Vejo Você mais tarde ?
1 De volta ...
“_Sara ?
Ele tirou os óculos, e caminhou em direção a ela
_Ei, você está de volta ?
_Yeah !
Seu olhos a atravessavam, profundos, insistentes … enquanto ela andava de costas, e ele avançando ...
_Eu estive fora em um …
_Depósito de lixo ?
Ela continuou sentindo que ele estava lendo a sua alma …
_É tão óbvio, não é ? Bonita … você está bonito …
_Hum — ele percebeu que ela falava de sua barba, muito maior que o habitual.
_Você colocou o casulo na minha sala ?
Grissom continuava avançando …
_Frio, seco, sem muita luz … pareceu o lugar ideal, não ?
_Acho que vai ficar surpresa quando se romper.
Seu olhar desceu para a sua boca ...
_Não tenho dúvidas. Vou me limpar agora !
_Vejo você mais tarde ?
_Sim … vai ver !
Ela saiu pelo corredor enquanto ele se perdia em seus pensamentos .
Uma enorme insegurança se instalou em seus devaneios, tinha partido de uma forma tão fria, assim como não tivera coragem de avisá — la com antecedência aquela viagem.
Na ocasião parecera tão sem importância, apenas um detalhe.
Mas de certa forma, ele entrara em conflito com seus propósitos. Não era justo para ela, fazer o que ele fazia, a deixando tão de lado como havia feito.
Dessa forma, machucava seu coração, e não conseguia uma explicação lógica para aquilo.
Estava ansioso para vê – la, tinha sentido uma falta sem tamanho dela.
Mas o caso tinha que seguir em frente e toda a situação caótica criada por Keppler, havia os tragado profundamente.
Ela o viu apenas mais uma vez, conversando com Warrick e Nick, ficou o observando de longe, discretamente. Ele estava mesmo muito bonito, seu cabelo havia crescido consideravelmente assim como sua barba, parecia diferente, muito tentador.
Precisa saber o que fazer, tinha vontade de correr para seus braços, e esquecer que a tinha praticamente a ignorado, e ainda se despediu dela de uma maneira muito fria, embora havia dito que sentiria sua falta !
Talvez fosse muito pouco o que ele tinha a lhe oferecer !
Desviou seus pensamentos e atenção assim que Catherine a chamou, precisava voltar á realidade.
Sara percebeu o quanto Cath estava afetada com toda aquela trama, e principalmente pelo detetive. Ela estava envolvida com ele e o cerco estava se fechando, aumentado a sua angústia !
Tentou entender qual a diferença entre elas, pelo que sabia, ninguém a havia questionado, muito menos cobrado uma postura mais profissional. Este ninguém se referia ao seu supervisor e namorado.
Ao final, o desfecho foi trágico.
A morte dele deixou uma lacuna em seu caráter, assim como uma tristeza muito maior por parte de Cath.
Olhando para o relógio, já sentada em seu sofá, começou a ficar impaciente, não sabia se ligaria, ou se esperaria uma posição mais concreta por parte dele. Por que ele era daquele jeito ? O tempo estava passando e nada. Cansou de esperar, resolveu ligar para Cath e saber se ela estava bem.
_Oi Cath, e então, tudo bem ?
_Estou muito confusa com tudo, mas afinal ele acabou escolhendo o lado certo da moeda.
_Está precisando de alguma coisa ? Quer que eu vá até aí ?
_Não, Sara, obrigada. Grissom está aqui me fazendo companhia, e eu já disse a ele para que se vá, sei que está cansado e realmente não precisa.
Então era isso, afinal eram muito amigos e nessas horas o peso do tempo contava.
Tinha perdido seu encontro por conta da solidariedade dele. Paciência.
O pior é que já estava se acostumando com tantas desfeitas.
Ela pegou sua bolsa e saiu, precisava beber alguma coisa, se distrair, já que não tinha mais nada que pudesse fazer.
Ao sair do estacionamento, ouviu seu nome ser chamado e sabia quem era. Sua voz grave era inconfundível. Se virou e esperou que ele viesse até ela, estava de boné.
_Você vai sair ?
_Pensei que estivesse com a Cath ... então ...
_E estava, ela está muito mal ... mas .... eu ... desculpe !
_Pelo que ? Por ter estado com sua amiga, no momento em que ela mais precisava ?
Ele tentou respondeu.
_Acho que parece óbvio, não ?
_Parece ?
_Senti sua falta, Sara !
Resolveu dar uma chance a ele e ver até onde conseguiria chegar, seria interessante descobrir. Também estava morrendo de saudade dele e ser carinhosa era seu modo habitual de tratá – lo.
Deslizou seu carro até sua vaga novamente e desceu, parando de frente a ele, tocou sua face com cuidado, logo ele depositou sua mão sobre a dela e a moveu até seus lábios, beijando seus dedos, muito carinhoso. Ele mexeu sua cabeça para que sua mão deslizasse vagarosamente pela extensão de sua face e queixo.
Sara sentiu os pelos sedosos, dessa vez, talvez pelo tamanho em que ela se encontrava. Geralmente eram um tanto ásperos.
_Você deixou crescer ?
_Não tive muito tempo para se preocupar com isso.
_Eu gostei ... como eu disse ... está bonita ... e macia !
Ele sorriu para ela que retribuiu.
Subiram de mãos dadas, na verdade estava em paz agora, tinha ficado triste, achando que não o veria naquele dia !
Ela sentiu seu polegar acariciar a mão dela, involuntariamente se virou para ele lançando — lhe um olhar carregado de carinho.
Assim que a porta se fechou ele a abraçou, escondendo o rosto em seu delicado pescoço, aspirando seu perfume profundamente.
Estava louco de saudade, tinha pensado tantas vezes nela, que o limite que ele se impôs, tinha caído por terra.
A verdade é que ele se policiava para não se entregar naquele sentimento, queria manter o controle e não se perder em sua realidade. Não queria se permitir sonhar, caso este romance não desse certo, estaria numa posição confortável.
Tudo isso combinava perfeitamente com sua frieza e sensatez, mas não estava dando mais certo.
Aquela distância tinha lhe pregado uma peça, as noites que passara sozinho sem a presença dela em momento algum, lhe pareceram uma tortura. Percebeu a exata noção do que ela significava para ele, e aquilo o assustou.
Ele a beijou devagar tentando fazer seu coração parecer calmo, mas foi impossível, sentiu as mãos dela em seu peito de encontro com as batidas desesperadas dele.
Percebeu um sorriso em meio ao beijo que trocavam.
Será que que ela percebera seu estado de fraqueza ?
Ele era tão reservado e introspectivo, tinha quase certeza do quanto se controlava para não se entregar. Isso a deixava muito insegura, mas era o jeito dele.
Admitiu pra si mesma que se quisesse aceitar aquele relacionamento, tinha que passar por cima de alguns desafios, e aquele era bem complicado !
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