Velha Infância - Berita
16 Capítulo 15
Notas iniciais
– Beto – diz Júnior, o reprovando.
– Não é porque não sou sua mãe biológica que deve me tratar dessa forma.
– Não é porque sou seu filho adotivo que deve achar que não vou mais falar com as pessoas do Orfanato.
– Uma coisa é falar com elas, outra é manter relações além de amizade.
– Do que está falando? – Júnior questionou.
– A Érica me contou que você preferiu a tal de Clarita ao invés dela.
Beto bufou.
– Olha só, finalmente a Érica falou algo certo.
– Como você pode?
– Eu amo ela. Não é o suficiente?
– Jamais vou poder aceitar isso.
– O problema é seu, mamãe – ele levanta-se do sofá e vai até a porta.
– Aonde você vai? – perguntou Júnior.
– Pra qualquer lugar, bem longe daqui. – Beto sai de casa, batendo a porta.
– O que fiz pra merecer isso? – questiona Carol, sentando-se no sofá com a mão no rosto e é abraçada por Júnior.
(...)
Clarita olha para o espelho e gosta do que vê.
– Você ficou linda de vestido – disse Mili.
– Acho tão curto – analisou.
– Não, vai assim que está ótimo.
A campainha toca.
– Deve ser o Francis. – Mili sai para atender a porta.
Clarita termina de arrumar o cabelo e vai até a sala.
– Clarita você está incrível! – exclamou Francis.
Ela sorriu.
– Obrigada, vamos?
Depois de se despedirem de Mili, ambos foram para a festa.
– Aonde será essa festa?
– É uma balada – disse ele. – Não é muito longe daqui.
(...)
Beto andava sem direção. Gostaria de ir visitar Clarita, talvez até ficar lá por um bom tempo, mas agora ela deve estar no encontro com o barista Francis.
Ele acelera e acaba parando em frente uma balada.
– O melhor lugar para ir – disse ele.
(...)
Clarita entrou de mãos dadas com Francis.
– Nunca pensei que você me levaria em uma balada – Clarita grita, para Francis ouvi-la.
– Quero dançar bastante hoje, você não? – respondeu.
Eles vão para a pista e começam a dançar. Clarita estava gostando da ideia, até ver Francis dançar. Sentiu-se envergonhada pela forma com a qual ele dançava, então resolveu beber alguma coisa.
– Um refrigerante, por favor – pediu.
– Não bebe? – alguém perguntou.
Ela olha para o lado e vê Beto com um lindo sorriso no rosto.
– Não hoje.
– Por que deixou seu namorado sozinho?
– Ele não é meu namorado.
– É o que então?
– Um amigo.
– Você diz isso de todos?
– Todos quem?
– Os caras que você sai.
– Como seu eu saísse com muitos.
– Por que preferiu ele?
– Preferi pra quê?
– Você gosta dele! – exclamou Beto. – Se não gostasse, não aceitaria o convite dele para sair pra uma festa depois que nós tínhamos se beijado.
– Tive meus motivos.
– E posso saber quais?
Clarita olha para o outro lado, para não encarar Beto.
– Me diz quais os motivos – fala ele, a pegando pelo braço. – Por favor.
– Acho que estou confusa – ela olha para o chão.
– Confusa? Confusa com o que? – questiona ele.
– Talvez esteja gostando de duas pessoas ao mesmo tempo.
– O quê? Vai me dizer que gosta daquilo – ele aponta para Francis, que estava dançando todo desengonçado.
Clarita riu ao ver o barista daquela maneira.
– Aquilo é... Uma ótima pessoa, não merece sofrer.
– E eu mereço?
– Beto, você não entende!
– Não! – gritou ele. – Quem não entende é você! Eu te amo, garota. Amo você mais que a minha própria vida. Por você eu sou capaz de fazer qualquer coisa!
– Então – Clarita pensa um pouco. – Se afaste de mim, por favor.
Beto a encara, surpreso.
– Você quer que eu te esqueça pra ficar com esse babaca?
– Não é isso – ela se aproxima dele e acaricia seus braços. – Desde aquele dia que você foi adotado, meus sentimentos por você nunca mudou. Quando nos vimos depois de tanto tempo, os meus sentimentos por você só aumentaram.
– Não consigo te entender. Você diz que gosta de mim, mas não quer ficar comigo.
– Tem algo maior do que os sentimentos nos impedindo de ficar juntos.
– O quê?
– Nossas vidas mudaram desde aquele dia, já te falei isso uma vez. Somos de classes diferentes, você é filho de meu patrão...
– De novo essa história? Se demite. Daí ele não será mais seu patrão.
– Depois eu morro de fome? Como vou me sustentar?
– Se case comigo.
Clarita riu, segurando as lágrimas teimosas que queriam cair.
– Não é tão simples assim. O que adianta eu ficar com você, se seus pais não gostam de mim?
– E isso importa pra você?
– Sim e muito. Eles poderiam ser os pais que eu nunca tive!
– É isso que está buscando em um relacionamento com o Francis? Os pais que nunca teve?
– Eu não estou em um relacionamento com o Francis!
– Agora, não é? Porque se eu falar que te deixo em paz, você correrá pros braços dele.
– Não me ofenda!
– Estou apenas falando a verdade.
– Tudo bem, quer a verdade? – Clarita diz, descontrolada. – A verdade é que eu nasci pra ter a vida que você tem, nem para agradar seus pais. E com o Francis isso é bem diferente.
– Mas com o Francis você não tem o sentimento que tem comigo.
– Com o tempo, isso pode mudar.
– Duvido – debochou ele, em seguida agarra Clarita pela cintura e a beija. – Duvido que você vá me esquecer tão fácil – disse ele, entre o beijo.
– Solte ela! – Francis gritou e deu um soco em Beto.
– Francis! – grita Clarita. – Pare com isso!
– Agora você vai ver – diz Beto e jogou Francis em uma mesa, fazendo as coisas que estavam em cima dela cair no chão.
– Por favor, parem! – gritou Clarita, tentando os separar.
– Sai daqui, Clarita – fala Beto e acaba recebendo um soco de Francis. – Filho de uma mãe! – ele devolve o soco.
Alguns seguranças chegam ali e tiram Francis, Beto e Clarita de dentro da balada.
– Parabéns aos dois! – fala Clarita. – Queriam dar um show? Conseguiram! – ela começa a sair de perto deles.
– Está indo aonde? – Beto pergunta.
– Pra casa.
– Você veio comigo! – protestou Francis.
Clarita vira-se de frente para dois e os encara:
– Voltarei sozinha pra casa e aquele que me seguir não vai ser pai no futuro!
Francis e Beto se encaram.
– É perigoso – disse Beto.
– Não quer ser pai, Beto? – ela olha pra parte de baixo dele e em seguida sai sendo acompanhada pelos olhares de Beto e Francis.
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