Velha Infância - Berita
14 Capítulo 13
Notas iniciais
– Me solta, Beto! – ordena Clarita, saindo de cima dele.
– Qual é, Clarita? Eu não mordo.
– Você está completamente bêbado. Tenho certeza que de dia não irá se lembrar de nada do que fez agora, então trate de dormir.
– Sua chata!
– Digo o mesmo de você.
Ele mostra a língua para ela, em seguida vira-se para o outro e fecha os olhos para dormir.
Clarita sorri para ele, então começa a acariciar o rosto dele.
– Boa noite – resmungou ela, sonolenta.
(...)
Mili acorda devido a claridade do quarto. Ao olhar para a cama ao seu lado, vê que Clarita não estava ali.
– Ela não dormiu em casa? – questionou, levantando-se. – Não pode ser!
Ela sai do quarto e vai até o quarto de casal – onde ela dormia quando Mosca ficava ali.
Mili dá um grito que faz Clarita cair da cama.
– O que o Beto está fazendo aqui? – questiona Mili.
– Meu Deus, eu estou aqui – Clarita observa o local. – Estava tão cansada e acabei dormindo aqui.
– Você não respondeu minha pergunta.
– Ele estava bêbado ontem a noite e eu o trouxe pra cá.
– Você e ele...
– Não! – exclamou Clarita. – Está maluca? Não seria capaz de fazer nada com ele inconsciente.
– Nem um beijinho? – Mili a olha, provocando-a.
Clarita nega com a cabeça.
Elas veem Beto se mexer na cama, até que ele olha para elas.
– Bom dia – disse ele, sorrindo.
– Vou deixar vocês a sós – anuncia Mili e sai do quarto.
(...)
Clarita e Beto ficam em silêncio durante alguns segundos.
– O que aconteceu ontem à noite? – pergunta ele.
– Te encontrei completamente bêbado e o trouxe pra cá – explica a loira. – Estava tão cansada que acabei dormindo aqui também.
O rapaz assentiu e em seguida pega o celular.
– Muitas ligações da namorada?
– Não, só da minha mãe.
– Ela deve estar surtando.
– Também acho.
– Vou deixa-lo sozinha pra... Não sei, só preciso ir. – Clarita disse e saiu do quarto deixando Beto sozinho e pensativo.
(...)
Mili e Clarita estavam arrumando a mesa para o café da manhã, quando Mosca chegou.
– Bom dia, meninas – cumprimentou ele.
– Oi Mosca – fala Clarita.
Mili o cumprimenta com um beijo nos lábios.
– Clarita e eu vamos ficar de vela? – questiona Beto, saindo do quarto.
– O que você está fazendo aqui, cara? – Mosca pergunta.
– Clarita socorreu um bêbado durante a madrugada e o trouxe pra cá.
– Você? Bêbado? Brigou com a namorada?
– É por aí.
Ao ouvir a resposta de Beto, Clarita o encara.
– Vai tomar café da manhã aqui? – ela pergunta.
– Sim. Não estou a fim de encarar minha mãe.
– Mais cedo ou mais tarde, você terá que o fazer.
– Mas não vai ser agora, Clarita – responde Beto.
– Tudo bem – fala Mili. – Vamos tomar café da manhã como os velhos e bons amigos que ainda somos?
(...)
– Ele não atende minhas ligações! – exclamou Carol, andando de um lado para outro.
– Ele deve estar na casa da Érica – sugeriu Júnior.
– Não, já liguei pra lá e ela disse que ele não estava – respondeu. – E disse mais, falou que eles não estão mais namorando.
– Por quê?
– Isso ela não quis me contar, disse que quando Beto chegasse em casa, ele mesmo iria contar.
Júnior ficou em silêncio. Por algum motivo, ele lembrou-se da amiga de infância de Beto. Será que a garçonete do Café Boutique tem algo a ver com isso?
(...)
– Eu não acredito! – exclamou Clarita, ao ver que novamente Beto ganhou no Uno. – Você está roubando!
Beto riu.
– Não tenho culpa se te fiz comprar mais oito cartas.
– Ah claro que não tem culpa – fala ela, sarcasticamente.
Eles ficam em silêncio, até que ouvem um barulho. Mili arregalou os olhos:
– Desculpa, já faz tempo que tomamos café e eu estou com fome.
Todos riram.
– Vem meu amor, eu te acompanho até a cozinha. – Mosca fala e sai acompanhando Mili.
– Obrigada por nos deixar sozinhos – murmurou Clarita.
– Não gosta da minha companhia?
– Não é isso é que...
– A Érica viu a gente ontem a noite. – Beto diz, a impedindo de terminar de falar.
– Quando eu estava te levando pro meu apartamento?
– Não. Quando eu lhe dei a carona.
– Ah. Ela não viu que a gente quase...
– Nós terminamos o namoro.
– Eu sinto muito.
– Por quê? – Beto riu. – Não adiantaria eu continuar a namorar uma pessoa que eu não amo.
– Não ama?
– Não.
– Mas ela deve estar triste com isso.
– Até pode ser, mas garanto que não demorará pra achar outro.
– Nossa! – exclamou ela.
Ambos ficam em silêncio.
– E você não quer saber a pessoa que eu realmente amo?
– Acho que isso não me diz respeito.
– Mesmo sendo minha melhor amiga?
Ela assentiu.
– Mesmo sendo essa pessoa?
– Que pessoa?
– A pessoa que eu realmente amo.
Por um momento, Clarita sente o coração se acelerar como se a qualquer momento ele saísse correndo de dentro do seu peito.
– O que você quer dizer com isso, Beto?
– O que eu quero dizer é que te amo, que é você que eu quero pra mim! – Beto diz enquanto se aproxima dela.
– O que você acha que está fazendo? – questiona ela.
– Eu acho que estou fazendo algo que devia ter feito há muito tempo atrás.
Ao dizer essas palavras, Beto termina com a distância que estava de Clarita com um suave beijo nos lábios de sua melhor amiga e também amor de sua vida.
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