Variable Geo: Exile
10 Acusação - Parte 1
Maxwell, Yuka e Manami se reuniram no restaurante de Yuka após o mesmo fechar. Os três jogavam cartas em uma das mesas.
– Ganhei! — Gritou Maxwell jogando sua última carta.
– Ei!! Isso não é justo! Eu nunca perderia para um novato como você! — Gritava Manami, inconformada.
– Mais sorte na próxima, Manami... — Zombou Maxwell.
– Que tal tentarmos um outro jogo? Um que seja mais fácil para ganharmos? — Sugeriu Yuka.
– Hehehe... Vamos ver se funciona! — Disse Maxwell.
Naquele instante, um som de celular soou pelo restaurante.
– Oh, desculpem! — Disse Maxwell atendendo — Alô?
Alguns segundos de silêncio se seguiram.
– Yuka, tem algum lugar que eu possa atender por aqui?
– Claro! Ali, na dispensa. — Respondeu Yuka.
– Com licença. — Maxwell foi até a dispensa.
Manami começou a mexer nas cartas de Maxwell.
– O que está fazendo? — Perguntou Yuka.
– Me certificando que ele estava jogando limpo! Hum...
Na dispensa, Maxwell continuou sua chamada.
– Pois não, Akira? Alguma novidade?
– Sim, Maxwell! Lembra daquele pedido que você me fez?
– Sobre o Cruzeiro Venus? Lembro!
– Então... Eu te mandei um e-mail nesse minuto... Com a lista das participantes.
Maxwell não achava aquilo grande coisa.
– E... O que você sugere?
– Talvez você consiga contato com alguma delas... Se não quer tocar no assunto com sua amiga, talvez alguém que também esteve lá possa te ajudar.
Tinha lógica. Maxwell não queria comentar com Yuka, pois sabia que ela não se sentia bem falando sobre o Cruzeiro Venus.
– Ok... Eu vou ver o que faço. Obrigado, vou checar o e-mail assim que estiver em casa!
Após a ligação, Maxwell voltou para suas amigas.
– Mas... O que está fazendo?! — Perguntou Maxwell.
Manami parecia estar contando as cartas.
– Ela quer se certificar de que você não trapaceou somando ou retirando cartas do baralho. — Disse Yuka.
Chegando em casa, Maxwell jogou sua jaqueta na cama e foi até o computador.
Estava lá. O e-mail que Akira havia lhe mandado. Havia uma lista com todas as lutadoras que estavam presentes no torneio que ocorreu no Cruzeiro Venus.
– Hum... Aqui tem os restaurantes em que elas trabalham... Eu vou ter que pesquisar um pouco.
Maxwell procurou pelo telefone de cada um dos restaurantes, e anotou em um bloco de notas.
– Ok... Vamos ver se isso vai dar certo!
No dia seguinte, Maxwell pegou seu bloco de notas, e checou o primeiro nome da lista.
– Aqui vou eu...
A linha tocou por algumas vezes, até que uma voz masculina atendeu.
– Alô?
– Alô... Aqui é Maxwell, da polícia de Tóquio... Eu gostaria de falar com a senhorita Yuu Asuka.
Houve um silêncio por alguns segundos. Maxwell desconfiava que a pessoa do outro lado da linha estava procurando por Yuu.
Alguns segundos depois, uma voz feminina atendeu.
– ...Alô?
– Alô, senhorita Yuu Asuka?
– ...Sim, sou eu mesma.
Bingo! Maxwell conseguiu contato na primeira tentativa!
– Aqui quem fala é Maxwell da polícia de Tóquio. Eu estou investigando um crime que ocorreu alguns dias atrás.
– Hum... Acho que eu cheguei a ouvir algo a respeito... — Disse Yuu.
– Pois bem... Eu estou precisando de algumas informações sobre o Cruzeiro Venus...
Naquele mesmo instante, fez-se alguns segundos de silêncio. Maxwell chegou a ficar apreensivo.
– ...Senhorita Asuka?
– Sim, me desculpe... É que...
– Se não quiser falar, eu entendo... — Disse Maxwell, embora na verdade ele queria muito ouvir algo.
– Não, não... Eu posso falar... Mas não agora... Estou no meu horário de trabalho.
– Oh, sem problemas. Não se preocupe, eu só preciso juntar informações sobre o torneio, para tentar chegar ao fundo desse caso.
– Só por curiosidade... Tem mais alguém do torneio envolvido nesse caso?
Maxwell estranhou a pergunta.
– Bem... Eu conversei com mais algumas lutadoras.
– Você... Falou com Yuka Takeuchi?
Yuu conhecia Yuka?
– S... Sim, eu falei com ela. — Respondeu Maxwell.
Houve uma pausa, até que Yuu começou a falar.
– Você pode me passar um endereço para contato? Eu quero conversar com você pessoalmente.
Aquilo pegou Maxwell de surpresa.
– Hum... Tudo bem...
– Eu saio do trabalho às cinco da tarde. Então, acho que estarei aí por volta das seis horas.
– Sem problemas.
Após terminar a conversa, e desligar o telefone, Maxwell levou alguns segundos para entender o que havia acontecido.
– Ela vem pra cá... Falar comigo pessoalmente sobre o Cruzeiro...? Foi mais fácil do que eu pensava!
– Yuu Asuka?! — Gritou Yuka espantada.
Maxwell, Yuka, Satomi, Chiho e Manami estavam fazendo uma espécie de piquenique, em um dos parques de Tóquio.
O clima calmo ajudava até mesmo a aliviar conversas que envolviam uma investigação criminal.
– Sim. — Respondeu Maxwell — Conversei com ela essa manhã. Parece que esta tarde ela vem na minha casa.
– Yuu foi sua amiga naquele cruzeiro, não é mesmo, Yuka? — Perguntou Chiho.
– Sim... — Respondeu Yuka, calmamente.
Maxwell pegou um dos biscoitos que estavam numa cesta.
– Vou tentar conversar o máximo possível com ela. Preciso de informações que possam levar esse mistério para algum caminho.
– Maxwell, eu... Sinto muito por não conseguir falar sobre aquele dia... — Disse Yuka, abaixando a cabeça.
– Eu sei que é difícil pra você, Yuka. Mas não chamei Yuu apenas para que ela me contasse sobre aquele dia. Eu quero conversar com mais participantes do torneio.
Yuka acenou positivamente.
– Eu tenho certeza que ela vai ser bem útil para você.
– Ah, a propósito... Eu queria que a visita dela ficasse apenas entre nós, Ok? Eu acho que não tem problemas se mais pessoas ficarem sabendo, mas como policial, acho que é melhor preservar a privacidade dela, tudo bem?
Todas concordaram.
– Pode deixar! Ninguém aqui vai falar nada! — Disse Manami.
– A visita dela ficará entre nós e quatro paredes! — Concluiu Satomi.
– Obrigado! Vocês são grandes amigas! — Disse Maxwell.
Dito isso, o piquenique prosseguiu.
A noite se aproximava, quando um táxi parou na frente do prédio de Maxwell. Uma jovem desceu e se aproximou da entrada.
– É ela! — Disse Maxwell, que percebeu que alguém estava se aproximando de seu apartamento.
Alguns segundos depois, batidas foram ouvidas na porta. Imediatamente, Maxwell a abriu.
– ...Olá. — Disse a moça.
– Oh, olá... Senhorita Yuu Asuka, eu presumo?
– Sim, sou eu mesma. E você é... Maxwell, o policial?
– Exatamente! Entre!
Maxwell fez um gesto para que Yuu entrasse.
– Eu vi na TV que o tempo vai ficar feio essa noite, então talvez tenhamos que ser rápidos. — Disse Maxwell.
Maxwell acompanhou Yuu até a sala, onde sentaram-se no sofá. Em seguida, a conversa se iniciou.
– Ok, Yuu... Acho que você ficou sabendo sobre o assassinato que ocorreu alguns dias atrás, não é?
– Eu vi os detalhes... Parece que uma jovem foi assassinada em seu apartamento com uma espécie de veneno aplicado em seu corpo. É isso?
– Sim. E, junto com ela, havia isso.
Maxwell pegou o cartão V.G. que estava em seu bolso. Yuu ficou espantada.
– Isso é...
– Sim... Um cartão Variable Geo. Infelizmente, parece que ninguém por aqui a conhecia.
– Você sabe... O nome dela?
– Ontem a noite eu recebi uma ligação de meu colega de trabalho. Seu nome era Ayumi Mayo.
Yuu fez uma cara de decepção.
– Infelizmente... Eu também não a conheço.
– Imaginei. Parece que ela era apenas uma repórter.
– Uma repórter? Então por que ela tinha um cartão Variable Geo? — Perguntou Yuu.
– É um dos mistérios que eu tenho que resolver.
Maxwell pegou um bule de chá que estava na mesa, e começou a preparar duas xícaras. Do lado de fora da janela, relâmpagos começavam a surgir, indicando que a chuva se aproximava.
– Eu conversei com algumas participantes do torneio — Continuou Maxwell — Yuka, Satomi, Chiho e Manami... Falei com todas elas, mas infelizmente não consegui muitas informações.
Maxwell entregou uma xícara de chá em um pires para Yuu.
– Mas tem uma parte da história... Que ainda não consegui muitas informações. E é nisso que você pode me ajudar.
Yuu parecia previr o que estava vindo.
– Você fala... Daquele navio?
– Exato! O Cruzeiro Venus. Eu sei que houve um acidente naquele navio. Tentei informações com Yuka, mas ela parece se sentir mal ao lembrar disso.
Yuu baixou a cabeça.
– Eu a entendo...
– Então... Você pode me ajudar?
Yuu fez uma pausa.
– Eu posso contar... O que eu sei da história. Tem coisas que aconteceram naquele navio, que nem mesmo eu, que estava lá, consigo explicar.
Aquilo já era algo.
– Sei que o que você me disser será de grande ajuda, independente de quanta informação seja.
Yuu tomou um pouco do chá.
– Então... Eu vou te contar o que descobri no dia em que estive no Cruzeiro...
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