Vanity Fair

7 Quase segredo


Notas iniciais
Olá gente, desculpe se houver erros ou contradições, escrevi esse capítulo em um dia e nem revisei porque queria postar em janeiro. Leiam as notas finais.

Demorou, mas eu consegui. Eu revisei cada página da edição da Vanity Fair que ia para as bancas na próxima semana. Eu tinha que fazer a edição comemorativa e ainda revisar a próxima. Carlisle tem um timing perfeito.



Não era só eu que estava atolada de trabalho não. Edward havia chegado da Austrália com um pilha de papéis. Quando eu perguntei o que era, ele apenas desviou os olhos para me lançar um olhar irritado e voltou sua atenção novamente para os papéis.



Alice estava com seu computador, hora ou outra ela se levantava ia até a sacada com sua câmera e avaliava o local. Depois, voltava novamente e sentava-se na frente do computador. Quando eu perguntei o que ela estava fazendo, ela me ignorou.



Emmett estava jogado no chão com o celular na mão o tempo todo. Quando eu perguntei ele disse que estava resolvendo um problema com do Marketing. Emmett era formado em marketing e parecia que mandava em toda essa parte na revista. Eu nunca quis saber mais sobre o assunto.



Me levantei da cama mentalmente faminta. Olhei de relance para a janela e decidi que iria sair por aí. O Mcdonalds não poderia ser tão longe. Nem me importei em trocar de roupa. Apenas coloquei um sapato, peguei uma bolsa e uma echarpe de tricô preta saindo do quarto. Encontrei Alice na sala que levantou os olhos me fitando.



— Aonde você vai assim? — Ela questionou e eu reparei que ela falava da roupa que eu trajava. E ela estava certa, eu usava aquilo em casa, mas eu não estava com vontade nenhuma de me trocar para ir até a esquina. Eu estava bem. — Você está com uma blusa de pijama e uma bolsa Guess. Sem falar nesse Jimmy Choo que esquenta seus pés. Você não poderia, pelo menos, estar trajando uma A.L.C?



— Me erra, Alice. É quase vintage, você deveria saber que está na moda. — Eu disse tirando sarro. Ela rolou os olhos. — De mais a mais, eu só vou até a esquina.



— Está frio.



— Só até a esquina.



Eu já ia saindo quando lembrei de algo.



— Cadê os outros?



— Emmett está no quarto e Edward saiu.



Dei de ombros saindo do flat e entrando no elevador. A temperatura estava agradável, pelo menos ali. Rapidamente o elevador apitou e eu rumei para fora do hotel. Assim que saí uma rajada de ar frio bateu em mim me fazendo bater os dentes automaticamente. Olhei em volta. Deveria ser umas nove da noite, deveria ter alguma loja de roupa aberta pelo caminho. Andei pela rua com os braços cruzados rente ao corpo. A cidade era linda. Totalmente iluminada. Pessoas passavam por mim com seus casacos de peles grandes e fofos e eu me amaldiçoei por deixar meu casaco em casa.



Eu estava toda arrepiada, mas faminta demais para pensar em voltar pra casa. Eu queria poder perguntar para alguém sobre algum lugar em que eu pudesse comer, mas eles não falavam a minha língua. A cada passo o frio aumentava. Desta vez, era por causa do vento. Ele jogava meu cabelo para todas as direções fortemente. Agradeci por, pelo menos, meu pescoço estar coberto.



Enquanto enfrentava o frio em nome da fome senti uma mão agarrar meu pulso e soltei um grito involuntário. Virei-me dando de cara com Edward.



— Não grita, droga. — Ele reclamou.



O olhei irritada.



— Você me assustou. — Ele revirou os olhos. — Como se eu estivesse pronta para alguém segurar o meu braço, você realmente me assustou.



Meu coração batia rápido pelo susto levado. Me escorei numa vitrine de loja tentando normalizar minha respiração.



O olhar de Edward caiu sobre mim.



— Onde está seu casaco? — Ele perguntou.



Dei de ombros.



— Isabella, você está tremendo… — Ele se aproximou.



— Isso acontece quando as pessoas estão com frio. — Eu murmurei revirando os olhos e pronta pra andar novamente. Ficar parada só fazia com que o frio se intensificasse.



— Onde você está indo? — Ele perguntou tentando manter a calma.



Eu hein, que maluco.



— Comprar algo pra comer. — Eu disse e, contrariando meus músculos, me forcei a continuar caminhando. Novamente, uma mão me parou.



— Você só pode estar ficando louca. Eu não vou deixar você ir pra lugar algum sem casaco.



O olhei raivosa.



— Não é como se eu precisasse da sua permissão.



Ele bufou alto e abriu os botões do seu casaco. Ele não faria isso, faria? Ignorei-o começando a andar novamente, mas desta vez, duas mãos me puxaram e eu minhas costas bateram contra o peito dele.



O QUE?



Eu não conseguia raciocinar. Quando eu percebi o que tinha acontecido era tarde. Edward havia me colocado junto com ele dentro do casaco e o fechado. Como, eu não sei.



— O que…? — Perguntei ainda confusa olhando para o chão. Como ele pretendia que andássemos?



— Se você morrer de hipotermia, Carlisle me mata. — Ele disse com a voz cansada.



— Edward, me solta. — Pedi mesmo sem muita vontade que ele fizesse. Ali estava quentinho demais. Me aconcheguei involuntariamente nele. Eu olhei pra baixo ainda não acreditando no que estava acontecendo. Isso não era possível, era?



— Eu estou te fazendo um favor.



— Favor. — Murmurei de malgrado.



— Você é tão chata. — Ele reclamou.



Rolei os olhos e ouvi minha barriga roncar.



— Estou com fome. — Reprimi o impulso de cruzar os braços. Eu estava tentando ignorar ao máximo o corpo másculo de Edward ao meu.



Hmmm, está tão bom aqui.



— Vamos voltar para o hotel. — A voz de Edward me despertou.



— O que? De jeito nenhum. Eu que não vou comer aquelas coisas cruas. Eu quero comer no Mcdonalds.



A cena era, no mínimo, engraçada. Edward e eu estávamos dividindo um casaco, parados no meio da calçada, eu estava de costas pra ele e nós discutíamos sobre o lugar onde eu comeria. Isso era completamente insano.



— Não são todas as comidas do Japão que são cruas…



Bati o pé no chão impaciente. Eu estava faminta. Toda a minha atenção estava voltada à fome que eu sentia. Era quase fácil ignorar Edward. Quase.



— Você não pode estar falando sério…



Minha barriga roncou outra vez.



— Isso responde a sua pergunta? — Perguntei.



Ele xingou.



— Ok, ok. Mas, você fica me devendo uma.



Arqueei a sobrancelha. Eu conseguia visualizá-lo mentalmente com aquele sorrisinho torto idiota.



Outra? Essa não era a primeira vez que eu o ouvia falar isso…



— Não, não. Lembra de Buenos Aires? Eu alimentei você, agora eu quero que você me leve até o Mcdonalds para que eu me alimente.



Ele bufou.



— Eu estava errada você não é chata… — Ele murmurou e eu arqueei a sobrancelha, surpresa, mas esperando que ele concluísse o pensamento. —… você é insuportável.



Eu dei de ombros.



— E então, gênio, como pretende nos fazer andar?



Senti-o dar de ombros. Assisti, curiosa, ele colocar meus pés em cima dos seus e começar a andar de braços cruzados segurando-me.



— Me sinto como uma criança de três anos. — Murmurei vendo que ele não encontrava dificuldade alguma em me carregar pela rua.



— Deveria a começar a chamar-lhe de Bella? — Ele zombou.



— Você é tão engraçado. — Murmurei sarcasticamente. — Parece que eu peso 2 quilos. Isso é tão irritante.



— Você é irritante. — Ele corrigiu.



Ignorei e olhei para cima.



A cidade era tão bonita. Lembrava Nova Iorque. As luzes, as pessoas. Era tudo tão comum aos meus olhos que me fez sentir-me em casa. Comecei a reparar na cara que as pessoas faziam ao ver-me daquele modo com Edward. Isso era totalmente louco. Mas eu estava no Japão. Não havia nada muito são nisso. Quer dizer, eu nunca pensei em vir até aqui, nunca tive vontade e duvidava muito que um dia pudesse voltar.



— Eu poderia ter vindo de salto alto. — Murmurei enquanto começava a ver, de longe, as luzes da lanchonete. Senti meu estomago se revirar. Fome. Eu estava faminta.



Ouvi Edward rir. Aos poucos nós nos aproximávamos da lanchonete. Seu letreiro de neon vermelho e amarelo era um dos maiores que eu já havia visto em toda a minha vida e parecia se misturar com todas as luzes da rua. Assim que adentramos no local Edward abriu o casaco e eu pulei para o chão sentindo o vento frio bater contra minha pele e indo direto para o balcão de atendimento. Felizmente a atendente sabia falar inglês e eu fiz meu pedido indo me sentar na mesa onde Edward havia indicado, reprimindo o impulso de sentar na mesa do outro lado da sala.



— Onde está o seu brinquedo? — Ele perguntou quando eu sentei.



Brinquedo? O olhei confusa. De que diabos ele estava falando? Só o que me faltava, Edward estava ficando pirado.



— Brinquedo? — Expus meu pensamento avaliando suas feições.



— Sim, aquelas coisas que dão quando você compra aqueles lanches de criança.



Ignorei seu comentário estúpido me voltando para o lanche na minha frente.



— Me explique melhor o que você pensou pra sessão. — Ele pediu e eu apontei para a boca para que ele esperasse que eu terminasse de mastigar. Estava frio, mas não o frio lá de fora, um frio aturável. O calor que antes me esquentava não estava mais ali.



— Hm… — Cocei a cabeça. — Eu disse, o futurismo. Você sabe, essas coisas de roupas loucas, lugares loucos. E essa cidade é uma cidade do futuro. Todas essas luzes e prédios com formas estranhas e pessoas diferentes. Isso é o futuro.



Comecei a comer novamente enquanto Edward assentia. Ele pegou o celular do bolso, digitou alguma coisa e o guardou novamente.



— Eu escolhi a modelo. — Arqueei a sobrancelha. — Anne McAdams.



— Eu só espero que ela não seja asiática. — Eu disse avaliando sua expressão.



— Não, não. Acho que é francesa. Bom, isso não vem ao caso. Ela é loira, tem olhos escuros, altura mediana. Essas coisas. O rosto dela é meio…



— Andrógeno? — O cortei dando uma mordida no hambúrguer.



Ele riu.



— Na verdade, um pouco. É um rosto forte. Eu não entendo nada dessas coisas e…



Assenti.



— Ok, eu entendi. O rosto dela é anguloso. — Comentei.



Ele franziu o cenho.



— Eu deveria saber o que isso significa? — Ele perguntou hesitante.



— Na verdade sim, levando em conta de onde trabalha.



— Eu consigo diferenciar um Prada de um Balenciaga e até de um Gucci. — Ele se gabou.



Revirei os olhos.



— Isso não é muito difícil.



Ele fingiu estar ofendido.



— Eu sei diferenciar um Louboutin de qualquer outro sapato.



Gargalhei com vontade. Isso era coisa mais fácil do mundo. Os sapatos assinados por Christian Louboutin tinham a sola toda vermelha. Isso era tão idiota.



— Você só está piorando as coisas.



Ele finalmente concordou com um aceno de cabeça fraco.



— O fato é que eu tenho os meus contatos. — Ele se gabou outra vez.



Revirei os olhos vendo que eu não poderia falar algo que negasse aquilo. Edward conhecia tanta gente e sabia todos os nomes de todas as pessoas. O fato de que ele não soubesse diferenciar um Marc Jacobs de um Carolina Herrera, era apenas um detalhe. Além do mais, ele revisa meus textos como ninguém. Quando não estávamos brigando e minha secretária não podia, eu era obrigada a mandar artigos para que ele revisasse. E ele fazia. E muito bem. Aliás, eu não sabia uma coisa na qual o ruivo a minha frente não fosse assustadoramente bom. Isso era extremamente irritante. Chegava a ser chato. Ele sempre sabia fazia o que fazer, era sempre racional demais, sempre tomava as decisões melhores. Isso era absolutamente irritante. O tornava 50% mais odiável. Eu odiava admitir, mas nós precisávamos dele. A Vanity Fair precisava dele.



Edward disse algo, e eu balancei a cabeça levemente pedindo para que ele repetisse.



— Eu perguntei no que você está pensando.



— Pensei que você lesse meus pensamentos…



Ele não comentou nada e eu reparei que meu lanche já estava no final. Ele ainda esperava pela minha resposta.



— Em como você é sempre bom em tudo. — Admiti revirando os olhos e dando a última mordida no meu hambúrguer e voltando minha atenção às batatinhas.



Ele deu um riso curto.



— Eu não sou bom em tudo. Eu não sei fazer diversas coisas.



— Ah é, quais? — Soou em tom de desafio, mas eu não me importei e continuei a levar as coisinhas amarelas e infestadas de gordura à boca.



— Bom, eu não sei preparar uma sessão tão bem como você. — Revirei os olhos. — Eu não consigo definir com exatidão o que a pessoa está vestindo. Eu nunca sei o que está na moda. E eu sou péssimo nisso. — O encarei entediada. — Ok, eu também não sei andar de patins, nem nada do tipo. É, hm, eu não sei…



Revirei os olhos.



— Cala boca.



Ele riu e eu bebi o resto do refrigerante acabando de vez com o meu lanche. Edward se levantou.



— Podemos voltar pro hotel agora? — Ele questionou.



— Sim. — Respondi me levantando.



Fomos até a porta e Edward abriu o casaco. Fui até, mas desta vez, fiquei de frente para ele colocando meus pés sobre os dele. Rodei seu corpo com meus dois braços e recostei minha cabeça em seu peito. Pela segunda vez naquela semana, ignorei que ele fosse Edward. Ignorei seu perfume caro. Ignorei o calor que o nosso contato nos fornecia. Ignorei que estávamos excessivamente perto. Eu estava confortável e quentinha demais pra questionar qualquer coisa, então fechei meus olhos ao sentir Edward cruzar os braços ao meu redor sobre o casaco.



Ele andava calmamente, mesmo assim era engraçado. Soltei um risinho baixo.



— O que? — Ele murmurou curioso.



— Isso é engraçado. Eu realmente pareço ter três anos.



Ele riu também. Eu mantive meus olhos fechados o balançar do andar de Edward trazia sono, então revirei minha mente em busca de algo que pudesse me deixar acordada.



— Ligou para a Prada?



— Sim. — Edward respondeu. — As peças vêm com a Anne. Elas vão embarcar daqui a pouco. Sorte nossa a Anne estar em Paris.



Assenti.



— Você nunca mais vai me ouvir falando isso novamente, mas obrigada. — Murmurei.



Ele pareceu surpreso, ele parecia surpreso demais naquela noite.



— Você sabe, por tudo. — Murmurei a contragosto já sabendo o que viria a seguir.



— Tudo o que? — Ele perguntou. Idiota. Eu podia sentir seu abdômen tremer enquanto ele tentava ocultar sua risada.



Ele soltou a gargalhada que estava prendendo. Ele teve que parar e se escorar numa parede para que não perdesse o equilíbrio e me derrubasse. Depois de recuperar o controle, ele voltou a andar como se nada tivesse acontecido.



— Odeio você. — Murmurei irritada.



Senti sua mão dar um tapa de leve na minha cabeça e belisquei suas costas.



Ele reclamou.



— Você começou.



Senti-o dar de ombros e parar. Um apito soou, Edward voltou a andar e parou novamente. Abri os olhos rapidamente e os fechei quase no mesmo instante ao ter que lidar com a claridade. Outro apito e eu quando abri os olhos já sabia onde estávamos. Assim que meus olhos tomaram foco vi que já saíamos do elevador. Edward abriu a porta e passou por ela. Ele a fechou e eu saí de seus pés tirando meus braços de deu redor. Logo ele abriu o casaco e eu me joguei, com sono, no sofá mais próximo. A sala estava escura. Nem Alice, nem Emmett estavam ali. Tirei meus sapatos jogando-os em qualquer canto, e, quando meus olhos já pesavam, Edward me chamou.



— Vai tomar um banho quente. — Ignorei Edward, mas ele continuou. — Se você não se levantar agora eu mesmo vou te enfiar de baixo do chuveiro.



Levantei-me e rumei para o banheiro da suíte, sem ao menos discutir, para mais tarde cair na cama e aproveitar sua maciez.



(xxx)



Era tarde, eu podia apostar que seriam umas quatro, cinco da tarde, quando eu começara a me arrumar. Eu já havia almoçado. Sozinha, devo acrescentar. Todos naquela casa apreciam ter sumido, e então assim que eu voltava para o meu quarto uma Alice descabelada aparece à minha frente — fato curioso, já que eu, conhecendo Alice há mais de dez anos nunca a havia visto com um fio de cabelo desarrumado — avisando que teríamos que comparecer a uma festa às oito. Ela simplesmente diz isso e corre para o quarto.



Então, cá estou eu, com um Carolina Herrera no corpo, uma meia calça, a mesma que eu havia usado dois dias antes em Dublin, e um conhecido Louboutin nos pés. O velho e bom Louboutin preto, melhor amigo de qualquer mulher em sã consciência. Minha bolsa Marc Jacobs está ao lado do sobretudo Ted Barker apenas esperando ser pegos. Eu estou fazendo minha maquiagem. Primeiro base, depois pó, daí blush, sombra, delineador e batom. Passei secador e modelei os fios. Quando cansei, olhei-me no espelho e aprovei o resultado. Pegando o sobretudo e Marc Jacobs em cima da cama e indo encontrar com os Cullen. Esbarrei em Emmett na saída do quarto. Merda, ele trajava um armani. A porra de um terno armani. E quando eu falo terno é terno mesmo. Do tipo calça social, camisa social, gravata e paletó. Foda-se eu não ia trocar de roupa.



— Emmett…



Ele balançou a cabeça me calando.



— Vamos logo.



Ele puxou-me pelo braço até a sala e encontramos com Edward. Alice, como de costume, estava atrasada. Meus olhos foram em direção à Edward e eu achei que teria um infarto.



Puta que pariu.



Que porra de homem gostoso.



Edward estava todo de como Emmett, de terno. Seu paletó escuro contrastava com a blusa clara. E pra completar os dois primeiro botões estavam abertos.



Puta que pariu.



Puta que pariu.



Respira e não faz contato visual.



Desviei o olhar rapidamente e agradeci aos céus ao ver Alice entrar na sala. Eu não sabia pelo o que eu estava mais aliviada. Por ela ter desviado minha atenção de Edward ou por ela trajar uma roupa tão formal quanto a minha. Ela olhou para os irmãos assustadas.



— Porque vocês estão de terno? Pelo amor de Deus. — Ela reclamou. — Vamos logo.



Recobrei minha sanidade balançando a cabeça e ignorando a presença de Edward naquela sala.



— Afinal, que festa é essa? — Questionei.



— É só um casamento. — Ela disse revirando os olhos. — Aro e Sulpicia vão se casar e como ele não pôde vir, nós temos que ir. Nada demais.



Arquei as sobrancelhas.



— Você não pode estar falando sério. — Disse irritada.



Ela rolou os olhos mais uma vez.



— Se você revirar os olhos mais uma vez eu os arranco. — Ameacei.



Ela deu de ombros.



— Vamos logo, Sulpicia já deve estar chegando e nós aqui. Atrasaremos mais que a noiva.



Assenti meio a contragosto e sai do flat.



Alice me faria ir a um casamento vestida para ir numa runway.



Argh.



Entramos todos no elevador enquanto Emmett falava o que havia feito na sua noite. Segundo ele, o Japão tinha as pessoas mais engraçadas do mundo. Ele falava onde tinha ido e com quem havia conversado. E blá blá blá. Eu fui na frente quando entramos no táxi. E não era por causa de Alice, eu não estava mais brava com ela, e sim por que não era seguro ficar perto demais de Edward.



Então sentei na frente e conversamos sobre a próxima sessão. Alice disse que quem se casaria seriam Aro e Sulpicia. E que eles eram pessoas simples, honestas e trabalhadoras. Edward soltou um riso de escárnio quando ouviu a irmã murmurar isso. E a mesma a deu uma cotovelada. Eu não queria pensar no que isso significaria.



E assim que o táxi parou na entrada de um casarão eu fechei os olhos e me concentrei para não xingar até a última geração da família Cullen.



— Ok, deixa eu explicar. — Alice disse quando saímos do táxi. Alice deu o convite e logo passamos pelo grande portão. Ela coçou a cabeça enquanto íamos em direção a entrada do casarão. — Não sei como fazer isso…



A olhei incrédula.



— É fácil, pegue tudo que ela disse e reverta. — Edward disse.



— Tio Aro é extravagante, mentiroso e corrupto. Às vezes acho que ele participa de um clã, uma organização criminosa, não sei. — Emmett sussurrou as últimas palavras.



— Não exagerem, ele é uma ótima pessoa. — Alice disse abanando as mãos para o alto.



— O fato é que se eu me vestisse como as outras pessoas ele acharia que eu sou uma das outras pessoas, entendeu? — Alice explicou.



— Não?



Alice bufou.



— Então ignore. — Ela continuou andando, mas logo parou virando. — Antes que eu esqueça, eu tenho um namorado. O nome dele é Joe, ele está no exército.



Minha cabeça girava. Era muita informação ao mesmo tempo. Eu não conseguia elaborar perguntas, pois muita coisa de passava na minha cabeça.



Tio Aro?



Sulpicia?



Namorado?



Exército?



Joe?



Casamento?



Continuei andando no automático apenas seguindo os Cullen.



Mas que porra de tio Aro é esse?



E porque diabos esse tal tio Aro escolheu casar aqui? Logo no Japão. Japão. Pensei que as descendente Cullen eram londrinos.



Eu não sabia que eles tinham um tio chamado Aro. Eu conhecia a família Cullen como a minha e eu tinha certeza que nunca havia ouvido falar em Aro muito menos Sulpicia.



— Lembre que você está me devendo uma, apenas lembre. — Edward murmurou ao meu lado.



O olhei estranho.



O que diabos está acontecendo aqui?



Não expus meu pensamento.



Entramos no casarão e se eu não estive acostumada com tamanho luxo minha boca se escancararia. Na entrada da casa havia um dos maiores lustres que eu já vira na vida. Um homem de altura mediana, caucasiano e com um cabelo engraçado se apresentou como John. Ele nos acompanhou até a parte de trás da casa. Onde estava tendo a festa no grande jardim. Havia pessoas para todo lado e todas elas pararam para encarar os três Cullen passando pela porta.



Vacilei, eu não estava entendo nada. Ok, isso não era muito incomum. Ainda mais que eles haviam chegado tarde demais para a cerimônia. Foi fácil identificar a noiva. Ela estava enfiada num vestido branco que não caíra muito bem em seu corpo. Seus olhos negros estavam também voltados para nós. Seu cabelo castanho escuro estava preso numa trança lateral bastante bonita. Ela deveria ter uns trinta e poucos anos.



Alice entrelaçou o meu braço no dela e me puxou pela multidão indo em direção de um homem branco de olhos arrepiantes. A cor dos olhos dele o instigava. Era um vinho, quase negro. Não era possível que alguém tivesse olhos vermelho escuro, não é?



Me desliguei de meus pensamentos quando Alice parou comigo do lado. Ela se pôs para abraçar o homem, e depois a mulher de branco.



Aro e Sulpicia. Deduzi.



— Minha queria sobrinha. — O homem disse. Ali tinha um sotaque? Sim, com certeza. Francês? Não, muito fraco… Inglês? Não, esse era mais incomum.



Edward e Emmett também cumprimentaram os noivos.



Eu apenas o observava. As roupas. Os cabelos. O sotaque.



Era isso.



O sotaque não era francês, muito menos inglês. O sotaque era alemão. Mas, até aonde eu sabia os Cullen não tinham uma parte da família na Alemanha. Mas, até que parecia um pouco…



O homem estendeu para a mim me arrancando de minhas conclusões e eu fiz o mesmo.



— Olá querida, qual o seu nome?



Arqueei a sobrancelha. Ele não estava tentando me seduzir, estava?



Dei um passo para trás involuntariamente.



— Isabella.



— Ah, olá Isabella, você tem um belo nome. Sabia que de onde eu venho seu nome é um elogio?



Arquei a sobrancelha novamente.



Eles não eram alemães, eram italianos.



— Italianos? — Disse deixando um pouco de surpresa escapar.



Ele sorriu.



— Parece surpresa.



— Na verdade, estou. — Admiti.



Ela sorriu. Sulpicia sorriu para mim largamente.



— E você minha cara Alice, me diga, como vai Joe? — Ele disse cordialmente sorrindo para a sobrinha.



Olhei de relance para Emmett que parecia estar quieto demais para o meu gosto.



Isso estava estranho.



— Emmett e sua noiva, vai bem? — Aro disse alto me dando um pequeno susto.



Emmett? Noiva? Que porra…?



— Andy vai muito bem obrigado, ela não pôde estar aqui hoje e mandou-lhe desculpas… — Emmett respondeu.



Andy?



Andy a ex de Emmett que terminou com o carinha porque ele levava uma vida sem preocupações?



Mas Emmett e Andy namoravam no high school. E o namoro havia durado apenas 5 meses. Cinco pequenos e rápidos meses.



Eu precisava de uma explicação.



Meus olhos passeavam pelo rosto de cada Cullen. Todos eles estavam irritantemente calmos.



— E você, meu caro Edward? Tenho uma garota para te apresentar. Não gosto de ver você sozinho, sabe, você já não é um menininho.



Gargalhei internamente ao seguirmos o olhar de Aro e ver uma garota de, no máximo, dezesseis anos de idade com um aparelho estranho, cabelo escuro e as roupas. Argh. Eu podia apostar que nunca havia lido uma revista de moda antes.



Aqueles sapatos de borracha não saíram de moda nos anos 60?



Cocei a cabeça e voltei minha atenção para os Cullen. Aquilo estava ficando cada vez mais estranho, eu só queria voltar para o hotel e ignorar toda essa insanidade.



— Oh, tio Aro, me desculpe, não estou disponível no momento… — Edward disse num tom falso de desculpa.



O que? Quem?



— Quem é ela? — Aro perguntou curioso.



Edward sorriu pegando minha mão e eu gelei.



Ele não faria isso, faria?



— Eu e Isabella estamos juntos. — Ele disse simplesmente.



O olhei mais assustada do que irritada e ele me lançou um olhar forte que dizia “você me deve uma”. Assenti de mal grado.



— Por que não disse antes, querido? Ótima escolha. Agora deixe que nós cumprimentemos outros convidados. Mande lembranças para Carlisle e Esme.



— Claro. — Edward murmurou e me puxou rapidamente dali.



— Emmett, você está bem? — Perguntei quando estávamos longe o suficiente de Aro.



— Quem não é visto não é lembrado.



Ri baixinho.



— Ufa, foi por pouco. — Alice disse parecendo aliviada.



Olhei para Emmett tentando soltar-me de Edward, sem sucesso.



— Que porra está acontecendo aqui? — Sussurrei irritada enquanto sentava em uma mesa apontada por Alice.



Os três reviraram os olhos teatralmente.



— Tio Aro fica se acha o cupido, então para que ele pare de nos apresentar a essas pessoas nós estamos todos comprometido. Menos o Edward que disse sem querer que estava solteiro. — Alice explicou.



Isso explicava muita coisa, mas ainda tinha uma coisa…



— Porque você está tão quieto, Emmett? — Perguntei.



— Quem não é visto não é lembrado. — Repetiu com um falso olhar sábio.



Eu ri.



— Emmett, logo a Andy? Pensei que tivesse superado ela. — Eu disse só para tirar uma com a cara dele. Todos rimos.



Eu sabia que Emmett já havia a esquecido. Mas, eu não perderia a oportunidade de zoar Emmett.



— Como Aro consegue acreditar nisso. Quer dizer, você com esse tal Joe, do exército; Emmett noivo da Andy; E agora isso… — Levantei minhas mãos entrelaçadas com as de Edward olhando estranho para elas. — Isso é completamente louco.



— Eu havia bebido alguns drinques quando disse isso. — Alice explicou.



— Ok, ok. Acho que posso lidar com isso. — Murmurei puxando minha mão do aperto da de Edward. — Mas, por que eu nunca ouvi falar sobre ele antes?



— Porque ele é da máfia. — Emmett respondeu sorrindo.



Revirei os olhos.



— Ele e papai são irmãos, tio Aro sempre teve inveja dele. Quando ele viu que papai estava abrindo a revista, ele fez de tudo para boicotar o projeto. Eles brigaram feio, cada um foi para um lado do país. Ambos deixaram a vovó em Londres pra ficarem bem longe um do outro. Papai foi fazer a vida nos EUA e tio Aro veio para o Japão. Papai já perdoou o tio Aro, mas não acho que tio Aro perdoou o papai. — Edward explicou.



Muita informação. Muita informação.



Carlisle brigando com alguém já era estranho, brigando com um irmão era insano. Aliás eu estava usando muito essa palavra “insano”. Olhei ao redor. Havia muita gente. Mesas espalhadas pelo jardim contendo pessoas com roupas totalmente refinadas. Quis perguntar para Alice o que ela queria dizer quando disse que não queria que Aro pensasse que ela é uma das pessoas ali. Eu não via nada demais.



Eu via Chanel, Prada, alguns Stella McCartney, Versace, Gucci, e os clichês Louboutins. Não era nada demais, era?



Eu não estava entendendo nada. Ouvi algumas vozes ao meu redor, mas eu estava concentrada demais tentando entender o que se passava por ali que eu nem ao menos me forcei a prestar atenção. Em seguida um barulho de cadeiras sendo arrastadas. Provavelmente Emmett e Alice. Talvez até Edward que estava ao meu lado. Senti uma mão afagando meu cabelo me pegando de surpresa e me fazendo fechar os olhos automaticamente para apreciar melhor o carinho. Aquilo estava bom, quanto tempo eu não tinha meu cabelo afagado desse jeito?



Abri meus olhos lentamente, ainda apreciando o carinho, tentado descobrir a fonte da carícia e não me surpreendi ao ver Edward. Ele sorriu torto. Eu andava ignorando muito o fato desse cara ser Edward. Eu havia aceitado o fato de que eu o odiava. Mas eu não sabia se me sentia assim ainda. Eu precisava refletir sobre o assunto. O fato é que eu o odiava em certos momentos. Quer dizer, o fato de ele me irritar sempre que possível me deixava constantemente raivosa. Mas, em alguns momentos Edward podia ser tão… adorável. Não sei. É difícil explicar.



Quando reparei, meus olhos haviam se fechado novamente. Edward ainda fazia cafuné no meu cabelo. Eu me inclinei mais em direção a ele para que o cafuné se intensificasse e o ouvi rir. Revirei os olhos. Edward sempre seria Edward.



— Estou confusa. — Murmurei.



Edward passou a acariciar minha nuca e eu me arrepiei.



— Sobre…? — Ele incentivou.



Dei uma piscada para ver se minha aposta estava correta, e sim, estava. Emmett e Alice haviam saído. A resposta veio rápida.



— Alice. Quer dizer, o que ela quis dizer quando disse que não quer ser como essas pessoas? Eu não entendo.



— E isso te incomoda certo? — Ele perguntou e eu assenti. — Por quê?



Outra resposta fácil.



— Eu costumo entender as pessoas. É estranho.



Abri meus olhos quando Edward parou o carinho, repreendendo-o com o olhar. Ele riu e continuou a carícia. Fechei meus olhos novamente.



— Você é tão chata.



Eu ri e dei de ombros.



— Alice não quer ser um deles. Ela tem medo que Aro a traga pra esse mundo fútil. Eles não se preocupam com nada a não ser dinheiro. Aro está se casando porque está indo à falência e Sulpicia tem muito dinheiro, um sobrenome ótimo e contatos com pessoas influentes. É tudo o que Aro precisa. Alice não quer ser como ele, nem nenhum de nós, e nós fazemos de tudo pra escapar de ser como ele.



Sorri. Isso explicava bastante coisa.



— Eu não quero ser um monstro. — O ouvi sussurrar.



Abri meus olhos o fitando Edward. Sorri ao encontrar seus olhos. Levei minha mão até sua bochecha e acariciei o local.



— Você não é um monstro. — Admiti e recebi um sorriso bonito em troca. — Aliás, quando você não está enchendo meu saco e fazendo de tudo para me irritar, você não é um monstro.



Ele riu e eu deixei minha mão cair. Olhei em volta.



— Porque estamos aqui? — Perguntei.



Edward sorriu novamente.



— Tio Aro nos encheria o saco se não viéssemos. Nós somos as únicas pessoas da família que ele não odeia.



Eu ri e bocejei.



— Esse negócio de fuso horário está me deixando louca. — Reclamei.



Relaxei inalando o perfume gostoso de Edward. Eu tinha que admitir, esse perfume era sexy. Não era forte demais, nem fraco demais. Era uma mistura de hortelã, limão, não sei.



— Rússia? — Ele perguntou.



Pensei um pouco. Eu já havia pensado nisso, desde o início da viagem. Não foi muito difícil



— Chanel, Daria Werbowy. Um ensaio simples, em estúdio. Algumas roupas Chanel. Fácil, simples e bonito.



— Você sabe que eu não vou concordar com isso, não é?



Cruzei os braços começando a ficar irritada. O monstro estava voltando.



— Quando você concorda com algo que eu digo?



Ele revirou os olhos.



— Você quer mesmo fazer isso?



Arqueei a sobrancelha.



— O que? Você perguntou e eu respondi. Estou organizando isso há semanas. Semanas. Já comuniquei a Chanel e a Daria. Consegui as roupas, o espaço, tudo.



Quase tudo.



— Você é tão manipuladora. Porque você sempre faz essas coisas sozinhas? Não pode ser como as pessoas normais e contar com a ajuda das pessoas?



— Você está me chamando de anormal? — Acusei.



— Bella…



— Isabella. Porque insiste em me chamar assim se você sabe que eu não gosto?



Ele revirou os olhos novamente. Gesto esse que me irritou. Ele não ia responder, eu sabia disso, então, me levantei indo em direção ao bufê. Eu estava com fome de qualquer jeito e aguentar Edward falando não estava nos meus planos agora. Peguei um prato e comecei a me servir.



Nós tínhamos uma relação louca. O que estava acontecendo, afinal? Uma hora nós estávamos sendo amáveis um com o outro, em outra estávamos discutindo como se fossemos adolescentes. Estávamos numa montanha russa emocional relativamente forte. Eu precisava pensar. Pensar. Meu modo de agir estava me irritando. Eu só queria pensar um pouco. Eu precisava pensar um pouco.



Larguei o prato no lugar que eu peguei e fui em direção de um lugar vazio. Pessoas andavam ao redor de mim. O falatório era alto. Eu reconhecia diversas línguas. Seus lindos e caros vestidos passeavam pelo lugar. Havia uma pequena escada um pouco afastada de todas aquelas pessoas e me sentei.



Ok, vamos lá. O que ocupava minha mente (a) Aro (b) Sessão (c) Edward.



O tópico (a) era relativamente fácil. Eu havia entendido o porquê Alice, Emmett e Edward agiam daquele modo com Aro. Eu tinha que me lembra de perguntar com o que o homem trabalhava. Isso pouparia muitas discussões internas. Será que ele era da máfia, como Emmett havia dito? Talvez.



Ok, tópico (b) Sessão. Eu não sei por que isso estava na minha cabeça. Estava tudo certo. Eu estou sendo psicótica.



Tópico (c) Edward. Eu estava confusa. Eu não o amava. Mas, eu também não o odiava. Pelo menos, não o tempo todo. Quando Edward não estava sendo tão… Edward, nós podíamos conviver em harmonia. Ele era engraçado, bonito e inteligente. Mas, o modo como ele parecia gostar de me irritar me deixava louca. Se estivéssemos em Nova Iorque eu tiraria umas férias, esfriaria minha cabeça e voltaria um mês depois completamente normal. Mas, não é como se eu pudesse tirar férias agora. Eu tinha que encarar isso. Eu odiava o modo de como Edward me fazia sentir como se eu tivesse quinze anos. Odiava. Mas, eu gostava quando ele me puxava pra perto, quando ele m fazia rir. Eu gostava do perfume dele, e de como ele me aquecia. Eu não estava apaixonada por ele. E nem o amava. Mas, eu também não o odiava completamente. Eu odiava suas ações, não ele.



— O que está fazendo aqui? — Uma voz soou ao meu lado. Me assustei. Era Alice.



Sorri.



— Pensando. — Respondi afrouxando o nó do meu sobretudo. Eu ainda nem tinha o tirado ainda.



— Em…?



Hesitei. Alice era minha amiga, apesar de ser uma Cullen.



— Eu costumo pensar quando estou confusa.



Ela me olhou como se eu tivesse falado uma coisa óbvia.



— Dã.



Ri levantando as mãos em sinal de calma.



— No Edward. — Admiti.



Ela sorriu docemente.



— Vocês estão bastante próximos, eu vi vocês agora.



— Ele sempre faz algo para me irritar. Ele não pode ser apenas doce, ele tem que fazer algum comentário estúpido ou me criticar ou fazer algo estúpido. E me irrita. Me irrita o modo como ele fala as coisas, como ele me acusa de ser manipuladora. Ele me fez uma pergunta e eu apenas respondi. Isso é tão irritante.



Alice mantinha o sorriso no rosto. Ela afagou meu cabelo.



— Você sabe que ele não vai mudar. Ele é assim. Idiota, estúpido, babaca, e todos os adjetivos que você usa para descrevê-lo. — Dei um riso breve. — Mas isso o torna especial. Vocês têm essa coisa de ligação quando estamos trabalhando e até assusta. Vocês são tão diferentes, mas conseguem entender um ao outro tão bem quando se trata de trabalho que…



— Esse é o problema, Alice. — A interrompi. — Nós não nos damos bem fora do trabalho, muito menos dentro. Nós discutimos sempre. E é sempre sobre as mesmas coisas. — Suspirei e a olhei de esguelha. — Você acha que eu sou manipuladora?



— Não me leve à mal, mas às vezes você é manipuladora, você gosta que as pessoas façam tudo o que você quer, e isso incomoda um pouco o Edward. E sabe por quê? — Neguei. — Porque ele é exatamente como você. São tão iguais que não conseguem conviver pacificamente. Nós já estamos acostumados com Edward, convivemos com ele, e depois com você, por todos esses anos e sabemos como lidar com vocês. Mas, não ele. E você também não.



Franzi o cenho.



Eu não estava entendo mais nada. Eu apenas queria ir pro hotel, deitar naquela cama macia e esperar a modelo e as roupas chegarem. É pedir demais?



— Não sei se vou entender isso um dia. — Confessei e Alice soltou uma gargalhada alta. Sorri para ela. — Alice, você não é, e nunca vai ser um monstro.



Ela sorriu de volta e me abraçou. Quando nos soltamos ela me ofereceu uma bebida que ela estava carregando consigo.



— Não me pergunte o que é. — Ela disse sorrindo.



Entornei a bebida quente na boa e senti a queimação na garganta quando ela desceu.



Levantamo-nos sorrindo uma pra outra. Nossa cumplicidade estava mais forte do que nunca. Voltamos para mesa onde Emmett e Edward comiam bolo. Sentei no meu lugar de anterior e troquei um olhar com Edward. Não íamos pedir desculpas, e o nosso olhar significava “trégua”. Não uma trégua real, uma pequena trégua, pelo menos até que nós não estivéssemos mais em público. Algo não durável.



Apoiei meus cotovelos na mesa e descansei minhas mãos no rosto, segurando-o.



— Quando podemos ir embora? — Emmett perguntou levando o último pedaço de seu bolo à boca.



Edward deu de ombros.



— Só mais meia hora. — Alice murmurou.



— Estou cansada. — Disse relaxando na cadeira.



— Tudo bem, tudo bem, vamos nos despedir do tio Aro. — Alice disse levantando.



Todos levantamos e deixei que Edward pegasse minha mão meio a contragosto. Edward me arrastou até o Aro. Eu ainda estava irritada e seu simples toque me causava raiva, fiz de tudo pra não recuar.



— Meus queridos, já vão? — Aro perguntou com os braços abertos.



— Temos que ir, tio Aro. — Alice disse sorrindo.



Emmett assentiu com uma tristeza falsa estampada no rosto.



— Ah, tudo bem. Foi ótimo revê-los, não sumam da minha vista, meus amores. — Ele deu um abraço em cada um dos sobrinhos e virou para mim fazendo o mesmo. — Isabella, querida, foi ótimo conhecê-la, volte sempre.



E com um sorriso falso no rosto nós fomos em direção à saída do lugar. Assim que pude arranquei minha mão da de Edward e cruzei os braços com as rajadas de vento. Olhei para trás, para ver a grande casa pela última vez, eu estava certa que não a veria mais. E com um breve suspirar adentrei no táxi a nossa espera.



Acomodei-me no assento e peguei meu celular na bolsa, no mesmo instante que ele tocou. Atendi na mesma hora.



[— Alô?



— Isabella, aqui é Ângela…



Franzi o cenho.



— Ângela? Quer falar com o Cullen ou…



Ela riu e me cortou.



— Não é isso, Carlisle ligou pedindo para que vocês passem na festa da Calvin Klein.



Suspirei.



— Isso é sério?



— Sim, passarei o endereço por mensagem porque é meio impossível ler isso. Agora tenho que ir, muito trabalho. Aproveite a viagem.



— Sim, claro. — Murmurei sarcasticamente desligando.]



Recebi a mensagem quase instantaneamente e, com pesar, decretei:



— Temos uma festa da Calvin Klein para ir. — Estendi o telefone para que Alice mostrasse o endereço para o motorista que assentiu assim que viu.



— Que saco. — Emmett murmurou.



— Nós não precisamos ir, Emmett. — Alice disse sorrindo. — Só Edward e Isabella, eles contam com a presença dos dois, não nossa.



Balancei a cabeça.



Agora mais essa.



Que dia chato, o que eu mais queria no momento é deitar naquela cama macia e dormir até o dia seguinte.



Não reclamei muito menos comentei sobre o que Alice havia dito. Meus olhos dispararam até os delas e ela sorriu cansada. Idiota.



Emmett começou a falar sobre alguma besteira. Ao que parece, ficar algumas horas calado foi demais. Apoiei a cabeça no vidro do táxi enquanto era espremida por Emmett que se movia ao falar as coisas. Eu estava cansada demais para reclamar ou discutir a ida ou não de Emmett e Alice na festa. Eu mesmo não estava a fim de ir, apesar de adorar essas festas. Eu sempre encontrava algum conhecido nela, apesar de duvidar muito que encontrasse alguém realmente legal por aqui. Fala sério, porque diabos a Calvin Klein faria uma festa no Japão? Do outro lado do hemisfério. Isso era loucura. O táxi parou na porta de uma galeria e eu desci sem ao menos me despedir. Eu amava meu trabalho, mas às vezes ele era um saco. Eu preferia passar isso tudo sozinha a passar com Edward. Eu ainda estava irritada com ele por ter um temperamento tão idiota. E comigo por simplesmente não conseguir odiá-lo. Ao subir as escadas sentia a presença de Edward ao meu lado e decidi simplesmente ignorá-lo por eu não estar nem com um pingo de paciência pra discutir sobre coisas totalmente banais. Eu iria entrar na droga de festa, beber uma dúzia do drinque mais forte que estiver à minha disposição e andar pelo salão apenas para que as pessoas percebam minha presença. O quanto mais rápido as pessoas me notarem mais rápido eu vou pra cama.



Empurrei as portas e pensei brevemente o quão bom era o isolamento acústico daquele lugar. O som alto me pegou desprevenida e eu sobressaltei. Larguei a porta atrás de mim nem me importando com Edward. Ele não estava ali, pelo menos não para mim. Estendi meu sobretudo para um homem que o pediu com um sorriso engraçado no rosto e entrei. Me espremi passando pela multidão. Dezenas de rostos conhecidos passaram por mim. Ignorei todos ele passando direto para o bar. Pedi algo forte e o bartender estendeu algo que eu entendi ser um whisky. Derramei na boca engolindo tudo numa virada só. Minha garganta gritou, mas eu ignorei. Eu apenas estava cansada demais para fazer alguma coisa. Pedi outro, e no terceiro copo decidi que seria hora de decidir o que eu estava fazendo ali. Peguei outro drink levantando e ignorando a pequena tontura que me tomou. Eu sempre fui fraca por bebida, mas eu estava no controle naquela noite.



Escorreguei pelas pessoas me perguntando por que aquela porcaria estava tão cheia. Eu estava tão irritada. Andei pelo salão fazendo a melhor cara de animada que eu podia. Recebi alguns sorrisos e acenos de pessoas que eu nem me arriscava a ficar em um dois metros de distancias, pelo menos não essa noite. A música era alta e inquietante e minha cabeça já latejava. Andando por aí e conversando com pessoas não tão chatas descobri que Calvin Richard Klein vivia fazendo festinhas aqui. Eu já sabia que ele tinha dezenas de apartamentos espalhados por Tóquio, mas não sabia que essas “festinhas” eram frequentes.



Avistei um banquinho perto do bar e afastado de todas essas pessoas e fui em direção dele. Eu planejava ir até Richard — Sim, Richard, Calvin Richard Klein adorava que o chamassem de Richard — assim que ele passasse até mim e depois entrar num táxi indo direto para o hotel.



Empurrei mais uma pessoa me sentando-me no banquinho apoiando o cotovelo no bar e a mão descansando no rosto. Minha cabeça estava doendo mais do que nunca. Uma loira que eu não conseguia lembrar o nome sentou ao meu lado o começou a tagarelar coisas tão idiotas que meus ouvidos se recusavam a ouvir. Ela ficou ao meu lado cerca de cinco minutos depois se despediu dizendo que iria procurar um homem de nome que eu não lembrava.



Merda.



O que estava acontecendo comigo?



Minha cabeça não podia simplesmente entrar em pane.



Um garçom passou por mim e, assim como pedi, ele estendeu um whisky para mim.



Se isso não funcionar, nada faz essa dor de cabeça parar.



Entornei direto sentindo minha garganta já quase dormente. Pedi outro e quando o garçom me estendeu um corpo colocou-se entre mim e o copo.



Edward.



Revirei os olhos.



— Acho que já está bom de álcool por hoje, né? — Ele disse. Ao som das pessoas de fora soaria fofo, como uma pergunta. Mas nos meus ouvidos, treinados pela CIA, para…



Porra “treinados pela CIA”. Eu estou ficando maluca.



Ou bêbada.



Talvez os dois.



Como eu estava dizendo, meus ouvidos reconheciam quando Edward estava dando uma ordem.



Ele estalou os dois dedos na minha frente e eu pisquei milhares de vezes.



Merda, merda, merda.



Eu estava tonta e via tudo fora de foco.



Minha cabeça latejou outra vez.



Bom, se eu tomei um e quase esqueci a dor, se eu tomar mais uns três ou quatro eu posso esquecê-la totalmente. Mas, primeiro eu tinha que me livrar de Edward e desse cabelo legal.



Gargalhei.



Cabelo legal, sério? Olha o quanto é ensebado.



Cara, eu to ficando bêbada. Eu estava mesmo discutindo comigo mesma?



Ri outra vez e vi Edward me sacudir.



— O que? — Perguntei



Ele estava de cara fechada, pediu algo para o bartender e se voltou para mim.



— Bella, quanto você bebeu? — Ele perguntou chegando perto de mim. Sua mão descansando na minha coxa.



Arqueei a sobrancelha.



Ele ignorou minha sobrancelha arqueada e me estendeu uma garrafa d’água.



Fiz uma careta.



— Edward, minha cabeça está doendo, isso não vai adiantar.



Tive a mínima noção que havia um beicinho se formando e me senti uma adolescente imatura e boba.



Edward fechou os olhos e os abriu segundos depois.



— Bebe isso, Bella. — Ele estendeu a garrafa para mim e eu não consegui recusar.



Levei a garrafa aos lábios e senti que estava realmente com sede. Logo o líquido estava no fim e eu deixei a garrafa vazia no balcão. Edward sorriu.



Maldito homem gostoso.



Ele estendeu para mim outra garrafa, mas essa eu deixei na metade.



— Enxaqueca? — Ele perguntou. Suas mãos já não estavam mais na minha coxa coberta pela meia calça escura.



— Acho que sim. — Murmurei passando as mãos no cabelo tentando imaginar sua situação.



— Dói muito?



— Bastante.



— Você está bêbada.



Eu não estava bêbada…



— Não estou bêbada. — Retruquei irritada e lembrei que deveria o ignorar.



Fechei os olhos tentando ter o controle da minha mente de volta. Eu havia aprendido isso com meu pai. Uma das únicas coisas realmente usáveis que ele havia me ensinado. Bebi o resto da garrafa d’água e pedi a outra. Edward estava sentado no banco na minha frente. Ele estava falando alguma coisa banal, mas eu estava o ignorando. Assim que a garrafa veio para as minhas mãos entornei toda de uma vez.



— Você fica bem de azul… — Edward comentou e desta vez eu prestei atenção. Dei de ombros ignorando o elogio.



O olhei um pouco chocada enquanto a bartender colocava outra garrafa ao meu lado.



A voz de Charlie soou na minha cabeça enquanto eu fazia uma careta para a garrafa “Quanto mais água, menos ressaca”



Os olhos verdes de Edward ainda estavam em mim. Aviste Richard e acenei para ele que veio até nós rapidamente.



— Minha querida… — Richard disse assim que se aproximou. Não reprimi uma careta. — Senhor Cullen… — Apertou a mão de Edward. — Sinto-me honrado de ter os dois aqui.



— Sinto muito, Richard, eu preciso ir. Estamos fora desde bem cedo e eu estou com crise de enxaqueca. — Eu disse levantando-me e dando um pequeno e abraço nele. — A festa estava incrível, eu adorei. Quando eu voltar para o Japão eu venho mais bem disposta, prometo. — Menti. Isso porque eu tinha certeza que não voltaria para o Japão jamais.



— Oh, minha querida, melhoras para você. Espero você, hein. — Ele deu uma risadinha estranha. — Até mais, Edward. Foi ótimo revê-los.



E ele se afastou.



Eu tinha perdido algumas horas de sono apenas para trocarmos três palavras. Fui em direção da saída. Minha cabeça continuava latejando e eu andava me esquivando das pessoas. Quando cheguei à saída peguei meu sobretudo e empurrei a porta. Edward apareceu ao meu lado e fez sinal para o táxi. Entramos e eu fechei os olhos apenas para aliviar a dor.



Mais rápido do que o esperado nós estávamos descendo do táxi. Apoiei-me de leve em Edward por estar meio grogue pelo sono, pela bebida e pela do de cabeça. Num piscar de olhos eu estava na banheira. Decidi que iria usá-la e a enchi de sais.



Afinal, a viagem estava saindo pior que o esperado. Afinal, na minha cabeça, eu só veria os Cullen nos dias das sessões.



Pelo menos minha amizade com Alice só tendia a aumenta; Eu havia aprendido a lidar, ao menos um pouco, com Emmett; E Edward… bom, agora havia essa tensão entre nós. Eu só queria voltar a odiá-lo.



Quando a água começou a esfriar saí da água colocando uma roupa qualquer e jogando-me na cama macia. Antes que o sono me pegasse duas batidas soaram na porta e quando eu murmurei um “entra” Alice apareceu com um copo nas mãos.



— Pra sua dor de cabeça. — Ela estendeu o copo e o comprimido. Engoli o comprimido dando apenas um pequeno gole na água. Eu já estava cansada de olhar para aquele líquido transparente. Se eu me movesse rápido demais eu podia ouvir a água se movendo na minha barriga.



— Obrigado. — Agradeci me arrumando na cama.



Ela sorriu fraco.



— Só melhore, ok? — Assenti. — Mais tarde eu passo aqui para ver se você está melhor.



— Tudo bem.



Alice saiu apagando a luz, eu estava cansada demais para fazer alguma coisa, então apenas fechei os olhos e senti minha consciência ser levada para longe de mim.



Notas finais
Oi gente, espero que tenham gostado desse capítulo. Viu, quase não demorei pra postar. A partir de agora a fic vai ficar mais cool, prometo. Então quer dizer que eu tenho 52 leitoras que acompanham a fic, mas só 8 comentam. Poxa, isso desanima. Eu disse que iria postar mais cedo, mas estou cheia de coisa pra fazer, então, para não deixar vocês na mão, escrevi rapidinho e vim postar.
Quem vai fazer uma autora feliz e mandar uma recomendação? As aulas começam dia 4 e eu quanto mais gente comentando mais feliz eu fico e mais cedo eu tiro um tempinho e posto. Preciso saber o que vocês acham, é importante para mim.
Então, como sempre, quem mandar um review ganha uma espiadinha de brinde e quem recomendar ganha um brinde melhor. Quem trouxer uma amiga que lê e comenta também ganhar brinde.
Beijossssssssssss e até mais s2