Vazio
23 Segredos, planos e declarações
Notas iniciais
— Do... Do que você está falando? — Eren começou a rir de nervoso. — Cara, que piada...!
— Não, Eren... — Marco terminou de descer os degraus da arquibancada e ficou parado em frente a Eren. — Eu já sei que você está saindo com um cara, escutei tudo.
A sorte de Eren é que ali não havia nenhum penhasco, porque ele teria se jogado. Ele estava suando frio, sentia seus batimentos cardíacos acelerarem e mesmo assim seu corpo não esquentava. Eren olhou bem nos olhos de Marco, e teve certeza: ele não estava brincando.
Agora, para acrescentar à lista de coisas ruins que estavam acontecendo na sua vida, Eren podia acrescentar uma fofoca pelo colégio inteiro de que ele era gay. Sim, certamente, era exatamente aquilo que ele mais queria naquele momento.
— Quem foi que te contou...? — A voz de Eren era quase um sussurro.
— O quê? — Marco se aproximou um passo para ouvi-lo.
— Eu perguntei quem foi que te contou! — Eren puxou Marco pela gola da camisa e o olhava como se fosse parti-lo ao meio.
— Foi Armin! — Marco gritou de volta, quase se borrando de medo.
Aquilo terminou de travar o cérebro de Eren; era muita informação. Na verdade, o problema não era que era “muita informação”, mas sim que era uma informação impossível: Armin nunca espalharia algo assim pelo colégio. Afinal de contas, ele era seu melhor amigo... Ou assim Eren pensava.
Aos poucos, foi soltando a gola da camisa de Marco, que logo tratou de criar uma distância segura entre os dois e de fazer uma nota mental para nunca mais tirar ele do sério. Eren não olhava mais para Marco — na verdade, não olhava para nenhum lugar em específico.
— E-Eren...? — Marco arriscou chamá-lo.
— Por favor... Diz que Armin não fez isso... — A voz de Eren refletia o seu abalo.
— B-bem... — Marco coçou a cabeça. — Ele contou e não contou, ao mesmo tempo...
Eren voltou a fuzilar Marco com os olhos, fazendo um calafrio descer a coluna do garoto.
— Explica isso direito, Marco — exigiu.
— Eu meio que... ouvi... a conversa de vocês... na enfermaria...? — Marco foi falando pausadamente para ir analisando a reação de Eren aos poucos.
— Você o quê?! — Eren ameaçou avançar no garoto de novo, que se encolheu e cobriu a cabeça com os braços.
— Desculpa! Desculpa! — implorava Marco. — Não foi minha intenção! Eu só fui lá para checar se vocês estavam bem, foi um pedido do professor!
Bem, aquela era uma boa justificativa. Até porque Marco não era do tipo malicioso, que escutava a conversa dos outros para depois tirar vantagem. Ou seja, tinha sido só um acidente. Eu tinha razão, pensou Eren. Disso para Armin que alguém poderia acabar nos escutando... Bem, sorte que foi só Marco.
Eren soltou um suspiro e sentou-se em um dos degraus da arquibancada. Marco percebeu que Eren estava mais calmo, e então pôde relaxar também.
— E então? — Eren ainda estava mal-humorado, e não olhava diretamente para Marco. — Só me fez vir aqui para esfregar isso na minha cara?
— Não, longe disso — Marco se apressou em dizer. — Eu vim para pedir sua ajuda.
Eren o olhou com um misto de surpresa e dúvida, e Marco teria achado graça... se a situação não fosse tão tensa.
— Hã?
— É, exatamente isso que eu queria falar com você... — Marco olhou como um cachorrinho para o lugar ao lado de Eren, que entendeu o recado e chegou mais para o lado, indicando que Marco podia sentar. Marco abriu um sorriso e aceitou a oferta. — Na verdade, eu também gosto de uma pessoa.
—... Um garoto? — Eren arriscou um palpite.
— Exato — Marco desviou os olhos para o chão, com as bochechas coradas. Eren não pôde evitar achar aquilo meio fofo.
— Ah, entendo... Olha, eu não sou muito bom com essas coisas — Eren passou a mão pela nuca. — Se quiser, eu posso chamar Armin, tenho certeza de que ele...
— Não — respondeu Marco, abruptamente. Eren arregalou os olhos para o amigo, que tornou a corar. — Por favor, qualquer um menos Armin...
— Mas por que não? Sério, ele nunca te julgaria, na verdade ele chegou até a me dizer que também já gostou de um cara...
Ao ouvir aquilo, Marco voou em cima de Eren, agarrando-o pelos ombros, e o sacudiu de leve, mas ainda assim apertando-o forte.
— Quem? Quem ele disse que gosta?! — suplicava Marco.
— E-eu não sei! — Eren respondeu nervoso. — Ele não me disse! — Eren percebeu que Marco estava realmente nervoso e preocupado, como nunca esteve antes. — Por que quem Armin gosta importa tanto para voc... — Foi então que aa ficha caiu... quase. — Você gosta de Armin?!
— Não! — respondeu Marco, ultrajado com a possibilidade. Tentando acalmar-se, Marco soltou Eren e apoiou a cabeça sobre as mãos. — Não é isso...
Eren pensou que Marco fosse chorar, então ficou ainda mais nervoso. Não sabia se tinha falado alguma besteira, ou se tinha magoado o amigo de alguma forma, então não sabia se deveria deixá-lo assim ou consolá-lo.
— Marco...? — ele tentou chamá-lo.
Marco ergue-se de novo e olhou bem nos olhos de Eren. Estava decidido: ia contar tudo para ele.
— Eu morro de ciúmes de Armin — declarou por fim.
— Hã? — Eren ainda não tinha entendido nada. — Mas... Por quê?
— Ah... eu vou te contar a história...
— Bom dia, Heichou! — Como sempre, Petra foi a primeira a cumprimentar Levi quando ele entrou na sala. — Parece ter dormido bem, finalmente.
— Não muito — revelou, jogando-se na sua cadeira acolchoada e arrumando os papéis com os relatórios em cima de sua mesa. — Teria dormido melhor se aquela maldita quatro-olhos não roncasse tanto...
— Q-quatro-olhos...? — murmurou Petra, com os olhos arregalados.
Gunther percebeu a reação da colega e riu, aproximando-se para explicar.
— Não se assuste tanto, Petra, isso é bem comum — Gunther sussurrou próximo à colega, que ouvia com atenção. — Hanji e Levi são amigos há anos, e já aconteceu de um dormir na casa do outro várias vezes, mas não quer dizer que eles estejam dormindo juntos.
— Ah... — Petra suspirou aliviada.
— Posso saber qual é o segredo? — perguntou Levi, encarando incisivamente para ambos.
— N-nada, nada não — respondeu Petra, apressada, e logo voltou a enfiar a cara no computador e continuar rastreando os passos da Yakuza.
Discretamente, Oluo fez uma careta para Gunther, o que não passou despercebido por Levi. ele ia fazer algum comentário constrangedor para Oluo, mas foi interrompido por um Nile furioso que entrou na sala marchando e foi até a sua mesa. Com as duas mãos, deu um tapa forte, que ecoou pela sala, fazendo todos se calarem. Levi olhou com desprezo para Nile, depois para as duas mãos em cima de sua mesa. Só depois de alguns segundos foi que Dannis, seu braço direito, apareceu na porta, arfando.
— Que porra foi que você fez?! — gritou Nile, já vermelho de raiva.
Levi olhou mais uma vez com desprezo para ele, depois voltou a enojar-se com as duas mãos em sua mesa. Devido ao silêncio dele, Nile gritou de novo.
— Está surdo, Rivaille?! Perguntei o que você fez!
— É uma pergunta tão ambígua e estúpida que simplesmente não tem resposta — disse Levi, com a mesma raiva, só que com o tom de voz contido.
Uma veia pulsava vigorosamente na testa de Nile.
— Ontem à noite, dois agentes conseguiram prender os oito assassinos do caso do depósito... — explicou Nile, com desgosto.
— Ah, então você não deveria estar agradecendo ao invés de fazer esse show como se fosse um moleque de nove anos?
Aquela foi a gota d’água para Nile. De forma bem intimidadora, Nile aproximou seu rosto ao de Levi, olhando-o nos olhos.
— Você fez alguma coisa, não fez, Rivaille? — Nile praticamente rosnou na cara de Levi.
— Tire seu bafo grotesco de perto de mim — ele devolveu, igualmente hostil.
Nile o puxou pela gola da camisa e o sacudiu agressivamente, como se quisesse enforcá-lo ali mesmo.
— Seu...! — grunhiu Nile, mas foi interrompido por uma dor aguda no estômago.
Toda a equipe de Levi se levantou e manteve-se a postos, assim como Dannis, que deu mais alguns passos para dentro da sala. Mas não foi necessário; Nile já estava recolhendo-se enquanto cobria a barriga com ambos os braços: Levi o tinha acertado em cheio com um murro. Mesmo que não tenha usado toda a sua força, foi doloroso o suficiente para que Nile se lembrasse de nunca procurar uma briga mano a mano com ele.
— Dok-san! — exclamou Dannis, indo até o chefe para ajudá-lo.
Só que Nile detestava parecer fraco, e na frente de Levi então... Era seu pior pesadelo. Empurrando Dannis sem gentileza alguma, Dok marchou até a porta, parando somente para dar um olhar enfezado e um último aviso:
— Escuta aqui, seu nanico de merda — Nile falava enquanto apontava para Levi, que se limitou a cruzar os braços e a empinar o nariz. — É melhor você e o maldito do Smith estarem preparados para um relatório bem fodido para Zackley!
— Estou louco para ver que mentira mirabolante você vai bolar para jogar a culpa em mim dessa vez, hipócrita fracassado.
— Fracassado é o seu...! — Mas Nile se interrompeu. Não iria baixar seu nível tanto assim.
Nile tinha que sair dali o mais rápido possível. Ou isso, ou poderia acabar metendo uma bala bem no meio da testa de Levi — mas só se fosse capaz de superá-lo em velocidade, o que era quase impossível. Segurou-se para não cuspir no chão e se retirou, puto da vida, seguido de Dannis, que também olhou para Levi como se fosse uma aberração grotesca.
Bastou os dois saírem para que toda a equipe soltasse um suspiro de alívio e sentasse nas respectivas cadeiras. A não ser por Levi, que permaneceu em pé olhando para a porta, pensando em alguma forma de extravasar a raiva que sentia naquele momento. Por um segundo, uma máquina de rebater passou em sua mente...
Levi-san, você está segurando isso errado...
— Levi-san? — Petra o chamou pela terceira vez. Ela só continuou quando Levi a olhou diretamente, parecendo um pouco distraído. — Não fique irritado com Dok, ele é um ridículo sem solução.
— Não estou preocupado com ele — Levi esclareceu.
Mas, então... Está preocupado com o quê?, pensou Petra.
— Heichou — Oluo o chamou. — Aquilo que Dok disse estava correto? Eles realmente prenderam os oito criminosos?
Levi suspirou e passou ambas as mãos pelos cabelos, tentando esquecer nem que por um minuto o toque macio e quente de Eren quando segurou a sua mão no fliperama para mostrar como se segura no taco.
— De fato, oito criminosos foram presos — esclareceu Levi —, mas não são os caras que estamos procurando.
Oluo, Gunther e Oluo franziram o cenho e se entreolharam, confusos. Somente Eld permaneceu calmo, pois já tinha uma noção do que poderia ter acontecido.
— Esses caras são apenas uma distração para tirar Dok de sua cola? — Eld arriscou um palpite.
Levi apenas assentiu com a cabeça, e tudo foi esclarecido. Todos ali concordaram que aquele tinha sido um bom plano do Heichou.
— Então... — Gunther ousou perguntar. — O caso está encerrado?
— No papel, sim. Na prática, quero os quatro trabalhando em cima do caso. — Todos se endireitaram na cadeira, na postura ereta, e esperaram pelo comando de Levi. — Petra, quero você mapeando os movimentos de Kitts Woerman e os que estão sob seu comando, principalmente Gail Petters. —Petra assentiu com a cabeça e voltou sua atenção para o computador. — Gunther, dê um jeito de descobrir o motivo do assassinato, ou o que a Yakuza roubou durante o crime.
— Houve um roubo, Heichou? — Gunther perguntou, com a testa franzida.
— Pois é, também fiquei surpreso.
Mesmo não entendendo a situação, Gunther seguiu a ordem de Levi e pôs-se a procurar por informações.
— Oluo...
— Sim, Heichou! — respondeu de prontidão.
—... Traga um chá preto para mim, sem açúcar.
Chegou a ser hilária a visível decepção estampada na cara de Oluo. Levi não pôde evitar sorrir contidamente.
— E, na volta — acrescentou antes que Oluo saísse da sala —, trate de localizar a nova “toca” de Kitts. — O rosto de Oluo se iluminou quando recebeu aquela ordem adicional. — Seria muito absurdo ele permanecer nas docas depois de ter sido pego pela White Snake. Procure por pontos comerciais com muito movimento, mas que ainda possam ter a garantia de um comércio discreto... Kitts adora isso.
— Pode deixar, Heichou! — respondeu animado.
— E Eld... — Levi foi interrompido por uma voz não muito feminina.
— Você não dá uma trégua mesmo, não é, Raviolle?
Assim que Levi olhou para a porta, viu Hanji encostada na parede, de braços cruzados. Petra, Gunther e Oluo se seguraram para não rir do apelido. Já tinham o escutado antes, mas era sempre engraçado pensar que alguém como Levi tinha um apelido daqueles.
— Quatro-olhos... —Levi murmurou. — O que está fazendo aqui?
— Ora, fiquei sabendo que, magicamente, dois agentes daqui conseguiram achar os oito culpados do seu caso por acidente, não foi? — Hanji ia falando e deixando bem clara as indiretas, que até os membros da equipe que não sabiam do envolvimento de Hanji entenderam o que ela estava falando.
— Ah, entendi — concluiu. — Está aqui para ver os arquivos de Lobov?
— Também... — Hanji já tinha esquecido completamente daquela promessa. —... Mas estava pensando mais em uma pequena comemoração pelo caso.
— E o que há para se comemorar? Ele ainda não foi... — Levi parou de falar assim que deu uma olhada nas roupas de Hanji. — Está usando a mesma roupa de ontem?
— Não sei se você se lembra, mas eu não levei roupa para me trocar.
— E você não passou em casa para tomar banho?
— Eu acabaria perdendo tempo demais, e eu preciso trabalhar — disse Hanji, não entendendo por que Levi parecia tão pasmo.
— Sinceramente, você é o ser mais grotesco que eu já...
— Tá bom, Levi, eu já entendi. — Hanji levantou as mãos em rendição. — Você me acha uma porca suja e nojenta.
— Ainda bem que sabe.
Enquanto isso, os membros da equipe apenas assistiam ao show, segurando-se para não rir.
— Pulando a conversa fiada e partindo para o que interessa — Hanji deu as costas para Levi e ficou de frente para a equipe —, vocês topam sair amanhã à noite?
— Amanhã? — perguntou Levi, indignado. — Não acha que está muito em cima da hora para você marcar para amanhã?
— Eu topo — Petra foi a primeira a concordar.
— Eu também — Oluo disse logo em seguida.
— Faz tanto tempo que a gente não sai, essa é uma boa ideia — disse Gunther.
— Se todos vão... — Eld deu de ombros.
Levi apenas cobriu o rosto com a palma da mão. Satisfeita por ter convencido o resto da equipe, Hanji se virou para Levi e deu seu melhor sorriso.
— Pare de ser tão ranzinza e venha beber com a gente — pediu Hanji.
— Eu disse que tudo com você se resume a bebida... — murmurou Levi. — Certo, mas certifique-se de tomar banho antes de ir. Escovar os dentes também é uma boa pedida.
— Eu não estou mais te ouvindooo! — Hanji saiu quase que saltitando pela porta.
Mesmo não estando nem um pouco a fim de beber — de novo —, chegou à conclusão de que realmente fazia tempo que não saía com sua equipe, então poderia abrir uma exceção. Não querendo perder mais tempo, Levi abriu uma das gavetas de sua mesa e pegou um borrifador cheio de álcool etílico.
— Heichou... — murmurou Petra. — O que está fazendo?
— Não é óbvio? — perguntou Levi, enquanto borrifava em sua mesa e a esfregava com um pano. — Estou limpando o local onde aquele merdinha pôs as patas.
Marco respirou fundo e começou a falar.
— Na verdade, eu gosto... do... — sua voz foi diminuindo até que se tornou apenas um sussurro. —... Jean.
— Fala sério! — exclamou Eren, indignado. — Como você consegue gostar daquele Cara de Cavalo?!
— Fala baixo! — implorou Marco.
— Opa, desculpa...
— N-não tem problema. — Marco passou a mão no rosto, tentando disfarçar o rubor. — Enfim, eu... gosto dele.
— Certo... — Eren tentava digerir todas as informações. — E onde é que Armin entra nessa história?
Marco suspirou.
— Há um tempo, eu tentei... dizer isso a ele, mas...
— Ele te rejeitou?
— É... Mais ou menos isso.
— Cara, que filho da puta — praguejou Eren.
— Não, não tem problema! — Marco se apressou em dizer. — Quero dizer, não é só porque eu me declarei que ele tem que sentir o mesmo por mim... Até porque eu sei que ele tem essa “obsessão” por Mikasa, mas eu pensei que... talvez...
Eren não entendeu muito bem o comentário sobre Mikasa — talvez nunca fosse perceber o quanto Jean babava por ela —, mas mesmo assim pôs uma mão no ombro de Marco, mostrando que estava lá por ele.
— Você é um cara mais legal do que eu pensava, Marco.
Marco se surpreendeu com a sinceridade de Eren, e retribuiu o gesto com um sorriso.
— O que ele disse para você? — quis saber Eren.
— Ah, ele falou algo como “você também é um amigo que eu considero muito”...
— Hm... Ele foi até melhor do que eu — concluiu Eren. — Foi aí que você ficou com raiva dele?
— Não, não, eu nunca cheguei a ficar bravo ou chateado por causa disso... O problema é que, no outro dia, ele me chamou para ir para casa dele jogar um jogo novo que ele tinha comprado.
— Como se não tivesse acontecido nada?
— Não, eu pensei que... — Marco suspirou e olhou para baixo. — Eu pensei que ele tinha repensado a decisão dele e...
— Ah... — Eren tinha entendido tudo. — Isso foi muita sacanagem.
— O pior não foi nem isso, foi que ele passou a tarde inteira fingindo que estava tudo bem, e só falava da porcaria do jogo de corrida estúpido dele! — praguejou Marco.
Eren estava começando a realmente ficar com raiva de Jean.
— E aí?
— Ah, depois disso a gente começou a se estranhar um pouco... — Marco deu de ombros.
— Faz sentido.
— E então, Jean concluiu que, do nada, as notas dele em História e Geografia poderiam cair e decidiu estudar junto com Armin! — exclamou Marco, podo para fora toda a sua indignação.
— Mas Armin é muito bom com Humanas — Eren defendeu o amigo.
— O problema não é esse, Eren! — Marco se virou para ficar sentado de frente para o amigo. — Se fosse Mikasa, tudo bem; ela também é uma gênia e ele ficaria super feliz em ter aulas com ela, mas... Logo Armin?! Jean sempre elogiou Armin, falando da sua inteligência e como ele conseguia aprender mais rápido do que ele, e como Armin era fantástico justamente nas matérias em que ele não era muito bom...!
— Marco, eu acho que você não está vendo as coisas muito bem... — murmurou Eren, tentando dizer da forma mais sutil possível que ele na verdade estava fazendo um alvoroço por algo tão bobo. Marco o olhou com uma expressão de “É sério isso?!”, e Eren tratou de explicar-se: — Quero dizer, é normal que Jean, que é muito competitivo com esse tipo de coisa, admire uma pessoa que é melhor do que ele...
— Não, é justo o contrário! — Marco o cortou. — Isso é típico de Jean: quando ele encontra alguém que e melhor do que ele em alguma coisa, ele faz dessa pessoa um alvo e tenta derrotá-la a qualquer custo! A menos que... —Marco fez uma pausa para respirar fundo e controlar a frustração que sentia. —... A menos que ele realmente goste da pessoa...
Hm, isso faz sentido também, concluiu Eren.
— E mais! — Marco tinha lembrado agora de outro fato que também o corroeu muito quando descobriu. — Os dois estão estudando juntos! Ou seja, toda semana um vai para a casa do outro para estudarem... sozinhos...
Eren tinha quase certeza de ter escutado Armin falar algo sobre Skype, mas decidiu não falar nada; aquele não era o momento para falar coisas das quais não tinha certeza.
Marco não aguentou e deixou que uma lágrima descesse pelo seu rosto. Não queria ter que chorar por Jean, principalmente na frente de outra pessoa, então a enxugou o mais rápido que pôde e apertou os olhos com as duas mãos, tentando parar de lacrimejar.
Eren não pôde evitar simpatizar por Marco. Estava numa situação parecida com Levi e a mulher bêbada, então tinha ideia de como se sentia. Só que ele realmente não tinha jeito para consolar as pessoas, então não fazia a mínima ideia do que dizer para Marco.
— O que eu posso fazer? — disse Eren, por fim.
— Hã? — Marco descobriu os olhos para poder olhar para Eren.
— Você me chamou aqui por que queria minha ajuda — explicou Eren. — O que eu posso fazer para te ajudar?
— Ah, sim... — Marco abriu um sorriso singelo. — Acho que só ter sentado aqui e me ouvido já foi ótimo — Marco deu de ombros. — Não sabia com quem mais poderia falar sobre isso, e guardar segredo estava me enlouquecendo...!
Eren riu e deu um soco de leve no ombro de Marco.
— Sei como é isso, só que você colocou de uma forma muito...
— Gay? — Maro e Eren riram um pouco da situação. — Sabe que você não está em posição para falar disso, não sabe?
— Eu não sou gay — disse Eren de imediato, mas aí se lembrou de Levi. —... Só sou gay por uma única pessoa.
— Ah, tá bom — Marco sorriu e revirou os olhos.
— Olha, eu estou querendo de dar uma mão e você não está se ajudando! — reclamou Eren, com as bochechas coradas.
— Sério, Eren, você já fez bastante — agradeceu Marco. — Mas... se puder fazer uma coisinha...
— E o que é?
Marco olhou bem nos olhos de Eren, o que o pegou um pouco de surpresa.
— Se você puder confirmar se Jean e Armin realmente estão... Bem, se realmente estão juntos... Eu ficaria muito feliz. Poderia abrir mão do Jean, se for o que ele quiser.
Marco pode ter dado uma surtada nessa história, mas ainda continuava sendo mais compreensivo do que Eren jamais sonharia em ser. Afinal de contas, ele simplesmente planejava tomar Levi para si e pronto, sem considerar os sentimentos dele. Com essa comparação, Eren sentiu uma pontada em seu peito, e uma semente de dúvida foi plantada.
— Pode deixar, Marco... — disse Eren, tentando ignorar a angústia que começou a sentir quando considerou que Levi, talvez, pudesse não querer ficar com ele. Meu amigo precisa de mim agora. —... Eu verei o que posso fazer.
Marco sorriu para Eren, mas uma sombra de tristeza repousava em sua feição. Mesmo que soubesse que poderia ter que desistir de Jean para seu próprio bem, lá no fundo sabia que aquela era a última coisa que queria.
— Obrigada, Eren...
Enquanto isso, colados com o muro da arquibancada, estavam Armin e Jean, paralisados com os olhos arregalados. Os batimentos de Jean estavam a mil; sua cabeça estava uma bagunça, tentando processar toda a conversa que acabara de ouvir. Jean virou lentamente o rosto na direção de Armin, que fez o mesmo.
— Por favor — Jean cochichou para Armin —, diga que não fui só eu que ouvi isso...
— Se você está falando sobre Marco gostar de você... — Armin também cochichava. — É, eu escutei.
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