Variable Geo: Exile

14 Lembrança - Parte 1


Maxwell chegou na recepção da biblioteca.

– Com licença... Eu vim devolver isso aqui...

Em seguida, entregou ao bibliotecário o livro que Yuka havia lhe sugerido poucos dias atrás.

– Ei, Maxwell! Que surpresa! — Disse uma voz conhecida, se aproximando.

– Ah... Takigawa?

– Exato, sou eu mesmo. E então, como vão as coisas?

– Bem... Tirando as poucas informações que eu recebi sobre o caso... Acho que está tudo caminhando lentamente.

Takigawa acenou levemente com a cabeça.

– Entendo. E suas amigas? Conseguiram te ajudar com alguma coisa?

Maxwell pensou um pouco.

– Pra falar a verdade... Estou feliz somente por tê-las por perto. Elas me apoiam sempre que minha cabeça está confusa e minha mente começa a se cansar.

– Eu sei. Yuka e suas amigas são excelentes companheiras. Eu queria que todo mundo enxergasse mais esse lado delas.

Maxwell estranhou.

– Como assim?

– Você sabe, a maioria das pessoas as enxergam apenas como lutadoras que divertem o público em seus combates. Nada mais que isso. Poucos, como você, conseguem vê-las como pessoas dispostas a ajudar seus amigos.

As palavras de Takigawa faziam sentido. No Japão, o Variable Geo nada mais é do que um entretenimento para atrair a multidão. E muitos acabam ignorando o fato de que as lutadoras possuem seu lado humano.

– Isso parece meio triste. — Comentou Maxwell.

– Bem, não é nada que possamos mudar tão facilmente. Mas estou feliz por você não ser uma dessas pessoas.

Maxwell deu um leve sorriso.

– Bem, eu preciso voltar pra casa. Até outra hora. — Disse Maxwell, despedindo-se.

– Então, nos encontramos qualquer dia desses. — Respondeu Takigawa.

De volta em seu apartamento, Maxwell notou que havia algo em seu computador.

– Hum? O que é isso? Alguém me mandou um e-mail?

Rapidamente, sentou-se na cadeira e clicou no e-mail.

– ..."Maxwell, preciso falar com você. Encontre-me hoje à uma da madrugada no beco do cinema. É sobre seu caso. Venha sozinho."

Não havia um nome no e-mail.

– Mas que brincadeira é essa? Quem seria louco pra chamar alguém para um encontro em um beco essa hora?

Quando estava prestes a deletar o e-mail e ignorá-lo, Maxwell parou pra refletir.

– Por outro lado... Como essa pessoa sabe meu nome?

Ao mesmo tempo em que era algo assustadoramente estranho, estava despertando a curiosidade de Maxwell.

– Droga... Eu tenho algumas horas pra pensar no que fazer... Devo contar isso para alguém?

Após pensar um pouco, Maxwell chegou a conclusão de que seria melhor não envolver ninguém no assunto. A tarde estava apenas começando, então ele teria um bom tempo para chegar a alguma conclusão.

De repente, alguém bateu na porta. Maxwell fechou o e-mail e foi atender. Quando abriu a porta, encontrou Satomi.

– Ah... Satomi! Entre!

Satomi entrou.

– E então? Como vai nosso mistério favorito? — Perguntou Satomi, sorrindo.

– Hum, nenhum progresso... Tudo que sabemos é o nome da vítima, e que ela era repórter. Mais nada.

Maxwell sentou-se no sofá, e convidou Satomi para sentar-se em seguida.

– Manami me contou que você tem uma coleção de mangás. Será que você pode me emprestar alguns? — Perguntou Satomi.

– Ah, aquilo? Era um velho hobby que eu tinha quando ainda morava nos Estados Unidos. Mas é claro, eu vou pegá-los para você. Espere só um momento.

Satomi sorriu, enquanto Maxwell se dirigiu para seu quarto. Quando foi até a estante pegar os mangás, uma frase horripilante passou por sua cabeça.

"E se estão pretendendo me assassinar?"

Naquele momento, os mangás quase caíram de suas mãos. Tentando conter o nervosismo repentino, voltou até Satomi.

– Aqui estão.

– Obrigada! — Disse Satomi pegando os mangás — Hum... Maxwell, você está bem?

Parece que Maxwell não conseguia esconder o nervosismo. Após alguns segundos, resolveu desabafar.

– Eu... Não posso esconder isso. Preciso te mostrar uma coisa, venha.

Maxwell foi até o computador e abriu o e-mail.

– Aqui, leia. Eu recebi isso hoje de manhã. Não há remetente.

Satomi foi até a tela do computador e leu o e-mail.

– Isso... É muito estranho. Não parece algum tipo de viral. Tem até seu nome.

– É isso que me assusta. Eu não sei o que essa pessoa quer comigo. Na verdade, não sei nem se é apenas uma pessoa.

– E... O que você pretende fazer?

– Eu ainda não sei. Tenho algumas horas pra decidir se vou ou ignoro.

Satomi pensou um pouco.

– E se eu for com você?

– Definitivamente não. Se for alguma coisa perigosa, você estará envolvida também. E eu não quero isso.

– Somos amigos, não somos?

As palavras de Satomi pesaram em Maxwell.

– Sim... E é por isso que eu não permitirei que você vá. Esqueça.

Satomi pensou um pouco.

– E se... Eu ficar apenas vigiando?

– Como assim?

– Você vai até o beco, e eu fico por perto. Se perceber que algo está acontecendo, farei alguma coisa. Ele, ou eles, não vão atacar alguém que está simplesmente pela rua, não é?

Havia certa lógica nesse raciocínio. Se alguém estava atrás de Maxwell, e o atraiu até o beco, não tem sentido atacar alguém irrelevante.

– Então... Tudo bem, mas tome muito cuidado.

– Pode deixar.

O dia correu naturalmente. Nem Satomi, nem Maxwell contaram para alguém sobre o ocorrido, deixando tudo em segredo.

Meia noite e quarenta e cinco. A hora se aproximava. Maxwell e Satomi viraram a esquina do cinema.

– Ei, vai ser mais fácil do que pensávamos. — Comentou Maxwell — Há algumas pessoas andando pela rua. Você poderá se camuflar bem fácil.

– Parece que a noite está a nosso favor.

Os dois se aproximaram do beco.

– Ok, é aqui que damos uma distância. Você sabe o que fazer, não é? — Perguntou Maxwell.

– Sim. Eu vou até o outro lado da rua, e pretendo que não estávamos andando junto.

– Sim.

Satomi pegou na mão de Maxwell.

– Boa sorte!

– Obrigado.

Em seguida, correu até o outro lado da rua. Maxwell esperou um pouco, e entrou no beco.

– Ainda faltam alguns minutos, mas... Vejamos o que vai acontecer.

Maxwell caminhou até o meio do beco, e encostou na parede ao lado de uma caçamba. Passou alguns minutos esperando.

– Hum... Oi? Alguém por aqui? — Arriscou Maxwell.

Do outro lado da rua, Satomi fingia observar a vitrine de uma loja de vestidos, obviamente já fechada. De tempo em tempo, olhava para o beco.

– Ok... Mais cinco minutos e eu estou indo embora.

De repente, Maxell pensou ter ouvido um barulho vindo de cima. Resolveu desencostar da parede e verificar.

Quando olhou para a direção de onde ouviu o som, não viu nada.

– O que foi isso...? Algum animal noturno?

Assim que Maxwell se virou, levou um susto. Uma figura humana, encapuzada apareceu em sua frente e o agarrou pelo pescoço.

– Mas... O quê?! Me solta!!

Na mesma hora, Satomi virou-se e viu a situação. Imediatamente, correu na direção do beco.

– Parado!! — Gritou Satomi.

A entidade, percebendo que Satomi estava com Maxwell, pegou rapidamente uma seringa de seu bolso.

– O... O que é isso?! — Perguntou Maxwell desesperado.

Imediatamente, a seringa foi aplicada no pescoço do Maxwell, que deu um leve grito.

– Não!! — Gritou Satomi.

Satomi fez um punho flamejante com sua mão e correu em direção a entidade, tentando socá-la. Porém, a mesma largou Maxwell e saiu correndo, numa velocidade quase sobre-humana.

Talvez era possível para Satomi alcançar aquela figura misteriosa, mas resgatar Maxwell era sua prioridade. O mesmo estava caído no chão, com a mão no pescoço.

– Argh... — Maxwell gemia, com a mão em seu pescoço.

– Maxwell!! Você está bem?! Maxwell!!