Vanity Fair

12 You're so dark


Notas iniciais
Não! Isso não é miragem! Leiam as notas finais, é importante! Ouçam a música do capítulo, amo de paixão ♥

Se tem algo que eu não podia reclamar na minha vida é da rotina.. A vida sempre foi um carrossel de emoções para mim. Cada dia uma coisa diferente, pessoas diferentes, lugares diferentes, desejos diferentes. O diferente era tão presente que se tornou comum. E em pouco tempo eu não almejava mais tudo. Eu só queria o sossego. Só queria sair de casa e não me deparar com paparazzi, só queria saber onde eu estaria em alguns meses, ou até mesmo amanhã. E então eu fui parando. Inconscientemente. Comecei a recusar mais, ser mais seleta, fazer só o que eu realmente queria. E de repente, por coincidência, ou destino, encontrei Carlisle. Conversamos e ele me ofereceu um emprego. E assim tudo mudou.

xxx

Dormir era uma das coisas que eu mais gostava. Era simplesmente reconfortante ter um lugar no qual eu pudesse recarregar todas as energias. Depois de uma das noites de sono mais intensas que eu tive, eu me levantei e tomei banho. Já passada das duas da tarde e provavelmente o almoço já teria sido servido há algum tempo e eu teria que comer sozinha, mas eu me sentia tão descansada que estava uns dois quilos mais leve.

Desci a escada ouvindo vozes vindas da sala de jantar e, aparentemente, todos haviam acordado bem tarde. Sentei-me na mesa ao lado de Emmett, que me perguntou sobre sua irmã. Foi ignorado. Assim como ignorei os olhares de Edward do outro lado da mesa. Eu não era obrigada. Não estava com vontade de estragar meu humor. Rosalie fazia planos de ir acampar. Emmett logo se voluntariou. Só ele, devo ressaltar. Mamãe e papai falavam sobre a próxima lua de mel. Eles viajariam hoje para Grécia. E eu comia pensando no que eu poderia fazer hoje.

Aos poucos todos foram saindo da mesa. Mamãe e papai, Rosalie e seu cãozinho. Me deixando acabando meu almoço com Edward medindo meus movimentos.

— Isabella… — Ele começou.

Continuei como se nada houvesse acontecido. Como se uma mosca tivesse zunido no pé do meu ouvido. Edward tinha sido um idiota e, até minha raiva passar, continuaria sendo uma mosca.

A comida estava deliciosa e melhorou um pouco meu humor. Estava tudo nos conformes. Levantei me juntando com os outros na sala. E assim que eu coloquei os pés nela, Alice chegou.

Com o cabelo molhado, o vestido do dia anterior e os sapatos na mão, a garota entrou como um cachorro culpado. Seus supostos donos, um de cada canto da casa, voaram até ela em busca de explicação. Seu sorriso bonito vacilou. Revirando os olhos, me meti entre os dois cães vorazes que mantinham os braços cruzados esperando explicação e a puxei para mim, escada a cima.

Alice me contou tudo. Como a noite havia sido maravilhosa e que ele a havia levado a um lugar incrível e que na volta ela simplesmente o atacou e que tinha sido o melhor sexo de todos. E, de repente, desandou a falar em como o membro do seu mais novo pseudo-amigo-colorido, como ela estava o chamando, era grande e grosso.

— Mas é sério, quando eu olhei eu fiquei tipo “ah, ok, tamanho normal”, mas aí foi crescendo, crescendo e crescendo e BOOM!

Eu estava jogada na cama de tanto rir da morena. Meus olhos estavam cobertos por lágrimas.

— Você está exagerando.

Ela revirou os olhos.

— Isabella Swan, é impossível que você não tenha visto nenhuma vez o pequeno-grande Jasper. Vocês são amigos há dois milênios e você não chegou perto nem de tocar nele?

Depois de mais uma crise de riso com o termo “pequeno-grande Jasper”, eu me recompus.

— Não, Alice, já disse. Jasper é tipo um irmão pra mim. Por algum acaso você fica medindo o tamanho do pênis do Edward? — Eu inquiri revirando os olhos.

Ela sorriu amarelo e eu soltei uma gargalhada surpresa.

— O que? Você sabe que o amigão do meu irmão é de tamanho grande. Poxa, eu não sou cega.

— Meu Deus, Alice, ele é seu irmão!

Nós rimos.

— Ao que parece, Edward e você estão unha e carne. Jasper comentou comigo isso também. Todos já estão reparando. — Ela suspirou.

Bufei.

— Ih, problemas no paraíso? — Ela inquiriu, preocupada.

— Estava tudo bem antes que ele começasse a agir como um idiota. — Respondi de mau grado. — Não quero falar sobre isso.

— Edward é um idiota. — Alice disse.

— Eu sei.

Meu celular apitou. Jacob falando sobre revistas novamente. Que porra de revistas eram essas que ele disse que eu pedi? Não pedi absolutamente nada.

— O que houve? — Alice perguntou.

— Jacob anda falando coisas sobre revistas que eu sequer pedi. Me deixa confusa.

Ela sorriu.

— São pra mim. Mande-as pra mim. Agora preciso ir falar com meu pseudo-amigo-colorido, Jasper. Obrigada por me tirar daquele canil.

Eu ri.

— Sempre ao seu dispor.

xxx

Assim como toda semana, o dia passou rápido. Depois que Alice saiu, fui até o centro de Londres passear. Encontrei alguns antigos amigos que me deram a sensação de que, caso eu não tivesse saído daqui, eu estaria bem. Sorte mesmo é quando qualquer uma das escolhas te leva a um final feliz. Na tese. Na teoria não é nada legal.

O sapato no meu pé doía tanto que eu tive que parar em uma boutique para comprar outro. Ela tinha sido a primeira que eu avistei e eu que nunca me importei com marcas, achei meu oásis. Eu realmente estava aposentada, olha só pra mim, reclamando dos sapatos. Quantas foram as vezes em que tive que desfilar com sapatos de número menores que o meu? Milhões. Era em uma rua periférica à rua principal, discreta e escondida.

Assim que pus os pés no lugar uma loira veio até mim e eu a reconheci de imediato.

Puta merda, era a ex namorada psicopata de Edward.

— Isabella Swan na minha boutique? Posso considerar isso uma honra? — Ela disse com os braços cruzados e parada estaticamente à minha frente.

Charlotte era uma loira mais alta de 1,80 sem salto, que tinha os olhos num castanho profundo. Beirando ao chocolate. Seu sorriso demonstrava apreensão. Ela estava visivelmente nervosa.

— Olá, Charlotte. Como vai?

Ela sorriu.

— Muito bem, obrigada.

— Soube que você tinha aberto uma boutique aqui e resolvi vir apenas dar um oi, já que eu já estava por aqui mesmo. — Dei um sorriso falso. — Agora preciso ir, o trabalho me espera, foi ótimo revê-la…

…Só que não. – completei mentalmente.

Saí da boutique e marchei em direção ao carro. Eu não compraria nada vindo daquela ali. Ela era um problema, sempre foi. Quando namorava com Edward, vivia zanzando pela editora. Desfilando seus quase dois metros de altura quando estava com salto. Ela era uma designer modesta. Apesar de não ir com a cara dela, eu tinha pavor dos seus feitos depois que comprei um salto vindo dela e ele quebrou no momento em que eu mais precisava.

Coloquei as coisas que eu tinha comprado no carro e voltei para casa. Só a presença da ilustríssima Charlotte já havia tirado todo meu bom humor.

— Era só o que faltava. — Murmurei.

A noite de Londres estava escura e eu dirigia no limite da velocidade, eu não via a hora de me jogar na cama.

Sempre temos que fazer escolhas na vida. Quando criança, somos perguntados sobre o que nós queremos ser quando crescer. Médico, bombeiro, astronauta, veterinário. São recorrentes. Na adolescência devemos escolher que caminho seguir. O caminho do prazer imediato ou do prazer futuro? E isso se estende ao nosso dia a dia também. As escolhas fazem parte de todos os nossos segundo vividos. Quando você decide ir para o trabalho pelo caminho mais longo, você faz uma escolha. Quando você toma o mesmo caminho de sempre, também é escolha. Falar sim ou não? Escolhas. E toda a sua vida é baseada nelas. Suas escolhas ditam o rumo da sua vida. Uma escolha pode te levar do céu ao inferno em apenas um milésimo de segundo. Todos fazemos escolhas, até os indecisos. A vida é uma escolha, afinal.

Digo isso por que no momento há várias escolhas se fundindo. Enquanto eu voltava pra casa, em uma das rodovias não muito distantes, um vulto rápido apareceu na frente do carro. Era uma mulher, deu pra ver. Mas por reflexo eu desviei.

Esquerda ou direita?

Bom, nesses momentos não pensamos. É instintivo. É a adrenalina que te move. Antes que eu pudesse pensar eu já tinha feito a escolha. E uma delas poderia me levar para sete palmos abaixo da terra.

.

Estar presa em algum lugar era aterrorizante. Eu não era claustrofóbica, mas eu podia, pela primeira vez, sentir exatamente como um deles. Me movi inquieta percebendo onde eu estava. O carro tinha batido em uma das milhares de árvores quando desviei. O airbag tinha sido acionado e me pressionava contra o banco. Eu não fazia ideia de como airbags funcionavam, mas eu apostava que não era para ficar inflado por tanto tempo.

Olhei em volta e reparei que o carro estava destruído. Era o preferido do meu pai, eu estava morta mesmo que tivesse sobrevivido ao acidente. Tentei tirar o cinto, sem sucesso.

Isso era o que? A morte me pregando uma peça?

Não vi vestígios da mulher que tinha se jogado na frente do carro. A louca possivelmente fugiu. Estiquei o braço agarrando a bolsa sobre o outro banco. Felizmente, eu tinha a prendido e assim ela não voou com o impacto. Agarrei meu celular e liguei para Rosalie.

Uma, duas, três vezes. Todas sem sucesso.

A ligação seguinte foi para Alice, mas depois do primeiro toque, lembrei que ela sairia com Jasper novamente essa noite e desliguei.

Meus pais estavam provavelmente no avião.

Então eu tive que ligar para a última pessoa que eu queria.

Edward atendeu no segundo toque.

— Bella? — Sua voz era suave, intensa.

— Preciso da sua ajuda… — Eu disse exausta, o sono estava me atingindo em cheio.

Depois de contar à Edward o que tinha acontecido e explicar onde eu estava, eu descansei no banco. O airbag desinflou. Eu aposto que isso era para acontecer assim que o carro parasse.

Pude ver o estrago melhor. Eu era a menos estragada, meu corpo doía um pouco e eu podia apostar que alguma parte do meu corpo estava sangrando. Mas não era nada demais. Felizmente, o carro não estava muito ruim por dentro o que me fez supor que a batida não tinha sido tão forte.

Consegui soltar o cinto e abrir a porta do carro, mas levantar era uma tarefa difícil demais para eu fazer. Além da exaustão que eu me encontrava. Fiquei observando a rua. Eu tinha virado para esquerda. A direita era um lago. Se eu tivesse virado para direita eu provavelmente estaria morta no momento por conta do airbag. Suspirando peguei meu celular que tocava. Era Rosalie.

— Bells, o que houve?

— Apenas uma batida de carro, Edward está vindo me buscar. — A tranquilizei, Rosalie era exagerada.

— O que? Onde você está? Você está bem? Está ferida? Estou no hospital, venha para cá agora!

Suspirei.

— Rosie, estou bem. Só preciso dormir um pouco. Amanhã você passa lá em casa e vê como estou em perfeito estado.

Depois de muito insistir, Rosalie cedeu e disse que estaria lá assim que o plantão dela acabasse. Assim que desliguei o Aston Martin preto parou no pé da estrada e Edward saiu dele com uma preocupação tangível. Ele correu até mim.

— Você estava tentando se matar ou me matar de susto? — Ele disse irritado ajoelhando na minha frente para ficar na minha altura. Ele tocou na minha testa. — Droga, isso está feio. O que houve?

Eu olhei para ele sobre os cílios. Eu estava cansada, queria dormir.

— Uma louca se jogou na frente do carro e saiu correndo. — Suspirei. — Me leva pra casa, por favor.

Ele sorriu, assentindo e me ajudou a levantar. Sem dizer nada, pôs-me no colo e me levou até o carro. Ele me deixou no banco traseiro e foi dirigir o carro. Enquanto isso, Rosalie me mandava milhões de mensagens de texto me perguntando a meu estado atual. Ela era insuportável. Edward queria me levar ao médico, mas, antes mesmo que ele tomasse a direção do hospital, eu o implorei e o assegurei que estava bem.

Chegamos em casa e Edward me deu banho. Sim, de novo. Ele era tão bonitinho preocupado que eu quase deixava a raiva de lado pela vontade de beijá-lo. Quase.

E agora eu estava sentada na pia do banheiro vestida com uma camisa de flanela antiga e Edward, no meio de minhas pernas, cuidado do ferimento na minha testa. Possivelmente, o airbag também tinha demorado para abrir. Droga de carro.

— Ai, isso dói. — Reclamei pela vigésima vez.

Edward estava concentrado em limpar o ferimento e me ignorar por completo. E então quando ele acabou ele suspirou.

— Você vai me deixar maluco. Não faça isso de novo.

Revirei os olhos.

— Tanto faz. — Graças ao remédio para dor no corpo, eu já podia me movimentar um pouco melhor, mas ainda estava dolorida. — Obrigada por me ajudar, agora já pode voltar a fazer qualquer coisa que te deixe menos irritado do que eu e minhas coisas.

Antes mesmo que eu fizesse a mínima menção de levantar suas mãos seguraram minhas pernas contra a pia de mármore impedindo qualquer movimento.

— Edward, me solta. — Eu disse cruzando os braços.

Ele suspirou. Ele ainda estava cansado. Se ele não tivesse me deixado tão irritada ao ser um grosso comigo no dia anterior eu poderia ajudá-lo.

Mas ele não teria nenhuma ajuda, já que, quando eu ofereci ajuda, ele não quis.

— O que eu fiz? — Ele disse me olhando nos olhos.

— Nada, Edward, você nunca faz nada. Pode me soltar, por favor?

Eu queria dormir, brigar era a última coisa da lista de coisas na qual minha paciência podia aguentar.

— Me desculpa. Eu sei que fui grosso, mas é porque você me deixa assim. Louco. Me perdoa.

Se existe alguém que eu odeio nesse mundo esse alguém atende por Edward Cullen.

Puta merda, como alguém pode fazer essas coisas? Eu duvido que alguém alguma vez conseguiu dizer não para Edward. Deve haver uma razão para que Edward tenha um diploma repleto de honras. Nem Einstein deve ter conseguido isso. Se eu acho que Edward Cullen seduzia as professoras para conseguir as melhores notas? Eu tinha absoluta certeza!

E então toda raiva que eu estava sentido, que já estava no chão, foi ralo abaixo no primeiro beijo que Edward deu na minha bochecha. Ele se aproximou ainda mais de mim, me puxando para frente para que o contato entre nós dois fosse maior e começou a depositar beijos pelo meu pescoço, clavícula, colo, orelha, nuca. Eu estava em transe.

— Edward…

— Shhh… — Ele me calou depositando um beijo na minha boca e voltando sua atenção para o meu pescoço. — Deixa eu te beijar até não der mais, até você sentir vontade de tirar a roupa.

Merda, ele fazia isso tão bem.

E eu deixei que ele me beijasse e que ele me colocasse na cama e dormisse comigo.

.

Acordei no meio da noite com uma dor insuportável. Edward dormia ao meu lado com um de seus braços por cima de mim. Como a dor apenas aumentava, saí da cama com cuidado para não acordar Edward e rumei até a cozinha. Tanto minha cabeça, como o meu corpo doíam como poucas vezes já doeram.

A casa estava escura e tinha uma aparência fria. A chuva lá fora tinha dado uma trégua e eu me desafiei a fazer um chocolate quente enquanto eu checava o celular. Rosalie havia entrado em desespero nessas pequenas horas em que eu não a respondi, então resolvi a atualizar com meu ultimo boletim médico. Três minutos depois, quando eu tinha acabado de acabar meu chocolate, Emmett Cullen parava na minha frente como um espírito.

Tremi de susto.

— Qual é o seu problema? — Perguntei.

— Vamos, Rosalie pediu que eu te levasse ao hospital agora.

Tentei discutir, mas Emmett não me deu escolha, apenas me arrastou para fora de casa depois de jogar um sobretudo preto em mim e me jogou dentro do carro.

— Como você fez isso? — Ele perguntou. — Você está bem? Rosalie parecia bastante preocupada.

Revirei os olhos.

— Isso é totalmente desnecessário, estou sendo tratada como uma criança de três anos. Eu estou bem.

Emmett bufou.

— Eu não acredito em você. Não dá para enganar Emmett Cullen, menina. Você consegue enganar o panaca do meu irmão e até Rosalie, mas a mim não.

Seus olhos faiscaram pelo espelho do carro.

— Tanto faz, só preciso dormir.

— Nós só queremos o seu bem, você sabe disso.

Dei de ombros.

Emmett dirigia rápido, preciso. Nunca havia o visto dirigir antes, mas sabia que desde pequeno ele participava de corridas de kart e que já tinha sido campeão, inclusive.

Relaxei no banco enquanto ele seguia o caminho que o GPS indicava e tão cedo ele estacionava no hospital em que Rosalie trabalhava. Ele havia passado dos 150 km/h fácil. Saí do carro ignorando a presença de Emmett. Rosalie me espera na porta de vidro.

Que exagero.

Ela me olhou preocupada e me fez 1001 perguntas. Não satisfeita, tirou algo entre 800 trilhões de litros de sangue do meu corpo para exames. Além dos outros exames que eu tinha feito assim que coloquei os pés no hospital. Depois me jogou numa daquelas roupas ridículas de paciente, colocou soro em minhas veias e me obrigou a ficar deitada na maca. Segundo ela, era de praxe. Eu duvido. Só se praxe agora também atendesse como exagero. Como eu ainda estava sentindo dor, ela me enfiou remédios goela a baixo. Ao menos a dor passaria. E, como grandezas inversamente proporcionais, na medida em que a dor era suavizada pela ação dos remédios, meu sono aparecia pelo poder dos mesmos. E então eu lembrei de uma pessoinha que eu havia deixado dormindo em casa.

Ops.

Em minha defesa, era culpa do casal 20.

Edward surtaria.

Eu ri.

Resolveria isso depois, primeiro minhas horinhas de paz e sono.

.

Uma claridade fraca incomodava meus olhos e aos poucos eu me sentia despertar. Me sentindo a pessoa mais preguiçosa do mundo continuei deitada esperando morfeu voltar e me levar para mais uma rodada de sono profundo. Seria um plano perfeito. Pena que planos perfeitos não existem.

— Isabella, eu sei que você está acordada.

Uma voz grave soou perto de mim.

Estava tudo muito bom para ser verdade.

Agora eu seria massacrada.

Abri os olhos dando de cara com Edward e os fechei de novo. Que saco. A cara dele demonstrava que ele ia falar um pouco.

— Isabella. — Ele chamou batendo o pé no chão impacientemente. Abri os olhos o fitando. Ele ficou lá, olhando pra mim. De braços cruzados, seu olhar perfurava meu corpo e, quando eu fiz a menção de falar alguma coisa, recebi um olhar tão irritado que até me calei. Eu estava começando a ficar entediada. — Você tem noção do quão preocupado eu fiquei? Porque você simplesmente não avisou que viria? Eu nem sei o que pensei. Você simplesmente sumiu. Emmett me avisou que a tinha trago para o hospital…

E então eu parei de prestar atenção no que ele falava. O verde dos seus olhos era mais interessante do que ele falava. Era engraçado, um tipo diferente. Não era o meu verde normal, era um verde mais bonito, que mudava de cor conforme seu humor. Por exemplo, agora o verde tinha uns nuances mais escuros e dava a impressão de estar mais escuro. Essa era a forma do seu corpo de demonstrar a raiva que o que ele sentia e…

— Qual o seu problema? Porque você me deu um peteleco? — Reclamei quando fui arrancada de minhas constatações sobre seus olhos por um peteleco. — Isso dói, Edward, não faça isso de novo.

Fechei a cara e cruzei os braços. Eu odiava ser tratada como criança.

— Você estava ignorando tudo o que eu estava falando, Isabella. Você consegue prestar atenção no que eu falo? Eu só estava preocupado com você. É muito gratificante saber que você preferiu vir sozinha ao hospital do que comigo. Que nem se deu o trabalho de avisar. Você não se importa com ninguém que se importa com você.

Me irritei. Toda essa conversa estava me deixando com uma dor de cabeça incrível. Daquelas que só quem tem crise de enxaqueca pode um dia entender. Esqueçam a depressão, o estresse precisa ser o mal do século.

— Edward, para de gritar comigo. — Pedi já exausta. — Eu acordei no meio da noite com dor e desci para pegar algum remédio. Enquanto eu tomava meu chocolate quente, Emmett apareceu e me arrastou para o carro dizendo que Rosalie tinha mandado. Ele não me deu escolha. — Bufei. — Meu celular ficou em cima do balcão da cozinha, era impossível avisar. Achei que Emmett o avisaria.

Seu olhar se suavizou.

— Se você me perguntasse ao invés de chegar aqui me acusando dessas coisas tudo seria mais fácil. — Suspirei. — Agora, por favor, pode chamar Rosalie porque eu quero ir embora.

Sentei na cama chateada com Edward. Eu não tinha feito nada de propósito para que ele falasse essas coisas para mim.

— Bella…

— Apenas chame Rosie, ok? Por favor. — Pedi o cortando. Essa conversa estava instigando o monstrinho da minha cabeça. Eu deveria nomeá-lo. Me preocuparia com isso depois, dei uma risadinha fazendo Edward me olhar estranho. — Não estou rindo de nada relacionado a você, será que eu mesma terei que chamar a Rosalie?

Edward segurou minha mão e eu puxei.

Eu estava chateada de verdade. Novamente. E eu só queria um pouco de paz. Edward me levava à um looping eterno entre estar com raiva dele e não estar.

Edward provavelmente viu que eu não queria brigar ou conversar ou qualquer coisa do tipo, então apenas saiu do quarto atrás de Rosalie.

Tirei os fios que estavam em mim revirando os olhos. Pra que todo esse exagero?

Logo avistei uma muda de roupa minha e deduzi que Edward tinha trago. Coloquei rapidamente retirando aquele terrível troço azul e quando Rosalie chegou, eu já estava pronta para ir embora.

Depois de ouvir minha prima falar e falar e falar, entrei no carro com Edward. Ele era minha única forma de voltar pra casa.

— Bella, me desculpa. — Ele disse assim que bateu a porta do motorista e virou na minha direção me olhando nos olhos. — Eu falei coisa que não era pra falar, mas o simples fato de você ter sumido da cama me deixou louco. E então eu soube que você, mesmo depois de eu insistir, tinha vindo pra cá e…

— Tudo bem, Edward. — Eu disse. — Não quero brigar.

Ele me avaliou por uma pequena fração de tempo e então deu um beijo na minha bochecha.

— Você vai me perdoar assim? — Ele perguntou desconfiado.

Eu não pude deixar que uma risada saísse dos meus lábios.

— Esse é o seu segundo strike na semana, você só pode ter três. — Eu disse quando ele ligou o carro.

— E o que acontece no terceiro?

— Eu mato você.

Ele riu.

— Ok, posso lidar com isso.

xxx

— Alice, falta muito para começar? — Questionei assim que entrei no lugar que a garota escolheu para fotografar eu e Edward para a revista. Edward provavelmente estaria se sentindo um peixe no deserto com todas aquelas roupas para ele experimentar e todas aquelas pessoas dizendo a ele o que fazer.

Gargalhei.

Os dias haviam passado como uma flecha. Alice continuou sua sangria de fazer uma sessão perfeita. Ao menos eu fui deixada em paz por causa do acidente. Porém, Jacob havia me mandado mais trabalho e eu ficava o dia inteiro dentro do quarto. Ontem foi nosso dia de folga e o que fizemos? Dormimos. Todos nós. Cada um estava jogado num canto da casa. Menos Alice, que estava jogada num canto da casa de outra pessoa.

E então o dia tinha começado no 220v. Com Alice chegando em casa e trazendo todas as pessoas que uma sessão feita por um Cullen tinha direito.

Alice virou seus sapatos de salto 15 e veio na minha direção. Eu já tinha sido maquiada e penteada por um dos milhões de ajudantes de Alice. As roupas que eu usaria também tinham sido escolhidas. Estava tudo pronto.

(Look Bella)

Bom, nem tudo.

Faltava Edward.

Segundo o cronograma montado pela Cullen, repórteres nos entrevistariam. Sim, isso mesmo. Como se alguém quisesse saber sobre a minha vida. E depois viriam as fotos. Ri. Isso seria hilário.

Sentei no lugar indicado por Alice e peguei meu celular para passar o tempo enquanto esperava.

— Eu não sei se isso foi uma boa ideia. — Edward disse ao sentar ao meu lado e eu ri largando o celular. Havia tempo que não ficávamos tão perto quanto agora. Seu braço caiu sob a minha perna e ele relaxou no sofá.

Tão bonito com uma camisa social branca e barba por fazer.

— Relaxe, Edward. — Eu murmurei. — E mantenha a compostura. — Murmurei olhando para o seu braço.

O salão estava uma loucura, Alice tinha tido a ideia de chamar repórteres para dar, segundo ela, um “gostinho” de quero mais às pessoas. Eu fui contra, mas a sessão era dela, então eu não tive muita escolha.

Felizmente, eram apenas três repórteres que fariam poucas e rápidas perguntas para que não atrasasse Alice.

Ele ignorou totalmente o que falei e mudou de assunto.

— Você está bonita. — Sua voz rouca e sua barba por fazer me atingiram quase juntas quando ele tocou meu rosto com o dele. O empurrei, sem sucesso.

— Mantenha a porra da compostura. — Sussurrei e ele riu se esparramando no sofá.

Alice apareceu e trouxe os nossos torturadores.

Entrevistas costumavam ser legais, mas algumas vezes eram um problema.

Eu não conhecia dois das três pessoas que nos entrevistariam. Eles se apresentaram a nós e as perguntas começaram simples. Queriam saber como era o nosso dia a dia, sobre a viagem, quais países visitamos, do que mais gostamos, o que as pessoas podem esperar e tudo mais. Enfim, coisas no geral. Eu estava mais acostumada com essas coisas que Edward que, por várias vezes, rolou os olhos de tédio.

Ri com algo aleatório que um dos jornalistas disse.

— Mas agora nos conte como anda a vida pessoal de vocês com essa viagem? Não é muita coisa? — Jones, um dos jornalistas perguntou dando um sorriso sugestivo que não entendi e resolvi ignorar.

— Estamos bem. — Edward disse. —Quer dizer, é o nosso trabalho, fazemos o necessário para que a revista seja mais bem sucedida ainda.

Revirei os olhos.

— A verdade é que a viagem está nos dando tanto trabalho que nossa vida fora disso tudo está esquecida praticamente.

— Entendo, e os laços entre vocês… — Jones insistiu. — Estão se aprofundando?

Arqueei a sobrancelha tentando encontrar o ponto em que ele queria chegar. Vendo minha confusão, Jeff, o outro repórter, enviou um olhar para minha perna onde a mão de Edward estava esquecida por nós dois. Dei uma cotovelada e ele a retirou gentilmente com um sorriso torto.

Houve um silêncio breve em que eu quase fuzilei Edward com os olhos e recebi um sorriso amarelo de volta.

Joana, a última jornalista, limpou a garganta e tirou Edward de sua sentença de morte.

— Você disse que estão muito focados nessa viagem e que esqueceram um pouco da “vida aqui fora”… — Assentimos. — Então acredito que vocês não estão muito desligados dos tablóides.

— Totalmente. — Edward disse rindo um pouco.

— Bom, vocês estão neles. — Joana disse de uma vez e eu vacilei.

— O que você quer dizer com isso?

— Algumas fotos de vocês juntos saíram na mídia e todos estão especulando se estão juntos ou não. — Jeff explicou.

Oi?

Que?

Fotos?

Tablóides?

Especulação?

Troquei um rápido olhar com Edward que respondeu rapidamente um “não falamos sobre nossa vida pessoal” e o assunto foi trocado.

Nas perguntas finais eu alcancei meu telefone e comecei a procurar discretamente sobre essas fotos.

Não eram muitas, apenas algumas nossas em Paris.

A vida era cruel para os bons.

Com o fim das entrevistas, nos despedimos dos três e ficamos nos encarando por alguns segundos até Edward se pronunciar.

— Apenas me prometa não ficar paranóica com isso. — Assenti. — Está se sentindo melhor?

Ele tocou no machucado na minha testa imperceptível por causa da maquiagem.

— Estou bem, Edward.

— Mas eu não. — Ele deitou com a cabeça no meu colo. — Minha cabeça está pensando uma tonelada, acho que não tenho uma boa noite de sono faz semanas.

E então um flash foi disparado.

Levantei a cabeça para ver Alice com a sua câmera aponta para nós dois. Achei melhor não perguntar, afinal, era Alice.

Ela nos fez levantar e nos levou para onde ela havia montado seu pequeno estúdio e milhões de fotos nossas foram tiradas. Muitas mesmo.

Tantas que meu corpo pedia arrego.

Eu não pedia, mas Edward…

Eu poucas vezes tinha rido tanto na minha vida.

Edward estava claramente entediado. Ele bufava, reclamava, suspirava. Ele estava completamente exausto. Toma essa, aspirante a modelo. Sorri animada quando outro flash foi disparado. Alice nos deu um tempo e Edward virou na minha direção.

— Falta muito? — Eu ri e me estiquei para dar um pouco de ajuda aos seus fios de cabelo naturalmente bagunçados.

— Sim. — Menti, Alice provavelmente já tinha todas as fotos, mas deixar Edward irritado era a melhor coisa do mundo.

Infelizmente, Alice voltou dizendo que já tinha todas as fotos que queria.

Edward quase urrou de alegria e saiu da sala tão rápido que eu nem achei ser possível.

Maneei a cabeça e peguei minhas coisas indo até meu o quarto. Eu não tinha reparado, mas havíamos ficado tempo demais lá dentro. A escuridão da noite denunciou o quão tarde era e, ao olhar no celular, reparei que já eram duas da manhã.

Me joguei na cama assim que coloquei os pés no meu quarto repassando todos os eventos daquele dia. Eu me sentia completamente exausta depois de todas aquelas fotos com Edward e as entrevistas.

Bufei de leve imaginando que os boatos de que minha relação com Edward não era apenas profissional incendiaria o mundo das revistas de fofocas e das pessoas que as consomem.

Levantei da cama unindo todas as forças que eu tinha e rumei para o banheiro em busca de um bom banho. Depois de lavar o cabelo, saí me enrolando em uma toalha e voltei para o quarto em busca de uma roupa. Eu provavelmente não desceria para o jantar, eu estava cansada demais para sair do meu quarto. Encontrei uma das camisas de Edward que eu tinha pegado há algum tempo e a coloquei. Eu tinha uma quantidade razoável delas. O tecido de algodão era macio e grosso o suficiente para me proporcionar um calor agradável. Como a camisa batia no meio das minhas coxas eu não me preocupei em colocar um short, ficando apenas de calcinha. Eu estava a cara do conforto e depois de secar o excesso de umidade do meu cabelo com uma toalha o prendi em um coque para que ele secasse em alguns cachos naturais.

Saí do closet e não reprimi um grito ao ver uma figura deitada na minha cama. Revirei os olhos, quando esse cara ia parar de aparecer no meu quarto do nada? Maneei a cabeça quando vi seu sorriso sacana. Revirei os olhos indo até o banheiro e pendurando minha toalha.

— Ei, essa camisa é minha. — Edward resmungou quando eu saí do banheiro. Dei de ombros caminhando até a cama, fazia frio e eu só queria me cobrir com todos os cobertores possíveis. — Quantas delas você está fazendo como refém?

Eu ri enquanto me acomodava na cama.

— Não muitas. — Murmurei o fitando, ele estava deitado na cama e me olhou de volta, me puxando para perto. Folgado. Ele parecia cansado, seu cabelo estava molhado e ele trajava uma de suas camisas brancas de algodão usuais. Estamos combinando.

— Você não vai comer? — Ele perguntou. Seus olhos se estreitaram para mim.

Revirei os olhos e neguei, meu sono era maior do que qualquer coisa no momento. O calor da cama me obrigava a dormir. Soltei um bocejo e senti a mão de Edward que descasava na minha cintura subir até o meu rosto.

— Como foi seu dia como modelo? — Perguntei fazendo graça tentando mudar de assunto e ele bufou. Sua mão caiu do meu rosto e voltou a descansar na minha cintura.

— Agora faz sentido o porquê que você parou de fazer isso. — Ele murmurou e eu ri. Seus olhos verdes faiscaram e ele me puxou mais pra perto enterrando seu rosto no meu pescoço. Levei minhas mãos ao seu cabelo sentindo a umidez dos fios.

— Eu não parei totalmente. Ainda faço algumas sessões e desfilo uma vez ou outra. — Murmurei.

Senti sua mão se enfiar por baixo da blusa que eu vestia e me puxar ainda mais perto. Uma de suas pernas se enfiou no meio das minhas e ele começou a distribuir beijos no meu pescoço.

— Eu nunca a vi desfilar. — Sua voz saiu baixa e foi abafada pelo meu pescoço.

Soltei um suspiro baixo.

— Eu ainda sou uma Angel da Victoria Secret's.

Ele riu no meu pescoço e o contato com a minha pele me causou arrepios. Ele passou a sua barba por toda a extensão do meu pescoço.

— Vou me certificar de nunca mais perder isso. — Ele disse e começou a descer seus lábios pelo meu colo. Ele estava me deixando maluca com todo esse festival de beijos. E, pegando-o de surpresa, puxei seu cabelo fazendo com que sua boca se descolasse da minha pele e ataquei a sua boca. Minha língua pedindo passagem que foi dada instantaneamente. Beijar Edward era completamente espetacular e eu poderia fazer isso o dia inteiro. Minhas mãos tomaram vida e rumaram pra sua camisa. Edward, porém, as deteu com as suas e separou nossas bocas.

— Você não vai ter o que quer se não descer para jantar, senhorita Swan.

O olhei descrente. Eu não podia acreditar que aquelas palavras tinham saído da boca de Edward. Ergui minha sobrancelha em desafio quando senti seu membro duro contra mim. Ele deu de ombros lendo meus pensamentos. Como sempre.

— Não seria a primeira vez que eu dormiria duro por você. — Ele admitiu. — Vamos lá, Swan, você não comeu o dia inteiro.

Jesus, qual era o grande problema de Edward, afinal? Ele havia passado fome em outras vidas ou algo do tipo? Revirei os olhos, minha fome estava tendendo a zero, então, bufando, me virei de costas me afastando dele. Não era como seu eu fosse implorar para ele me comer.

Edward soltou uma risada e aproximou seu corpo do meu.

— Tão teimosa.

Ele se acomodou novamente em torno de mim, seu braço me envolvendo e sua perna retornando ao local anterior, no meio das minhas. Eu queria o afastar e o mandar embora. Queria, mas não podia.

— Eu te odeio. — Murmurei fechando os olhos.

Ele riu novamente.

— Quando será o próximo desfile? — Ele perguntou algum tempo depois, sua voz soou suave.

— No fim da viagem. — Murmurei distraída pelo seu membro ainda estar duro atrás de mim. Não pude reprimir um sorriso. Me mexi contra ele e o sentir enrijecer. Soltei uma risada e puxei a mão que descasa na minha barriga até o meu peito apertando-o.

— Foda-se. — Ele murmurou e no momento seguinte, seu corpo pendia sobre o meu e minha boca era atacada pela sua. — Você é a pessoa mais fodidamente teimosa que eu conheço.

Seus movimentos eram duros e me deixaram louca de tesão. Porra, o que essa cara tinha? Ele puxou a minha camisa — no caso, a camisa era dele — pela minha camisa a jogando em algum lugar do quarto. Empurrei a sua calça de moletom para baixo e ele me ajudou retirando-a por completo, e depois a sua camisa. Suas mãos vagavam pelo meu corpo e ele arrancou minha calcinha de mim e antes que eu percebesse ele enfiou um de seus dedos em mim.

Eu ofeguei e fechei os olhos. Ele colocou outro dedo dentro de mim e massageou o meu clitóris com o dedão. Meus gemidos saiam cortados e eu vislumbrei um sorriso nada modesto. Filha da puta gostoso e arrogante. Fechei meu olhos quando ele mordeu a parte interna de uma das minhas coxas e um gemido alto escapou dos meus lábios. E então ele substituiu seus dedos pela sua língua e eu amaldiçoei e glorifiquei quem quer que tenha o ensinado a fazer isso tão bem. Tão fodidamente bem.

Quando seus dedos se juntaram à sua boca massageando meu clitóris, eu gozei. Arquei meu corpo sentindo todas as ondas de prazer tomarem meu corpo. Edward era tão bom no que fazia que eu poderia implorar sempre que necessário.

Sua boca voltou a minha e senti meu gosto em sua boca, o que deveria me afastar só me excitou mais e então ele me penetrou. Forte e duro. Suas estocadas eram rápidas e precisas e nós gemíamos como cães no cio. Quando ele alcançou o meu maior ponto de prazer soltei um gemido mais alto ainda. Seus lábios se retorceram no seu sorriso arrogante de novo. Puxei seus lábios aos meus e quando senti seus dedos no meu clitóris novamente soube que ele estava vindo. Seu nome saiu dos meus lábios pela milésima vez naquela noite e ele estocou profundo alcançando novamente meu ponto G. E então, junto com ele, eu gozei pela segunda vez naquela noite.

Seu corpo caiu do meu lado e ele me abraçou. O sono se despertou novamente e dessa vez, saciada, eu o deixei me carregar.

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You’re so dark — Arctic Monkeys

Acordei no meio da noite sentindo um calor absurdo, o aquecedor do quarto estava, provavelmente, ligado no máximo. Os braços de Edward rodeavam minha cintura me segurando perto dele. Minha cabeça doía, então, depois de muito esforço, consegui sair do aperto. Coloquei uma roupa e saí do quarto.

Me movi pela casa silenciosamente indo até a cozinha. Lá fora a chuva caía forte e era o único som no silêncio da noite. Enquanto esperava o chá chegar ao ponto, sentei no balcão pegando uma revista deixada solitária por ali. Minha boca caiu um pouco quando reparei na capa. Era uma foto minha e de Edward na festa de Alan Faena. Em letras garrafais estava escrito “Casamento do ano”. Ri um pouco e resolvi nem abrir.

Minha cabeça latejou um pouco e eu afundei no balcão. A vida é uma loucura. Edward estava certo, eu deveria ter comido algo.

Edward.

O nome dançava pela minha cabeça e me peguei soltando outro suspiro e pegando meu chá.

— Você é uma boba, Isabella. — Me repreendi. — E agora também é maluca, falando sozinha.

Balancei a cabeça

— Aonde você foi se meter, hein? — Prossegui. — Suspirando por alguém em uma noite chuvosa.

Dei um sorriso fraco.

Eu estava realmente ficando maluca. Eu não fazia a mínima idéia do que estava acontecendo com a minha vida. Se me contassem há algumas semanas atrás que eu estaria suspirando por Edward Cullen eu daria a gargalhada mais longa da minha vida.

Mas parece que o jogo virou.

E agora eu estava aqui, uma boba visivelmente apaixonada.

Pra que mentir, não é? Meu corpo estava dando todos os sinais para mim e eu, boba, não percebi.

Eu estava me sentindo perdida, mais perdida do que nunca. Eu entendia tudo e não entendia nada ao mesmo tempo. Eu não conseguia decidir o que fazer.

Passei as mãos no cabelo pela milésima vez na noite, perdida.

Em minha cabeça passava tudo e nada ao mesmo tempo. O que eu faria com essa descoberta? Como é estar apaixonada por Edward Cullen e saber disso? Como eu lidaria com suas grosseiras e sua super proteção?

Eu não sabia a resposta para nenhuma dessas perguntas e isso estava me deixando louca. Eu estava à beira de um buraco negro, na corda bamba, agarrando-me nela como se cair significasse morrer. Cair era ter que encarar o desconhecido, não que eu nunca tivesse me apaixonado, pelo contrário, eu apenas nunca tinha estado assim por alguém como Edward. Alguém que me faz sentir em um carrossel de emoções. Alguém que me fizesse experimentar todas as metáforas possíveis. E isso me assusta. O desconhecido me assusta de uma maneira absurda, a escuridão do buraco negro é arrepiante.

Mas não cair seria um pesadelo. O buraco negro me puxava como um imã, e a corda, aos poucos, se rompia. Mesmo assim, eu não me sentia em um beco sem saída. Não era cair ou cair. Havia uma escolha, eu poderia conseguir, com algum esforço, me equilibrar na corda e correr do buraco negro.

E eu não queria e queria ao mesmo tempo.

Bufei.

Nada mais fazia sentido e eu não conseguia decidir nada.

Acabei meu chá e fui até a sala, deitando no sofá.

A dúvida do que fazer me consumia por dentro. Meu monstro interior me cutucava em busca de uma decisão e, assim que eu vi um rosto preocupado descendo as escadas, eu alimentei-o com a minha escolha.

E então eu mergulhei no buraco negro. Sem pensar mais. Sem especular. Sem medo. A escuridão nunca foi tão bem vinda.

E quando vi o olhar de preocupação se transformar em alívio eu soube que tinha feito a escolha certa.

— O que houve? O que você está fazendo aqui? — Edward se aproximou agachando-se na minha frente. Seus olhos verdes me analisavam.

Sorri levando minhas mãos até seu rosto e acariciando o local.

Eu não entendia como alguém poderia ser tão bonito quanto esse ser humano na minha frente. Seu cabelo estava um caos e só o deixava mais e mais maravilhoso.

— Bella? — Ele chamou.

E pela primeira vez eu realmente gostei de como ele me chamou. Não era como se eu reagisse indiferentemente, eu realmente gostei.

Resolvi presentear o ruivo com palavras antes que ele, exagerado como um típico Cullen, decretasse o fim das minhas cordas vocais.

— Estou bem, não se preocupe. — Ele pareceu mais aliviado depois disso. Era absurdamente escancarado o modo em que meus sentimentos por esse homem se faziam presente, e eu não entendi como não percebi antes.

Ele me deu um sorriso torto e um balançar de cabeça.

— Por que está aqui?

Dei de ombros.

— Eu gosto daqui, não tinha percebido o quanto eu sinto falta desse lugar, das chuvas sem trovões.

Ele riu.

— Amanhã temos um longo dia, vamos subir. — Ele disse se levantando e deixando minhas mãos carentes do seu rosto.

Neguei com a cabeça e me movi dando espaço para ele no sofá. Recebi um olhar de descrença.

— Não, Bella. Vem, vamos subir. — Ele chamou passando as mãos no cabelo. Seu rosto demonstrava o mesmo cansaço de antes.

— Podemos ficar aqui só um pouquinho? — Pedi.

Com um suspiro derrotado, Edward deitou ao meu lado puxando-me para si para que eu não caísse. Graças ao sofá largo que mamãe insistira em comprar, Edward e eu estávamos confortáveis, apesar de apertados. O som da chuva preenchia o ambiente e só tornava a situação ainda mais confortável.

— Você me deixou preocupado. — Ele disse e eu me virei para olhá-lo.

Nossos rostos estavam tão próximos que eu não pude fazer nada a não ser beijá-lo. O beijo foi tão calmo que eu duvidava que houvesse o beijado assim antes. Sua mão me puxava para si e, aos poucos, o beijo foi se tornando mais e mais urgente.

E então ele quebrou o beijo. Cedo demais.

— Durma, Bella. Você parece péssima. — Ele murmurou beijando meu cabelo. Não pude reprimir a careta e ele me deu um sorriso torto.

— Eu te odeio. — Murmurei pela segunda vez naquela noite virando de costas para Edward.

Era isso. Edward nunca deixaria de ser Edward realmente. E eu não queria que ele deixasse de ser também. Eu gostava e odiava esse Edward ao mesmo tempo. E, no momento, eu estava o odiando. E eu apostava que seria assim por algum tempo.

E, colando seu corpo ao meu, Edward começou a mexer no meu cabelo. Meu sono que estava escondido resolveu que seria legal aparecer.

E antes que eu percebesse, eu estava dormindo.

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Uma claridade irritante me arrancou do sono agradável que eu estava. Olhei em volta e vi que o dia estava nascendo e o sol adentrava na sala. Senti o corpo de Edward atrás de mim e me virei para acordá-lo. Ele era tão fofo dormindo que fez a tarefa de acordá-lo quase impossível. Mas a tarefa de acordá-lo antes que alguém nos visse de conchinha no meio da sala falou mais alto. Não que isso fosse algo que eu quisesse esconder ou tivesse vergonha, eu simplesmente achava íntimo demais para ser compartilhado com qualquer um. Com um suspiro comecei a mexer em seu cabelo. Era tão bonito e sedoso que eu poderia colar minha mão neles. Como o homem não moveu um músculo eu aproximei meus lábios do seu rosto, deixando um beijo ali e, então, comecei a distribuir beijos pelo seu rosto. Sua respiração pesou e eu vi que o belo adormecido tinha acordado.

— Bom dia, dorminhoco. — Murmurei me afastando dele para observá-lo acordar. Ele abriu os olhos e vi as duas orbes verdes focalizarem em mim. — Nós precisamos arrumar a nossas coisas, vamos para Alemanha hoje, esqueceu?

Ele soltou um muxoxo e eu levantei sorrindo. Fui para o meu quarto arrumar as malas para mais um país que visitaríamos. Senti uma onda súbita de tristeza ao perceber que teria que deixar a casa e a bolha que se formou ao redor dela. Pelo menos eu esperava que as coisas continuassem agradáveis. E então eu suspirei voltando a minha atenção ao que eu tinha que fazer.

Que a Alemanha seja fácil.

Senti minha intuição zombar de mim, alguma coisa dizia que não seria.

E minha intuição não falhava jamais.

Notas finais
Se você está lendo isso é porque você não me odeia totalmente. Sim, eu voltei. Mil e uma desculpas. Eu sei que nada do que eu fale vai mudar o fato que eu fiquei um ano inteirinho sem postar. Mas é que tanta coisa vêm acontecendo na minha vida que a única coisa que me faz sentir satisfeita atualmente é escrever, então eu acredito que vocês vão começar a me ver com uma certa frequência por aqui. Apesar do tempo ser escasso a vontade de escrever é crescente, e eu fico tão satisfeita ao juntar palavras e fazer enredos que eu sempre acabo voltado pra cá. Mil desculpas, nada do que eu disser vai expor o quanto eu sinto por não ter tanto tempo de desenvolver a história e os personagens. Eu, mais do que ninguém, sei como é ter histórias abandonadas e sei como é confuso e como dá trabalho ler um capítulo novo, sei que quem leu até aqui teve que voltar alguns capítulos para se situar. Eu também tive, confesso. Reli a história toda e me senti obrigada a continuar. Escrevi esse capítulo alguns meses e ontem eu terminei. Sobre a história, fiquei impressionada com a evolução da Bella (acho que já me sinto confortável em me referir à ela assim), mas será que ela vai continuar evoluindo? Não desistam dela. É frustrante as vezes, mas ela aprende. A gente sempre aprende. Enfim, segunda música seguida de Arctic Monkeys, repararam? Parece que a minha banda predileta vai continuar a fazer aparições por aqui, espero que gostem tanto quanto eu, ou pelo menos 1/3 do que eu gosto (já é bastante coisa). Sem mais delongas, até logo. Eu vou continuar encontrando brechas e escrever aqui, pra vocês. Pra mim. Obrigada por tudo, vocês são meus principais stakeholders. Me façam feliz, por favor! Beijos!