Variable Geo: Exile
19 Progresso - Parte 2
Na delegacia, Takamura, Akira, Yuka e Satomi continuavam a discutir a situação, quando um som veio da sala de Takamura.
– O que foi isso? — Perguntou Yuka.
– Parece que alguém está tentando uma comunicação online. Pode ser algo a respeito de Maxwell. Vamos. — Respondeu Takamura.
Todos foram até a sala de Takamura. O computador estava conectado em um pequeno telão na parede da sala, de forma que era possível fazer chamadas de vídeo de forma esplêndida.
– Que estranho... Essa chamada não é de ninguém que eu conheço. — Disse Takamura.
– Atenda! Pode ser algo importante! — Disse Akira.
Takamura respondeu a chamada.
Ao olhar para o telão, todos se surpreenderam. Uma garota de longos cabelos prateados olhava para eles.
– Como eu suspeitava... Estão todos aqui... — Disse ela.
Yuka e Satomi estavam paralisadas com a imagem. Akira percebeu a reação delas.
– Vocês a conhecem? — Perguntou Akira.
– Nós... Sim, nós a conhecemos, mas... Não pode ser... — Disse Yuka.
A garota riu.
– Claro que pode, Yuka. Sou eu mesma. Lembra de mim? Você também, Satomi. Somos velhas conhecidas, não é?
Takamura olhou para Yuka e Satomi.
– Se vocês sabem de algo, digam logo.
– O codinome dela era Venus. — Disse Yuka — Mas isso não pode ser verdade... Satomi e eu a destruímos muito tempo atrás.
Venus riu.
– Sério, Yuka? Acha mesmo que uma organização tão inteligente quanto a VG Corp me deixaria tão vulnerável?
Yuka baixou a cabeça.
– Mas, chega de falar de mim. Vamos falar do amigo de vocês, que tal?
Akira ficou furioso.
– Maxwell?! Ele está com você?!
– Exato. — Respondeu Venus.
– Ele está bem? Vocês fizeram algo com ele?! — Perguntou Takamura.
– Relaxa, ele está inteiro... Ainda. — Respondeu Venus.
Yuka fechou sua mão com força.
– O que você quer da gente?!
– Eu quero fazer uma proposta.
Takamura encarou Venus.
– Sem enrolações, qual a sua proposta?
– Vocês fariam qualquer coisa para salvar seu amigo, correto?
Todos acenaram positivamente.
– Perfeito. Eu quero que vocês venham até o ginásio. Quando quiserem.
– E o que faremos aí? — Perguntou Yuka.
– Vocês entenderão assim que chegarem. Mas tem duas regras que vocês precisam saber.
Venus fez uma pausa.
– A primeira... Depois que entrarem, só poderão sair após decidirem o destino de Maxwell. E a segunda... Se vocês não aparecerem num prazo de doze horas, ou surgirem com mais alguém...
Venus se abaixou, e em seguida apareceu com uma faca afiada em sua mão.
– Essa faca vai fazer um corte horizontal no pescoço de Maxwell.
Todos ficaram apreensivos com a cena.
– Não se preocupem. Maxwell será tratado como meu convidado até que vocês cheguem. Mas só até lá. — Disse Venus.
– Tudo bem, nós vamos! — Disse Yuka, falando por todos.
– Perfeito. Estarei esperando... Vocês dois, acho que ainda não fomos apresentados. Prazer, eu sou Venus. — Disse, referindo-se a Akira e Takamura.
– Eu sou Akira... — Disse Akira, num tom de voz frio.
– Eu sou Takamura, chefe dessa equipe de polícia. — Disse Takamura, no mesmo tom.
– Ótimo... Então, estou esperando por vocês. Até logo.
A transmissão se encerrou.
Venus entrou na sala onde Maxwell continuava amarrado.
– Ah, você ainda está aí? — Zombou ela.
Maxwell não achou graça.
– Seu nome verdadeiro é Venus, não é? O que você quer?
Venus foi atrás da cadeira de Maxwell e começou a desamarrá-lo.
– Adivinha quem está vindo pra cá essa noite?
Maxwell não queria perder tempo com adivinhações.
– Quem?
– Deixa eu ver se lembro o nome de todo mundo... Ok, Yuka, Satomi, Akira e Takamura. É isso.
Maxwell soltou suas mãos da cadeira.
– O quê?! Você atraiu todo mundo pra cá?!
– Exato. Parece que você é bem popular.
Maxwell se levantou da cadeira. irritado.
– Droga! Eles estão vindo para me ajudar, mas... Droga!! A culpa disso tudo é minha.
Venus riu discretamente.
– Parece que essa é sua quinta falha, Maxwell...
Em seguida, Venus foi até a porta de saída.
– Você está sem armas, e esse prédio está bem guardado. Pode dar uma volta por aí se quiser. Mas só na área em que os seguranças deixarem você entrar. Enquanto seus aliados não chegam, sinta-se em casa... Amigo.
Venus saiu, deixando Maxwell sozinho.
Era por volta da uma da madrugada. Venus entrou em uma espécie de sala de controle. Um dos funcionários da VG Corp mexia em um painel, enquanto vários telões a sua frente mostravam as câmeras de segurança do ginásio.
– Como estamos indo? — Perguntou Venus.
– Está tudo pronto. — Respondeu o homem, enquanto ajeitava seus óculos escuros — Se tudo correr como planejado, esta madrugada marcará o início de nossa era.
Venus sorriu.
– Eu mal posso esperar para re-encontrar Yuka. Aposto que ela treinou muito desde aquele tempo.
– Você sabe, quando ela te encontrou pela primeira vez, seu corpo ainda não estava completo. Essa será a primeira vez que se encontrarão em condições iguais. O que pretende fazer?
Venus virou-se de costas para o homem.
– Quero lutar com ela. Quero testar sua força. Mas não posso subestimá-la. Então, estejam prontos para agir se algo acontecer.
– Não se preocupe. — Disse o homem, com um sorriso no rosto — Para isso temos nossa arma secreta...
– Eu sei. Onde ela está agora?
– Não estamos monitorando-a no momento. Pode estar até mesmo conversando com Yuka agora.
Venus riu.
– Você acha que alguém pode ter descoberto sobre ela? — Perguntou o homem.
– Maxwell talvez saiba. — Respondeu Venus — Mas isso não importa. Ele não vai sair daqui vivo mesmo.
Venus olhou para os monitores. Um deles mostrava uma visão panorâmica do ringue de batalha.
– Isso não é justo!! — Gritou Manami.
Yuka, Akira, Satomi e Takamura se encontraram com Chiho, Manami e Takigawa no restaurante de Yuka. O tópico da discussão era o que estava acontecendo com Maxwell.
– Sinto muito, Manami. — Disse Yuka — Mas uma das regras é que não podemos levar ninguém com a gente, caso contrário, algo terrível pode acontecer com Maxwell.
– Ah... — Disse Manami, decepcionada — Por que sempre que algo legal está acontecendo, eu tenho que ficar de fora?
– Isso é assunto sério. — Disse Takamura — A vida de Maxwell está em jogo. Se falharmos, será o fim dele.
Takigawa começou a falar.
– Vocês disseram algo sobre a VG Corp...? Eu pensei que essa organização tivesse sido destruída.
– Aparentemente alguns membros continuaram o projeto. — Disse Satomi — Mas é difícil acreditar que Venus tenha sobrevivido.
– Talvez o que vocês destruíram era apenas um protótipo. — Sugeriu Chiho — Eles não deixariam o projeto verdadeiro exposto tão facilmente.
Takamura se aproximou de Yuka.
– Você parece saber mais do que nos contou... Tem mais alguma coisa que precisamos saber antes de ir a esse encontro?
Yuka olhou para Takigawa.
– Vá em frente. — Disse Takigawa — Eles precisam saber de tudo. Temos que salvar o Maxwell.
Yuka respirou fundo.
– No primeiro torneio Variable Geo, o grupo VG Corp, que organizava o evento era na verdade uma organização terrorista. Apenas as lutadoras mais fortes ganhavam o cartão para participar dos duelos. Havia uma seleção para isso. O que a organização realmente queria era coletar dados das lutadoras através de seus equipamentos de tecnologia avançada. O objetivo era criar uma arma biológica.
– Opa, opa... — Disse Akira — Isso parece algo difícil de se acreditar.
Yuka olhou para Akira.
– Mas era a verdade. Fatalmente, isso foi revelado. As lutadoras do torneio, incluindo todas aqui presente, travaram uma guerra contra a organização. E nós vencemos. Ou, pelo menos, era o que pensávamos. O que sobrou da VG Corp. iniciou um novo torneio, dessa vez hospedado no Cruzeiro Venus.
– ...Que na verdade era o nome da arma biológica... — Concluiu Akira.
– Exato. Eles selecionaram novas lutadoras de todo o mundo. Como eu já sabia que havia algo estranho acontecendo, fui até lá disfarçada, e revelei o que estava acontecendo. Isso resultou numa guerra dentro do navio, que resultou num acidente onde muitas pessoas morreram... Até hoje eu ainda me culpo por isso.
Takigawa se aproximou.
– Mas não foi sua culpa. Se você não tivesse revelado a intenção da VG Corp. algo muito pior poderia ter acontecido.
– ...Mas ao que parece, a organização não está totalmente aniquilada. E agora, eles pegaram o Maxwell. Mas é a mim que eles querem. Eu sei disso.
Takamura cruzou os braços.
– Bem... Isso esclarece parte do mistério.
– Mas precisamos de mais respostas. E direto da VG Corp. — Disse Akira.
– Por enquanto tudo que podemos fazer é respeitar o "acordo". — Disse Takamura — Takigawa, Chiho... Vocês se importam de cuidar da Manami enquanto solucionamos esse caso.
Manami fez uma cara de desgosto para Takamura. Era óbvio que ele insinuava que ela era uma criança.
– Sem problemas. — Disse Takigawa.
– Nós podemos esperar. — Completou Chiho.
O tempo continuava passando.
Maxwell continuava na mesma sala em que estava preso. Com os braços cruzados, e olhando para o chão, estava forçando sua mente. Venus entrou.
– Oh, você está aqui? Pensei que tinha te liberado para explorar o prédio.
– Eu não estou interessado nisso.
– Então... O que está fazendo? — Perguntou Venus, se aproximando.
– Estou pensando... Em como o assassino conseguia estar tão perto de mim e meus amigos sem que percebessemos.
Venus deu um leve sorriso.
– Eu pensei que a essa altura você tivesse desconfiado de que eu havia lhe enganado.
– É um risco que eu tenho que correr. Além do mais, não há nada que posso fazer aqui. Estou desarmado, e os seguranças podem me matar em questão de segundos. Só me resta pensar.
– Muito bem... E você chegou a alguma conclusão?
Maxwell olhou nos olhos de Venus.
– Eu sei quem matou Takamura, Satomi e eu na floresta. Foram os seus seguranças.
– Oh? — Disse Venus espantada — Que legal. Você está progredindo.
– Sim, foram eles... Mas eu preciso saber quem deu a ordem.
Venus cruzou os braços. Maxwell continuou falando.
– Tinha que ser alguém bem próximo a mim. Alguém que também sabia que Yuu estava na cidade. E só tem quatro pessoas que sabiam: Yuka, Satomi, Chiho e Manami. Além de mim, é claro.
– E você desconfia de alguma delas?
Maxwell pensou.
– Infelizmente sim. Por causa do que aconteceu nos outros Fragmentos, eu posso descartá-las uma por uma... Mas...
Maxwell olhou para o chão.
– Só tem uma pessoa... Que em nenhum Fragmento conseguiu um álibi para ser inocente...
Manami e Takigawa jogavam xadrez em uma das mesas do restaurante de Yuka, enquanto a noite começava a cair.
– Xeque! — Gritou Manami.
– O cavalo não se movimenta assim. — Disse Takigawa.
– O meu é treinado. — Respondeu Manami.
Naquele momento, Takigawa olhou para a porta da dispensa.
– A Chiho não disse que só ia fazer uma ligação?
– Sim... E já faz algum tempo... Será que aconteceu alguma coisa?
Takigawa se levantou.
– É melhor eu ver o que está acontecendo. Já volto.
– Claro.
Takigawa abriu a porta da dispensa e entrou. Enquanto isso, Manami analisava o jogo de xadrez.
– Vejamos... Eu posso prender o rei dele dessa forma... A não ser que... Espera, cadê a minha rainha...? Ah, é mesmo, eu perdi...
De repente, um grito veio da dispensa.
– O quê?! — Takigawa?!
Manami pegou sua luva que estava encostada em sua cadeira e correu na direção da dispensa.
– Não se preocupe, Takigawa!! Eu estou aqui!!
Quando Manami abriu a porta da dispensa, foi tomada por uma expressão de pavor.
– O... O que você está fazendo?!
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