Notas iniciais
Hey!! Aqui está o 1º capitulo!! Espero que gostem ♥
Maisy Janes ajeitava a sua pasta tira-colo carregada de livros que acabara de ter alugado na Biblioteca Municipal de Santa Clara. A rua mal estava habitada, e o céu ainda se encontrava nublado. Porém, as pequenas faíscas de Sol antes escondidas, começavam por aparecer aos poucos e poucos, fazendo que Maisy tapasse a cara por não estar habituada à repentina luz. Atravessou o quarteirão final que por fim a levaria a sua casa, e olhou para todos os lados, temendo que fosse roubada ou estuprada. Era um Domingo, e faziam 9h segundo o relógio de Maisy, comprado numa feira dos subúrbios da cidade de Las Vegas.

Era onde ela vivia. Desde o seu nascimento que cresceu no bairro de St. Mair Street com a sua mãe que na altura a teve com 17 anos. O pai não havia assumido a paternidade, deixando apenas a jovem com a mãe, que mal podia pagar uma refeição para alimentar Maisy. Mas a ajuda de alguns vizinhos do bairro sustentou ambas durante estes longos dezasseis anos.

Ouvindo o sino da igreja que se distanciava alguns metros de si, Maisy puxou uma mecha de cabelo para detrás da orelha, e avistou finalmente a sua casa. Era uma das mais pequenas, senão a mais pequena do bairro de St. Mair Street, mas não se queixava. Estava grata por ter um teto onde viver, e saúde. Isso era o mais importante na sua vida. Com cuidado, abriu a porta de casa, para que não acordasse a sua mãe, e pousou as chaves na pequena mesa da entrada.

- Mãe? — sussurrou, olhando para a luz da cozinha ligada. Estranhou o facto de a mãe já se encontrar acordada, por isso caminhou até à cozinha, ainda segurando a sua pasta pesada. — Mãe. — a jovem olhou surpreendida para a senhora Rose, que se encontrava com o rosto escondido na mesa, apoiado com as suas mãos na testa, e com a cara lavada em lágrimas.

Maisy correu para Rose e pegou-lhe imediatamente na cara, fazendo-a olhar para ela.

- Mãe, conta o que se passa. — disse desesperada .

Rose deixou mais umas poucas lágrimas cairem, impedindo-a de falar fosse o que fosse. Maisy, sabendo que não obteria resposta da mãe, apenas a afagou em seus braços, e acariciou os seus cabelos enquanto a mulher de 33 anos chorava incompulsivamente .

Olhando de relance para cima da mesa, Maisy reparou numa carta, completamente aberta. Puxou-a para si, e pegou nela confusa.

Começou por ler o enunciado da carta, e nesse momento, o medo apoderou-se de si.

" Clínica Melrose Streep"

Segundo os resultados estudados das análises de Rose Marie Jane, foi comprovado que a paciente está diagnosticada com Cancro da Mama, em estado avançado, nível A. Apelamos que vossa excelência se diriga à clínica novamente, onde poderá ser informada das sessões de quimioterapia que acontecerão durante os próximos meses.

Diriga-se ao balcão da Sede, e mostre o documento impresso pela doutora Leila Marryl.

Atentamente,

Clínica de Melrose Streep"

Maisy fechou a carta lentamente, tentando não acreditar no que havia lido. Desencostou-se da mãe, e apoiou-a de novo na mesa, levantando-se a jovem de seguida.

A sua expressão notava puro choque e sofrimento. Rose tinha feito à dias atrás análises para a confirmação do gene de cancro, contudo, Maisy manteu-se calma e positiva, pensando que não seria nada de grave, e que possivelmente, os resultados pudessem ser negativos.

Agora nada restava senão uns meses para a mãe viver.

- Mãe, olha para mim . — pegou na cara de Rose gentilmente, e forneceu um sorriso fraco. — Vai tudo correr bem.

Rose parou de chorar eventualmente, e apenas olhou para a cara angelical de Maisy, que por ventura transmitia paz, carinho.

Por outro lado, Maisy não se sentia assim. Sentia-se assustada com o que pudesse acontecer daí para a frente, e não suportava a ideia de perder a querida mãe. A única pessoa que a amara desde o seu primeiro ano de vida.

Com rapidez, Rose levantou-se da mesa, deixando Maisy confusa com a sua ação.

- Eu não vou poder pagar o tratamento Maisy. — Rose alertou-a com as mãos na cabeça. — Tu sabes que não.

- Vamos arranjar uma solução. — Maisy aproximou-se da mãe, positiva sobre o que estava a dizer. — Eu vou arranjar um emprego.

- Nem pensar!

- Já está pensado mãe.

- Não vais fazer nada Maisy.

- Vou, e vai ser já hoje .

A jovem saiu da cozinha, e foi para o quarto, deixando Rose sozinha na cozinha. Trancou a porta, que por sinal já rangia do quão antiga que estava, e pegou no jornal que havia em cima da secretária.

" Secção C, secção C..." Maisy murmurou enquanto virava as folhas do jornal apressadamente. Quando chegou à página, sentou-se na cadeira de madeira à frente da secretária, e começou a procurar alguns empregos. Aqueles que a interessassem mais. Havia desde empregada de limpezas, até cozinheira. Ligou para todos os contactos que podia achar no jornal, mas nenhum estava livre.

Maisy bufou de frustração, e virou a página do jornal. Olhou para os empregos que se avistavam, e quase que fechou a página por impulso.

Mas não o fez.

Sabia que era a sua única hipótese, só lhe restava aquilo. Não poderia perder tempo em procurar pela vizinhança um emprego pois acabaria por ser tarde demais.

Marcando o número de telefone que constatava na página, Maisy contactou o bar de STRIP. Mas não era um bar qualquer.

Era o bar de STRIP mais famoso de las Vegas. O mais famoso, o maior, o mais habitado.

Após a chamada longa de cinco minutos, Maisy pousou o telefone sobre a secretária, e olhou para a parede chocada. Acabara de se contratar para trabalhar num bar de STRIP. E não tinha qualquer experiência. Todavia, a experiência não era o que a incomodava naquele momento... era o facto de ter que trabalhar quase nua.

Mas era a única coisa que se encontrava disponível no momento, por isso...porque não?