Vanity Fair
15 Make It Wit Chu
Notas iniciais
*
Fantasy Bra: é a lingerie mais importante do desfile da Victoria’s Secrets.
Victoria’s Secrets Fashion Show: Desfile da Victoria’s Secrets.
Angel: são as modelos mais importantes da marca, as que estão todos os anos.
Bombshell: são modelos menos importantes, não modelam para a marca sempre, apenas para alguns desfiles.
*
Quando descobri que tinha passado no teste para um dos Victoria’s Secrets Fashion Show, eu surtei. Para uma garota como eu, acabando de completar 18 anos, ter a oportunidade de carregar a marca tão nova, era surreal. Comemorei a noite toda e todas as subsequentes até eu perceber que precisava me preparar. E eu me preparei tanto. Dieta regrada, horas intermináveis de exercícios e mais algumas gastas para treinar meu andar. Tudo precisava estar perfeito. Eu não era uma angel, era apenas uma bombshell, uma coadjuvante, uma das muitas. Mas eu estava completamente obcecada. O show foi um sucesso e três desfiles depois eu fui convidada pela V.S. para ser uma angel e virei uma das embaixadoras da marca. Eu, com 21 anos de idade, já estava pensando em me aposentar, aceitei mesmo assim. E hoje, aos 25, ainda poder desfilar e ser embaixadora da marca como esta, mesmo um pouco afastada da vida de modelo, era incrível. E esse ano eu carregaria o Fantasy Bra, o sutiã mais importante. Eu mal podia esperar.
Acordei com uma vibração ritmada. Soltei um gemido frustrado procurando a origem do tremor e abri os olhos relutantes. Edward estava praticamente deitado em cima de mim, me abraçando, sua perna sobre meu corpo e seu braço na minha cintura, como se eu fosse um travesseiro. Desvencilhei-me o máximo que pude e vi o celular jogado ao seu lado da cama, me estiquei para pegá-lo tentando me mover o mínimo possível.
“Alô?” Atendi meio rouca, o sono ainda estava presente.
“Isabella?”
“Sim?”
A voz do outro lado da linha demorou alguns segundos para responder e eu me endireitei na cama pronta para voltar para o meu sono. E então, depois de ouvir a risada da pessoa do outro lado da linha, voltei minha atenção para o telefone.
“Por um momento achei que tinha ligado errado, querida. Como vai?”
“Você me acordou, Carlisle!” Eu disse rindo baixinho para não acordar Edward “O que houve?”
“Liguei para Edward para saber como estão as coisas, mas acho que está tudo bem”
Outra risada.
Ah, não. O celular que eu tinha atendido era de Edward, não meu.
“Trocamos de celular sem querer e não percebi” Menti.
Ouvi uma risada mais forte.
“Sei…” Carlisle tossiu para recuperar a voz. “Enfim, já que estou falando com você, aquela sua agente está louca atrás de você. Meio irritada, inclusive”
Soltei um suspiro.
O Victoria’s Secrets Fashion Show estava chegando e Kely, minha agente, estava provavelmente surtando com a minha falta de notícias. Felizmente todas as provas do Fantasy Bra já tinham sido feitas e no final dessa semana eu viajaria para Nova Iorque para os ensaios e o show.
“Obrigada, eu vou falar com ela.”
“Então, como estão as coisas?” Seu tom revirou meu estômago, Percebi que minha conversa com Carlisle tinha acordado Edward e ele me olhava com um misto de cansaço e curiosidade. Levei minha mão livre ao seu cabelo ruivo despenteado e ele me apertou mais. Sorri.
“Estamos bem”
“Que bom, norinha”
Eu fiquei paralisada.
Senti o olhar confuso de Edward em mim e, depois de alguns segundos, ele puxou o celular para si, dando uma olhada rápida na tela para identificar com que eu falava.
“Pai, acho que a Bella acabou de ter um ataque cardíaco por alguma coisa que você falou” Edward murmurou. “O que foi?”
E então ele gargalhou. Tanto que se acomodou na cama para rir mais.
Carlisle Cullen tinha acabado de tirar sarro de mim me chamando de norinha.
Norinha.
Quer dizer, eu tinha alguma noção de que algumas histórias sobre Edward e eu alimentavam a mídia, mas não o suficiente para Carlisle me chamar de norinha.
Puxei o cobertor para cima, com frio, e percebi que vestia um casaco que não estava em mim quando fui dormir. Quando Edward tinha colocado isso em mim?
Resolvi ignorar completamente o incidente. Era melhor eu fingir que essa conversa tinha sido um pesadelo, um fragmento da minha imaginação.
Enquanto Edward continuava a conversa com seu pai, esparramado na cama, resolvi ir à caça ao meu celular. Vasculhei meu e-mail em busca das informações de Kely e quase soltei um gritinho de empolgação. Eu estava tão ansiosa que resolvi guardar a ideia de estar participando de um show de tamanha magnitude em uma das gavetas do meu subconsciente. Porém, com as datas se aproximando e a agenda de compromissos que minha agente tinha me enviado, tudo veio à tona. Eu ia desfilar no Victoria’s Secrets Fashion Show, um dos maiores fashion shows no mundo hoje. E, dessa vez, com a peça mais importante do desfile: o FantasyBra. Poucas modelos tinham tido essa oportunidade e, dessa vez, seria eu. Com um sorriso animado, ajustei os últimos detalhes, eu viajaria em dois dias. Chegaria em Nova Iorque na quinta-feira. Teria uma entrevista no talk show do Jill Jenks e depois provas finais do FashionBra, um dia inteiro de ensaios para o dia seguinte, o tão esperado desfile.
Mandei um e-mail para Kely a tranquillizando e confirmando as datas. Eu não sabia o que era mais animador, estar novamente na minha cidade querida, voltar para a minha realidade fora dessa viagem intensa e enorme, ou o desfile em si.
“O que você está fazendo?, são oito da manhã ainda” Edward reclamou.
Revirei os olhos. Eu não conseguiria mais dormir.
Dei de ombros para ele e levantei da cama procurando meu computador. Eu tinha milhares de coisas para fazer que, como de costumei, deixei para última hora. Nas horas seguintes, enquanto Edward estava praticamente morto na minha cama, trabalhei como o inferno. Eu tinha abdicado de quase toda minha vida por essa viagem. Kely estava surtando. Com um suspiro, fiz o que o trabalho exigia, atualizei minhas redes sociais e abasteci o mundo com fotos. Fotos aleatórias. Nada muito pessoal. Apenas pela publicidade que era necessária. Nem me arrisquei a olhar os comentários, eu tinha arrepios só de imaginar o que estaria escrito ali, principalmente em relação ao homem deitado na minha cama. Quanto menos eu soubesse, melhor.
Os dois dias passaram como uma flecha e logo eu estava embarcando. Graças ao péssimo tempo na Espanha, eu tinha perdido horas valiosas. Agora, em vez de ter tempo de ir pra casa e descansar um pouco da viagem, eu teria que ir direto para emissora para o programa de televisão.
Nesses dois dias tudo foi resolvido. Decidimos tudo, fotografamos a sessão, escrevemos artigos, fizemos tudo que tinha que fazer, o que o trabalho nos exigia. Os dias mais produtivos da viagem, talvez. Quanto a Edward e eu, bom… nós fizemos sexo. Bastante. Uma quantidade razoável levando em consideração onde estávamos, o que tínhamos que entregar de trabalho e com quem estávamos. Quase não brigamos. Quase. Eu duvidava que algum dia nós parássemos de brigar. Parecia impossível.
Depois de horas intermináveis dentro do avião e mais horas intermináveis no trânsito caótico de Nova Iorque, cheguei na emissora. Felizmente meu camarim dispunha de um chuveiro e Kely já tinha preparado tudo para que eu me arrumasse. Um banho, dois copos grandes de café e alguns minutos de sono enquanto minha maquiagem estava sendo feita e eu já poderia ser considerada uma pessoa novamente.
“Você está melhor?” Foi a primeira coisa que Kely disse pra mim diretamente depois que da minha breve soneca. Ela, mais do que ninguém, entendia meus limites e me dava meu espaço.
“Sim, bem melhor, obrigada.” Agradeci.
Ela soltou um suspiro. “Ótimo, temos algumas coisas para conversar.”
Soltei um gemido resignado. “Podemos deixar para mais tarde. Depois disso tudo? Podemos ir pra minha casa e pedir comida chinesa daquele lugar que você tanto gosta.”
Depois de considerar alguns segundos ela assentiu. “Tudo bem.”
Ela passou o roteiro da conversa com Jenks hoje. Era fácil, nada que eu não tenha feito milhares de vezes antes. Meu reflexo no espelho estava completamente diferente do que eu me sentia. Santa maquiagem. Eu parecia corada, descansada e, principalmente, bem. Eu parecia a Isabella Swan, Angel da Victoria’s Secrets. Não eu mesma. Isso não era um problema, porém. Eu sempre gostei de distanciar a minha vida pública da privada. Criar uma barreira saudável que me impedia de surtar.
“Última coisa…” Kely começou e eu assenti a incentivando. “Edward Cullen”
Ah, merda.
Soltei um suspiro meio exasperado, meio em pânico e levantei da cadeira correndo procurando minha bolsa. Droga, Edward ia me matar.
Peguei o celular e nem me dei ao trabalho de ler as mensagens que ele me enviou, escrevendo uma mensagem rápida de volta. Edward tinha me pedido para que eu o avisasse assim que eu chegasse, neve e aviões na mesma frase pareciam deixar os Cullen agitados.
Oi! Cheguei sã e salva em território americano. Falo com você mais tarde. Beijo.
“Podemos falar sobre isso depois, Kely? Eu estou realmente exausta. Não é uma grande coisa.”
Ela assentiu. Eu devia estar exalando cansaço porque Kely não costumava desistir tão fácil assim.
Meu celular começou a tremer na minha mão e, antes que eu pudesse atender, uma cabeça se esgueirou pela porta e fui arrastada para o palco. Dei os últimos retoques no cabelo e na maquiagem enquanto esperava ser chamada. O único motivo para que eu tivesse aceitado participar desse programa era porque o host do show, J. Jenks, era um grande amigo meu e da minha família, ele havia me visto crescer. Eu já não sentia vontade de participar de nada disso mais. Porém, desfilar no show da VS sempre fora algo que eu gostei. Entrevistas eram ossos do ofício, todo mundo tem uma parte do trabalho que não gosta.
A plateia estava animada e vi alguns rostos conhecidos. Uma Swan deveria conhecer seus fãs. Distribui alguns autógrafos, tirei tantas fotos que perdi a conta e logo fui chamada para começar a entrevista. Jenks me deu um sorriso, levantando de sua cadeira para me abraçar. Me dei conta que estávamos ao vivo e tive que conter uma careta. Sussurrei um “eu odeio você” bem baixo, para que o microfone não captasse, fazendo Jenks rir e me sentei do outro lado de sua mesa. Programas ao vivo reviravam meu estômago.
“Isabella Swan, pessoal” Ele incitou e ouvi gritos animados da plateia. Mantive a expressão business e acenei para auditório. “Vou contar uma coisa para vocês, eu e essa mocinha aqui nos conhecemos – há quantos anos, Isabella?”
Eu sorri.
“Desde que eu nasci, talvez?” Ele riu. “Devo considerar isso como uma maneira cavalheira de perguntar a minha idade?”
A plateia explodiu em risadas junto com Jenks.
“Você me pegou!”
Colocaram na minha frente um copo e eu os levei aos lábios, certa de que seria água. Quando o líquido chegou na minha garganta, arregalei os olhos.
“Vocês estão tentando me embebedar?”
Mais risadas. Bebi mesmo assim. O uísque brincava nos meus lábios e eu maneei a cabeça quando vi a quantidade no copo. Pelo menos eu tinha feito todas as refeições corretamente, alguns goles de bebida não me trariam problema.
“E, você, está nervosa com o desfile de domingo?”
“Não” Brinquei “É claro que estou! Acho que estou tão nervosa que estou evitando pensar nisso o máximo possível”
A entrevista correu leve. Jenks sabia como conduzir um programa ao vivo. Por causa da bebida eu me sentia mais risonha e soltei um suspiro de alívio quando percebi que a entrevista estava caminhando para o fim.
“Há umas semanas eu ando curioso com uma coisa”
“Hmm” Incentivei.
Ouvi umas risadinhas e ele virou a cabeça para o telão, quando fiz o mesmo senti meus olhos se arregalarem. Que porra?
Era uma foto minha com Edward nos beijando. No telão. Meu choque era tão grande que eu nem conseguia prestar atenção na foto em si, apenas no fato que era uma foto minha e do Edward nos beijando. No telão. Para o país todo assistir. Ao vivo.
Meus olhos encontram os da Kely, atrás das câmeras, sua cara era de puro pânico enquanto ela virava pra gritar com alguém, suas mãos balançam desesperadamente.
Dei um sorriso completamente sem graça e voltei meus olhos para o apresentador à minha frente. Um silêncio desconfortável tomou o estúdio enquanto minha cabeça girava.
Que diabos?
Que merda estava acontecendo.
“Conta pra gente, tá rolando ou não está?”
Encontrei os olhos de Kely de novo e ela balançou a cabeça negativamente. Lutei para segurar a face da indiferença e não deixar o pânico tomar conta do meu rosto. Em que mundo eu estava? Só eu não sabia da existência dessa foto?
Quer dizer, eu evitava o máximo possível ler revistas de fofoca e ver fotos de paparazzi. Eu queria saber o mínimo possível do que as pessoas sabiam sobre mim. Durante grande parte da minha vida me sentia obrigada a lidar com tudo isso, hoje não preciso mais. Ou, pelo menos, não atribuo isso a mim.
Eu estava em pânico, porém. Ter minha intimidade exposta para dezenas de milhares de pessoas era assustador. Dei uma risada nervosa e me mexi no meu lugar.
“Seja específico, Jill” Eu disse pausadamente fuzilando-o com os olhos e chamando-o pelo primeiro nome.
Ele deu uma gargalhada.
“Isabella, responda o que mundo quer saber…” Revirei os olhos com o exagero “Você e Edward Cullen estão namorando ou não?”
Passei a mão no cabelo nervosa.
Eu estava perdida. Dezenas de respostas evasivas passearam pelo meu cérebro. Um último olhar em direção à uma Kely desesperada me tirou uma risada. A situação era tão ridícula que chegava a ser cômica. O silêncio era tão grande que tornava a situação pior.
“Minha agente está pronta para atacar você nesse exato momento.” Ouvi todo mundo rir e o clima no estúdio ficar mais leve. “Nós estamos bem. Ele, inclusive, te mandou um abraço” Menti. Na cara dura. Eu nem sabia se Edward o conhecia. “Estamos fazendo essa grande viagem, eu e os três irmãos Cullen e conheci tanta coisa, Jill” Mudei de assunto, chamando-o novamente pelo nome.
Ele deu um sorriso.
“E vocês se aproximaram na viagem ou vocês já estavam juntos antes?” Ele insistiu.
Evitei que meus olhos revirassem. Se Jenks se acha esperto, eu sou ainda mais.
“Nós quatro nos aproximamos muito nessa viagem. Quer dizer, nós trabalhamos juntos há algum tempo, mas nunca fomos próximos. Hoje considero os três grandes amigos.” Respondi sorrindo. “Passamos por muitas coisas juntos. Inclusive, estive em um acidente de trânsito um dia desses – você sabe como dirijo bem, não sabe, Jenks? Então…”
E, como uma corredora de 100 metros rasos, fugi da pergunta de Jenks com uma informação completamente inútil, mas que entreteria todo mundo ali.
E então o programa acabou. Com uma carranca no rosto, Kely me arrastou para fora do palco e afastou qualquer pessoa que se aproximasse. Ela estava uma pilha de nervos.
“Kely, relaxa. Não foi nada demais, eu só fui pega de surpresa” Eu disse tentando acalmá-la. “Não há nada o que esconder, Edward e eu estamos juntos. Só é muito estranho o mundo todo saber disso, mas está tudo bem.”
Ela assentiu.
“Não vamos conversar aqui. Você tinha que ter me avisado.”
“Da foto? Você acha que eu sabia?” Eu ri. “Eu não sabia de nada. Eu sou só uma pessoa normal, seguindo minha vida.”
Ela soltou uma risada de escárnio e me empurrou para dentro do carro. Nós tínhamos saído tão rápido da emissora que eu nem tinha reparado. Mesmo assim, todos os meus pertences estavam ali dentro. Do caminho do estúdio até minha casa, Kely ligou para uma quantidade absurda de pessoas. Eu absolvi meus ouvidos de tentar entender o que ela falava. Ela era uma agente e tanto, eu não tinha que me preocupar com nada.
Pouco tempo depois eu escorregava para dentro da minha cama. Depois de tanto tempo, eu não consegui acreditar que teria algumas horinhas só para mim, sem ter que me preocupar com absolutamente nada a não ser dormir e acordar bem disposta para o dia seguinte. Antes de cair no sono, porém, enviei por mensagem o link do programa para Edward.
É esse tipo de vergonha que você me faz passar.
E então eu, depois de meses longe, dormi na minha cama. Na minha casa. Em Nova Iorque.
Eu nem lembrava qual tinha sido a última vez em que eu tinha dormido e acordado sozinha. Sem despertador, sem ninguém me acordando, nem meu celular tocando. Sentei na cama me sentindo muito mais leve. O relógio marcava duas da manhã. Eu tinha dormido o dia todo.
Com um suspiro, levantei da cama e fui até a cozinha. Kely, minha eterna salvadora, tinha pedido comida e uma sacola do meu restaurante predileto descansava em cima da mesa. Enquanto esperava a comida esquentar, abri um vinho e comecei a ler o cronograma definido para o fim de semana. Os ensaios seriam cedo na sexta e o sábado estava lotado.
Depois que acabei de comer, levei para o banheiro comigo uma taça de vinho. Nada era melhor do que tomar um banho relaxante de banheiro com um vinho. Dito e feito. Eu não poderia me sentir melhor. Um pensamento passou rápido pela minha cabeça e eu estiquei meu braço para pegar meu celular.
Vi uma ligação perdida de Edward e duas novas mensagens.
Isso fez o meu dia. Sua cara de pânico é com certeza o novo meme da internet.
É estranho não ter você aqui, Emmett está sentindo sua falta. Eu não. Te amo.
Ri.
Edward estava claramente de bom humor.
Antes que eu pudesse perceber o que estava fazendo, digitei no Google “Isabella Swan e Edward Cullen”. Não tenho certeza se estava preparada para os resultados. Tentei me concentrar nas fotos, já que um dos resultados do Google era de uma revista de fofoca que afirmava que estávamos noivos. Eu nem queria ler.
Eram muitas fotos. Muitas. Na maioria delas estávamos apenas conversando, lado a lado. Porém algumas eram íntimas demais. Por exemplo, uma que eu estava literalmente empoleirada em Edward enquanto dividíamos um casaco no Japão; várias na festa da Victoria’s Secrets, nós abraçados, nos beijando, até brigando.
Pesquise nossos nomes juntos no Google e faça parte do meu surto. Obrigada.
Minha mensagem saiu mais preocupada do que eu realmente estava. Mas eu me sentia sufocada pela mídia, toda essa exposição me dava náusea. Mandei um email para Kely explicando tudo. Todos os detalhes, se tinha uma pessoa para quem eu não podia esconder nada essa pessoa era ela.
Meu celular tocou e eu atendi, deduzi que fosse a Kely querendo falar sobre o e-mail que eu tinha acabado de mandar e atendi sem me preocupar com olhar o identificador.
“Oi Kely, desculpa não ter falado com você direito hoje, eu estava exausta.”
Uma risada rouca soou do outro lado da linha e um calor conhecido correu pelas minhas veias.
“Você me deixou há menos de 24hs e já está trocando meu nome, Isabella?”
Eu revirei os olhos.
“Oi.”
“Oi, amor”
Era oficial, eu estava virando uma menininha boba. Edward Cullen me chamando de amor era demais para mim.
“Você viu a entrevista?” Perguntei, mesmo sabendo a resposta.
“Claro. Mas não liguei para falar disso, eu quero saber como você está”
Soltei um suspiro enquanto bebia o resto do meu vinho.
“Bem, na medida do possível. Mais ansiosa do que achava que estaria.”
Eu podia ouvir o sorriso dele do outro lado da linha.
“Relaxa, amor. Vai dar tudo certo. Você é incrível.”
“Eu sei que sou.” Ele deu uma gargalhada alta. “Já não tenho mais ideias para me manter relaxada. Acabei com meia garrafa de vinho e estou há tanto tempo dentro da banheira que acho que vou criar barbatanas.”
“Acho que posso te relaxar mais do que isso.”
Eu dei de ombros. Sim, ele podia.
“Você vai ficar me devendo essa.” Murmurei.
“Pode cobrar.” Sorri. “Emmett e Alice acabaram de acordar. Tenho que ir trabalhar. Durma mais um pouco, por mim.”
Eu ri e desliguei.
A sexta-feira foi agitada. Prova das peças. Ensaio. Entrevistas. Gravações.
Era tanta gente que eu estava ficando maluca. Eu tinha perdido as contas de quantas vezes eu tinha desfilado naquela passarela no dia. Tudo tinha que ser ajustado, a luz, o som, a coreografia.
As entrevistas foram mais fáceis. Como estávamos em grupo, as perguntas se concentravam no desfile e em nós mesmas. Reencontrei amigas, conheci pessoas novas, tive o cabelo feito de várias formas diferentes e minha maquiagem também.
Quando cheguei no quarto eu desabei na cama. O dia mais longo da minha vida havia chegado ao fim. Ser a principal modelo do desfile de uma marca como a Victoria’s Secrets estava sendo o maior desafio da minha vida até agora.
Eu não tinha forças para levantar da cama e tirar meus sapatos. Liguei a televisão em um canal aleatório, só para que eu fosse impedida de dormir. Mas não deu muito certo, porque a última coisa que eu lembro é de ter empurrado de qualquer jeito o tênis dos meus pés e entrado no quentinho dos meus cobertores.
O sábado começou como uma flecha, assim que acordei me arrastei para o local onde aconteceria o desfile onde fui devidamente produzida. Gravei dezenas de vídeos, tirei um número incontáveis de fotos, dei entrevistas. Esse era, provavelmente, o dia mais agitado da minha vida. O cronômetro rosa piscava. Faltava apenas meia hora para o desfile começar e a correria no backstage era assustadora.
Eu já estava pronta, trocaria duas vezes de roupa. Parei alguns segundos para me olhar no espelho, a lingerie tinha vários tons de azul e minhas asas que pensavam mais do que nos últimos anos estavam acessas com led. Meu cabelo castanho caía como cascata nas minhas costas. A ansiedade estava me matando. O fato de eu estar prestes a colocar um conjunto de lingerie que valia incríveis 12 milhões de dólares era assustador. Eu já tinha vestido muita roupa cara na minha vida, mas um sutiã que valia todo esse preço era quase sufocante.
E, mais rápido do que eu imaginei, era a hora. A música começou a tocar, o show foi anunciado e logo entramos em fila, na ordem exata que deveria acontecer. Tudo estava devidamente coreografado, mesmo assim a correria no backstage era incessante.
Logo chegou a minha vez. Eu já tinha feito isso tantas vezes que era reconfortante estar ali. O desfile estava lotado. Mas, para mim, não tinha ninguém lá. Só eu, a música e a coreografia que tinha que ser feita.
Assim que coloquei os dois pés para fora da passarela fui arrastada para me trocar, e refazer meu cabelo e maquiagem. Para o Fantasy Bra tudo tinha que ser especial. Todos os olhos e flashes estariam voltados para mim.
Eu assistia minhas colegas desfilarem pela passarela e correrem pelos bastidores para se trocarem. O desfile tinha 3 blocos diferentes e no final do segundo, o sutiã de 12 milhões foi entregue a mim. Ele era tão bonito que doía. Era tão preto e brilhante que nem parecia ser real. As assas foram substituídas por assas grandes brancas e brilhantes. Como eu imaginava que seriam as assas dos anjos caso eles existissem. E então os pendentes começaram a ser colocados em mim. Eram vários, lembrava um pouco o Fantasy Bra usado pela Alessandra Ambrosio no Fashion Show de 2014. As botas pretas de vinil de cano alto e salto fino davam o toque final.
“Você está linda” Uma das maquiadoras elogiou.
Sorri “É tão surreal pensar no preço desse sutiã”
Jasmine uma das Angels se aproximou, ela tinha usado o Fantasy Bra há alguns anos atrás. “Não pensa nisso, porque se não você fica maluca”
Eu ri “É assustador”
“Você já fez isso tantas vezes que vai tirar de letra, pensa que é só mais uma andada naquela passarela.”
(Música: Make It Wit Chu – Letra)
Com um aceno de cabeça e um “obrigada” me despedi dela e corri para onde era chamada. Eu não sabia quando desfilaria novamente, ou se queria desfilar novamente, então me permiti aproveitar como se fosse a última vez. Perceber as luzes, a músicas, as pessoas. E não pude conter um sorriso sincero quando entrei na passarela. Minhas passadas eram ritmadas com a batida da música, assim como no ensaio. O cantor escolhido para fechar o show era um antigo conhecido e assim, que me aproximei, ele me saudou com uma reverência que me tirou uma gargalhada. Vi vários rostos conhecidos, mas um deles me chamou atenção. Quando parei na ponta da passarela para que todos aqueles fotógrafos tirassem um número absurdo de fotos do sutiã – e de mim – um par de olhos verdes se destacou na multidão.
Em toda a sua glória, Edward Cullen estava sentado em uma das últimas fileiras com um sorriso torto no rosto. Dei uma piscada em sua direção e voltei minha atenção para os fotógrafos ao meu redor. E então era isso. Logo eu estava caminhando de volta para fora do palco, só para voltar novamente com todas as modelos dessa vez para fechar de verdade o desfile.
Quando acabou eu me sentia leve. A imprensa lotava os bastidores e a parte final do trabalho. Ser uma Angel da Victoria’s Secrets era um trabalho exaustivo. Assim que os repórteres tinham acabado comigo e estavam 100% satisfeitos me joguei em uma das cadeiras. Eu estava exausta, com o dressroom quase totalmente vazio me permiti descansar um pouco. Meus olhos pesavam e a coisa mais urgente para mim no momento era alguns segundos de descanso. Minhas pálpebras que pareciam terem o peso de dois elefantes.
Eu não podia dormir aqui, e o objetivo nem era esse, eu só queria alguns momentos de silêncio. O desfile tinha sido um tremendo sucesso. Poder desfilar por uma marca por tanto tempo era recompensador. Poder desfilar com o sutiã mais importante era ainda mais incrível. E toda essa experiência era um sonho. E era. O sonho de qualquer modelo. E agora eu tinha realizado.
Sentindo um peso na minha direção, eu abri os olhos. E como se estivesse em sua própria casa, Edward Cullen estava encostado no balcão à minha frente me fitando, um sorriso sacana brincando em seus lábios.
Contive o sobressalto pelo susto em vê-lo tão perto “O que você está fazendo?”
Ele sorriu “Secando você” Eu ri “Eu não sei se alguma vez estive mais duro do que estou agora”
Dei uma olhada rápido para o volume pronunciado na sua virilha.
“Você nem deveria estar aqui”
Ele deu de ombros “Você estava demorando demais, além disso, a visão daqui é incrível”
Olhei em volta e vi o camarim vazio, eu provavelmente tinha caído no sono e ninguém me acordou. Sentei-me melhor na cadeira e não evitei o bocejo.
“Preciso trocar de roupa, os produtores devem estar surtando por não estarem encontrando esse sutiã” Eu disse tirando minhas botas.
“Eu estava esperando que você pudesse ficar com ele” Edward disse.
Não puder conter a risada mais irônica que alguém podia dar “Ah, claro, se eu pagar os 12 milhões”
“12 milhões?” Edward engasgou e eu assenti. “Vale a pena”
Revirei os olhos e fui até o armário para pegar minhas roupas. Elas pareciam totalmente sem graça depois do sutiã e das asas brilhantes.
“Já volto, preciso de ajudar para me trocar.”
Antes que eu chegasse até a porta Edward me puxou até ele e colou nossas bocas. Senti meu corpo amolecer com seu toque imediatamente. Seus braços me seguravam contra si fortemente e eu só queria enrolar minhas pernas em volta dele e me afundar nele.
Mas, eu tinha um trabalho a fazer.
“Eu preciso me trocar” Murmurei me afastando, sua ereção estava ainda mais pronunciada contra mim. Antes que ele tentasse me puxar novamente, escapei dos seus braços e corri pra fora do quarto.
Com a ajuda de duas mãos ágeis, me livrei do sutiã mais caro que já vesti na vida e o substituí pelas minhas roupas que agora pareciam absurdamente sem graça. Prendi meu cabelo num coque alto e voltei para o camarim para pegar o resto das minhas coisas e Edward.
Edward soltou um suspiro quando voltei para a sala.
“Decepcionado?”
Jogado na cadeira em que há poucos minutos eu estava Edward dramaticamente revirou os olhos “Jamais”
Assumi a posição em que ele estava anteriormente, mas, diferente dele, eu me sentei no balcão à sua frente.
“Você foi incrível hoje”
Dei de ombros exprimindo uma falsa expressão blasé “É claro que fui” ele riu “O que você está fazendo aqui? Quando chegou?”
Ele arrastou sua cadeira para que ficasse mais perto de mim e apoiou o queixo na minha coxa, me fitando. “Você não achou que eu perderia sua grande noite, achou?”
“Você deveria estar na Grécia com seus irmãos”
Ele negou com a cabeça “Eu deveria estar aqui com você” sua mão começou a fazer círculos na minha perna “Meu pai e minha mãe estavam loucos quando viram você, querem muito ver você, mas acharam melhor deixar que você descansasse um pouco”
Sorri aliviada, eu amava aqueles dois como meus próprios pais, mas eu estava tão exausta que meu único desejo era minha cama.
“Eu estou exausta, acho que nunca trabalhei tanto como nesses últimos três dias”
Edward me deu um sorriso bonito “Rose e seus pais não vieram?”
Neguei. “A presença deles me deixaria mais nervosa do que estava, não consegui afastar seus pais daqui, você sabe como seu pai é.”
“Desculpe por isso”
Dei de ombros “Isso tudo é porque ele me ama mais do que ama vocês” brinquei.
Como um menino enciumado, Edward revirou os olhos, mas mudou de assunto “Você não queria que tivesse vindo?”
“Foi uma surpresa boa; obrigada por isso” Sorri alcançando seu cabelo com minhas mãos, meus olhos caíram no relógio em seu pulso e me sobressaltei com a hora, já passava de meia noite.
Quando fiz a menção de levantar, Edward me puxou para seu colo.
“Você não me beijou o suficiente” Ele disse como um muxoxo.
Eu ri e colei nossas bocas. Trocamos um beijo calmo e profundo. As mãos de Edward brincavam com meu couro cabeludo. Descolei nossas bocas “Precisamos ir”
Depois de juntar todas as minhas coisas, deixamos o local. Diferente do que eu esperava, assim que colocamos os pés na rua duas toneladas de flashes foram disparadas na nossa direção.
Corremos até o meu carro ao som dos gritos dos paparazzi.
“Você veio dirigindo?” Edward perguntou assim que nos aproximamos do meu carro.
Assenti.
Meio contrariado Edward entrou no carro enquanto eu pegava a chave com o manobrista e entrava também “Como você é exagerado, parece que está indo para a forca”
“Lembrando que você quase dirigiu da última vez que você dirigiu”
Revirei os olhos.
“Sua confiança em mim é incrível” debochei.
Ele se inclinou para depositar um beijo na minha bochecha enquanto eu tentava desviar dos paparazzi que rodeavam o carro.
“Vou atropelar cada um deles” Reclamei fazendo Edward rir.
Felizmente os seguranças afastaram os fotógrafos do carro o que permitiu que eu acelerasse o carro e saísse dali.
“Pra onde você está me levando?”
“Minha casa” Disse o presenteando com uma piscada.
Meu apartamento estava escuro e gelado. A luz da lua era a única coisa que iluminava o local. Tirei meus sapatos de salto e me joguei no sofá observando Edward. Ele observava meu apartamento com atenção, se demorando nas fotografias na parede. Eram fotos tiradas por mim quando modelar era minha profissão principal e eu estava cada semana em um lugar do mundo. Eram fotografias preta e brancas que decoravam a sala de estar do meu apartamento.
Depois ele voltou seu olhar para mim “Estou procurando um boneco vodu meu”
“Estão guardados pra quando você me irritar” ele riu e se aproximou de mim “Você vai dormir aqui comigo hoje?”
O sorriso bonito que recebi abalou minhas estruturas “Você está maluca se achou que eu ia dormir longe de você de novo”
O puxei e ele se empoleirou em mim. Levei minha boca até a sua e o beijei forte. Nossas roupas foram deixadas no chão em uma trilha até o meu quarto. Sem nos desgrudarmos uma única vez Edward e eu nos beijávamos com toda vontade que tínhamos. E fizemos sexo com tanta intensidade quanto. Quando gozei pela segunda vez naquela noite, Edward me puxou pra si. Eu estava exausta, mas saciada. Eu me sentia em casa. Enquanto Edward fazia carinho no meu cabelo meus olhos pesavam.
“Obrigada” Murmurei.
“Pelo o que?” Sua voz soou tão rouca no meu ouvido que mesmo exausta eu queria me enterrar mais nele.
Abri os olhos para encontrar o olhar pesado de Edward “Por ter vindo, por estar aqui, pelo o que você faz por mim” Sorri com o seu sorriso torto.
Ele deu um beijo rápido na minha testa “Obrigada por deixar”
“Eu te amo”
“Eu sei” Ele disse rindo.
E naquele momento eu me sentia inteira e feliz. Satisfeita como poucas vezes na minha vida. A bolha que críamos tornava um lugar tão íntimo como a minha casa era – e é – ainda mais aconchegante. Eu honestamente não sabia o que seria de nós dois dali pra frente, o próximo país que visitaríamos seria o último e então toda rotina que construímos acabaria. A dinâmica de dormir e acordar juntos acabaria, de brigar e, mesmo sem querer, ter que continuar junto acabaria, tudo acabaria.
O fato é que eu não sabia como seria quando a viagem chegasse realmente ao fim. Eu nem sabia como seria a convivência com Edward no nosso habitat natural. Por muitos anos desenvolvemos um ambiente extremamente hostil no trabalho e a quebra da nossa rotina diária foi a única coisa que conseguiu nos aproximar. O caminho de volta seria longo. Mas quando eu olho para os olhos do ruivo na minha frente eu tinha certeza que faria tudo que pudesse para olhar dentro deles. Esse cara na minha frente me tinha de todas as formas de possíveis.
Mesmo exausta eu não queria dormir, esse tinha sido um dos dias mais especiais que eu já tive em toda minha vida e ter Edward nele só o fez melhor. A única vez que os olhos verdes se desviaram de mim foi quando estavam pesados demais para se manterem abertos. Enquanto eu lutava contra o meu próprio sono meus dedos brincavam com suas madeixas ruivas. E quando eu finalmente cedi ao sono, eu tinha em mim a certeza de que faria qualquer coisa para poder me sentir completa assim pra sempre.
Xx
Acordamos na manhã seguinte e corremos para o aeroporto. Emmett e Alice já estavam nos esperando no nosso destino final: Roma, na Itália. A nostalgia precoce estava no ar. Roma estava agitada, mas nós estávamos estranhamente calmos. O clima de fim de viagem tinha tomado conta do nosso quarto de hotel anormalmente quieto. Os detalhes da sessão foram resolvidos sem muita discussão; a sessão foi rápida, sem muitas interrupções; passamos mais tempos juntos do que separados, mesmo que inconscientemente.
Apesar de morarmos relativamente perto uns dos outros, a falta que sentiríamos de estarmos juntos o tempo todo era grande. Nós havíamos nos tornado uma pequena família nesses dois meses de viagem. Eu que sempre fui filha única, desenvolvi um amor por cada um deles que eu nem pensava ser possível. No final, o desenvolvimento da nossa relação era palpável.
Alice chorou e só parou quando Jasper a ligou. Emmett estava ansioso, Rosalie estava se mudando para perto dele e a agitação tanto dele quanto dela era comovente. Até eu, que no começo não apoiava o relacionamento, sentia um carinho imenso pelos dois como um casal agora. Quanto a Edward e eu, bem, nós estávamos calados. A verdade é que eu sentia que um pedacinho de mim estava indo pra longe. Que eu não poderia procurá-lo pelo quarto para contar alguma coisa ou pedir alguma opinião.
Nós voltamos para a América com não apenas malas mais cheias, mas corações também. Depois de conhecer tantos lugares diferentes no mundo, voltávamos com uma noção muito maior do que jamais tivemos. Uma noção de mundo adquirida depois de rodar todos os continentes.
Saímos do avião e corremos para casa. Hoje seria a festa de aniversário da revista e nós deveríamos comparecer. Minha casa parecia silenciosa mesmo com o vai e vem do pessoal responsável por me produzir para o evento. Fui penteada, maquiada e vestida. O vestido preto tomara que caia era um dos vestidos mais bonitos que eu já tinha visto. Meu cabelo solto e com ondas leves juntos com o batom vermelho e olhos marcados compunham meu visual de costume. Essa era definitivamente uma das minhas maquiagens prediletas.
Quando desci do carro encontrei a entrada cheia de fotógrafos e celebridades. A Vanity Fair era uma das maiores revistas de moda do mundo então não era nenhuma surpresa que um número grande de modelos, atores e até cantores comparecesse. Toda high society da indústria do entretenimento estava ali. Coloquei os pés no tapete preto e os fotógrafos começaram a chamar meu nome, animados. Encontrei alguns amigos e posei com eles para os fotógrafos.
No momento em que eu achava que os fotógrafos tinham tirado todas as fotos que precisaram, Edward Cullen apareceu do meu lado. Antes que eu pudesse perceber, eu gravitei para o seu lado e ele me segurou com um abraço. Ele estava impecável como sempre, a barba de alguns dias o deixava tão quente que eu só queria me jogar nele.
“Não me olha assim” Ele sussurrou no meu ouvido.
“Assim como?” Sussurrei de volta sonsamente.
Ele me lançou um olhar reprovador “Como se quisesse que te fodesse aqui agora”
Sorri me aproximando dele para dar aos fotógrafos o que eles tanto queriam: fotos “É o que quero”
Edward deu uma risada baixa e um beliscão rápido na minha bunda que me fez pular de susto, olhei feio pra ele.
“Edward, estamos em público” Reclamei e recebi batidinhas rápidas na minha bunda e um beijo no pescoço.
O alvoroço dos fotógrafos provavelmente cansou Edward porque ele pegou minha mão e me puxou pra dentro da festa. A música era baixa e reconheci tantos rostos que quando sentei na mesa soltei um suspiro. Eu ainda não tinha visto Carlisle nem Esme desde que eu e Edward ficamos juntos. Mesmo que eu já os conhecesse há anos e os considerasse como parte da minha família, eles continuavam sendo os pais de Edward.
“O que foi?” Edward chamou minha atenção, o olhei confusa “Você parece meio ansiosa”
Dei um sorriso e levei minha mão para acariciar sua barba por fazer, ele era tão bonito que eu provavelmente nunca ia me acostumar “Nada demais”
Ele franziu o cenho na minha direção e retribuiu o toque.
“Meus filhos, que saudade!” Ouvi a voz de Esme perto de mim e sorri.
Eu sentia um grande carinho por ela e depois que ela cumprimentou todos os filhos na mesa, ela se virou para mim com um sorriso gigante “Minha mais nova nora” eu ri retribuindo o seu abraço “Quem diria que Edward me daria a nora que eu sempre pedi a Deus”
Emmett deu uma risada ao meu lado “Quem diria, não é, mamãe? Papai deve estar nas nuvens, os dois filhos preferidos dele estão juntos!”
Como se tivesse ouvido sua menção, Carlisle apareceu no nosso campo de visão com um sorriso enorme, ele abraçou todos nós e depois voltou para o lado de Esme, a abraçando pela cintura “Ora, ora parece que Isabella Swan está mais perto de ser uma Cullen do que nunca” ele brincou.
E, pela primeira vez em muito tempo, eu corei. Como uma menina boba. Inconscientemente, me aproximei de Edward que rodeou os braços em volta de mim. Foi necessário muito autocontrole para que eu não escondesse meu rosto no pescoço de Edward.
“Oi pra você também Carlisle” Respondi fazendo-o rir.
“Não seja boba, norinha. Estou exalando felicidade em tê-los juntos” ele respondeu.
Esme revirou os olhos e distraiu seu marido animado.
Me virei, ficando de frente para Edward o abraçando de volta.
“Você estava certa, acho que meu pai gosta mais de você do que de mim”
Dei uma gargalhada baixa e descansei minha cabeça em seu ombro “Eu não tenho mais tanta certeza”
“Você está falando sério?” ele recuou para olhar meu rosto “Quanto mais envergonhada ele te deixar, mais ele te ama. Você corou então ele eu suponho que ele te ama mais do que todos os outros filhos”
Revirei os olhos e depositei um beijo em seus lábios. Eu não sabia como seria daqui pra frente, mas desde que tivesse esses olhos verdes me olhando e esse perfume amadeirado me rodeando eu estaria bem, feliz e inteira.
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