Vanity Fair
10 Sete Pecados Capitais
Notas iniciais
Meu primeiro namorado se chamava Tyler e eu era completamente enlouquecida por ele. Depois dele vieram três: Anthony, Mike e Jason. Eu não conseguia manter relacionamentos longos porque a minha carreira de modelo tomava todo meu tempo, então meus relacionamentos não eram muito intensos emocionalmente. Tyler foi o primeiro deles. Lembro até hoje o quão apaixonada eu era pelo garoto dos olhos azuis. Eu o conheci numa de minhas viagens à Madri. Ele, um intercambista de fotografia, era ajudante de um dos fotógrafos do editorial que eu estava fazendo. Nós nos curtimos e começamos a namorar, foi fácil no começo quando minha agenda era flexível. Depois, se tornou tudo complicado demais. Eu tinha plena certeza de que tudo que eu sentia pelo garoto dos olhos claros e da pele bronzeada era apenas paixão e que não valia a pena lagar tudo por ele. Nosso relacionamento era muito mais sexual do que emocional, eu estava no auge dos meus 16 anos, pertinho de completar 17, e a ideia do sexo era super cool. Quando decidi que estava a fim de perder minha virgindade, ele me levou pra beber, segundo ele seria tudo mais fácil com certo teor de álcool no sangue. E foi. Não foi nada que eu queira esquecer, nem que eu morra de orgulho por lembrar. Apenas aconteceu. E então, quando morar em Madri se tornou impossível eu o deixei. Foi no exato dia em que completaríamos intensos cinco meses de namoro. Ele disse que eu me arrependeria. Isso não aconteceu. Nunca.
Trezentos e sessenta e um. Trezentos e sessenta e dois. Trezentos e sessenta e três segundo no voo. Isso não é quase nada, eu sei. Apenas seis minutos e alguns segundos extra. Mesmo assim, eu me sentia 0,000362% menos irritada. Isso não era grande coisa. E eu ainda estava mais irritada porque meu celular simplesmente havia acabado a bateria. Como eu poderia ignorar Edward e Emmett? Eu poderia até poderia ver o filme que passava na pequena televisão que tinha no avião, mas eu não estava muito a fim de ver um desses filmes da Disney com uma dublagem estranha. E por fim tinha o frio que estava ainda mais insuportável depois que o avião se lançou ao ar. É se eu não continuasse contando eu teria uma síncope. Pelo menos Emmett havia sumido pelo avião e me deixou livre de sua presença.
— Isabella, onde está seu casaco? — Edward perguntou. Eu sentia os olhos seus olhos em mim. Mas eu me recusei a olhá-lo. — Isabella…
— Numa coisa chamada bagageiro, já ouviu falar? Então, em todos os aviões tem um desses lugares onde são levadas nossas malas e tudo mais. — Respondi logo antes que a voz dele me irritasse ainda mais.
Tudo isso era por causa dele, afinal! Jasper tinha uma parcela de culpa, Emmett também, mas Edward era o culpado principal. Um tremendo filho da mãe.
— Estou falando sério, Bella. — Sua voz saiu macia e eu o ignorei. — Vem cá, está realmente muito frio.
E sem que eu desse permissão, Edward me puxou pra junto de si no intuito de me esquentar. Eu recusei rapidamente. Edward que se foda.
— Isabella, é sério, está muito frio. Para de ser cabeça dura. — Ele disse de um modo que até pra mim com um nível de irritação extremo soou fofo.
E eu meio sem querer e não reprimido a careta de irritação me aconcheguei nele, tirando os sapatos e levantando o apoio que separava minha cadeira da dele. Estava tão quentinho. A aeromoça passou e Edward a chamou. Em francês, ele pediu um cobertor. Em francês! Qual é?! Todas as aeromoças do mundo falam inglês, ele quer mais é ficar se amostrando por aí. E então a aeromoça trouxe e eu agradeci com um sorriso. Como eu não pensei nisso antes? Eu poderia ter evitado ficar perto de Edward com toda essa tensão sexual no ar. Me acomodei melhor colocando minhas pernas em cima das de Edward e ficando ainda mais próxima do seu corpo. Ele colocou nós dois sob a coberta e eu finalmente me senti mais aquecida.
— Obrigada. — Murmurei sem vontade, apenas por agradecer e ele soltou um risinho curto levando suas mãos ao meu cabelo e começando um cafuné. Merda, isso estava me acalmando, eu deveria ficar mais irritada.
— Como estão suas mãos?
— Geladas. — Respondi as colocando dentro de sua blusa. Ele xingou, mas eu o ignorei deixando minhas mãos se esquentarem dessa forma. Seria uma punição bastante leve pro que ele tinha feito comigo mais cedo. Comecei a mover minhas mãos pela sua barriga em a fim de esquentá-las mais fácil.
— Isabella, para, por favor… — Ele pediu.
— Por quê? — Perguntei confusa.
— Porque eu estou imaginando suas mãos em outros lugares.
E então eu ri, descobrindo uma forma perfeita de me vingar. Joguei meu cabelo para o lado e sorri para ele da forma mais inocente que eu conhecia, retirei minhas pernas de cima das suas e deixei minhas mãos caírem sobre seu membro coberto pelas roupas. Felizmente, havia o cobertor que deixava minha tarefa muito mais fácil.
— Isabella Marie Swan… — Ele disse semicerrando os olhos e eu ri ainda mais. Ele segurou meus pulsos e eu me inclinei para distraí-lo. Distribuí alguns beijos em seu pescoço e quando ele soltou minhas mãos me apressei para abrir sua calça e tirar seu membro endurecendo em minhas mãos. — Merda, Bella, porque você tem que ser assim?
Soltei um riso curso enquanto eu começava massagear seu pênis. Ele fechou os olhos e comprimiu a boca. Usei minhas mãos do melhor jeito que eu conseguia. Eu estava realmente concentrada para perceber o momento certo para dar o troco. A mão de Edward segurou minha perna e ele a apertou com força. Eu estava obviamente excitada, mas Edward havia me deixado loucamente frustrada mais cedo e eu não deixaria ele sair ganhando.
Alcancei seu ouvido e usei a voz mais sexy que eu poderia proferir:
— Isso é bom? — E enquanto minhas mãos faziam o trabalho eu dava mordidas em seu pescoço.
Sua boca estava comprimida e eu soltei uma risada baixa voltando minha concentração para o que eu tinha em mãos. Querendo brincar um pouquinho mais com Edward, olhei para os lados rapidamente e analisei os fatos. Estávamos nas ultimas cadeiras, no canto e Emmett tinha levantado há um tempo. Céus, eu estava ficando louca.
— Edward, meu bem, feche os olhos. — Pedi baixinho em seu ouvindo e ele fez imediatamente. E então, sem me preocupar demais, eu substitui minhas mãos por minha boca e ouvi Edward ofegar e apertar o banco da passageiro. Em dado momento, Edward cobriu minha cabeça com o cobertor e segurou meu cabelo com tanta força, que me deixou molhada instantaneamente.
Algum tempo depois quando senti que ele estava vindo, eu parei. Eu simplesmente parei. Levantei a cabeça e limpei a boca. Edward me lançou um olhar confuso e eu ri. Tolinho.
— Isabella? — Ele chamou. — Você tem algum tipo de distúrbio de personalidade múltipla?
— Sabe que eu não sei? Considere isso como uma vingança. — Eu dei um riso curto. — Que tal pedir uma mãozinha à Emmett.
Soltei um riso curto. O frio estava voltando e eu me cobri novamente e voltei a posição anterior — menos as pernas, minhas pernas poderiam fazer algum estrago no amiguinho do Edward.
Ele me empurrou, ao que parecia, a proximidade dos nossos corpos estava o deixando animado novamente.
— Você vai me deixar morrer de frio? — Perguntei forçando inocência.
Ele bufou e arrumou a calça. Eu ri um pouco e levantei indo em direção ao banheiro. Parei ao ver Emmett em pé de braços cruzados olhando para Alice e Jasper. Eu ri ainda mais. Entrei no banho, me limpei e depois me encostei respirando fundo. Toda essa brincadeira também havia me deixado excitada. Molhei a nuca e me olhei no espelho. Merda. Eu estava muito excitada. Respirei fundo decidida a pedir a água mais gelada que conseguisse, mas assim que abri a porta fui empurrada pra trás e vi Edward se materializar na minha frente.
— O que você está fazendo?
— O que eu estou fazendo? O que você está fazendo? Você simplesmente começa a pagar uma punheta e depois um boquete pra mim no meio de um avião cheio e quando eu estou quase gozando o que você faz? Você para. Do nada. Você ainda quer saber qual é o meu problema?
Nós estávamos insuportavelmente próximos. O banheiro não era um dos menores, mas era pequeno o suficiente para estarmos colados.
— Eu estava apenas retribuindo o favor. Você me deixou suada e molhada pra caramba mais cedo. Você começou com isso. — Retruquei irritada. Agradeci estar com meus saltos e não estar tão mais baixa que Edward. Mas, ainda assim, ele era uma cabeça maior que eu.
Ele soltou um riso de escárnio.
— Tudo começou quando aquele seu namoradinho nos interrompeu bem na hora em que nós íamos transar e você simplesmente levanta e vai atrás dele. E me deixa duro pra caralho. — Ele bufou. — Quando vocês vão assumir o romance?
Edward era cego ou problemático? Jasper estava caidinho por Alice.
— Talvez quando você e Tanya assumirem o de vocês.
Ele revirou os olhos.
— Eu e Tanya não temos nada um com outro, será que algum dia você vai entender isso? — Ele disse irritado batendo com a mão na parede do banheiro.
Parece que eu tinha compartilhado minha irritação com alguém. Bom. Isso me deixava menos irritada.
— Quando você entender que eu e Jasper não temos absolutamente nada. Merda, ele está saindo com a sua irmã! — Bufei e me senti tonta por um momento. — Edward, preciso sair daqui, estou com falta de ar.
Ele me avaliou por um momento e então me deixou passar.
— Não pense que essa conversa acabou por aqui.
Mas, antes de eu sair realmente daquele banheiro minúsculo, eu deixei um pequeno beijo em seus lábios. Não pra provocar, nem pra irritá-lo ainda mais. Apenas por que eu estava com vontade. E então, arrumando minha roupa, sai do banheiro como se nada houvesse acontecido. Emmett ainda estava parado ao lado da poltrona de Alice e Jasper. Exatamente na mesma posição. Dessa vez não resisti e parei.
— O que houve? — Questionei tentando entender o que se passava ali.
— Eu peguei Alice e Jasper se beijando e só saio daqui obrigado. Estou vigiando esses dois. Jasper o meu melhor amigo beijando a minha irmãzinha! Onde esse mundo vai parar? Não posso mais confiar em ninguém?
Soltei uma risada baixa e senti Edward passar por mim e sentando-se logo na poltrona. Voltei minha atenção para Emmett.
— Cadê a aeromoça? Você vai criar raízes aí…
Ele ignorou o que eu disse e eu voltei para o meu lugar sentando ao lado de Edward e me cobrindo logo, eu estava com frio novamente.
— Ok, onde paramos? — Murmurei cansada de brigar, tudo isso estava me deixando exausta.
Ele me avaliou por um momento e eu fechei os olhos para demonstrar meu cansaço.
— Me explica essa história de Jasper e Alice. É por isso que Emmett está ali? Não quero imaginar o que ele estava fazendo e…
— Edward, Alice não é mais nenhuma garotinha não. — O cortei antes que ele começasse sua crise de ciúme. Edward era ciumento até o último fio de cabelo.
Ele revirou os olhos e abriu os braços para que eu me esquentasse novamente. Quando eu me acomodei, perguntei, mesmo já sabendo a resposta:
— Então, estamos quites?
Ele riu.
— Não mesmo, está 2x1 pra você…
— Eu estou sempre ganhando. — Eu comentei rindo e, de repente, lembrei de uma coisa: — E então Edward, está pronto para modelar?
Ele bufou.
— Cala boca.
— Vamos ficar na casa dos meus pais em Londres, não esqueça. Por alguma razão eu não consigo falar com Rosalie.
Ele soltou uma risadinha e eu não quis saber o que aquilo significava. Fomos avisados que o avião pousaria então tive que voltar ao meu lugar e colocar os cintos. Emmett logo estava do meu lado de volta com cara fechada. A viagem entre Paris e Londres era absolutamente curta.
— Jasper não podia fazer isso comigo, ela é minha irmãzinha. — Ouvi Emmett reclamar. Revirei os olhos.
— O que esse cara estava fazendo com Alice, Emmett? — Edward perguntou para o irmão.
E então Emmett começou a falar o quanto Jasper estava o traindo, que tinha visto os dois se pegando e blá, blá, blá. Tudo que saía da boca de Emmett estava me dando uma preguiça enorme. Os dois então começaram a discutir o que fazer em relação a isso e eu desejei que o avião estivesse em solo urgente. Após cinco minutos de pura tortura o avião pousou e vi toda a minha animação voltar. Quando fomos liberados para sair do avião, apressei-me para pegar minha bolsa e levantar. Feliz por estar em Londres, fiz o possível para sair o mais rápido possível do avião e ao colocar os pés no solo londrino depois de tanto tempo. E assim que coloquei os pés para fora do avião achei que congelaria. Não estava apenas frio, nem frio pra caralho, estava um frio da porra. Andei rápido até chegar dentro do aeroporto e quando o fiz sorri. Muito mais aconchegante. O frio ainda era surreal, porém nada como estava lá fora. Enquanto eu ia até a esteira esperando minhas malas, eu olhei em volta. Londres. Depois de tanto tempo eu estava em casa novamente. Logo Jasper e Alice apareceram e ficaram ao meu lado. Depois, vieram Emmett e Edward. Edward parou do meu lado. E passou as mãos nos meus braços com intuito de esquentá-los. Sorri.
— Ah não. Rosalie não vai vir nos buscar. — Emmett reclamou.
Quer dizer que Rosalie falava com Emmett, mas não respondia minhas ligações? Eu precisava de algumas explicações.
Quando todos nós pegamos as malas eu disse:
— Eu quero dirigir.
E então, depois de muita insistência da minha parte, eu aluguei um carro. Eu não tinha um carro em Londres, eu nem vinha pra cá quase. E fazia algum tempo que eu não dirigia, o inglês britânico era reconfortante. Eu estava quase nas nuvens.
— Coloquem o cinto, eu já estou nervoso. — Edward disse com uma expressão de martírio.
— Espero não morrer, você não costumava ser boa no que fazia usando as mãos. — Jasper falou e eu dei uma gargalhada longa. Ele quis dizer que eu era desastrada, mas a frase caiu num duplo sentido que tornou a situação mais engraça ainda e eu tratei logo de ligar o carro. — Ei, eu não quis dizer isso. — Ele tentou se explicar o que me gargalhar ainda mais. — Bells era desastrada, qualquer coisa que tocava…
— Cala boca, Jasper. Você está deixando a situação pior. — Eu disse tentando parar de rir. Alice ria conosco também. Emmett ria tanto que eu podia ver seus olhos lacrimejando. E Edward, ao meu lado, apenas revirava os olhos. Depois da crise de riso conjunta, voltei a prestar atenção na estrada. A casa dos meus pais não era muito perto do aeroporto e por enquanto eu lembrava o caminho direito.
— Isabella, tem certeza que seus pais não vão se importar conosco? — Alice perguntou.
— Claro que não. — Respondi sorrindo, era ótimo estar finalmente em casa. — Jasper, hmm, fique atento, talvez eu precise de alguma ajuda para encontrar o caminho.
Ele assentiu batendo uma continência, mas depois entrou numa conversa baixa com Alice que deixou Emmett um pouco irritado, mas logo desviou a atenção para o seu celular.
— Você gosta daqui, não gosta? — Ouvi Edward perguntando ao meu lado e virei para olhá-lo. — Fique de olho na estrada, antes que eu tenha um ataque cardíaco.
Revirei os olhos, mas fiz.
— É bom estar em casa. — Admiti. — Muito bom.
— Porque você não vem pra cá com mais frequência? — Ele perguntou e eu sentia seu olhar avaliador.
— Não tenho muito tempo livre.
— Feriados? — Ele continuou.
Dei de ombros, mudando de assunto. Eu também não sabia a resposta
— Podemos ficar aqui um tempinho? Nós não fomos pra Rússia, estamos adiantados, Carlisle não se importaria e eu não sei quando eu volto pra cá. — Eu pedi. Essa era a primeira vez que eu estava realmente pedindo algo para Edward, não mandando, nem nada. Eu estava querendo que ele quisesse.
Ele sorriu.
— Podemos ficar o tempo que você quiser. — Ele disse e eu sorri pra ele. — Na verdade, podemos ficar por aqui umas duas semanas, depois que acabarmos tudo, nós voltamos. Pelas minhas contas, devemos acabar perto do natal.
— Obrigada. — Eu disse, animada com a ideia. Ele me deu um sorriso torto bonito e eu voltei minha atenção na estrada.
— Jasper mora perto de onde vamos ficar? — Edward perguntou baixinho e eu dei uma longa risada, assentindo.
Na verdade, não era tão perto, mas era engraçado deixá-lo assim.
— Qual seu problema com Jasper? — Perguntei baixinho, apenas para ele escutar.
— Não é nada. — Ele disse dando de ombros.
— Você não gosta dele?
— Não é isso, é só que… Você não vai entender.
Eu ri.
— Não mesmo.
E então eu voltei minha atenção total à estrada. Eu tinha que entrar em uma dessas ruas, mas qual?
— Jasper? — Chamei.
— Vire na segunda direita.
E foi o que eu fiz. Depois de alguns quilômetros, parei na frente da casa de Jasper.
— Diga à Ingrid que eu passo aqui mais tarde, ok? — Murmurei olhando-o de relance, ele assentiu.
— Tchau pessoal, vejo vocês mais tarde. — Ele disse saindo do carro e levando sua pequena mala.
— Ok, pessoal, lá vamos nós. — Eu disse recolocando meus óculos escuros que eu havia prendido na blusa.
Voltei a dirigir olhando ao redor. Eu costumava conhecer toda a vizinhança. Meus pais eram pessoas bem influentes por aqui. Todas essas coisas me traziam lembranças ótimas. A casa dos meus pais era um pouco afastada das demais. Papai sempre gostou de ter privacidade, então nossa casa era um pouco separada. Diminuí a velocidade quando percebi que estávamos chegando e algum tempo depois estávamos em frente da casa onde eu passei toda a minha infância.
A casa era enorme. Mamãe sempre quis morar numa dessas casas, então meu pai não poupou dinheiro ao encontrar essa casa. Tinha tudo que os dois amavam. Era mais uma casa de campo. Tinha milhões de cômodos que nunca tinham sido usados, mas estavam perfeitamente decorados.
Estacionei na frente da casa com um sorriso tímido. Não eram todos que conheciam nossa casa em Londres. Era a nossa casa, então nossos visitantes eram bem seletos.
— É, chegamos. Bem vindos à minha casa.
Saí do carro, levando minha bolsa. Corri meus olhos pelo local, estava tudo em seu devido lugar. A piscina, a casa na árvore, o lago, o jardim, a horta da vovó. Tudo.
— Você morava num castelo? — Emmett perguntou olhando em volta e eu ri.
— Mamãe gostava de espaço. — Murmurei dando de ombros. — Vamos entrar antes que eu congele.
Andei rapidamente até a entrada, subindo as escadas e tocando a campainha. Estava insuportavelmente frio. Edward, Emmett e Alice estavam do meu lado. E, segundos depois, Maria, a governanta, abriu a porta e sorriu ao me ver nos deixando entrar. Dei um longo abraço nela.
— Estava com saudades, você deveria ir morar comigo. — Eu murmurei quando a soltei. — Ah, Maria, esses são Edward, Emmett e Alice…
Ela sorriu para eles.
— Eu sei quem eles são, vocês fazem algum sucesso aqui.
— Ouço vozes conhecidas, parece de uma filha que eu tinha, lembra dela, Maria? — Minha mãe disse chegando perto de nós. Sorri indo até ela e dando-a um abraço. — Sua pequena desnaturada, nós conversamos depois, agora me apresente os seus amiguinhos.
Ri um pouco apresentando os três, ela os cumprimentou.
— Então você foi a santa que aguentou Isabella durante todos esses anos? — Emmett perguntou rindo.
Minha mãe gargalhou.
— Já estou de passagem comprada para o céu apenas por aturar essa mocinha. — Ela brincou e seus olhos caíram em Edward. — Ei, eu conheço você.
— Me conhece? — Ele perguntou confuso.
— Claro que sim, você é Edward Cullen. É claro, como eu não me lembrei disso? — Ela bateu na testa. — Vocês estão nas revistas e na internet e na…
— Cadê meu pai? — Perguntei interrompendo-a.
— Ele foi à cidade, deve chegar para o jantar. Leve eles até os quartos, vou mandar Richard pegar as suas malas e levar até vocês.
Eu assenti subindo as escadas com eles ao meu lado. Os deixei no mesmo andar do meu quarto. A casa era grande e eu não ia arriscar os perder de vista. E então entrei no meu quarto. Mamãe havia o redecorado e eu ri por isso. Ela deveria ter ficado exultante por tirar todos aqueles pôsteres das paredes e recortes de jornais de cada modelo que eu gostava. No lugar dos pôsteres, havia fotos minhas. Diversas. De cada época da minha vida. De cada campanha. Numa estante no cqnto, tinha todas as edições da Vanity Fair desde que eu entrei na revista. A decoração do quarto era perfeita, minha mãe me conhecia como ninguém. Também tinha algumas fotos minhas quando eu era menor. Fotos da minha avó, do meu pai, da minha mãe, da minha família. Fiquei um tempo as olhando e tomei um ligeiro susto ao ver Richard deixar minhas malas no quarto. Me apressei em falar com ele. Richard era o marido de Maria, eles se conheciam desde criança. Assim que Richard saiu do meu quarto eu entrei no chuveiro, disposta a tomar um banho quente e ir até Alice resolver os detalhes da sessão.
A sessão de Londres era segredo escondido a sete chaves. A única coisa que eu sabia era que seria Alice a mentora e que eu e Edward seríamos os modelos. E eu só descobri depois que aceitei entrar nessa viagem.
Saí do banho colocando a primeira calça e a primeira blusa que eu tirei da minha mala e me apressei pegando meu celular e indo até o quarto de Alice. Dei duas batidas e ela deixou que eu entrasse.
— Estou curiosa sobre a sessão. — Admiti. Alice estava sentada em cima da cama com seu computador aberto e todas as suas milhões de revista anteriores em cima da cama.
Dei um olhar confuso a ela. Ela não iria jogar essas revistas fora?
— Fique bem aí. — Ela alertou e eu parei. — Melhor, já sei, vá até o quarto de Edward e o arraste até aqui. Não quero ter que repetir tudo. E eu preciso de tempo.
— Tudo bem. — Concordei ainda avaliando-a. Saí do quarto e entrei na porta ao lado sem nem bater. Edward não estava no quarto e eu ouvi o barulho do chuveiro. Deitei na cama para esperá-lo.
Esse estava sendo um longo dia. Deveria ser umas cinco horas no máximo em Londres e eu percebi que nem havia almoçado. Peguei meu celular ligando para Rosalie. Sem sucesso. Caixa de mensagens. Tinha alguma coisa acontecendo e eu ia descobrir. A porta do banheiro abriu e Edward saiu de lá apenas de cueca box preta e puta que pariu que cara gostoso. Eu ia ter essa reação sempre ao vê-lo? Isso precisa parar. Ele aparentemente tomou um susto ao me ver.
— Você me assustou. — Ele reclamou indo até sua mala e procurando alguma coisa. — Sua mãe não se parece muito com você. — Ele comentou enquanto colocava uma blusa preta de manga.
Eu ri do fato da minha mãe ser loira e ter olhos azuis.
— Eu sei, não tive muita sorte.
— Seu humor parece melhor. — Ele disse cruzando os braços e me fitando.
— Você já pode colocar uma calça… — Eu reclamei revirando os olhos.
Ele deu de ombros.
— Você precisa almoçar pra ver se toda essa irritação passa.
— Não estou mais irritada, precisamos trabalhar. Alice está nos esperando.
Ele fez uma cara de preguiça, mas voltou até sua mala e se enfiou numa calça também preta. A merda toda era que Edward quando estava vestido completamente de preto conseguia ser mais gostoso ainda. Levantei da cama logo saindo do quarto e ele veio atrás de mim. Entramos no quarto de Alice e ela nos mandou sentar em duas cadeiras. Na mesma hora eu soube que ia me arrepender muito de ter aceitado toda essa viagem.
— Ok, vamos lá. Não quero nada demais não. É apenas um ensaio de estúdio com você usando um Valentino vinho e Edward, bom, quem se importa? Eu vou fazer tudinho. Vocês não precisam se preocupar. E o resto é segredo. Nessa semana vocês vão ser apenas meus modelos. E só vão ver o artigo depois de impresso.
Alice mantinha um sorriso nos lábios quando acabou de falar.
Revirei os olhos.
— É bom estar no poder, não é? — Eu perguntei entediada.
— Demais. — Ela respondeu.
— Uma semana de descanso. Que maravilha. — Edward comemorou.
É, talvez isso servisse para algo.
.
Depois que saí do quarto de Alice, eu desci para almoçar — eu estava com mais saudade da comida daqui do que qualquer coisa — e passei na casa de Jasper para falar com Ingrid. Fiquei lá por pouco tempo, eu ainda tinha um artigo a fazer. Quando cheguei em casa não passava das nove da noite e eu ouvi vozes na sala de jantar. Estavam todos na mesa, incluindo meu pai. Abracei-o pro trás e ele se assustou.
— Eu já sou um homem velho, você não deveria me dar susto.
Eu ri e sentei na mesa ao lado de Emmett. Recusei o prato quando foi oferecido à mim.
— Não, obrigada, Ingrid me fez comer bastante. — Eu disse rindo.
Mamãe assentiu, compreendendo.
— E então, como está a viagem? — Meu pai perguntou.
— Como você acha que está? Eles não são as três melhores pessoas do mundo. — Murmurei revirando os olhos.
Meu pai já os conhecia bastante por causa de Carlisle e sabia da minha implicância com os irmãos Cullen.
Todos riram.
— O esforço é todo nosso. — Edward disse do outro lado da mesa e eu chutei sua perna por baixo da mesa. — Isso doeu.
— É pra doer mesmo.
— Tem alguém com saudade de mim aqui? — Ouvi uma voz conhecida e fechei a cara. Ouvi Emmett murmurar “Rosie” e, se possível, minha cara se fechou ainda mais.
Rosalie apareceu na sala de jantar e eu quase não a reconheci. A cor loira do seu cabelo foi substituída por um castanho escuro e os longos fios foram cortados no ombro. Eu a havia visto antes de começar a viagem, como ela tinha decidido fazer isso do nada?
— Não sei, talvez Emmett, porque eu tinha uma prima, mas ela deixou de ser minha prima quando parou de atender minhas ligações. — Eu murmurei cruzando os braços.
Ela riu.
— Sua boba. Eu ia fazer uma surpresa pra você hoje no aeroporto, mas não consegui sair do hospital. — Ela se explicou me abraçando.
Ela deu um sorriso pra Emmett e sendo do meu lado.
— Quando você fez isso no cabelo? — Perguntei o tocando ainda não acostumada em ver.
— Essa semana. — Ela respondeu rindo.
— Está linda. — Emmett disse do meu lado, ignorando totalmente seu prato de comida. Ela sorriu pra ele.
Não segurei a cara de nojo.
— Precisamos conversar! — Eu disse a arrastando para fora do cômodo. A empurrei até a cozinha.
— Ai, Bells, o que foi? — Ela perguntou checando seus pulsos.
— O que foi? Como o que foi? O que é essa coisa entre você e Emmett? — Cruzei os braços, esperando uma explicação e sentei em um dos bancos.
Ela me deu um sorriso tímido
— Ele é um fofo. A gente se conheceu quando eu liguei pro seu trabalho e você estava em reunião e ele quem atendeu, ficamos conversando e “boom” nos aproximamos. Ele é tão lindo, Bells. Acho que estou apaixonada.
— O QUE? — Gritei exasperada quase caindo do banquinho. — Ele tem 27 anos, é um retardado, ele não serve pra você.
Seus olhos se reviraram.
— E daí? Mamãe e papai têm quinze anos de diferença. — Ela passou a mão no cabelo. — Além do mais, eu tenho certeza que ele não corresponde. Poxa, eu tenho o direito de ser feliz, eu posso fazer ele se apaixonar por mim também.
Olhei pra ela por um instante. Ela realmente parecia apaixonada. Suas bochechas estavam coradas e seus olhos brilhavam um pouco. Sem falar o quão agitada ela estava. Eu não podia fazer mais nada.
— Bells, eu cresci. — Ela disse me puxando de volta de meus devaneios.
— Eu sei. — Murmurei cansada. — Eu só quero te proteger.
Ela riu.
— Não preciso da sua proteção no momento, ok?
— Tudo bem.
Ela sorriu.
— Senti sua falta.
Não reprimi a careta.
— Mentira.
Ela revirou os olhos novamente, riu, deu uma piscadinha e virou as costas voltando para a sala de jantar, mas antes que ela saísse totalmente, eu a chamei e ela me olhou por cima do ombro. Então eu respirei fundo e disse logo antes que eu me arrependesse:
— Eu ouvi uma conversa dele com Edward, ele também está apaixonado. — Rosalie riu.
— Obrigada por isso.
E então ela saiu do cômodo me deixando completamente sozinha.
Suspirei, tentando assimilar a ideia e depois de beber um copo d’água voltei para o cômodo. Rosalie havia pegado meu lugar, então fui obrigada a me sentar ao lado de Edward. A conversa na mesa era agradável. Rosalie contava como havia sido seu dia e estavam todos imersos nas histórias do que ela passava no hospital. Essas histórias costumavam ser bastante divertidas, mas hoje eu não pude prestar atenção no que me prima falava. Involuntariamente, eu deixei meus olhos sobre ela. Ela havia crescido tanto. Não pude deixar de pensar no que ela havia dito pra mim alguns minutos atrás. Crescer é realmente necessário e ninguém pode fazer isso pela gente. Enquanto eu divagava sobre os últimos acontecimentos, senti uma mão apertar minha coxa sob a mesa e dei um pulo pelo susto. Olhei ao redor e todos pareciam estar imersos demais em Rosalie e não perceberam o que havia ocorrido.
Levei meus olhos para o dono da mão que me olhava com um misto de curiosidade e preocupação.
— O que houve? Você está tão dispersa… — Ele comentou baixinho.
Dei de ombros.
— Estou pensando… — Admiti. — Rosalie me deu coisas demais pra pensar. Eu provavelmente vou passar algum tempo tentando assimilar essa situação.
Ele me olhou confuso.
— Que situação?
Dei um suspiro longo e olhei pra Rosalie e Emmett. Sua mão começou a acariciar minha perna.
— Rosalie e Emmett. Eu sinto que ele vai render a ela algumas crises de choro, noites mal dormidas e muita dor de cabeça. Eu apenas tenho que parar de super proteger ela. — Sorri. — Isso é complicado, mas eu tenho que deixar ela viver sua própria vida e não me meter, apenas estar lá pra apoiá-la e ajudá-la sempre que necessário.
Voltei a olhar para Edward e ele me deu um sorriso torto de presente.
— Maldita controladora. — Ele sussurrou e eu dei uma risada baixa.
Senti um par de olhos faiscarem na minha direção e eu olhei na direção de seus donos. E lá estava Rosalie com uma sobrancelha arqueada e um sorriso questionador nos lábios e, depois de séculos, me senti corando. Rosalie havia me pego no flagra, seu olhar ficou em mim por milésimos de segundos e depois ela os direcionou para meu pai que falava algo totalmente aleatório.
— Você está corando? — Edward perguntou divertido. — Não acredito nisso.
Bufei baixinho. Rosalie iria me pagar por me deixar com o rosto da cor de um porco. Senti um pequeno bico se formar em meus lábios e relaxei na cadeira. Edward com certeza iria usar esse fato contra mim em algum momento. Céus, eu não corava há séculos porque deveria acontecer na frente de Edward? Lutei para prestar atenção na conversa casualmente calma na mesa e não na mão do homem ao meu lado massageando a minha perna.
Percebi que a conversa girava em torno da nossa viagem. Alice estava animada contando os detalhes. Emmett e Rosalie aparentemente haviam sido imersos numa espécie de bolha. Aos poucos as pessoas foram levantando da mesa. Papai e mamãe foram os primeiros, eles iriam a algum evento beneficente. Rosalie e Emmett foram depois. Saíram da mesa com sorrisos cúmplices que me deram náuseas. E então Alice se foi dizendo que odiava ser empata foda.
— Alice, meu celular está na mesa de cabeceira do meu quarto. — Eu disse antes da garota sumir completamente no local. Ela me olhou confusa. — Minha lista de contatos é bem grande…
Eu sussurrei Jasper e ela deu uma piscadela pra mim saindo da sala de jantar. Quando ela estava longe olhei pra mão de Edward que ainda estava na minha perna e a empurrei.
— O que significa isso? — Perguntei irritada.
Ele riu e se levantou.
— Outra coisa para você pensar sobre…
E então ele saiu do cômodo também.
Merda… Era só o que faltava.
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Saí do banheiro enrolada a uma toalha enquanto respondia alguns emails. Eu havia resolvido esfriar um pouco a minha cabeça depois de “torrar” meus neurônios pensando. Minha cabeça explodia e depois de um bom banho de espuma, eu estava melhor. Fui direto para o closet colocando a primeira lingerie que eu encontrei. O quarto estava quente devido ao aquecedor estar ligado e eu resolvi dispensar o meu pijama. Voltei para o quarto ainda presa no email que eu havia recebido. Era de Jacob, ele falava sobre algumas revistas que eu havia pedido, mas eu não havia pedido revista alguma.
Stereo Hearts — Gym Class Heores (ft.Adam Levine)
— Wow! Bela recepção. — Ouvi uma voz rouca perto de mim e soltei um grito alto derrubando meu celular no chão.
Edward estava deitado na minha cama com um sorriso torto no rosto.
— Edward sai do meu quarto! — Gritei irritada pegando meu celular do chão.
Ele riu, mas não se moveu. Respirei fundo.
— Temos um problema muito grande para resolver.
— Problema? Que problema? — Perguntei confusa.
Edward me deu um de seus sorrisos tortos. Merda, ele era tão bonito que me dava raiva. Ele simplesmente tinha esse poder de parecer impecável de qualquer maneira e isso só me deixava mais atraída por ele. Pisquei algumas vezes tentando recobrar o foco e reparei que em cima da minha cama havia milhares de papéis espalhados.
Peguei meu celular do chão e me aproximei um pouco me debruçando na cama para ter uma vista melhor do que os papéis se tratavam. Eu não conseguia ver muito bem, mas me parecia ser alguns contratos e paginas de jornais.
— Temos um outro problema agora, maior e mais emergencial… — Ele disse depois de soltar um suspiro profundo.
O olhei confusa.
— Você já pode me explicar o que está acontecendo, Cullen…
Ele deu uma risada rouca e passou seus olhos pelo meu corpo.
Merda, eu estava apenas de calcinha e sutiã. Com o susto que ele havia me dado eu tinha esquecido totalmente desse detalhe.
— Você só está deixando isso pior nessa posição.
Revirei os olhos e me pus ereta buscando por alguma roupa jogada pelo quarto. Localizei uma das minhas malas abertas ao lado da cama.
— Concentre-se no problema número um… — Eu disse enquanto ia até a mala.
Mas antes que eu fizesse a menção ir em direção da mala eu já havia sido agarrada pelo braço e tinha o corpo de Edward em cima do meu. Uma perna em cada lado do meu corpo e as mãos segurando meus pulsos. Ofeguei pelo susto.
— Merda, Edward, me larga. Eu não sei o que está escrito nesses papéis, mas pela quantidade deve ser algo grave…
Ele riu. Seu rosto a milímetros de distância do meu.
— Talvez… Mas primeiro você tem que dar um jeito no problema que você arranjou… — E então ele se moveu e se colocou de um modo que eu pudesse sentir toda a sua ereção. Mordi os lábios para conter um gemido.
— Eu te odeio. — Choraminguei quando ele começou a beijar meu pescoço. Eu já estava rendida. Meus olhos se fecharam automaticamente e minhas mãos relaxaram no aperto de Edward.
Edward percebeu isso e com uma risada curta e baixa atacou meus lábios soltando meus pulsos. Minhas mãos rumaram no mesmo milésimo de segundo que foram soltas para o cabelo dele. Edward me puxou para que pudéssemos nos acomodar melhor, sem nunca soltar nossas bocas. Nossas intimidades se tocando cada vez mais. Nós nos engolíamos aos poucos e eu soltei um gemido de descontentamento quando ele separou nossas bocas. Mas, logo esse descontentamento foi substituído por um gemido alto quando Edward soltou meu sutiã e atacou meus seios.
E ele fazia isso tão bem. Eu poderia soar clichê, mas era impossível manter a postura blasé ao sentir o ruivo chupando meus seios, eu não sabia onde ele havia aprendido isso, mas homem nenhum até hoje havia me feito delirar tanto como Edward.
Senti uma mordida fraca em um de meus seios e não consegui conter um gemido alto. Edward tirou a boca dele no mesmo instante e me olhou com a cara mais séria que eu já tinha visto durante o sexo e merda, perca total pra minha calcinha. Essa ruguinha entre as sobrancelhas dele não o deixou falar, porque ela foi o principal motivo para eu atacar sua boca.
— Bella… — Ele falou algo, mas eu não consegui me concentrar, pois minha atenção estava voltada pelo modo como ele me chamava de Bella. Eu não me importava se era apelido de criança e que nós havíamos tido diversas brigas por esse apelido. Eu apenas queria que ele repetisse e repetisse.
Puxei a blusa dele para cima e a calça para baixo. Eu precisava o sentir dentro de mim. Sexo oral era importante e bom pra caralho, mas eu precisava sentir Edward todo dentro de mim o mais rápido possível. Todo o tesão acumulado havia se juntado e agora eu precisa como nunca de Edward me fazendo gemer. Quando Edward estava apenas de cueca fui atacada novamente.
— Camisinha? — Perguntei e ele soltou um gemido frustrado. — Você vem pro meu quarto, me seduz e não traz camisinha?
Ele soltou uma gargalhada alta e fez a menção de se levantar.
— Está no bolso da calça, bobona, mas você estava com tanta pressa que não deu tempo de tirar de lá.
O rodeei com as pernas impedindo-o de se mover.
— Foda-se a camisinha. Só me fode. — Ele arqueou a sobrancelha. — O que?
Ele atacou minha boca novamente e, segundos depois, nada mais separava nossos sexos. Nenhuma peça de roupa, espaço ou ar. O membro de Edward me preenchia de uma forma surreal. Merda de homem gostoso. Tão logo dentro de mim, Edward começou as estocadas. Fortes, rápidas, precisas e intensas. Preenchendo todos os cantos possíveis. Minhas unhas afundaram em suas costas no exato momento em que Edward alcançou o místico ponto G. Nossos gemidos se misturavam e rodavam pelo quarto. Agradecendo o isolamento acústico do meu quarto e de todos os cômodos da casa, eu me permiti não me segurar. Edward fazia tão bem e quando tomou minha boca nossos gemidos passaram a sair juntos. Como se fossemos um só, uma única fonte de gemidos e prazer. Todos – ou quase todos – os papéis que Edward tinha trago consigo haviam caído no chão. Eu não estava preocupada com isso no momento. A única coisa que me importava era do meu mais novo adorado apelido saído dos lábios de Edward. Porra, isso era muito sexy. Todo o medo e a hesitação do inicio haviam sumido, no lugar deles apenas o prazer que Edward estava me proporcionando naquele momento. Sexo com Edward me deixava a beira de um surto. Quando Edward tocou novamente no meu ponto G senti minhas paredes se contraindo e ao terceiro toque, meu clímax fora atingido. Edward veio logo depois, exatamente cinco estocadas depois, o modo como ele se deitou por cima de mim era tão sexy que eu ataquei sua boca novamente e o empurrei ficando por cima, seu peso estava começando a me incomodar. Deitei minha cabeça em seu peito tentando recobrar minha respiração.
— Puta merda, Bella. — Soltei uma risada baixa. — Eu não sei como você faz essa coisa de me surpreender, mas, por favor, continue fazendo.
Eu queria montar em Edward de novo, mas a única rodada que eu aguentaria no momento seria de sono. Então, aos poucos eu me vi ficando inconsciente.
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Acordei no meio da noite me sentindo quente. Eu não sabia se isso se devia ao fato de o aquecedor estar ligado, ou pelo fato de eu estar vestindo uma calça de moletom e uma blusa de manga, ou também por eu estar enfiada em baixo de um dos meus grossos edredons de lã. Mas suspeitava que a culpa era todo do exagero de Edward. Eu estava morrendo de calor. Sentei na cama sentindo falta do idiota que havia dormido comigo algumas horas atrás e o encontrei sentado em cima de um tapete fofo ao lado da cama super concentrado nos papéis que ele havia trago mais cedo. Fiquei ali, o observando por um tempo e lutando com a preguiça de levantar e ir ver qual era o problema que ele se referia mais cedo.
— Edward… — Chamei o fazendo virar para mim com um de seus sorrisos cansados. — Desculpa, caí no sono. Vou te ajudar. O que houve?
Desci da cama me livrando dos milhões de cobertores e sentindo um alivio quase que imediato. Odeio calor. Sentei ao seu lado, não sem antes passar pela escrivaninha e pegar meus óculos de leitura e arrancar as calças que eu vestia. A blusa que eu usava era de Edward e batia quase nos meus joelhos.
— Ainda bem que você está mais relaxada. — Ele disse e eu gargalhei. — Só tenta não surtar, ok? — Assenti, já com medo. — Hm… Lembra de quando fizemos o pessoal todo assinar um contrato de confidencialidade para que as informações não saíssem para imprensa e tal?
Assenti novamente prevendo o que havia acontecido. Meus olhos se fecharam em fendas.
— Jéssica…? — Comecei e ele arranhou a garganta coçando a cabeça e despenteando ainda mais o cabelo.
— Hm, sim. Mas, ao que parece, ela não era a única. Havia três pessoas que ainda não tinham entregado os contratos assinados. Tudo indica que as informações vazam da filial daqui de Londres. Jacob anda investigando, temos a lista de todos os funcionários que ainda não entregaram esses contratos e que, portanto, podem dar informações para qualquer outra revista. — Ele suspirou.
— Edward, isso aconteceu?
Suas mãos voaram pelos seus cabelos revoltos.
— Não, quer dizer, sim… Todos já sabem, mas os detalhes eles não tem. Carlisle conseguiu contornar, e fez com que isso já estivesse programado, teríamos que enviar informações a qualquer momento. O problema todo é que ainda tem gente que não podemos confiar…
Fiquei um tempo tentando assimilar o que se passava. Acho que fiquei tempo demais na mesma posição porque, depois de chegar a um senso comum cerebral, pisquei repetidas vezes e me espreguicei.
— Pensei que você tinha entrado em coma… — Edward murmurou depois de um tempo. Meus olhos nas revistas no canto do quarto. — Aquilo não é nada. São as revistas que Alice pediu. Eu as trouxe porque achei que você gostaria de ler, essa semana vai ser um pouco entediante para você…
Sorri agradecida. Todo meu estresse havia voltado.
— Jacob está vindo resolver, não se preocupe.
Neguei com a cabeça.
— Não, Edward, Jake não precisa vir. Eu vou resolver isso. Vou hoje mesmo naquela droga de lugar e só saio de lá quando descobrir como essas informações vazaram.
Edward tentou argumentar, mas, no fim, acabou desistindo.
— Esteja pronto às 7 da manhã. Vou ter que me controlar muito pra não matar um por um naquela corja.
Ele me deu um sorriso malicioso.
— Então quer dizer que o estado de espírito da gatinha selvagem está de volta? — Edward fez graça e eu revirei os olhos. — Ih, então vamos ter muito trabalho para tirar todo esse estresse de você de novo mais uma vez.
E então, eu fui jogada na cama e atacada por Edward. Nós transamos mais duas vezes, as duas rodadas de sexo mais intensas, exaustivas e prazerosas que eu já tive e então caímos de cansados na cama em busca de um descanso físico e mental. Não sem antes eu colocar o despertador para despertar as 6 em ponto.
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Antes das seis eu já estava de pé. Escolhi um vestido a dedo. Exatamente como os sapatos, acessórios e a bolsa. Eu precisava estar impecável hoje. Depois de um banho de espuma agradável que serviu para aliviar a pontinha de dor que eu sentia nas pernas decorrente ao esforço que eu havia feito durante a madrugada, fui acordar Edward. O idiota ainda não tinha tido a decência de se levantar. Estava jogado de qualquer jeito na cama desde que eu pulei da cama.
Quando voltei ao quarto, Edward não estava mais lá e agradeci aos céus por isso. Eu estava realmente pensando em jogar um balde de água fria nele. Me maquiei, sequei meu cabelo deixando-o com uma aparência despojada e me arrumei. Meu vestido Alexander McQueen me deixava elegante o suficiente para fazer com que qualquer palavra suja que saísse da minha boca hoje, saísse com requinte. Com uma pontualidade britânica, exatamente 7 horas da manhã eu descia as escadas com meu querido e fiel Louboutin preto, óculos escuros e blazer Hermes. Minha bolsa Gucci pendurada no braço pesava uma vida por conter todos os documentos que Edward havia deixado no meu quarto.
Parado ao lado da escada com os olhos praticamente fechados, os cabelos mais rebeldes do que nunca e um bico enorme, estava Edward. A definição de uma criança sonolenta, mesmo assim, parecia impecável. Maldito. Como ele conseguia fazer isso? Nas mãos havia um enorme copo de café que me fez rir. Edward detestava café. Ele fez uma careta ao levar o copo na boca que me fez rir ainda mais.
— Você vai precisa de mais desse, hoje o dia vai ser bem longo.
Ele soltou um muxoxo e saímos de casa em direção ao meu carro. Ok, não era exatamente meu carro, uma vez que era alugado, ainda assim, era como se fosse meu. Edward não reclamou quando eu abri a porta do motorista. Apenas se jogou no banco do carona. E, antes de eu sequer dar partida no carro, ele já estava dando partida no sono. Esse homem era uma figura.
Com auxilio do GPS, dirigi até a Vanity Fair sem problemas. Eu havia trabalhado aqui por algum tempo, depois fui transferida para a filial nova iorquina, então, lembrava um pouco do caminho. Edward foi dormindo como uma pedra. Acordando uma vez ou outra e dormindo novamente. Se não fosse tão engraçado, seria uma das cenas mais fofas que eu já vi.
Quando estávamos entrando no estacionamento, acordei Edward. Ele parecia bem melhor depois dessa hora de sono. Deixei o carro em uma vaga aleatória e desci junto com Edward.
— Ok, qual é o plano? — Edward perguntou fazendo a cara de nojo mais engraçada que eu vi na vida ao bebericar o café.
— Enquanto você sobe e acha os funcionários da lista e os leva até a sala da Carmen, eu ando por aí procurando informações. Quando todos estiverem lá você me manda uma mensagem e eu me controlo para não matá-los. — Eu disse colocando os óculos de sol que eu havia tirado ao dirigir.
Ele balançou a cabeça.
— Você é tão mandona. — Revirei os olhos. — E fica tão gostosa desse jeito.
E então ele arrancou um beijo da minha boca me deixando sem fôlego e se afastando deixando um selinho nos meus lábios e caminhando até a porta.
Maldito homem quente.
Depois de arrumar minha maquiagem que o homem das cavernas (leia-se Edward) fez questão de borrar, entrei na editora sentindo um peso enorme nas costas. Eu precisava resolver isso logo. Tive minha entrada liberada assim que me reconheceram e subi até a sala de Carmen deixando minha bolsa lá. Depois de uma rápida conversa com ela decidi encontrar pistas. Isso era excitante. Soltei uma risadinha baixa enquanto andava pelos corredores.
A primeira pessoa que eu ia procurar era Lauren McGuire. Ela era diretora de marketing. Entrei no elevador e logo estava na ala de marketing da editora. Recebi alguns cumprimentos e elogios dos funcionários e sorri ao encontrar a secretária de Lauren sozinha. Ponto pra mim. Me aproximei sorrindo. A garota nova de olhos escuros e um gosto por roupas muito duvidável levou seus olhos até mim. Um lampejo de medo passou por eles.
— A senhorita quer falar com a Srta. McGuire?
Dei meu sorriso mais doce e neguei com a cabeça encostando-me em sua mesa.
— Não, com você mesmo, querida. Qual seu nome?
Hesitante, ela murmurou um “Amanda”.
— Olá, Amanda. Eu gostaria de fazer algumas perguntas para você sobre a Srta. McGuire, você se importaria em responder.
— Claro que não. — Ela se apressou a responder.
— Ótimo… Você trabalha com ela há muito tempo?
— Não muito, estou aqui há um ano. — Ela disse ainda hesitante.
— Entendo… E você gosta daqui? Esse lugar me parecia um pouco sombrio quando eu trabalhava aqui, mas eu adorava, sabe? — Eu disse tentando dar segurança à garota.
— Adoro. — Ela mentiu.
Eu ri.
— Está estampado na sua cara o contrário, querida. Vamos lá, me diga a verdade, porque está aqui no meio desse covil de cobras? Eu aposto que você acha tudo isso aqui futilidade. Principalmente a Srta. McGuire, devo confessar que você não é a única achar isso daquela loira aguada. — Eu ri.
— Na verdade, eu sou formada em jornalismo… — Ela começou hesitante.
— Sério? Eu também! Então, você, como uma boa jornalista, fica atenta aos detalhes, não é? — Perguntei e ela assentiu animada. — Então você deve ter reparado caso a Lauren tenha recebido alguma ligação estranha esses meses. Alguma ligação da Vogue, ou de alguma revista de fofoca…
Ela pensou um pouco.
— Não sei muito bem, mas ela anda um pouco misteriosa sim. As vezes se tranca na sala dela com a Melanie, do editorial, e ficam horas e mais horas. Recebem milhões de ligações e é sempre de uma mesma pessoa.
— Obrigada, Amanda. Vou lembrar de você! — Eu disse ainda sorrindo e indo em direção à sala de Lauren. — Não precisa me anunciar, estou certa de que Lauren não se importará.
Mandei uma breve SMS para Edward dizendo para ele ir atrás de Melanie o mais rápido possível. Entrei na sala de Lauren McGuire depois de depositar duas rápidas e firmes batidas na porta. Ao colocar os pés na sala de Lauren dei de cara com Tanya Denali sentada ao seu lado no pequeno sofá ao lado da janela.
Realmente aquilo ali estava virando um covil.
— Isabella? O que está fazendo aqui? — Lauren disse assustada ao me ver entrar.
Como eu sabia que ia acontecer, as duas loiras me olharam dos pés a cabeça e eu cruzei os braços com a sobrancelha arqueada.
— Gostaram do que viram ou preciso dar uma voltinha? — Debochei. — Tanya, querida, você poderia nos dar licença? Há algo muito importante que eu preciso falar com Lauren.
A loira morango deu um sorriso falso e se despediu da outra loira. Mas, antes de sair, Tanya parou na minha frente hesitante e me lançou um olhar esperançoso que quase me fez dar um passo à trás.
— Edward também está aqui? Faz tempo que nós não nos encontramos, estou morrendo de saudades… — Ela disse sorrindo.
Me segurei para não vomitar em cima dela. A falsa doçura que ela representava me dava náuseas.
— Sei lá, segue seu faro, há coisas realmente importantes na qual eu só posso tratar com a Srta. McGuire. — Eu disse sendo o mais blasé possível. Eu, como uma pessoa ciumenta e possessiva, não estava disposta a dividir nada com ninguém. Que dirá meu mais novo P.A. (n/a: P.A. é pau amigo, hehehehe).
Ela deu de ombros e saiu da sala tendo minha resposta como uma confirmação à sua pergunta.
— Então, Isabella, o que de tão importante você tem para falar comigo? — Lauren perguntou se direcionando ao seu lugar. Ela se sentou em sua cadeira com uma expressão superior que me deixou com preguiça.
— Bom, Lauren, pegue os últimos contratos que você assinou e me siga. — Eu disse com um sorriso impaciente e forçado nos lábios.
— Agora não vai ser possível, estou muito ocupada. — Ela fez pouco caso.
Eu dei uma gargalhada curta e me aproximei de sua mesa.
— Acho que você não entendeu. — Dei outra risada, um súbito bom humor me atingindo. — Eu estou mandando. Não estou pedindo. Estou mandando. Ou você faz o que eu mandei ou rua. Você escolhe. Te vejo em cinco minutos na sala de Carmen. E você sabe que eu sou britânica, não tolero atrasos, um segundo de atraso e você está fora. — Dei as costas para uma loira corada de vergonha e rumei em direção à porta, mas antes de sair disse: — Recomendo que corra e que não esqueça nenhum documento, porque além de não tolerar atrasos, eu não tolero falhas.
Sai da sala com um sorriso no rosto e corri – literalmente – para chegar à sala da morena mais falsa que eu conhecia. Apesar de ser uma ótima profissional, Melanie tinha um caráter extremamente duvidável e, quando eu comecei a trabalhar aqui, sempre batíamos boca. Não era algo como eu fazia com Edward, porque, mesmo que eu não concordasse e negasse, Edward estava certo e fazia o bem para a revista. Mas Melanie não. Melanie só via o que era bom para ela, assim, com a minha mudança para a América, a garota finalmente podia ter posto suas garrinhas pintadas de esmalte Chanel rosa bebê para fora. Assim como fiz com a secretária de Lauren, conversei um pouco com Janice, a estagiária de Melanie. Ela não sabia muitas coisas, mas me deu alguns envelopes endereçados à Melanie e que tinham origem desconhecida ou conhecida até demais. Isso era invasão de privacidade, eu sei, mas ninguém me prenderia por isso. Entrei na sala de Melanie e quase fiquei tonta com a quantidade de cores. Céus, quando as pessoas iam entender que menos é mais?
Os pequenos olhos castanhos da morena faiscaram na minha direção e eu, com um sorriso brincalhão, sentei à sua frente. Ela já sabia que eu estava aqui. Estava pronta.
— Olá, Melanie, como vai?
Ela bufou.
— Poupe-me, Isabella, me diga, o que veio fazer aqui? — Ela bramou com uma súbita coragem até desconhecida por mim que, em outras épocas, me faria recuar. Mas estamos em épocas diferentes e isso só alargou meu sorriso e incitou meu corpo para frente. Ela estava pronta? Eu estava mais que isso.
— Primeiro: Minha querida, abaixe o tom, você sabe muito bem quem eu sou, não fale comigo como se falasse com seus subalternos, você é minha subalterna, não ao contrário. — O rosto dela se retorceu em raiva, mas ela não questionou. Levantei e comecei a caminhar pela sala, a raiva estava concentrada nos meus Louboutins e eu rezava para que os saltos não quebrassem devido a força que eu fazia. — Segundo: não sei quem você acha que é para acreditar que ludibriaria pessoas como eu. Você pode até se mostrar convincente para todas essas pessoas daqui, mas não pra mim. Não se pode enganar um bom mentiroso, Melanie. E nem seduzi-lo. Há uma razão para que não tenha vindo Jacob, Carlisle ou até Edward aqui. Homens não são dissimulados o suficiente para lidar com mulheres falsas como você. Eles acreditariam em tudo que você proferisse assim que uma lágrima escorresse pelo seu rostinho de porcelana. — Sorri. — Por isso que eu estou aqui. Eu recomendo que você me acompanhe e que leve todos os seus contratos, não “esqueça” nenhum, porque você não é insubstituível. Espero você na sala da Carmen em, no máximo, dois minutos. E, você me conhece, sabe que não tolero atrasos. — Comecei a sair da sala, mas lembrei de algo: — Ah, antes que eu esqueça, recomendo que deixa suas desculpas esfarrapadas por aqui, porque contra provas, não há argumento no mundo que me faça voltar atrás. E eu recomendo que corra.
E eu sai da sala sem deixar tempo para uma reação da mulher. Ela era louca, vai que resolve me atacar. Peguei as cartas separadas por Janice e fui até o elevador me apressando para chegar à sala de reuniões. Ao chegar lá, despejei todas as cartas em cima da mesa e abri uma por uma. As primeiras não eram nada demais, então, aos poucos, eu fui me desestimulando. Mas, quando abri uma das últimas com o remetente de John Levine soube que havia encontrado o pote de ouro. Li, reli e li mais uma vez apenas para ter a certeza de que eu não estava lendo errado. Carlisle e Carmen teriam algum trabalho em reformular a equipe. Na carta continha o nome de todos os envolvidos no esquema. Melanie era a nova editora chefe da Wamies magazine, uma revista que mistura moda, fofoca e todas aquelas coisas que o povo gosta. Continuei abrindo as poucas cartas que sobraram, mas nenhuma era de grande importância como as demais. Então, carreguei ela comigo até a sala de Carmen, mas antes que eu chegasse na sala da minha amiga de longa data uma risada conhecida me despertou. Edward.
Assim como eu desconfiei Edward e Tanya saíram de uma sala completamente despenteados, amassados e gargalhando. Minha sobrancelha foi arqueada contra minha vontade e eu apenas cruzei os braços e esperei que eles percebessem que eu estava ali. Tanya foi a primeira. Seu olhar cruzou com meu e ela fingiu que nada havia percebido e se colocou na ponta dos pés para tentar arrumar a roupa de Edward. E depois o ruivo virou na minha direção e deu um sorriso amarelo como se nada tivesse acontecendo. Revirei os olhos.
— Desculpe atrapalhar o casal, mas preciso da sua presença Sr. Cullen e Tanya, é a segunda vez só hoje, não é? Recomendo que saia desse prédio o mais rápido possível, hoje é o dia das demissões sabe? E acho que você não vai querer que sobre pra você…
Edward franziu o cenho confuso. Patético e Tanya deu um sorrisinho maroto.
— Acho que Edward não me demitiria, não é Ed? — Ela soltou um suspiro alto e meu estômago se remexeu.
Ed?
Não reprimi uma gargalhada e voltei a andar.
— Acho que não é o Cullen que decide isso, não é Ed? — Dei uma piscadinha para os dois e continuei andando.
Era só o que me faltava. Ter que dividir meu P.A. com alguém. Homens são iguais. Todos eles. Acho que vou precisar de um novo. Minha vida anda estressante demais para eu viver sem sexo. Não é possível que nesse país todo não há ninguém que pague um boquete tão bem quanto Edward. É impossível. Quer dizer, ele precisa ter aprendido isso com alguém. Entrei na sala de Carmen fechando a porta com força e recebendo olhares de muitas pessoas. Que porra estava acontecendo aqui? Eu não tinha convidado todos os acionistas da revista. Isso só pode ser culpa de Edward. Agora vou ter plateia. Uma plateia gigantesca. Que maravilhoso. A sala emergiu num silencio total e mortal, cortado apenas pelo o bater dos meus saltos no chão.
Toc, toc, toc, toc.
Sentei na mesa de Carmen e observei o local. A sala de Carmen era enorme e era frequentemente usava como sala de reunião, uma vez que Carmen odiava ter que mudar de uma sala para outra. Todos os acionistas alinhados perfeitamente. Eram exatos cinco. Carlisle se odiava por serem cinco. Ele gostaria que não existissem acionistas minoritários. Era um modo de fragmentação, segundo ele. E, de certa forma, ele estava certo. Phil, Embry, Seth, Sam e Quil. Eles estavam conosco a tanto tempo que tínhamos uma espécie de relação de amizade. Principalmente com Embry. Ah, Embry. Talvez a ideia de trazer os cinco não fosse não abominável.
E então deixei meus olhos caírem sobre Melanie e Lauren. Havia mais duas garotas ao lado delas, mas eu não me importei muito. Pedi o telefone de Carmen e pedi que o RH preparasse a carta de demissão de todas as pessoas que estavam envolvidas. Embry fez o favor de levar os nomes para o RH. Fofo!
Edward entrou segundos depois. Seu olhar pesava mil quilos e estava direcionado a mim. Dei um sorriso.
— Que bom que resolveu se juntar a nós, Sr. Cullen. Fico feliz em saber que põe a empresa em primeiro lugar. — Ele ia falar algo, mas não dei chance. — Vamos começar a reunião? Tenho certeza que Embry não vai se importar em começarmos sem ele.
Todos se acomodaram na mesa. Enquanto eu assinava alguns papéis que Carmen havia pedido, o silêncio estava de volta. Edward também assinou. E depois todos que estavam na mesa. Pedi que as duas garotas, que eu não fazia ideia de quem fosse, saíssem da sala. Se elas tivessem algum envolvimento, estariam na lista. Assim que a última assinatura foi colhida, Embry entrou na sala. Com seu sorriso característico, sentou-se na cadeira e me deu um sorriso.
— Obrigada, querido, você é sempre muito gentil. — Eu agradeci, sincera. — Bom, acho que podemos começar agora né?
— Todos sabem porque estamos aqui, não é? — Edward falou. Continuei me recusando a olhar para ele. — Informações confidenciais vazaram. Essa não é a primeira vez que isso acontece. Pensamos que tudo havia acabado com a demissão da secretária da Srta. Swan, a Srta. Stanley, mas, ao que parece, tudo é muito mais grave. Temos motivos para acreditar que vocês duas estão envolvidas nesse esquema. Vocês tem algo a dizer?
A gargalhada de Melanie soou alta na sala.
— É sério isso? Façam-me o favor! Eu nunca faria esse tipo de coisa. A Vanity Fair é a minha vida. Todos sabem disso. Eu trabalho aqui há séculos, nunca faria esse tipo de coisa. Aposto que isso é coisa que a amável Srta. Swan faz questão de por na cabeça de vocês. Ela é uma dissimulada, vocês não conseguem enxergar? Ela manipula todos vocês. Eu não me espantaria caso ela tivesse vazado essas informações para culpar eu e a Lauren. Ela tem medo de nós duas porque sabe que nós não caímos na historinha dela. Ela nos vê como uma ameaça. Tem sido assim desde que ela pós os pés dela aqui nesse lugar.
Mantive com muito custo minha máscara de indiferença. Melanie era hilária e eu mal podia esperar para ver aonde isso ia chegar.
Era a vez de Lauren falar.
— Melanie está certa. A Srta. Swan só quer nos prejudicar. Ela sempre vem com esses discursos “eu estou certa e vocês tem que me obedecer” e todos caem. Sabe? Eu nunca entendi porque puxam tanto o saco dessa mulher. Ela não é nada demais. Só porque é uma modelo famosinha, tem paparazzi seguindo ela 24 horas e umas pessoas que não tem amor a vida e nem a conhecem e que ela chama de fã, que ela pode mandar em todo mundo.
— Isso… — Melanie concordou. — Esse é ponto que eu queria chegar. Isabella entrou na empresa muito depois de mim, ou de Lauren e quando o posto de diretora geral abre, ela é convidada para ocupar esse cargo? Faça-me o favor! Só porque ela é um rostinho bonito. Nem tão bonito assim, na verdade… — Ela deu uma risadinha. — Vocês precisam acordar. Não há nenhuma prova que sustente o que ela está falando. Ela sai acusando pessoas assim, só para estar sempre por cima. Aconteceu com Jéssica, quem disse que a Jéssica era realmente culpada? Não duvido que tenha sido outra das armações de Isabella para se estabelecer na editora. Qual vai ser o próximo passo? Engravidar de Carlisle tomar tudo o que é dele? Ou de Emmett que nem se importa com as ações que tem? Talvez virar lésbica e casar com Alice, sabe?, elas andam muito grudadas.
Edward fez a menção de falar algo, mas eu levantei a mão impedindo-o. Eu estava me divertindo demais.
— Mais algum ponto, meninas? — Eu disse parecendo blasé demais até para mim.
— Sonsa! — Lauren murmurou. — Não sei como Melanie pode achar que ela conseguiria seduzir algum Cullen. Também não sei como conseguiu se tornar uma modelo tão famosa. Pelo amor de Deus!
Esperei alguns segundos.
— Minha vez de falar? Eba! — Eu disse animada. — Quando eu era pequena, eu via minha mãe na televisão, nas revistas e em todos os lugares e sonhava com esse mundo. Na minha visão, o mundo da moda era composto apenas por príncipes e princesas que eram alinhados por fadas madrinhas e padrinhos e estavam sempre prontos para parecerem impecáveis diante dos olhos de nós, meros mortais. — Eu sorri com a lembrança. — O mundo que eu imaginava era um conto de fadas. Não tinha inveja, nem vaidade, luxúria, gula e nenhum dos sete pecados capitais. Era o mundo ideal. — Suspirei. — Mas, então eu cresci. E, cara, eu apanhei muito, fui derrubada demais. Acredito que se não idealizasse tanto essa indústria, eu teria chegado ao topo mais rápido. Eu fui derrubada tantas vezes. E no final, eu percebi que tudo estava errado. Os paradigmas que eu criei sobre esse mundo eram totalmente falsos e equivocados. O tempo me mostrou que o que move esse ramo não é o sonho, como eu pensava, e sim a inveja, a ganância, o desejo de estar sempre no topo, de derrubar as pessoas. Eu aprendi que o que comanda a indústria, não só da moda, como do entretenimento em geral, são os sete pecados capitais. Foi difícil chegar a essa conclusão, mas eu reparei que cada ação pode ser premeditada. Eu posso facilmente encontrar exemplos para cada pecado capital e posso aplicá-los agora, à nossa realidade. — Eu sorri e me levantei andando pela sala, andar estimula meu raciocínio, o torna mais rápido e preciso. — A luxúria se faz tão clara nesse caso que nem é necessário explicação, não é? Segundo pecado capital: gula. E gula, não em relação a comer, afinal devemos manter nosso corpo perfeito, livre de calorias. A gula na qual me refiro, é o desejo e apego às coisas matérias, as pessoas sempre querem mais do que precisam. Mais roupas, mais reconhecimento, mais fama, mais amigos. Mais. Sempre mais do que precisam. Porém, poucos entendem que menos é mais, não só na moda.
“Pecado capital número três: a avareza. O apego ao dinheiro. Ou vocês acham que elas se arriscariam a ser humilhadas e terem suas carreiras manchadas por alguns dólares? Pecado capital número quatro: a ira. Acho que a vingança é o que faz o mundo da moda girar. Constantemente, vemos pessoas derrubando e sendo derrubadas. É um ciclo, hoje você derruba, amanhã é derrubada. Próximo pecado: a soberba! Esse está tão óbvio. Acho que todos envolvidos nesse ramo sofrem desse mal. Todos somos orgulhosos demais, arrogantes demais. Afinal, tudo que é demais faz mal. A vaidade é o penúltimo pecado. Na verdade, a vaidade é um sinônimo de moda, uma vez que valorizamos demais, nos preocupamos demais em manter nosso físico, exaltamos os físicos. Isso é vaidade, mas também podemos chamar isso de indústria do entretenimento e da moda. E finalmente o último pecado capital: a preguiça. A preguiça nos impede de trabalhar duro no que queremos, nos esforçar de verdade. Derrubar as pessoas é tão mais fácil, poupa tanto tempo e esforço. Torna tudo mais fácil. No final, eu aprendi que no mundo da moda princesas, príncipes encantados, ladies e gentlemen não existem. Todos estão em busca do sensação de saciar o monstro interior, o monstro que detém os sete pecados. No final, não há mocinhas ou mocinhos, apenas vilões que matam e morrem todos os dias afim de calar esse monstro. E ao alimentarmos esse monstro, ele cresce e nos devora por dentro, nos contaminando totalmente com seus pecados capitais e nos transformando, de fato, em vilões. A moda é vaidade, apenas isso. É como se fosse uma feira, feira de vaidades. Como o nome da nossa revista!”
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!Eu sorri depois que acabei de falar. Eu recebia olhares engraçados e não fiz questão de entendê-los.
— Bom, agora vamos às provas. Acho que vou precisar de um advogado. — Fiz graça e pisquei para Embry.
— Ao seu dispor, lady Isabella. — Embry entrou na brincadeira e eu gargalhei.
— Bom, voltando. — abri a bolsa e joguei tudo em cima da mesa. — Todos esses documentos que o Cullen encontrou comprovam que há pessoas envolvidas, e, infelizmente, eu não sou uma delas. — Dei um suspiro triste. — E então, vocês foram as únicas que não entregaram os contratos de confidencialidade, logo, apesar de anti-ético, poderiam sair por aí espalhando para deus e o mundo tudo que sabem. Mas, como eu não gosto de acusar as pessoas sem provas. Eu encontrei algumas cartas endereçadas a você, Melanie, e…
— Ei, isso é crime, invasão de privacidade. — Ela me interrompeu.
Eu ri.
— Eu nunca disse que estava imune aos sete pecados capitais, minha querida. — Dei uma piscadela para ela. — Continuando, pedi que Carmen que tirasse xerox dessa carta assinada por John Levine. Vocês poderão levá-la para casa, sem problemas. Nessa carta mostra todos os envolvidos e explica que Melanie e Lauren estavam trabalhando para a Wamies Maganize, vocês não devem conhecer, eu também nunca ouvi falar. Enfim, Melanie, inclusive é a editora chefe deles. E o nosso contrato de exclusividade, Melanie?
E então a rodada de choro começou. Elas choraram, inventaram desculpas, me xingaram, me ameaçaram. Elas não paravam de falar. Olhei para o relógio e marcava quase cinco da tarde. Meu estômago dava cambalhotas de fome. A sala estava mais cheia. Os chefes do RH haviam trago dezenas de papéis para assinar. Além disso, Jerome Assad, o advogado da editora estava negociando com as duas. Eu não tinha nada a acrescentar no momento e apenas estava esperando o momento exato para demiti-las. Eu mal podia esperar. Senti os olhos de Edward queimando em mim e, antes que eu percebesse, me peguei retribuindo seu olhar. Seu rosto mostrava uma clara imagem de irritação. Idiota.
Ele moveu a boca falando algo. Eu não era especialista em ler lábios, mas havia entendido.
“Vá comer”
Dei de ombros e voltei à atenção aos cookies que Sam havia trago para mim e ao café requentado que Carmen havia me dado. Eu havia colocado meus óculos de grau e agora analisava os papéis que eu tinha que assinar.
5:45 e os cookies haviam acabado. Meu estômago não reparou isso e continuou esperando que algo descesse em sua direção, sem sucesso, devo acrescentar. Não era possível que eu fosse a única que estava entrando em morte por inanição. Não era possível.
6:30 e eu levantei da cadeira indo até a lanchonete. Comprei todos os tipos de doce possível, além de comprar um café novo. Infelizmente, eu não era duas e tive que engolir tudo rápido para voltar à sala a tempo. Edward fez a menção de levantar quando eu saí, mas eu o enviei o olhar mais irritado que eu consegui e ele retornou à sua posição inicial. Ainda assim, levei alguns doces e exatos vinte minutos depois eu entrava na sala e encontrava a sala no mesmo estado.
Deixei os doces para os meus colegas que quase beijaram meus pés em agradecimento e voltei minha atenção ao que estava ocorrendo. Aparentemente, não foi feito um acordo, elas queriam demais. Então, coube a mim a tarefa de demití-las. Assinei o papel quase pulando de alegria. E quando olhei para ela uma última vez, alimentei meu monstro vingativo e disse:
— Vocês tem duas horas para pegarem todos os seus pertences e sumires daqui. A partir de hoje vocês estão terminalmente proibidas de entrarem nessa editora, ok?
Aos poucos todos foram saindo. Primeiro, Lauren e Melanie e depois o pessoal do RH. Jerome correu dizendo que a filha iria matá-lo caso não comparecesse ao seu recital de balé. Os acionistas também foram rápidos ao se despedirem, voltariam para terras americanas ainda hoje. Embry me deu um sorriso e disse que me ligaria, eu iria precisar de alguém entre as minhas pernas e porque não ele? Nós tivemos um caso uma vez, nada demais. Mas ele era muito bom no que fazia. Não era um Edward. Mas era o mais próximo que eu havia conseguido.
Ficamos apenas eu, Carmen e Edward. Carmen nos lotou de trabalho. Ela se desculpou, mas não era sempre que vínhamos para cá e enviar documentos de um lado para o outro era um caos, então havia pilhas de documentos acumulados. Ela nos ajudou o quanto pôde, mas quando o relógio dela soou 22h, ela se desculpou e disse que tinha que por o filho para dormir. Era fofo, admito. E então ficamos eu e Edward. Calados. Comendo algumas rosquinhas que ele havia trago. Eu estava faminta demais para aceitar, cansada demais para brigar. Quando li a última linha deixei minha cabeça descansar sobre meu braço um pouco.
— Bella, vamos, não durma.
Revirei os olhos.
— Não me chame assim! — Ralhei fechando os olhos e ignorando Edward por completo. Edward deveria ter uma boa explicação para tudo, mas eu não estava disposta a ouvir agora. Eu estava mais interessada na pequena soneca que eu poderia tirar. Eu ainda teria que voltar no carro com esse infeliz ao meu lado. Precisaria de uma boa dose de paciência. Paciência também deveria ser um pecado capital, para que, quanto mais eu a testasse, mas o monstro crescesse e, junto com ele, minha paciência.
Seria uma boa…
Seria…
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