás – murmurou ele.
Clarita abre a porta do apartamento e se depara com Francis, ele entra com um sorriso no rosto; sorriso esse que se desfaz ao ver Beto ali.
– O que você está fazendo aqui? – Francis pergunta.
– Oi pra você também – ironizou Beto.
– Não respondeu minha pergunta – fala o barista.
– Vim fazer o mesmo que você – responde Beto. – Visitar meus amigos. Você sabia que a Clarita, a Mili e o Mosca são meus amigos, não é?
Francis olha para Clarita.
– Sim – respondeu.
– Então Clarita, quando vamos marcar de nos encontrar pra tratar daquele assunto...
Clarita o encara.
– Depois falamos disso, Beto – ela se vira pra Francis. – Então, o que conta de bom? – ela sorri.
Beto bufou.
– Queria que você me acompanhasse pra uma festa – diz Francis.
– Quando?
– Hoje á noite.
– Amanhã ela tem que levantar cedo para trabalhar – fala Beto, se intrometendo.
– Eu também tenho – Francis falou.
– Então tem consciência que essa festinha pode os prejudicar?
Clarita segura o riso.
– Quanta preocupação, Beto! – exclamou ela. – Também tenho direito de me divertir.
– Com ele? – Beto aponta para Francis.
– Que horas, Francis? – pergunta Clarita, ignorando Beto.
Francis olha para Beto de canto de olho e em seguida diz:
– Ás oito está bom pra você?
– Está ótimo pra mim!
Beto encara Clarita, logo vai em direção a porta:
– Aonde você vai? – Clarita pergunta.
– Pra casa.
– Já?
– Acho que não tenho mais nada pra fazer aqui, você está muito ocupada com o seu amiguinho – ele encara Francis e depois olha pra Clarita. – Outro dia a gente se fala.
– Beto... – Clarita tenta dizer, mas ele já tinha saído do apartamento. – Depois quando falo que está de TPM – disse, se virando de frente para Francis.
– Isso se chama ciúmes.
– O Beto é chato mesmo – ela ri.
Ambos ficam em silêncio.
– Você não está querendo provocar o seu amiguinho, não é? – perguntou Francis.
– Não entendi.
– Querer que o Beto fique com ciúmes...
– Não! – exclamou ela. – Só quero curtir, será que não posso?
– Claro que pode! Prometo que vai ser a melhor noite de sua vida – Francis acaricia o rosto dela.
Ela o encara.
– Okay! Nos encontramos a noite? – pergunta, o puxando para fora do apartamento.
– Está me expulsando do seu apartamento?
– Preciso me arrumar pra festa!
– Mas...
– Até de noite, Francis – disse ela e fechou a porta com ele do lado de fora.
Em seguida, ela se joga no sofá. Logo passou sua mão nos lábios, delicadamente.
– Caramba! E agora, o que vai ser? – questionou.
(...)
Ao abrir a porta de casa, Beto se joga no sofá. Ao relembrar o beijo dele e de Clarita, deixou um sorriso escapar de seus lábios. Mas ao lembrar a maneira que ele tratou, jogou uma almofada para longe.
– Por que ela fez aquilo na minha frente? Ela quis me provocar? Me irritar? Ótimo, conseguiu. Por que tudo aquilo depois do nosso...
– Já estava indo com a polícia atrás de você! – anuncia Carol, entrando na sala.
– Sou maior de idade, esqueceu? – fala ele, se sentando no sofá.
– Mas devia dar satisfações para os seus pais, sabia?
– Vou lembrar disso da próxima vez.
Júnior também chega ali.
– Sua mãe estava preocupada.
– Percebi.
– Onde estava? – Júnior pergunta.
– Fui em um balada.
– Dormiu aonde?
Beto suspirou e olhando para o lado disse:
– No apartamento da Clarita.
– Aquela garçonete órfã?
– Sim, algum problema com isso?
– E ainda pergunta! – Carol riu. – Filho, essas são suas companhias?
– O que a senhora tem contra ela?
– Ela é diferente de você! Por que prefere ela ao invés da Érica?
– Ela não é diferente de mim! – gritou, se levantando. – Esqueceu que viemos do mesmo lugar?
– Mas agora você é diferente dela sim. Você é filho do dono do lugar onde ela trabalha, filho.
Beto riu.
– Não tenho vergonha de onde vim e jamais vou esquecer as amizades que fiz lá, queira você ou não. Ah e outra coisa, você não é minha mãe de verdade! Será que esqueceu disso? Eu sou tão órfão quanto a Clarita! – gritou ele fazendo seus pais adotivos trocarem olhares.
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