Notas iniciais
Eu sei. Não precisa falar, apenas leiam, por favor! Ouçam a música do capítulo!

Acordei tarde na manhã seguinte e logo desejei estar dormindo de novo. Minha cabeça latejava, minha boca estava seca e um barulho persistente soava perto de mim. Estiquei-me tateando, ainda de olhos fechados, a origem do som.

Abri meus olhos encontrando meu celular e desligando o alarme. Sentei na cama ainda confusa. Eu estava uma bagunça, o quarto também. Encontrei um comprimido e um copo d’água, os aceitei de bom grado, feliz por ter uma mínima chance de melhorar meu humor.

Me arrastei pra fora da cama quando percebi a hora e o que eu deveria estar fazendo. Felizmente, eu não havia desfeito as malas, assim não teria muito problema em arrumá-las. Tomei um banho demorado, demorado o suficiente para que eu pudesse tirar um cochilo. Meu humor não melhorou muito, porém.

Depois de me despedir da banheira do meu quarto, me enfiei em roupas quentes e que demonstravam meu estado de espírito nada caloroso. Eu era, definitivamente, uma das pessoas que refletiam o estado de espírito nas cores da roupa, então não foi uma surpresa quando eu me vi inteira de cores escuras. Os óculos escuros completavam o visual cansado que meu corpo adotava sem a minha concessão. Coloquei a bota que tinha arrancado ontem à noite. Achei minhas luvas e as coloquei também. Eu estava sentindo frio demais.

Apesar de eu estar frequentemente dormindo, eu estava mais cansada do que nunca por causa da viagem. A frequência em aviões, e a constante mudança de fuso deixavam-me em uma jetlag constante.

Só mais alguns países e a rotina diminuiria gradativamente.

Eu mal podia esperar.

Assim que coloquei os pés para fora do quarto fui arrastada para fora do loft. Ao que parece, todos tínhamos perdido a hora, incluindo Edward e agora estávamos correndo pelo aeroporto. Felizmente não perdemos o voo, mas toda correria só serviu para que meu humor piorasse ainda mais. Assim que sentei em minha poltrona Edward me puxou para si.

— Como você está se sentindo? — Ele perguntou e eu soltei um muxoxo. Minha cabeça doía, a Espanha não deveria ser tão longe.

— Não muito bem. — Admiti.

Ele deixou um beijo na minha cabeça e começou a acariciar o local.

As palavras trocadas por nós dois passearam na minha cabeça.

— Eu não sou sua namorada. — Murmurei, enquanto eu me enroscava nele.

Ele riu.

— Sim, você é.

Neguei com a cabeça.

— Não me lembro de ter sido pedida em namoro.

Ele deu de ombros.

Alice começou a falar ao meu lado e logo a aeromoça apareceu e me obrigou a me desenroscar de Edward e colocar o cinto.

Alice começou uma conversa que eu não conseguia acompanhar, então eu apenas assentia. Emmett dormia no seu assento.

— Você não parece muito animada.

— Ressaca.

Edward começou a fazer cafuné na minha cabeça e eu, mesmo com cinto, eu me aproximei mais dele.

— Precisamos conversar sobre isso. — Eu disse bocejando. Jet Lag dos infernos.

— Hmmm… — Ele fingiu preguiça.

— É sério, Edward.

— Tudo bem.

Ele sentou direito para me fitar, com o avião já no ar me libertei do cinto e retirei o cachecol do meu pescoço. Edward mantinha uma cara de tortura.

— O que foi?

Ele bufou.

— Não há o que discutir, eu gosto de você, você gosta de mim, estamos namorando, fim.

Revirei os olhos.

— E quando você pretendia me consultar?

Ele deu de ombros.

— Não achei que você se oporia. — Arqueei a sobrancelha. — Não acho que você se opõe.

— E você então tomou isso como verdade absoluta?

Ele assentiu.

Edward me encarava como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.

— Tenho novidades para você: não estamos namorando.

Foi a vez de Edward revirar os olhos.

— Posso demovê-la facilmente dessa ideia.

Bocejei novamente.

— Acho muito difícil.

Ele riu.

— Você quer apostar?

Dei de ombros e voltei a me aconchegar a ele.

Eu não estava fazendo tempestade em copo d’água, o modo como Edward decidia tudo sem me consultar me deixava irritada.

Resolvi deixar a discussão para depois, quando estivéssemos sozinhos, até porque estávamos atraindo uma atenção razoável de pessoas em volta de nós – principalmente de Alice.

— Não sou muito fã de DR’s. — Ele sussurrou no meu ouvido.

— Sério? — Debochei.

Ele riu e voltou a acariciar meu cabelo.

.

— Fodidamente maravilhosa. — Ouvi a voz de Edward atrás de mim.

Sorri pra ele através do espelho.

(Roupa Bella — Link Polyvore)

Assim que nós tínhamos colocado os pés em Barcelona eu tinha sido rodeada por maquiadores e cabeleireiros. Isso porque hoje seria a festa de lançamento da nova coleção da Victoria Secrets e eu não poderia perder já que eu era modelo deles há longos cinco anos.

Fitei meu reflexo no espelho novamente. Eu vestia um Valentino preto que me deixou de boca aberta tal a beleza. Nos pés meus Louboutins pretos de costume.

— Eu sinceramente não consigo pensar em nada a não ser jogar você nessa cama, não posso nem olhar. — Ele disse fazendo graça e virando de costas pra mim.

Eu ri.

Edward estava quente. Ele tinha uma reunião importante do outro lado da cidade que era importante o suficiente para Alice e Emmett irem também.

Reprimi o impulso de mexer no cabelo. Seria um caos estar com ele preso durante a noite.

— Você está quente. — Eu disse sorrindo para ele enquanto eu pegava o casaco mais quente que eu tinha. Salve Stella McCartney pelos casacos quentes.

Ele me deu um sorriso torto que só o deixava mais e mais quente.

Maldito molhador compulsivo de calcinhas.

— Preciso ir. — Eu disse saindo do quarto e me esquivando do beijo de Edward. Foram muitas horas de maquiagem. Mesmo se o motivo fosse muito bom.

Ele riu e apertou a pele exposta do meu pescoço.

Respirei fundo e saí do quarto, eu já estava atrasada.

.

Surpresa.

A palavra da noite estava sendo surpresa.

Primeiro eu fiquei surpresa com a quantidade de fotógrafos estavam na porta do local. Eram realmente muitos e eu fiquei um tempo considerável posando para eles. Depois, quando parei para falar com um dos jornalistas, fui perguntada sobre Edward. Muitas vezes. Eram tantas perguntas sobre o ruivo que eu simplesmente parei de dar entrevistas.

Mais uma surpresa quando entrei e vi que a festa estava lotada de pessoas que eu conhecia e, adivinhem: mais fotógrafos. Era tanta gente que eu fiquei perdida. Felizmente encontrei alguns amigos da época de modelo. E, diferente das outras vezes, não me surpreendi quando me vi completamente alcoolizada. Por fora eu parecia sóbria, por dentro eu estava completamente embriagada.

Depois de conversar com dezenas de pessoas, tirar tantas fotos e beber relativamente muito, eu me sentei em um dos bancos do bar do lugar. Ao que parece eu estava ficando mais fraca à bebida. Sorri quando Patrick Robinson sentou ao meu lado.

Eu o saldei com um abraço apertado.

— Estamos nos vendo mais do que quando estamos em Nova Iorque. — Ele fez graça.

Eu ri bebericando meu martini.

— Verdade.

Ele pegou dois copos de champanhe oferecidos pelo garçom.

— Preciso ir, estou no meio de uma DR daquelas. Estou esperando que álcool a faça esquecer.

Eu ri e acenei minha bebida em sua direção.

Acompanhei Patrick com o olhar até ele chegar na ruiva do outro lado do salão. Sorri, eles faziam um casal e tanto.

Mais uma vez me vi rodeada de pessoas. Mais martinis passavam goela abaixo.

Eu precisava parar de beber se queria acordar relativamente disposta amanhã, mas existir em lugares como esses quando se está sóbria era uma missão praticamente impossível.

As pessoas eram tão previsíveis. Eu conseguia ler todos ali. As modelos, os artistas, todos eles. Todos estavam prontos a atacar uns aos outros em busca de atenção, de uma foto, de um espaço na mídia. Uma parcela relativamente grande de pessoas que lotavam essas festas buscava fama, a todo custo.

Alguns se salvavam, porém. E desses eu me mantinha mais próxima, mas com eles vinham amigos e esses amigos nem sempre eram como eles.

Não senti incomodo quando uma das amigas de Caroline, colega de quarto quando morava em Paris, tocou meu braço como se nós fossemos melhores amigas.

Definitivamente bêbada.

Caroline me chamou para dançar.

Fui.

A bebida comandava minha cabeça, mas, felizmente eu ainda tinha controle sobre minhas atividades motoras.

A coletânea de músicas sexy que o dj tocava deixava nossos movimentos mais e mais lentos. Nós rimos quando vimos que não estávamos mais tão camufladas na pista de dança. E eu sentia olhos em mim. Rodeei o salão procurando o dono do olhar pesado e… surpresa!

Dei um sorriso tímido ao ver Edward Cullen me encarando sentado no bar. Ele me deu um sorriso torto e parecia mais quente do que mais cedo. Avisei Caroline que já voltava e ela sorriu assentindo.

Cheguei a Edward sorrindo, seus olhos estavam semicerrados.

— Você está bêbada. — Acusou sorrindo.

Eu o abracei descansando meu rosto no seu peito.

— Que bom que você veio. — Eu disse animada.

Ele se afastou um pouco de mim e eu uni as sobrancelhas, confusa.

— Já viu quanto repórter tem aqui? — Olhei ao redor, estávamos atraindo uma atenção considerável.

Dei de ombros, eu não estava nem aí.

Antes que ele me impedisse, uni nossas bocas, eu fodidamente queria Edward Cullen agora.

Ele retribui o beijo

— Você vai me matar amanhã. — Ele murmurou entre o beijo me puxando para si.

—Uhum.

Mais um beijo.

E outro.

Outro.

Tantos que perdi a conta, mas o que não perdi era o desejo. Eu me sentia em chamas. Eu só queria engolir Edward.

A risada de Edward me tirou do meu torpor.

— Bella, por favor. Você está me deixando completamente maluco. — Ele sussurrou no meu ouvido.

Revirei os olhos.

—Você fala e pensa demais.— Murmurei de volta algo que ele me falara em tantas ocasiões.

Ele riu.

— Eu definitivamente estou apaixonado por você. — Ele murmurou me puxando para sentar em uma das mesas. Eu ri quando senti sua ereção nas minhas costas.

— Eu sei.

Revirou os olhos e se acomodou melhor. Puxei minha cadeira até a dele.

— Deus do céu, você vai me deixar alucinado. Eu preciso sair desse lugar e não vai ser fácil desse jeito. — Ele disse apontando para sua virilha.

Mais uma risada minha.

— Você está sujo de batom. — Eu disse limpando seus lábios da tinta vermelha proveniente dos meus.

— Esse está sendo um dos meus menores problemas agora.

Sorri.

— Estamos dando um show e tanto para os abutres aqui, hein. — Murmurei deixando meus olhos passearem pelo local. —Você esteve em 10 entre 10 conversas que tive com eles, inclusive. “Isabella, onde está Edward?”, “Isabella, o que há entre você e Edward?”, “Isabella, Edward e você estão namorando?”.

— E qual foi a resposta para a última pergunta, hein? — Ele perguntou trazendo meu olhar para o seu de volta.

Semicerrei os olhos.

— Não pise no molhado, Edward. Ainda estou relativamente irritada com você.

Ele balançou a cabeça.

— Você é muito cabeça dura.

— Não, Edward, estou cansada de você decidir as coisas sem sequer me consultar.

Ele bufou.

— Não deveríamos estar tendo essa conversa aqui. — Ele disse pegando um copo de uísque trazido pelo garçom e bebendo-o.

— Você pode tentar ser pelo menos um pouco menos controlador? — Reclamei.

— Eu não sou controlador. — Ele mentiu na cara dura.

Bufei de volta para ele.

Pelo menos ele podia admitir.

— Você tem sempre que estar no comando, você tem a necessidade em decidir tudo sem nem me consultar.

Ele soltou uma risada de escárnio.

— Bella, eu não quero brigar.

O álcool borbulhando no meu sangue fazia com que os olhos verdes cansados dele me deixassem mais irritada. Não por ele. Por mim. Por não conseguir resistir àquele par de olhos bonitos. Eu sentia que ele podia pedir o mundo que eu, depois de questionar o porquê, claro, o daria. E isso assustava como um inferno.

Estendi a mão para puxar a minha bebida até mim e senti seus olhos cautelosos.

— Edward, pare, por favor. — Pedi.

— O que? — Ele perguntou, seus olhos intensos enfeitiçando os meus.

Eu poderia divagar sobre eles para sempre.

Antes que eu pudesse falar, Edward buscou o celular dentro de um dos bolsos e deduzi que estava tocando. A música estava baixa no lugar onde estávamos, mas eu estava completamente perdida.

Suas sobrancelhas se uniram quando ele olhou o visor e bastou eu me esticar alguns centímetros para eu ler o nome.

Tanya Denali.

Arqueei a sobrancelha.

— Eu preciso atender.

Céus, não.

Péssima hora.

O modo como ele atendia os desejos da garota me deixava louca. Como um cachorrinho. Ridículo.

— Vou dar-lhes alguma privacidade… — Murmurei levantando da mesa.

Ele segurou meu braço, seus olhos confusos.

— Bella…

Balancei a cabeça e puxei meu braço com sucesso indo de volta ao bar.

Eu estava me sentindo uma grande tola. Estava realmente acreditando que o que estivesse rolando entre nós dois esfriaria nossas brigas, nos tornaria menos suscetíveis a elas. Mas eu estava errada. Ele sempre iria encontrar uma maneira de me atingir, mesmo sem querer. Mesmo que ele nem percebesse. Eu me sentia completamente tonta pela bebida e pela condição.

E esse é o motivo no qual eu não tinha sido feita para ser namorada de Edward Cullen. Eu não era Tanya. Eu não era uma daquelas pessoas que tem um relacionamento onde uma das partes cede tudo para o outro. Eu não gostava de ser mandada.

Edward e Tanya nasceram para ficarem juntos. Para ser o casal modelo. Para ser capa de revista.

Não me importava o que nenhum dos Cullen me falasse sobre o relacionamento dos dois. Afinal, é para ela que ele sempre volta. Sempre que ela liga, sempre que ela pede. Eu não preferia ser preteria.

Quem diria, algumas horas de namoro não oficial e eu já estou aceitando que meu suposto namorado tem sentimentos por outra.

A vida é mais complexa do que as pessoas acreditam.

Senti alguém sentar ao meu lado no bar e quase morri só para agradecer a todas as entidades do mundo por terem colocado Patrick no mesmo lugar que eu. O especialista em transtornos pós-traumáticos; especialistas nos meus transtornos.

Ele sorriu para mim como um pedido de explicação, me puxando para um lugar calmo e escuro o suficiente para que tivéssemos um pouco de privacidade. E eu expliquei.

Tudo. Todos os pontos. Todos os “mas”.

Patrick era o melhor ouvinte do mundo.

E quando acabei, sentindo lágrimas pesarem nos meus olhos, ele me abraçou sem dizer nada. Só se fez presente. Nada era necessário ser dito, eu nem estava condições emocionais dado ao nível alcoólico no meu sangue, Patrick sabia disso.

— Querida… — Ele começou. — Você deveria conversar com ele. Você sabe como é essa coisa de mal-entendido.

Eu dei de ombros e peguei o copo da mão dele. Ele o puxou de volta.

— Você já teve sua cota de bebida por hoje. Vá para casa, durma e converse com ele amanhã. Você não está nem um pouco bem hoje.

Assenti.

— Tudo bem.

Levantei hesitante, não estava confiando muito nas minhas pernas.

— Onde ele está? Vou avisá-lo que já está indo. — Patrick falou enquanto me guiava pela festa.

Dei de ombros.

— Em um avião indo atrás de sua dona.

Ele riu.

— Não seja absurda. Fique aqui, vou avisá-lo.

E lá se foi Patrick atrás de Edward.

Suspirei sentando em uma mesa próxima. Eu estava me sentindo uma adolescente com todos esses dramas e bebedeiras. Com sorte eu acabaria a noite sem vômitos. Com sorte.

O lugar estava bem mais vazio do que da última vez que eu prestara atenção. Quase todos tinham ido embora. Apoiei meus cotovelos na mesa e nem senti quando um desconhecido sentou na minha frente.

— Isabella Swan, que prazer! — O loiro saudou puxando minha mão para si e deixando um beijo nela. Arqueei a sobrancelha. — Você não deve me conhecer, eu sou James da Celebrity Magazine.

Revirei os olhos.

Era só o que me faltava.

— Preciso dizer que está estonteante essa noite. Está mais bonita do que nunca.

Dei de ombros. Eu não estava a fim de conversar no momento.

Agora sim, a noite estava indo para o buraco completamente.

— Como você está? — Ele perguntou parecendo muito galanteador.

Qual é?

Qual era o problema das pessoas?

Pelo amor de deus, ele era loiro, tinha olhos azuis bonitos, mas quando eu tinha dado abertura para um redator de contos de uma revista de fofoca ou, seja lá o que ele faça, me abordasse? Eu estava bêbada o suficiente para derrubar a fachada da Isabella indiferente?

Meus olhos se fecharam em fendas e eu o avaliei milimetricamente.

Droga, bêbada demais para qualquer coisa que envolva raciocínio elaborado.

Bufei.

—Como você acha que eu estou?— Respondi depois que percebi que ele ainda estava esperando uma resposta.

— Você não me parece bem. — Ele tentou deduzir levando uma cerveja à boca.

Eu nem sabia que eles tinham cerveja por aqui.

— Não é como se você me conhecesse. — Disse tentando não ser uma cachorra total.

Ele assentiu.

— Você não é uma das faladoras, não é? — Ele perguntou. — Evasiva, destruidora de corações. — Ele riu. — Se eu estivesse aqui afim de, você sabe, dar em cima de você, eu estaria com meu ego em frangalhos.

Como ele percebeu que eu não ia falar, ele continuou:

— Posso fazer uma pergunta?

— Você pode fazer quantas quiser, eu só não vou as responder. — Murmurei de volta.

Ele riu.

—O que Edward Cullen fez para derrubar essa máscara que você usa, hein? — Ele perguntou.

Revirei os olhos.

Edward Cullen.

Ele percebeu que eu não ia responder e sorriu.

Apoiei a cabeça nas mãos novamente. Eu estava exausta e enjoada. E, também, sendo incomodada por um cara que achava que sabia da minha vida.

Que noite, meus queridos, que noite!

Levantei da minha cadeira lentamente. O lugar estava girando muito e eu não queria cair.

O loiro me chamou e eu virei para olhá-lo.

— Prazer em conhecê-la.

Bufei e caminhei para fora do local. Eu passei pelas pessoas, ouvi meu nome ser chamado, mas continuei indo apenas até a porta e respirei aliviada quando coloquei os pés para fora do local. Infelizmente meu alívio durou só até a primeira lufada de vento me atingir.

Que frio, ridículo!

A voz se aproximou.

Bella.

Meu estômago se revirou com a voz.

Não o suficiente para me fazer vomitar, obrigada!

Virei lentamente encontrando os olhos verdes de mais cedo.

— Droga, aonde você se enfiou? Te procurei… — Ele parou de repente. — Isabella, onde está seu casaco?

Bufei e resolvi o ignorar.

Meu deus, eu só queria um pouco de paz.

Me virei procurando um táxi e corri até um deles, parado na esquina. Infelizmente Edward veio atrás de mim. Sentamos os dois no banco de trás e eu me empurrei para o outro lado do banco.

Que vida.

Depois de dar as instruções para o motorista, Edward praticamente jogou seu casaco em mim.

Revirei os olhos.

E a minha ficha caiu.

Meu casaco.

Meu Stella McCartney preferido.

Meu Stella McCartney presente do meu avô.

Eu só não conseguia parar de pensar que eu tinha deixado minha peça de roupa preferida para trás.

— Bella, coloca o casaco, por favor. — Edward pediu.

Meu casaco preferido e único. Feito especialmente para mim. Que eu usava apenas em ocasiões especiais.

Como eu ligaria para Stella e falaria que eu tinha abandonado o casaco que ela fez especialmente para mim à pedidos do meu avô? Ela nunca mais me venderia nada. Como eu poderia pensar no meu avô novamente sem sentir culpa?

— Bella…

Minha marca preferida.

Depois de Valentino, claro.

E Prada.

Victoria Secrets e Calvin Klein, obviamente.

Mas mesmo assim.

— Isabella! — Edward reclamou minha atenção puxando meu rosto em sua direção.

Revirei os olhos pela milionésima vez naquela noite. Meus olhos virariam de vez em breve.

Coloquei o casaco para parar de ouvir a voz de Edward.

Eu não conseguia aguentar.

A presença dele já me incomodava.

Ele suspirou tentando se acalmar.

Eu ri sem humor.

— Se eu te estresso tanto assim, porque não para de fazer o que quer que você esteja fazendo.

Ele me olhou confuso.

— O que você quer dizer?

Balancei a cabeça.

— Você me deixa em um caos. Um caos. Agora pouco um dos jornalistas veio me perguntar o que você tinha feito comigo para me deixar daquele, ou melhor, desse jeito.

Ele abriu a boca para falar, mas eu o impedi.

— Por favor, me esquece. Foque na sua vida com Tanya Denali e…

— Eu não tenho nada com…

— Com a Tanya? — O interrompi. — Jura? Então você faz todas as vontades dela, dá toda atenção que pode, organiza sua vida em torno dela para nada? Você é o cachorrinho dela por hobby?

— Continue…

— O que? — Perguntei, confusa.

— Continue a dizer o que precisa dizer.

Enterrei a cabeça nas mãos.

Céus, eu o odiava.

— Eu odeio isso. Eu odeio você. Odeio o modo como me pretere. Odeio como fez me sentir naquela maldita festa quando eu o vi. Odeio cada detalhe dessa noite desde o momento em que considerou atender àquela ligação no meio de uma discussão nossa. Odeio o modo como me sinto uma ciumenta sufocadora, mesmo quando eu sei que estou certa. Na verdade, eu não sei de nada. — Respirei fundo. — Eu sei que isso entre vocês não é normal. Se vocês nunca tiveram algo, vocês vão ter, eu sei, está na cara.— Eu ri mesmo sem achar graça. — Ela é perfeita para você. Ela foi feita para você. E você sabe disso, por isso é o cachorrinho dela. Por isso mesmo quando você está comigo, você está disponível para ela. Ela é seu sol e você só orbita ao redor dela. Eu odeio tanto o modo como você me deixa, assim, insegura. Eu nunca fui insegura durante toda a minha vida. E, acima de tudo, eu odeio o modo como eu deixei o meu casaco Stella McCartney para trás.

Eu não reparei que eu estava em lágrimas. Alguém me mata agora.

Edward me olhou por um tempo maior que o necessário. O suficiente para me sentir incomodada. Depois, respirou fundo. Algumas vezes.

— Você não me odeia. — Ele sussurrou. — Eu preciso que entenda que há algo muito grave acontecendo na vida de Tanya. — Ele suspirou. — Mas tudo que você falou está completamente distorcido, meu amor. Tanya é só a minha amiga. Ela não é perfeita ou feita para mim. Eu não sou o cachorrinho ou orbito ao redor dela.

Sua mão procurou a minha e ele começou a desenhar círculos na palma dela.

— Quando eu estou com você, eu estou com você. E só com você. Eu não quero que você se sinta insegura, não quero que você se convença que me odeia. E, por favor, não quero que você chore. Nunca. Muito menos por mim.

— Algo grave acontecendo. — Debochei. — Ela descobriu um cabelo branco?

Ele negou com a cabeça.

— Isabella, Tanya está grávida. E ela está em pânico, acha que o pai da criança não quer o bebê, está um caos a vida dela.

Eu me senti mal como nunca.

Definitivamente mal.

Eu nem sabia o que faria na situação dela. Tanya tinha todo um histórico de abandono paterno, se isso acontecesse com o filho dela seria péssimo.

—Estou me sentindo uma megera agora.

Ele me deu um sorriso torto.

— Não sinta, você não sabia.

Eu suspirei. O frio do carro era intenso e o casaco de Edward estava me protegendo menos do que o meu protegeria.

Meu amado e querido ex casaco. Senti lágrimas escorrerem pelo meu rosto.

— Bella, porque você está chorando?

— Meu casaco.

Ele riu e eu bufei.

— Você está muito mais bêbada do que eu achava.

E ele riu mais quando meu choro não cessou enquanto descíamos do táxi e entravamos no elevador.

— Não se preocupe, querida. Iremos recuperá-lo.

Balancei a cabeça.

Minha náusea só aumentava com o movimento do elevador e eu estava muito tonta. Edward tentou me ajudar, mas eu ainda estava muito irritada com ele para permitir.

Me arrastei para fora do elevador o mais rápido possível e me escorando na porta enquanto Edward a abria. Assim que pude, atravessei a sala a e em segundos (mesmo quase caindo e derrubando algumas coisas) cheguei ao quarto.

Sentei na cama querendo recuperar o equilíbrio e colocar minha náusea para dormir. Felizmente eu não tinha comido quase nada e meu estômago estava quase vazio. Respirei fundo tentando adaptar-me a escuridão do quarto. Tinha pegado o quarto sem vista dessa vez, então me contentei a apenas não vomitar.

Deitei na cama por um instante, só para tentar acalmar algo dentro do meu corpo. Eu estava distraída demais para pensar em qualquer coisa e me concentrava na tarefa de manter tudo dentro de mim essa noite depois de ter vomitado acusações em cima de Edward.

Não sei quanto fiquei apenas deitada olhando para o teto tentando pensar em qualquer coisa menos nesta noite. O sapato no meu pé começou a apertar então resolvi me livrar de tudo e tomar banho de uma vez.

Tomei um banho rápido e sem muito glamour. Em pouco tempo me sentia um pouco melhor, então, depois de tirar todos os grampos do meu cabelo (o que demorou MUITO), me enfiei em um pijama de frio e voltei para o quarto. Na minha mesa de cabeceira havia um copo d’água e uma aspirina e eu revirei os olhos quando vi. Exatamente como esta manhã.

Maldito controlador.

Bebi um pouco da água e deitei na cama.

Felizmente Edward era inteligente o suficiente para não forçar sua presença. Eu provavelmente o odiaria mais por isso.

Logo me acomodei melhor na cama e dormi.

Tictac

Tictac

Tictac

Tictac

Socorro!

Eu ia explodir.

Sentei na cama confusa procurando a origem do barulho e logo desejei estar morta.

Céus, o que há com a minha cabeça?

Pisquei algumas vezes procurando o foco e logo vi o relógio na cabeceira da cama e gentilmente o joguei do outro lado do quarto vendo-o espatifar. Muito obrigada.

Como eu vim parar aqui? Porque minha cabeça doía tanto? Quando eu comecei a beber tanto naquela festa?

Uma batida soou baixa na porta e eu pedi para pessoa entrar.

Meu Deus, estou rouca também.

Um Edward hesitante se esgueirou pela porta, flutuando pelo quarto e sentando na minha cama.

— Como se sente?

Semicerrei os olhos na direção dele.

— O que houve? Porque estou assim?

Ele me deu um sorriso.

— Você não lembra?

Hesitei.

— Bom… — Eu comecei, forçando a memória. — Lembro que estava na festa, dancei com Caroline… Você chegou, nos beijamos… Você deveria ter parado, inclusive. — Ele revirou os olhos — Começamos a discutir, Tanya te ligou, você resolveu que falar com a Tanya era mais importante do que me ouvir e… E… Acho que só.

Ele coçou a cabeça.

— Você me pediu em namoro na frente de todo mundo. Está em todos os lugares. Você fez um papelão. — Ele disse me fitando.

— E é por isso que eu te odeio. — Bufei.

Nunca na vida eu faria isso. Nem se substituíssem todo meu sangue por álcool.

— É, eu ouvi muito isso.

Arqueei a sobrancelha. Alguma coisa eu fiz certo, então.

— Não se preocupe, você não fez nada demais. — Ele garantiu e eu soltei um suspiro de alívio. — Depois de me deixar na mesa você encontrou um de seus amigos e ficou com ele algumas horas intermináveis.

Patrick!

Agora lembro!

— Eu realmente gostava daquele casaco, não me ache uma menininha fútil, foi um presente do meu avô para mim, o último antes dele morrer.

Ele sorriu.

— Não se preocupe, eles estão o mandando para cá.

— Jura? — Perguntei animada.

Ele assentiu.

— Você ainda me odeia? — Ele perguntou.

Ele estava bonito, como sempre. Todo agasalhado. O cabelo molhado demostrava que ele tinha acabado de sair do banho. Seu sorriso torto estava no canto de sua boca. Seus olhos estavam escuros, descansados. Eu só queria o puxar para mim e derreter-me neles.

— Precisamos estabelecer limites. — Disse.

Ele assentiu.

— Não se preocupe com Tanya, de verdade. Ela não é um problema, ela me ligou para falar que se acertou com o pai do bebê. Não vai ouvir falar dela por um tempo. — Explicou.

Assenti.

—Desde que você não seja o pai do bebê dela.

Ele bufou.

— Desculpe. — Murmurei.

— Não há e nem nunca vai haver nada entre Tanya e eu, Bella.

— Tudo bem.

Ele me avaliou e depois assentiu.

— Eu me preocupo com você, Bella.

— Eu sei.

— Prometo que vou tentar te consultar mais. — Ele passou a mão no cabelo.

— Prometo que vou ser menos ciumenta.

Ele sorriu.

— É fofo.

Revirei os olhos e me empurrei para o outro lado da cama, infelizmente a cama do hotel não era king e sim queen, uma cama de solteiro um pouco maior. Edward entendeu o recado e se deitou ao meu lado.

— Me desculpa. — Sussurrei. —Eu fui uma bruxa com você.

Ele riu.

— Me desculpa por dar motivos para você ser uma bruxa e por fazer você chorar. — Eu ri. — Céus, Bella, não sei lidar com choro.

Sorri.

— O que temos para fazer hoje? — Perguntei.

Ele pensou um pouco.

— Escolher a modelo, o lugar e a marca, o de sempre. — Ele deu de ombros.

— Tudo bem, vamos começar. — Eu disse sem vontade nenhuma de levantar daquela cama.

Ele negou com a cabeça e me puxou ainda mais para si e me beijou. Vagarosamente. Explorando minha boca com cuidado. Malditamente bom. Ele aprofundou o beijo nos virando e ficando por cima de mim. Nossa respiração pesada se confundia. O frio que eu sentia era substituído por um calor abrasador. Eu o empurrei levemente quando senti que respirar era vital.

Nossos olhos se reconectaram e um brilho de graça passeavam neles.

— O que foi? — Ofeguei.

Ele sorriu e roçou seu rosto, coberto de barba recente, na pele sensível do meu pescoço.

— Edward.

Mais um sorriso torto.

Ele puxou meu pijama de moletom pela minha cabeça e distribuiu beijos pelo meu colo e depois no vão entre os meus seios, sempre fazendo questão de arrastar sua barba por todos os lugares.

Malditamente quente.

Os gemidos saiam da minha boca entrecortados.

Quando Edward tomou um dos meus seios na boca eu fui levada ao céu e ao inferno ao mesmo tempo. Minhas pernas caçaram um rumo próprio e rodearam sua cintura. Ofeguei ao sentir seu membro duro.

— Edward, por favor.

Ele riu quando eu o puxei para cima, eu ansiava por ele, precisava dele.

Ele aceitou meu beijo de bom grado e deixou o beijo tão profundo quando eu precisava.

Ele descolou nossas bocas e sussurrou:

—Eu só vou dar o que você quer quando você admitir.

Ignorei-o e puxei seu casaco de moletom para cima, ele não vestia camisa e eu colei minhas mãos no seu torso.

— Bella…

Minha boca encontrou seu pescoço e eu explorei o local.

— Isabella…

Ele se afastou segurando meus dois braços sobre minha cabeça.

— Admite.

— O que, Edward? — Perguntei irritada por ele parar nossas carícias.

— Que você é minha namorada.

Revirei os olhos.

Nossos peitos subiam e desciam freneticamente. O ar perdido parecia estar longe de ser recuperado.

— Eu não sou sua namorada.

Ele sorriu.

— Que pena, sou um moço de família.

Ele saiu de cima de mim e se deitou ao meu lado.

Assim.

Respirei fundo.

Eu era como se fosse a namorada dele.

Praticamente.

Mas eu não admitiria isso.

— Não acredito que você vai me deixar assim.

Ele riu.

— Eu não estou muito melhor, querida.

— Eu te odeio.

— É só você admitir que terá tudo que quiser.

Revirei os olhos saindo da cama para trocar de roupa e deixando Edward no quarto sozinho. Com a graça divina, Alice pediu café da manhã e eu fiquei emocionada por ingerir alimentos depois de algum tempo.

Passamos o café da manhã conversando sobre o evento de ontem. Ao que parece o que os Cullen tinham ido havia sido insuportável. Não pior que a festa da Victoria Secrets, provavelmente.

Depois, todos sentamos para decidirmos sobre a sessão. Juntos. Como uma verdadeira equipe. A Bella de alguns meses atrás não poderia acreditar que isso poderia acontecer. A Bella de alguns meses atrás nem era a Bella.

Não acredito que estou me referindo a mim mesma como Bella.

Durante o dia me peguei dezenas de vezes encarando Edward. Como se fosse um pedaço de carne, exatamente como o leão Alex, do filme Madagascar, encarava os outros animais. Só que comigo eu não queria exatamente comer Edward e sim ser comida por ele.

Outch, Isabella Swan abaixando o nível de vez.

No fim do dia tínhamos tudo pronto. A modelo seria uma morena maravilhosa, o lugar era incrível a marca era sexy. Espanha seria um país e tanto.

Alice queria sair para comemorar nossa “repentina” concordância, por termos chegado a um consenso. Ninguém quis. Ela aceitou e resolveu que falaria por Skype com Jasper. Fiquei na sala com Emmett e Edward.

Enquanto Emmett e eu conversávamos sobre Rosalie, Edward cochilava com a cabeça no meu colo. Eu não podia evitar mexer em seu cabelo macio como um inferno.

—Você faz bem a ele. — Emmett disse. — Ele sorri mais em torno de você e está menos rabugento também. — Eu sorri e desviei o olhar para o rosto de Edward, acompanhando o olhar de Emmett. — O mesmo para você.

— Eu sei.

— Você gosta dele? — Ele continuou.

— Talvez. — Me esquivei de sua pergunta. A ideia de estar tendo uma dessas conversas com o irmão de Edward com Edward no meu colo podendo ouvir tudo era um pouco vergonhosa.

Ele riu.

— Ele também gosta de você.

Assenti. Eu não fazia ideia de onde ele queria chegar com isso.

— Vocês estão juntos? Quer dizer, tipo namorando?

Arqueei a sobrancelha.

Bingo.

Dei uma olhada rápida para o rosto de Edward, procurando algum indício que comprovasse a teoria que minha mente formava em que Edward estava acordado o tempo todo.

— Porque a pergunta, Emmett?

Ele sorriu.

— Não sei, vocês parecem um casal.

— Onde você quer chegar?

— Edward é um rapaz de família, Bella. — Ele começou e logo eu vi sua boca retorcer em um riso contido. — Nossos pais não aceitariam esse relacionamento de vocês. Eles são bem tradicionais.

Eu ri.

Emmett estava no meio de um surto de inspiração.

— Infelizmente teremos que deixar esta conversa para depois, preciso me arrumar, tenho algumas coisas para fazer. Você pode vir comigo, se quiser. Preciso comprar o presente de Rosalie.

Ele balançou a cabeça, animado, e escorreguei para fora do sofá com cuidado para não acordar Edward. Algum tempo depois estávamos num shopping perto do nosso hotel. Eu não estava acostumada a passar algum tempo com Emmett Cullen, mas me surpreendi como ele poderia parecer tão normal andando pelas lojas em busca do presente ideal. O meu claro, o dele ele já havia escolhido, mas se recusava a falar. Enquanto eu me arrastava entre uma loja e outra eu comecei a perceber o que ele sentia pela minha prima. O brilho em seus olhos me fez soltar um suspiro, não dava para acreditar que esses dois estavam apaixonados um pelo outro. Deixei minha mente voar para Edward. Quem diria que eu estaria caidinha por um Cullen. Entre uma loja e outra eu tinha mais certeza que minhas barreiras estavam no chão, isso porque eu checava involuntariamente o relógio com uma frequência maior do que nunca. E eu logo percebi que sentia falta de Edward. Soltei um suspiro cansado, eu estava cansada de resistir. Cansada de lutar contra. Eu acreditava que tinha me jogado, mas eu estava errada, eu apenas tinha aceitado meus sentimentos. Eu ainda lutava e questionava tudo que sentia, que recebia de Edward.

Sorri quando passei pela Cartier e arrastei Emmett para dentro da loja. Quando nós éramos mais novas, Rose e eu entravamos no closet da minha mãe e experimentávamos tudo lá dentro. E o que nos deixava louca sempre foram as jóias, Rosalie tinha uma queda por cristais preciosos desde cedo. Uma vendedora nos atacou no mesmo instante que colocamos os pés na loja. Eu sorri agradecida pela ajuda e expliquei o que queria: um estetoscópio com cristais swarovsky. Eu sabia que o estetoscópio não poderia ser encontrado na loja, mas a vendedora me garantiu que ela pessoalmente cuidaria para que o objeto fosse comprado. Logo um homem alto se aproximou e se propôs a desenhar a objeto para que ficasse exatamente como eu tinha imagino. Emmett deu um sorriso de aprovação enquanto espiava o desenho e sorri triunfante, o presente melhor teria que ser o meu. Depois do desenho, era hora de escolher as pedras, o que só consegui com ajuda do Emmett. Resolvi dar uma volta pela loja enquanto os últimos detalhes eram acertados e parei quando vi um relógio que me gritava Edward. Chamei a vendedora e ela depositou o relógio em minhas mãos. Era um relógio maravilhoso e eu não pensei duas vezes antes de comprar.

No caminho de volta para casa o presente em minhas mãos parecia pesar meia tonelada. Aquilo representava coisa demais.

— Você está olhando para isso como se fosse um ET. — Emmett murmurou ao meu lado no taxi.

Eu estava insegura. Como apenas Edward parecia me deixar. Uma adolescente boba que comprara um presente para alguém que era afim.

Quando descemos do táxi já estava escuro, antes de resolvermos voltar, Emmett e eu jantamos em um restaurante japonês que ele tanto queria. Isso somado ao tempo que levamos andando pelo shopping e mais às horas dentro da joalheria. Tínhamos ficado muitas horas fora e agora já passavam das onze da noite.

Dentro do loft eu relaxei, tirando meus sapatos e me livrando dos casacos que me cobriam. Encontramos Edward e Alice sentados no chão da sala com uma pizza no meio deles. Soltei uma risadinha ao ver a cena. Edward Cullen comendo pizza fazia com que ele parecesse ter sua idade, seus vinte e sete anos.

— Meu Deus, aonde diabos vocês se meteram? — Alice ralhou enquanto sentávamos ao lado deles e começamos a contar sobre a nossa tarde. Enquanto Emmett contava como tínhamos escolhido um presente maravilhoso para Rosalie, deitei minha cabeça no ombro de Edward, sentado ao meu lado. Ele passou o braço pela minha cintura me puxando para mais perto. Seus dedos acariciando o local.

Ficamos todos ali, sentados do chão, conversando sobre as coisas mais banais e eu me sentia completamente confortável como poucas vezes na minha vida. Estar sentada ali com os irmãos Cullen me fazia sentir em casa, mesmo que esta estivesse a milhares quilômetros de distância. Cada um naquela sala era um pedacinho de mim, do que era a Isabella. Eu nem reconhecia mais aquela Isabella Swan que entrou em um avião com as três pessoas mais diferentes que podia conhecer. E, mesmo assim, hoje, depois de alguns meses de viagem, ali estava ela, os amando. Cada um deles.

Sorri enquanto Alice contava algo que nem tinha prestado atenção, Emmett ria como um louco, rolando no chão. Edward tentava conter sua risada, mas, por estar praticamente empoleirada nele, senta as vibrações de seu corpo.

Alice revirou os olhos e olhou feio para o irmão mais novo que quase rolava no chão. Ela passou a mão no cabelo exatamente como Edward fazia e bufou – a exata expressão de frustração que Edward fazia. Meu sorriso se ampliou um pouco. Eles eram tão parecidos e ao mesmo tempo tão diferentes. Meus olhos pesaram um pouco e me permiti fechá-los me sentindo parte dessa família tão diferente da minha.

(Música: Swoon — Beach Weather)

Abri meus olhos e tive que conter uma risada. Nós tínhamos dormido no chão como quatro adolescentes. Em algum momento, eu tinha deitado no chão com a cabeça no colo de Edward. Emmett e Alice estavam deitados de uma forma engraçado. Levantei com um suspiro, olhando a hora em no relógio digital ao lado da televisão. Eram quase três da manhã.

Acordei Emmett primeiro. Não foi muito fácil, mas logo ele estava indo em direção ao seu quarto. Depois Alice. E por último Edward.

Ele estava sentado de um jeito que acreditei que fosse completamente desconfortável. A mão que há alguns minutos estava no meu cabelo, descansava em seu colo. Ele parecia exausto. Todos nós estávamos. Me aproximei dele sentando-me na sua frente e cruzando as pernas.

— Edward, acorda. Vem, você vai acordar todo doído. — Eu disse levando minhas mãos até seus braços e balançando. Ele não se moveu.

Balancei a cabeça e soltei uma risada, sentando-me em seu colo, uma perna em cada lado de seu corpo. Levei minhas mãos até seu cabelo e me aproximei mais dele beijando sua mandíbula e subindo até sua orelha, depois descendo até seu pescoço.

Sorri quando senti suas mãos descasarem na minha bunda.

— Oi. — Eu murmurei.

Ele me deu um sorriso torto terrivelmente quente.

— A partir de hoje eu quero ser acordado assim todas as vezes.

Soltei uma risada. Fiz a menção de levantar e senti Edward me segurar no local e atacar minha boca, levei minhas mãos até seu cabelo. Sua barba espetava meu rosto e me acendia. O senti em baixo de mim e não resisti a rebolar em seu colo. Ele ofegou.

— Você vai me deixar maluca. — Murmurei em seus lábios.

Ele soltou uma risada e senti suas mãos segurando minha camisa. Balancei minha cabeça me afastando.

— Não, senhor. Não estou a fim de dar um showzinho para os seus irmãos.

Ele fez uma careta e me puxou pra si de novo, me acomodando em seu colo. Meus olhos vagaram pela sala escura e pararam na sacola Cartier em cima da mesa de centro. Me arrastei até lá sobre protestos de Edward e, com ela na mão, voltei, sentando-me no mesmo lugar que estava antes. Ele me olhou curioso.

— Eu estava comprando o presente da Rose e quando olhei pra isso só consegui pensar em você. — Eu o entreguei o presente e ele me presenteou com um sorriso bonito.

Como uma criança na manhã de natal, ele destruiu o embrulho trabalhoso feito pela vendedora. Aparentemente, Edward gostava de ganhar presente e eu não contive a risada. Meio segundo depois, Edward estava com o relógio em suas mãos, o admirando.

— Eu adorei! Obrigado, Bella. — Ele deu um beijo rápido nos meus lábios e colocou o relógio no pulso. Eu sorri. Realmente, o relógio gritava Edward.

Eu realmente estava feliz por Edward ter gostado do presente. Pra mim aquilo ia muito além de um simples presente. Era um gesto de rendição. Eu estava realmente me rendendo a Edward Cullen e dando uma chance. Não apenas à nossa relação, mas também a mim. A chance de ter alguém que me fizesse sentir como Edward me faz: amada, desejada, ouvida. A chance chamar Edward de namorado e superar todas as merdas que sinto em relação a ele: a insegurança, o ciúme, as brigas.

Edward me olhou com aqueles olhos verdes profundos, seu sorriso animado fora substituído pelo sorriso torto quente. Ele me olhava como se lesse cada pensamento que eu tinha. E eu quase podia apostar que ele podia. Eu nunca fui um livro aberto, mas Edward definitivamente podia ver através de mim e ele claramente entendia o significado do gesto. Sua mão acariciou meu cabelo e eu me inclinei em sua direção como um imã.

— Hmm… Você definitivamente tem o melhor cafuné do mundo. — Eu disse fechando os olhos.

— Obrigado, amor. — Seu tom baixo e profundo me surpreendeu e eu abri os olhos encontrando com os dele.

Ele não se referia ao elogio, nem ao presente.

— Desculpa. — Eu sussurrei passando a mão no cabelo. — Eu só estava, estou – me corrigi – com medo. Disso. Do que eu sinto por você. Medo de me machucar. De te machucar. — Eu suspirei fechando os olhos e enterrando o rosto nas mãos. — Eu não sou uma garota normal, eu não peço e nem ofereço corações e flores, eu não sou uma romântica incorrigível. Eu sou um caos, completamente. Na verdade, até pouco tempo eu nem achava que tinha um coração. — Dei uma risada seca e ele levantou meu rosto para olhar-me. Balancei a cabeça.

Desviei meu olhar e continuei:

— Mas eu quero estar aqui, estar com você. Quero dar uma chance para que isso dê certo. Quero ser a sua namorada e realmente quero poder dizer que eu amo você sem me sentir mal por isso.

Aconteceu muito rápido. Em um momento eu estava sentada no chão no colo de Edward, cuspindo sobre tudo que se passava dentro de mim que nem eu mesma entendia, ou escutava, e no outro eu estava sendo atacada por ele. Seus lábios exigiam os meus. Ele me beijava fortemente, me deixando sem fôlego e me pressionando contra ele. Nos levantamos, trêmulos, e seguimos para o quarto sem nunca separarmos nossas bocas, parando vez o outra quando sentíamos necessidade de aprofundar o beijo. No caminho até o quarto, fui prensada em diferentes lugares da parede e em um deles, Edward me puxou pra cima e eu prendi minhas pernas ao seu redor. Em um caminho de alguns segundos, entre a sala e o quarto, ficamos o que pareciam ser horas, mas provavelmente não se passaram de minutos.

Edward me jogou na cama quando chegamos no quarto e logo se apressou para tirar minhas roupas. Nada precisava ser dito, nossos toques, olhares e beijos falavam por nós dois. Eu arranquei sua camisa e calça em busca de maior contato. Eu precisava dele como nunca havia precisado antes. E não percebi que Edward havia tirado minha calcinha, mas quando senti seus dedos em mim eu gemi. Seus lábios beijavam meus seios enquanto seus dedos me fodiam. E, deus, era fodidamente bom. Quando Edward substituiu os dedos pelos seus lábios eu sabia que estava perdida. Minhas costas arqueavam e eu mordia os lábios para controlar os gemidos altos que ameaçavam a escapar pelos meus lábios. Quando eu gozei Edward subiu seus lábios aos meus novamente. Sentir meu gosto em seus lábios me excitava e eu me sentia mais e mais quente. Eu estava em combustão. Antes que eu pudesse me mover Edward levou suas mãos para minha boceta novamente e eu achei que ia desmaiar. Ele voltou a me foder com os dedos e a me beijar e eu só queria mais e mais. Quando Edward substituiu a mão pela boca novamente eu soltei um gemido alto. Ele deu uma risada o que me só me deixou mais perto do orgasmo. Eu gozei no exato momento em que ele alcançou um ponto dentro de mim que ele parecia saber exatamente as coordenadas. E, antes que eu ele começasse tudo de novo, como seus movimentos entregavam, eu o empurrei e montei nele. Eu só queria mais, mais de Edward. Eu precisava dele dentro de mim. E quando isso aconteceu, eu quase atingi meus terceiro orgasmo. Era a definição do céu e do inferno juntos se fundindo. Nossos gemidos contidos ecoavam pelo quarto e em pouco tempo eu nem sabia mais onde estava. Eu só queria Edward. As mãos de Edward me ajudavam a subir e descer rápido, quente e duro em seu pau. Sempre mais fundo. Como imãs, se repelindo e se atraindo. Nossos olhares não se deixando em nenhum momento. Eu sentia meu sexo apertando em seu pau e percebi o quão próxima estava e ele também parecia estar. Gemi de surpresa quando Edward me virou, ficando por cima, colocando uma das minhas pernas sobre seu ombro. Dei uma risada surpresa e ele puxou pra ele. E então eu gozei e ele me acompanhou. Ele deixou seu corpo sobre o meu por algum tempo e quando fez a menção de se mover eu o segurei.

— Estou confortável. — Eu murmurei.

Ele riu, mas saiu de cima de mim mesmo sobre protestos.

— Amor, eu vou te amassar.

Ele me puxou pra si me abraçando. Eu estava exausta. Sua mão começou a carícia no meu cabelo e eu senti o cansaço se aproximar.

— Melhor cafuné do mundo, é? — Ele sussurrou no meu ouvido e eu me arrepiei.

Assenti.

Alguém precisava fazer daquelas mãos a oitava maravilha do mundo

— Hmm… — Eu estava cansada demais pra falar.

Ele riu.

— Então você me ama?

Revirei os olhos, mesmo ele não podendo ver, já que minha cabeça estava enterrada em seu pescoço.

— Hmm…

Ele riu.

— E você é minha namorada?

— Hmm…

— Eu amo você também.

— Eu sei.

Dessa vez, ganhei uma gargalhada e me permiti cair em um sono profundo e cheio de Edward.

Notas finais
Queridas, minha vida está uma loucura. De verdade. Preciso agradecer a querida da Barbara Cullen que me mandou uma mensagem privada por aqui e fez a nostalgia crescer dentro de mim e aqui estou eu (Querida, prometo que te respondo, apenas não tive tempo). Ando completamente sem tempo, estudando e trabalhando, mas ultimamente uma chamazinha voltou a florescer em mim e posso dizer que talvez um livro saia do forno. Quem sabe? Algo diferente e profundo. Quem se interessar sinta-se livre em me mandar mensagem privada. Prometo que o próximo sai em breve. Eu realmente me sinto em casa escrevendo sobre Edward e Bella, depois de tanto tempo. Me digam o que acharam. Relevem os erros, eu nem reli, apenas corri para postar. Obrigada por todo apoio, por todas as palavras bonitas, enfim por tudo. Eu amo cada palavrinha de vocês, cada review e recomendações. Vocês são incríveis. Beijoca!