Vegas Girl
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Maisy olhou uma última vez para o público, pegando nas suas roupas do chão e entrando no camarim.- Foste espantosa Maisy! — Ashley, que estava a vestir-se disse olhando pelo espelho do camarim. Maisy sentiu o corar a subir às suas bochechas e agradeceu.- Obrigada. — falou. Ashley apenas assentiu a cabeça, e de repente no camarim entraram Stephanie e Tiffany.- Olá Maisy! — Stephanie alcançou-a, dando-lhe um pequeno abraço. - Olá Steph. — sorriu. Stephanie pedira antes do show desta noite começar que a começasse a chamar apenas de "Steph". Não havia qualquer problema para Maisy contudo. Aliás, seria muito mais fácil chamar-lhe pelo diminutivo.- Nós vamos jantar fora. Queres vir? — perguntou Ashley, olhando para Stephanie e depois para Maisy ao mesmo tempo. Começando-se a vestir normalmente, negou com a cabeça.- Não posso. — admitiu, lembrando-se do que teria que fazer esta noite — fica para outro dia. — a sua cara iluminou-se com um sorriso e Stephanie e Ashley sorriram também.- Está bem. — Stephanie retorquiu, abrindo a porta do camarim. Maisy reparou que a rapariga cujo nome era “Tiffany” vagueava silenciosamente pelo seu telemóvel, provavelmente nem prestando atenção a nada que se estava a passar no quarto. Stephanie pareceu entender o que a mesma estava a pensar, pois de repente proferiu.- Tiffany, queres vir? – perguntou a rapariga em um tom de voz amável o qual Maisy não pareceu entender bem. Talvez as raparigas tivessem tido um desentendimento pois nos olhos de Maisy, era exatamente o que parecia. Despertada dos seus profundos pensamentos, Maisy mirou Tiffany que houvera largado o telemóvel e encarava as duas raparigas que estavam à porta, em expressão de ignorância.- Não. – respondeu, seca e virou-se para o seu telemóvel. Para não dar nas vistas Maisy começou a calçar-se como se o ambiente no quarto não tivesse ficado tenso, e de seguida sorriu para Ashley e Stephanie que pareciam estar irritadas.- Bem, até amanhã! – Ashley quebrou a tensão, sorrindo. - Até amanhã. – Maisy gentilmente acenou, e Tiffany encolheu os ombros em pura indignação como resposta. Olhou para Stephanie abrir a porta do camarim, segurando nela ao ver Gracie entrar ao mesmo tempo.- Olá Gracie. – Maisy levantou-se da cadeira onde estava, completamente pronta para ir embora. Esta sorriu ligeiramente sem antes não poder deixar de olhar para Tiffany que já estava vestida também. - Tiff. – Gracie chamou-a, fazendo a garota virar-se para ela. — Esta é a Maisy, a nova dançarina do clube. — Tiffany virou-se para Maisy em completa superioridade, deixando-a um tanto desconfortável. - Sim, eu sei quem é. – disse, levantando-se do seu assento e caminhando até à mesma. – Sou a Tiffany . — estendeu a mão para a Maisy, que a apertou educadamente. - Prazer em conhecer-te Tiffany. — indiquou, sorridente. Tiffany por sua vez soltou um pequeno “ Unf”, saindo do camarim. Observando Gracie em pura confusão, Maisy cruzou os braços.- Ela acha-se superior que nós todas. – Gracie explicou-se, abanando a cabeça em desilusão. Maisy já o havia previsto , talvez pela maneira como a rapariga ignorou Ashley e Stephanie. - Oh… — murmurou, entendendo por fim. Gracie ficou intacta no seu sítio, até voltar à vida e aproximando-se de Maisy com um envelope branco. Maisy pegou nele, sabendo do que se tratava e colocou-o na sua bolsa. - Obrigada. – Maisy fracamente sorriu metendo a bolsa em seus ombros. - É apenas o teu ordenado . – Gracie soltou um riso nasal, sentando-se num sofá castanho encostado à parede do quarto. – É verdade… — Gracie proferiu de braços cruzados. – Algum homem chegou a meter conversa contigo Maisy? — perguntou a rapariga curiosa. Uma ponta de nervosismo percorreu as veias de Maisy, deixando-a paralisada. - Não. – mentiu . Gracie olhou para si arqueando as sobrancelhas, mas rapidamente voltou ao normal.- Ainda bem. – o rosto de Gracie brilhou em puro alívio. Maisy não podia propriamente explicar o que se estava a passar, mas havia algo que não estava a encaixar. Desde que Gracie a havia pedido para não falar para nenhum estranho que Justin nessa mesma noite fez-lhe uma proposta horrenda, o que era de desconfiar. Não podia dizer que sabia o que se estava a passar, mas Gracie sabia-o, tinha a certeza. Pensou se haveria de falar a verdade para a rapariga e contar-lhe o que Justin a propôs, contudo seria arriscado o suficiente para algo acontecer a si própria. Sabe-se lá o que Justin ou Gracie poderiam fazer?- Eu vou para casa. – Maisy abriu a porta do quarto em estado nervoso – Até amanhã Gracie. – acenou à rapariga que se encontrava a olhar pacificamente para o nada. - Até amanhã Maisy. — Gracie sorriu levantando-se do sofá. Maisy fechou a porta com a maior determinação da sua vida. O clube estava ainda mais lotado do que a última vez que o vira- que fora quando estivera a dançar- . Os seus pensamentos levaram-na mais alto que esperou que Justin pudesse ter-se esquecido da proposta e que talvez estivesse com uma stripper a divertir-se. Estaria mais feliz se isso acontecesse, mas infelizmente sabia que ele iria-se lembrar .
Fez o seu caminho até ao final do bar, ainda sem dar pela presença de Justin e saiu do clube. Sentiu arrepios a percorrerem o seu corpo com a mudança de temperatura e no momento desejou ter trazido um casaco consigo. Encostada a uma parede, esperou por Justin enquanto homens saiam e entravam no clube. Era nojento ver todo o movimento que andava pelo clube em que homens apenas se preocupavam em satisfazerem-se a si próprios. Olhou de repente para um rapaz novo talvez da sua idade que já há algum tempo a observava na fila de espera para entrar no clube. Sentiu vontade de revirar os olhos, e afastou-se mais um pouco da porta do clube. - Eu vi-te a dançar ontem. – o mesmo rapaz que estava a olhar para si, falou em voz alta. Maisy manteu o seu olhar longe dele e ao invés mirou o outro lado da rua esperando que Justin viesse rapidamente. O que até era bastante irónico visto que há algum tempo atrás sonhou o contrário.- Fazes também o trabalho final vadia? – o rapaz interviu de novo. Maisy cruzou os braços impacientemente enquanto o seu pé batia fortemente no chão. - A gaja para além de vadia é muda. – Maisy tomou coragem em olhar para o novo homem que estava na fila. Os seus olhares queimavam-lhe a pele, era realmente repugnante vê-los rirem-se. -Se pudesse chegar à tua beira agora não te livravas de mim fofa. – o último homem que havia falado, exclamou divertidíssimo com as suas argumentações. Antes que pensasse que a situação se pudesse tornar pior, mais homens começaram por soltar comentários desconfortáveis, fazendo Maisy afastar-se ainda mais terrivelmente assustada.Então, sem se aperceber percebeu que alguém saira do clube por causa do ranger da porta da entrada/ saída. Justin tivera acabado de tirar os seus óculos de Sol quando o olhar de Maisy percorreu o seu rosto. Mantendo-se calada, esperou que Justin viesse ter consigo. - Aí estás tu. – a sua voz rouca tocou-lhe no ombro. Maisy puxou-o pelo braço e os dois começaram a andar, contra a vontade óbvia de Justin.- O que pensas que estás a fazer? – o mesmo gritou, largando-se do braço de Maisy.- Vamos apenas despachar isto por favor. – sussurrou encarando o pavimento da rua. Sentiu desta vez a mão de Justin a puxá-la para um parque de estacionamento e o nervosismo começou a apoderar-se dos seus sentidos. - Para onde me levas? — Maisy perguntou , interrompendo o silêncio na rua de Las Vegas. Justin não proferiu uma palavra sequer e continuaram ambos a andar até que chegaram a um Range Rover preto. - Entra. — murmurou , indo para o outro lado do carro. Maisy não teve hipótese senão obedecer e abriu ligeiramente a porta entrando logo de seguida.- Puxei-te porque os homens na fila de espera estavam a provocar-me. – explicou , puxando cabelo para trás da orelha. Era um vício seu de quando esta em cacos e nervosa. O carro começou a andar e Justin não dirigiu uma palavra sequer. Era como se apenas existisse ele no carro.E aí lembrou-se da conversa que teve com ele antes de entrar no camarim. O seu tratamento de silêncio devia-se propriamente à pequena “argumentação” .- Estás assim por causa da discussão que tivemos? – Maisy indagou com as suas mãos pousadas sobre o seu colo.- Cala-te que é para isso que serves! – Justin bradou com os seus olhos postos diretamente na estrada. Os seus gritos arrepiaram o seu corpo e assim permaneceu sem falar. Estar assustada era favor naquele momento. O corpo de Maisy tremia por todos os lados ainda que quisesse que isso parasse. Olhou pela janela do seu lado e encostou aí a sua cabeça, pensando se fez bem em entrar no carro de Justin. *A viagem de carro fora bastante silenciosa após ter gritado com Maisy. Justin percebera que durante o caminho inteiro Maisy tremia incontrolavelmente o que o deixava bastante frustrado. Após a discussão que os dois tiveram que Justin se sentou numa mesa do clube e apenas ficou quieto enquanto assistia as strippers a fazerem o seu trabalho. As palavras de Maisy ainda percorriam a sua mente uma e outra vez sem conta, deixando-o irritado. Finalmente havia chegado ao destino que procurava: a sua casa. Desapertou o cinto de segurança e saiu do carro rapidamente. Maisy, por sua vez fez o mesmo e saiu do Range Rover segundos depois, quieta.- Anda. — Justin pegou na sua mão e apertou-a bastante , certificando-se que Maisy não fugia dele. Vivia num apartamento luxuoso, privado até, e já há um ano que não levava ninguém com ele. Normalmente todas as suas noites eram passadas nos quartos do clube, mas devido à idade de Maisy não podia cometer nenhuma ilegalidade dentro do clube ou então estaria em sarilhos.Alcançando a porta do seu apartamento largou a mão gelada e trémula de Maisy, e pegou nas suas chaves que se encontravam no bolso, abrindo a porta.Entrou em casa, e esperou que Maisy entrasse também. Viu a sombra da rapariga segundos depois na sala de estar , e dirigiu-se até lá. Tanto a sua como a expressão de Maisy encontravam-se brancas, sem reações. A sua já se encontrava assim desde que Maisy falou consigo, o que foi a provocação final. Parado apenas a uns centímetros de Maisy olhou para as mãos da rapariga a percorrerem a sua mobília delicadamente. Deu mais um passo em frente, e Maisy voltou-se para trás assustada.- Ahm… — Maisy gaguejou, sem saber o que fazer – o teu apartamento é bonito. – fracamente disse. Justin olhou mais uns segundos para a sua cara inofensiva e acabou por falar.- Já o tenho há um ano e meio. – comentou, olhando orgulhosamente à sua volta. Todo aquele apartamento tivera sido adquirido com o seu próprio dinheiro, com o seu próprio negócio. Era uma ambição que já possuía há muito tempo, visto que desde criança que era pobre. Mas as coisas já não eram assim felizmente. Era um homem poderoso, forte e destemido. Algo que não podia dizer há uns anos atrás. Desde os seus seis anos que vira a família e o seu irmão Joe passarem fome, e não pode fazer nada. Foram anos miseráveis para si, e a sua paciência finalmente arrebentou quando soube aos treze anos que os seus pais tiveram morrido num acidente de viação. Ele e o seu irmão foram entregues aos seus avós, mas Justin fugira da sua casa anos depois. O sofrimento tinha sido o suficiente e estar em casa dos avós não era uma opção mas sim uma saída. Uma saída para um novo mundo, mundo aquele que se transformou em negócio de venda de armas legais. O interesse por armas sempre o cativou e após ter saído da casa dos avós aprendeu a manuseá-las. Não se sentiu orgulhoso por ter vagueado pelas ruas aos dezassete anos e por aí ter-se juntado em gangues que o ensinaram tudo o que ele sabe hoje. E a partir desse momento lutou para ser alguém poderoso e prometeu a si próprio que não se deixaria viver nas condições que viveu quando era criança. E conseguiu. Contudo, já não tinha notícias de Joe desde que fugira e de vez em quando ponderava se deveria procura-lo ou não. Mas a conclusão acabava por ser sempre a mesma; não. Apercebendo-se que estivera distraído por muito tempo, abanou a cabeça, e olhou para a expressão de Maisy. Encontrava-se parada e constrangida pelo silêncio que havia na sala.- Segue-me. — a sua consciência normal voltou, e andou em direção ao seu quarto. Ouviu passos atrás de si e por fim Maisy entrou no quarto. Apavorada era a palavra que a descrevia melhor no momento. Sorriu maliciosamente e empurrou-a para cima da cama, deixando-a deitada. - Estás nervosa? – perguntou, deitando-se por cima do seu corpo trémulo. Maisy assentiu com a cabeça rapidamente.- S-sim. – gaguejou, intacta. As mãos de Justin alcançaram a sua cara e o seu rosto aproximou-se do da garota, sentindo a respiração descompassada de Maisy. Olhou-lhe intensamente nos olhos a fim de provocar Maisy, e os seus lábios tocaram pela primeira vez os de Maisy. Então, os olhos de Maisy fecharam-se lentamente e de seguida os seus. O seu polegar acariciou os lábios da rapariga enquanto as suas bocas se moviam devagar, e as suas cabeças repetiam a sintonia. Pegou na mão gelada de Maisy que se encontrava ao lado do seu próprio corpo e entrelaçou-a com a sua, sentindo perfeitamente o pavor que a própria estava a sentir no momento. Justin parou de mover os seus lábios contra os de Maisy e abriu os olhos para a encarar. Maisy abrira os seus segundos depois e Justin sentiu o coração da rapariga a palpitar cada vez mais rápido. Percorrendo os seus dedos pelo elástico das calças de Maisy, sentiu-a remexer-se desconfortavelmente, parando o que estava a fazer e olhando de novo nos seus olhos.
- D-d-desculpa. – Maisy cobriu a sua cara com as mãos aterrorizada. Decidiu parar um pouco na parte das calças e tirou as mãos pequenas da rapariga da sua cara, percebendo que a mesma estava a chorar silenciosamente. Juntou os lábios dos dois , tentando esquecer o facto de que ela soluçava , e o seu polegar acariciou a sua boca outra vez, levando as línguas dos dois a juntarem-se pela primeira vez num movimento lento. Por esta altura, Maisy tivera colocado as suas pernas à sua cintura o que o fez soltar um sorriso invulgar. As suas bocas moviam-se com precisão, com paixão, mas a sua movia-se sobretudo de luxúria, de desejo. Não podia esperar mais, e com a sua mão começou a subir a camisola de Maisy até aos seus seios , deixando-a tensa. Os lábios da rapariga pararam de se mover com os seus, mas mesmo assim continuou a beijá-la sofregamente mordendo-lhe o lábio para que a sua boca lhe concedesse passagem à sua. Com um último beijo, baixou a cabeça à barriga de Maisy, começando por dar investidas de pequenos beijos desde o seu umbigo até aos seus seios. A face de Maisy encontrava-se em pânico ao sentir a boca de Justin a beijar os seus seios, mesmo que estivesse de sutiã. Quando Justin se preparou para desapertar o botão das calças de Maisy, sentiu os soluços da garota a tornarem-se em pequenas piedades para que aquela noite não acontecesse. Evidentemente irritado, aproximou o seu rosto do delicado de Maisy e amarrou nas suas bochechas brutalmente, fazendo-a gemer de sofrimento. Não podia fazer isto. Havia algo na cara de Maisy que o impedia de fazer algo que ela não quisesse. Levantando-se da cama rapidamente, andou de um lado para o outro frustrado. Porque é que não conseguia continuar? - Sai. – por fim sussurrou, envergonhado por ser cobarde o suficiente para não continuar.- O – o quê? – os pequenos soluços de Maisy impediam-na de falar corretamente, saindo a sua voz trémula.- Eu disse, SAI. — gritou apontando para a porta do quarto. Maisy levantou-se da cama confusa, e puxou a sua camisola para baixo ainda limpando algumas lágrimas que saiam da sua face. A rapariga olhou para si evidentemente perplexa, mas acabou por sair do quarto sem dúvidas. Por fim, ouviu a porta do seu apartamento bater de força e olhou para cima da cama revoltado. Em um pequeno empurrão, deitou tudo que se encontrava em cima da cómoda ao chão, espedaçando um retrato de si e de Joe em pequenos. Deitou-se em cima da cama , cama onde estivera deitado com Maisy ainda há alguns minutos atrás e percebeu que a fragrância da rapariga sentia-se por todos o lençol e pior que isso; na sua almofada.A raiva que sentia no momento não dava para contar as estrelas no céu, e sentia-se a esfumar. Porque é que não continuou com o que estava a fazer? Porque é que apenas não a fodeu e pô-la a andar na manhã seguinte?Havia algo que não estava certo, e esse algo estava na cara de Maisy.
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