Vegas Girl
7 7.
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Batendo a porta da casa de Justin, Maisy apenas teve tempo de correr pela sua vida até sair completamente do prédio. A sua camisola estava um pouco bagunçada, assim como o seu cabelo assumia um estado horrível. Olhando pela rua que se encontrava diante de si, Maisy levou o braço ligeiramente ao alto a fim de que um táxi a levasse para casa, segura.Mas não havia sinais de táxi. A rua estava deserta, e aí temeu que não fosse arranjar boleia, e que consequentemente tivesse que passar a noite na rua. Aflita só de pensar nessa hipótese, olhou rapidamente de um lado para o outro à espera que um táxi passasse. Porque é que Justin a havia mandado embora? Porque é que não continuou como que estava a fazer? A situação de há pouco tempo atrás corria pela sua mente, sem conseguir encontrar qualquer explicação para ter sido salva de perder a sua virgindade com um homem que nem sequer a conhecia. Sentiu vontade de lhe agradecer no momento, vejam só!Mas como um relâmpago voltou-lhe à mente que Justin a havia mandado sair e que nem sequer lhe deu o dinheiro. O que era o óbvio, visto que nada aconteceu. Mas para além disso, Justin deixou-a sozinha, sabendo que não iria ter boleia para casa e aí, as coisas tornavam-se frustrantes para o seu lado. Fazia questão de nunca mais lhe dirigir a palavra depois do que aconteceu... e também fazia questão em ignorá-lo caso ele ainda tivesse a coragem de lhe proferir fosse o que fosse. Apenas o pensamento das mãos quentes de Justin a vaguear e a explorar o seu corpo metia-lhe nojo. Um banho quente seria a primeira coisa que iria fazer quando chegasse a casa. Se chegasse...Cruzando os braços, bateu com o pé impacientemente no passeio. As lágrimas que bem tentaram ser controladas, derramaram por fim, deixando-a desesperada. Quando é que se tornou esta pessoa? O seu objetivo de vida não era certamente ser uma vadia, mas amar demais a mãe causou-lhe sarilhos.A sua mente basicamente esvaziou-se quando reparou em luzes brancas ao final da rua, indicando que um carro ou um táxi iriam passar. Levantando a mão e abanando-a aos pulos, tentou chamar a atenção do táxi que estava a passar. O mesmo parou à sua frente e rapidamente abriu a porta de trás, agradecendo a Deus por não passar uma noite no frio.Sentou-se no assento e virou-se para o homem que começou a andar com o táxi.- Para onde vai ser menina? — o senhor perguntou-lhe educadamente olhando pelo espelho do retrovisor, abaixando a música pop que surgia na rádio. Sorriu-lhe fracamente e acrescentou.- Avenida St. Mair Street, por favor. — pronunciou-se em voz alta. O senhor apenas consentiu, contornando a rotunda e virando de seguida à esquerda. Com a silêncio no carro, abriu a sua bolsa para se certificar que o dinheiro que havia ganho hoje estava consigo. Suspirou de alívio ao abrir o envelope, e tirou do mesmo 20 dólares para pagar ao taxista em breve.- A menina vive nos bairros de Mair Street? — a voz súbita do senhor fez levantar a sua cabeça em susto. Lentamente, abanou a cabeça.- Sim. — respondeu amavelmente, olhando para a janela que estava do seu lado do carro.- São bairros muito perigosos. — a voz rouca do senhor fez-se sentir no táxi, e mirou-o.- Eu já estou habituada a viver neles. — suspirou, lembrando-se dos anos em que permanecia aí. O homem assentiu , concentrando-se na estrada.Maisy encostou a sua cabeça no parapeito da janela, sentindo os seus olhos dormentes. O sono começava a despertar, e após o dia de hoje apenas queria descansar e possivelmente, apenas acordar longas horas depois. Um pensamento repentino veio-lhe à mente, recordando-se de Rose. Será que estaria a dormir? Ou — como Maisy previa — estaria acordada à sua espera? Conhecendo a mão como conhecia, sabia que era típico de Rose não adormecer enquanto não visse a sua filha em casa, mas o relógio de pulso de Maisy determinavam as duas horas da manhã, o que indicasse que Rose pudesse estar a dormir visto que nunca havia chegado a casa tão tarde.Entretanto, sentiu o táxi parar e desencostou-se da janela, esfregando os olhos para que não adormecesse naquele momento.- Chegamos ao seu destino. — o homem voltou o rosto para a encarar. - Quanto vai ser? — indagou, tirando o dinheiro que tivera tirado do envelope do bolso. O homem fez um sinal com as mãos, o que a confundiu parcialmente.- Fica por minha conta. — o senhor sorriu amavelmente, encarando as suas órbitas castanhas. Negou com a cabeça confusa, e passou-lhe o dinheiro.- Não é preciso. — retorquiu, passando-o para a mão. Contudo, o homem apenas se virou para a frente negando. - É sim. — disse — agora, saia do carro que eu tenho mais pessoas a quem dar boleia menina . — respondeu, batendo com os dedos impacientemente no seu colo. Retirada em espanto, Maisy acabou por sair do táxi e mumurou um "obrigada " rápido para o taxista, antes de abrir a porta de sua casa.“ Espero que esteja a dormir”- pensou para si, olhando em redor da casa, que tinha todas as suas luzes desligadas. Devagar, andou em bico de pés até ao seu quarto, fazendo uma parte do chão de madeira ranger do quão velho que estava. Fechou os olhos ao ouvir o som, e puxou a porta do seu quarto lentamente tentando não causar mais nenhum ruído. Fechando –a por fim, ligou a luz do quarto.
- Ah! – Maisy levou a mãe ao peito ao ver Rose sentada em cima da sua cama com um envelope nas mãos. O envelope que tinha recebido ontem como o primeiro dia no clube. Mentalmente, agrediu-se a si própria sabendo que Rose acabaria por coscuvilhar o seu quarto. -Mãe, que fazes acordada a estas horas? – olhou nervosa para Rose, que olhava para o envelope com cuidado. A cara da mãe ergueu-se até se encontrar com a sua e aí percebeu que ia levar com um interrogatório. - Que dinheiro é este Maisy RoseCordelia Jane? — Rose ergueu o envelope no ar, desconfiada. Olhando para o mesmo e depois para Rose, sentou-se ao seu lado na cama pronta para falar. Ou para omitir…- Eu pedi um adiantamento na padaria. – mentiu, olhando nos olhos de Rose.- Um adiantamento de 400 dólares Maisy!? – resmungou Rose levantando-se da cama subitamente , deixando o corpo de Maisy trémulo.- Mãe, é o meu ordenado. — levantando-se também da cama, encarou Rose que não parecia convencida. –… Eu pedi-o mais cedo para poder pagar a tua primeira sessão de quimioterapia. — Maisy cruzou os braços sentindo-se arrependida por estar a mentir a Rose. A expressão da mesma alterou-se para uma de surpresa e rapidamente a mãe pegou nas suas mãos, sem antes pousar o envelope em cima da cama.- Maisy, porque fazes isso? — Rose inquiriu, apertando os seus pulsos. — Eu haveria de arranjar uma maneira de pagar a quimioterapia, não era preciso meteres-te no assunto! – o rosto de Maisy apoderou-se de pura tristeza , ouvindo as palavras saírem da boca de Rose. Sabia que as palavras da mãe eram pura mentira, apenas para a assegurar de que tudo ia ficar bem. Mas não ia… se não tomasse ela própria a decisão de ir trabalhar, Rose provavelmente não viveria até aos finais dos próximos dois meses e não podia deixar isso acontecer. Conhecia a mãe suficientemente bem ao ponto de saber que se fosse necessário iria deixar-se falecer aos poucos, deixando-a sozinha e sem a única pessoa que a fazia feliz.- Eu faço isto porque quero! — gritou, sentindo o seu coração bater com adrenalina – por mais que negues a minha ajuda, eu vou sempre dar-ta . — piedosamente olhou nos olhos de Rose que se encontrava em tal estado igual ao seu. – Eu não posso ver-te desaparecer ,és a única pessoa que eu tenho mãe, não me deixes por favor. — num pequeno instante abraçou a mãe. - Oh Maisy… — Rose gaguejou entre pequenos soluços ritmados – eu não vou desaparecer. — apelou , amarrando na sua cara. - Não vais. – disse decidida – Não vais porque amanhã vou contigo à tua primeira sessão de quimioterapia, está bem? — um sorriso honesto brotou-lhe dos lábios, fazendo Rose sorrir.- O que eu fazia sem ti minha Mase. — Rose olhou nos seus olhos, e aí pressentiu que Rose sentiu orgulho em si. E era isso que mais queria. Deitando-se na cama com Rose, abraçou a mãe como se temesse por toda a sua vida, e sentiu Rose a plantar-lha um beijo no seu cabelo, deixando-a segura. Desde que tivesse a mãe por perto não teria medo das energias negativas nem do clube. Apenas pediu para que Rose não viesse a descobrir de onde o dinheiro do envelope verdadeiramente vinha, ou aí os sarilhos começariam.Seriamente.*A luz natural da manhã invadiu o quarto de Justin, dando a luminosidade por completo ao seu rosto. Soltando grunhidos , virou-se para o outro lado da cama onde não pudesse apanhar o Sol, mas infelizmente as cortinas estavam abertas por completo fazendo-o sentir a luz mesmo que estivesse de olhos fechados. Sabendo que não iria retirar muitas mais horas de sono, levantou-se irritado da cama, mexendo no seu cabelo bagunçado. - Obrigadinha, hein? — murmurou sonolento em direção do Sol, fechando as cortinas do quarto. Andando de volta até à cama, sentiu uma dor aguda bater no seu pé.- Foda-se. — gritou ainda com voz rouca de ter acordado. Colocando toda a sua atenção no chão percebeu que o retrato de vidro de Joe e de si próprio estava no chão, em cacos. A moldura que havia custado três mil dólares – coberta de pura prata- encontrava-se em pedaços afiados de vidro. Pegou a foto do chão e pousou-a em cima da cómoda, onde talvez fosse pendura-la de novo numa moldura ou não. O flashback da noite anterior atingiu a sua mente à velocidade da luz, e gemendo em reprovação atirou-se para cima da cama. Tinha expulsado – basicamente – Maisy do seu apartamento, o que neste momento não sabia dizer se era bom ou mau. O seu lado sentimental viera ao de cima na noite anterior, logo na noite em que ia ter alguma diversão. Mas a cara de Maisy pedia por piedade, por liberdade, e não consegui evitar. Expulsou-a . Só de pensar em si a ser afectivo dava-lhe vómitos. Maisy parecia tão assustada e a maneira como olhava para si era tão repugnante que chegou a pensar que a garota estava a olhar para um monstro. As vadias e os seus exageros… O som do telemóvel fê-lo voltar à vida, e esticou o braço pegando no mesmo que estava em cima da mesinha de cabeceira. - Estou? – perguntou, sentando-se na cama. Ouvindo a voz do seu funcionário , olhou para as horas no despertador e os seus olhos abriram-se em desespero.- Sim, eu sei John, estou já a caminho… — vestindo a mesma roupa de ontem, segurou o telemóvel da maneira mas fácil que encontrou.- Ok, xau. – desligou-o , e começou a calçar-se à pressa. Mais uma vez encontrava-se atrasado para o trabalho. Os funcionários estavam todos fora da loja à sua espera para que a abrisse, visto que era o único que tinha a chave da mesma. “A vadia da Maisy e o seu olhar suplicante. “ – pensou, fazendo uma careta desprezível. Graças a ela que atrasou uma hora de trabalho na loja, uma hora que podia ter rendido milhares de dólares. Teria que falar com ela assim que a encontrasse no clube, não escaparia das mãos dele de novo, não podia acontecer. Provavelmente , na mente de Maisy ele havia passado por um cobarde que não se atreveu a continuar com o serviço que tinha proposto. Mas a garota ia pertencer-lhe. Iria vê-la no clube hoje à noite e depois passava a noite com ela e feito. Assunto resolvido e não teria que lidar mais com a rapariga de dezasseis anos que por incrível o comoveu na noite passada. Evidentemente irritado ao lembrar-se da sua atitude para com ela acabou por bater com a mão no móvel. Olhando de novo para as horas, Correu até à sala, pegou nas suas chaves e saiu porta fora. Então, algo que não se tinha apercebido ocorreu-lhe na mente.Como é que Maisy foi embora?
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