Vanity Fair

11 Black Treacle


Notas iniciais
Alguém aqui perdoa uma escritora cheia de amores e capítulos novos para dar? s2 Obrigada meninas pelos comentários e ouçam a música do capítulo, ela é o meu amor! E, eu sei, 4 mil palavras é pouco quando comparada aos outros, mas eu volto cedo, JURO.

Anthony! Ah, Anthony, meu segundo namorado. Não ficamos muito tempo juntos. Ele era um ator famosinho na época. Tinha seus milhares de fãs e milhares de paparazzi na sua cola. Tremo só de pensar nos três meses que ficamos juntos que mais pareceram uma eternidade. Era tanta gente atrás de nós que eu simplesmente surtei. Eu podia lembrar de cada tablóide dizendo que eu tinha tido meu coração quebrado pelo jovem ator, quando, na verdade, tinha sido exatamente o contrário. Numa bela manhã ensolarada na casa dele na Califórnia eu tinha tido a impressão que estava sendo vigiada. Até hoje eu não sei se estava entrando em um ataque de nervos e adquirindo uma espécie de toc ou se eu estava realmente certa. O fato é que eu voltei pra dentro de casa e disse para Thony que nós nunca poderíamos ser felizes juntos, mas que poderíamos ser amigos. Ele era uma ótima pessoa para se conversar, apesar de sexo com ele não ser espetacular, ele sabia me fazer rir como poucas pessoas naquela época e tentava me comprar com tudo, além de fazer de tudo para me agradar. O azar dele foi a minha mentalidade. Com 18 anos eu já estava me focando em outra parte do ramo da moda, eu estava me escondendo dos flashes. Thony prometeu que me ligaria um dia desses para conversarmos como amigos. Ele nunca ligou. Mas, eu também nunca esperei por isso.

Paciência. Acho que eu estava passando por algum teste divino, porque não havia outra explicação. Eu que nunca fui muito ligada a Deus e essas coisas, estava começando a acreditar que eu estava recebendo alguma espécie de castigo por ser tão descrente para com as questões religiosas. Mas era impossível que o que eu estava passando no momento fosse alguma coisa normal, ou obra do destino.

Eu estava presa naquela sala com Edward. Isso. Presa.

Depois de terminarmos com toda aquela imensidão de papel, Edward se deu conta que estávamos trancados. Eu não recebi isso muito bem. O olhei incrédula por alguns segundos e depois levantei e tentei abrir acreditando e torcendo para que não passasse de uma brincadeira.

Mas quando eu virei a maçaneta, soltei um suspiro ruidoso e voltei a sentar na cadeira. Liguei para Carmen. Quando a mulher atendeu disse que isso era um protocolo normal e que tinha esquecido de avisar ao segurança que nós estávamos na sala dela, mas que ligaria para ele e ele viria nos soltar.

— Isso só pode ser brincadeira. — Eu disse cansada.

Eu estava completamente exausta física e mentalmente. Soltei meus saltos e coloquei meu blazer, estava ficando frio. Me recusei a olhar em direção de Edward.

— Bella… — Edward chamou eu o ignorei despejando todo o conteúdo da minha bolsa sobre a mesa. Quase comemorei ao ver algumas balas, seria alguma distração. Celular: com um fio de bateria, não aguentaria mais que alguns míseros minutos. Tédio definiria esse tempo em que eu passaria presa aqui. Edward me chamou outras vezes e em dado momento em que eu me senti completamente irritada com sua voz proferindo meu nome, eu elevei meus olhos a ele.

— O que houve? Porque você está assim? — Ele perguntou parecendo preocupado. Bufei. Falso. Ele se aproximou sentando na cadeira ao meu lado e puxando-me até ele. Merda. Eu estava irritada, de qualquer jeito. Fiquei preocupada ao sentir sua mão tocar minha perna. Sabe-se lá em que partes do corpo de Tanya ela havia estado.

Indaguei-me sobre como tirar sua mão de lá. Sua mão era quente, macia, mas eu jurava que via os tecidos epiteliais de Tanya em seus dedos. Sem falar em fios de cabelo loiro falso. Eu sei que era coisa da minha cabeça, mas eu só conseguia pensar em como eu teria que limpar essa parte do meu corpo quando chegasse em casa.

Talvez um banho de banheira salvasse minha pele.

Ou uma esfoliação.

Se nada ajudasse eu usaria todos os meus produtos para que minha pele descascasse o mais rápido possível. Eu precisaria de uma pele nova. Urgente.

Edward estava falando alguma coisa, mas eu não prestava atenção em nada. Eu estava apenas pensando em como tirar sua mão da minha coxa sem que eu danificasse alguma outra parte da minha pele. Tirar com as mãos estava fora de questão.

Eu poderia simplesmente levantar…

Como não pensei nisso antes?

— Bella, me responde. — Edward disse segurando o meu rosto com as mãos. Quase chorei. Meu rosto estava contaminado.

— Tira essas mãos contaminadas do meu rosto agora. — Eu disse tão pausadamente que soou ameaçador até para mim. Sorri com isso e um acorde da música “I’ve got the power” veio na minha cabeça. Dessa vez, gargalhei por dentro.

Edward, porém, me olhou confuso, mas suas mãos não saíram do lugar. Quanto mais tempo ele ficasse com as mãos no lugar, mais tempo demoraria a sair os pequenos pedaços de pele da garota.

— Contaminadas? Do que você está falando?

Tentei puxar o rosto para trás, mas o aperto de Edward era forte e preciso.

— Eu nem imagino, e nem quero imaginar, em que partes do corpo de Tanya em que estas mãos estiveram. Tem noção de quantos cremes esfoliantes eu vou precisar usar pra acabar com todas essas células epiteliais de Tanya em meu rosto?

E então eu vi um lampejo de compreensão passar por seus olhos. E então ele deu uma gargalhada alta.

— Você está com ciúmes! — Ele soltou meu rosto e apertou minha bochecha como se eu fosse uma criança.

O olhei como se ele fosse um ET. Edward realmente achava que eu estava com ciúmes dele?

Talvez um pouco.

Ok, eu podia até estar com ciúmes, mas nunca admitira isso para Edward.

— Não estou não. — Me apressei a negar.

Ele riu novamente como se isso a coisa mais divertida do mundo.

— Só falta corar! — Ele fez graça e eu o olhei feio. — Você é adorável quando está com ciúmes.

Empurrei suas mãos do meu rosto. Eu teria que passar algum tempo em alguma clínica de estética.

— Bella, pare. — Ele me olhou sério. — Eu já disse pra você algumas milhões de vezes que eu não tenho nada com Tanya.

— Você não precisa explicar nada pra mim. — Eu disse revirando os olhos e tentando me manter indiferente.

Ok, eu estava com ciúme pra caralho.

— Pare de se fazer de durona, comigo isso não funciona. — Ele disse bufando. — Tanya tropeçou e carregou eu e mais duas pessoas juntas. Ela caiu e derrubou nós todos, como em um dominó. — Ele deu uma risadinha. — Foi uma situação engraçada.

Seu sorriso torto estava de volta. Dei de ombros. Eu acreditava em Edward, mas de qualquer jeito eu precisaria de um bom banho.

— Adorável. — Ele avançou até mim e eu virei o rosto. Eu ainda estava muito irritada. Ele riu e mordeu a minha bochecha. Soltei um gemido de raiva. E então ele ficou sério. — O que foi sua ceninha de hoje à tarde?

O olhei confusa.

— Ceninha?

De que Edward estava falando agora? Ele arqueou a sobrancelha.

— Você flertando descaradamente com Embry. — Edward murmurou irritado.

— Essa viagem é muito estressante e como eu tinha visto você com Tanya eu prometi que nunca mais encostaria um dedo em você, eu tinha que arrumar um novo amigo. Odeio a Tanya. Muito. Eu tenho os meus motivos. E Embry é muito fácil… — dei uma risadinha. — então…

Seus olhos eram intensos e eu não consegui os sustentar por muito tempo.

— Olhe pra mim. — Ele pediu e eu o fiz. — Não faça isso de novo.

Edward era tão malditamente intenso que me dava arrepios.

Mas o meu ciúme ainda não havia superado Tanya totalmente.

— Embry é só meu amigo. — Menti. — Assim como Tanya.

Ele revirou seus olhos malditamente verdes.

— Temos um impasse. — Ele disse cansado relaxando na cadeira.

— Estamos sempre em um impasse. — Eu disse bocejando. Um sono surreal me atingindo. — Estou com sono.

Ele abriu os braços para que eu me encostasse nele. Soltei uma risada de escárnio e puxei minha bolsa deitando a cabeça sobre ela em cima da mesa. Eu não tinha esquecido o caso Tanya. A posição era muito desconfortável, então, eu apenas puxei minha bolsa para o chão e deitei. Ouvi a risada de Edward e ignorei. Meu sono era muito maior. E então eu dormi.

.

Essa era a palavra certa. Eu estava me sentindo instável. Como em um balanço. Aos poucos fui recobrando a consciência e antes de abri os olhos eu disse:

— O que você está fazendo?

Então eu abri os olhos e os fechei imediatamente. A claridade quase havia me cegado. Algum tempo depois eu abri os olhos. Edward estava me carregando até o carro. Ainda estava escuro, então eu supus que eu apenas havia tirado um cochilo rápido.

— Você apagou.

— Edward, me ponha no chão, eu estou de vestido. — Ele ignorou. — Sabe quanto tempo no banho eu vou precisar para tirar todas as bactérias de Tanya que você está me passando?

— Como você é dramática. — Ele disse parando em frente ao carro. — A chave?

Apesar de relutante, entreguei a chave a ele e ele me pôs no chão. Dirigir com essa quantidade de sono era loucura. Edward destravou o carro e me deu as costas indo para o outro lado, mas antes que ele fosse longe demais, eu me estiquei e puxei algo de sua blusa que me deixou ainda mais irritada. Um fio de cabelo loiro.

Sentei no banco, irritada, e quando ele entrou entreguei o fio em suas mãos. Ele me olhou confuso.

— Estava na sua camisa. — Eu disse e ele deu de ombros.

— Deve ter sido quando caímos. — Ele supôs dando partida no carro e ativando o GPS.

— É, deve mesmo. — Ironizei e logo fechei os olhos.

Eu estava morta. Senti a mão de Edward na minha coxa e relaxei ao senti-lo acarinhar o local. E aos poucos eu dormia novamente.

.

(Música: Arctic Monkeys — Black Treacle)

O dia seguinte se passou tranqüilo, sem muitas irritações. Fiquei trancada o dia inteiro no meu quarto colocando todo trabalho em dia. Às sete da noite em ponto, três batidas soaram na porta, levantei o olhar bem a tempo de ver Edward passar por ela.

— O que você quer? — Perguntei voltando minha atenção ao computador à minha frente. Eu já estava no final. Mais alguns minutos e eu teria todo trabalho adiantado e poderia tirar um tempo em paz.

— Se arrume, vamos sair. — Ele disse em pé ao lado da cama. O ignorei. — Se você não levantar em cinco segundos eu mesmo coloco você embaixo do chuveiro.

Cinco segundos depois eu era carregada e jogada em baixo da água da ducha. Tudo aconteceu tão rápido que eu nem tive tempo de me situar. Apenas me dei conta quando estava sob a ducha.

— Seu imbecil!

Sua risada alta ecoava no banheiro enquanto ele tentava puxar minha blusa pra cima.

— Edward, o que você está fazendo?

Ele continuou rindo enquanto tentava cuidar de não se molhar e tirar a minha roupa.

— Edward! — Gritei mais uma vez.

— Pare de gritar. — Ele ralhou ainda rindo.

— Para de tentar tirar a minha roupa, que merda você acha que está fazendo?

— Não há nada que eu não tenha visto. Agora, se apresse, estamos atrasados.

Revirei os olhos.

— Eu não vou a lugar algum.

— Sim, você vai. — Ele disse puxando minha blusa de vez e a largando no canto. Ele mantinha meus dois pulsos presos agora. — Vou escolher sua roupa, continue seu banho, caso contrário, você vai precisar de mais ajuda.

Revirei os olhos quando o vi sair. Continuei olhando incrédula para a porta. O que diabos estava acontecendo aqui?

Como se ele pudesse mandar em mim. Pouco tempo depois Edward voltou pendurando a roupa na qual ele havia escolhido ali perto.

Ele se aproximou e, inconscientemente, dei um passo para trás. Eu havia ficado na mesma posição por todo aquele tempo.

— Porque você é tão teimosa? — Ele disse irritado. Suas mãos voaram para os meus braços me segurando. — Vou ter que te dar banho?

Ele me soltou para dobrar a manga da camisa social preta que ele vestia e eu engoli em seco finalmente percebendo seus trajes. Porque diabos ele precisava ser tão gostoso?

Ele olhou nos meus olhos e, antes que eu pudesse pensar, o puxei para baixo da ducha também.

Sua cara tinha sido tão hilária que eu não consegui fazer nada, se não rir.

— Porque você precisa agir assim? — Ele murmurou irritado e me encurralou na parede.

E, merda, era uma combinação tão afrodisíaca que eu não pude deixar de beijá-lo. E ele fazia isso tão bem. Suas mãos me seguravam forte e me começaram a me despir tão rápido que não havia nem espaço para que eu pudesse ajudar. Em questão de segundos, Edward já me tinha nua e completamente de quatro por ele – metaforicamente, não no sentido literal da frase. Em pouco tempo suas roupas se juntaram às minhas e ele penetrou duro e forte. Sem uma palavra. Apenas me fodendo no box do banheiro. Ele não me deixou gemer alto, sempre que um gemido mais alto fazia menção de sair pelos meus lábios era capturado pela língua de Edward que se enfiava na minha boca a fim de sanar o barulho.

Foi tão intenso que, quando gozamos, Edward me segurou pela cintura e me puxou para cima para que eu rodeasse minhas pernas ao seu redor. E, fazendo isso, eu puxei sua boca para a minha novamente. E, mais uma vez, fui tomada naquela parede de azulejos azul fria que era bombardeada pelas minhas costas quentes.

E então Edward olhou para mim.

— Por favor, me lembre de te jogar em baixo do chuveiro mais vezes. — Seu sorriso de canto de boca junto com sua voz mais sensual do que eu jamais ouvira era uma combinação que me deixava beirando ao estado mental mais caótico. Seus olhos escuros de desejo refletiam o meu que o meu.

Ele riu quando eu soltei um muxoxo. Ele havia me colocado sob o chuveiro novamente. Como uma criança birrenta, deixei que ele me lavasse e fizesse o mesmo consigo. Ele me deixou que eu saísse do box para me enrolar na toalha.

— Apesar de a ideia de passar a madrugada inteira comendo você em todas as posições possíveis parecer a coisa mais agradável do mundo, temos um jantar a comparecer.

Sem vontade de discutir, sai do quarto ignorando a roupa que Edward havia levado para mim. Azul, eca, eu já estava pegando alergia a essa cor. Me enfiei num versace novinho que eu havia acabado de ganhar e no primeiro sapato vermelho que eu tirei do armário. Mal vi Edward saindo, quando me dei conta ele já estava ao meu lado enquanto eu acabava de secar o cabelo. Sua blusa social preta fora substituída por uma branca e ele estava novamente impecável. Seus dentes brancos cintilaram na minha direção quando ele me pegou o avaliando.

— Aonde vamos? — Perguntei quando acabei com o cabelo e virei para o fitar.

Ele sorriu novamente.

— Hoje vou mostrar a você o lado da revista que você possivelmente não vai gostar. — Ele riu. — Eu, pessoalmente, acho entediante.

Meus olhos faiscaram em sua direção, mas ele estendeu a mão e me puxou antes que eu pudesse formular perguntas e eu o segui, era um caminho sem volta, eu sabia.

(Look Bella)

.

Tédio.

Meus olhos dançavam pelo restaurante enquanto minha mente gritava por misericórdia. Edward mantinha uma conversa animada com os representantes das modelos. Era uma reunião sobre cláusulas. Nada mais do que debater regras e obrigações. Eram cinco. E eu já havia passado algum tempo tentando desvendar a vida deles.

Enquanto meus olhos passeavam pelo lugar pela milésima vez me deparei com uma figura que eu pensei que nunca veria novamente. Anthony. Disse a Edward que iria ao banheiro e me apressei em ir até ele. Anthony estava sentado em uma das cadeiras do bar com um drink na mão. Ele estava ainda mais atraente. Seu cabelo castanho tinha um corte moderno e seus olhos azuis como poucos estavam ainda mais azuis.

— Anthony? — O chamei hesitante e entusiasmada. Ele costumava ser uma das pessoas mais engraçadas que eu conhecia.

Ele olhou em meus olhos e sorriu. Seu sorriso galanteador também estava lá. Ah, merda. Infeliz de homem atraente.

— Isabella? Quanto tempo! Como vai? — Recebi um abraço também entusiasmado. — Você não dá notícias há algum tempo, só a vejo em revistas passeando por aí.

Não pude conter uma risada.

— Estou muito bem, obrigada. O que você tem feito? — Inquiri enquanto me sentava ao seu lado no bar. Logo recebi uma bebida e agradeci.

— Eu, nada demais, mas você tem feito algum sucesso, hein. — Ele brincou.

Revirei os olhos com o duplo sentido. Anthony sendo Anthony.

Engatamos em uma conversa nostálgica sobre nossas vidas há algum tempo atrás quando nossos fios de cabelo branco e nossas rugas estavam bem mais longe de nós do que estão agora.

No terceiro drink eu levantei. Edward possivelmente estava querendo cometer um Isabelocídio.

— Preciso ir, Anthony. — Eu disse sorrindo. — Foi ótimo te reencontrar.

Ele sorriu me jogando todo o charme que ele tinha. Minha sobrancelha se arqueou. Ops. Essa não.

Ele segurou meu pulso e me olhou nos olhos.

— Mas, já? Não chegamos nem na melhor parte! Ainda não sei o que você tem feito durante esses anos. — Ele acenou para o banco novamente e eu controlei o passo para trás involuntário.

Eu não estava a fim de dejà vús e recapitulação. Passado era passado. Mesmo que ele tivesse 1,85 de puro tesão acumulado.

Sorri amarelo.

— Eu realmente preciso ir, me desculpa, nos vemos por aí.

Ele não me soltou.

— Isabella, nós éramos dois adolescentes, vamos retomar nosso relacionamento. Você não quer voltar a ser minha mulher?

Ah, merda, eu havia esquecido de como Anthony era possessivo.

— Não vai dar. — Eu recuei.

— Por quê?

Quando eu ainda estava formulando uma resposta, fui puxada para trás por uma mão que eu conhecia e trombei com um peito másculo.

— Porque ela já é minha. — A voz de Edward saiu grave e cortante.

Foi a vez de Anthony arquear a sobrancelha.

Ele jogou seu charme em mim novamente.

— Já sabe onde me procurar. — Consegui vê-lo jogar uma piscada para mim enquanto Edward me arrastada de volta para a mesa.

— Não posso te deixar sozinha por um minuto que os lobos já fazem a festa?

Revirei os olhos e sentei novamente na cadeira ao lado de Edward. Depois de comer mais algumas vezes me encontrei entediada novamente. Enquanto Edward conversava concentrado senti os drinks chegando ao meu sistema nervoso e serotonina em excesso ser liberada. Uma de minhas mãos encontrou destino próprio e rumou para perna de Edward. Ele mandou um olhar de canto de olho desconfiado para mim por isso. Logo tratei de engatar conversa com um dos homens na mesa.

A verdade era que eu nem prestava atenção no que o homem falava. Comecei a acariciar a perna de Edward. Aos poucos o sentia enrijecendo-se. Passei a observá-lo enquanto ele tentava a todo custo manter a conversa em tom casual. Rindo internamente, minha subiu um pouco e ouvi Edward ofegar baixo e me olhar feio. Sorri e resolvi o deixar em paz voltando a conversar com o homem à minha frente.

— Seja boazinha que prometo recompensá-la. — Edward sussurrou ao pé do meu ouvido e eu ri um pouco.

Muito (MAS MUITO MESMO) tempo depois, nós saíamos do restaurante. Eu estava exausta. Havia passado o dia trabalhando e Edward havia ainda requerido um pouco de mim. Sentei no banco do Aston Martin preto que Edward havia pego com meu pai e fechei os olhos.

— Não durma.

E eu não o fiz. Mantive os olhos abertos fitando a cidade. Edward mantinha uma de suas mãos acariciando minha coxa enquanto dirigia. Meu celular apitou e eu peguei para ver. Respondi algumas mensagens antigas e quando Edward parou o carro o olhei incrédula.

Era algum tipo de brincadeira?

— Edward, você enlouqueceu? O que estamos fazendo aqui?

Ele nem se deu o trabalho de responder, apenas desceu do carro.

Desci atrás encarando o alton towers, um dos melhores parques do mundo. Eu costumava vir aqui quando pequena. Ficava aberto vinte quatro horas, porém eu nunca tinha vindo aqui à noite. Era de tirar o fôlego. As luzes pirotécnicas faiscavam na noite sem estrelas de Londres.

— O que estamos fazendo aqui? — Perguntei o seguindo.

Edward segurava minha mão e puxava até a bilheteria enquanto eu tentava me equilibrar nos paralelepípedos do parque. Eu era completamente alucinada por parques quando mais nova. Eu já havia perdido a conta de quantas vezes eu tinha ido à Disney e quanto dinheiro eu já havia gasto para viajar e experimentar todos os parques quando mais nova.

Ele não respondeu, apenas comprou os bilhetes e me arrastou pra dentro do parque. Ele me mantinha presa em seus braços e eu admirava tudo nostálgica.

O parque estava completamente diferente de todas as vezes que eu já tinha vindo aqui.

— Eu amava parque de diversões. — Murmurei enquanto ele me puxava na direção dos brinquedos.

Ele sorriu.

— Eu sei. Agora vamos brincar.

Edward havia ficado completamente louco. Ele me arrastou para todos os brinquedos possíveis. E agora estava empenhado em me levar até a montanha russa. Eu sempre amei esse brinquedo, mas não me sentia nem um pouco aventureira no momento. Não é como se eu estivesse com 40 anos, mas eu já havia passado por tanta coisa que me sentia como tal.

— Edward, eu estou de vestido. — Usei meu ultimo argumento tentando demovê-lo da ideia. Felizmente, deu certo.

Ele suspirou e me puxou para outro.

.

Eram exatamente sete da manhã. O sol já estava no céu e nós estávamos voltando para casa. Nas mãos, eu tinha o final do meu algodão doce e dezenas de brinquedos e bichos de pelúcia que eu havia ganhado ao ganhar de Edward em um dos brinquedos. Ele tentou me ganhar sete vezes. Sem sucesso. Até que na última tentativa ele passou a mão na minha bunda e me deu um susto fazendo com que eu quase acertasse a cabeça de um homem, ao invés da boca do palhaço.

Coloquei tudo no banco de trás e me joguei no banco carona disposta a não dormir. Assim com eu, Edward estava cansado e eu não poderia deixá-lo dirigir sozinho. Porém, quando Edward colocou Debussy para tocar e me presenteou com um sorriso bonito, eu não pude tratar do meu sono eufemisticamente e aceitei, hipérboles e metáforas de lado, o quão poderoso ele era.

E, no meio de tudo isso, eu dormi.

.

A semana passou rápido. Alice nos encheu de tarefas. Era experimentar isso, pegar aquilo, fazer isso. Eu estava mais atolada do que quando eu fazia sozinha os ensaios. Eu não vi ninguém naquela casa há muitos dias. Alice cuidava para que todos – inclusive meus pais – estivessem colaborando para que a sessão estivesse perfeita. Seria daqui a dois dias.

Eu não via Edward desde aquela noite no parque. Eu sabia que era culpa de Alice. Ela enchia todos de trabalho. Nós apenas nos esbarrávamos nos corredores entre uma tarefa e outra.

Finalmente era sábado. Jasper tinha passado aqui mais cedo e a chamado para jantar. E agora ela estava descendo e subindo as escadas da minha casa experimentando roupas. Eu estava jogada no sofá da sala com a televisão ligada enquanto passava um programa aleatório na televisão. Eu estava exausta, mas Alice mantinha-se ligada no 220v. Entre o vigésimo e o trigésimo ela finalmente decidiu. Decidiu na teoria, porque, na prática, ela mantinha seus olhos em seu guarda roupa.

A porta abriu e um Edward visivelmente morto entrou por ela. Ele me viu e veio na minha direção se jogando no meu colo. Com os olhos fechados, ele murmurou um “oi” rápido e logo estava dormindo. Eu ri. Edward era absurdo. A campainha tocou e Maria foi atender. Jasper entrou trajando um smoking e um sorriso lindo no rosto. Parecia que Alice não tinha sido a única a se arrumar demais. Ele veio na minha direção lançando um olhar sugestivo que eu fiz questão de ignorar.

— Você está bonitão. — Eu sussurrei.

Ele deu um giro de trezentos e sessenta graus e uma piscada marota que me arrancou uma risada. Alice logo desceu e ela estava tão linda que Jasper até ofegou. Os dois saíram de braços dados como um perfeito casal da década de quarenta. É, eles ficavam bonitinhos juntos. Olhei para Edward praticamente desmaiado no meu colo e tratei de acordá-lo.

Depois de muitas tentativas frustradas, decidi levantar. Deixando-o desconfortável, ele levantaria. Dito e feito, assim que eu levantei, ele abriu os olhos com uma careta de irritação. Como uma criança de sete anos.

— Edward, vá para o seu quarto, trocar de roupa, tomar banho e dormir um pouco. Quanto tempo você não dorme, já se olhou no espelho? Você parece horrível.

Ele fechou os olhos novamente. Era exagero, Edward nunca poderia chegar a parecer horrível. Era inumanamente impossível.

— Você não está muito diferente.

Revirei os olhos, irritada.

Edward sabia ser insuportável quando queria. Deixei-o na sala sozinho indo para o meu quarto. Eu detestava quando queria fazer bem para alguém e simplesmente não tinha retorno. E, acima de tudo, eu odiava grosseria. Ainda mais de Edward Cullen. Entrei no quarto, tomei banho e dormi. Edward Cullen vai sempre continuar sendo Edward Cullen, não importa o que aconteça.

Notas finais
NÃO ME MATEM, POR FAVOR. Eu entrei em crise, mil e um perdões. Prometo que nunca mais faço isso. Minha vida tá difícil, escrevi tudo isso em menos de seis horas, minha tendinite atingiu niveis catastróficos e, acima de tudo, minha inspiração desapareceu. Mas, como num fio de esperança, tudo culminou para eu estar aqui hoje dia 14, para postar pra vocês e jurar que eu nunca mais apronto uma dessas! Alguém aqui me perdoa? s2 Outra coisa, quem gostas dos looks que eu monto no polyvore pra fic, pode ter reparado que eu usei dessa vez a Mila Kunis, em vez de usar a Kristen como Bella. Isso porque eu finalmente achei alguém que fosse a Bella da minha imaginação. Espero que não se importem! Estou aqui para esclarecer qualquer dúvida, obrigada por tudo! #AgoraVai #EdwardVacilão Ufa, cansei! Ps: Alguém quer um grupo no facebook para que eu possa spoilers lá e que possamos conversar direitinho? O que acham?