Vazio
32 Seu prazer é meu também
Levi pôs uma mão sobre o peito de Eren, empurrando-o para trás.
— Afaste-se um pouco — pediu Levi com a voz morna.
— Ah, que caralho! — praguejou Eren, jogando a cabeça para trás. — Vai me rejeitar de novo?
— Não é isso — disse Levi sorrindo, um sorriso tão leve que fez Eren ficar menos puto. — Pensei que queria saber para que eu trouxe a pomada.
— E o pano — completou Eren, emburrado.
— E o pano... — repetiu Levi, o que o fez ter uma ideia. — Qual você quer primeiro?
— Hã?
— Qual você quer primeiro, o pano ou a pomada? — perguntou com um brilho travesso em seus olhos.
— Sei lá — resmungou Eren, ainda irritado por ter sido broxado pela segunda vez. — Qual eu vou gostar mais?
— Muito provavelmente, do pano.
— Então que seja a porcaria do pano.
— Seu desejo é uma ordem — brincou Levi... E então com cada mão em um lado do rosto de Eren, o puxou para um beijo.
Começou intenso e devastador, do jeito que Eren gostava, mas isso se estivesse no humor. Como estava irritado, apenas o afastou empurrando seus ombros, mas sem sair de seu colo.
— Pensei que ia me mostrar para que trouxe o pano — disse Eren, tentando controlar a respiração —, não que iria me iludir de novo.
— Isso faz parte — explicou Levi, igualmente ofegante com a expectativa de ter Eren em seus lábios mais uma vez.
— Iludir? — perguntou, indignado.
— Não, o beijo.
— Não vejo como um pedaço de pano se encaixa em um beijo.
— Espere e verá.
— Prefiro a pomada — disse Eren, de uma vez.
Levi franziu a testa por alguns segundos, tentando entender o que se passava na cabeça de Eren.
—Tem certeza?
— A pomada envolve beijos?
Demorou um tempo para que Levi respondesse. Internalizou que Eren estava irritado e decidiu não forçar mais ainda a barra com ele, então retirou as mãos do garoto e procurou pela pomada no sofá.
— Não, não envolve — respondeu Levi, um pouco mais frio.
Embora uma parte de Eren estivesse chateada por ter arruinado o clima gostoso entre os dois, outra parte — esta, bem mais dominante — estava contente por, finalmente, controlar a situação.
Levi finalmente pegou o tubo de pomada — sem rótulo, sem nada; apenas um tubo branco —, e desenroscou a tampa com habilidade. Levi apertou o tubo até que uma quantidade considerável da pomada branca meio translúcida.
— Dê-me seu braço — pediu.
Eren pensou em responder alguma coisa, mas optou por calar-se; não queria deixar o clima pior. Ainda desconfiado do que Levi faria, Eren estendeu o braço esquerdo. Levi o segurou com delicadeza com uma mão e, com a outra cheia de pomada, passou em cima das manchas de hematoma em sua pele — incluindo as marcas da algema em seu pulso —, numa massagem suave e gentil. A pomada não tinha cheiro, e não era muito pastosa — na verdade, tinha a textura mais puxada para o gel.
— Por que está passando isso? — perguntou Eren, num fio de voz.
— Porque não quero que ande por aí parecendo um perdedor que apanhou feio — respondeu Levi, com o tom frio e distante de sempre.
— Eu não apanhei feio... — resmungou Eren.
Levi deu um longo suspiro e parou de passar a pomada, encarando-o com as sobrancelhas franzidas.
— Porque é doloroso de ver meu namorado com quase sete hematomas espalhados pelo corpo — disse Levi, com impaciência. — Esse motivo é melhor para você?
Eren arregalou os olhos e perdeu a fala quando escutou “meu namorado”. Estava fazendo tudo errado de novo; Levi foi cuidadoso desde o início, e se parar para pensar bem, tinha sido o único que pensara nos detalhes da relação dos dois, que se preocupara com ele e que realmente tomou conta de tudo... A não ser por uma noite. Na noite em que Eren quase estragara tudo — de novo. Talvez estivesse sendo um pouco extremista demais, mas não tinha como não ser; com ele, era sempre oito ou oitenta.
Desviando a vista para baixo, Eren estendeu o outro braço para que Levi terminasse de passar a pomada. E Levi o fez, delicadamente, até o último hematoma.
— Levi-san...
— Não me chame assim — disse Levi, sem olhá-lo nos olhos, fingindo estar focado na tarefa da pomada. Eren engoliu em seco e retraiu-se. — Chame-me apenas de Levi, eu não sou seu superior — explicou assim que percebeu o acanhamento do garoto.
— Levi — Eren corrigiu-se, com a voz trêmula —, eu mudei de ideia.
O último hematoma do braço direito havia sido coberto de pomada, e Levi finalmente levantou os olhos para os de Eren. Eles passaram um tempo assim, só se olhando, e Eren teve certeza de sua decisão.
— Eu quero o seu beijo — disse, como se cada palavra fosse um aperto em seus pulmões, dificultando a respiração.
Levi não mudou a sua expressão. Olhou para os olhos suplicantes do garoto, seus lábios rosados entreabertos devido ao ofego, os músculos do peitoral rígidos... E não fez nada além de suspirar.
— Você é um pirralho mimado mesmo... — murmurou, balançando a cabeça.
Eren congelou.
Sem se abalar, Levi inclinou-se para o lado e pegou o pano, limpando o pouco de pomada que havia restado.
— Levi, desculpa — Eren lamentou, passando a mão pelo pescoço do namorado —, eu só...
Eren não pode continuar falando; seus lábios haviam sido lacrados pelos de Levi. Subitamente, as mãos dele que estavam sendo limpas pelo pano correram para a cintura do garoto, prendendo-o contra seu corpo num delicioso atrito entre peles. Eren gemeu na boca de Levi, um som rouco e lascivo, acendendo mais ainda o tesão de ambos.
As mãos de Eren emaranhavam-se nos cabelos de Levi num carinho erótico, retribuído por Levi massageando-o com propriedade nas coxas, na virilha, na bunda — esta, Levi agarrava sem piedade, cravando nela seu desejo com os dedos.
E as bocas... Elas não beijavam; conversavam. Era um diálogo mudo, ritmado; era um jogo de mímica, em que tinham que dizer um para o outro o que queriam sem trocar uma palavra. Era uma dança de tango, onde não havia um parceiro controlando os passos; havia apenas línguas entrelaçando-se, acariciando-se, redescobrindo a textura uma da outra.
Quando lhes faltou fôlego, separaram-se o mínimo possível, quase que respirando o mesmo ar — literalmente. Levi subiu as mãos até o meio das costas de Eren e o envolveu em um abraço forte, mas carinhoso, enterrando o rosto na divisa entre o pescoço e o ombro do garoto, que correspondeu o carinho com a mesma intensidade. Eles ficaram daquela forma por pelo que pareceu horas, dias, recarregando-se da energia do outro.
Levi foi o primeiro a mover-se, dando-lhe beijos castos e gentis por toda a extensão do pescoço até o lóbulo da orelha de Eren, onde brincou com os lábios enquanto falava:
— Lembra-se do que eu disse sobre você ficar por cima quando tomamos banho de banheira? — perguntou com a voz deliciosamente rouca.
Eren riu contido, pois sentia um pouco de cócegas.
— Se não me engano — disse Eren, divertindo-se com a memória —, você disse que eu só ficaria por cima se estivesse te pagando um boquete.
— Pode acrescentar essa posição também — disse, o mais sério possível, o que fez o garoto rir mais.
— É para fazer um livro com as posições permitidas? — perguntou, entrando na brincadeira.
— Pensei que já existisse um... Kama Sutra o nome, não?
— Desculpe — disse Eren, rindo —, eu não consigo levar isso a sério...!
— Pois deveria... — Levi voltou a beijá-lo em volta da orelha, enquanto o acariciava nas costas com o polegar direito. — Quer tentar outra posição em que você fica em cima?
Eren sentiu adrenalina se espalhar pelo seu corpo. Não pensou duas vezes antes de desfazer o abraço e tomar um pouco de distância para olhá-lo nos olhos e ter certeza de que aquilo não era uma brincadeira também. O sorriso de Levi, irresistivelmente sexy, fez com que tivesse a certeza de que precisava.
— Sente-se ao meu lado — instruiu Levi.
À contra gosto, Eren ergueu-se do colo de Levi e passou o joelho esquerdo por cima de Levi, caindo sentado no sofá.
— Vire-se para ficar sentado de costas para mim.
Com um gemido de protesto, Eren virou-se e ficou sentado de lado, de frente para o balcão da cozinha. Viu de canto de olho Levi pendurar o pano no encosto do sofá e deixar a pomada no chão, e então um par de pernas o envolveu, seguido pelos braços de Levi, que abraçaram seu tronco mais uma vez. Levi deu um beijo na nuca de Eren e sussurrou:
— Deite-se comigo — disse, quase que ronronando. — Devagar...
Eren deixou-se ser puxado para trás, deitando sobre o corpo de Levi. Apoiou a cabeça no braço do sofá, bem ao lado da de Levi.
— Eren, posso te pedir uma coisa?
— Hm-hum — murmurou.
— Não use suas mãos.
Aquele era um pedido difícil. Eren também queria tocá-lo de alguma forma, ajudá-lo no que for preciso. Mas decidiu por dar uma chance à ideia de Levi. Deixou os braços caírem um de cada lado, dando livre acesso a Levi ao seu corpo.
Levi deliciou-se com a textura macia da pele de Eren, apossando-se com propriedade de cada canto que estivesse visível. Seus dedos correram desde o abdômen do garoto até seu peitoral, provocando grosseiramente cada um dos mamilos, que endureciam com os movimentos repetitivos de alongamento que Levi fazia com o polegar e o indicador. Eren inclinou a cabeça para trás e fechou os olhos, permitindo-se sentir apenas o toque das mãos habilidosas do seu namorado. Levi sentia prazer apenas em assistir o deleite de Eren.
Sua mão direita escorregou lentamente pelo tronco do garoto, passando pela lateral do quadril até a coxa de Eren, e teve a bela visão de todos os pelos dele se arrepiarem — no caso, não todos, já que as pernas do garoto estavam cobertas por uma calça. Levi não demorou; enquanto brincava com os mamilos de Eren com a mão esquerda gentilmente abria o botão da calça, logo mais o zíper, usando a mão direita. Ao sentir o calor do seu parceiro, Eren precipitou um movimento tentando fazer com que seu pênis se aproximasse da mão de Levi.
— Ei… — Levi protestou, mas ainda tinha voz morna e serena.
— O quê? Você disse para não usar as mãos — Eren retrucou, mas encontrava-se em um transe tão profundo que seu lado áspero passou despercebido, o que fez Levi achar graça.
Eren não sabia, mas estava fazendo um homem bem feliz. Levi passou o dedo anelar pela virilha do garoto, desenhando todo o trajeto desde a parte mais baixa do abdômen até ficar mais próximo do membro do garoto, que latejava quase a ponto de doer. Eren queria acabar logo com aquilo; antes que pudesse perceber, desceu a própria mão até o cós da calça.
— Eu vi isso — Levi disse com a voz rouca roçando seus lábios no pescoço do garoto, não porque sabia que isso o provocava, mas porque estava ocupado demais para se preocupar em como sua voz iria sair. No final, ver o garoto perder o fôlego foi gratificante.
— Levi… — suplicou Eren num suspiro. Logo Levi sentiu que não era o único capaz de enlouquecer alguém; cada vez que Eren chamava seu nome, sentia uma vontade intensa de se apossar totalmente do corpo do namorado.
Levi chupou o pescoço de Eren tão delicadamente quanto seu próprio tesão podia permitir, mas não deixou que suas mão parassem em momento algum. Finalmente desceu a esquerda lentamente pelo abdômen de Eren, aberta o suficiente para que conseguisse sentir todos os músculos que pudesse daquele corpo quente e levemente suado. Eren arfou e isso serviu de incentivo para Levi continuar; puxou com propriedade a calça do garoto para que pudesse se livrar dela. Eren agora se sentia um pouco mais aliviado, mas não mudava o fato de que queria logo ser tocado por Levi, não só daquela forma; queria ser diretamente tocado, que Levi o cobrisse de todas as formas possíveis, que fosse totalmente tomado... Ao mesmo tempo em que queria tanto que seu momento chegasse logo, queria que aquilo não terminasse nunca.
A mão firme e ágil de Levi tocou o pênis de Eren por cima da roupa demoradamente, até que finalmente cobrisse seu membro quase que completamente. Podia sentir que Eren estava incrivelmente duro e não precisava que dissessem algo para saber que aquela ereção estava lutando por espaço. Levi adorava ver como Eren retorcia-se ao toque de sua mão, como pedia por mais, como seu corpo reagia a ele quase que instantaneamente... Mas, mais que tudo, gostava de ser o motivo do prazer de Eren.
— Levi, por favor, eu não aguento mais... — Eren implorava, e isso era música para os ouvidos de Levi. Mas o que tornava tudo mais excitante para ele era que Eren pedia entre gemidos, testando a cada segundo o autocontrole de Levi. — Toque-me...!
Levi sentia que estava perdendo o controle sobre o garoto, e para continuar focado, respondia provocando-o. Beijava a nuca de Eren enquanto acariciava o volume em sua roupa íntima. O garoto se contraía involuntariamente, até chegar a um ponto em que nem mesmo Levi conseguia controlar-se devidamente. Puxou a cueca de Eren para baixo de forma que só o pênis do garoto novo ficasse para fora.
— Finalmente — Eren gemeu aliviado enquanto arqueava a cabeça sobre o ombro namorado.
Levi começou envolvendo o pênis de Eren com a mão delicadamente, começando por baixo até chegar ao topo enquanto o massageava com pequenos apertos durante o caminho. Na glande, brincava com o polegar, passando-o por cima do pequeno orifício no topo do pênis e pressionando repetidas vezes, estimulando cada vez mais o alongamento do membro. Desceu até o final de novo, repetindo a carícia lentamente enquanto subia mais uma vez. Depois outra, outra, e mais uma vez, até Eren não aguentar mais o ritmo e gemer por mais.
Eren já estava ofegante por conta de cada movimento com as mãos de Levi, ele puxava com calma e apertava firme tendo o maior cuidado para que Eren sentisse prazer a cada simples movimento. Era difícil, mas, por mais incrível que possa parecer, o garoto estava conseguindo controlar seus impulsos. Talvez estivesse apenas paralisado pelo tesão ou, quem sabe, um surto repentino de obediência. De uma forma ou de outra, Eren estava entregue quase que por completo.
Os movimentos de Levi começaram a acelerar enquanto ganhavam força, mas nunca deixaram de tocá-lo com o devido carinho — afinal de contas, a intenção era agradar Eren. Enquanto continuou com o bom trabalho com a mão direita, a esquerda envolvia e apertava o corpo de Eren, prendendo-o junto a si como se não quisesse soltá-lo nunca. A respiração do garoto, frenética e entrecortada, excitava Levi quase tanto quando seu toque o excitava, e aos poucos se via ofegando tanto quanto ele.
— Por favor... Levi! — Eren tentou gritar, mas não conseguiu; sua voz saiu como um gemido, animando seu parceiro.
— Por favor o quê? — Levi provocou-o sussurrando em seu ouvido, enquanto passava o nariz pelos cabelos do menor.
— Mais… — Ao dizer isso, Eren apertou involuntariamente a coxa de Levi que estava logo abaixo de sua bunda. O movimento foi tão repentino que Levi deixou passar; além de que, gostava do Eren tentando se conter. — Dê-me mais...!
— Aguenta mais um pouco, Eren — disse com a voz urgente, ansiando pelo orgasmo de Eren também.
Apertou gradualmente o membro do garoto, folgando apenas quando se movia para cima e para baixo, fazendo-o soltar um gemido inocente, mas ao mesmo tempo muito erótico. Eren abria cada vez mais as pernas, dando maior acesso e mobilidade a Levi, enquanto fazia seu quadril acompanhar as deliciosas e brutais estocadas da mão do namorado.
Levi percebeu que Eren já estava chegando quase no limite — seus gemidos soavam cada vez mais afônicos —, então optou por provocá-lo ao máximo. Levou a mão esquerda até o mamilo esquerdo de Eren e, sempre que completava uma estocada, dava um pequeno puxão no bico duro e alongado. Eren arqueou as costas, permitindo-se externar o prazer em um grunhido, enquanto cravava os dedos nas coxas de Levi. Os puxões tornaram-se pequenos beliscos, as estocadas ganhavam intensidade, e Eren perdia-se por completo naquele mar de sensações.
Espasmos começaram a tomar conta do corpo do garoto, que fechara os olhos e esperava não tão pacientemente seu clímax chegar. Assim que sentiu o líquido pré-ejaculatório escorrer do membro de Eren, Levi apressou-se e abandonou o mamilo de Eren para apanhar o pano que deixara pendurado no encosto do sofá. Sem mais delicadeza nenhuma, Levi envolveu o pênis no pano e, com as duas mãos, o estimulou até que Eren não aguentou mais, e deixou que o namorado o levasse até seu orgasmo. Eren gemia — rugia — o nome de Levi repetidas vezes, chamando-o enquanto perdia-se em algum lugar perto do céu — ou assim acreditava.
Somente quando toda tensão havia sido aliviada foi que Eren percebeu o quão banhado de suor seu corpo estava. Escutou pela primeira vez o quão afetada estava a respiração de Levi, percebendo também seu ritmo cardíaco martelar furioso em suas costas. Sentia o próprio coração bater como se não coubesse no peito, e a sensação era maravilhosa. Eren inclinou a cabeça para frente, espiando o pano que cobria todo o seu membro, e deixou a cabeça cair para trás de novo, dando uma risada abafada pelos ofegos.
— Trouxe o pano só para isso? — perguntou rindo.
— “Só para isso”? — Levi repetiu, fingindo ultraje. — Faz ideia de como é difícil tirar mancha de gozo de pirralhos loucos para transar?
— Na verdade, não — respondeu, entrando na brincadeira. — Afinal de contas, nunca limpei o gozo dos outros.
— A próxima vez vai ser na sua casa, então.
Eren deu uma risada leve e descontraída, o som mais relaxante que Levi já escutou. Delicadamente, usou o pano para limpar o resto de sêmen que acabou escapando e deixou o pano no chão, ao lado do sofá. Pondo as mãos nos quadris de Eren, sinalizou para que ele virasse e ficasse de frente para ele, o que Eren fez de imediato.
Assim que seus olhos se encontraram, entraram em transe, perdidos um no outro. Inconscientemente, aproximaram seus rostos para procurarem por si mesmos no reflexo do parceiro, e quando perceberam seus lábios já estavam colados, selando mais uma doce memória. Quando se separaram, Levi passou a mão pela lateral do rosto de Eren, afagando sua bochecha e tirando do caminho alguns fios rebeldes que teimavam em cair na frente do rosto do garoto. Eren fechou os olhos e, só quando o toque de Levi havia sumido, ele os abriu de novo, deparando-se com um sorriso travesso, porém terno, de seu namorado. Era de tirar o fôlego.
— Você tem um sorriso lindo — Eren deixou escapar sem querer, o que o fez corar e praguejar mentalmente pela impulsividade. Levi arqueou as sobrancelhas na hora, completamente surpreendido. Sua reação fez com que Eren perdesse um pouco da vergonha. — Um dos mais bonitos que eu já vi.
— Você não é muito social, não é? — Levi desviou o olhar, levemente corado.
Aquilo foi fofo demais para que Eren resistisse; deixou o corpo tombar em cima de Levi, colando seu tronco nu com o dele, e o abraçou aninhando-se em seu peito, sentindo o doce aroma de seu cheiro natural misturado ao salgado do suor. Era como se o calor que emanava da pele de Levi o envolvesse, acalentasse. Como se deitar em sua cama após uma viagem muito longa. Era como se aquele fosse seu lugar.
Levi retribuiu o gesto envolvendo-o em seus braços e o apertando contra si, como se tentasse fundir-se a ele. Aquele garoto de pele suave, corpo esguio, cabelos macios e olhos vívidos, num curto espaço de tempo, havia tomado um espaço espantoso em seu coração. E naquele momento, sentia mais pedaços serem tomados por Eren, devorando-o como um animal faminto... E não via a menor necessidade de resistir.
— Levi? — perguntou o garoto, com a voz morna.
— O quê?
— Planejava fazer... —fez uma pausa para pensar em como se referir ao ocorrido —... isso... desde o início?
Levi abafou uma risada, achando encantadora a forma como Eren se constrangia sempre que falava de qualquer assunto sexual. Com uma das mãos, foi até a nuca do garoto e fez um cafuné carinhoso e sensual, tirando mais um gemido de prazer de Eren.
— Queria compensar por não transar com você hoje — explicou, segredando-lhe as palavras em seu ouvido. — Você parecia bem nervosinho quando eu... — Levi brincou, lembrando-se da conversa na cozinha, mas Eren o interrompeu.
— Sem comentários — resmungou o garoto, envergonhado por ter deixado tão evidente a sua frustração.
— Não sabia que fazia tanta questão de...
— Eu não faço — respondeu impulsivamente, só para mudar o rumo daquela conversa.
Mas Levi podia ver, da sua posição privilegiada, a orelha de Eren, tão vermelha quanto o próprio sangue. Com ternura, Levi deu um beijo no topo da cabeça de Eren e desceu a mão do cafuné, passeando pelas costas bem desenhadas do garoto, até a nádega exposta, acariciando-a com as unhas e causando uma série de arrepios no namorado — nada que ele não tenha gostado.
— Quando você der um jeito nesse seu traseiro — dizia com a voz sensual —, eu farei algo que você realmente fará questão de fazer.
Eren queria retrucar por referir-se ao seu traseiro daquele jeito, mas a curiosidade falou mais alto. Ergueu o tronco o suficiente para poder olhá-lo nos olhos e franzir o cenho.
— O quê? — perguntou inocente.
Levi inclinou-se para dar um rápido — mas ainda assim quente —, selinho nos lábios de Eren e depois sorriu, travesso.
— Eu farei amor com você.
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