Vanity Fair
13 Electricity
Notas iniciais
Eu não odiei Edward à primeira vista, como eu já havia afirmado algumas vezes. Eu o achei bonito, bem bonito. Foi numa das passarelas da Prada, eu nem sabia quem ele era. O tom diferente de cabelo puxou minha atenção e eu não consegui tirar meus olhos dele até o fim da noite. Meus olhos não ficaram sozinhos, porém. Eu recebi seus olhos nos meus. Estávamos sentados um na frente do outro, ambos na primeira fileira, separados apenas pela passarela e pelas modelos que a cruzavam de uma ponta à outra. O lugar ao seu lado estava vazio e quando um homem loiro sentou-se ali e acenou na minha direção meu rosto caiu um pouco. As semelhanças entre os dois eram gritantes. Claramente ele era Edward Cullen. E, merda, eu definitivamente o odiava depois de todas as conversas por email e telefone. A pessoa mais prepotente estava na minha frente, e eu estava flertando com ela a noite toda. Meu olhar cruzou com o dele novamente, desta vez sua sobrancelha se mantia arqueada. Ele maneou a cabeça e esboçou um sorriso torto debochado. E eu o odiei cada vez mais a partir daquele momento.
Fiz uma careta quando vi o tempo de Berlim. Havíamos chegado na capital da Alemanha há algumas horas e eu já começava a imaginar os detalhes da sessão. Eu estava distraída, normalmente eu já teria algum tipo de esboço na cabeça do que eu queria. Mas tudo que eu conseguia focar era no que fazer quando estava apaixonada por Edward.
Eu não sabia como agir, e eu odiava isso como o inferno. Eu não uma costumo ser uma dessas pessoas inseguras, mas Edward sempre foi a pessoa alguém difícil de se decifrar. Revirei os olhos focando minha atenção à vista na minha frente. Berlim nunca foi meu lugar preferido do mundo, nada contra o país, eu apenas detestava estar em um lugar onde eu não entendia uma palavra. Desde pequena eu tinha aversão ao alemão, e depois de ser obrigada pelos meus pais a ter aulas particulares da língua por dois anos com uma professora alemã rígida igual a Nanny McPhee eu consegui me libertar do idioma. Eu não lembrava quase nada da língua, mas havia pegado uma implicância absurda. Eu, claramente, sempre fui uma pessoa enjoada. Mas era uma das coisas que eu não entendia sobre mim. Então eu evitava, mesmo inconscientemente, a Alemanha.
Mesmo assim, eu tinha que admitir o quanto a porcaria da cidade era bonita. Eu nunca tinha conhecido de fato o país. No geral, eu havia vindo algumas vezes enquanto modelo apenas, mas nunca para conhecer, eu também nunca tinha muito tempo livre para isso.
Me joguei novamente na cadeira da varanda do loft em que estávamos. Fazia frio na cidade, era inverno. Então eu não me surpreenderia se começasse a nevar do nada. Apertei mais meu casaco no corpo me forçando a pensar na sessão.
Depois de algum tempo pensando, saquei meu celular ignorando todas as notificações de e-mail e mensagens e abri as notas. Listei alguns lugares que eu achava bonito. Não eram muitos, eu realmente tinha uma aversão absurda ao alemão que me impedia a passear pelo país. Eu realmente sou uma pessoa bastante estranha.
Resolvi pedir ajuda de algum dos meus companheiros de viagem que tinham se perdido pelo pequeno apartamento que estávamos. Passei no meu quarto para trocar de roupa antes, eu estava com os mesmo trajes de cedo e não precisava ficar com camadas e mais camadas de casaco em torno de mim. Tomei um banho quente que me fez ficar mais tempo no banheiro do que esperado.
Sinto muito, planeta Terra, estou acabando com a sua água.
Voltei para o quarto me enfiando em uma calça de moletom que eu nem sabia que tinha até achá-la perdida no meio das minhas malas, e uma blusa de flanela. Não passava de 18h em Berlim quando saí do quarto indo até o de Edward. Alguém tinha que me ajudar, afinal.
Bati na porta em frente à minha e ouvi um entre. Encontrei Edward sentado na cama com milhões de papéis espalhados por ela e um computador em seu colo. Eu ri um pouco, esse costumava ser um hábito meu e eu não sabia que era um dos de Edward também. Ele deu um sorriso quando me viu. Maldito cara gostoso.
— Oi. — Murmurei sentando-me na cama perto dele para ver o que ele estava fazendo. Na cama, dezenas de fotos de mulheres que eu supus serem modelos. — Vejo que está rodeado de mulheres. — Fiz graça e ele riu baixo. — Essas são as modelos? — Ele assentiu completamente focado no computador à sua frente. — Você já escolheu? — Ele negou.
Revirei os olhos. Eu odiava monólogos. Resolvi deixá-lo trabalhar e foquei minha atenção nas modelos.
Depois de algum tempo escolhi três modelos que eu mais gostava. Sorri satisfeita. As três eram totalmente diferentes. Uma asiática, uma loira e uma negra. Eu estava completamente perdida, não sabia nem o estilo de modelo que queria. Caí cansada na cama observando Edward. Ele estava com uma camisa branca de algodão e uma calça de moletom preta. Quase soltei um muxoxo. Não deveria ser saudável pessoas serem tão quentes como Edward era. Obriguei meus olhos a se afastarem do seu corpo e foquei minha atenção em seu cabelo despenteado. Minha visão periférica captou Edward distraído mordendo seu lábio e minha atenção foi puxada para o seu rosto. Tão fodidamente bonito. Ele deu um sorriso torto.
— Porque você está olhando para mim? — Ele murmurou sem tirar os olhos da tela.
— O que de tão importante você está fazendo aí? — Perguntei.
Ele deu de ombros.
— Apenas revisando algumas coisas.
O vinco na sua testa era evidente. Ele estava completamente preso no que quer que ele estivesse revisando. Revirei os olhos percebendo que eu provavelmente não teria nenhum tipo de atenção do idiota ao meu lado. Levantei da cama carregando as três fotos das modelos comigo. Eu teria que procurar algum dos outros dois irmãos Cullen para me ajudar.
— Fica. — Ele pediu tirando os olhos da tela pela segunda vez desde que entrei aqui. Seus olhos estavam cansados
Malditamente fofo.
— Você nem vai perceber que eu saí.
Ele revirou os olhos e bateu ao seu lado na cama me chamando.
Eu poderia arquear a sobrancelha, balançar a cabeça e sair do quarto; poderia arquear a sobrancelha, balançar a cabeça, o acusar de controlador, iniciando uma discussão com um “ei, você não manda em mim” e depois sair do quarto; poderia ignorá-lo completamente…
Mas o que eu fiz até me surpreendeu. Antes que eu reparasse, eu já estava rastejando de volta à cama sentando-me ao seu lado com as três fotos de modelos em minhas mãos. Ele sorriu e dirigiu uma de suas mãos para minha perna enquanto voltava ao computador. Resolvi prestar atenção no que ele estava fazendo antes que eu morresse de tédio.
Contratos.
Edward Cullen estava analisando contratos e eu resolvi que nada era mais entediante do que aquilo. Foquei minha atenção nele novamente, me posicionando melhor na cama para ter uma comodidade maior, levando, mesmo que sem querer, suas mãos aos meus seios. Soltei uma risada surpresa e atraí sua atenção. Seus olhos desfocados e surpresos mostravam o quão perdido no trabalho ele estava.
Ele maneou a cabeça com o sorriso torto típico nos lábios e voltou sua atenção ao computador. Não sem antes dar um apertão leve no local. Claro, se ele não fizesse isso ele não seria Edward. Sua mão permaneceu no local enquanto seus olhos examinavam os contratos na sua frente.
Enquanto observava como Edward reagia ao que estava escrito nos documentos eu senti o sono crescer. Edward era realmente uma pessoa engraçada, as caras que ele fazia ao ler demonstravam exatamente o que ele estava pesando, era ótimo de se assistir. Mas alguns minutos de sono também seriam agradáveis, então ainda pesando nas expressões de Edward, eu adormeci.
Acordei pouco tempo depois, sozinha na cama. Sentei na cama confusa, coçando os olhos.
Onde diabos Edward havia se metido?
Assim que me sentei na cama Edward saiu do banheiro com uma calça preta e uma blusa social da mesma cor enrolada até os cotovelos. Ele sorriu ao me ver acordada e eu uni minhas sobrancelhas tentando entender aonde o homem iria.
Deus, porque esse homem se vestia todo de preto? Ele tem alguma ideia do quão malditamente quente ele ficava assim?
— Acordou, Bela Adormecida? — Revirei os olhos com o trocadilho estúpido o que deixou seu sorriso maior. — Eu já estava vindo te despertar do seu sono profundo. Vamos, levanta daí e vai se arrumar, nós vamos sair para jantar.
Soltei um muxoxo. A última coisa que eu queria no momento era sair desse quarto e ser forçada a ter interações sociais, apesar de eu estar faminta.
— Vamos, consegui uma reserva de última hora, não podemos perdê-la. — Ele disse enquanto sentava na ponta da cama colocando os sapatos.
— Minha presença é realmente essencial? — Perguntei prendendo meu cabelo em um coque. Eu realmente não queria sair para jantar com os irmãos Cullen hoje, a cama me parecia muito mais convidativa.
Edward bufou.
— Eu realmente não pretendo sair para jantar sozinho.
Eu arquei a sobrancelha.
— Você quer me levar a um encontro Sr. Cullen? — Fiz graça. — Sabe, normalmente as pessoas são convidadas e não convocadas.
Edward estreitou os olhos para mim tentando entender o que se passava na minha cabeça. Por fim ele sorriu. O mesmo sorriso prepotente de costume.
— Eu não disse que isso era um encontro.
Eu ri e um sorriso surgiu nos meus lábios.
— Lembre-se disso.
Levantei da cama indo me arrumar. Edward murmurou um “você tem 20 minutos” e eu corri para o meu quarto para me arrumar.
Eu faria Edward se arrepender amargamente disso ou não me chamava Isabella.
Vinte minutos depois eu saia do quarto com meu vestido Alexander McQueen novo e botas over the knee. O frio que fazia na cidade era visível então não deixei de colocar uma meia calça grossa e minha jaqueta preta de costume. Deixei meu cabelo cair liso feliz por ter o secado anteriormente deixando-o alinhado. Minha maquiagem era escura e esfumaçada, tive que a fazer em uma velocidade absurda, mas acabamos bem.
Edward estava na sala conversando com seu irmão mais velho. A conversa cessou quando apareci e Emmett assobiou ao colocar os olhos em mim, eu ri.
— Vamos, estamos atrasados. — Edward disse indo em direção da porta e fazendo sinal para que eu atravessasse.
Revirei os olhos e o segui.
— Você está bonita. — Ele disse assim que as portas do elevador se fecharam, me puxando para si em busca da minha boca.
Doce engano.
— Edward, eu estou pasma com sua atitude! — Eu disse o empurrando de leve, ele franziu o cenho deixando os braços ao redor da minha cintura, visivelmente confuso. — Isso não é um encontro, mocinho. Você não pode agir como se fosse.
Ele maneou a cabeça, incrédulo.
— Você vai fazer da minha vida um inferno, não é? — Era uma pergunta retórica, mas não pude deixar de balançar a cabeça.
Ele soltou minha cintura e houve o click do elevador. Seguimos até o taxi que já nos esperava num silêncio confortável. Sentamos no banco traseiro inconscientemente perto demais, mas quem se importava? Eu queria provar meu ponto, faria Edward dizer a palavra encontro.
Epa.
Eu estava indo a um encontro com Edward Cullen, isso muda tudo.
Nós estamos saindo da bolha casual.
Finalmente percebi o significado da palavra em uma frase ligando os nossos nomes. Definitivamente esse era um caminho sem volta. Olhei para Edward tentando entendê-lo, ele dava informações sobre o restaurante que iríamos em alemão. Não era de se espantar que Edward, craniozinho poliglota, falasse alemão também.
E eu estava fodidamente apaixonada por esse craniozinho poliglota.
E ele estava me levando a um encontro, ou talvez ele realmente não visse issl como um encontro. Eu nunca observei atentamente as relações de Edward com outras pessoas do sexo feminino o suficiente para saber se essa nossa coisa não era algo incomum para ele.
Balancei a cabeça afastando meus pensamentos, eu não queria começar a desenvolver alguma espécie de insegurança que eu tanto abominava.
— Quantas línguas você fala? — Perguntei distraída me escondendo dos meus pensamentos.
Ele sorriu.
— Algumas, eu tinha algum tempo livre quando era mais novo.
Assenti, era uma boa explicação.
— No que você está pensando? — Ele questionou rodeando delicadamente minhas costas com seu braço, descansando sua mão na minha coxa.
— Edward…
Ele bufou.
— Que se dane, Isabella. — Ele murmurou. — É um encontro, chame isso como quiser. — Sua voz soou baixa por entre seus lábios. — Pensei que já tínhamos passado dessa fase.
Eu ri, me permiti me aconchegar melhor nele.
— Pulamos algumas partes. — Eu murmurei.
Ele deu de ombros.
— Eu gosto assim.
Chegamos no lugar mais rápido que o esperado. O restaurante era italiano e assim que a hostess nos viu, ela nos levou à mesa. O lugar era agradável e com uma escuridão suficiente que dava privacidade a todos ali. Com fome, assim que ganhei o cardápio o agarrei em busca do pedido ideal. Fizemos o pedido e sorri ansiosa. Eu amava comida italiana, era meu tipo preferido e eu estava entusiasmada com a ideia.
— Você parece animada. — Edward comentou bebericando seu vinho.
Eu sorri.
— Eu amo comida italiana.
— Eu sei. — Ele disse distraidamente.
Arquei a sobrancelha.
— Como você poderia saber?
Ele sorriu.
— Eu sei muitas coisas sobre você, nós trabalhamos juntos há tempo demais para eu não saber coisas básicas assim.
Semicerrei os olhos em sua direção.
— O que foi?
Dei de ombros. Ele podia estar certo. Levei meus olhos até os dele e os deixei ali. Ele era tão bonito que era desconcertante.
Eu estava soando como um disco quebrado, Deus!
Eu tinha escolhido ignorar por bastante tempo o quão bonito o homem na minha frente era, mas, a partir do momento que eu baixei minha guarda, venho sendo lembrada desse fato constantemente. E quando ele olhava pra mim com esses olhos verdes inflamados de mistério ele parecia ainda mais maravilhoso. Aos poucos eu percebi o quão pouco eu conhecia desse homem. Além de coisas básicas ele era um completo mistério para mim.
— Eu não sei muitas coisas sobre você. — Murmurei levando meu copo de vinho até a boca.
Edward me presenteou com um sorriso torto.
— O que você quer saber?
Revirei os olhos.
— Sei lá, qual sua cor favorita? — Perguntei a primeira coisa que veio em minha mente.
Ele não precisou pensar.
— Em você, azul. — Disse como se fosse uma coisa óbvia, como se estivesse dizendo que o mar do Caribe é azul.
Maldito conquistador.
— Você é uma das únicas pessoas que consegue me surpreender. — Eu disse e podia apostar que estava corando, como uma adolescente idiota.
Edward sorriu.
— Você fica malditamente adorável quando cora.
Dei de ombros e decidi voltar às perguntas, porém agora eu investiria nas que eu sempre quis saber.
— Por que você nunca exerceu a profissão de fato? — Perguntei e quando vi seu cenho frisando eu decidi explicar meu ponto. — Quer dizer, você deveria ser o advogado valentão ou algum promotor que resolve crimes baseando-se em raciocínio lógico e dedução. — Eu ri. — Tipo na televisão, você é muito bom nessas coisas.
Ele apoiou seu queixo em suas mãos com seus olhos desfocados, pensando. E então, alguns segundos depois, seus olhos encontraram os meus.
— Eu não sei. — Ele admitiu. — Eu sempre admirei tanto meu pai e via o quanto ele gostava de fazer o que faz, então eu quis experimentar, quis saber como é. — Ele deu um sorriso torto. — Acontece que eu acabei gostando disso daqui, tanto que me formei em jornalismo também. O resto é historia.
Eu sorri.
— Por que você se aposentou? — Ele perguntou enquanto ele eu ainda digeria suas palavras.
— Eu cansei. — Admiti. — A rotina era exaustiva demais e eu frequentemente me perguntava se valia a pena. Eu até gostava do que fazia, sabe? Mas não o suficiente. Seu pai me encontrou, me ofereceu um emprego e o resto é história. Eu não me aposentei totalmente, ainda faço algumas coisas, mas só o que realmente me faz bem e satisfeita.
Ele riu e nossos pedidos chegaram. Me apressei para comer.
— Eu realmente amo comida italiana. — Eu disse saboreando meu ravióli. — Obrigada.
— Sempre que quiser.
Comemos em um silêncio agradável. A comida era incrível e eu não podia estar mais satisfeita quando acabei.
Nem eu, nem Edward quisemos sobremesa, então pagamos e nos levantamos indo em direção da saída.
— Vamos andando, não estamos muito longe do hotel. — Edward disse quando eu me virei em direção de um taxi. Assenti e me aproximei dele. Estava frio e eu me arrependi de não ter colocado uma roupa mais quente. A rua estava iluminada e eu me vi perdida, eu não tinha muito senso de direção, mas Edward parecia ser um GPS ambulante.
Edward me puxou para mais perto parando em uma esquina. Suas mãos descasaram na parte inferior das minhas costas e seus olhos encontraram os meus.
— Você está linda.
Eu sorri para ele. Felizmente o frio havia feito o seu trabalho e me deixado corada, então não tive que me preocupar com a vermelhidão me atingindo pelas suas palavras.
Qual é o meu problema?
Eu já havia sido chamada de todos os adjetivos possíveis que remetessem à minha aparência e estava corando porque Edward Cullen estava me chamando de linda.
— Você já disse isso. — Eu murmurei.
Uma de suas mãos veio até o meu rosto e ele começou a fazer carinhos no local. Fodidamente doce.
— Não é o suficiente.
Seus olhos verdes eram tão intensos que eu a única coisa que eu conseguia pensar era no quanto eu precisava sentir seus lábios nos meus. Minhas mãos rodearam seu pescoço e não pude deixar de brincar com seu cabelo sedoso.
— Edward, me beija.
Ele sorriu, um sorriso gigante e cheio de dentes.
— Seu pedido é uma ordem, madame.
E então ele me beijou. Suas mãos me apertaram mais em si e eu gemi com o contato. Edward beijava malditamente bem, sua boca me devorava me deixando cada vez mais sem fôlego, mas aprofundando mais o beijo. Sua mão fazia pressão no meu couro cabeludo e eu só o queria assim pra sempre.
Quando pareceu ser impossível respirar nós nos separamos. Edward manteve suas mãos no lugar e eu desci as minhas para sua cintura, abraçando-o. Deitei minha cabeça em seu peito normalizando minha respiração, enquanto ele mexia no meu cabelo.
— Se você continuar com isso eu provavelmente vou dormir em pé. — Murmurei.
O senti rindo contra mim.
— Vamos, vamos pegar um táxi, já ganhei o que eu queria. — Fez graça.
Revirei os olhos ignorando o movimento que ele fez em direção à rua.
— Vamos, Bella.
Neguei com a cabeça e ele riu.
— Vamos andando, não conheço nada da cidade. — Disse finalmente me afastando do ruivo. Ele me olhou incrédulo, me puxando para perto dele o suficiente para que nós pudéssemos andar.
— Por quê? — Ele perguntou enquanto virávamos a esquina.
— Longa história.
— Longo caminho. — Ele devolveu.
Sorri.
— Quando eu era pequena minha mãe tentou fazer com que eu aprendesse alemão e eu odiava a professora…
— Nada muito impressionante. — Ele debochou e eu ri.
— Enfim, eu peguei uma implicância bizarra com esse idioma, primeiro porque eu achava o som das palavras feio e segundo porque eu estava sendo obrigada a aprender. — Dei de ombros. — Mas a vida é muito curta para aprender alemão.
— Não tão curta assim.
Revirei os olhos.
— Para quem tem QI acima de 160 talvez não seja.
Ele riu.
— E o que isso tudo tem a ver com você não conhecer a minha cidade preferida de todas?
— Eu peguei implicância com o idioma e com tudo que remetesse a ele. — Expliquei
Ele assentiu.
— Nada muito impressionante. — Ele repetiu.
Revirei os olhos prestando atenção no caminho que fazíamos. A cidade era realmente bonita e bem iluminada.
Continuamos o caminho com Edward me falando dos lugares em que passávamos. Aparentemente essa era realmente a cidade preferida de Edward, quando perguntei quantas vezes ele já tinha vindo até aqui ele não soube dizer.
— Finalmente, não acredito que chegamos. — Murmurei assim que entramos no elevador.
O caminho foi mais longo que imaginei e eu estava morta. Assim que as portas do elevador se fecharam Edward me puxou até ele.
— Você não tem noção do quão fodidamente quente você está hoje.
Ele me prendeu contra a parede e atacou minha boca. E merda, eu não conseguia resistir a esse homem.
Cedo demais ele me soltou, deixando que eu respirasse. As portas do elevador se abriram no timing perfeito e eu me arrastei até o loft. Edward abriu a porta e a primeira coisa que eu fiz foi me sentar no sofá. Eu estava morta de tanto andar.
Edward foi até a cozinha e voltou com dois copos e uma garrafa de uísque na mão.
Arquei a sobrancelha quando ele estendeu até mim.
— Está tentando me embebedar, senhor Cullen?
Ele deu um sorriso torto maroto.
— Talvez. — Eu revirei os olhos e bebi a bebida que ele tinha me estendido. — Na verdade eu tenho que falar uma coisa pra você e eu sei que você vai querer alguns copos desses.
Edward estava sério demais para o meu gosto e senti meu estômago se contorcer em ansiedade.
— Primeiro quero falar que não foi culpa minha, não tenho nada a ver com isso… — Ele começou e o monstrinho dentro de mim me cutucou.
— Edward pare de enrolar. — Pedi curiosa, sentando melhor no sofá para olhá-lo.
Ele assentiu e passou a mão no cabelo.
— Deus, você vai surtar. — Ele murmurou se jogando no sofá ao meu lado.
— Você está piorando as coisas…
Mais mãos no cabelo e já estava começando a me deixar irritada.
— Tudo bem. — Ele respirou fundo. — Carlisle ligou dizendo que foi procurado por alguém da Colcci e eles acharam a ideia do que estamos fazendo maravilhosa… — Murmurei um “hmm” para incentivá-lo a continuar. — Eles fizeram uma reunião e viram que o melhor lugar para a nova coleção seria aqui na Alemanha. Então o ensaio daqui vai ser com roupas da Colcci.
Dei de ombros. A Colcci era uma ótima marca, eu não entendia porque Edward achou que eu teria algum problema com isso.
— Você está fazendo tempestade em copo de uísque. — Fiz graça e coloquei a bebida em cima da mesa de centro.
Ele não sorriu e meu sorriso vacilou.
— Tem mais? — Perguntei hesitante.
Ele assentiu.
— Eles também entraram em acordo de que a modelo da coleção deles será ideal…
E é agora que eu surto.
Trouxe o copo até mim de novo. Seja lá que modelo fosse essa eu já sei que eu não ia gostar. Bebi tudo que tinha no copo em um gole só e coloquei-o novamente na mesa de centro. Edward encheu-o novamente.
— Tão ruim assim? — Perguntei em um fio de voz quando ele estendeu o copo pra mim.
Ele assentiu.
— Só me diz o nome e podemos acabar com tudo isso.
Ele suspirou.
— Tanya Denali.
Tanto palavrões passaram na minha cabeça em uma fração de segundo que nem consegui acompanhar. Fechei meus olhos e trouxe meu copo até os lábios bebendo mais uma vez tudo em um único gole.
Tanya Denali.
Como Carlisle concordou com isso?
Estendi o copo para Edward novamente que me observava receoso e ele hesitou a colocar mais – até ele ver meu olhar.
O nome da loira morango dava voltas na minha cabeça.
Bebi o copo novamente. O álcool já fazendo efeito no meu sistema nervoso. Coloquei o copo vazio em cima da mesa de vez e me joguei no sofá.
Eu havia ido contra tudo que aprendi e bebido algo muito forte muito rápido. Eu definitivamente estava um pouco bêbada somando as taças de vinho que tomei no restaurante.
— Eu estou preocupado que você tenha tido um ataque cardíaco. — Edward murmurou e eu revirei os olhos.
Eu não fazia ideia de como eu ia lidar com Tanya Denali em algo tão importante pra mim como esta viagem estava sendo.
E ainda tinha o adicional Tanya e Edward.
Ao que parece Berlim não estava fazendo muito para que eu gostasse um pouco mais daqui.
Olhei para Edward e ele parecia tão preocupado com a minha reação que era até fofo.
Eu estou usando muito esse adjetivo para me referir a ele, preciso de sinônimos para fofo.
Deitei minha cabeça em seu ombro e coloquei minhas pernas sobre as suas.
— Eu subestimei você, achei que você surtaria, mas fui surpreendido. — Ele sussurrou.
Eu ri baixinho.
— Não se engane, eu estou em chamas por dentro.
Suspirei, cansada. Eu estava exausta. Não pude evitar um bocejo.
— Venha, vamos dormir. — Edward disse se levantando e me levando junto.
— Edward, o que diabos você está fazendo? Me coloca no chão.
Ele riu e continuou andando.
Eu não podia reclamar. Eu estava relativamente tonta por conta do álcool e precisaria de ajuda de qualquer maneira.
Edward abriu a porta do quarto dele, me colocou delicadamente na cama e foi em direção das suas malas. Tirei minhas botas deixa-as perto da cama e minha jaqueta. Apesar de saber o quanto era ruim dormir maquiada eu ignorei, a probabilidade de eu me levantar e retirar ela toda era nula. Me deitei na cama me cobrindo por inteiro e assisti Edward vindo até mim com uma camisa na mão.
Ele parou do meu lado da cama e me descobriu.
— Levante, vou te ajudar a tirar esse vestido.
Como não fiz o que ele pediu, ele me puxou.
Revirei os olhos.
Eu não queria me mexer, essa cama era confortável demais.
— Tão mandão. — Murmurei enquanto ele me levantava da cama. — Eu não quero ficar em pé, Edward.
Resolvi que o quanto mais rápido eu entrasse na blusa que ele me estendia, mais rápido eu dormiria. Assim que ele puxou o zíper do vestido eu levantei os braços para que ele pudesse puxar.
Com o vestido fora do meu corpo, tirei meu sutiã e Edward colocou uma de suas blusas de algodão preta pela minha cabeça. E, sem seguida, me enfiou em um casaco de moletom azul.
Eu realmente estava apaixonada por esse homem
Me deitei na cama novamente satisfeita pela temperatura agradável. Fechei os olhos, pronta para dormir quando senti a cama afundar ao meu lado novamente. Abri os olhos e encontrei Edward com uma caixa de lenços nas mãos.
Soltei um suspiro resignado e sentei na cama. Fiz um coque no cabelo e estendi a mão para pegar um dos lenços e retirar minha maquiagem.
— Obrigada. — Murmurei o fitando. Ele ainda não tinha trocado de roupa e parecia tão cansado quanto eu.
Definitivamente apaixonada.
Não resisti aos seus olhos verdes e o puxei até mim colando as nossas bocas. Ele riu e retribuiu o beijo.
Seu corpo ficou sobre o meu enquanto eu atacava a boca dele. Edward definitivamente era um beijador. E um ótimo deles. Levei minhas mãos até o seu cabelo, acariciando-o. Eu definitivamente poderia ficar assim para sempre.
Senti seu membro duro contra mim e nos virei, ficando por cima dele. Ele me olhou surpreso segurando minhas pernas.
Completamente apaixonada.
O beijei novamente e o ouvi gemer. Segurei a barra de sua camisa e ele permitiu que eu a puxasse pela cabeça dele.
Suas mãos continuavam nas minhas pernas em um aperto tão quente que eu queria engoli-lo.
— Bella, isso não vai acontecer enquanto você estiver bêbada. — Ele disse com uma voz sussurrada que me fez apertar-me mais contra ele.
Ignorei suas palavras e levei minhas mãos até o fecho da sua calça abrindo-a. O ouvi rir e voltei minha atenção para sua boca, beijando-o de novo. Ele aceitou o beijo e deixou que eu aprofundasse.
Felizmente consegui distraí-lo o suficiente para puxar sua calça para baixo, ele até me ajudou.
— Porque você faz isso comigo? — Ele me murmurou contra os meus lábios.
Separei nossas bocas o suficiente para poder olhar em seus olhos intensos.
— A culpa é toda sua. Você não tem noção do quão quente você fica todo de preto. Parece que você faz isso para me testar. — Ele riu. — Preto é, definitivamente, minha cor favorita.
Definitivamente era.
— Vou lembrar disso. — Ele disse antes de puxar a camisa que ele tinha acabado de colocar em mim. — Eu odeio como você me dobra tão fácil.
Eu ri e ele gemeu com o contato de nossos sexos.
— Odeia muito? — Perguntei enquanto tirava a sua boxer.
— Demais. — Ele ofegou quando segurei seu pênis.
Minha calcinha estava fora de mim antes que eu percebesse e ele se virou na cama, ficando por cima de mim.
— Eu provavelmente odeio mais. — Eu disse fazendo-o rir, e ele entrou em mim.
Quente e duro. Ele definitivamente estava me fodendo duro e forte. Nossos gemidos se encontravam e eu só conseguia pensar no quanto eu queria mais e mais dele.
Suas investidas em mim se tornavam mais fortes e mais ritmadas e sua boca estava em vários lugares do meu corpo. Boca, pescoço, seios. E nunca parecia ser o suficiente.
Puxei sua boca até a minha novamente enquanto ele investia mais e mais fundo. Ele gemeu baixo meu nome no meu ouvido e eu não consegui reprimir um gemido alto.
Seus dedos acariciam meu clitóris e eu achei que ia explodir. Ele estocava cada vez mais rápido, cada vez mais fundo, tocando por vezes em um certo ponto em que só ele tocava tão bem.
Loucamente apaixonada.
Meus olhos fecharam automaticamente e eu rebolava cada vez mais nele. Minha mão que descansava em seu cabelo tomou vida e começou a puxar os fios entre os meus dedos.
Edward investiu mais forte e mais fundo e eu me senti apertando-o dentro de mim.
Algumas estocadas depois, eu gozei. Meu corpo mole descansou sobre a cama e Edward veio logo depois de mim.
Seu corpo caiu ao meu lado da cama e ele me puxou contra si vestindo-me com a camisa e moletom de antes e deixou que eu me acomodasse depois de colar minhas costas em seu peito nu.
As noites aqui costumavam fazer frio e eu estava quentinha no meio de tanto calor.
— Você vai sentir frio, coloca uma roupa. — Murmurei.
Edward ignorou prontamente.
— Edward…
Novamente ignorada.
Virei para fitá-lo e ele fechou os olhos fingindo que estava dormindo. Revirei os olhos, Esme deve ter tido bastante trabalho com ele.
Levantei da cama ignorando o muxoxo que ele soltou e fui até as suas malas. Eu ainda estava tonta pelo álcool, então fiz um esforço maior para chegar até o local sem tropeçar. Achei uma camiseta verde e uma cueca em uma das malas abertas e levei até ele.
— Pronto, bebezão, coloque uma roupa e não morra de frio.
Ele riu e colocou as roupas que eu estendi me puxando até ele novamente e rodeando minha cintura com seu braço.
— Obrigada, querida. — Ele murmurou deixando um beijo no meu cabelo.
Malditamente apaixonada.
.
Quando Edward acordou de manhã eu já tinha acordado há muito tempo. Eu saltei da cama nas primeiras horas da manhã e sentei para digerir direito Tanya Denali. Não era uma implicância boba. Eu realmente teria que lidar com algo que eu deveria estar acostumada com modelos, eu estive nos dois lados da moeda. Mesmo assim, Tanya Denali era alguém difícil de digerir.
Depois de muito debate interno decidi que podia fazer isso e então sentei na frente do computador trabalhando para que a sessão ficasse perfeita e minha única preocupação fosse não matar Tanya Denali.
Felizmente, eu já estava relativamente familiarizada com a nova coleção da Colcci quando abri meu email e vi as opções de roupas. Eu também conhecia a loira morango bem o suficiente para apostar nas peças que ficariam melhor nela. Eu não sabotaria meu próprio ensaio, claro. Além disso eu era perfeccionista demais para tentar uma auto sabotagem.
Claro, eu também tinha que lidar com a pequena e surpreendente ressaca que eu estava. Depois de uma passagem na cozinha, eu estava equipada de aspirinas e uma grande garrafa d’água, o dia seria longo.
De volta ao quarto, encontrei Alice no corredor e tivemos uma breve conversa sobre fotografar Tanya Denali. Alice, porém, estava animada em conhecer meu desafeto.
Então, quando Edward começou a se mover na cama minha atenção foi desviada para ele. Eu estava de pernas cruzadas na cama, com meu computador no colo. Eu havia tomado um banho rápido, lavado o cabelo e me enfiado em uma roupa quente, não substituindo a camisa e casaco de Edward.
Seus olhos piscaram algumas vezes e encontraram os meus. Ele sorriu.
Como alguém consegue ser bonito essa hora da manhã?
Quando eu tinha me tornado tão piegas?
— Que horas são? — Ele perguntou olhando para o computador na minha frente.
Revirei os olhos.
Alguém acordou mal-humorado.
Dei uma olhada rápida no relógio do computador antes de responder.
— Quase uma hora.
Ele franziu o cenho e voltei minha atenção para o computador. Aparentemente, eu tinha mais trabalho acumulado do que nunca. Eu tinha centenas de emails para ler e dezenas de artigos para escrever e revisar. Eu estava mais atrasada do que nunca.
Edward falou algo, mas eu não acompanhei, apenas assenti fazendo o maior esforço possível para me concentrar na crônica à minha frente. Crônicas não eram muito comuns na revista, porém algumas valiam a pena a sua publicação. E essa era definitivamente uma delas.
Acabei de ler as últimas linhas e mandei email para o autor o parabenizando. Ver o sucesso das pessoas me deixava animada. Então quando reli e enviei o email eu estava definitivamente animada. Dei uma olhadela para Edward e o encontrei me fitando com cara de tédio e resolvi o lembrar que não estávamos em Berlim a turismo.
— Recebi um email da Colcci com as opções de roupa que a Denali vai usar e já as escolhi. Não foi muito difícil, aquele cabelo dela não combina muito com a coleção, não sei como a escolheram. — Dei de ombros. — Fiz um brainstorm sobre a sessão, mas vou precisar da sua ajuda para escolher um lugar ideal, não conheço muito por aqui.
Edward revirou os olhos.
— Eu odeio você. — Ele murmurou coçando os olhos.
Minha vez de revirar os olhos.
— Bom, a culpa é totalmente sua, se você estivesse acordado poderíamos ter decidido juntos.
Ele bufou.
— Não odeio você por escolher meia dúzia de vestidos. Odeio você por não estar deitada aqui do meu lado.
Eu ri.
— Alguém tem que trabalhar. E, além disso, você me odiava por muito menos, se eu me lembro bem.
— A recíproca é verdadeira. — Ele disse dando de ombros e sentando na cama.
— Bom dia para você também.
Ele bufou.
— O que você está fazendo? — Ele perguntou coçando os olhos.
— Trabalhando.
— É por isso que não está deitada aqui comigo?
Murmurei um “uhum” enquanto ia para outro artigo que teria que ler. Eu estava atolada de trabalho e queria acabar com isso de uma vez por todas.
Vi Edward se levantar e ir em direção ao banheiro, provavelmente para tomar banho e minha concentração vacilou ao me lembrar de nós dois fazendo sexo no banheiro da casa dos meus pais.
Balancei a cabeça e continuei o trabalho. Nesse ritmo, infelizmente, eu não terminaria tudo antes de duas da manhã.
E foi o que aconteceu. Acho que nunca fiz tanta coisa em um espaço de tempo tão curto antes. Passei a tarde toda com os olhos na tela do computador. Pedi ajuda a Emmett para ter opinião de alguém relativamente leigo no assunto em uma das colunas que eu escrevia “Moda 101”. Pedi ajuda a Alice para decidir detalhes da sessão. Vi Edward pouco, depois que voltei para o meu quarto para focar totalmente minha atenção no trabalho eu me desloquei um pouco do mundo.
Com o último email enviado me estiquei na cama colocando o computador para longe. Meus olhos coçavam e o sono que eu sentia era tão grande que eu só queria ficar ali deitada para sempre. Mas, infelizmente, minha fome também era grande demais, eu só tinha almoçado antes de me fechar no quarto. O impasse era grande, então eu, com um suspiro, decidi que era mais saudável jantar.
Às duas da manhã.
Resolvi tomar um banho primeiro e me coloquei num short de moletom e camiseta qualquer. Como o aquecedor estava ligado, não fazia frio no loft e eu podia transitar sem camadas e mais camadas de roupa.
Revirei a geladeira em busca de comida e encontrei minha companheira de sempre: comida congelada.
Graças à genética eu podia comer tudo que eu quisesse sem me importar com as calorias.
Obrigada, mamãe.
Enquanto comia resolvi mandar mensagem para Rosalie, eu queria saber como andava o pseudo relacionamento dela com Emmett.
Rápido veio a resposta.
“Estamos bem, na verdade, antes de ir ele me pediu em namoro. Conversamos sobre como vai ser complicado nesses dois próximos meses que eu terei que ficar aqui acabando a residência. Mas acho que quando eu me mudar para Nova Iorque tudo vai dar certo.”
Sorri, eu mal esperava para ter Rosalie de volta depois de todo esse tempo longe.
“Fico feliz em ver você feliz”
Enviei a mensagem e lavei a louça. Deitei no sofá olhando a paisagem, eu havia perdido o sono e estava relativamente entediada.
— Está acordada? — Ouvi a voz de Alice e sorri fitando-a. — Que bom, preciso conversar.
Ela sentou do meu lado e começou a falar sem parar. Pelo o que eu consegui acompanhar ela estava em dúvida em relação ao seu relacionamento com Jasper. Ela achava que estava apaixonada, mas não tinha certeza se Jasper estava também. Revirei os olhos. Mas resolvi manter o quão óbvio era para mim. Pelo o que eu conhecia de Jasper ele estava se preparando para o momento ideal. O rei do romance também era rei do suspense.
— A maneira mais fácil de vocês resolverem isso é conversando. — Murmurei evasiva quando ela perguntou o que eu achava.
Ela deu de ombros aceitando a minha sugestão.
— Eu nem sei como nos classificar. — Ela murmurou. — Se alguém me perguntar se eu estou solteira, o que eu vou responder? — Ela passou a mão no cabelo exatamente como seu irmão. — Quer dizer, não estamos namorando, Jasper não fez o pedido. Ele está demorando muito. E se estivermos juntos e alguém perguntar se estamos namorando, o que eu respondo?
Eu ri.
— Como você definiria? — Ela perguntou.
— Definiria o que?
— Você e Edward, se alguém perguntasse para você como você definiria?
Arqueei a sobrancelha surpresa.
Não faço a mínima ideia.
Edward era apenas Edward.
Cocei a cabeça.
— Colega de trabalho?
Ela bufou.
— Colega de trabalho? — Assenti. — Colegas de trabalho que se beijam, fazem sexo, orbitam entre si…
Dei de ombros.
— Vocês estão namorando, apenas não repararam.
Franzi o cenho.
— E porque você acha isso?
— Vocês dormem juntos quase toda noite, comem juntos, você frequentemente usa as roupas dele, Deus, vocês brigam menos também, quando um se move o outro se move, vocês estão sempre se tocando, tanto que dá nervoso.
Ela falou de maneira tão óbvia que parecia que ela falava que a água é incolor, inodora e insípida.
Ok, ela poderia estar certa. Mas estar em relacionamento sério com alguém é diferente do que estar agindo como se estivesse em um relacionamento sério com alguém. Até porque eu não tinha plena certeza de que havia algum tipo de exclusividade entre Edward e eu. Eu não tinha como saber se estava fodendo com outra por aí enquanto não estava comigo.
Claro que esse pensamento me incomodava. Eu estou malditamente apaixonada pelo cabeçudo, só o pensamento dele com outra já me faz querer explodir ambos.
Esse incomodozinho dentro de mim me cutucou outra vez.
Porcaria de sentimento, era muito mais fácil quando eu não sentia nada por ele.
E Tanya ainda estava vindo aí. Com aquela cara de pau enorme. Minha paciência para lidar com Edward e Tanya caia a cada momento. Eu estava sofrendo por antecipação. Eu não sei o que faria se Edward colocasse um dedo naquele cabelo loiro dela. Eu provavelmente surtaria.
Claro que eu surtaria por dentro.
Até porque nós não estávamos em nenhum tipo de relacionamento.
Deus, Isabella pare com isso.
Porque eu estou agindo como uma garota ingênua e insegura.
Claro que Edward sentia alguma coisa por mim, estava estampado na cara dele, nas ações dele, no modo como ele me tratava.
E não sabia definir a relação entre nós dois, mas eu tinha uma ponta de certeza que beirava ao exclusivo.
O encontro com Anthony voltou à minha cabeça
“— Isabella, nós éramos dois adolescentes, vamos retomar nosso relacionamento. Você não quer voltar a ser minha mulher?
— Não vai dar. — Eu recuei.
— Por quê?
Quando eu ainda estava formulando uma resposta, fui puxada para trás por uma mão que eu conhecia e trombei com um peito másculo.
— Porque ela já é minha. — A voz de Edward saiu grave e cortante.”
Porque ela já é minha.
Porque ela já é minha.
Eu não tinha pensado muito no significado dessas palavras, mas eu definitivamente era dele. Tão dele que eu não conseguia me manter longe dele. Depois de tantas noites que dormimos juntos, dormir sem ele era estranho. Eu me preocupava com ele.
— Eu não sei como definiria, Alice. — Eu disse depois de um tempo.
Ela sorriu.
— Vocês são tão fofos, tenho vontade de apertar vocês.
E então ela me puxou para um abraço apertado.
Ao que parece Alice não deixava as coisas metaforicamente.
— Eu não sei como vou lidar com Tanya em cima de Edward. — Confessei.
Eu sentia que precisava expulsar isso de mim para qualquer pessoa. Eu precisava de alguém falando que eu sou boba por me preocupar com isso.
Alice sorriu.
— Você está realmente apaixonada por ele, não é?
Dei de ombros.
— Edward sempre tratou Tanya como amiga… Na verdade, eu acho que eles até se pegaram alguma vez, mas não foi nada demais. Pelo menos não para Edward.
— Edward e Tanya já se pegaram? — Minha voz levantou uma oitava.
Alice acabou de tornar tudo pior.
Ela me deu um sorriso amarelo.
— Não foi nada demais. Eles eram novos. Além do mais, ele sempre deixou claro que não quer nada com ela.
— Ela quer algo com ele, isso já é alguma coisa.
Revirou os olhos.
— Quando um não quer, dois não brincam.
— Eu vou surtar.
Ela riu.
— Edward só tem olhos para você.
— Além de você, não tivemos muita presença feminina nas ultimas semanas para você afirmar isso.
— Confia em mim.
Ela levantou me dando uma piscadinha e indo até a cozinha.
Levantei em seguida indo em direção ao quarto de Edward. Porque deitar na minha cama se posso deitar na de Edward com Edward?
Dei duas batidas e ouvi um “entre”. Edward estava no telefone quando coloquei os pés para dentro do cômodo. Ele me deu um sorriso e eu sentei de pernas cruzadas esperando ele acabar de falar no aparelho.
— Sim, às 14 no East Side Gallery
Franzi o cenho. Do que ele estava falando?
Houve uma pausa.
Ele riu.
— Muito bem, e você?
Outra pausa e outra risada.
— Talvez.
Pausa.
— Eu também estava com saudades.
Com quem Edward estava falando?
— Sim, tudo certo, vejo você amanhã.
Ele desligou e sorriu para mim.
— Preciso te mostrar isso, vem cá.
Com meus olhos entreabertos me aproximei dele e do computador que ele puxou do chão.
— Enquanto você estava trancada naquele quarto falando com todo mundo menos comigo eu decidi os últimos detalhes da sessão.
Meus olhos foram para tela onde tinha fotos de um lugar com muros pichados. Logo identifiquei. Era o lugar que ele se referiu antes ao telefone, East Side Gallery. Era uma galeria de rua, um lugar onde os pichadores faziam arte em muros. Era maravilhoso o lugar.
— Pedi autorização e consegui o East Side Gallery para a sessão, não foi muito fácil, porém. — Ele riu. — Enfim, como eu vi que os vestidos que você escolheu não tinham estampa, achei que seria o lugar ideal.
E era.
A ideia era perfeita.
O contraste era incrível.
— Já agendei tudo, vai ser 14h amanhã.
— Incrível. — Murmurei baixinho rolando a página onde mostravam fotos do muro.
A ideia era realmente boa.
A sessão ficaria maravilhosa. As cores vibrantes com os desenhos incríveis.
Era tão bom que eu já não encontrava mais adjetivos para elogiar.
— Você gostou?
Assenti.
— Malditamente bom.
Eu não estava nem um pouco irritada por ele ter decidido sem mim. A ideia foi ótima. Abri meu email em outra aba para lembrar os vestidos nos mínimos detalhes e decidir em que partes do muro combinavam mais.
— Seus olhos estão brilhando.
Eu ri.
— Estou animada.
Ele riu.
— Que bom que você gostou. — Ele disse fechando o computador que eu tinha puxado para o meu colo.
— Com quem você estava no telefone?
Seu sorriso vacilou.
— Tanya.
— Hmm, devo supor que você está com saudades dela, então?
Ele revirou os olhos.
— Não, querida, estava me referindo à Berlim quando falei em saudade.
Dei de ombros e ele riu.
— Quando os vestidos chegam?
Deitei na cama me colocando em baixo dos cobertores e me virando para olhar Edward.
— Amanhã de manhã, já vão vir ajustadas. — Respondi. — Quando partiremos?
— No dia seguinte, de tarde.
Assenti me aproximando dele.
— Fiquei feliz por você ter vindo dormir comigo.
Dei de ombros entrando no abraço dele.
— Eu estou sempre por aqui.
— É, eu acho que sim.
E com Edward acariciando minhas costas, eu dormi.
.
Acordei com Edward fazendo cócegas nos meus pés, ele, diferente do que acreditei, não estava animado, mas hesitante.
Cocei meus olhos e sentei na cama.
— Que horas são?
— Dez horas, achei que você ia querer se arrumar com calma.
Assenti. A preguiça ainda tomando conta de mim e me impedindo de levantar.
— Levanta daí. — Ele disse puxando meus pés.
— Se eu fosse você faria tudo para eu não me irritar hoje. — Murmurei levantando.
Ele riu e me puxou para um beijo.
— Às suas ordens, madame.
Revirei os olhos indo para o meu quarto.
O dia seria bem longo.
.
Depois de tomar um banho e me arrumar não pude deixar de me olhar no espelho. Meu cabelo tinha crescido e estava preso em um rabo de cavalo e eu vestia roupas quentes e confortáveis. Fazia muito frio lá fora e eu ficaria a tarde toda em pé. A blusa de lã coral era uma das minhas preferidas, e eu me sentia bem eu com esses trajes. Minhas botas de cano alto sem salto me deixavam baixinha.
No relógio marcava 12h então me apressei em sair do quarto antes que Edward viesse reclamar.
Eu estava tentando ao máximo não pensar em Tanya enquanto caminhava em direção da sala, mas quando eu coloquei os pés no cômodo eu quase choraminguei. O que Tanya estava fazendo ali?
Isso não podia estar acontecendo.
Na sala estava ninguém mais ninguém menos do que Tanya Denali com todo seu falso esplendor em um vestido verde esmeralda. Sentada no sofá ao lado de Edward, vestido todo de preto. Quando seus olhos cruzaram com os meus eu vi que ele tinha feito isso de propósito.
Porque diabos eu tinha falado para ele o quão quente ele ficava de preto?
— Isabella, quanto tempo. — Tanya me saudou.
— O que você está fazendo aqui? — Não evitei a pergunta.
A risada falsa da garota ecoou pelo local.
— Uh, bom dia pra você também.
Revirei os olhos.
— Ela vai almoçar conosco. — Emmett murmurou chegando na sala com Alice em seu encalço.
Respirei fundo.
— O que estamos esperando, então? — Perguntei irritada.
— Nada, vamos. — Edward disse levantando do sofá e me oferecendo um sorriso.
Recusado.
Nem almoçar em paz eu poderia.
Alice se apresentou para a loira enquanto saímos do loft. Ao que parece, almoçaríamos no restaurante do hotel.
Edward se colocou do meu lado no elevador e segurou meus braços.
— Você está com frio.
— Aparentemente.
Ele sorriu.
— Você está bonita. — Sua voz era baixa e eu podia apostar que estávamos
— Obrigada.
— Você vai ficar assim até o fim do dia?
Dei de ombros.
— Você está tentando me dobrar vestindo preto? — Murmurei estreitando os olhos.
Não que eu estivesse reclamando.
Ele riu e se afastou um pouco de mim para sairmos do elevador.
— Talvez.
— Vocês estão combinando. — Ouvi Alice murmurar quando sentamos no restaurante do hotel.
Fiz meu pedido rapidamente e reparei no olhar que Tanya dava para mim.
Bufei.
Comecei uma conversa com Alice e Emmett sobre a minha infância com Jasper e Rosalie. Eram tantas perguntas que me deixavam cansada.
Eventualmente a mão de Edward acariciou a minha por cima da mesa me pegando desprevenida.
Um segundo depois Tanya colocou sua mão no braço de Edward e murmurou para todos na mesa ouvirem “lembra desse brinco, Edward? Você me deu há algum tempo. O uso até hoje”.
E o cretino não tirou.
Respirei fundo e não pude evitar de puxar minha mão para mim e voltar minha atenção para Alice e Emmett.
O maldito brinco era insuportavelmente deslumbrante.
Nosso almoço chegou e eu comi tudo rápido ignorando os olhares de Edward.
É eu sei que não era totalmente culpa dele, mas não dava para evitar.
Depois de inventar uma desculpa, consegui ir no táxi com Alice e Emmett. Como estávamos em tínhamos que pegar dois táxis.
Eu simplesmente não conseguiria ouvir a voz de Tanya por mais tempo.
— Eu a detesto. — Alice disse do nada.
Olhei para ela, sentada do outro lado do banco traseiro e sorri.
— Bem-vinda ao clube.
Emmett riu.
— Eu gosto dela, ela não é tão má assim. — Ele disse do banco da frente.
— Emmett, ou ela ou eu.
Ele riu novamente e balançou a cabeça.
— Edward está relativamente incomodado com Tanya ou hoje ou é impressão minha? — Alice perguntou.
— Nada que eu tenha percebido. — Admiti.
— Vocês tiverem “a conversa”?
Franzi o cenho.
— Que conversa?
— Você sabe que conversa.
Revirei meu cérebro em busca de alguma pista do que a garota falava.
— Não tivemos conversa nenhuma.
Ela assentiu.
Chegamos ao local relativamente cedo.
Felizmente, Edward conseguiu tudo que precisávamos para sessão, então tínhamos todo suporte necessário.
Entreguei as referências de cabelo e maquiagem que eu tinha escolhido à equipe e vi Tanya se despedir da gente com um aceno – e um beijo na bochecha de Edward (perto de mais demais da sua boca – e por um tempo relativamente longo). Os olhos de Edward vieram até os meus e eu não pude fazer nada a não ser manear a cabeça e voltar minha atenção para Alice que me perguntava o que eu tinha na cabeça sobre a sessão.
É, o dia ia ser longo.
E foi.
Lenta e malditamente longo.
Fazia frio em Berlim e eu quase fiquei com pena de Tanya com os vestidos curtos da nova coleção da Colcci. A cada intervalo Tanya se enfiava em um casaco grosso que Edward fazia questão de segurar para a loira.
Eu realmente acho que nunca bufei tanto em toda a minha existência.
Eu tinha que admitir, Tanya era boa.
As fotos tinham ficado ótimas e seria difícil escolher a melhor.
Quando a última foto foi tirada já era noite. Tanya correu até Edward e se evolveu em seu casaco quente que o ruivo segurava.
Edward manteve seus olhos em mim grande parte do dia. Ele até tentou se aproximar, mas meu olhar provavelmente o reprimiu e ele apenas disse “depois”.
Usei toda falsidade disponível e me despedi da modelo. Eu estava faminta e disse à Alice que estava indo procurar algum lugar para comer, ela tentou me demover da ideia, mas desistiu quando eu fiz um pequeno drama. Assim, saindo dali fui em direção ao bistrô ali perto que tínhamos passados no táxi.
Felizmente eles estavam abertos, então fiz um pedido e sentei-me para esperar e não evitei um suspiro de alívio ao perceber que o dia tinha acabado sem incidentes. Aparentemente eu tinha desenvolvido uma técnica de internalizar as emoções e foi o que eu fiz. Internalizei todo o ciúme que eu tinha sentido de Edward e Tanya durante o dia. Internalizei os olhares, as risadas, os toques e a maldita proximidade. Internalizei até o modo como ela parecia conhecer ele muito mais do que eu conhecia.
E funcionou.
Mantive meu interior à mil, mas meu exterior impecável. Evitei todo contato visual com ambos quanto pude. Tentei me manter focada e imparcial ao observar as fotos. Me esforcei para tentar ser quem eu era antes da viagem.
Exteriormente obtive sucesso.
Interiormente fracassei.
Muito.
Totalmente.
Tudo que internalizei voltava a mim como um tapa na cara.
Era a vida me mostrando que eu não estava nem um pouco pronta para me jogar no buraco negro que tinha mergulhado, metaforicamente, na casa dos meus pais. A bolha havia se rompido, eu estava na vida real.
Meus pensamentos eram desconexos enquanto eu comia meu pedido. Eu sabia que Edward não faria coisas assim para me ferir ou algo do tipo. Ele provavelmente estava sendo apenas gentil segurando o casaco da loira. Eles possivelmente tiveram algum tipo de relacionamento antes, e por isso ela parecia o conhecer tão bem. Os toques eram intencionais da parte dela, claro.
Mas nem sabendo tudo isso eu conseguia deixar de senti o incômodo dentro de mim. A dorzinha chata. A irritação de perceber que a vida não é como a gente quer que seja. Meu celular tocou e eu ignorei. Eu estava tirando um tempo para mim, coisa que eu não fazia há um tempo.
Fui presenteada pela casa. Ganhei uma cerveja, ao que parece todos os lugares desse país servem cerveja. Sem poder recusar, bebi. E eu não sabia o quanto eu precisava ficar até a primeira gosta de álcool infiltrar-se em minha corrente sanguínea.
Algumas cervejas depois eu estava completamente bêbada. Minha mente se silenciou e eu agradeci. Resolvi voltar para o loft quando vi a hora, eu tinha passado mais tempo ali que eu imaginei. Saí do lugar agradecendo o santo protetor dos bêbados por não estar tonta. E resolvi caminhar um pouco sem rumo apenas para tentar recuperar minha mente do estado embriagado em que ela se encontrava.
O relógio em meu pulso tinha seus ponteiros nas primeiras horas da madrugada, mesmo assim a rua parecia cheia. O frio era cortante, mas como uma londrina de carteirinha, não me intimidei por ele. Caminhei entre casais adolescentes apaixonados, idosos não tão idosos, mulheres grávidas, pessoas sozinhas. Não pude evitar de pensar que cada um tinha uma história por trás daqueles rostos, dentro daquelas roupas quentes.
Depois do que me pareceu uma hora andando, não aguentei o frio e fiz sinal para um táxi. Poucos minutos depois cambaleei para fora do veículo e andei até o elevador. Me endireitei quando vi um dos meus fotógrafos preferidos de todos os tempos: Eleazer. O abracei e ele se assustou. Eu nunca tinha sido tão calorosa com ele assim antes. Ele rapidamente deduziu que eu estava bêbada.
— Você quer me contar o que houve? — Ele perguntou quando nos separamos.
Neguei.
— Eu só bebi um pouco.
Ele riu.
— Por causa do seu namorado?
Namorado.
Namorado.
Balancei a cabeça.
Edward não era meu namorado.
— Ah, minha pequena, se eu não estivesse tão atrasado me sentaria para ouvir sua história. Mas tenho que ir. Nos falamos depois?
Assenti e me enfiei no elevador.
Onze andares depois e eu estava mais perto de aproveitar minha cama do que nunca.
Entrei no loft fazendo menos barulho possível. Passei pela cozinha pegando um copo de água e aspirina que eu precisaria para o dia seguinte e fui em direção ao meu quarto.
Quando eu abri a porta encontrei um Edward cansado olhando para o teto no escuro deitado na minha cama. Entrei em silêncio e me sentei no lado oposto tirando minhas botas, retirei também o prender de cabelo deixando-o cair ao redor de mim.
Apesar de ter ficado o dia inteiro fora de casa, não tive muita força de vontade de trocar de roupa, apenas deixando meu casaco cair no pé da cama. Me enfiei em baixo dos cobertores e fechei os olhos. Eu estava ignorando Edward totalmente e, graças ao meu estado de embriaguez, não era muito difícil.
Bem, isso se ele não começasse a falar.
— Você não vai trocar de roupa?
— Não. — Respondi sem nem me mexer.
— Você demorou.
Ignorado.
— Fiquei preocupado.
Ignorado.
— Bella…
Ignorado.
— Nós temos que conversar.
— Depois. — Murmurei, postergaria o quanto pudesse.
— Já é depois. — O ouvi bufar.
Como sabia que ele não desistiria murmurei:
— Não temos o que conversar, Edward.
— Eu só quero te explicar tudo…
— Você não tem que explicar nada para mim.
Ele me virou fazendo com que nossos olhos se encontrassem e murmurou um “bem melhor” que acredito que tenha sido para si mesmo.
— Eu fodidamente tenho. — Ele passou a mão no cabelo. — Eu sei o quanto tudo isso foi pesado. Deus, não gosto nem de imaginar como me sentiria no seu lugar.
— Você não tem que me explicar nada. — Repeti.
Ele franziu o cenho.
— Porque você insiste em dizer isso?
Dei de ombros.
— Não posso cobrar nada de você.
Seus olhos se iluminaram.
— Droga, Bella, eu sou eu seu. Completamente, em todos os sentidos. Eu quero estar com você e só com você. Agora, por favor, pare de repetir isso. Já tem muita coisa passando pela minha cabeça.
Eu sou seu.
— O que você quer dizer com isso?
— Eu sei que essa ideia de pertencimento em um namoro não é muito saudável, mas meu corpo diz que sou seu.
Em um namoro.
— Edward, do que você está falando?
Mais uma vez, seu cenho foi franzido.
— O que foi?
Em um namoro.
— Desde quando você se refere a isso assim?
Ele não precisou pensar.
— Desde que eu descobri que estava apaixonado por você.
Eu daria tudo para ver minha cara naquele momento. Eu provavelmente nunca estive tão sem reação em toda minha vida.
— O que? Você não sabia disso? — Ele estava visivelmente confuso.
Sim, eu sabia. Mas, ouvir isso de Edward me pegou completamente desprevenida. Eu não estava preparada para isso, definitivamente. Mais uma vez Edward me pegou de surpresa e tudo que eu podia fazer era manter meus olhos focados nos dele, surpresa.
— Você não sabia? — Ele repetiu.
— Eu sabia.
— No que está pensando, então?
— Muitas coisas ao mesmo tempo.
Ele sorriu.
— Típico.
Depois de um tempo eu falei.
— Eu também.
— O que?
Respirei fundo.
— Também estou malditamente apaixonada por você.
Seu sorriso bonito me fez sorrir.
— Eu sei.
Revirei os olhos.
— Estou um pouco chocado, parece que você superou sua aversão à Tanya. — Ele murmurou me puxando para mais perto dele.
Gargalhei.
— Definitivamente não. Internalizei cada reação que eu poderia ter com cada movimento que ela fazia.
— O que você quer dizer?
O observei. Deitado na minha cama de hotel, bonito como um inferno. Seus olhos eram tão sinceros que eu não pude deixar de dizer o que eu quis dizer. Naquele momento eu poderia contar todos os segredos mais obscuros da minha vida se ele pedisse. E então eu exteriorizei.
— Eu odeio o modo como ela toca em você parecendo que conhece seu corpo como a palma da mão, odeio o modo como ela parece saber tudo sobre você, eu odeio como aqueles brincos são fodidamente bonitos, eu…
Ele me beijou me impedindo de continuar.
— Eu sou todo seu. Só seu. Completamente seu.
Dei de ombros me aconchegando nele. Meu sono estava de volta com força total e eu estava começando a me sentir tonta.
Não era um bom sinal.
— Você está sóbria o suficiente para lembrar de tudo isso amanhã?
Eu ri.
— Não tenho certeza.
Ele me segurou forte.
A paz no borbulhar de emoções comum dentro de mim estava decretada pelo menos por enquanto.
Mais uma vez, meu instinto estava certo ao prever um furacão dentro e fora de mim. Mas no final eu tinha sido recompensada. Ao que parece, Berlim passou do bottom para o top das minhas cidades preferidas. E eu nem a conhecia direito ainda.
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