Vazio

26 Deixe-me ir


Notas iniciais
Boa leitura!

— O que você está fazendo aqui? — Foi a primeira coisa que Levi perguntou assim que conseguiu pôr a cabeça em ordem.

Eren sentiu o sangue congelar. Tinha chegado a hora de conversar com Levi, mas... Ele não podia. Não depois de vê-lo correr tão depressa assim que ouviu seu nome.

— Eu... — Eren tomou coragem para abrir a boca, mas Hanji o cortou no mesmo segundo.

— Eu o trouxe aqui! — anunciou a mulher, satisfeita com seu plano, enquanto passava um braço ao redor dos ombros de Eren, puxando-o para perto. — Eu não sou uma pessoa maravilhosa?

Longe disso — murmurou Levi, repreendendo-a. Com o indicador e o polegar, pressionou ambos os olhou enquanto suspirava de cansaço. — Como conseguiu falar com ele?

— Isso não importa — Hanji balançou uma das mãos para Levi. — O que importa é que ele também queria muito te ver, e eu sabia que se eu não fizesse nada, Deus sabe quando iriam se encontrar de novo. — Hanji revirou os olhos.

Também...?, pensou Eren, repreendendo-se por, provavelmente, entender aquilo da forma errada. Levi não queria me ver... Queria?

— Isso eu quero ouvir do garoto, e não de uma intrometida. — Levi cravou os olhos em Hanji, e ela entendeu exatamente o que ele queria dizer: “saia de perto dele”.

Hanji retirou o braço de cima do ombro de Eren e deu dois passos para trás. Mesmo com aquela atitude grosseira, sabia que Levi estava, ao menos, um pouco agradecido pelo que ela fez, então não parava de sorrir como uma boba.

Assim que ela se afastou, Levi voltou de novo toda sua atenção para Eren. Mesmo que seu rosto estivesse quase inexpressivo — a não ser por um leve traço de tédio que já era sua marca registrada —, Eren não pôde deixar de ficar nervoso. Levi tinha olhos felinos; intensos e marcantes. Era como se pudesse entrar na sua cabeça e ler seus pensamentos. Era quase como se o estivesse violando... só com o olhar.

Eren respirou fundo, tentando se acalmar. Passou os últimos dias desejando tê-lo de novo dentro de si; seu corpo estava condicionado a reagir à sua presença. Mas, não, não podia deixar-se levar pelo desejo. Aquele homem não passava de um estranho, querendo ou não, e só planejava divertir-se com ele. E não era aquilo que Eren queria... Não era o que precisava.

Sair com Levi significava deixar a relação com sua mãe por um fio — mesmo sabendo que ela precisava muito do suporte dele naquele momento. Se era para arriscar tanto, então que fosse por alguém que valesse à pena. E, infelizmente, aquele não era o caso.

— Eu realmente quis vir aqui para falar com você, Levi-san... — murmurou Eren, tentando controlar a sua voz. O semblante de Levi não mudou muito, a não ser por um leve arquear de sobrancelhas. — Eu queria... acabar... o que quer que seja isso que nós temos.

Por alguns longos segundos, o único som que podia ser ouvido era o dos carros correndo pelo asfalto. Levi ficou parado, imóvel, tentando digerir aos poucos o que o garoto tinha acabado de anunciar. Por algum motivo, sempre que repassava as palavras recém-escutadas na cabeça, tinha a certeza de que houvera um erro... Mas, não; havia escutado em alto e bom som. Eren queria por um fim em tudo.

Hanji não sabia se dava espaço para os dois, ficava para ver o desenrolar daquela novela ou se corria dos possíveis tiros de Levi. como sempre, a curiosidade era mais forte do que a vontade de viver, e ela permaneceu ali para ver como Levi reagiria... O que, muito provavelmente, foi um erro. A primeira reação de Levi foi fuzilá-la com os olhos, de uma forma que ela só o viu fazer com criminosos.

Hanji... — Levi rosnou, avançando dois passos em direção à colega. — O que você...

— Ela não teve nada a ver com minha decisão! — explicou Eren, colocando-se em seu caminho. Mesmo que Levi tenha sido parado, Hanji recuou três passos. — Isso é só entre nós dois...

Aquilo não fazia sentido para Levi. Embora Eren dissesse que queria terminar, tudo em seu corpo dizia o contrário. Seus olhos estavam brilhantes, acesos; seu rosto, corado; a respiração era audível, já que ofegava com a boca entreaberta... Aquela expressão e a expressão de “Me foda” eram muito parecidas. A primeira conclusão de Levi foi a que Eren estava brincando com ele.

Hora de tirar isso a limpo.

Sem pensar duas vezes, pegou o garoto pelo braço e o arrastou em direção à portaria do seu prédio. Eren, obviamente, protestou e tentou se libertar, mas claro que Levi ganharia em quesito de força. Hanji assistiu a tudo com um sorriso pesaroso; se Levi não tinha aceitado terminar tudo ali mesmo e pronto era porque... realmente queria estar com ele.

— Levi-san, solte-me...! — reclamou Eren, puxando seu braço com toda a força que tinha e, por algum milagre, conseguiu libertar-se. Levi se virou para encará-lo com um olhar enfezado, fazendo Eren franzir o cenho. — O que pensa que está fazendo?!

— Levando um certo pirralho até a minha casa para que ele possa me explicar essa história direito. — E então voltou a andar até a portaria, só que dessa vez sem arrastar Eren junto.

— Mas... — Mas eu não quero ir lá, pensou Eren, já sabendo que a probabilidade de seu coração acabar cedendo se pisasse dentro do apartamento de Levi era muito alta. Na verdade, estava surpreso como conseguiu resistir ao impulso de beijá-lo até agora. — Hanji-san, ela...

— Eu vou ficar bem — respondeu Hanji, assim que escutou seu nome. — Já sou grandinha o suficiente para achar o caminho de casa.

— Mas...

— Chega de mais — Levi o repreendeu. — Só venha logo, e nós acabamos com isso de uma fez.

Eren sentiu uma pontada no peito ao ouvir aquilo.

— Se concorda em terminarmos... — Outra pontada no peito. —... Então por que está me levando pra sua casa? Podemos fazer isso aqui, de uma vez.

Levi parou mais uma vez e o olhou com uma expressão fria e aborrecida. O Levi gentil que havia sido tão carinhoso com ele anteriormente parecia ser uma lembrança vaga e distante. A agonia no peito de Eren só crescia.

— Planeja mesmo discutir algo assim aqui fora?

Eren olhou em volta e percebeu que qualquer pessoa que passasse por perto ou que morasse em um dos prédios do beco podia facilmente escutá-los. Sim, a ideia de Levi era boa, mas ainda deixava Eren desconfortável. Só que não tinha outra opção.

— Eu vou deixar vocês dois se virarem — informou Hanji, já andando para trás para sair do beco. — Vejo você amanhã, Raviolle.

Levi não respondeu nada, apenas ficou esperando Eren no portão da portaria. Só que Eren empacou mais ainda com aquela despedida de Hanji; mesmo que ela tenha o ajudado um pouco, a intimidade dos dois era um fator que o incomodava. E ainda mais com esse “Vejo você amanhã”... Eles devem trabalhar juntos, concluiu Eren. E o que diabos é Raviolle?

— Eren — Levi o chamou, fazendo-o abandonar seus devaneios de como colegas de trabalho “passavam” os intervalos do almoço. — Vai ficar aí a noite toda?

Ainda com o cenho franzido, Eren passou por Levi, que segurava o portão para ele, e foi direto para o hall do elevador para apertar o botão, sem se dar ao trabalho de checar se Levi o acompanhava. Eren já achava aquela espera pelo elevador uma tortura, mas descobriu que era muito pior dentro dele.

Como a cabine era feita para seis pessoas, Eren conseguiu manter uma distância segura de Levi, que manteve os braços cruzados o tempo inteiro. Podia estar frio o quanto fosse lá fora; dentro daquele elevador... Parecia o próprio inferno — a dúvida era se o motivo eram os olhares que um trocava para o outro ou se era a ansiedade que fazia o corpo febril.

Quando as portas se abriram, Eren foi o primeiro a sair, ansiando por tirar o casaco. Andava a passos largos e apressados, mas ficou paralisado assim que viu a porta do apartamento de Levi... Ela estava aberta. Como suspeitava, Levi realmente correu assim que ouviu seu nome. Àquela altura, seu peito já estava sendo consumido por uma agonia que não sabia explicar.

— Entre — instruiu Levi, passando por ele e entrando no apartamento.

Depois de respirar fundo e tentar deixar tudo em sua cabeça em ordem, Eren o seguiu.

O apartamento estava impecável, como sabia que estaria. Deixou o sapato no espaço reservado para isso ao lado da porta e foi até o sofá, onde Levi estava sentado com as pernas cruzadas e os braços apoiados na parte superior do encosto.

Convidativo...

— Não vai se sentar? — perguntou Levi.

Não, prefiro manter distância de você e esse corpo incrivelmente atrativo, era o que se passava em sua mente.

— Não, eu estou bem assim.

Levi fixou os olhos em Eren, procurando entender aquela atitude estranha do garoto, e foi quando notou uma pequena ferida no canto da boca de Eren. Depois, viu que nos braços trazia uma coleção de hematomas — Dois em um e três em outro.

— Como conseguiu todos esses machucados?

— N-não importa agora... — respondeu Eren, desviando o olhar e passando a mão na nuca.

Levi apenas suspirou.

— Verdade, não importa agora — concordou Levi, o que fez com que Eren relaxasse bastante. — Então, pode começar explicando por que tomou essa brilhante decisão, se Hanji não teve influência na sua escolha. — Levi preferiu ser direto e acabar logo com aquilo. Na verdade, estava realmente puto com o fato de que aquele garoto, que tinha conhecido há poucos dias, já mexia tanto com ele.

Eren engoliu em seco. Não esperava que Levi fosse ser tão direto, mas também não aparentava fazer seu estilo enrolar a conversa.

— Bem, eu... — A cabeça de Eren estava um caos; tinha seus motivos, mas não pensou em sistematizá-los para poder explicar. A realidade é que sequer tinha pensado em ter que se explicar... Achava que Levi ia simplesmente dizer um “Ah, que pena” e acabou. — Eu... não sei...

Levi deu uma risada contida — mais ameaçadora do que qualquer outra coisa­ — e descruzou as pernas para poder se inclinar para frente e apoiar ambos os cotovelos nos joelhos.

— Não sabe? — perguntou, com sarcasmo. — Veio até aqui, falou tudo aquilo, para depois dizer que não sabe? — O tom mais agressivo de Levi fez que Eren recuasse um passo. Ele estava com os olhos alarmados e mordia com força o lábio inferior. — Você está de sacanagem comigo?

— Não...! — Eren apressou-se em dizer. — É que... É complicado de explicar...

Onde eu estava com a cabeça para sair com alguém como você... — murmurou Levi, passando ambas as mãos pelos cabelos.

Eren sentiu como se algo dentro dele acabasse de quebrar. Era a pequena barreira que tinha criado para manter-se longe da agonia que o seu vazio lhe proporcionava... Barreira que só pôde ser criada por causa de Levi. Cerrou os punhos e não se importou com mais nada, nem mesmo com uma voz no fundo de sua consciência implorando para que parasse.

Escuta aqui — Eren falou num tom mais grosso, o que fez Levi arquear as sobrancelhas. — Você não sabe nada sobre mim.

— Fala como se eu devesse saber — Levi devolveu, no mesmo tom de voz.

Mas Eren não cedeu.

Deveria! — ele praticamente gritava. — Esse é o problema, você deveria!

— Pensei ter deixado bem claro que eu não queria nada sério.

— E o que é isso? — Eren agora gesticulava também. — Eu sou o quê, uma pessoa aleatória que você chama para fazer sexo sempre quando quer?

— Você faz isso parecer muito pior...

Mas é o pior! — A voz de Eren era quase um choramingo. — Eu nunca faria isso, a não ser que a pessoa valesse à pena!

Se o objetivo de Eren era conseguir deixar Levi tão puto quanto ele mesmo estava... Ele conseguiu.

— Ah, eu não valho à pena? — perguntou Levi, com uma voz venenosa.

Eren teve o instinto natural de querer sair dali o mais rápido que podia, mas seu orgulho era mais forte; ele enfrentaria Levi até o final.

— Sinceramente? — Eren falava tão amargo quanto ele. — Não, não vale.

— Ah, é? — Antes que Eren pudesse processar o que tinha acabado de fazer, Levi já tinha levantado do sofá, e caminhava a passos lentos e cautelosos até Eren. A cada passo que Levi dava, Eren recuava, sem nunca tirar seus olhos dos dele. — Você pediu para ser fodido... Veio à minha casa... Ofereceu seu corpo a mim... Fez-me repetir a dose na banheira... Quis repetir de novo na minha cozinha... Falou sobre namoro quanto te levei à sua casa...

Eren finalmente atingiu o limite da sala, colando suas costas na parede, mas Levi não parou; avançou mais até que colou seu corpo no de Eren, arrancando um gemido baixo e sufocado do fundo da garganta do garoto. Deixou seu rosto a menos de um palmo do dele, provocando-o com as mãos em seu quadril enquanto encaixava sua perna direita entre as de Eren.

Até mesmo agora, você não consegue sequer se controlar, tamanho o seu desejo... — sussurrava a centímetros dos lábios dele. —... E ainda tem a coragem de dizer uma merda dessas?

Aquilo certamente teria reconquistado qualquer pessoa... O problema é que Levi não levou em consideração que ele não era o único orgulhoso naquela sala.

Você continua não valendo nada para mim — disse Eren, decidido.

Aquela foi a deixa que Levi precisava. Apertando-o firme no quadril, Levi colidiu o corpo de Eren com força na parede e dominou sua boa. Não era um beijo; era uma luta. As línguas dançavam em uma sincronia violenta, uma tentando invadir o território da outra. Os lábios moviam-se em frenesi, ora prensando-se, ora puxando-se. Naquela guerra por controle e ar valia de tudo; ambos trocavam mordidas, chupões e o que mais fosse necessário para dominar a boca do outro.

Eren sentia-se cada vez mais sufocado pelo ritmo intenso de Levi. Ou melhor, sentia-se sucumbindo a ele, àquele prazer intenso que lhe era arrancado até sua última fibra. Sua primeira reação foi tentar por um fim naquilo — não iria perder, de forma alguma —, usando ambos os braços para empurrá-lo no peito. Mas a diferença de forças era muito grande, e acabou por falhar em todas tentativas. Ainda sem admitir a derrota, Eren passou a mão direita pelo cabelo de Levi e o agarrou, puxando-o para trás com força.

Levi percebeu o que Eren estava tentando fazer, e teve que conter a vontade de sorrir. Mesmo sabendo que ele estava tentando com tudo separá-lo, Levi não pôde deixar de achar aquilo muito excitante. Com uma das mãos, subiu pelas costas do garoto do quadril até a cintura, onde o puxou para esmagar seu corpo no dele. Eren gemeu na boca de Levi, um som rouco e carnal que fez com que seu tesão triplicasse.

Eren passou um braço ao redor do pescoço de Levi enquanto a outra mão continuava a dar leves puxões em seu cabelo, só que agora não era mais para afastá-lo. Já não lembrava nem o que tinha ido fazer lá; a única coisa que sabia era que desejava aquilo mais do que tudo.

Levi usou a perna direita, que estava entre as de Eren, para prensar sua virilha, arrancando mais gemidos do garoto. Começou com movimentos leves e demorados, até que foi aumentando o ritmo, colidindo com mais força e beijando-o como se precisasse daquilo para viver.

Com a mão no quadril de Eren, foi sincronizando os movimentos do quadril com o da sua perna, fazendo com que o atrito fosse cada vez mais intenso. Já a mão que estava na cintura do garoto desceu novamente, parando apenas quando chegou na bunda de Eren, massageando uma nádega por vez, ocasionalmente apertando-a e puxando como se quisesse arrancá-la.

Eren já estava chegando no limite; todos os seus sentidos estavam sendo estimulados de uma vez só, e aquilo era demais para se lidar. Levi sabia que Eren não iria durar muito tempo daquele jeito, e foi então que simplesmente o soltou. Deu dois passos para trás e observou o resultado: Eren estava ofegante; a boca estava quase vermelha de tão rosada; suas roupas estavam amaçadas; seu rosto estava febril... Mas o mais prazeroso era aquele olhar selvagem e faminto, refletindo todo o desejo que sentia naquele momento.

Ou seja, missão cumprida.

— Essa foi uma boa despedida... — disse Levi, assim que conseguiu recuperar o fôlego também.

Eren arregalou os olhos, não conseguindo acreditar no que ele estava falando. Levi ficou satisfeito com aquela reação. Passou a mão pelo cabelo, tentando pôr em ordem a bagunça que Eren tinha feito com ele.

—... A menos que você me diga que quer mais de alguém que não vale nada — complementou Levi, convencido de seu belo trabalho.

Eren não precisou responder nada; somente o brilho em seus olhos foi necessário para que Levi continuasse. Ele o agarrou pelas pernas e sustentou seu corpo em seu ombro direito, deixando que o rosto do garoto ficasse em suas costas, carregando-o como se fosse muito mais leve do que realmente era. Óbvio que ele começou a se debater, sem nem mesmo se importar com a provável queda que teria caso Levi realmente o soltasse.

— O que está fazendo?! — gritou Eren, ainda tentando libertar-se.

— Essa é só a minha opinião, mas acho que o que você precisa não é uma conversa... — Levi o carregou corredor adentro, direto a seu quarto. —... Você precisa de um pouco de disciplina.

— M-mas isso...

Eren calou-se quando Levi ficou em frente à sua cama e o jogou nela, fazendo com que ficasse de frente para ele. Levi o puxou para mais um beijo, este muito mais “pacífico”, mas ainda assim quente. Eren mal percebeu que as mãos de Levi trilhavam as suas costas até a barra de sua camisa, a qual puxou para despi-lo, deixando-o apenas com a calça. Levi olhou bem para o estado do menino, como se o devorasse com os olhos, e eis que percebe algo que não o agradou muito: havia mais três hematomas espalhados pelo tronco do garoto.

— Sabe qual a melhor forma de disciplinar alguém?

Por mais que quisesse responder, a voz de Eren não saía. Ele ficou parado, apenas observando Levi se mover até a porta do meio de seu armário e abriu uma gaveta, e então ouviu um barulho metálico. Eren sentiu seu corpo se contrair ao som. Quando voltou a ficar à sua frente, Levi trazia consigo um par de algemas, colocando a chave no bolso da calça.

Eren se inclinou para trás, apoiando-se com a mão esquerda, enquanto a mão direita ficava a postos para defender seu tronco desprotegido. Levi sorriu para a tentativa de Eren de se proteger dele e puxou a mão direita para prendê-la na algema. Eren arregalou os olhos primeiro para o pulso restringido, depois para Levi, que se deliciou com o seu desespero.

— Geralmente, eu uso isso em pessoas que fazem algo de errado... — disse enquanto empurrava o garoto para trás, fazendo-o deitar a cabeça em um de seus travesseiros. —... Mas acho que, nesse caso, elas também se aplicam.

— Levi-san...! — suplicou Eren. Sentia-se como um animal sendo atraído para uma armadilha.

Com notória habilidade, Levi se inclinou sobre Eren e puxou sua mão direita pela algema até a cabeceira da cama, onde passou por algumas das pequenas grades de decoração, e puxou a mão esquerda de Eren para ser presa na algema também. Eren ficou completamente atado à cabeceira da cama.

Aquilo era apavorante, mas também muito erótico. Eren estava com o tronco completamente desprotegido, não podia mexer suas mãos e, o mais importante: não tinha como fugir. As algemas eram duras e frias em seus pulsos, o que incomodava bastante. E ter Levi montado em cima de seu quadril certamente deixava tudo ainda mais...

— Já está de pé? — perguntou Levi, percebendo a ereção do garoto. — Você realmente tem uns fetiches...

Levi-san...! — Eren implorava entre gemidos. —Tire-me daqui!

— Você ainda não cumpriu sua pena.

Lentamente, Levi saiu de cima de Eren e abriu o zíper da calça do garoto, revelando o volume de seu pênis que lutava contra a cueca boxer do garoto. Não encontrou resistência nenhuma quando tentou tirar a calça e a cueca de uma vez só, deixando o garoto completamente nu e preso às algemas. Era uma visão privilegiada.

Eren contorcia-se na cama, e isso fez com que puxasse muito as algemas. Em meio àquela agonia, sentia uma dor latejante vinda dos pulsos.

— Melhor não puxar, ou vai acabar com a mão fodida também — advertiu Levi, apreciando a cena.

Solte-me! — implorava Eren.

— Soltar? — Levi tirou a camisa e encaixou-se entre as pernas de Eren, cobrindo-o com o próprio corpo. — Mas eu acabei de começar.

Somente com a ponta da língua, Levi empurrou e massageou o mamilo direito de Eren, já duro por causa da excitação. Depois o mordiscou de leve, de leve, depois mais forte, fazendo-o grunhir e arquear as costas, forçando o pulso nas algemas mais uma vez. Abocanhando o mamilo esquerdo, Levi repetiu o mesmo procedimento, mas desta vez aliava o movimento da língua e dos dentes com repetidos chupões. Eren contorcia-se loucamente na cama, perdendo completamente o controle.

Levi se ergueu de novo e admirou a bela visão de Eren debatendo-se para ser fodido. Sua respiração era entrecortada, audível, acompanhada pelo abdômen do garoto, que se contraía sempre que inspirava. Seu corpo já estava banhado de suor. Quando os olhos de Levi encontraram os dele, sentiu todo o repúdio do garoto por ter sido posto naquela situação... Mas via também o desejo selvagem queimando como uma chama acesa. Sim, aquele era um bom olhar.

Com demasiada rudeza, Levi segurou o pênis de Eren com propriedade, e deixou e a mão subisse bem devagar até o topo, alongando-o ainda mais. Ignorava completamente os grunhidos do garoto, suplicando que parasse. Ele não daria atenção; sabia que o corpo de Eren era mais honesto que suas palavras, e naquele momento tudo que emanava do garoto era tesão.

Apertava gentilmente a cabeça do pênis enquanto se deliciava com a resposta instantânea de Eren, arqueando-se e gritando de prazer. Levi desceu a mão até os testículos de Eren e os puxou de leve, mas ainda assim apertando-os. Repetiu o movimento uma, duas, três vezes, só ficando satisfeito quando os gemidos de Eren se aproximaram de uma lamúria por mais. Era um som maravilhoso.

Subiu de novo para o pênis de Eren, só que dessa vez não parou na glande; deixou que sua mão deslizasse até que soltasse o membro de vez. Eren grunhiu alto. Levi agarrou o membro mais uma vez, descendo e subindo com a mão apertando-o forte demais para se fazer sem nenhum tipo de lubrificante. Embora doesse um pouco, aquilo só fez Eren sentir mais intensamente cada movimento de Levi em seu pênis, fazendo-o contrair as pernas num espasmo de prazer.

Levi o soltou na mesma hora. Eren grunhiu em protesto, apertando mais ainda uma perna na outra. Levi as separou e só então continuou. Desta vez, apertava com mais força sempre que chegava à glande, massageando-a violentamente com o dedão. Não demorou muito para que Eren tivesse outra crise de espasmos em seu corpo e fechasse as pernas. Levi o soltou mais uma vez.

Deixou que Eren respirasse e, delicadamente, abriu suas pernas. Só que quando segurou o membro mais uma vez, já foi logo deslizando sua mão até o final, como se fosse uma estocada. Aquilo era doloroso de uma forma tão gostosa que fazia Eren querer mais e mais, tentando inclinar o quadril para cima para intensificar mais ainda o movimento. Só que, sem o apoio dos braços, era quase impossível se mover de uma forma sincronizada, o que deixava Eren completamente incapaz. Não dava para controlar; teve outra onda de espasmos, contraindo as pernas.

Levi o soltou mais uma vez. Só que não separou as pernas de Eren como sempre fazia; ficou apenas assistindo o garoto ofegar e a gemer, perdendo completamente o controle sobre si mesmo. Não ter Levi o tocando era agoniante... Seu corpo reclamava a mão dele, exigia seu toque experiente, implorava por um orgasmo...

No auge de seu desespero, Eren abriu as pernas, e esperou quieto por Levi.

Banquete servido.

Levi tirou a calça moletom, deixando-a cair em algum lugar no chão, e segurou com propriedade as coxas de Eren, mantendo suas pernas imóveis. Não iria preparar Eren; iria deixar que seu membro o penetrasse de uma forma que ele nunca esqueceria... Para que sempre se lembrasse dele quando sentasse nos próximos cinco dias. Para que lembrasse como é tê-lo dentro de si.

Então enfiou tudo que tinha dentro de Eren... até o final.

Eren gritou como se estivesse sendo rasgado. Não havia prazer nenhum ali; era pura dor o que sentia.

Pa... ra...! Par... a...! — implorava entre arfadas.

Levi não deu ouvidos, e continuou movendo-se como bem entendia. Cada vez, mais e mais forte.

Para...! — Eren suplicava mais alto. — Por favor... Para...!

Quanto mais Eren pedia para parar, mais Levi acelerava o ritmo. Estava mesmo disposto a levar aquilo até o fim. Até porque Eren tinha pedido para que parasse da primeira vez que transaram. Uma hora, Eren estaria implorando por mais...

Levi, para...!

Uma hora, ele iria pedir por mais...

Eu não... Quero...!

Ele pediria por mais...

Para...!

Uma hora...

Levi!

O som de soluços fez com que Levi saísse de seu estado quase animalesco. Quando se deu conta do que estava fazendo, retirou-se de dentro de Eren no mesmo segundo, fazendo o garoto se contrair mais ainda. Procurou pelos olhos dele, mas estes estavam fechados, encharcados pelas lágrimas que corriam soltas pelo seu rosto retorcido numa expressão de dor. Eren tentou cobrir o rosto atrás do braço, escondendo-se por vergonha e por repúdio.

Quando olhou para os pulsos de Eren, percebeu que uma linha grosseira havia se formado, num vermelho vivo com alguns pontos mais escurecidos — quase roxos. Levi procurou pela calça, para que pudesse pegar a chave das algemas. Quando finalmente as pegou, apressou-se para abrir as algemas... Só que foi posto para fora da cama por um chute em sua barriga.

Sai daqui! — Eren gritava enquanto se debatia.

— Eren, eu vou...

Não chega perto! — Eren continuava gritando, ameaçando chutá-lo mais uma vez caso se aproximasse. — Não encosta em mim!

Os pulsos de Eren estavam começando a ficar em um estado lastimável.

Eren! — Levi tentou gritar por cima do garoto. — Pare de se mexer, vai acabar se machucando!

Você é a única coisa me machucando! — gritou por entre soluços.

Levi sentiu um peso no peito, como não sentia há anos. Estava decepcionado consigo mesmo, com o que acabara de fazer. Perguntava-se onde estava com a cabeça quando pensou que, de alguma forma, isso fosse fazer Eren mudar de ideia. Não... Isso o faria ter a certeza da decisão que estava tomando.

Eren não suportou mais aquela humilhação. Mesmo que seus pulsos doessem, forçou-se a virar de lado e esconder o rosto debaixo do braço. Como aquilo enrolou as algemas, fez com que elas puxassem com mais força... Mas aquilo não importava. Deixou-se chorar baixinho ali, encolhido na cabeceira da cama.

Assim que percebeu que Eren não estava mais disposto a lutar, foi bem devagar até onde as algemas estavam e as destrancou, uma a uma. Assim que seus pulsos foram libertos, Eren recolheu as mãos até o peito, onde as aninhou. Agora que seu rosto estava descoberto, Levi podia ver o quanto Eren chorava, mesmo em silêncio. Aquela era uma cena que Levi não gostaria de ver... Nunca mais.

Ainda devagar, para que pudesse perceber a reação de Eren, Levi se aproximou do garoto para tocá-lo no ombro. Eren percebeu que ele se aproximava e recolheu o ombro mais ainda, evitando o contato.

— Não encosta em mim — intimou Eren, com a voz rouca.

Levi recolheu a mão, considerando se devia realmente forçar tanto o garoto assim. Decidiu por tentar mais uma vez.

— Mandei não encostar em mim! — ele gritou de novo, encolhendo-se mais ainda.

Levi não conseguiu pensar antes de agir; com delicadeza, envolveu seu braço no tronco de Eren, abraçando-o pelas costas. O garoto se debateu um pouco, mas estava ficando sem energia.

Eu disse...! — murmurou, mas não conseguiu terminar a frase.

Parou de lutar, de se debater e reclamar, e só escondeu o rosto no travesseiro, deixando que as lágrimas saíssem sem controle algum. Sem mais nenhuma resistência, Levi o abraçou com mais intimidade, colando seu corpo no dele. Eren voltara a soluçar. Levi enterrou o rosto em sua nuca, deixando-se molhar com o suor de Eren. Normalmente, acharia aquilo terrivelmente nojento, mas naquele momento estava tão grato por apenas tê-lo em seus braços que não se incomodou nem um pouco.

— Eu não queria fazer nada disso — disse Levi, sem nunca soltá-lo. — Não queria deixá-lo assim.

Então por que fez? — Eren o repreendeu, mas não fez nada para se libertar de seu abraço.

— Porque queria fazê-lo meu — respondeu Levi, num fio de voz. — Não queria deixá-lo ir.

Eren ficou em choque ao ouvir aquilo. Se ele tivesse dito isso antes... As coisas teriam sido bem diferentes.

— Acha mesmo que essa tentativa de estupro iria me fazer mudar de ideia? —cuspiu as palavras.

Levi se encolheu um pouco — escutá-lo chamar aquilo de estupro fez com que aumentasse seu peso na consciência —, mas logo tratou de apertá-lo mais forte.

— Queria que se arrependesse de ter dito que eu não valia à pena — confessou Levi. Sua sinceridade fazia o coração de Eren se apertar.

— Bem, você conseguiu — resmungou Eren.

— Não, não dessa forma... — Levi balançou a cabeça. Seu cabelo passando pela nuca de Eren o fazia ter pequenos arrepios de cócegas.

Os dois passaram um tempo ali, parados, envolvidos naquele abraço quase forçado. Levi acariciava com ternura a barriga de Eren, fazendo o garoto relaxar aos poucos. Quando Eren finalmente parecia mais calmo e disposto a ouvi-lo, Levi começou a explicar.

— Eu queria que você fosse meu.

— Essa parte eu já entendi — retrucou Eren.

— Não, você não entendeu — disse Levi, num tom de voz sereno. — Eu queria estar num relacionamento de verdade com você.

Aquilo terminou de confundir mais ainda os sentimentos de Eren. Nada do que Levi fazia ou dizia fazia sentido, e aquilo estava o enlouquecendo.

— Mas foi você que disse que...

— Eu sei o que disse — Levi o cortou, mas ainda tinha a voz mansa. — Por mais que eu queira, não posso estar num relacionamento sério.

— Por quê? Muitas amantes ficariam decepcionadas? — retrucou Eren, mal-humorado.

— Amantes? — Levi se perguntava de onde Eren tirava aquelas ideias.

— Acha que eu não notei que você e Hanji também têm um caso? — Eren o acusou. — Ela pode estar conformada com essa situação, mas eu não sou o...

— Espera aí — Levi o interrompeu. — Acha mesmo que eu e Hanji temos um caso?

— Não tente mentir pra mim — reclamou Eren. — Quando eu liguei para você...

— Você ligou pra mim?

— Não me interrompa — reclamou de novo. — Quando eu liguei para você outro dia, foi ela quem atendeu. Estava super bêbada, e começou a me dar dicas de como te pegar de jeito e... — Eren respirou fundo. — E ficou bem claro para mim que ela sabia do que estava falando.

— Sabia que aquela maldita quatro-olhos tinha feito alguma merda — praguejou Levi, mas sem conseguir conter o sorriso. — Eren, Hanji estava apenas falando qualquer besteira que lhe veio à mente. Afinal de contas, é o que pessoas bêbadas fazem.

— Ah, então vai dizer que estava apenas bebendo casualmente com apenas uma amiga de trabalho? — Eren dizia com ironia.

— Não. — A negação pegou Eren de surpresa. — Eu estava forçosamente bebendo com uma amiga que trabalha na mesma agência que eu enquanto a escutava falar sobre... coisas do passado.

— Então... — Eren tentava por a cabeça em ordem. —Hanji-san é só uma amiga sua?

— Uma das poucas pessoas que eu posso chamar de amiga — declarou Levi. — Mas sim, nossa relação nunca passou disso.

Eren respirou fundo. Começava a desfazer o nó que tinha em sua cabeça.

— E... Nada de amantes?

— Nunca teria algo desse tipo.

— Então por que não pode entrar em um relacionamento de verdade comigo?

Levi respirou fundo e deu um beijo terno no ombro do garoto, onde repousou a cabeça.

— Não é só com você, eu não posso entrar num relacionamento sério de forma alguma — Levi o segurou com mais força. Eren aguardou em silêncio o resto da explicação. — Eu não sou... aquele policial fardado que fica nas ruas olhando as pessoas passarem. Eu sou um agente da AIS.

— AIS?

— Agência de Investigação de Shiganshina.

— Ah... — Eren tentou absorver aquela informação. — Então você é tipo um detetive?

— Não... Detetives não podem prender pessoas ou invadir casas, e várias outras coisas.

— Certo... E qual o problema com isso?

— Eu sou o líder do Esquadrão de Casos Especiais da agência...

— Sabia que você era de uma patente alta — vangloriou-se Eren.

Levi sorriu e depositou mais um beijo, só que no pescoço do garoto.

— Eu lido com pessoas muito ruins — confessou Levi. — São desde políticos corruptos a serial killers, mas na maioria das vezes eu tenho que ir atrás de gangues que englobam problemas com todos os outros casos.

— Caralho... — Eren sem querer deixou escapar.

Levi ficou um tempo calado. A mão que acariciava a barriga de Eren subiu para o tórax e o puxou para mais perto, como se Eren fosse fugir a qualquer momento.

— Eren, se algum deles te achasse... — Levi não pôde sequer concluir o pensamento. — Eu não posso fazer isso com você, não posso deixá-lo em risco dessa forma.

Eren pôs sua mão em cima da de Levi, segurando-a com força.

— Isso não vai acontecer — Eren disse convicto de suas palavras. — Não tem como eles virem atrás de mim.

— Eren, você não entende...

— Se isso fosse verdade, nenhum agente conseguiria criar família, não é? — Eren esperou por uma resposta, mas Levi permaneceu calado. De certa forma, ele tinha razão, mas ainda assim tinha um mau pressentimento.

Levi tirou a mão debaixo da de Eren e o segurou no quadril, forçando-o a ficar de frente para ele. Assim que seus rostos ficaram frente a frente, Levi o analisou cuidadosamente para checar o estado do garoto. Os olhos ainda estavam avermelhados e úmidos, mas ao menos já estavam mais secos. Nas bochechas ainda havia trilhas de lágrimas, e boa parte delas era recente. Os lábios de Eren estavam avermelhados, e uma nova ferida havia se formado bem no meio do lábio inferior — Eren devia estar mordendo o lábio enquanto chorava.

Levi passou a mão delicadamente pela lateral do rosto de Eren. Com o polegar, desenhou círculos em sua bochecha, enquanto destruía as trilhas de lágrimas. Eren fechou os olhos para deleitar-se com aquele toque tão singelo, mas tão carinhoso. Levi inclinou-se para dar um beijo em sua testa, enquanto sua mão descia até a nuca de Eren para acariciar os pequenos fios de cabelo que separavam o final do couro cabeludo e o início do pescoço.

— Eu nunca mais irei te machucar — jurou Levi, enquanto descia para o olho direito para dar-lhe outro beijo terno, depois repetiu com o olho esquerdo. — Nunca mais te farei chorar. — Por último, desceu até os lábios de Eren e deu-lhes um selinho lento e gentil, como se acariciasse a boca do garoto com a sua. — Então, se puder me perdoar pelo que acabei de fazer... Por favor, aceite em ser meu.

Eren abriu os olhos, em surpresa. Ambos se encararam, numa conversa muda. Pela primeira vez, viu os olhos de Levi brilharem, deixando aquela cor cinzenta turva para ficarem num cinza tão claro que poderiam ser confundidos com branco. Eren sentiu os seus próprios olhos marejarem mais uma vez. Levi primeiro franziu a testa, perguntando-se se havia feito algo de errado, até que Eren também o segurou pela nuca, acariciando aquela parte mais curta de seu cabelo que espetava um pouco. E então abriu um sorriso simples, genuíno, puro.

— Sem mais estupros? — perguntou brincando.

Levi abriu o mesmo sorriso, o que chocou Eren. Levi tinha um sorriso lindo, e só agora percebeu que nunca tinha o visto.

— Sem mais estupros — prometeu.

E então, selaram o momento com um beijo lento e demorado. Dessa vez, não havia guerra; havia apenas troca de carícias e afagos, enquanto dali sentimentos mais profundos começavam a aflorar. Aos poucos, um ia se laçando no outro, num elo ainda frágil, mas existente.

Quando finalmente separaram os lábios em busca de ar, Eren tornou a sorrir para Levi e o abraçou com força, enterrando o rosto em sua clavícula.

— Eu nem acredito que você concordou com isso — confessou Levi, passeando com a mão pelo cabelo macio de Eren.

— E eu nem acredito que você sugeriu isso — respondeu Eren, não conseguindo conter o riso de felicidade.

Levi o abraçou de volta, apertando-o contra si.

— E pensar que você acabaria tudo por causa de uma besteira de Hanji...

— Mas eu não ia terminar por causa dela — constatou Eren. — Pensei ter te dito isso.

Levi desfez o abraço e o olhou nos olhos, confuso.

— Então, por que ia terminar?

— Por causa da... — Minha mãe..., concluiu em seu pensamento. Ai caramba, eu deixei minha mãe sozinha esse tempo todo! — Merda! —praguejou.

Num pulo, Eren sentou-se na cama e se preparava para catar suas roupas de volta, mas Levi o pegou pelo braço e o puxou de volta, fazendo-o deitar de novo.

— Você não sai daqui sem me explicar — ameaçou Levi.

— Levi, eu preciso correr! — implorou Eren. — Eu não quero deixar minha mãe só!

Levi franziu o cenho para ele, mas o soltou.

— Ela está doente?

Eren fez que não com a cabeça e levantou-se da cama, vestindo-se com rapidez.

— Ela e o meu pai estão... passando por um momento difícil — contou Eren. — Por isso ia terminar com você.

— Não fez muito sentido — declarou Levi.

Eren suspirou e decidiu contar a história toda. Afinal de contas, Levi também havia sido muito sincero com ele.

— Meu pai é um idiota que vive inventando desculpas para fazer “viagens à trabalho”, quando na verdade deve estar indo dormir com qualquer outra mulher por aí. — Eren não conseguia esconder o desgosto em suas palavras. — Ultimamente, minha mãe tem estado bem pra baixo, e... Bem, eu também não sou o melhor filho do mundo, então nós brigamos várias vezes esses dias.

— Foi ela que fez isso com você? — perguntou Levi, apontando para os hematomas.

— Ah, não... Isso aqui eu ganhei numa briga — Eren deu de ombros.

Levi tentou abafar o riso com a mão, enquanto balançava a cabeça.

— Você apanhou feio.

— Pra sua informação, eram dois contra um — resmungou Eren, enfezado.

— Ah, sim, deve ter sido muito difícil — Levi ironizou.

— Quer que eu termine de contar ou não? — perguntou, carrancudo. Levi permaneceu calado, então continuou. — O fato é que, para sair com você, eu teria que mentir mais ainda para minha mãe, e eu não queria ter que dar uma de meu pai para isso... Por isso que eu disse que só sairia com você se valesse à pena. Mas, como você tinha dito que... — Eren foi, aos poucos, diminuindo a voz quando viu o olhar de espanto de Levi. — O que foi?

— Então, eu não tinha que “valer à pena” para que você ficasse comigo mesmo não estando num relacionamento sério, mas “valer à pena” para que você pudesse mentir para sua mãe?

— É, isso mesmo — confirmou Eren, dando de ombros.

Levi cobriu o rosto e deu uma risada contida.

Eu entendi tudo errado...! — disse rindo.

— Mas claro que isso de não estar num relacionamento sério me deixava meio puto — completou Eren, fazendo um bico. — Eu não queria dividir você com ninguém...

Levi descobriu o rosto e deu um sorriso malicioso para Eren. Com notória velocidade, Levi levantou da cama e puxou Eren pelo cós da calça, roubando-lhe mais um beijo.

Lembre-se de que, agora, você também é só meu — sussurrou nos lábios de Eren.

— Estou começando a achar que você é um pouco possessivo — brincou Eren.

— Não faz ideia do quanto — respondeu antes de dar-lhe mais um Celinho. — Quer que eu te leve em casa?

— Hm... — Eren considerou aquela proposta muito útil, porém... — Pode ser só até o início do meu bairro?

Levi franziu as sobrancelhas.

— Por que isso?

— Da última vez que você me levou lá, minha mãe reclamou do barulho da sua moto, então eu não acho que seria uma boa ideia se ela reconhecer o som.

— Muitas motos fazem o mesmo barulho.

Levi.

— Ok, só até o bairro — aceitou, mesmo que não querendo. — Mas só porque eu preciso te compensar por hoje.

— Eu vou cobrar muito mais do que apenas uma carona de moto —avisou Eren.

— Não acha que está sendo ambicioso demais? — disse, voltando ao tom de voz monótono. Eren já tinha entendido que era assim que Levi funcionava, então sorriu e o puxou para um último selinho.

— Vá pôr uma roupa.

Tsc, agora acha que me dá ordens... — resmungou, mas foi até o armário pegar uma muda de roupas.

Eren observou Levi vestir-se com um sorriso bobo. A única coisa que o fazia acreditar no que tinha acontecido naquela noite era a dor latejante que sentia nos pulsos... mas que agora parecia muito distante, assim como a lembrança de ter um vazio dentro de si.