Vanity Fair
3 Womanizer
Notas iniciais
Depois de confirmar com Versace fiz Edward ligar para o agente da nossa modelo loira, Alice encontrar um lugar legal e Emmett, que não estava fazendo nada, arrumar um cavalo branco. Eu sabia, e ele também, que eu dei a tarefa mais difícil para que ele sumisse da minha frente e deixasse que eu trabalhasse em paz. Enquanto a paz ainda existia naquele flat, eu liguei para Carlisle o contando nossa ideia. Ele se disse satisfeito e perguntou dos filhos. Desliguei na cara dele, óbvio. Eu não era babá dos filhos deles nem nada. Ele só estava tentado tirar sarro de mim. Babaca.
Tranquei-me no quarto revisando o que Carlisle me mandara. Eram só alguns detalhes da próxima edição, detalhes pequenos que me tomaram a tarde toda. Olhei para o relógio que tinha ali e marcava sete da noite. Surpreendentemente estava calor dentro daquele quarto. Eu havia tomado banho e trocado de roupa. Lá fora parecia bem frio e aqui dentro eu trajava uma roupa leve e bem casual. Ouvi uma batida na porta e ergui a cabeça. Era Alice.
— A garota já está aí. — Ela disse sorrindo.
Sorri.
— Vamos ver o que temos. — murmurei enquanto me levantava e saia do quarto junto com Alice. Em poucos segundos estávamos na sala. E assim que chegamos meus os vagaram por todo apartamento até achar num canto meio escondido. Ela era alta, tinha cabelo loiro que batia em seus ombros e tinha os olhos verdes que na verdade eram parecidos com os meus. Suas feições eram fortes, mas bonitas. Ergui a sobrancelha gostando do que vi, cabelo loiro e a pele pálida da garota aliado ao fundo claro destacariam o Versace vermelho. E em questão de segundos minha mente já trabalhava buscando combinações de roupa e maquiagem. — Você deve ser Celeste… eu sou Isabella.
Ela sorriu e quando cheguei perto apertou minha mão.
— Sim. — ela disse simplesmente.
Pelo menos a garota fala inglês, obrigada meu Deus.
— Hmm, Edward já conversou com você? — Perguntei ansiosa esperando por um sim. Era muito chato conversar questões burocráticas com modelos, Edward tinha que fazer isso, não eu. Felizmente a garota assentiu. — Pelo menos aquele idiota serve pra algo.
Ouvi alguém bufar e me virei encontrando Edward sentado num sofá ao lado de Emmett.
— Bella, Bella, você está pisando no molhado… — Edward cantarolou. Revirei os olhos voltando a olhar para a garota.
— Hey, você trouxe seu book? Gostaria de dar uma olhada… — perguntei. A garota assentiu e tirou da bolsa seu book e me estendeu. Peguei sem hesitar o colocando em cima da mesa de centro da sala. Sentei de pernas cruzadas começando a passar as fotos. Senti Alice sentar ao meu lado junto com Emmett e Edward. A garota continuava de pé e eu pedi que ela ficasse a vontade. Ela se sentou em uma poltrona perto de nós. A cada foto que eu passava dava pra ver o quão versátil ela era. Peguei-me divagando sobre high fashion e o porquê de ela não ser famosa o suficiente para que eu a conheça. Eu conhecia tantas. Pelo menos por foto eu devia ter a visto. Ela era muito boa. — Celeste… — murmurei parando de passar as fotos, Alice logo começou a fazer isso. A garota me olhou apreensiva. — você é muito boa, mas tem uma coisa que eu não entendo… você nunca fez ensaios para o exterior?
Os outros pareciam querer saber, pois passaram a prestar atenção na nossa pequena conversa. Celeste sorriu amarga fazendo-me erguer a sobrancelha.
— Bom… quantas modelos argentinas você conhece? — ela perguntou.
Vi na minha mente passar várias modelos. De todos os tipos. Mas nenhuma argentina vinha na minha cabeça.
— Nenhuma. — admiti.
— Na verdade… — Alice começou. — Trabalhei com uma a um tempo atrás. E ela disse uma coisa, me corrija se eu estiver errada, que eu levei em consideração. Ela disse para mim que as modelos da America do sul são muito erotizadas. Muitas são boas mas não conseguem chegar ao high fashion.
— Isso mesmo. — Celeste sorriu triste. — Somos praticamente marcadas por sermos argentinas. Isso é estranho.
A sala caiu em um silêncio chato que foi interrompido pelo soar da campainha. Levantei lentamente e cortei a sala chegando a porta abrindo-a sem hesitar e me deparando com um carinha do hotel com quatro sacos de vestidos. Ele falou alguma coisa que tinha meu nome envolvido e eu sorri agradecendo, eu não sabia falar “obrigado” naquela língua. Tirei do meu bolso uma nota qualquer o entregando. Com muita dificuldade peguei tudo e fechei a porta com o pé. Em questão de segundos os quatro vestidos foram arrancados da minha mão nunca velocidade absurda.
— Qual seu problema, Edward? — perguntei revirando os olhos enquanto ele abria um dos sacos. Aproximei-me para ver melhor o primeiro vestido. Ele era vermelho escuro, longo e tinha mangas compridas, ele era todo esvoaçante e fechado, mas era sem duvida bonito. Alice se meteu entre ele e abriu os outros dois vestidos revelando um vestido bem esvoaçante, a única alça dava um ar refinado no vestido. O terceiro era o mais bonito na minha opinião, diferente dos outros, ele era justo. Era um vermelho com muita pele de fora. Apesar de ser longo, ele tinha uma enorme fenda, um decote gigante atrás e outro na frente. Mas, na frente tinha uma espécie de corrente bem bonita. O tecido era numa espécie de couro que dava elegância. Edward se apressou e abriu o último. Aquele ali não era um versace.
O vestido era muito bonito. Tinha uma espécie de pregas e era verde com detalhes coloridos. Tinha um decote grande, mas ainda sim era elegante. Visivelmente não era um versace.
— Isso não é um versace. — Edward murmurou.
— Não mesmo. — Emmett concordou e eu bufei. O que ele sabia de moda?
— Se for para dar palpite acho que esse é um Prada… — Alice começou.
— Não esse não é Prada. — Celeste discordou.
Enquanto os quatro tentavam entender a procedência do vestido eu reparei um envelope presa a capa do vestido. Estiquei-me para pegar e quando o fiz reparei que era uma carta. Meu nome estava escrito na parte de trás do envelope.
— Então tem remetente. — Edward comentou e eu o ignorei.
Abri a carta e assim que o fiz reconheci a grafia de Carlisle.
“Isabella,
Se está lendo isso, então já chegou em Buenos Aires. Espero que aproveite, chica. Então já que está nessa cidade linda tenho algumas tarefas para você. Primeiro quero que você tire algumas fotos da cidade, estou com algumas ideias boas na cabeça. Depois quero que assim que você acabar a sessão e fazer a entrevista, faça logo a matéria. Sério, quanto mais rápido você me mandar, melhor. Pegue todas as referências possíveis dessa garota, e a mande para cá para assinar um contrato de exclusividade. E por último, mas não menos importante, quero que você me faça um favor. As oito em ponto um táxi vai estar parado na porta do hotel de vocês. Você vai usar esse vestido pegar uma câmera e um gravador. Leve meus filhos junto... Vocês vão até o ateliê de Alan Faena. Faça-o sentir como numa entrevista, tire foto de tudo, faça o sentir como se ele fosse a capa, e depois jogue tudo fora, devo uma à ele.
Fico te devendo mais essa.
Carlisle Cullen.”
Paralisei.
Ouvi Edward, Alice e Emmett falarem sem parar, mas eu não me importava. A única coisa que passava na minha cabeça era que Carlisle Cullen era um filho da puta.
Ah, você deve estar achando que não é nada de mais, mas é sim. O mundo inteiro sabe que Alan Faena é um idiota. Um idiota no qual eu fui pra cama. Eu estava bêbada, e tinha acabado de terminar com meu antigo namorado, Tyler. Eu tinha deixado claro que era apenas um sexo casual, e ele até pareceu entender. Mas, depois o retardado não parou de me ligar, ele queria uma entrevista de qualquer jeito. Eu até mudei meu número.
Uma risada irrompeu minha perplexidade. Olhei para as minhas mãos e não achei a carta. Meus olhos vagaram até as pessoas presentes naquela sala. Edward e Alice estavam rindo enquanto Emmett e Celeste não estavam entendendo nada. Mas, diferente de Edward, Alice sabia o porque daquele cara viver me perseguindo.
— Bella você tem que ver a sua cara, você está branca que nem um papel. — Edward zoou.
Eu ainda estava em choque. Carlisle queria me matar. Eu passei dois anos e meio me escondendo desse cidadão e agora Carlisle queria estragar tudo. Esse cara era um psicopata.
— Eu vou matar o pai de vocês. Isso só pode ser brincadeira. — Eu disse me agarrando nas costas do sofá.
— O que está acontecendo? — ouvi a voz de Celeste soar e Emmett responder um “não faço a mínima ideia” e ri.
— Ataque de bipolaridade detectado, vamos fugir. — Edward zoou novamente e Alice o repreendeu.
Ok, eu podia lidar com isso.
Eu poderia ignorá-lo completamente.
— Alice, leve Celeste para experimentar os vestidos. — murmurei sentando no sofá. As duas assentiram e logo entraram no quarto.
Enquanto eu sentava no sofá e tentava ao máximo esquecer tudo ao meu redor meus pés batiam no chão insistentemente. Logo Celeste chegou vestindo um dos vestidos. Um por vez eles passaram diante de meus olhos e eu agradeci por ter vestido muito bem na garota. Logo ela já havia experimentado todos os vestidos. Logo as duas já estavam de volta à sala e Alice e Edward estavam explicando para a loira o que seria feito no ensaio. Eu apenas os observava fazendo apenas alguns comentários que eu achava necessário. Perguntei às horas para Emmett que logo me informou que eram sete e meia. Suspirei percebendo que Edward e Alice já haviam acabado de explicar como seria a sessão de fotos e rapidamente caíram numa conversa animada sobre algo que eu não fiz questão de prestar atenção.
Meus olhos vagaram pela sala e caíram no vestido que ainda estava em cima do outro sofá fazendo-me lembrar do que ainda teria que passar hoje.
Ok, vamos acabar logo com essa palhaçada.
— Alice, Emmett e Edward quero vocês prontos pra sair em trira minutos. Celeste, vá com Alice, eu vou lhe emprestar um vestido. — Murmurei levantando do sofá.
Entusiasmadamente Alice levou Celeste para o quarto dela eu prometi que logo levaria o vestido para que Celeste usasse. Eu a levaria conosco, pois, com sorte, haveria muita gente importante, e assim ela poderia ser mais conhecida.
— Por que esse cara tem persegue tanto, hein? — Edward perguntou preguiçosamente deitado no sofá.
Revirei os olhos.
— Não interessa. — Me virei para ir para o quarto, mas parei ao ver Emmett do mesmo jeito que estava antes que os mandei se arrumar. — Levanta Emmett, vai logo se arrumar.
— Não quero ir.
Bufei.
— Você não tem querer, agora levanta daí agora. — mandei.
Ainda relutante, Emmett levantou e seguiu em direção ao seu quarto.
— Você ainda não me respondeu. — Edward murmurou pelas minhas costas.
Ignorei e segui para o meu quarto, não sem antes pegar o vestido que Carlisle havia mandado.
Eu já sabia qual vestido eu iria dar para Celeste então foi fácil achá-lo na bolsa. Um Alan Faena feito exclusivamente para mim e que, apesar de ser muito bonito, eu nunca usara. Gritei Alice pelo corredor, pois não sabia em que quarto ela estava e quando a garota colocou a cabeça pra fora do quarto com um secador de cabelo na mão a entreguei o vestido para ela.
Voltei para o meu quarto e corri para tomar banho. Contando com o fuso horário já passavam das sete e vinte. Assim que acabei de lavar o cabelo saí do banho enrolando uma toalha envolta do meu corpo e outra no cabelo. Sequei-me rapidamente, escolhi uma lingerie e deixei o vestido em cima da cama. Peguei meu Louboutin preto favorito na mala e o deixei ao lado da cama indo secar o cabelo. Decidi deixá-lo ao natural mesmo e com o secador sequei-o tirando qualquer resquício de água nele. Fiz uma maquiagem simples e passei o perfume que estava mais perto de mim. Corri para o quarto e vesti-me rapidamente. Peguei um cinto que achei necessário para completar o vestido, duas pulseiras que eu havia comprado na minha última viagem à Paris e três anéis que eu amava usar. O vestido havia caído perfeitamente em mim, isso deveria ser obra de Esme, pois, Carlisle sempre errava meu tamanho. Calcei os sapatos dando uma última checada no espelho para ver como eu estava e sorri em aprovação indo para sala.
Quando cheguei à sala e Alice e Celeste ainda não estavam lá. Emmett e Edward conversavam sobre alguma coisa banal que os fazia rir muito. Escorei-me na parede perto da bancada da cozinha ainda não acreditando no que iria fazer. Eu teria que achar um jeito de Alan não encher o meu saco. Ainda divagando passei a caçar alguma coisa com forte teor alcoólico pela cozinha. Os armários foram batidos diversas vezes, a geladeira aberta zilhões de vezes na esperança de aparecer qualquer coisa alcoólica na minha frente. Mas, não achei nada a não ser água.
Senti os olhares dos dois retardados nas minhas costas e suspirei desistindo e voltando a me escorar na bancada. Emmett riu de alguma coisa que Edward falou que eu não me importei e assoviou de alguma babaquice. E de repente, como num estalo eu soube o que fazer.
— Emmett quanto você quer pra fingir que é meu namorado e me deixar numa distância de no mínimo vinte metros de Alan Faena? — Perguntei fazendo-o arquear a sobrancelha.
Edward riu.
Hm, não sei. Que tal você me deixar escolher uma coluna na revista? Já sei até o nome “Diário de bordo de um Cullen”.
Além da minha risada e a de Edward outras duas risadas preencheram a sala e eu me virei dando de cara com Alice e Celeste. Ouvi um assovio e me virei percebendo que havia vindo de Emmett.
— Acabei de perder meu namorado de mentira. — murmurei fazendo Edward, Alice e Emmett gargalharem. Celeste apenas sorriu timidamente e corou.
Como estava na cara que Emmett estava afim de Celeste decidi encarar isso sozinha. Eu lembrava quando saia com os Cullen e Emmett queria ficar com uma das garotas. Ele era extremamente idiota e eu não queria um idiota do meu lado. Eu ia apenas fingir que eu não o conhecia. O telefone tocou e Edward se esticou para atender e logo informou que os táxis chegaram. Edward havia pedido outro táxi para que nós não fossemos no aperto. Entramos no elevador com Emmett jogando algumas indiretas bem diretas para Celeste que tinha em seu rosto a cor vermelho pimentão. Nós apenas ríamos. Logo o elevador chegou ao primeiro andar e nós saímos do hotel. Dois táxis estavam parados logo na entrada e depois de muita insistência Emmett foi com Celeste no táxi de trás. Enquanto eu, Alice e Edward fomos no táxi da frente. Novamente Alice insistiu para ficar no banco da frente, e conseguiu. Quando todos já haviam entrado no táxi o motorista deu partida.
— Eu gostei da Celeste. — Alice disse.
— Ela é muito bonita. — Edward comentou.
— Uhm. — Murmure perdida em meus próprios pensamentos. — Eu sempre acerto.
O som da risada de Alice se espalhou pelo carro.
— Na verdade, não é não. — Edward negou me fazendo revirar os olhos.
— Alice pelo amor de tudo que é mais sagrado pense em alguma coisa para segurar ao máximo Alan, por favor. Eu não quero ter que apelar. — pedi fazendo Alice rir mais.
— Nada do que eu faça vai deixar ele longe de você, Isabella. — Alice respondeu.
Bufei.
— Porque esse cara de persegue? — Edward perguntou.
— Vou ter que rezar para que ele tenha arranjado uma namorada… — murmurei incerta ignorando Edward totalmente.
— Alice, porque Alan não larga do pé da Isabella? — Edward perguntou novamente.
— A não ser que ele esteja namorando escondido, o que é impossível já que ele faz de tudo pra se promover, ele está tão solteiro quanto antes. — Alice disse ignorando Edward também o fazendo bufar. O motorista disse algo para Alice e a garota virou e disse: — Estamos chegando.
— Alice quero que você faça a entrevista também, fique no pé dele o tempo que for necessário, pergunte até sobre o tempo, se for necessário. Seja irritante, você sabe fazer isso como ninguém. — Eu disse fazendo a garota soltar um risinho de escárnio.
O carro parou na frente de um galpão enorme e eu respirei fundo.
Alice pagou a corrida e logo desceu do carro. Eu e Edward fizemos o mesmo. Logo outro táxi parou atrás do nosso e de lá Celeste e Emmett desceram vindo até nós.
— Ok, o plano é o seguinte: Alice você segura o cara mais tempo possível e leva Emmett com você. Emmett faça perguntas banais, conte histórias idiotas pra ele. Sim você pode inventar histórias. E Celeste você vem comigo, vou te apresentar as pessoas daqui. — Eu disse. Pulei a parte de Edward, pois, ele sabia o que fazer.
— Você é muito mandona. — Edward disse levando todos, menos eu, a risada.
Emmett pareceu relutar em aceitar, mas ele sabia que não tinha escolha. O mandei o melhor olhar mortal que tinha o fazendo assentir.
— Ótimo, estamos conversados. — Murmurei.
Alice foi a primeira a entrar acompanhada de Edward. Emmett foi logo atrás e eu virei para conversar com Celeste.
— Aqui só tem gente chata, acredite. Eles vão perguntar coisas sem sentido pra você. Vão perguntar sobre qualquer coisa banal. — Eu disse rindo. — Tente não revirar os olhos ou bocejar, pois, vou lhe apresentar a muita gente importante.
Ela sorriu, seus olhos tomaram um brilho forte.
— Eu não sei como agradecer a vocês. — Ela admitiu.
— Fazendo seu trabalho. — Respondi rindo. — Agora vamos acabar com isso tudo logo.
Ela assentiu rindo um pouco e nós começamos a subir a escadaria que dava para as portas do galpão e assim que chegamos ao topo empurrei a porta e respirei fundo pela centésima vez na noite.
Estava tudo muito bonito e cheio também. Havia um largo tapete vermelho no meio do salão e nas laterais havia muitos bancos. Logo identifiquei rostos conhecidos. Meus olhos captaram cada pessoa no salão cheio. Minha mente tentava raciocinar e lembrar todos os nomes.
— Isabella? — Ouvi uma voz soar atrás de mim e virei-me automaticamente dando de cara com Patrick Robson.
— Patrick, quanto tempo. — Sorri abraçando-o. — Me deixa te apresentar... — Olhei para Celeste sorrido. — Esta é Celeste, ela vai ser minha modelo de Buenos Aires.
Olhei de relance para Celeste e ela tinha seus olhos arregalados. Não era pra menos. Patrick Robson era um super fashion designer.
Patrick sorriu e estendeu o braço para cumprimentá-la depositando um beijo em suas mãos. Celeste corou fazendo-o arquear as sobrancelhas. Sorri captando seu pensamento. Ele provavelmente estava me comparando com a garota ao me lado. Comparando-me quando ele me conheceu, há muito tempo atrás. A virgem, boba e intocada Isabella.
— Você tem razão… — Admiti.
Patrick entendeu o que eu falava diferente de Celeste que não captou nossas entrelinhas.
— Agora estou indo, não quero monopolizar você. Provavelmente tem gente se espancando para vir trocar algumas palavras com você. — Patrick fez graça. — Vou atrás de Edward, você sabe onde ele está? — Apenas o fitei. Patrick sabia que eu não suportava Edward. Ele riu. — Ok estou indo.
— Não se esqueça de mim. — Murmurei quando ele se virou.
E com um sorriso sedutor e brincalhão nos lábios Patrick respondeu:
— Vou ver o que posso fazer.
Virei-me para Celeste rindo.
— Você disse que eles eram chatos. — Ela me repreendeu fazendo-me rir mais.
— Digamos que há algumas exceções. — Admiti. Olhei ao redor e vi Diane von Furstenberg se aproximando de nós com um sorriso nos lábios. — Essa, por exemplo, não é uma delas.
— Senhorita Swan, que prazer em vê-la. — Diane disse me depositando um beijo na minha bochecha. — E quem é essa amável senhorita?
— Esta é Celeste Suarez, uma das minhas modelos. — Eu disse sorrindo.
— Ah querida, prazer em conhecê-la. — Ela apertou a mão de Celeste. — Quanto tempo que nós não nos vemos, sabe a minha nova coleção? Então...
A mulher não parava de falar. Eu estava acostumada com essas coisas, mas Celeste não, pois movia o peso do corpo de um pé para o outro o tempo todo. Eu apenas ria e assentia sem ao menos me importar com o que a mulher falava. Vi o olhar de Celeste preso numa pilastra atrás de Diane e assim que fitei a pilastra vi Emmett. Celeste olhou para mim suplicante e eu apenas assenti. Como Diane estava concentrada em mim a garota deu alguns passos e logo estava longe de nós.
— Edward querido, como vai você. — Diane falou me despertando. A probabilidade de eu estar dormindo em pé e de olhos abertos era bastante grande.
Levei um tempo pra processar o que ela havia falado e quando o fiz olhei para o lado e vi Edward parado com um falso sorriso engraçado. Ele provavelmente havia sido pego de surpresa.
— Olá Diane, estou muito bem, e você? — Ele respondeu suspirando um pouco.
Ela sorriu.
— Estou muito bem. — Ela disse efusivamente. — Eu e Isabella estávamos conversando sobre a minha nova coleção… não é Isabella?
— Sim, claro, conversando. — Eu disse ironicamente, Diane não entendeu.
— Eu li numa revista de fofoca esses dias que vocês dois estão namorando é verdade? Meus parabéns, vocês ficam lindos juntos. — Diane tagarelou.
Estanquei fazendo um esforço sobre humano para não rir.
Edward e eu juntos na mesma frase já era um absurdo. Com a palavra na namorando no meio era completamente louca.
— Nós não temos nada um com o outro, Diane. — Edward disse.
— Nem perto disso. — Concordei com Edward pela primeira vez na minha vida.
— Oh, me desculpe, mas vocês sabem, essas revistas de fofoca são…
E novamente ela não parava de falar. Haviam passado quase meia hora e nada dela parar de falar.
— Preciso de álcool. — Murmurei pra mim, mas Edward ouviu e riu. Olhei para ele ameaçadoramente o que o fez rir mais.
— Oh queridos, vou dar privacidade a vocês. Nos vemos em breve— Diane disse se afastando.
Soltei um suspiro de alívio.
— Pensei que ela não ia embora nunca. — Murmurei e vi um garçom passando e o chamei. — Me dê a coisa mais forte que você tiver. — Ele assentiu saindo de perto.
— Desde quando você bebe? — Edward perguntou.
— Desde quando você se mete na minha vida? — Perguntei ignorando sua pergunta. — Encontre Celeste e a apresente para alguém.
Edward revirou os olhos.
— Quantas vezes eu preciso dizer que você não manda em mim? — Ele perguntou.
(música: Womanizer — Britney Spears)
Dei de ombros recebendo meu drink do garçom. Deixei Edward falando sozinho e sentei em um banquinho perto do bar. Engoli meu drink todo de uma vez e me apressei pedindo outro.
— Ora, ora, ora… se não é Isabella Swan. — Ouvi a voz atrás de mim e gelei.
Isabella, ele não é um maníaco sexual ou algo assim. Ele não vai te matar, perseguir ou estuprar. Você não é mais a Isabella boba e babaca que era quando dormiu com ele. — disse a mim mesma.
— Olá Alan. — Respondi com uma indiferença que surpreendeu até a mim mesma.
Ele sentou-se ao meu lado sorrindo maroto, revirei os olhos.
— Quanto tempo faz que nós não nos vemos, cinco anos?
Dei de ombros novamente fechando os olhos para canalizar toda a raiva que eu tinha dele. Ele me fez passar um ano horrível, eu o odiava mais que odiava Edward. Alan me irritava de mais, ele era do tipo que tenta tudo para ter o que ele quer, e nesse caso ele me queria.
— Por que não retorna minhas ligações, florzinha? — Ele continuou vendo que eu não iria responder.
— Por que eu não quis. — Disse simplesmente e recebendo o novo drink do bar tender.
Ele riu amargo com o fora.
— Você mudou… — Ele disse.
— Pessoas mudam. — Murmurei tomando um gole na minha bebida.
— Não tão rapidamente, você provavelmente ainda tem um fraco por bebida. — Disse risonho pedindo uma bebida que não me importei em ver qual era.
Dei outro gole grande na bebida para que ele visse que estava sendo ignorado.
— Lindinha, mandar Alice e Emmett Cullen me segurar não foi boa ideia.
Novamente o ignorei.
— Ora Bella… — Alfinetou. Ele sabia que eu não gostava desse apelido.
— Isabella… — O corrigi ameaçadoramente, senti meu olho esquerdo tremer de raiva.
— Então você sabe falar, docinho… — Ele tentou fazer graça, mas acabou me irritando mais.
— Caso você não tenha percebido… — virei-me para ele pela primeira vez — eu não sou uma super poderosa.
— Desculpe? — Ele pediu não entendendo o que eu havia falado.
— Você me chamou de docinho, lindinha e florzinha. — numerei os três apelidos com os dedos. — E, caso você não saiba, eu não sou uma menina super poderosa.
Ele riu idiota sem saber o que responder.
— Devo pedir desculpas? — Ele perguntou.
Novamente ignorado, ele continuou:
— Não entendo Isabella, por que está me tratando assim?
Respirei fundo antes de responder.
— Ora, você passou um ano inteiro me perseguindo. Um ano inteiro. Tem noção de quantas vezes eu tive que trocar de número? Mas, mesmo assim você dava um jeito e conseguia novamente. Tem noção do quão estressada eu fiquei ou de quantas pessoas eu mandei embora porque eu estava estressada? — Despejei tudo em cima dele com um sorriso irônico nos lábios. — Você me irritou como nenhuma pessoa me irritou. Sem contar nas vezes que você dava um jeito de aparecer “do nada” lá na redação…
— Isabella…
— Eu te atendi quantas vezes, três? — Continuei o ignorando. — E o que você falou? Que queria uma capa na revista, uma entrevista, uma reportagem sobre a nova coleção…
Ele tentou argumentar, mas neguei com o dedo o calando.
— Deixe-me continuar. A sua sorte é que eu não perdi meu emprego, por que eu surtei. Se eu tivesse outro chefe que não fosse Carlisle eu estaria perdida. Então “lindinho”, — eu disse com ironia. — posso saber o que tanto queria nas outras vezes que me ligou?
Ele riu de cabeça baixa.
— Aliás, eu sei o que você queria. Você queria uma capa na minha revista, como nas outras vezes que me ligou.
Ele deu de ombros.
— Eu era bastante idiota, eu queria isso, mas eu me apaixonei por você. Você foi o melhor caso que eu tive.
— Não consegue entender que nós não tivemos um caso?
Ele riu sem graça.
— Então o que nós tivemos foi o que?
— Sexo casual. — Respondi calmamente levando o copo quase vazio.
— Mas, eu te amo.
— Amor… Ta aí uma palavra que você não deve saber o que significa.
Ele riu amargo.
— O que posso fazer por você? — Ele perguntou estendendo o corpo para que eu pudesse fitá-lo.
Não precisei pensar para responder.
— Sair do caminho já seria um grande começo.
Ele sorriu, mas assumiu uma postura defensiva.
— Eu só quero que entenda…
Sorri balançando a cabeça para calá-lo e olhei ao redor, havia muita gente prestando mais atenção do que devia na nossa conversa, então virei-me amigavelmente de frente para Alan, mas meu rosto voltando a ser o indiferente de antes.
— Alan, é melhor ir lá abrir logo esse desfile antes que todo mundo vá embora, porque a metade dessas pessoas não esperariam mais de duas horas nem para Miuccia Prada.
Qualquer um que nos visse acharia que estávamos tendo uma conversa amigável.
— Você ainda vai se arrepender de estar me dispensando…
— Vou me lembrar disso.
Sentei-me novamente e senti quando ele foi embora. Levei um tempo pra perceber que havia, finalmente, me livrado de um carma, um peso nas minhas costas, e sorri.
Meus olhos correram pelo salão lotado. Eu a maioria das pessoas dali. Eram jornalistas, designers, modelos, socialites e consultores de moda. Sem contar nas dezenas de pessoas que eram ligados à moda por uma coisa ou outra e deviam estar aqui. Todos pareciam simpáticos, tão simpáticos que soavam falsos. E isso que eles exatamente eram. Todos podendo ser facilmente comparados com cobras com mais de duas caras. Eram tão falsos e esnobes que nem se importavam com que se passava ao redor desde que o dinheiro esteja entrando e a fama crescendo.
Cada um pronto pra puxar o tapete do outro. Julgavam-se os mais espertos, os mais bonitos, os mais ricos, sempre os mais. Simplesmente não aceitavam que alguém poderia ser melhor do que eles. Quando encontram alguém mais importante colam na pessoa e só desgrudam quando acham que já podem acabar com a pessoa.
Cada risada que eles davam mostrava o quão fútil o mundo que eu escolhera viver. Suas roupas de grife eram tão caras que, se possível, eles nem tirariam a etiqueta para que as pessoas sentissem inveja. E elas sentiriam, caso isso acontecesse, claro. Aliás, nem disso era preciso. As peças eram de longe fáceis de identificar. Eu poderia ser um fracasso, acabar com a revista toda, mas eu sempre teria uma coisa para me orgulhar: a fama nunca me subira à cabeça, eu nunca trataria ninguém mal porque ela está com uma roupa infinitamente mais barata do que a minha. Eu tinha princípios.
— Morreu? — Senti alguém estalar os dedos na minha frente me tirando do transe. Olhei para a pessoa e logo vi quem era.
— Sim e agora sou um espírito e voltei para fazer você pagar seus pecados.
Edward riu sentando-se ao meu lado.
— A loira da direita, na pilastra 3, aposto em Prada.
Sorri animada pela brincadeira. Eu não fazia ideia de quem havia a inventado, mas a pessoa será sempre lembrada, pois, a brincadeira era feita por qualquer um no ramo da moda. Adivinhar as marcas das roupas, apesar de fútil, animava esse tipo de festa.
Olhei para a direita e logo achei a pilastra, uma loira encostada nela trajava um vestido azul. Depois de uma avaliada, decretei:
— Balenciaga.
— Você só pode estar surtando, está na cara que é um Prada.
— Não Edward, olha o corte do vestido. Um Prada seria mais suave, teria um estilo dip hem*
, que Miuccia parece amar…
Edward me olhou estranho.
— Quantos desse você já bebeu? — Ele perguntou apontando para o copo vazio.
— Acho que três, mas ainda estou tentando achar o álcool.
As luzes abaixaram nos dando a deixa para procurar os nossos lugares, marcados como sempre. Não me surpreendi quando me vi sentado entre Edward e Emmett, que tinha Celeste em seu lado. Não vi Alice, mas também não procurei direito, pois assim que sentei as luzes se apagaram por completo. O show ia começar.
Três modelos entraram uma de cada porta visível. As modelos eram bonitas, mas o mesmo não podia se falar das peças. Poderia ser algo da minha cabeça, ou não, mas eu estava as achando idênticas, e isso não era nem um pouco bom. Cruzei meu olhar com Carmen, uma das editoras de uma revista rival, e vi nela refletido tudo o que achava. Deixei um risinho escapar pelos meus lábios quando ela murmurou “Patético”, assenti ainda rindo e murmurei “Elas são parecidas de mais”. Ela assentiu entendendo o que eu falava. Nesse instante uma modelo passou por mim com um sapato lindo. “Quero esse sapato” disse acenando com a cabeça “É um Louboutin” ela respondeu. Ergui a sobrancelha, eu estava passada.
— Isa… — Emmett murmurou e eu virei para encarar o estranho.
O que diabos era “Isa”?
— O que? Você não gosta de Bella, então estou inventando meu próprio apelido. — Ele disse e eu revirei os olhos. Então, ele continuou: — Essas roupas não parecem aquelas que nós vimos em Paris?
Eu assenti lembrando a última semana de moda, as roupas pareciam as mesmas.
Eu não faria isso, faria?
Ele se basearia nas mesmas tendências do ano passado? Ele não seria tão idiota, seria?
— Uhm.… — respondi ainda meio absorta.
— Parece que Alan Faena perdeu sua inspiração. — Ouvi Edward murmurar.
Assenti levemente prestando atenção no resto do desfile.
Logo Alan estava de volta carregando algumas flores na mão distribuindo, estrategicamente, para as mulheres na plateia. Apenas pessoas importantes, claro. E quando ele deu uma rosa branca para Carmen e, como imaginei, deu uma para mim também que assim que o cara saiu da minha visão dei para Celeste. Ela pareceu não acreditar e se agarrou na rosa. Assim que o desfile acabou e as luzes se acenderam novamente decidi que voltaria para o hotel, pois teria muita coisa para fazer no dia seguinte.
Alice, Edward e eu fomos em um táxi e Emmett e Celeste foram no outro. Chegamos rapidamente no hotel e logo eu estava na cama me preparando para o dia seguinte. O ensaio seria amanhã de tarde e eu estava tão exausta que larguei tudo em cima da cama mesmo, troquei de roupa e me joguei na cama sendo levada para inconsiência imeditamente.
*Dip Hem são aqueles vestidos/saias longas atrás e curtas na frente.
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