Variable Geo: Exile
13 Acusação - Parte 4
O carro da polícia parou na entrada do parque.
– Aqui é o máximo que podemos ir de carro. — Disse Takamura.
– Já é o bastante. — Disse Yuka, retirando o cinto.
Yuka, Takamura, Satomi e Akira desceram do carro. Takamura abriu o porta-malas e retirou quatro lanternas.
– Aqui, peguem. Vai estar escuro se tivermos que entrar na floresta.
Cada um pegou uma lanterna.
– Na entrada do lago, a trilha se divide em duas. Parece clichê de filme de terror, mas vamos ter que nos separar. Yuka, você vem comigo. Nós vamos pela direita. Akira, você e Satomi pegam a trilha da esquerda. Se entrarem na floresta, liguem as lanternas imediatamente. Não fiquem no escuro. Pode ser perigoso. Akira e eu estamos armados, então fiquem próximos. — Completou Takamura.
– Entendido. — Disse Akira.
O portão do parque estava trancado com um cadeado e uma corrente. Talvez Maxwell havia pulado? Em todo caso, Takamura pegou um grande alicate do porta malas do carro e cortou a corrente, abrindo o portão em seguida.
Ninguém conseguia esconder um certo medo. O parque, que durante a manhã é alegre e divertido para toda a família, parecia incrivelmente assustador durante a noite. Ainda mais levando em consideração o que havia acontecido nos últimos dias.
– Vamos! — Ordenou Takamura.
Os quatro entraram no parque. Após alguns poucos minutos de caminhada, encontraram o grande lago, e como Takamura havia dito, a estrada se dividia em duas.
– Ok, é aqui que nos separamos. Yuka, você vem comigo. — Disse Takamura.
– Entendi... — Disse Yuka, se aproximando de Takamura.
– Então, você vem comigo, Satomi. — Disse Akira.
– Tudo bem.
As duplas se juntaram.
– Lembrem-se: Daqui a uma hora nos encontramos de novo nesse local, caso ninguém tenha encontrado Maxwell. Ao entrar na floresta, liguem as lanternas imediatamente.
Todos concordaram. As duplas seguiram seus caminhos.
Yuka e Takamura se aproximavam da floresta. Takamura acendeu sua lanterna. Yuka fez o mesmo em seguida.
– Está muito escuro... — Comentou Yuka — Será mesmo que Maxwell está por aqui?
– A menos que ele tenha mentido... Mas não acho que tenha motivo para isso. — Respondeu Takamura.
Os dois caminharam por alguns segundos. De repente, Yuka parou.
– Yuka? O que aconteceu? — Perguntou Takamura.
– Eu... Pensei ter visto alguma coisa... Atrás daquela árvore.
Yuka apontou com seu dedo para uma certa árvore que estava apenas a algum passos de distância. Takamura mirou a lanterna para a direção.
– Maxwell, é você? — Perguntou Takamura.
Não houve resposta.
– Será que... Eu vi demais? — Perguntou Yuka.
– Geralmente, em locais escuros e em situação desconfortante, costumamos distorcer nossa percepção. — Respondeu Takamura.
Se você está de dia em uma casa iluminada, uma cortina se movendo é rapidamente julgada como uma reação ao vento. Mas, se você está assustado, em um local escuro, a mesma cortina se movendo pode ser algo aterrorizante.
– Só por garantia, eu vou checar. — Disse Takamura, caminhando rapidamente para a árvore.
Takamura foi atrás da árvore, e mirou a luz da sua lanterna em todas as direções. Mas não havia nada.
– Droga... Essa floresta parece infinita... — Comentou Takamura.
De repente, ele ouviu Yuka gritar. Assustado, voltou até ela, que estava com as mãos na cabeça.
– Yuka?! O que houve?!
– Eu vi... Alguém! — Disse Yuka, assustada.
Takamura mirou a lanterna para a direção em que ela olhava.
– Quem? Onde estava?
– Eu não sei quem era... Ele correu por trás daquelas árvores... Dessa vez eu tenho certeza!
Takamura correu na direção.
– Então vamos, pode ser o Maxwell!
– Espera! — Disse Yuka segurando-o pelo ombro — E se não for ele?
Takamura se assustou.
– ...O que quer dizer?
– Eu não consegui ver direito... Pode ser alguém perigoso.
Takamura pegou sua arma.
– Vamos... Não saia de perto de mim!
A floresta parecia um labirinto infinito de árvores. Satomi e Akira estavam incomodados com a calmaria.
– Acha que ele não está aqui? — Perguntou Satomi.
– Eu não sei... Não vejo um motivo pra ele nos atrair pra cá a toa. Em todo caso, não podemos descartar seu estado mental. — Respondeu Akira.
Os dois viravam as lanternas de um lado para o outro, mas não viam nada além de árvores.
– Até onde eu sei, essa floresta forma um círculo ao redor do lago. Então, podemos acabar encontrando nossos amigos qualquer hora. — Disse Akira.
– Espero que eles tenham mais sorte do que nós... — Comentou Satomi.
Enquanto isso, Takamura e Yuka continuavam perseguindo a misteriosa figura.
– Não adianta... Não dá pra saber em que direção ele foi. — Disse Takamura.
Takamura parou no meio da trilha, e cruzou os braços. Yuka parou em seguida.
– O que podemos fazer? — Perguntou Yuka.
– É complicado responder... Talvez seja melhor procurarmos nossos amigos e contarmos o que você viu. Talvez...
Algo quase inacreditável aconteceu. Enquanto Takamura falava, um disparo foi ouvido. O mesmo foi atingido na orelha direita, e desabou imediatamente. Em menos de um segundo, já não havia mais vida em seu corpo.
Yuka viu o policial morto no chão e entrou em pânico. Numa reação desesperada, acumulou energia em suas mãos e disparou na direção de onde a bala que atingiu Takamura veio. Foi inútil. Seu disparo foi interrompido por uma árvore qualquer que estava no caminho.
Não havia ninguém naquela direção. Seja lá quem atirou, já havia desaparecido. A lanterna e a arma de Takamura estavam caídas no chão. Yuka observou o corpo por alguns segundos.
– ...Desculpe... Eu vou pegar isso.
Yuka pegou a arma de Takamura, e checou as munições. Já não era mais possível saber o que era Norte, Leste, Sul ou Oeste naquela floresta. Então, Yuka seguiu uma direção qualquer.
Enquanto isso, Akira e Satomi estavam desesperados.
– Eu tenho certeza! Isso foi um tiro! — Disse Akira.
– Será que... Alguém foi atingido? — Perguntou Satomi.
– Se não foi um disparo acidental, certamente foi com a intenção de matar. Vamos, não podemos ficar parados aqui.
Os dois correram em meio a floresta. Após alguns segundos, Akira parou.
– Espere! Você está ouvindo?!
– Sim! Tem alguém correndo na nossa direção.
Akira se preparou para puxar seu revólver. Após alguns instantes, Yuka surgiu na frente deles, apontando a arma.
– Yuka!! — Gritou Satomi.
Yuka respirava com dificuldade. Quando percebeu que eram seus amigos, guardou o revólver.
– Nós ouvimos um tiro. O que aconteceu?! — Perguntou Akira.
– Takamura... Foi morto... — Disse Yuka.
Akira se assustou.
– O... O quê?! Quem fez isso?!
– Eu não sei... Não dava pra ver ninguém...
– Maldição! — Gritou Akira — O que está acontecendo nessa droga de cidade?!
Os três tentavam raciocinar.
– Ok, a partir de agora não vamos mais nos separar. Vamos ficar juntos! — Sugeriu Akira.
Todos concordaram.
Alguns minutos se passaram. Akira já não sabia se estava procurando Maxwell ou a saída da floresta. Mas naquela altura, qualquer coisa era o suficiente.
– Eu quero ir pra casa... — Disse Satomi.
– Nós vamos conseguir, não se preocupe! — Disse Yuka, tentando acalmar a amiga.
Naquele momento, Akira suspirou aliviado.
– Graças aos céus!!
Na sua frente, estava a trilha da entrada do lago. Era a saída daquele inferno.
– Conseguimos! — Gritou Akira, comemorando.
Yuka e Satomi sorriram de felicidade.
– Finalmente!! Vamos embora! — Disse Yuka.
Akira se virou para elas, também alegre.
A felicidade durou pouco. Outro disparo foi ouvido. Felizmente, o mesmo não atingiu ninguém. Imediatamente, Akira e Yuka sacaram suas armas.
– Quem... Quem fez isso?! — Perguntou Akira.
Ao olharem na direção do disparo, todos se surpreenderam. Lá estava Maxwell, apontando sua arma para eles.
– ...Maxwell! — Disse Akira mirando para o amigo.
– ...Vocês?! O que fazem aqui?! — Perguntou Maxwell, demonstrando surpresa.
Akira se aproximou de Maxwell, sem abaixar sua arma.
– Você nos atraiu para cá, e agora Takamura está morto! Você o matou, não foi?!
Maxwell estranhou.
– Do que diabos está falando? Takamura está morto?!
– Não tente nos enganar, Maxwell! Foi você, não foi?!
– Não! Eu não sei de nada!
Akira começou a ficar nervoso.
– Nós recebemos sua ligação! Viemos aqui para te ajudar. E agora, você está tentando nos matar!
– Não!! Eu não fiz nenhuma ligação! Cheguei aqui no parque algumas horas atrás, tentando relaxar minha mente! Você sabe que as coisas andam meio difíceis pra mim!!
Era difícil acreditar no que Maxwell dizia.
– Eu não posso acreditar no que estou ouvindo... — Disse Akira.
– Mas é a verdade! Você tem que confiar em mim!
Yuka começou a falar.
– Espera um pouco... Você atirou em nós!
– Eu não sabia quem era! — Disse Maxwell — Eu ouvi um disparo, e quando vi alguém na minha frente, não pude raciocinar direito. E eu não atirei para matar!
Maxwell sabia atirar muito bem. Era um policial treinado para isso. Jamais ele erraria naquela distância.
– Então... Você quer dizer que tem mais alguém nessa floresta? — Perguntou Satomi.
– É o que parece! Mas, de uma coisa eu sei: Não fui eu quem matou Takamura! Eu nem sequer sabia que ele estava morto!!
Akira guardou sua arma, e gesticulou para que Yuka fizesse o mesmo. Quando percebeu que o clima estava ficando pesado, e um assassinato havia ocorrido alguns minutos atrás, Akira resolveu aliviar a situação.
– Maxwell... Eu vou te dar o benefício da dúvida. Vamos sair desse parque, e depois conversamos melhor.
Maxwell concordou, e todos caminhavam para a saída do parque.
Quando Akira se preparou para abrir o portão, todos foram surpreendidos por mais um disparo.
– A... Aahh! — Satomi gritou.
No momento em que todos se viraram para Satomi, que era a última do grupo, entraram em choque. Ela estava ajoelhada, aparentemente sentindo muita dor. Até que caiu de frente para o chão.
O disparo parecia ter vindo da trilha reta que seguia até o lado. Mesmo assim, não havia ninguém naquela direção. Alguns segundos depois, Satomi já estava morta.
– Não... Não!! Satomi!! — Gritou Yuka.
Satomi foi atingida nas costas por um disparo fatal. Yuka tentou correr até a amiga, mas Maxwell a segurou.
– Calma, Yuka! Não podemos mais ficar aqui! É muito perigoso!
Yuka começou a chorar, mas Maxwell tinha razão. Não havia sinal de que havia alguém por perto, e ainda assim Satomi foi atingida.
– Rápido, vamos para o carro!
Todos correram na direção do carro que estava parado na frente.
No momento em que Akira abriu a porta do carro, outro disparo foi ouvido. Assim que ele e Yuka se viraram, outra cena horrível foi presenciada.
Maxwell caiu de cara no chão. Um tiro o acertou em cheio a parte de trás de sua cabeça, criando uma imagem apavorante.
– Mas que diabos!! — Gritou Akira — Rápido, Yuka, entre no carro!!
Ninguém mais sabia dizer o que estava acontecendo. Yuka entrou rapidamente no carro, e Akira pegou a direção.
Ao ligar o veículo, deu uma última olhada na entrada do parque. Ninguém estava lá. O que exatamente acabou de acontecer?
– Vamos, vamos!! — Disse Akira, acelerando.
Imediatamente, o carro partiu em disparada pela estrada.
– Eu não acredito no que acabei de presenciar... — Disse Akira — Três mortes em questão de minutos!
– Akira, cuidado!! — Gritou Yuka.
Akira não percebeu, mas havia entrado na contramão. Um ônibus se aproximava rapidamente do carro. Akira desviou rapidamente, mas perdeu o controle. O carro acabou caindo em um barranco.
Akira acordou após o choque. O carro havia caído do barranco, parando após bater em uma árvore.
Felizmente, Akira não sofreu ferimentos graves. Após reganhar sua consciência, procurou por Yuka. Não havia ninguém ao seu lado.
– ...Yuka?! Pra onde você foi?!
Akira retirou o cinto, abriu a porta do carro e saiu. O matagal estava escuro, então tirou sua lanterna do bolso, e mirou a luz em todas as direções possíveis.
– Yuka!! Onde está você?! — Perguntou enquanto caminhava.
Quando chegou próximo a algumas árvores, notou que havia alguém sentado no chão.
– Yuka! É você?!
No momento em que se aproximou, Akira levou um choque: Yuka estava viva, porém apontando uma arma para sua própria cabeça, enquanto respirava com dificuldade.
– Yuka!! O que está fazendo?!
Yuka começou a falar, enquanto chorava.
– Estão mortos... Minha melhor amiga, e o Maxwell morreram... Eu não posso aguentar isso...
Akira se aproximou lentamente.
– Acalme-se... Foi um ataque. Nós não podíamos fazer nada para evitar.
– E agora acabou... Se ao menos eu tivesse contado tudo para o Maxwell, ele não precisaria falar com a Yuu... E isso não teria acontecido.
– Não diga isso! Maxwell me pediu para investigar sobre o cruzeiro, e eu falei sobre as participantes! Ninguém aqui teve culpa do que aconteceu essa noite!
Yuka baixou a arma. Akira se aproximou lentamente, e a retirou.
– O que faremos agora? — Perguntou Yuka.
– Vamos continuar o que Maxwell havia começado. Precisamos descobrir quem está matando essas pessoas!
Akira estendeu sua mão para Yuka. Em seguida, a ajudou a se levantar.
– Vamos! Não há tempo a perder. Vamos vingar nossos amigos.
Após alguns segundos, Yuka concordou.
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