Variable Geo: Exile
9 Investigação - Parte 3
Após ajudar Akira a levar o corpo de Takigawa para o carro, Yuka e Maxwell andavam pelas ruas escuras de Tóquio.
– Você... Está bem? — Perguntou Maxwell.
– Estou... — Respondeu Yuka — Acho que não podemos fazer mais nada.
Ao se aproximarem do restaurante de Yuka, ambos pararam.
– Yuka... Eu quero que você saiba de uma coisa... Eu vou descobrir quem fez isso. Não importa se eu tenha que passar noites em claro, e dedicar todo o meu tempo às pesquisas... Eu vou pegar esse assassino. Eu não sei se são apenas um, dois, ou que seja toda uma organização criminosa! Eu vou encontrá-los!
Yuka olhou fundo nos olhos de Maxwell, mas não encontrou palavras para se expressar.
Então, lentamente, ela abriu a porta do restaurante.
– Chiho... Manami, Satomi... Chegamos! — Gritou Yuka.
Ninguém respondeu. O lugar estava em silêncio. Um silêncio que parecia... Incômodo.
– Satomi?! — Gritou Maxwell — Onde você está?
Yuka caminhou até próximo ao balcão do restaurante.
– Pra onde elas foram...? — Perguntou Maxwell — Espero que a Manami não tenha pensado em pregar uma peça na gente, porque não teria...
– A... Aaah!!!
Yuka gritou. Imediatamente, Maxwell correu até ela.
– Yuka!! O que aconteceu...?
Quando Maxwell olhou para o outro lado do balcão, entendeu o motivo do grito de Yuka.
Manami estava sentada, encostada no balcão. Estava com os olhos abertos, em uma expressão de pavor. Uma faca estava cravada em seu peito.
Não havia dúvidas. Ela havia morrido da mesma forma que Takigawa.
– M... Mana... — Yuka não tinha forças para terminar a palavra.
– Essa não... Satomi, Chiho! Onde vocês estão?! — Gritou Maxwell. A falta de resposta o incomodava.
Maxwell correu até a porta que levava para a cozinha. Ao abrí-la, acendeu a luz, e outra cena o aterrorizou.
No fundo da cozinha. Encostada na parede. De olhos fechados. Com uma faca cravada no estômago. Lá estava Chiho.
– Não... Isso não está acontecendo! Tem que ser mentira! — Disse Maxwell, desesperado.
Yuka sentou-se em uma das mesas, com as mãos na cabeça. Maxwell passou por ela sem dizer nada. Correu até a porta que levava para a dispensa, e a abriu.
Ao observar, notou que perto de um grupo de caixas era possível ver dois pés. Ele não tinha dúvidas de que era Satomi. E também já tinha uma idéia do que ia encontrar.
Exatamente. Satomi também estava morta. Sentada, apoiada na parede, atrás daquele grupo de caixas. Uma faca cravada em seu peito. Estava com os olhos fechados.
– Não... Não!
Maxwell correu de volta para a área principal do restaurante, onde Yuka continuava sentada. Se aproximou lentamente, e sentou-se na mesma mesa que ela.
– Estão... Todas mortas, não estão? — Perguntou Yuka, numa voz baixa e sofrível.
– ... Sim...
Maxwell esfregou sua cabeça.
– Maldito... Maldito seja... Eu quero matá-lo, Yuka... Eu quero matar quem fez isso!
Imediatamente, Maxwell levantou-se.
– Vamos... Eu acho que é perigoso ficar aqui.
– Eu não vou a lugar algum. — Disse Yuka, numa voz assustadoramente fria.
Maxwell virou-se.
– Mas... O que está dizendo?
Yuka levantou-se.
– Eu sabia que esse dia ia chegar... Eu não sabia quando, mas...
Maxwell estranhou Yuka.
– Desde aquele maldito dia... Cedo ou tarde, eu causaria a morte de minhas amigas.
Maxwell tinha uma noção do que ela estava falando. E falou com voz firme.
– Está falando do cruzeiro?
– Sim... Desde aquele dia... Aquele acidente... É como se a morte estivesse me seguindo! Eu sinto isso!
O acidente do cruzeiro Venus... Poderia Yuka... Ter causado-o?
– Eu não sei que diabos aconteceu naquele cruzeiro. Você não precisa me contar. Mas não foi culpa sua!
– Cale-se! — Gritou Yuka — Se você não sair daqui... Vai acabar sendo o próximo... Eles vão te pegar...
– Eles?! — Perguntou Maxwell assustado — Eles quem?! Você vai me contar o que aconteceu naquele cruzeiro ou não?!
Yuka começou a ficar furiosa. Uma luz vermelha começou a surgir em sua mão direita.
– Já chega! Eu vou te levar pra fora daqui nem que tenha que te arrastar! — Disse Maxwell.
– Não se aproxime de mim!! — Gritou Yuka.
Yuka esticou seu braço direito e disparou uma enorme quantia de energia em Maxwell. Com o impacto, ele foi arremessado pela janela, quabrando-a, e caindo no meio da rua, inconsciente.
Maxwell acordou. Estava no sofá da delegacia. Ele pôde rapidamente conhecer o local.
– Até que enfim acordou, heim? — Perguntou uma voz familiar.
– ...Akira? — Perguntou Maxwell, sentando-se.
– Sim, eu mesmo. — Respondeu Akira, que estava sentado, preenchendo um papel numa mesa.
– Como... Como eu vim parar aqui?
– Um carro te encontrou desmaiado no meio da rua. Um homem ligou para nós, e fomos te buscar. Você está bem?
Maxwell colocou a mão em seu peito, sentindo um pouco de dor.
– Estou... Mas... Eu não consigo entender.
Takamura saiu de uma das salas.
– Takamura? Aconteceu alguma coisa? — Perguntou Akira.
Takamura suspirou.
– Ligaram do restaurante da senhorita Takeuchi... Parece que houve um massacre por lá...
Maxwell concordou.
– Sim... Chiho... Manami... Satomi... Todas mortas... Maldição!! O que está acontecendo nessa cidade!
Takamura voltou a falar.
– E agora... Foi confirmada a morte de Yuka Takeuchi.
Maxwell levou um susto.
– Y... Yuka morreu?!
– Sim... Com isso, são cinco mortes confirmadas nessa noite. E não conseguimos fazer nada para evitar. — Disse Takamura, voltando para sua sala.
Maxwell caiu deitado no sofá.
– Maxwell... Eu não vou te questionar sobre o que aconteceu, mas... Quem te atacou no restaurante? É só o que quero saber.
– Yuka. Ela estava meio fora de si... Todas as suas amigas foram mortas... E eu não pude fazer nada.
Akira levantou-se.
– A propósito, Maxwell... Descobri algo interessante.
– O quê...? — Perguntou Maxwell, pouco interessado.
– Lembra que você me pediu para pesquisar sobre o cruzeiro Venus? Eu encontrei algumas coisas.
Akira pegou um dos cadernos que estava em sua mesa.
– Primeiramente... Uma das participantes era Yuka Takeuchi.
– Sim, eu já sabia disso... — Disse Maxwell, ainda deitado.
– E, coincidência ou não... Takigawa era o comentarista principal do evento.
Maxwell olhou espantado para Akira.
– ...O que você disse? O amigo de Yuka...?
– Ele mesmo. Parece que no dia do acidente, ele também escapou de lá.
Akira colocou o caderno na mesa de centro.
– Se quiser ler, aqui está. A propósito, pode dormir aqui se quiser. Não quero ser pessimista, mas com tantos corpos aparecendo nessa noite... Eu ficaria num local seguro.
Akira retirou-se da sala.
Numa manhã, Maxwell encontrava-se segurando um buquê de flores na beira de um abismo em frente ao oceano, onde havia um túmulo.
Quando se aproximou, leu o nome... Yuka Takeuchi. A data da morte... Dois dias atrás.
– Yuka...
Maxwell deixou as flores no pé do túmulo.
– Eu não consegui te proteger no fim das contas. Mas eu não esqueci minha promessa... Vou descobrir quem te matou. Vou descobrir quem matou todo mundo. E então... Eu vou matá-lo... Vou levá-lo direto para o Inferno.
Maxwell olhou para o horizonte, onde o sol começava a se levantar.
– Hoje começa mais um dia... E até que ele acabe... Eu posso resolver essa situação de uma vez por todas!
Após olhar novamente para o túmulo, agora com as flores, Maxwell se virou e foi embora.
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