Notas iniciais
Não, vocês não estão sonhando, eu estou de volta. Hoje eu completo exatos 17 anos e desde o começo da semana eu me obriguei a escrever sem parar e deu nisso. Sei que não há desculpas nesse mundo que justifiquem meu atraso. Então, eu decidi fazer uma coisinha. No início desse capítulo tem um parágrafo do passado da Bella pra vocês começarem a conhecê-la mais, se a ideia der certo, eu continuo. Não é nada muito sombrio, mas talvez sejam informações que vocês possam gostar e precisar. Obrigada a todos os comentários. Minha mão está melhorando e logo logo estarei escrevendo mais. Aproveitem o capítulo! A música desse capítulo é um amor, se puderem, vejam a tradução da música, acho que combinou um pouquinho com os dois

Quando eu completei exatos dezesseis anos eu perdi minha virgindade. Diferente da maioria das garotas, eu não senti dor, na verdade, eu não me lembro daquela noite totalmente. Eu nunca quis que fosse com alguém especial, eu perdi quando tive vontade de perder. Com dezesseis anos eu já morava sozinha e era totalmente independente dos meus pais. Eu saí de casa aos quatorze anos com o sonho de ser modelo internacional. Desde o fatídico dia que eu larguei tudo para viajar pelo mundo modelando, eu nunca mais fui aquela menininha mimada de novo. Eu tive que crescer muito rápido. Isso, rapidez. Essa era a palavra. Tudo na minha veio rápido demais. Eu cresci rápido demais, saí de casa rápido demais e praticamente larguei minha carreira no auge — rápido demais. Foram diversas capas de revista, editoriais, desfiles, entrevistas, comerciais. Porém, quando eu completei exatos dezoito anos eu soube que eu gostava mais de ficar atrás das câmeras e foi quando entrei na Vanity Fair. Eu continuo fazendo editoriais, ensaios fotográficos, algumas passarelas e recentemente eu havia apresentado um reality show em busca de uma modelo perfeita, apesar de estar oficialmente aposentada. Eu nasci nesse mundo pra viver nesse mundo. Minha mãe foi uma modelo de muito sucesso, ela conheceu o meu pai, na época o primeiro ministro da Inglaterra, em uma viagem à Paris. Talvez fosse por isso que eu me sentisse tão em casa por aqui. Eles se apaixonaram e eu nasci. Por ter pais tão influentes e que sucumbiam todas as minhas vontades, quando saí de casa, eu fiz de tudo pra provar pra mim mesma que eu podia ser alguém na vida sem todo o dinheiro e o status da família Swan. Eu queria subir na vida sozinha. E eu com muito esforço, consegui. Bom, talvez não tivesse sido tanto esforço assim…

Era engraçado o quão despreocupada eu estava. Eu queria me chamar de burra por ter ido pra cama com Edward. Mas eu simplesmente não me importava com isso. Não era como se nada tivesse acontecido, era como se isso fosse uma coisa normal. Não sou hipócrita, desde a primeira vez que o beijei eu sabia onde isso ia parar. E eu esperava realmente que quando nós chegássemos às vias de fato toda essa tensão sexual que havia entre nós acabaria e nós poderíamos finalmente viver em paz.

Doce engano.

Eu sabia que isso não tinha acabado. Edward era muito bom no que fazia, ele não dava ponto sem nó. Eu sabia onde eu estava me metendo no exato instante que coloquei a blusa dele novamente após sair do banho. O cheiro que emanava daquela blusa era inebriante e a vontade de tirá-la do corpo era nula. Voltei para o quarto e me joguei no trabalho. Respondi emails, acertei os detalhes da próxima edição da revista, fiz o artigo do Japão e organizei minhas ideias para a sessão de Paris. Trabalhar era a melhor coisa a se fazer quando se quer tirar certas coisas da cabeça. Eu não fazia ideia de quanto tempo tinha passado, mas quando eu respondi meu último email ouvi minha barriga roncar.

No relógio marcava três da tarde. Fazia calor em Paris. E como eu não dispensava um dia de sol na minha cidade preferida, levantei da cama disposta a ir ao bistrô mais charmoso daqui.

Paris me fazia sentir novamente como uma jovem de vinte e três anos e não uma diretora de revista super ocupada. Não me surpreendi ao ver as roupas que eu havia pegado aleatoriamente. Eu não usava roupas assim enquanto estava trabalhando, era informal demais. Contudo, eu não estava trabalhando, pelo menos não agora. Então, eu coloquei minhas roupas confortáveis e apropriadas para o calor de Paris e me olhei no espelho. Era surpreendentemente animador estar usando-as, não que eu não me sentisse a vontade com as roupas que eu normalmente usava, mas roupas como as que eu estava trajando no momento faziam-me lembrar de casa, faziam-me parecer uma jovem e sonhadora estrangeira.

Colocando minha câmera na bolsa e meus óculos de sol no rosto, saí do quarto ouvindo vozes conhecidas vindas da sala. Alice e Emmett estavam jogados no chão jogando algo que eu julguei ser buraco. Perguntei-me onde Edward estava, mas espantei o pensamento e fechei a cara assim que Emmett olhou pra mim. Pedófilo. Se ele acha que minha prima ficaria com ele está muito enganado. Assim que eu colocasse os pés em Londres eu colocaria algum juízo na cabeça de Rosalie.

Alice sorriu.

— Vou naquele bistrô aqui perto, quer vir? — Perguntei para Alice ignorando totalmente a presença de Emmett no cômodo.

Ela negou.

— Estou de ressaca, vou ficar aqui quietinha. Traga algo para eu comer.

Eu assenti indo em direção à porta.

O bistrô não ficava muito longe do hotel, então preferi ir andando. Como de costume, deixei minha câmera na mão e tirei fotos de tudo. Eu raramente vinha a Paris nessa época do ano e me arrependia sempre disso. Eu conhecia Paris muito bem e, se Paris fosse uma pessoa e tivesse sentimentos, eu poderia arriscar a dizer que ela me conhecia também. O sol primaveril me dava tudo o que eu podia precisar. Eu andava pela cidade luz no meio de tantos parisienses. O dia estava bom pra eles também. Quando cheguei ao bistrô procurei logo a mesa que eu costumo ocupar quando venho aqui. O bistrô ficava perfeitamente localizado em uma das ruas mais calmas de Paris.

Enquanto o garçom trazia meu pedido, eu peguei meu celular mandando uma mensagem rápida para Rosalie pedindo que ela me ligasse assim que possível. Talvez eu esteja sendo hipócrita já que meu histórico com homens mais velhos era intenso, mas era algo que eu não podia controlar. Eu conhecia Emmett bem para saber que ele a magoaria, eu não poderia conviver com alguém que fizesse mal à minha prima predileta.

Assim que o garçom trouxe meu pedido minha boca salivou. O bistrô oferecia diversos pratos londrinos o que me fazia sentir ainda mais a vontade. Assim que terminei de fazer minha refeição fiz o que Alice pedira, levei uma de suas comidas preferidas. Como eu estava de bom humor, levei o suficiente para Emmett e Edward também. Voltei para o hotel disposta a deixar a comida com Alice e voltar para dar mais umas voltas, porém assim que pus os pés no saguão do hotel vi todos os meus planos irem para o ralo. Na minha frente estava nada mais, nada menos do que Jasper Whitlock um dos meus melhores amigos na época da escola. Eu não o via desde que eu me mudei de Londres, mas era impossível não reconhecer aquele cabelo loiro dourado e olhos escuros.

Jasper estava sentado em um dos sofás no hall do hotel falando ao telefone. Ignorando a ideia de que a comida de Alice esfriaria, sentei-me ao lado dele fazendo o possível para que ele não me visse. Com sucesso, peguei meu celular enquanto ele falava ao telefone. Jasper parecia tenso. Seus pés batiam no chão em uma rapidez louca e ele estalava seus dedos sucessivamente.

Voltei minha atenção ao meu celular e vi uma mensagem de Edward.

“De: Edward Cullen

Para: Isabella Swan

Cadê você?”

Ri um pouco enquanto digitava a resposta.

“De: Isabella Swan

Para: Edward Cullen

Não interessa!”

A resposta veio em poucos segundos.

“De: Edward Cullen

Para: Isabella Swan

Graças a sua demora em responder uma simples mensagem de texto decidimos tudo sobre a próxima sessão, conviva com isso”

Revirei os olhos e joguei o celular na bolsa novamente.

Estava quase tudo decidido mesmo, então, voltei minha atenção a Jasper que já tinha desligado o telefone e levantado do sofá.

— Jasper! — Chamei para que ele parasse de andar e ele o fez. Ele virou ao ouvir seu nome e abriu um sorriso ao me ver.

— Então a ilustríssima Isabella Swan lembra-se de mim? — Ele fez graça e eu fui o abraçar rindo.

— É claro. — Revirei os olhos. — O que faz aqui?

— Trabalho, estou trabalhando tanto, Bells. — Ele me chamou pelo meu antigo apelido. Não reclamei, longe disso, além da minha família, Jasper era o único autorizado a me chamar desse jeito. — Mas e você, como conseguiu ser uma modelo de tanto sucesso com esse tamanho?

Ri.

— Eu tenho altura suficiente para fazer o que eu quiser. — Resmunguei. — Mas fala, conta da sua vida. Você não vai acreditar que eu estou viajando com os Cullen. Com Emmett Cullen, fala sério, como você pode ser amigo desse cara?

Emmett e Jasper fizeram faculdade de direito juntos, eu havia descoberto isso totalmente sem querer. O caso é que os dois são grandes amigos até hoje.

— Eu sei disso, vocês estão nas revistas de fofoca que Ingrid lê, ela não vai acreditar quando eu contar que te encontrei em Paris.

— A Ingrid continua trabalhando pra vocês? Oh Deus, estou com tantas saudades dos bolos dela.

Jasper riu pegando o celular e apontando diretamente para mim.

— Sorria porque eu vou mandar uma foto sua para ela, espero que ela tenha aprendido a usar essa coisa.

E foi o que eu fiz. Dei o meu melhor sorriso para que Jasper tirasse a foto.

— Diz pra ela que eu to indo pra Londres assim que terminar a sessão daqui e assim que eu puder faço uma visita pra ela.

Ele digitou algo no celular e voltou a olhar para mim.

— Emmett ainda não te tirou do sério? — Ele disse rindo um pouco.

— O que você acha? Você não sabe a nova dele: está apaixonado!

Jasper gargalhou.

— Apaixonado? Por quem? — Ele parecia um pouco incrédulo quando perguntou.

— Rosalie Hale. Ele se diz apaixonado pela Rosie. Consegue acreditar?

E então Jasper riu. Aliás, rir não definia o que ele fazia. Jasper riu tanto que se jogou no sofá.

— Para de rir, estou falando sério. — Resmunguei o fazendo rir mais. — Eu não sei por que ainda não liguei para Rosalie pra por algum juízo na cabeça dela.

— Isso vai ser engraçado de ver. Rosalie e Emmett. — Ele deu uma risadinha.

— Você está ocupado? Não quer subir pra ver se enfia juízo na cabeça daquele babaca?

Ele deu de ombros.

— Estou livre.

— Ótimo, vamos.

Caminhamos lado a lado até o elevador. Jasper me contou um pouco do que ele fez durante esses anos. Ele não casou, não tem filhos e vive na ponte aérea entre NY e Londres. Jasper é o típico advogado ocupado praticamente sem vida amorosa e focado no trabalho, a única família dele são os seus pais e a sua governanta Ingrid que trabalha em sua casa desde que ele era criança.

Ainda falávamos sobre Ingrid quando eu abri a porta do apartamento. Emmett e Edward estavam na sala jogados de qualquer jeito no sofá. Edward mantinha os braços tencionados e eu ignorei o arrepio que eu senti apenas por estar no mesmo cômodo que ele.

Os olhos dos dois irmãos se voltaram na nossa direção e eu vi o sorriso de Emmett de surpresa.

— Jasper? Cara, que saudade, nem acredito. O que faz aqui?

Emmett se levantou para saudar o amigo e eu fechei a cara.

— Enfia juízo na cabeça desse imbecil, por favor. — Pedi sentando no outro sofá.

Edward apenas observava tudo. Ele conhecia Jasper apenas por nome, logo, Edward finalmente podia dar um rosto ao nome.

— Bells, por favor. — Jasper desdenhou.

— Bells? — Edward murmurou baixinho.

Revirei os olhos.

— Alice, trouxe seu almoço. — Chamei. Cinco segundos depois Alice apareceu na sala.

— Finalmente, pensei que você tinha esquecido de… oi? — Alice arregalou os olhos ao ver Jasper o que me fez soltar um sorrisinho.

— Alice, esse é o Jasper. Jasper essa é a Alice irmã do Emmett, aquele é o Edward. — Eu disse apontando.

— Prazer em finalmente conhecer vocês, Emmett fala de vocês o tempo todo.

Alice passou a mão no cabelo umas duas vezes seguidas tentando dar mais jeito ao cabelo perfeito.

— O prazer é nosso. Emmett fala muito de você. Você também é britânico, não é? O seu sotaque é idêntico ao da Isabella.

— Sim, na verdade, eu e a Bells crescemos juntos. Só quando ela decidiu que queria ser a menor modelo do mundo e sair de Londres, foi quando eu conheci o Emmett.

Alice arqueou a sobrancelha e olhou para mim. Eu sabia exatamente o que aquele olhar significava, então eu apenas disse:

— Jasper, Alice é exatamente como você, vive para o trabalho, acredita que nem namorado ela tem?

Alice me deu uma piscadinha e eu vi o sorriso de Jasper crescer.

— Jasper, espero que ainda não tenha almoçado, trouxe comida. — Eu disse levantando.

— Na verdade, já almocei sim.

— Ah mas não tem problema, nos faça companhia. — Alice disse bem rápido e Jasper sorriu torto.

— Tudo bem.

— Então cara, o que me conta de novo? Faz bastante tempo que a gente não se encontra pra bater um papo. — Emmett disse empolgado para o amigo.

Jasper riu um pouco e se acomodou no sofá.

— Estou precisando tirar umas férias, sabia? Está tudo uma correria na minha vida.

Emmett riu e os dois entraram numa conversa calma e comum entre eles. Todos se acomodaram nos sofás. Sentei ao lado de Jasper matando um pouco da saudade que sentia dele. Não o via há anos. Emmett parecia empolgado por ter o amigo ali. Alice parecia estar nas nuvens, ela estava visivelmente interessada em Jasper e prometi a mim mesma que tentaria ajudá-la. Edward era o único contrariado, eu conhecia Edward bem o suficiente para saber que ele não tinha ido muito com a cara do Jasper, fato que ele havia conseguido disfarçar com bastante esforço. Todos almoçaram enquanto Jasper e eu conversávamos um pouco mais. Quando todos voltaram e a atenção que Jasper dava a mim foi divida eu não conseguir impedir o pensamento que veio na minha cabeça: “o que teria acontecido caso eu nunca tivesse saído da casa dos meus pais?”

Ser modelo sempre foi um sonho, ser independente, ter minha própria carreira, também, mas havia uma pequena parte do meu cérebro que insistia em questionar tudo. Eu não tinha de muitos relacionamentos quando era jovem, e sair da casa dos meus pais tão cedo fez com que a nossa proximidade se diluísse cada vez mais. No primeiro ano fora de casa eu recebia ligações diárias, voava para casa nos fim de semana de folga e nos feriados. Aos poucos as ligações intercalavam os dias da semana e, sem que eu reparasse, elas se faziam presente apenas em datas comemorativas. As visitas então… Eu não fazia ideia de qual fora a última em que eu havia visto os meus pais. Sem ser por obra do acaso. Também não lembro qual fora a última vez em que eu havia uma ligação deles. Assim, enquanto eu me afastava cada vez mais dos meus pais, Carlisle se fazia cada vez mais presente na minha vida.

Talvez se eu não tivesse ido embora de Londres, eu ainda tivesse meus pais comigo. Talvez eu tivesse um emprego tão bom quanto este, que me fizesse tão realizada como esse me faz. Talvez eu estivesse cercada por pessoas que realmente gostam de mim, e que me viram crescer. Talvez eu e Jasper ainda fôssemos amigos.

Olhei para Jasper ao meu lado e reparei o quão estranho ele era aos meus olhos. Eu não pensava nele há quantos anos? Três? Quatro? Não fazia ideia. Meus olhos vagaram pelo seu rosto. Eu não era tão familiar quanto antes, não havia espinhas, nem aquele cabelo loiro desengonçado. Ele estava lindo, como sempre tinha sido. Um sorriso de canto cresceu no meu rosto ao reparar que ele e Alice formariam um belo casal. Os dois eram opostos. Pelo menos, até onde eu lembro, Jasper sempre fora tímido e um pouco rígido, enquanto a garota à minha frente era totalmente sem vergonha e flexível. Soltei um riso curto.

— Bells, você está bem? — Ouvi a voz de Jasper chamar. Era tão diferente que eu não reconheci no primeiro momento, mas depois sorri.

— Sim, só estou um pouco cansada. Preciso organizar algumas coisas da revista ainda. — Levantei. — Foi ótimo rever você, Jasper. Eu estava realmente louca de saudades. Onde você está hospedado?

Ele sorriu.

— Estava aqui, acabei de fazer o check-out. Meu voo sai às oito da noite. — Olhei de relance para o relógio que marcava cinco da tarde. O aeroporto era próximo do hotel, então Jasper não estava atrasado.

— Nossa próxima parada é Londres, diga à Ingrid que eu estou chegando. — Ri e o levantei abraçando-o. — Até mais, mané, boa viagem.

Sai da sala com um sorriso familiar no rosto. Era como se Jasper e eu sempre tivéssemos sido amigos, era como se esses anos separados não tivessem existido. Segui para o meu quarto e sentei na cama puxando o computador para o meu colo e decidida a terminar os detalhes da sessão de Paris. Eu estava animada por poder voltar ao meu lugar preferido no mundo todo: Londres. Eu havia esquecido o quanto eu amava aquele lugar. NY que me desculpe, mas ela estava caindo para a segunda posição. Jasper me fizera lembrar do quanto eu sentia falta do ar londrino nos pulmões.

Eu não sei quanto tempo havia se passado, mas em algum momento eu ouvi algumas batidas na porta e pedi para que entrasse. Alice colocou a cabeça para dentro com um sorriso largo no rosto e logo foi dizendo:

— Eu não sei por que nunca pensei em conhecer um dos amigos do meu irmão. Jasper é maravilhoso.

Soltei uma gargalhada alta.

— E você está na dele, não é? — Eu questionei rindo mesmo sabendo a resposta.

Ela riu.

— Sim, eu estou!

Ri mais uma vez.

— Eu percebi. Prometo que vou ajudar vocês.

— Preciso ir, prometi à Emmett que o ajudaria a comprar algumas coisas.

Eu ri quando ela saiu jogando beijos e voltei minha atenção para o trabalho. Coloquei em dia todo trabalhado que eu havia acumulado durante a viagem e quando terminei deixei meu computador de lado e me deitei acomodei na cama disposta a tirar um cochilo mas, sobressaltei com Edward invadindo o meu quarto e de despertando.

— Que merda você tá fazendo? — Questionei incrédula enquanto assistia Edward se sentar na ponta da minha cama e se aconchegando para me fitar. Seus intensos olhos verdes estavam me encarando intensamente e eu quase gelei.

— Preciso te colocar em dia sobre a sessão já que enquanto nós estamos decidindo os últimos detalhes da sessão você estava por aí pendurada no pescoço das pessoas. Enfim, tudo que você precisa saber é que…

E Edward começou a falar. E não parava. Ele falou tudo de uma vez e não deu tempo de eu sequer processar o que ele falava. A sessão aconteceria no começo da tarde de amanhã. A modelo chegaria amanhã de manhã. O local já estava decidido. Tudo estava certo, e se tudo saísse como combinado, estaríamos indo para Londres na manhã seguinte, eu mal podia esperar.

— E a modelo? — Questionei anotando algumas coisas.

— Segredo, já disse. Pra que tanta insistência? — Ele fez pouco caso se deitando completamente na minha cama.

— Não gosto de surpresas. — Reclamei enquanto ele subia e deitava-se ao meu lado, aconchegando-se no meio dos travesseiros e cobertores. — O que você está fazendo? Você tem um quarto, vá pra ele.

— Apenas retribuindo a visita, Bella. Você dormiu no meu quarto e agora eu estou dormindo no seu.

Ele mantinha um sorriso irônico nos lábios.

— Quantas vezes eu preciso dizer pra você que meu nome é Isabella? — Reclamei já cansada.

— Porque Jasper pode te chamar de Bells e eu não posso te chamar de Bella?

— Bells é um apelido de infância e Jasper é uma pessoa da minha infância…

— Você gosta dele. — Edward decretou.

Eu ri.

— Não mesmo, Edward, Jasper é apenas um amigo na qual eu não via há muitos anos.

— Sei… — Ele desdenhou.

Revirei os olhos.

— Estou falando sério. Porque você não acredita em mim?

Ele não precisou pensar, já tinha a resposta na ponta da língua.

— Porque você gosta que ele te chame de Bells e não gosta quando eu, ou qualquer outra pessoa, chame você de Bella.

Esse era um tópico no qual eu voltaria depois para pensar sobre.

— Tudo bem, Edward, você pode me chamar de Bella. — Concedi cansada demais.

Ele sorriu torto já fechando os olhos.

— Agora quem não quer sou eu, Isabella.

Qual era o problema dele?

— Edward… — Chamei quando ele fechou os olhos. Ele os abriu novamente e olhou-me diretamente, seus olhos eram tão verdes e estavam tão perto que eu perdi meus pensamentos por um momento. — Porque Carlisle mandou vocês comigo? Eu poderia fazer tudo isso sozinha, eu não preciso de vocês…

Ele sorriu torto ainda sustentando meu olhar.

— Sim, você precisa.

— Não, eu não preciso.

— Sim, você precisa. — Ele repetiu baixinho.

— Pare de repetir isso. — Eu respondi irritada. Nossas palavras eram ditas de maneira baixa e calma, como nunca tinha acontecido antes.

— Você precisa de alguém que cuide de você, que ajude você…

— Não, eu não preciso, eu fiquei grande parte da minha vida sozinha pelo mundo.

Novamente o sorriso torto estava nos seus lábios.

— E foi por isso que você desistiu de tudo, você se sentia sozinha. — Ele não estava jogando isso na minha cara, ele estava apenas dando sua opinião.

E Edward pela primeira vez estava certo, mas eu não ia admitir isso.

— Não, eu não preciso. — Falei baixinho.

Ele riu.

— Todo mundo precisa.

Sorri.

— Isso é uma trégua? — Questionei rindo um pouco. Nunca tínhamos ficado tanto tempo sem brigar… mas também nunca tínhamos transado. E lembrar em Edward e eu transando tornou a tarefa de ignorar o fato de Edward estar deitado na minha cama a poucos centímetros de mim impossível.

— O que você acha?

Eu pensei um pouco.

— Quem é a modelo?

Ele riu alto.

— Nada do que você faça vai me fazer contar. Nada. Você não tira esse nome da minha boca. Meus lábios estão selados.

Arqueei a sobrancelha.

— Nada? — Perguntei e ele balançou a cabeça negando. — Nadinha? — Ele negou outra vez.

Senti um sorriso travesso se espalhar pela minha boca e me aproximei dele colando nossos corpos. Eu não estava mais me importando com quem Edward era, eu só estava com tesão pra caralho. Seus braços me rodearam no mesmo instante e logo eu estava beijando seu pescoço.

— Qual o nome? — Perguntei enquanto dava atenção ao seu pescoço.

Ele riu baixinho.

— Você é a única mulher do mundo que pede pra um cara falar o nome de outro enquanto está beijando o seu pescoço. — Sua voz saiu tão sexy que eu apertei nossos corpos ainda mais involuntariamente.

Levei minhas mãos para dentro da sua blusa e o senti ofegar. Agradeci mentalmente pelas minhas unhas estarem grandes e passei pelas suas costas e o ouvi gemer baixinho.

— Edward… — Chamei. — Por favor.

Sua risada saiu entredentes.

— Isabella…

A voz dele saiu num murmuro tão excitante que antes que eu pudesse perceber eu já havia atacado a sua boca. Edward correspondeu o beijo no e nos virou ficando por cima. Ele pegou meus braços com as mãos e os colocou acima da minha cabeça. Aos poucos ele foi interrompendo o beijo. Assim que nossas bocas se descolaram ele colocou uma perna em cada lado do meu corpo.

— Você não deveria fazer essas coisas, não sem antes eu me preparar. — Ele disse e eu tentei puxar meus braços, sem sucesso. Bufei. Seus olhos verdes estavam ainda mais escuros.

— Me solta, Edward. — Pedi já cansada, eu não ia conseguir tirar nada de Edward e eu já estava irritada por Edward estar me segurando.

— Não mesmo… Agora você vai sofrer as consequências dos seus atos.

Revirei os olhos.

— Odeio romper sua bolha, mas você não é tão assustador quanto pensa. Na verdade, não acho você nem um pouco assustador.

— Vamos ver

Ele riu e avançou para o meu pescoço.

E puta que pariu, eu já estava arrepiada antes de ele sequer tocar em meu pescoço. Seu hálito me causou ondas de calafrio e eu já estava ficando louca quando Edward passou a segurar meus braços com uma só mão e a outra mão apertou meu seio direito.

— Merda. — Xinguei e o ouvi rir e logo estávamos nos beijando outra vez.

Beijar Edward era um misto de sentimentos. Eu me sentia cada vez mais confusa. Mas ele sempre conseguia fazer com que eu ignorasse toda essa confusão. Não era uma questão de opção, Edward não deixava que eu escolhesse ou não pensar, ele simplesmente sugava todos meus pensamentos enquanto ele sugava minha língua. E, porra, Edward beijava bem pra caralho.

Quando ele soltou meus lábios eu tentei mais uma vez puxar meus braços, a posição já estava me deixando desconfortável.

— Edward, tá doendo. — Choraminguei.

Ele revirou os olhos.

— Não caio nesses joguinhos, Swan, esses olhinhos não vão me amolecer. — Ele disse com um sorriso cafajeste nos lábios. Sua mão que descansava no meu seio voltou a massagear e um gemido escapou dos meus lábios.

A ereção de Edward estava mais do que visível e eu soltei um gemido alto. Eu já estava completa e assumidamente molhada. Edward voltou a me beijar, mas dessa vez com mais urgência. Suas mãos finalmente liberaram meus pulsos e ele logo puxou minha blusa para cima a retirando completamente e logo tratando de liberar meus seios do sutiã tarefa que eu o ajudei o máximo possível e, em questão de segundos, Edward abocanhou um de meus seios. Minhas mãos, gratas por terem sido libertas do aperto, vagaram para o cabelo macio de Edward enquanto eu apertava minhas pernas em busca de alguma fricção. Eu precisava de Edward, muito. Eu puxei sua camisa para cima e fiquei grata por Edward ter entendido e a arrancado. Minhas mãos voaram para o seu peito e braço.

— Edward, por favor… — Eu praticamente implorei.

Voltando a beijar minha boca, Edward abriu me short e senti suas mãos puxando meu short para baixo e quando sua mão estava perto do lugar que eu tanto precisava duas batidas soaram na porta e uma voz através dela.

— Bells?

Edward soltou um xingamento baixo e deixou seu corpo cair sobre o meu.

Eu nunca havia ficado tão irritada ao ouvir a voz de Jasper.

Jasper chamou outra vez. O corpo de Edward ainda estava em cima do meu.

— Já vai. — Minha voz soou ofegante. — Edward, preciso levantar.

— Não. — Ele murmurou com uma voz infantil que me fez rir um pouquinho.

— Preciso atender Jasper e você já está me esmagando. — Reclamei o vendo rolar de cima de mim e se aconchegar do outro lado da cama com um bico adorável nos lábios.

Levantei procurando minha blusa, mas esta havia desaparecido, então fui obrigada a me na camisa de Edward e no meu short que estava no pé da cama. Caminhei até a porta surpresa por Jasper ainda estar aqui.

— Jasper? — Abri uma brecha da porta ainda surpresa, não era necessário que Jasper visse o estado do meu quarto ou que visse Edward lá. Ele arqueou a sobrancelha ao fazer uma breve avaliação, mas não disse nada.

— Meu voo foi cancelado, liguei pra Emmett e ele me convidou para passar a noite aqui, espero que não tenha problema.

Sorri.

— Claro que não! Você pode ir conosco para Londres depois de amanhã, ou seu voo sai antes? — Perguntei animada por ter meu amigo por perto por mais uns dias.

— Parece ótimo, vou me ajeitar na sala e…

— Claro que não… — Eu o interrompi. — Você não vai dormir na sala, está louco? Pode ficar com meu quarto eu durmo com Alice, o quarto dela tem uma distância segura dos roncos de Emmett.

Ele riu.

— Não precisa, Bells, sério. Não vou fazer você sair do seu quarto.

— Ha-ha… Vamos ver. Onde está Alice? Vamos falar com ela… — Sai do quarto fechando a porta e segui pra sala com Jasper ao meu encalço. Alice estava na sala com umas dez mil revistas a sua volta. Ela levantou a cabeça quando nos viu e franziu o cenho.

— Porque você está usando a blusa do meu irmão? — Ela questionou confusa.

Merda.

— Eu molhei minha camisa e Edward me emprestou a dele. — Dei a primeira desculpa que passou na minha cabeça. — Enfim, Alice, posso dormir no seu quarto nessas noites? Vou dar meu quarto pro Jasper, é melhor do que a ideia maluca dele de dormir na sala…

— Jasper, pode ficar com meu quarto. — Edward disse entrando na sala já com uma nova camisa. Ei, essa camisa estava no meu quarto, pendurada na cadeira no meio da minha bagunça. Agradeci por ele ter tido a decência de colocar uma blusa.

— Claro que não, Edward. Gente não precisa mesmo. Eu posso ficar aqui sem problema nenhum.

— Não, eu insisto, vou tirar minhas coisas de lá e colocá-las no quarto de Emmett. — Edward com um sorriso amigável e saiu da sala indo em direção do seu quarto.

Sentei ao lado de Alice no chão e Jasper se acomodou no sofá.

— Amanhã é a sessão, Jasper. Se você decidir ficar, você pode ir conosco.

Ele sorriu.

— Claro, eu adoraria.

Alice sorriu pra mim.

— Alice, sabia que Jasper tem a melhor massagem do mundo? — Eu disse sorrindo um pouco.

— Não exagera, Bells.

Eu ri.

— Vai tomar um banho, trocar de roupa e depois volte para mostrar seus dotes como massagista para Alice.

Ele riu, mas foi mesmo.

— Ele tá na sua também. — Eu murmurei baixinho só pra ela ouvir e recebi uma gargalhada alta em troca. — O que você está fazendo com todas essas revistas?

— Eu percebi que se eu me desfizesse de algumas dessas, eu não precisaria comprar uma mala nova. Eu vou ficar só com as minhas preferidas.

Eu ri e fui até a cozinha pegar um copo d’água. Eu estava morrendo de sede e precisava acalmar as coisas dentro de mim ainda. Me escorei na bancada da cozinha vendo a hora. Já passava das oito e meia e Emmett logo chegou com algumas pizzas. Comi rapidamente com Alice e Emmett, já que Edward estava arrumando suas coisas e Jasper tomando banho, e logo me vi escapando para o quarto novamente. Eu havia ficado cansada. Então, deitei na cama em que eu e Edward havíamos quase transado e dormi.

Acordei de repente e vi que ainda eram duas da manhã. Sem sono, me arrastei para o banheiro tomando um banho rápido pegando a mesma camisa preta de Edward e um short de dormir confortável. Deixei meu cabelo cair solto pelas minhas costas e peguei meus óculos de leitura, meu celular no bolso e a última edição da Vanity Fair e outra da Vogue para passar o tempo e fui para sala. Emmett, Jasper e Alice estavam jogados vendo algo que seria um filme. Todos dormiam, menos Emmett, mas este estava quase.

— Onde está Edward? — Perguntei estranhando ele não estar no local.

— Foi encontrar com Tanya…— Ele respondeu bocejando. — Vou dormir.

E ele se levantou indo para o quarto. Acordei Jasper e Alice os aconselhando a ir para o quarto. E logo eu estava sozinha na sala. Tentei focar minha atenção nas revistas, mas bufei sem paciência.

Edward era um idiota. Tinha ido encontrar com Tanya e provavelmente comê-la também. Com tanta mulher nessa cidade para ele se “aliviar” depois de Jasper não ter nos deixado terminar com aquilo tudo ele escolhe logo Tanya. E o que Tanya estava fazendo aqui? Ele não teria a audácia de chamá-la pra ser a modelo de Paris, teria?

É claro que teria.

Eu odiava Tanya. Odiava. Desde a minha época de modelo nós não nos dávamos bem. Não era algo que eu pudesse controlar e todos sabiam. Todos. A imprensa. Os fãs. Todos. Eu apenas não conseguia fingir que gostava dessa criaturinha loira e falsa.

Tentei mais uma vez me concentrar nas revistas e apenas as folheei. Mas era impossível não pensar que Edward era um traidor. Contratar Tanya para Paris? Logo Paris? Olhei para o lado e vi de relance os sapatos de Jasper e me lembrei do que Edward havia dito mais cedo. Eu havia me acostumado com Jasper e todos que me conheciam desde pequena me chamando de Bells, mas o apelido que Edward me chamava me irritava. E além de ser porque eu parecia uns 10 anos mais nova pelo apelido, era porque me lembrava minha casa. Lembrava-me minha casa, meus amigos e minha família. Todos me chamavam de Bells, e ver Edward me chamando de Bella me fez sentir a saudade que eu tanto lutava pra enterrar. Eu já havia acostumado com o apelido, mas pedi para que Edward parasse se tornou rotina, comum, uma resposta automática.

Minha atenção se voltou para a televisão e eu fui mudando de canal em canal em busca de alguma coisa. Parei em um filme qualquer e comecei a prestar atenção de verdade, em dado momento do filme minha barriga roncou alto e eu caminhei até a cozinha em busca de satisfação ao meu estômago. Coloquei minhas revistas sobre a bancada e decidi que ia cozinhar.

Eu não era uma cozinheira nata. Então, decidi fazer a única coisa que eu sabia fazer: macarrão. Prendi meu cabelo num coque frouxo e procurei os ingredientes. Com tudo em mãos, comecei a cozinhar. Eu não cozinhava muito, apenas quando não tinha outra opção. Mas, fiz um esforço para que o macarrão ficasse bom o suficiente. Coloquei meus óculos e sentei na bancada da cozinha enquanto eu lia um artigo qualquer.

— O que você está fazendo?

Uma voz soou na soleira da porta e eu me assustei não impedindo o grito saído dos meus lábios. Era Edward. Ele mantinha um sorriso no rosto e parecia feliz por ter me dado um susto. Ignorei sua pergunta descendo do balcão e indo ver o macarrão. Sorri ao ver que já estava pronto e peguei um prato para comer. Edward me observava em silêncio de braços cruzados. Tirei os óculos coçando os olhos e sentei-me na mesa da cozinha para comer.

— O que houve? O que está fazendo acordada essa hora? — Ele perguntou tirando o casaco.

Dei de ombros.

Eu acabaria de comer meu macarrão e depois mataria ele por ter escolhido Tanya.

Ele revirou os olhos quando viu que eu não ia responder e saiu da cozinha. Minha vez de revirar os olhos. Babaca. Não sou obrigada a aturar Tanya, nem Edward. Continuei comendo meu macarrão enquanto folheava minha revista. Meus óculos já estavam no meu rosto novamente. E então Edward voltou. Ele só estava com uma calça de moletom preta e usei todo meu autocontrole para não olhar para o seu peito nu. Logo Edward de volta ao campo de visão e sentava-se na minha frente com um prato de macarrão.

— Eu pensei que nós tivéssemos superado essa fase. — Ele disse começando a comer o macarrão. — Está bom.

Revirei os olhos.

— A trégua acaba quando eu descubro que você chamou a Denali para ser a modelo nova. Cara, de tanta modelo nesse mundo. Eu tinha pedido por uma morena e você traz a Denali pra mim. A Denali. — Passei a mão no cabelo irritada. — Você pode comer ela, fique a vontade, mas colocar essa ridícula pra trabalhar comigo só porque vocês dois estão juntos? Pelo amor de Deus, Edward. E se eu fosse você eu arrumava logo alguém que dê pra você sempre que você quiser, Tanya pode ser uma delas, ela parece estar sempre disposta a ser seu objeto sexual. Só quero deixar claro que você nunca mais toca esses dedos em mim.

Edward me olhava confuso. Ele não estava entendendo nada. Apenas levantei, coloquei meu prato dentro da pia e sai da cozinha. Não sem antes de ouvir Edward dizer.

— Boa noite, Bells.

Revirei os olhos e fui para o meu quarto me jogando em cima da cama. A noite em Paris estava mais fria do que de costume, então me enrolei nos cobertores em busca de aconchego e logo dormi.

.

Quando acordei, já passava das duas da tarde. Alice pediu comida e eu almocei no meu quarto mesmo revendo os últimos detalhes da sessão. Quando Alice me chamou dizendo que já era hora de se arrumar eu levantei e rumei pro banheiro. De banho tomado, sequei o cabelo e fiz uma maquiagem básica, realçando os olhos e colocando o meu batom vermelho fosco da Dior que eu ainda não tinha usado. Coloquei a roupa que eu tinha separado e sorri ao por meus novos Louboutins nos pés. Peguei minha bolsa e coloquei tudo que eu precisaria dentro, além de alguns remédios para dor de cabeça, eu precisaria. Meus óculos escuros me esperavam na ponta da cama e eu os coloquei saindo do quarto. Sentei na sala ao lado de Jasper. Ele iria conosco para Londres. Nós conversávamos baixo quando Edward entrou na sala. Minha cara feia se desfez quando eu vi que ele trajava uma calça jeans preta, uma blusa branca e uma jaqueta também preta. E a única coisa que vinha na minha cabeça era o quão gostoso ele estava.

(Roupa da Isabella)

Voltei meu olhar para Jasper continuando nossa conversa. Edward sentou-se ao lado de Jasper e matinha os olhos nos celular, entretido demais para entrar na nossa conversa. Devia estar conversando com Tanya.

Argh. Tanya.

Alice apareceu e eu pedi que ela me trouxesse uma aspirina. Minha cabeça já estava latejando apenas por imaginar passar as próximas horas perto da loira morango.

— O que você tem? — Emmett perguntou entrando na sala.

— Dor. Muita dor. — Eu disse exagerando um pouco apenas para fazer com que ele me deixasse em paz. Lidar com Emmett, Edward e Tanya ao mesmo tempo seria a pior coisa do mundo.

Alice trouxe o remédio e eu bebi calada. E então, era a hora e estávamos saindo do flat e indo para o estacionamento, íamos com o novo carro do Edward. Edward. Eu estava até evitando pensar nesse nome. Sentei atrás com Alice e Jasper. Jasper havia ficado no meio e mantinha uma conversa agradável com Alice. A relação dos dois tinha evoluído e eles iam sair hoje à noite. Emmett e Edward também mantinham uma conversa calma. E eu? Eu estava puta pra caralho. Tão puta que eu não conseguia nem pensar direito. Edward havia estragado tudo mais uma vez. Eu estava tão cansada disso. O lugar inicial não era muito longe. Depois íamos tirar umas fotos por aí, nada muito trabalhoso. Quando chegamos tudo estava no lugar. Encontrei alguns conhecidos e fui informada que a modelo já estava se arrumando. E, respirando fundo, fui até.

Eu esperava encontrar uma loira morango. De quase dois metros de altura, olhos azuis e uma cara de nojo. Mas o que eu encontrei foi a última pessoa que eu esperava encontrar: Lucy Fontana, uma das minhas melhores amigas na época de modelo.

— Lucy? Você é a modelo? — Questionei ainda sem acreditar indo abraçá-la.

Ela retribuiu o abraço rindo.

— Então Edward realmente não te contou? Achei que fosse apenas brincadeira dele.

— Ele é um idiota.

Ela riu novamente.

— Não seja tão durona. Eu estava morrendo de saudades, foi impossível recusar a oferta. — Ela me abraçou mais uma vez. — E que trabalho você está fazendo, hein? Esse vestido é maravilhoso, onde você conseguiu?

Sorri agradecida.

— É um Stella McCartney. A nova coleção está deslumbrante.

Fomos avisadas que já estava tudo pronto e começamos a caminha na direção de Alice.

— E quando eu vou ter a honra de tê-la nas passarelas novamente ao meu lado? — Ela perguntou com um sorriso empolgado.

Sorri.

— Bom, talvez na próxima runway da Dior. Talvez eu seja a nova modelo da coleção, mas isso só se eu tiver uma folguinha.

Ela bateu palmas, animada, e logo estávamos na Alice. Nós conversamos e logo estávamos de acordo, Lucy me conhecia bem e logo entendeu o que eu queria. A sessão correu rápida e logo a noite caiu. Deixei Alice voltar mais cedo para casa pra se arrumar e eu mesma terminei as fotos. Alice e Jasper voltaram mais cedo. Infelizmente Lucy e eu não conseguimos sair para matar a saudade, ela tinha que voar para os EUA ainda hoje por causa do filho, mas prometeu que nos veríamos em breve. Quando entrei no carro com Edward e Emmett eu tinha um sorriso no rosto.

Eu estava confusa. Edward não havia chamado a Tanya como eu imaginei e eu precisava me desculpar pela maneira que falei com ele. Não que eu fosse fazer isso de verdade. Me desculpar com Edward estava fora dos meus planos e eu decidi que iria continuar ignorando-o. Afinal, ele não me contou que a seria Lucy e ainda saiu com Tanya quando eu fui largada excitada pelo flat tendo que me aliviar sozinha. Ridículo. Acomodei-me no carro me sentindo um pouco sonolenta, toda essa mudança estava me deixando exausta. Eu esperava poder ficar mais tempo na Inglaterra.

Quando Edward estacionou o carro eu saí e me escorei em Emmett. Eu estava cansada demais. E então, quando chegamos, eu me joguei no sofá tentando dormir um pouco, mas fui acordada por Alice. Ela estava linda. Aliás, estava maravilhosa. Sorri pra ela.

(Roupa Alice)

— Você está deslumbrante. Se eu não estivesse com tanto sono eu ficaria dizendo o quão maravilhosa você está. — Murmurei já fechando os olhos.

— Eu disse a mesma coisa. — A voz de Jasper apareceu. — Você está linda.

— Ah, obrigada! Estamos indo, Is. Emmett vai sair também, Edward está jogado no quarto. — Ela informou.

— Divirtam-se. — Eu disse já dando adeus à consciência e finalmente pude dormir em paz.

Ou quase isso. Algumas horas depois eu fui acordada por raios e trovões que cortavam a noite de Paris. Com um pulo eu me pus de pé. Eu não era muito fã de trovões. Na verdade, eu tinha um certo pavor de todas essas coisas.

— Ah, merda. — Xinguei quando um novo trovão soou alto.

Fui para o meu quarto me jogando na cama ainda de sapato e cobrindo-me por completo. Eu nunca tinha lidado com uma coisa dessas sozinha antes. Sempre há Jacob, Alice ou qualquer um que estava pronto pra me salvar nessas horas. Mas hoje a única pessoa que eu tinha havia me deixado puta da vida e eu me recusava a ir até ele. Outro trovão forte e me vi de pé, engolindo todo meu orgulho e indo até o quarto de Emmett. Bati duas vezes e vi um Edward sonolento me olhando preocupado. Eu ainda estava vestida nas mesmas roupas de mais cedo e meus olhos provavelmente estavam marejados.

— O que houve? — Ele indagou preocupado.

— Posso dormir com você hoje? — Perguntei sabendo que eu não conseguiria dormir sozinha com uma tempestade dessas.

Seu olhar de preocupação se intensificou.

— O que houve, Isabella?

Outro trovão soou alto e eu estremeci.

— São os trovões.

Ele me olhou confuso.

— O que tem eles?

— Eu morro de medo de trovão, raio e essas coisas. — Eu choraminguei e Edward gargalhou.

— Você tem medo de uma simples tempestade?

Cruzei os braços, derrotada e já irritada com ele.

— Deixa pra lá, volte a dormir. — Eu murmurei prevendo uma noite longa pela frente.

Mas Edward balançou a cabeça e me puxou em direção ao meu quarto.

— Eu vou dormir com você se isso vai te deixar mais calma.

Ele me fez deitar na cama, mas deixou que eu retirasse meus sapatos antes. Tirei minha saia com suspensórios também, ficando apenas de calcinha e blusa, não havia nada de novo para Edward de qualquer jeito. Ele deitou ao meu lado me puxando para si.

— Céus, você está tremendo. Há quanto tempo você tem medo disso?

— Desde pequena. — Eu disse num fio de voz. Os trovões tinham se intensificado.

— Ei, Isabella, calma… — Ele sussurrou no meu ouvido começando a fazer carinho no meu cabelo.

— Eu não vou conseguir dormir. — Murmurei.

Os braços de Edward me rodeavam e eu mantinha minha cabeça afundada em seu peito. Suas mãos faziam um carinho contínuo e relaxante.

— É claro que vai. — Neguei com a cabeça. Seu aperto se afrouxou e ele me aconchegou nos travesseiros. — Vou pegar uma coisa, já volto.

Assenti mesmo a contragosto e fechei os olhos tentando ignorar a tempestade lá fora. Peguei meu celular mandando mensagem para Alice, Jasper e Emmett. A chuva estava forte e eu havia uma ponta de preocupação com os três dentro de mim. Quando Edward voltou, ele sentou na cama e mandou eu fechar os olhos e esticasse as mãos. Arqueei a sobrancelha.

— Faz logo o que eu estou falando.

E foi o que eu fiz. Fechei os olhos e estiquei minhas mãos. No segundo seguinte senti algo sendo colocado nelas e não tentei manter meus olhos fechados. Era uma caixa de veludo preta média. Meus olhos brilharam, eu amava ganhar presentes. Sentei na cama sorrindo e ele riu.

— Na verdade, você não está merecendo não.

Era uma pulseira. Outra. Parecida com a que eu ganhado antes. Tinhas as cores da bandeira francesa e um pingente da própria bandeira na ponta. Eu fazia coleção dessas pulseiras. A coloquei no meu braço com um sorriso imenso. Eu estava procurando uma dessas há bastante tempo.

— Obrigada, Edwaaaaaaard! — Alonguei seu nome e o abracei. — Onde você achou? Eu esqueci de procurar nos países que nós já fomos. Eu queria ter uma de cada! Mas esqueci.

Eu levantei para guardar a caixa da pulseira junto com minhas coisas. Eu pretendia usar todas as pulseiras dessa que eu conseguisse de uma vez. Uma de cada país. Mas, por enquanto, eu ficaria com meu presente no braço.

— Preciso de um banho. — Comentei preguiçosamente enquanto eu voltava para cama. Edward estava deitado novamente e abriu os braços pra mim quando um trovão soou alto e eu estremeci. Engatinhei até me enfiando em seus braços novamente.

— Você não deveria fazer isso comigo… — Ele sussurrou baixinho.

— Isso o que? — Questionei me acomodando melhor.

— Ok, vamos começar por ontem quando você me deixou duro pra caralho e saiu andando pela casa com Jasper enfiada em uma de minhas camisas o que me deixou mais duro ainda. — Revirei os olhos. — Você não pode simplesmente me deixar duro feito pedra e ir embora, isso não se faz…

— Não foi culpa…

— Shhh… Deixa eu continuar. — Ele me interrompeu. — Daí eu chego da rua e encontro você cozinhando com a minha camisa, um short mais curto que o outro, cabelo preso e de óculos. E então você começou a ignorar tudo o que eu dizia e eu estava ficando tão puto quanto duro e a única coisa que passava na minha cabeça era que eu precisava ensinar uma lição a você. E foi quanto você começou a falar de como estava puta por que eu tinha escolhido Tanya pra ser modelo da sessão e a única coisa que passava na minha cabeça era da onde você tinha tirado isso

— Emmett disse que você tinha ido encontrar ela, o que Tanya estaria fazendo aqui?

Edward revirou os olhos.

— Talvez ela possa ter vindo me ver…

Dei de ombros.

— É uma possibilidade.

Ele riu.

— Ela veio fazer uma sessão pra alguma marca aqui. Mas acho que ela volta amanhã, vocês não devem se cruzar.

— Ótimo.

Fechei os olhos disposta a tirar um cochilo enquanto toda essa chuva não passava.

— Eu ainda não acabei…

— Estou ouvindo. — Murmurei ainda de olhos fechados.

E ele começou a falar da minha roupa da sessão e eu não prestei mais atenção porque todo meu sono tinha voltado e eu me concentrei em dormir, e foi o que eu fiz, dormi.

.

Acordei algum tempo depois. O céu ainda estava escuro e Edward estava dormindo. Seus braços ainda me rodeavam. A chuva havia passado e eu lembrei que eu deveria tomar banho. Levantei pegando uma blusa de flanela xadrez, uma calcinha e um short e indo até o banheiro. Tomei um banho quente rápido lavando meu cabelo e o penteando. Meu cabelo havia crescido bastante desde a última vez e eu sentia falta dos cuidados de um cabeleireiro.

Voltei para o quarto e encontrei Edward dormindo abraçado com o travesseiro e ri. Ele parecia uma criança. Já havia clareado e meu estômago roncou. Sai do quarto em direção à cozinha a fim de procurar algo que saciasse minha fome. A casa estava silenciosa, mas a lâmpada da cozinha permanecia acessa indicando que havia alguém no cômodo. Sorri ao me deparar com Alice com uma xícara de café nas mãos.

— Bom dia… — Saudei sentando na sua frente. — Como foi a noite?

Ela sorriu.

— Ótima. Jasper me levou pra jantar e depois ficamos passeando por Paris até a chuva começar a cair super forte, aí entramos em uma dessas cafeterias 24h e ficamos lá até a chuva passar. Ele é incrível. — Um sorriso tímido apareceu em seus lábios.

— E…?

Ela gargalhou.

— Nós nos beijamos. Ele é um cavalheiro.

— Só? — Questionei, clamando por novos detalhes.

— Só, como eu disse, ele é um cavalheiro.

Soltei um suspiro decepcionado.

— Ele tem dedos grandes… — Comentei levantando para pegar uma xícara de café.

Nossas risadas se misturaram.

— Eu sei, eu reparei. Ele é muito bom beijando bocas, fico curiosa em como deve ser o beijo dele em outras partes do corpo.

Ri de novo voltando para a mesa bebericando o café.

— E quando será o novo encontro?

Ela sorriu.

— Ele me disse que queria me levar em algum lugar de Londres, não lembro muito bem.

— Isso é bom.

Alice estava radiante, e eu estava feliz por ela.

— Vamos, agora é a sua vez, desembucha… — Ele pediu sorrindo animada. Acabei meu café e descansei a xícara na mesa.

— Você tem três perguntas. — Murmurei colocando minhas pernas para cima a abraçando-as.

Ela sorriu animada.

— Você e Edward já transaram? — Ela perguntou sem rodeios.

— Sim, uma vez. — Respondi

— Vocês estão juntos?

— Não mesmo. — Neguei.

Ela revirou os olhos.

— Você está apaixonada?

Pensei um pouco.

— Hm… É difícil saber quando Edward me deixa mais irritada do que qualquer coisa, mas eu acho que não.

Ela arqueou a sobrancelha.

— Eu acho que sim. Estou falando em paixão, não em amor. A gente se apaixona por alguém rápido, e eu realmente acho que você está apaixonada.

Dei de ombros.

— Ele me deu essa pulseira… — Levantei o braço notando que a pulseira ainda estava lá.

— Você parece ter uma coleção de blusas do meu irmão também…

Revirei os olhos.

— Da onde você tirou isso?

— Já vi você com enfiada em blusas do meu irmão no mínimo umas três vezes.

— Elas não ficam comigo.

Ela sorriu.

— Como foi sua noite hoje? — Ela perguntou com um sorriso malicioso. — Cheguei toda preocupada com você por causa da tempestade e fui direto pro seu quarto ver como você e estava e encontro você e Edward dormindo agarradinhos, o que houve?

— Eu meio que fiquei desesperada e ele me salvou. Não aconteceu absolutamente nada.

— Sei…

— É sério. — Eu ri. — Nem um beijo sequer, ele só ficou lá pra não me deixar surtar mesmo.

Ela sorriu.

— Ele tá muito na sua.

Revirei os olhos.

— Só que não mesmo. Ontem ele saiu com Tanya, deve ter comido ela também. E eu me recuso a tocar em uma certa parte do corpo dele que deve conhecer Tanya como ninguém.

Alice riu alto.

— Você é muito boba, Isabella, muito boba. — Ela soltou outra risada. — Edward e Tanya não têm nada.

— Não, imagina.

— É sério. — Ela deu uma risadinha.

— Isso não é da minha conta.

Alice revirou os olhos.

— Eu estava esperando que ele contasse, mas Tanya ligou pra Edward para que ele a ajudasse com algo com Miuccia Prada. Eu não sei muito bem, mas Tanya fez alguma coisa que pode colocar em risco ela na runway da Prada. Não sei muito bem.

— E o que isso prova que ele não comeu ela? — Eu perguntei aceitando totalmente a explicação de Alice, Tanya sempre fazia merda.

(Spectrum – Florence and The Machine)

Ela bufou e levantou os olhos. Edward estava entrando na cozinha. Ele passou pela gente indo direto na fruteira e pegando uma maça. Antes de sair, Alice o chamou e ele parou.

— Edward, você comeu a Tanya? — Ela perguntou sem rodeios e eu ri. A cara de Edward não mudou nem um pouco.

— Não, mais alguma coisa? — Ele continuou comendo a maçã.

— Não, só isso mesmo.

Ele jogou um sorriso pra nós duas e saiu.

— Satisfeita? — Ela perguntou, voltando sua atenção para mim.

Dei de ombros, levantando e colocando a xícara na pia. Fui em direção do quarto, passando pela sala e pegando meu celular e minha bolsa que eu havia deixado quando cheguei da sessão. Entrei no quarto e tomei um susto ao ver Edward deitado na cama. Ele soltou um riso de escárnio.

— O que você ainda está fazendo aqui? — Perguntei irritada lembrando que ele tinha insinuado que ele e Tanya tinham um caso.

— Não tenho mais quarto ou você esqueceu que eu dei meu quarto para o seu queridinho? — Revirei os olhos enquanto eu arrumava tudo e colocava dentro da mala. — Isabella, para com isso.

Levantei a cabeça, mais irritada do que confusa.

— Sua voz está me irritando, você já pode ir para o quarto de Emmett, eu já agradeci e tudo mais.

Ele cruzou os braços, sentando mais confortavelmente na cama. Continuei arrumando minhas coisas. Havia milhões de papéis espalhados, milhares de revistas e muitos sapatos. Eu sentia o olhar de Edward me acompanhando em tudo e isso só estava me deixando mais irritada.

Primeiro ele saia para encontrar Tanya no meio de uma viagem de negócios, algo totalmente anti profissional, isso era trabalho, ele não podia sair por ai com um cachorro no cio. Depois, me faz acreditar que Tanya seria a modelo da sessão e me faz quase ter uma overdose de aspirina e morrer de ansiedade. Não satisfeito, ele me faz acreditar que eles estavam em algum tipo de relacionamento e que haviam transado. Então, ele é carinhoso e tenta me comprar com uma pulseira, muito bonita por sinal. E agora ele ficava me observando e deitado na minha cama como se nada de anormal estivesse acontecendo.

Nem dez mil de pulseiras me deixariam menos irritada.

— Isabella… — Edward chamou e eu o ignorei.

Ele me chamou outras três vezes e eu já estava cansada quando eu fui empurrada na parede atrás de mim. Edward segurou meus dois braços novamente e eu senti um déjà vú. Ofeguei pelo susto. Seu corpo pressionava o meu e eu fechei os olhos as sentir a ereção de Edward.

Merda! Porque eu tinha que ser tão fraca?

— Edward, o que você está fazendo? — Eu perguntei tentando manter minha voz estável, mas falhando miseravelmente.

Ele deu uma risada rouca e atacou minha boca. Eu tentei resistir, juro que tentei, mas quando Edward deu uma mordida no meu lábio inferior, eu simplesmente me vi correspondendo ao seu beijo. E então, cedo demais, ele separou nossas bocas e deu um sorriso cafajeste em minha direção.

— Edward, me larga. — Pedi puxando minhas mãos e falhando miseravelmente.

Ele revirou os olhos.

— Você tem certeza que quer isso? — Ele, como no dia anterior, passou a segurar meus braços com uma mão e sua mão livre passou a desabotoar minha blusa. Segundo depois ele passou a massagear meu seio enquanto sua boca mordiscava meu pescoço. — Bella, se você não responder eu vou achar que você está gostando…

E essa foi a primeira vez que eu realmente senti alguma coisa realmente forte quando Edward me chamou de Bella. Tesão. O apelido me deixou loucamente excitada e quando eu me dei conta eu já estava enroscando minhas pernas na cintura de Edward. Ele soltou minhas mãos, surpreso, e eu as envolvi em seu pescoço. Nosso gemido saiu em uníssono quando nossos sexos se tocaram.

— Isso é errado, nós não devíamos estar fazendo isso e… — Eu comecei a falar, mas fui interrompida pela boca de Edward tomando a minha. Apertei ainda mais nossos corpos, segurando seu cabelo com força. Ele me imprensou ainda mais na parede e eu soltei um gemido alto.

— Shhh… — Ele disse baixinho. Ele deu um selinho em meus lábios e andou em direção à cama. Eu já estava suada, molhada e com mais tesão do que qualquer coisa. E então ele me jogou em cima da cama e cruzou os braços com um sorriso vitorioso nos lábios. — Arrume as malas, sairemos daqui a pouco.

E ele simplesmente me deixou lá. Suada, molhada e com tesão pra dar e vender.

— Edward! — Gritei irritada antes que ele saísse do quarto. Ele virou pra me fitar, o volume na sua calça era visível e eu uni mais as minhas pernas em busca de algum alívio. — Você não vai me deixar assim, vai?

Ele deu um sorriso torto.

— Digamos que essa foi a minha vingança, Bells.

E com uma piscadinha de olho ele saiu do quarto e me deixou sozinha. Isso não podia ser real. Edward ainda iria me pagar por isso.

— Babaca. — Murmurei caminhando até o banheiro, eu ia ter que encontrar algum alívio sozinha.

.

Exatas três horas depois eu estava de malas prontas, arrumada e muito, mas muito puta da vida. Eu não lembro qual fora a última vez que eu estive tão irritada antes. Nada, absolutamente nada, me deixava mais irritada do que a frustração e nesse momento eu estava muito frustrada sexualmente. Meus dedos não era tão grossos quanto os de Edward e eu simplesmente não havia trago nenhum dos meus vibradores — mesmo que eu duvidava que surtiriam algum efeito.

(Roupa da Bella)

Coloquei meus óculos no rosto e peguei minha bolsa H&M saindo do quarto. Minhas malas já tinham sido levadas e eu não precisaria me preocupar. Quando cheguei na sala todos estavam almoçando, recusei rapidamente. A última coisa que eu sentia no momento era fome. E merda, porque Edward tinha que ser tão gostoso.

— Bells, você está bem? — Jasper perguntou da cozinha.

O olhei por cima do balcão. Pensando bem, parte da culpa de eu estar assim é dele. Eu sou uma babaca. A culpa é inteiramente do idiota gostosão sentado do lado do meu querido amigo Jasper. Edward Cullen é o culpado. Um ridículo.

— Melhor impossível. — Respondi soltando um sorriso falso e apoiando no balcão que separava a sala da cozinha, para conseguir ver-los melhor.

Ele sorriu confuso.

— Tem certeza que você não quer comer nada? Nós vamos de voo comercial, você sabe como é… — Alice começou.

Revirei os olhos mesmo estando de óculos escuros.

— É no máximo uma hora e meia de voo, nada demais.

Apertei o cachecol no meu pescoço, a temperatura havia caído miseravelmente. Me arrependi por não ter pego um casaco além da mesma blusa xadrez que eu vestia de manhã. O fato é que eu estava tão irritada que coloquei a primeira roupa que consegui arrancar da mala.

— Quando saímos? — Emmett perguntou animado e quando lembrei o motivo de toda animação consegui ficar mais puta do que antes. Ai que maravilhoso. Fechei a cara instantaneamente. E então ele olhou pra mim e como se ele lesse meus pensamentos ele disse: — Rosalie vai nos esperar no aeroporto.

Que maravilha. Isso era algo que eu tinha que arrumar quando eu colocasse os pés em Londres. Quem Emmett achava que era?

— Mais dez minutos. — Edward respondeu e eu bufei.

Foram os dez minutos mais dolorosos da minha vida.

Eu não aguentava mais ouvir a voz de Edward e se Emmett falasse o nome da minha prima mais uma vez eu seria capaz de cometer um assassinato. Quando finalmente Edward disse que era hora de irmos eu quase voei até a porta. Mas o que me irritou ainda mais era o fato de Edward estar praticamente se denominando o líder. Qual é? Eu deveria ser a líder. Sou eu que carrego tudo nas costas. Edward só faz o trabalho dele arrumando umas coisinhas ou outra.

— Você está bem? — Alice perguntou assim que entramos na Mercedes de Edward e agradeci pelo cheiro do perfume de Edward não estar impregnado no carro.

Sentei no banco traseiro com Alice e Jasper. Alice tentou puxar assunto comigo, mas quando viu meu estado de espírito entendeu que deveria me deixar em paz.

Coloquei meu fone de ouvido tentando acabar com as vozes de Edward e Emmett na minha cabeça. Eu nem prestava atenção na música, apenas me concentrava pra tentar acalmar meu estado de espírito.

Graças ao bom trânsito e à proximidade do hotel ao aeroporto, chegamos em alguns minutos e assim que possível eu me pus pra fora do carro. Fazia muito frio e eu resisti à vontade de voltar pra dentro do carro. Mesmo com um frio incomum para essa época do ano na frança, o check-in foi rápido e em pouco tempo estávamos dentro do avião que fazia ainda mais frio. Para o meu completo azar fiquei entre Emmett e Edward, o que provou que nunca está ruim o bastante que não possa piorar. Coloquei os cintos e cruzei os braços tentando me esquentar. Eu havia deixado tudo que poderia gerar alguma espécie de calor na mala, sobrando apenas meu cachecol da Hermes fino e uma blusa de flanela. Jesus, se essa hora não passasse logo eu ia morrer.

— Você está bem? — Ouvi Edward me perguntar, sua testa franzida demonstrava preocupação.

Foda-se.

Edward que se foda.

Ele e sua cabeça ridiculamente grande.

É, esse seria um longo voo.

Notas finais
E ai, pessoal, gostaram? Por favor, comentem, recomendem, me incentivem! Como eu sempre digo, não vou abandonar vocês nunquinha! Espero muito que tenham gostado. Sim, está se abrindo mais para os Cullen - para Edward no sentido literal ou não! Bella e Edward estão bem mais amorosos um com outro, repararam? Mas, vocês sabem, nem assim as provocações deixam de existir. En-fim... Tenho um apego muito grande por essa história e eu juro que vou TENTAR postar esse mês ainda. Se pintar qualquer dúvida, sintam-se livres pra me mandaram MP ou perguntarem nos reviews, respondo todas no maior amor! Beijo grande em todas vocês!