Variable Geo: Exile

18 Progresso - Parte 1


Era quase meia-noite. Yuka dormia em seu quarto, quando o telefone começou a tocar.

– Hum... O quê...? Quem será a essa hora?

Yuka levantou-se lentamente e, ainda um pouco sonolenta, foi até o telefone.

– Alô...?

– Ah, olá Yuka! Desculpe-me se te acordei.

Era Satomi.

– Satomi? Aconteceu alguma coisa?

– Bem, na verdade sim... Maxwell me emprestou alguns mangás ontem de manhã, e eu estava indo devolvê-los.

– Sim? E o que houve?

– Ele não estava em seu apartamento. E... Bem, eu estou meio preocupada.

Satomi não havia contado para Yuka que Maxwell havia sido atacado por uma figura misteriosa.

– Bem, isso não é tão estranho assim... Talvez ele tenha ido visitar alguém. Já checou com Manami e Chiho?

– Eu liguei para Manami, e ela disse que não o vê desde a tarde de ontem... Depois de me criticar por acordá-la. E eu liguei para Chiho, mas ninguém atende por lá.

– Tenho certeza que ele vai aparecer cedo ou tarde. Por que não espera até amanhã?

Yuka não tinha idéia do motivo da preocupação de Satomi.

– Yuka, eu... Preciso te confessar uma coisa.

– Hum? Confessar? Do que está falando?

Satomi respirou fundo.

– Ontem de manhã... Maxwell recebeu um estranho e-mail em seu computador, pedindo para que ele fosse até o beco do cinema durante a madrugada.

– O quê? Quem faria um pedido desses?

– Eu fui com ele.

Yuka se surpreendeu.

– Você o quê?!

– Eu fui com ele até o beco! E... Ele foi atacado. Uma figura encapuzada injetou uma seringa com um estranho conteúdo nele.

– Satomi!! O que você está me dizendo é... Por que não contou para mim?!

Satomi sentia um pouco de culpa.

– Maxwell e eu prometemos não contar a ninguém sobre isso! E... É por isso que o sumiço dele me incomoda tanto. Desde quando você não vê ele?

Yuka se acalmou, e pensou um pouco.

– Acho que ontem a noite.

– Então, essa noite pode ter acontecido alguma coisa! Você entende minha preocupação?

– Satomi, você deveria ter me contado! Estamos tentando ajudar o Maxwell.

– Ele não queria preocupar ninguém. Mas eu estava lá na hora em que ele recebeu o e-mail, então ele acabou revelando para mim.

– ...Tudo bem. Eu acho que te entendo. Nesse caso, devemos comunicar alguém sobre isso, certo?

Satomi pensou um pouco.

– A delegacia? Maxwell tem amigos por lá.

– Ok. Eu vou me arrumar, e já te encontro.

Satomi e Yuka entraram na delegacia. Um dos policiais estava sentado na mesa da recepção.

– Boa noite, garotas. O que fazem aqui tão tarde? — Perguntou o policial.

– Boa noite, nós precisamos reportar um desaparecimento... É meio grave.

O policial levantou-se e se aproximou de duas.

– Espera... Eu estou conhecendo vocês...

Yuka e Satomi se entreolharam.

– Bem... Eu sou Yuka Takeuchi, e essa é minha amiga Satomi Yajima... Acho que já deve ter ouvido falar de nós.

O policial cruzou os braços.

– E como! Meu colega de trabalho vive falando de vocês. Meu nome é Akira.

– E é sobre ele mesmo que queremos falar! — Disse Yuka.

Akira começou a se preocupar.

– Espere... Você quer dizer que ele...?

– Bem, na verdade, não o vemos desde essa manhã... Espera...

Era confuso. Já havia passado de meia-noite, então a tarde que Yuka se referia era a do dia anterior.

Akira cobriu seu rosto.

– Droga!! Ele me contou sobre algo estranho que ocorreu duas noites atrás, mas eu não dei muita importância!

Naquele momento, Takamura saiu de sua sala.

– Está acontecendo algo por aqui, Akira...?

Quando viu Yuka e Satomi, sua expressão mudou totalmente.

– Eu não acredito!! Yuka Takeuchi? Satomi Yajima?! Aqui na minha delegacia?

Imediatamente, Takamura correu até as duas e as cumprimentou.

– Vocês não fazem idéia de como eu sou fã de vocês! Será que podem me dar um autógrafo?

Akira resolveu quebrar o clima.

– Calma, Takamura. Temos um assunto sério aqui. Maxwell desapareceu desde a última tarde, e eu temo que algo possa ter acontecido com ele.

Takamura se virou para Akira.

– Maxwell? O que pode ter acontecido com ele?

– Eu não sei. Ele disse ter sido atacado duas noites atrás, mas a forma como ele me contou... Achei que poderia ter sido um pesadelo ou algo do tipo.

– Não foi, eu confirmo isso. — Disse Satomi — Eu estava com ele quando isso aconteceu.

Akira cruzou os braços.

– Mas o que podemos fazer? Não temos a menor idéia de onde ele pode estar.

Alguns segundos de silêncio se seguiram.

Maxwell estava sentado em uma cadeira, com as mãos amarradas, e vendado. Notou que alguém estava se aproximando.

– Quem está aí?! Responda!!

A venda foi retirada. Quando Maxwell abriu os olhos, percebeu que estava em uma pequena sala vazia. As paredes eram brancas, e havia uma luz acima de sua cabeça. Em sua frente, estava Luna, segurando a venda que havia sido retirada.

– Sua traidora!! Onde eu estou?!

Luna cruzou os braços e riu.

– Você tem sido um bom menino, então acho que posso te contar. Você está no andar superior do ginásio. Caso não saiba, essa construção é propriedade da VG Corp.

– VG Corp... E o que isso significa?

Luna riu.

– Basicamente, o primeiro andar se resume ao estádio, aberto ao público. Mas aqui em cima temos diversas salas computadorizadas, e até mesmo um laboratório.

Maxwell estava enfurecido.

– Um laboratório... Então aquelas seringas...?

– Exatamente. São todas fabricadas aqui. Mas me diga... Você sabe o que a VGCorp faz?

– Não!

Mas Maxwell tinha uma pequena idéia.

– Espere... Aquela história da arma biológica... Não, isso não pode ser verdade! Eu nunca acreditaria numa coisa dessas!!

Luna riu novamente.

– Você é amigo de Yuka e Satomi, não é? Aquelas garotas... Elas me deram muito trabalho no passado.

– Do que está falando?! Eu não entendo nada do que você diz!!

Luna virou-se de costas para Maxwell.

– Yuka e Satomi lutaram contra a VG Corp uma vez. E venceram. No final, destruíram a incubadora que estava criando a arma biológica, e parte de nossa equipe foi presa. Algum tempo se passou, e a organização voltou e criou um novo torneio, hospedado no Cruzeiro Venus. Yuka acabou revelando o plano para as lutadoras que estavam envolvidas. E no final, o progresso da arma foi impedido novamente.

Maxwell ouvia tudo atentamente.

– A história do DNA você já ouviu, não é? — Perguntou Luna.

–Sim. O objetivo do torneio é pegar o DNA das lutadoras e injetar no corpo que seria a arma biológica. Seu poder seria incomparável.

– Exato! E agora, Maxwell... A VG Corp voltou a ativa.

– E o que eu tenho a ver com isso? — Perguntou Maxwell, nervoso.

– Sabe quem é a lutadora mais poderosa do torneio?

Maxwell pensou um pouco.

– ...Yuka... É ela?

– Sim. Para que o plano seja completo, ainda precisamos do DNA de Yuka. Você sabe que ela faz tudo para ajudar seus amigos.

– Então... Vai me usar como isca para atraí-la para cá?

– Exato.

Maxwell se irritou.

– Então... Onde está essa arma biológica que vocês tanto falam?! Eu ainda não acreditarei enquanto não ver com meus próprios olhos!!

– Por que você ainda duvida...? — Perguntou Luna.

Luna virou sua cabeça, e olhou para Maxwell.

– ...Ela está na sua frente!

Maxwell entrou em choque.

Naquele instante, um dos seguranças entrou na sala.

– Senhorita Venus... Recebemos informações da nossa "espiã".

"Venus... Esse é o nome dela? Espiã...? Do que estão falando?" Pensou Maxwell.

– E então? — Perguntou Luna.

– Yuka Takeuchi e Satomi Yajima foram vistas entrando na delegacia de polícia quatro minutos atrás.

– Isso é perfeito...

Luna se aproximou de Maxwell, ainda confuso.

– Veja só, Maxwell... Parece que esse Fragmento está a meu favor...

Em seguida, Luna caminhou até a saída.

– Deixe-o aí por enquanto. Ele é inofensivo nesse estado. Consigam uma transmissão online com a delegacia. Eu não vejo a hora de rever minhas amigas.

Os dois saíram e fecharam a porta, deixando Maxwell sozinho.

– Por favor... Isso não pode acabar assim... — Lamentou Maxwell.