Variable Geo: Exile

16 Lembrança - Parte 3


Como era de costume, Maxwell chegou em seu apartamento, retirou sua jaqueta e a jogou no sofá.

– Mas... O que é aquilo?

Algo chamou sua atenção. Havia uma notificação de e-mail em seu computador. Sua última experiência com isso, não havia sido muito boa.

– Outro e-mail... O que pode ser agora?!

Rapidamente, correu até o computador e abriu o e-mail. Em seguida, começou a ler.

– ..."Eu pedi para que viesse sozinho. Mas você ignorou meu conselho. Eu vou tentar novamente: Se você quer mesmo saber o que está acontecendo, me encontre hoje no ginásio de Tóquio. Não se preocupe, as portas estarão abertas. Mesmo horário."

Maxwell levantou-se da cadeira, e colocou as mãos em sua cabeça.

– ...Droga!! Está insistindo... O que eu faço?!

Na noite anterior, ele levou Satomi, e a figura misteriosa fugiu quando percebeu a presença dela. O que aconteceria se Maxwell estivesse sozinho? Valia a pena arriscar?

– ...Eu preciso pensar...

Tanto Maxwell quanto Satomi mantiveram a noite anterior em segredo.

A tarde começava a cair. A noite estava chegando. Maxwell estava em seu quarto, quando o telefone tocou. Rapidamente, correu atender.

– ...Oi, alô?

– Olá, Maxwell! — Disse Yuka, do outro lado da linha.

– Ah, oi, Yuka. E então, alguma novidade?

– Na verdade, eu tenho sim. Conversei com uma amiga essa manhã, e falei um pouco sobre você.

Maxwell se espantou.

– Ah é? Que amiga?

– O nome dela é Yuu Asuka. Ela estava comigo naquela fatídica viagem.

Um filme passou na cabeça de Maxwell. Era a primeira vez que Yuka mencionava o nome de Yuu Asuka. Mas... Ele a conhecia perfeitamente!

Na quarta lembrança de Maxwell, ela havia se oferecido para ir até seu apartamento e contar sobre o cruzeiro. Mas acabou sendo assassinada naquela noite, em seu próprio apartamento.

O que isso queria dizer?

– Maxwell, você está aí? — Perguntou Yuka.

– S... Sim, estou, desculpe.

– Então... Ela vai passar alguns dias aqui em Tóquio, e pensou em te fazer uma visita. Talvez ela possa te ajudar.

Fazer uma visita? Será possível que tudo aquilo que aconteceu no pesadelo de Maxwell podia se tornar realidade?

– Não!! — Gritou Maxwell.

– ...Maxwell? — Perguntou Yuka, confusa.

– Digo... Eu acho melhor não envolver mais pessoas nesse caso... Talvez eu fale com ela, mas apenas como amigo.

– Hum... Tudo bem então. Até outra hora.

– Até.

Maxwell desligou, em pânico.

– Yuu Asuka... Eu nunca ouvi esse nome, exceto naquele pesadelo que tive após o ataque no beco... Será possível que... Haja alguma ligação com a realidade?

Só havia uma coisa a fazer.

– ...É isso! Eu vou encontrar aquela figura misteriosa! E vou conseguir respostas!

Eram seis e meia da tarde, e Maxwell se aproximou do ginásio. Ao checar os portões, notou que estavam abertos.

– Estão abertos... Será que a tal pessoa já está me esperando lá dentro...?

Maxwell empurrou os portões, e se preparou para entrar.

O ginásio possuia um ringue de formato retangular. No centro haviam as letras "VG". o ringue era cercado pela arquibancada, formada por uma grande escadaria. Haviam dois telões pendurados pelo teto, um de cada lado.

– Então é aqui... Onde o torneio acontece? — Perguntou Maxwell.

Quando olhou para o ringue, Maxwell levou um susto. Estava lá. A mesma figura encapuzada que havia lhe atacado na noite anterior. Maxwell se concentrou, e correu até o ringue, parando apenas a alguns passos da tal figura.

– É você!! Nós nos encontramos no beco ontem, não é?!

A figura não respondeu.

– Eu falei com você... — Disse Maxwell, perdendo a paciência — O que são aquelas memórias que você injetou em mim?! Responda!

Lentamente, a figura colocou as mãos em seu capuz, e o retirou.

O que surgiu na frente de Maxwell era uma garota aparentemente da mesma idade de Manami. Seus cabelos eram longos e prateados. Seus olhos tinham um tom acinzentado. Maxwell se surpreendeu com o que viu.

– Você parece surpreso... — Disse a garota.

Maxwell riu.

– Você não tem cara de ser o vilão assustador que eu estava esperando.

– Entendo... Está desapontado?

– Não, apenas surpreso... Mas isso não vem ao caso.

A garota se aproximou.

– Você quer saber o que são aquelas lembranças, não é?

– Sim. Por que eu me lembrei disso tudo? Eu nunca matei Yuka, e muito menos estou morto. Eu estou vivo. Todos os meus amigos estão! Nada daquilo aconteceu!

A estranha garota se virou e começou a falar, de costas para Maxwell.

– No universo existem o que chamamos de "Fragmentos".

– Fragmentos? — Perguntou Maxwell, confuso — O que são eles?

– Eu tentarei explicar da forma mais simples possível. Imagine sua vida. O mundo em que você vive. Tudo isso está dentro de um Fragmento.

Maxwell tentou raciocinar.

– Então, em outras palavras, Fragmentos são como Universos?

– Não exatamente. Fragmentos são como se fossem cópias do mundo real. Digamos que em cada Fragmento existe um "Maxwell" tentando resolver um assassinato. Esse caso é o mesmo em todos os Fragmentos, mas o desfecho da história é diferente em cada um deles.

Naquele momento, Maxwell sentiu como se estivesse entendendo.

– Você quer dizer que cada lembrança que eu tive ocorreu em um dos Fragmentos...? E que nesse momento, estamos em um deles?

– Exato. — Disse a garota, com um leve sorriso.

Maxwell sorriu.

– Então, posso dizer que em quatro Fragmentos desse mundo, eu falhei na minha tentativa de proteger meus amigos e resolver esse crime... Quantos fragmentos existem?

A garota fechou os olhos.

– Milhões... Imagine um universo em que cada Fragmento seja uma estrela.

– Hum... Eu tenho duas perguntas... A primeira é: Como você sabe disso tudo? E a segunda é: Por que eu deveria acreditar em você?

A garota se virou para Maxwell.

– Então você duvida que minha história dos fragmentos seja verdadeira... Quer fazer um teste?

– Teste...? Como assim?

– Bem... Primeiramente, eu gostaria que você me desse um nome. Não poderá passar o tempo todo se referindo a mim como uma pessoa qualquer.

– Não seria mais fácil se você me revelasse seu nome?

– Eu farei isso se você vencer o teste.

Maxwell baixou a cabeça.

– Então, tudo bem... Eu vou te chamar de "Luna" por enquanto.

– Hum... Eu gosto desse nome. Que seja assim, então.

Luna se aproximou de Maxwell.

– Você ainda se lembra de todos os Fragmentos, não é?

– Impossível me esquecer... — Respondeu Maxwell.

– Se você raciocinar bem... Vai descobrir algo importante sobre eles.

– E o que seria?

– Você vai notar que o assassino misterioso é sempre a mesma pessoa, em todos os Fragmentos. Em outras palavras, quem assassinou seus amigos naquelas memórias, também é o assassino em nosso mundo. É uma regra que não muda.

Maxwell se espantou.

– Então... Você está me desafiando a encontrar o assassino?!

– Sim... Acha que pode fazer isso usando todas as lembranças que eu lhe dei?

Maxwell começou a pensar.

– Muito bem... Parece que não tenho escolha. Eu aceito seu desafio!