Vanity Fair
6 Fora dos Planos
Notas iniciais
Uma música alta ecoava na minha cabeça. Me remexi, inquieta, na cama. Meus olhos pesavam um pouco e minha cabeça doía. Sentei na cama tentando adaptar meus olhos à escuridão do quarto. A música lá fora ainda tocava. De relance, olhei para a janela perto de mim e vi que ainda estava escuro. Soltei um muxoxo e levantei da cama indo em direção ao barulho. Abri a porta e, desta vez, tive que me acostumar com a claridade. O som vinha da sala. A música alta já estava me incomodando e eu tive vontade de gritar porque não era possível num lugar daquele tamanho eu era a única incomodada com o som.
— Finalmente acordou. — Ouvi Alice cantarolando quando pus os pés da sala. Cocei a cabeça ao ver todos arrumados. Emmett, sentado do outro lado da sala, acenou animado. E logo a música estridente cessou.
— O que eu perdi? — Perguntei bocejando.
— Você tem vinte minutos para se arrumar para a sessão de hoje, caso contrário nós deixamos você aí. — Ouvi uma voz conhecida e virei-me para encarar seu dono. No meu rosto uma expressão completamente debochada.
— Posso fazer em menos. — Murmurei saindo da sala e voltando para o quarto.
A primeira coisa que fiz quando cheguei no cômodo foi acender a luz do quarto, nem quis saber a hora, mas eu podia apostar que era muito, muito, cedo. A julgar pelo dia ainda estar demasiadamente escuro.
Rumei para minha mala pegando a roupa já separada anteriormente e indo em direção ao banheiro. Tomei o banho mais rápido da minha vida e saí de lá já arrumada. Uma blusa Chanel clara e um short Balenciaga preto. Nos pés usava um tênis Nike preto e rosa confortável. Nós íamos para uma floresta aqui perto, na verdade, eu bati o pé para que nós fossemos para a Amazônia, mas não deu certo. Os editores adoraram a ideia, mas Carlisle não. Eu não sabia por que, mas a ideia de eu com seus filhotinhos queridos no meio de um monte de mato, o dava calafrios.
Prendi meu cabelo num rabo de cavalo e peguei um dos meus óculos de sol prediletos o colocando na cabeça. Peguei a primeira bolsa que vi jogando todas as bugigangas que eu poderia usar hoje e sai do quarto. Eu estava pronta pra entrar numa floresta... eu acho.
— 19 minutos. — Ouvi Emmett murmurar rindo.
Alice apontou para mesa rindo e eu fui em direção dela começando a tomar o café da manhã. Enquanto eu comia, nós conversávamos sobre o lugar que visitaríamos hoje, gemi de insatisfação ao saber que nós faríamos uma trilha.
— Isso não pode ser verdade. — Reclamei levantando da mesa.
— Isso vai ser engraçado, acho que deveríamos filmar, Emmett. — Edward disse.
Emmett gargalhou.
— Boa ideia. — Emmett respondeu batendo palmas e sumindo pelo corredor.
Revirei os olhos voltando ao quarto para escovar os dentes e logo estava de volta a sala.
— Vamos? — Perguntei quando cheguei à sala e vi todos já de pé.
Saímos do apartamento e entramos no elevador num silêncio confortável. Em questão de segundos nós já tínhamos saído do elevador entrávamos no táxi. Como já era de se esperar, não era o Pablo e eu me perguntei onde estaria o homem. Como de costume, Alice foi na frente e eu fiquei no meio de Emmett e Edward. Nós não precisávamos discutir nada, tudo já fora pensado e repensado diversas vezes e nós não poderíamos mudar nada.
O dia já dava sinal de vida. O sol surgia no horizonte.
— Argh, esse lugar é tão lindo. — Ouvi Alice murmurar e sorri de lado.
— Eu sinto falta de Nova Iorque. — Confessei.
— Sim, eu também… — Alice concordou. — Espero que o lugar não seja tão longe.
— Estou cansada de andar de táxi, quero dirigir. — Reclamei.
Eu não era fã de táxis, na verdade, eu amava dirigir.
— Advinha qual o carro que eu vou comprar? — Emmett perguntou para alguém que eu percebi claramente ser para o irmão.
Eu amar dirigir e entender de carro são coisas completamente diferentes. Eu sabia que o carro que eu dirigia era ótimo e atendia todas as minhas necessidades, agora, esse negócio de cavalos e potencia, definitivamente, não era comigo.
Edward e Emmett conversavam animados e de relance captei o olhar entediado de Alice. Peguei o celular na minha bolsa e ri escrevendo a mensagem
”De: Isabella
Para: Alice
E o loiro gostosão?”
Vi Alice pegar o celular e virar a cabeça para mim rindo e escrevendo.
“De: A.
Para: I.
Sei lá, nós dois já tivemos o que queríamos, está muito bom assim.”
Ri guardando o celular, mas outra mensagem me surpreendeu.
“De: Curiosa
Para: Gatinha com a blusa do meu irmão
Explique-se ;)”
Revirei os olhos digitando.
“De: Isabella
Para: Idiotinha
Não aconteceu nada demais.”
Alice estava digitando tão rápido e variava o olhar entre o celular e o espelho na qual via meu reflexo refletido. Outra mensagem.
“De: Alice
Para: Isabella
Vago demais…”
Ri, atraindo a atenção de Emmett.
— O que? — Ele perguntou.
— Não se mete. — Ralhei voltando minha atenção para o celular.
“De: Isabella
Para: Alice
Te dou o direito de fazer 3 perguntas, não as desperdice”
Alice olhou para mim de relance e sorriu maleficamente. Tremi por antecipação.
“De: Alice
Para: Isabella
O que você estava fazendo com a blusa do Edward?”
Revirei os olhos digitando.
“De: I.
Para: A.
Ele me emprestou.”
“De: Alice
Para: Isabella
Em que quarto você dormiu na noite passada?”
Out, Alice não estava dando espaço para as minhas evasivas.
“De: I.
Para: Alice
Do Edward.”
Alice sorriu maliciosamente.
“De: Alice
Para: Isabella
Você transou com ele?”
Arqueei a sobrancelha incrédula. Alice achava que eu realmente faria isso?
“De: I.
Para: A.
É claro que não.”
Alice virou para me olhar e eu dei de ombros.
“De: Alice
Para: Isabelinda
Explica direito”
Fiz um sinal de depois e Alice bufou. Olhei para os lados e reparei que tanto Emmett quanto Edward estavam interessados demais na nossa troca de sinais do que deveriam.
— Chegamos. — Alice disse e nós descemos do táxi.
Olhei em volta e vi a entrada de uma floresta. Havia diversos carros ali. O sol já estava no céu e enquanto nos aproximávamos da entrada. Uma loira saltitante se aproximou de nós com um sorriso gigante.
— Bom dia… — Ela cantarolou. — Eu sou Kate, da Vanity Fair Brasil e, como Carlisle pediu, eu trouxe minha equipe. Esse daqui… — Ela puxou um homem de cabelo preto. — esse daqui é o Garrett.
O homem sorriu e olhou para mim dos pés à cabeça, depois fez o mesmo com Alice. Ele riu dividindo olhares entre meus pés e os pés de Alice.
— Sinto desapontar as princesas, mas vocês terão que trocar de sapato. — Ele disse cruzando os braços.
Sujeitinho prepotente.
— E o que você pretende que eu coloque? — O desafiei.
Quem aquele cara achava que era para falar comigo daquele jeito?
— Que tal galochas?
Arqueei a sobrancelha.
— Um segundo. — Kate disse correndo em direção a uma das vans e voltando com dois pares de galochas. Um vermelho e outro rosa. Ela estendeu a vermelha para mim e a rosa para Alice. Calcei meio a contragosto.
— Onde deixo meu tênis? — Perguntei.
— Cara, você é muito chata. — Edward disse e eu revirei os olhos.
— Cala boca, coisa insuportável.
Kate riu.
— Pode deixar comigo.
Sorri a entregando e Alice fez o mesmo.
— Cara, isso é muito estranho. — Alice disse olhando para seus pés.
Emmett gargalhou.
— Vocês parecem duendes.
Edward riu também.
A galocha me trazia tudo, menos estabilidade. Eu sentia que podia escorregar a qualquer momento. Dei um passo à frente, insegura, e quase fui ao chão.
— Ops, isso não é uma boa ideia. — Murmurei.
— Elas são escorregadias aqui, mas na mata são ótimas. Vai por mim. — Kate disse voltando.
Assenti segurando em Emmett meio a contragosto.
— Gisele já chegou? — Perguntei.
— Sim, ela está quase pronta, então sugiro que vocês subam logo. — Kate respondeu.
— Ok, vamos? — Edward perguntou.
— Vamos. — Eu disse num suspiro.
— Emmett, você carregaria sua maninha até a entrada da trilha? — Alice perguntou batendo os cílios angelicalmente.
— Suba nas minhas costas, eu estava mesmo precisando fazer exercícios. — Emmett disse virando para que a irmã subisse. Assim que ela o fez ele saiu o correndo. Duas crianças.
Dei um passo à frente hesitante e quase caí.
Fala sério, qual era o problema dessas galochas?
Ouvi Edward gargalhar.
— Isso escorrega, ok? — Ralhei irritada.
— Vem logo, não temos o dia todo. — Ele murmurou me puxando pelo braço.
Não reclamei, apesar de estar doendo. Assim pelo menos eu tinha menos chance de cair.
Edward parou de me rebocar quando entramos na trilha. Sorri ao perceber que meu equilíbrio tinha voltado. Encontramos Emmett e Alice no caminho. E logo começamos a subir.
A floresta era úmida, nós subíamos pela trilha com cuidado, pois escorregar não estava nos planos de ninguém. A trilha era ótima, era como se nós tivéssemos andando em um lugar normal. Com um suspiro comecei a ver a movimentação ainda longe. Nós não íamos avançar muito.
Apertei o passo para chegar mais rápido e logo estávamos no lugar em que seria realizada a sessão. Já estava quase tudo pronto. Alice foi cuidar dos últimos detalhes, Emmett foi procurar algo para comer, Edward foi falar com alguma pessoa desconhecida e eu localizei Gisele sentada num lugar afastado tomando água de coco. Me aproximei sentando ao lado dela pronta para fazer algumas perguntas para colocar no artigo.
— Oi Gisele… — Eu disse sentando ao lado dela.
— Oi Isabella, como está? — Perguntou casualmente.
— Estou bem, sabe o que é curioso? — Ela negou. — Estamos tanto tempo no ramo e nunca nos conhecemos. Quero dizer, eu conheço tanta gente que as vezes nem lembro o nome, mas nunca tinha percebido que eu não conhecia você.
Ela riu assentindo.
— É verdade.
— Como você começou a carreira?
— Ah, eu fui encontrada num shopping por um olheiro e daí comecei a fazer campanha atrás de campanha, fui para Nova Iorque junto com algumas garotas e nós fizemos bastante sucesso, fomos uma geração bastante vitoriosa.
— Você sente saudade daquele tempo? — Perguntei.
— Não. — Ela disse e nós rimos. — Não que nós temos passado por dificuldades financeiras, eu era jovem, tinha o que? 15 anos. E estava num país desconhecido sem família por perto. Foi um período complicado da minha vida.
Sorri.
— Te rotulam muito?
— Nossa, demais. Você não tem noção. Tem uns que são realmente engraçados.
— Qual é o seu preferido?
— Garota outdoor; o pessoal da minha cidade que deu, eles diziam que me viam em cada outdoor da cidade.
Rimos mais uma vez.
— Acho que esse vai ser o título do artigo.
Olhei para ela novamente e sorri tendo uma ideia. Busquei na minha bolsa minha inseparável Cannon e virei para ela.
— Posso tirar uma foto sua? Você está tão confortável, vai ser uma Gisele diferente da que estamos acostumados.
— Vai em frente. — Ela disse sorrindo.
Tirei cinco fotos e guardei a câmera quando a chamaram.
Ela saiu acenando e foi trocar de roupa. Sentei num lugar onde pudesse ver tudo com uma facilidade absurda, vez ou outra eu fazia um comentário que Gisele seguia com um sorriso no rosto. Seria ótimo se todas as modelos fossem assim, absolutamente fácil.
Demos uma breve pausa para almoçar e voltamos a fotografar, só que dessa vez era num lago que tinha ali. A água estava um pouco fria, mas Gisele pareceu ignorar. As peças da Chanel eram perfeitas. Eles tiveram até a preocupação de mandar uma roupa não runway para gente. Um macacão militar. Sorri ao senti a noite cair. Emmett e Edward estavam sentados ao meu lado enquanto Alice disparava flash seguido de flash.
— Ok, última foto… — Alice disse e disparou o último flash.
— Levem uma toalha para Gisele. — Eu disse enquanto ela saia do lago. — Alice, assim que puder me mande as fotos, quero fazer isso tudo logo.
Alice fez um sinal de positivo com os dedos e logo voltamos a descer a trilha. Nós tínhamos que ir embora antes que escurecesse e foi isso que fizemos. Entreguei as galochas para Kate e ela me devolveu meu tênis. Íamos pedir um táxi, mas Kate nos impediu mandando alguém levar nós quatro até o hotel.
Entramos no carro exaustos.
— Gostei da Gisele. — Eu disse.
Emmett estava sentado na frente dessa vez e eu mantinha cabeça no ombro de Alice. Eu estava surpresa o quão próximas nós estávamos. Nós já éramos amigas, mas tudo havia se intensificado na viagem.
— Eu também. — Alice concordou.
— Não deu tempo de eu pedir o telefone dela. — Emmett lamentou.
— Ela é casada, Emm. — Alice murmurou.
— Sério?
Todos rimos.
— A sessão foi bastante produtiva. — Edward comentou.
Eu assenti.
— Nós viajamos quando? — Perguntei.
— Amanhã de tarde. — Edward respondeu.
— Uhh, então ainda dá tempo de ir pra praia? — Emmett perguntou animado.
— Ótima ideia, Emmett. — Alice respondeu e o cabeçudo virou para bater na mão da irmã.
O resto do caminho foi feito com Emmett se programando pra ir pra praia e logo nós já estávamos em casa. Rumei para o quarto começando a escrever o artigo. Nem troquei de roupa, eu não ia sossegar até ver tudo na tela do computador. Pedi que Emmett, Edward e Alice escolhessem as fotos, para adiantar o meu lado e assim que acabei de escrever meu artigo peguei as fotos que Alice tinha me mandado e mais uma das cinco fotos que eu havia tirado de Gisele. Me surpreendi ao ver que eram três páginas. Assim que acabei mandei para o email de Carlisle. (artigo página um–- página dois –- página três)
Fui para o banho e voltei enrolada na toalha me jogando na cama. Nossa próxima parada seria a Austrália e era outro país com tudo armado. Coloquei um pijama e voltei a deitar na cama pensando no Japão. Nós tínhamos que arrasar nessa sessão.
Peguei meu computador o carregando até a sala. Os três irmãos Cullen estavam jogados na sala conversando coisas idiotas.
— Meu artigo. — Eu disse deixando na mesa de centro enquanto os três iam em direção do notebook.
— Já? — Edward perguntou.
— Sim, estou inspirada.
Fui até a cozinha pegando uma maçã e me jogando no sofá enquanto Edward e Alice liam. Emmett estava debruçado na varanda olhando para o horizonte.
— Que foto é essa? — Alice perguntou apontando para a tela do computador.
— Eu que tirei, achei que era legal mostrar um outro lado dela.
Alice assentiu em compreensão voltando sua atenção para a tela do computador.
Bocejei me sentindo cansada e fechei os olhos. Cansada demais para ir para o meu quarto. Deixei aos poucos a consciência me levar.
(XXX)
Abri meus olhos com calma me sentindo um pouco desconfortável demais. Virei de novo e trombei com um corpo e abri meus olhos mais rapidamente me perguntando qual era a merda que eu tinha feito agora e suspirei aliviada ao perceber que era só Alice.
Estávamos na sala. Todos nós havíamos pegado no sono. Edward estava jogado no outro sofá com o computador em cima do peito e Emmett no chão no meio de dezenas de revistas. Cocei meus olhos levantando e olhando o relógio. Eram 11 da manhã. Meu relógio biológico estava ficando maluco. Revirei os olhos indo até a cozinha pegando qualquer coisa que pudesse me alimentar. Decidi que ia fazer panqueca. Procurei pela cozinha os ingredientes e comecei a fazer tudo. Assim que preparei coloquei no fogo e fui tomar um banho. Não lavei o cabelo. Coloquei um short e uma blusa básica e peguei meus óculos de leitura na bolsa. Eu não gostava de usá-lo, mas era necessário. Prendi um cabelo num coque mal feito e me direcionei até a bancada colocando meu notebook lá. Comecei a ver as notícias. Nada demais, a bolsa subia, o dólar subia, o euro subia, tudo subia. Vi a previsão do tempo na Austrália e sorri ao perceber que estava numa temperatura agradável. Lembrei que tinha que ligar para Carlisle e fui para o quarto pegar o meu celular.
Depois de uma conversa agradável com ele, desliguei. Ele havia amado o artigo e que não via a hora de contar as novidades. Novidades essas que ele disse que não podia contar pelo telefone.
De repente um barulho muito chato começou a soar. Muito chato mesmo. Fui em direção à cozinha que parecia ser a fonte do barulho. Mas estanquei ao ver uma nuvem de fumaça tomando conta do cômodo.
Oh merda, as panquecas. Entrei na cozinha e trombei em alguma coisa. A mesma coisa me segurou impedindo que eu fosse ao chão.
— O que você fez, Isabella? — Ouvi uma voz perguntar e deduzi ser Edward.
Quando eu ia responder começou a cair água do teto. Me soltei de Edward e fui em direção do fogão apagando o fogo.
— Panqueca, agora deixa de ser lezado e me ajuda a abrir as janelas. — Eu disse abrindo as janelas para que a fumaça saísse. A água parou de cair e o barulho cessou.
— Você estava tentando nos matar ou o que? — Edward perguntou irritado e eu gargalhei.
— Sim, estava, mas esqueci de sair do flat. — Disse ironicamente sentando no balcão onde minutos atrás meu notebook estava.
— Você é muito irresponsável, Isabella. — Edward disse alto demais se aproximando.
— Quem você acha que é pra me chamar de irresponsável?
— Edward Cullen. — Ele disse sorrindo debochado.
Devolvi seu sorriso, eu estava um pouco incomodada com a proximidade que nós dois nos encontrávamos.
— Nossa, grande coisa. Você não é ninguém para me chamar de irresponsável. Você é ridículo, não pode sair xingando os outros por aí.
Ele me encarou incrédulo.
— Acho que você está se descrevendo. Fala sério, como você sobrevive? Você não sabe fazer nada direito, nem uma simples panqueca.
— Oh, me desculpe se eu não sou uma chefe de cozinha. — Gritei de volta tirando o óculos e o deixando em cima da bancada. Senti meu coque mal feito se desenrolar e meu cabelo cair em cascata pelas minhas costas.
Edward enrijeceu. Seus olhos se fecharam instantaneamente e se abriram de novo, desta vez numa coloração diferente, seus olhos verdes estavam mais escuros do que eu jamais tinha visto. Edward passou a mão no cabelo e eu mordi meu lábio hesitante. Olhei para ele novamente e reparei que estava sem camisa. Vacilei. Senhor, Edward estava mais gostoso do que eu tinha reparado. Cada linha do seu peito era perfeita. Voltei meu olhar para os olhos de Edward e ele mantinha um sorriso debochado. Fechei os olhos voltando ao estado de espírito anterior.
— Gostou? — Ele perguntou.
Franzi o cenho. Do que o retardado estava falando?
— De que? — Perguntei.
— Da vista. — Ele disse e eu o olhei incrédula. Ele se aproximou mais de mim e colocou cada mão em uma perna minha.
— Você tem cinco segundos para se afastar…
Não consegui terminar a frase. Minha boca foi tomada pela boca de Edward. Sua língua pediu passagem e eu dei, mesmo sem saber por que nós estávamos fazendo isso. Meus olhos se fecharam automaticamente e minhas mãos foram para o seu peitoral nu. Nós nos beijávamos com loucura. Suas mãos estavam no meu cabelo e me puxavam ainda mais em direção a ele. Gemi quando Edward me puxou mais pra si fazendo com que nossas intimidades se tocarem. Arranhei seu peitoral com minhas unhas em forma de punição por ele estar nos sujeitando àquilo, mas tudo que eu recebi de volta foi um gemido rouco. Rodeei suas costas com as minhas pernas e paramos de nos beijar quando o ar era mais do que necessário, Edward direcionou sua atenção para o meu pescoço e eu meus olhos se reviraram de prazer. Minhas mãos foram para os seus braços os apertando com força. Nossas intimidades se roçavam e nós buscávamos o maior atrito possível entre elas.
Eu já estava molhada. Tinha uma parte do meu cérebro que dizia que qualquer um podia entrar ali, mas isso pareceu me excitar ainda mais. Apertei mais minhas pernas em volta de Edward puxando-o para me beijar outra vez. Nossas línguas brigavam entre si numa guerrinha muito gostosa. Edward colocou uma de suas mãos na minha perna e começou a alisar a parte interna da minha coxa. Meu desejo só aumentou. Mais uma vez separamos nossas bocas e Edward começou a chupar o lóbulo da minha orelha. Soltei um gemido baixo e me apertei mais ainda nele. Seu membro, duro, apontava em minha direção. As mãos de Edward saíram da minha perna e foram para as minhas costas. Suas mãos passeavam por elas subindo e descendo sem parar e deixando rastros quentes. Quando Edward me beijou novamente invadindo minha boca com a sua língua minhas mãos foram parar nas suas costas. Arranhei-a com uma força involuntária que só fez o membro de Edward endurecer mais.
Como se fosse num piscar de olhos Edward me carregava pela cozinha, depois pela sala e logo ele me jogava em cima da cama pressionando seu corpo em cima de mim. Eu não podia fazer aquilo. Aquele era Edward.
Tudo aconteceu muito rápido. O telefone tocou, minha ficha caiu e eu emperrei Edward. Ele me olhou com um misto de confusão, irritação e rejeição.
— Você me agarrou. — Acusei.
Edward riu.
— Você fica vinte vezes mais desejável quando está irritada. — Ele disse se aproximando novamente e arrancando-me um beijo.
Que raiva. Aquilo era golpe baixo, era impossível dizer não para Edward.
Edward segurou a barra da minha camisa, mas não a tirou. Ele riu quando viu que eu demonstrava resistência. Ou pelo menos tentava. Fiquei irritada com isso. Suas mãos passeavam por todo meu torso.
— Edward, para… — Murmurei sem vontade nenhuma que ele realmente fizesse isso.
E com um sorriso debochado ele se desgrudou de mim e se levantou da cama.
O observei levantando da cama e indo até a porta, mas antes de sair ele se virou e disse:
— Se quiser continuar o que isso venha até meu quarto.
E então saiu.
Soltei um grito de raiva.
Quem aquele babaca acha que é pra me deixar assim?
“Burra” — Meu corpo gritava.
Se aquele babaca achava que eu ia atrás dele, ele estava muito enganado. Rumei para o banheiro retirando todas as minhas roupas e me colocando em baixo do chuveiro. A água gelada escorria pelo meu corpo acalmando um pouco o calor que se formava dentro do meu corpo.
Malditos hormônios!
Saí do chuveiro e, ainda de toalha, me fiz arrumar minhas coisas.
Nós partiríamos hoje e eu queria deixar tudo pronto. Enquanto guardava minhas coisas ouvi meu celular tocar mais uma vez e corri para atender.
[“—Alô?
— Isabella, é o Jacob…
— Oi, idiota. — Caçoei sorrindo ao ouvir a voz do meu primo e um dos editores da revista. — Como estão as coisas?
— Preciso que você venha até Dublin o mais rápido possível.
— O que?! Por quê?
— Precisamos que você compareça a uma reunião de urgência.
Franzi o cenho.
— Reunião de urgência? Não pode mandar outra pessoa?
— Carlisle está de férias, ele e Esme estão num avião para Roma, nesse exato momento.
— Por quê?
— Temos fortes indícios de plágio e sabotagem.
— O que? — Me exaltei.
— Ao que parece, um de nossos funcionários está passando informações para a Vogue.
— Posso saber que funcionário é esse?
— Jéssica Stanley.
— Embarco agora mesmo, me atualize.
— Ok, vou mandar tudo por e-mail.
— Tudo bem, Jake, até mais.” ]
— Argh… — Gritei o mais alto que podia.
Comecei a fazer minhas malas o mais rápido possível.
Xingamentos em todas as línguas conhecidas por mim saiam pela minha boca.
A vadia era minha secretária.
Eu nunca havia arrumado minha mala tão rápido antes. Peguei a primeira roupa que achei na minha frente nem reparando qual era. Se me perguntassem a cor em nem saberia como responder. Calcei meus saltos e gritei novamente.
— Que foi, tá tão necessitada assim? — Edward disse entrando no meu quarto calmamente.
Parei tudo o que estava fazendo para mandar o olhar de ódio mais profundo que eu tinha. Depois corri para o banheiro prendendo meu cabelo novamente e fazendo uma maquiagem leve. Voltei para o quarto e soltei outro grita de ódio.
Aquela vadia tinha acesso a tudo. Alcancei meu celular ligando para Jake outra vez.
[— Jake, compre minha passagem, estou saindo do hotel agora. — Eu disse assim que ele atendeu.
— Isabella, calma, não é assim.
— Não é assim? Jacob faça o que eu estou mandando AGORA”]
Desliguei o telefone jogando-o dentro da minha bolsa.
— Não acredito que você vai embora por causa do que aconteceu. — Edward disse me olhando incrédulo. Retribuí o olhar.
— Óbvio que não. — Revirei os olhos.
Abri todas as minhas malas pegando todas as roupas que eu ia precisar jogando-as em outra mala. Em seguida fechei tudo novamente e peguei minha bolsa.
— Você não vai mesmo me explicar o que está acontecendo?
— Jéssica Stanley está passando informações para Vogue. — Disse irritada puxando minha mala pelo corredor. — A vadia está até nos sabotando.
Edward me seguiu.
— Jéssica a…
— Sim, Edward, Jéssica a minha secretária.
Edward começou a falar coisas desconexas e eu o ignorei indo até a porta, mas parei quando ouvi meu nome sendo chamado.
— Sim, Edward, eu vou voltar.
— Isabella, onde você está indo? — Ouvi Alice perguntar.
— Dublin. — Disse já dando as costas.
— Isa… — Emmett chamou e eu me virei mais uma vez. — Por quanto tempo?
— Não muito, assim que eu matar aquela vadia, eu volto.
Emmett riu.
Olhei para Edward e ele avançou um passo.
— Você não pode viajar assim, Isabella. Acalme-se.
O olhei incrédula.
— Não vou me acalmar até encontrar aquela vadia. Levem minhas malas, encontro vocês no Japão.
Dizendo isso saí do flat e entrei no elevador. Minha cabeça planejava várias formas de matar aquela vadia. Saí do elevador correndo ao receber uma mensagem de Jacob falando que meu voo saia em vinte minutos.
Entrei num táxi parado e falei uma das únicas palavras em português que eu recordava “aeroporto”.
O motorista assentiu e irrompeu pela cidade. Não sei se era impressão minha, mas senti que o motorista voou e eu logo estava saindo do táxi. Joguei algumas notas no banco da frente, peguei minha mala e corri pra fazer o chek-in. Passei por toda aquela palhaçada e entrei no avião. Jacob estava tão preocupado comigo que havia reservado a primeira classe.
Sentei no avião e ouvi meu celular tocar.
[— Alô?
— Bella…
— Edward, pare de me chamar assim droga, você só está me irritando mais. E pra que você ligou?
— Bella, respira. Acabei de falar com Jacob, acalme-se, eu sei o que você pode fazer quando está surtada, respire.
— Edward, vai se fuder, ok? A idiota era minha secretária, eu confiei nela. Ela lia cada linha de cada artigo meu. Você acha que eu vou deixar isso barato?
— Bella, calma…
— Eu juro que se você mandar eu me acalmar de novo eu vou te matar.
— Como? Por pensamento?
Mesmo com todo ódio, eu fui forçada a rir.
— Alice está mandando você comer alguma coisa, antes que você desmaie de raiva.
Ouvi a voz de Emmett e em seguida gargalhadas.
— Emmett acabou de abrir o fogo, aquilo é o que você chama de panqueca? Fala sério.]
Abri meu computador enquanto Edward falava com os irmãos ao fundo. Fui direto para o meu e-mail e vi que tinha um da Jéssica. Desliguei o telefone sem ao menos me importar em me despedir e comecei a ler o e-mail.
“Isabella, espero que não se importe, mas vou ter que tirar férias, são férias rápidas, nada demais, apenas alguns dias. Já revisei seus artigos da próxima edição, estão ótimos. Me ligue se precisar de algo.
Beijos,
Jéssica”
Minha irritação voltou e o celular tocou novamente.
[— O que foi?
— Pensei que estava mais calma, Bella.
— Acabei de receber um e-mail da vadiazinha, ela está pedindo férias e disse que revisou meus próximos artigos. Puta que pariu, Edward. Meus artigos preferidos.
— Bella, relaxa…
— O cacete que eu vou relaxar, essa idiota não sabe com quem ela se meteu. Eu vou arrancar aquele sorrisinho da cara besta dela com as minhas próprias unhas. Pena que elas estão pequenas e quase não vão fazer danos naquele rostinho horroroso dela, estou pensando em colocar unhas postiças.
Ouvi Edward gargalhar do outro lado da linha.
— Bella, já pensou em procurar um psicólogo? Você está surtando, falando coisas completamente sem nexo.
— Vai se fuder, Edward.
Ele riu mais.
— Enfim, suas unhas estão pequenas, mas arranham.
— Claro que não, elas estão muito pequenas nem sinto mais que as tenho…
— Para de drama, Isabella, minhas costas estão doendo até agora dos arranhões que você deixou mais cedo. ]
Minha sobrancelha se ergueu automaticamente. Eu não estava acreditando que Edward estava falando sobre isso comigo. Tirei o telefone da orelha e o encarei por alguns segundos, incrédula demais para falar alguma coisa. Por fim, desliguei o jogando dentro da bolsa.
Sujeitinho petulante.
Olhei para o relógio no meu pulso e ainda faltavam dez minutos para o embarque. Ouvi meu celular tocar.
Cacete, quantas vezes eu ia ouvir a musiquinha irritante soar?
Era Alice. Recusei sua chamada, incomodada. A aeromoça apareceu e começou a tagarelar nos instruindo a usar o cinto de segurança e os procedimentos que teriam de ser adotados numa situação de emergência. Bufei entediada voltando a penar nas inúmeras maneiras de matar uma pessoa dolorosamente. Um homem na poltrona da frente roncava. Isso poderia me incomodar num dia comum, porém, para passar o tempo, passei a cada barulho que saia da de sua boca. Em algum momento perdi a conta e decidi dormir, a viagem demoraria bastante.
Um barulho irritante soava insistentemente. Me remexi, inquieta e levantei a cabeça. Ao abrir os olhos percebi que estava no avião. Apertei meu cinto novamente e esperei o avião pousar. Eu estava relativamente mais calma. Mas, a raiva que eu tinha da garota continuava forte. Assim que o avião pousou, peguei minha bolsa e saí do avião em disparada já discando o número de Jacob.
[— Isabella.
— Já desci do avião, me diga onde tenho que ir e quando.
Jacob suspirou parecendo aliviado.
— Que bom que está mais calma, você tem reserva no hotel de sempre. Nós vamos dar um flagra nela hoje. Quando você chegar aqui no hotel eu te explico melhor.
— Você está aqui?
— Dã, mas é claro.
— Ok, chego aí em dez minutos.]
Peguei minha mala e, sem me importar, a abri tirando minha jaqueta Balenciaga vermelha. Estava frio em Dublin, cocei meu nariz, eu era alérgica a mudanças de tempo, e sair do calor infernal do Brasil e ir parar num frio irlandês insuportável era terrível. Puxei a mala pelo aeroporto. Assim que coloquei os pés para fora do lugar fiz sinal para o táxi e entrei dizendo o nome do hotel em que eu me hospedava sempre que ia para Dublin. Todas as reuniões sérias eram realizadas na Irlanda, mais precisamente em Dublin. Era algo que eu nunca havia entendido, porém não tinha do que reclamar, eles também falavam inglês. O trajeto era rápido e eu logo me vi pagando a corrida e descendo. Entrei no hotel sentindo o cheiro gostoso do lugar e me direcionando até a recepção.
A mulher tinha beirava os 20 anos. Era uma garota. Mantinha seus cabelos negros presos num coque e uma maquiagem extremamente forte. Seus olhos gritavam tédio.
— Oi… — Sorri antipaticamente para a mulher na minha frente. — tem uma reserva com meu nome…
— Não, você não tem. Estamos lotados. — Ela me interrompeu com um sorriso debochado.
Minha sobrancelha se arqueou.
— Queridinha… — Meu debrucei no balcão para que pudesse ficar pertinho dela. — eu tenho uma reunião de negócios em algumas horas e não tenho tempo pra gastar com uma porra de uma subalterna qualquer. Se você não me der uma chave em cinco segundos eu mexo meus pauzinhos e você perde esse emprego.
Ela riu com desdém e eu a encarei surpresa e ansiosa. Estava na hora da Isabella teatral tomar conta de mim.
— Quem você acha que é? Só porque está usando uma jaqueta falsificada… — Ela começou e eu dei uma olhada na minha jaqueta a olhando incrédula. — você acha que é alguém. Por favor. Não é porque tem esses olhos verdes que você pode ter tudo, não temos vagas. E nós só hospedamos celebridades.
Eu já tinha perdido minha paciência. Olhei para os lados procurando uma pessoa e quando eu avistei virei para encarar a garota novamente.
— Essa jaqueta aqui vale o triplo de todo seu guarda-roupa.
Voltei minha atenção ao homem no canto direito do saguão. Andei até ele rapidamente, irritada demais para andar casualmente.
— Amun? — Chamei o nome do homem tentando atrair sua atenção. E quando o fiz Amun abriu um sorriso gigante e veio até mim sorrindo e depositando um beijo na minha mão.
— Isabella… — Ele disse meu nome num sotaque galanteador. — Como você está, minha cara?
— Muito mal, você acredita que vim aqui me hospedar e sua recepcionista nem me deixou dar meu nome. Soltou inúmeros insultos para mim e ainda disse que minha jaqueta é falsificada, vê se pode. Não sabia que os irlandeses tinham agora são tão hostis. — Eu disse totalmente teatral.
Amun era o gerente do hotel e eu o conhecia desde meus dezoito anos.
Ele pareceu ficar irritado.
— Que petulante! Pode deixar que eu vou resolver isso agora. Mario pegue a mala da Srta. Swan e leve para o 504.
E logo eu estava entrando no elevador. Direcionei um sorriso debochado à mulher que me observava sobre o ombro de Amun, enquanto esse dava uma bronca nela. Então o elevador se fechou. Dei o número para o ascensorista e eu questão de segundos e me jogava na cama macia do quarto de hotel. Busquei meu celular e mandei uma mensagem para Jacob perguntando o número do seu quarto e sorri ao perceber que era do lado do meu.
Levantei-me indo em direção do quarto do meu primo e dando uma batidinha mínima. A porta se abriu e lá estava Jacob com o cabelo desgrenhado. Passei por ele dando uma batidinha no seu ombro e sentei-me na cama.
— Ok, agora me fala o que aquela vadia fez.
Ele riu.
— Mamãe não pode nunca ouvir você falando essa palavra. — Ele fez graça e eu ri ao lembrar a tia Sue. Ela era uma daquelas católicas malucas e super conservador. Jacob tinha sido obrigado a fazer voto de castidade e tudo.
— Então seu humor melhorou?
Fechei a cara.
— Ainda quero matar a vadia. Mas, estou melhor. — Admiti.
— Ótimo. — Ele sentou numa poltrona perto da cama. Tirei meus sapatos e coloquei o pé para cima. Ele acenou para minha sapatilha com a cabeça e eu dei de ombros. Seu olhar dizia “olá baixinha”.
— Desembucha logo, Jacob.
Ele deu um riso curto.
— Tudo começou antes do que você imagina, antes que você pensa. Há uns meses andam sumindo algumas coisas…
— Coisas do tipo… — Interrompi.
— Peças exclusivas, catálogos de edições que ainda não foram lançadas e tal…
— Por isso agora temos que usar cartões de um lado pro outro? — Perguntei quando lembrei que para entramos e sairmos dos estúdios, do closet e até das nossas próprias salas era necessário cartões de aceso. Cartões que registravam a hora e quanta vez cada um passou pela porta.
— Sim… No começo não nos importamos muito, mas depois a coisa começou a ficar séria. Vários documentos sumiram, então começamos a investigar. No começo não encontramos muita coisa, eu já tinha uma leve desconfiança de Jéssica. Mas, Carlisle, sempre tão íntegro, disse que só poderíamos acusá-la com provas contundentes. Então depois, de exatos três meses tivemos provas. Jéssica era informante de uma editora da Vogue. Carlisle ficou louco, ligou pra Vogue na hora e pediu explicações. Tivemos uma reunião de portas fechadas onde a editora chefe garantiu que não tinha conhecimento e nós armamos juntos pra que elas fossem pegas…
— Tipo, uma armadilha? — Perguntei.
— Sim, Jéssica nos pediu umas férias, ela disse que ia pro Canadá encontrar com o Mike…
— Mike o namorado imaginário? — Fiz graça e Jacob riu.
— Cala boca, me deixa continuar. Nós então, vamos ter uma reunião com a cúpula da VF para informarmos a eles que tudo já foi esclarecido.
— E que horas eu arrebento a cara dela?
Jacob me olhou divertido.
— Nós vamos pegá-las hoje na festa. Mandei algumas coisas pra ela fingindo ser você. Com umas ideias nada haver do tipo “fazer uma edição pra cada modelo” — Ele disse e eu gargalhei. — E elas marcaram de se encontrar hoje à noite na festa da Vogue Ir.
— E que horas eu arrebento a cara dela? — Repeti a pergunta.
— Is, vai haver câmeras, repórteres, paparazzi, você quer bater nela na frente de todo mundo?
— Sim, seria bom pra ninguém mais se meter no meu caminho. — Cruzei os braços, irritada.
— Temos uma reunião com a cúpula agora, vamos. — Ele me ignorou.
(xxx)
Tédio.
Eu odiava esse tipo de reunião. Eu não tinha nada a adicionar e só estava aqui pra armar o escândalo. Jacob falava sem parar a quase uma hora e meus olhos já estavam quase se fechando de cansaço. Senti uma vibração estranha dentro da bolsa já a revirando em busca do meu celular e vi que era uma mensagem.
“De: Alice.
Para: Isabella.
Olha como estamos nos divertindo na sessão!!!”
Embaixo tinha uma foto de Alice e Emmett alimentando cangurus.
Ri baixinho.
“De: Isabella
Para: Alimentadora de canguru
Agora você já pode trabalhar no zoológico. Sessão, já?”
A resposta veio quase instantânea.
“De: Alice
Para: Isabella.
Haha. Você é muito engraçada, e eu estou sendo irônica. Sim, vamos passar dois dias aqui só e depois vamos virar japoneses.”
Revirei os olhos. Assim como no Brasil, a Austrália fora um dos países já estavam programados. Algumas ideias ainda estavam em aprovação como a do Vaticano. Eu torcia loucamente para que eles não aprovassem porque eu não tinha ideia do que pensar. Eu preferiria que não tivéssemos que ir ao Vaticano. Eu nem sabia direito qual língua eles falavam.
Tomei um susto de leve ao sentir o tremor do celular.
“De: Alice
Para: Isabela.
Já encontrou Jéssica?”
“De: Isabella
Para: Alice
Ainda não.”
A mensagem chegou rápido.
“De: Alice
Para: Isabella
Preciso ir, Catherine está aqui e mandou dizer que está com saudades. Quando teremos a honra de ter sua presença novamente?”
Sorri. Catherine Mcneil era uma das melhores modelos de todos os tempos. Nós havíamos crescido juntas no subúrbio de Nova Iorque. Com o tempo, cada um foi pra um canto e nos afastamos uma da outra.
“De: Isabella
Para: Alice
Mande um beijo pra ela e peça pra que ela me ligue. Devo chegar no Japão junto com vocês.”
Joguei meu celular na bolsa novamente e captei o olhar de Jacob em cima de mim. Sorri amarelo e me escorei na mesa prestando atenção no que meu primo falava.
Ao que parecia, Jéssica tinha ligação com a gerente de criação da vogue e repassava todas as nossas informações para ela, assim como algumas peças raras e até exclusivas.
A reunião passou sem mais surpresas. Os integrantes da cúpula — que era composta por exatos 34, dentre eles haviam os editores mais antigos e alguns patrocinadores mais presentes — se chocavam com cada coisa dita por Jacob, mas eu não. O mundo da moda era uma corja. Não se devia confiar em ninguém. Era de se admirar que esse tipo de coisa não tivesse ocorrido antes.
Levantei-me quando Jacob deu a reunião por encerrada. Ele nos informou quando e onde seria a tal festa da vogue e alguns editores se comprometeram a ir. Tia, a mais nova dentre os editores, foi a primeira a se disponibilizar, aquela ali era das minhas. Nós trocamos um olhar cúmplice enquanto as pessoas se dispersavam pela sala e, assim como eu, ela saiu de lá ignorando a pequena multidão.
Segui para o quarto pelo corredor central. Optei por subir as escadas, já que imaginei que com tantas pessoas, haveria uma fila no elevador. Apesar de eu ser uma sedentária assumida, eu não esperaria para entrar nos elevadores. Além do mais, eram apenas dois lances de escadas. Logo estava jogada na cama. Olhei de relance para minha mala de viagem no canto do quarto e me perdi nos meus próprios pensamentos. Nenhum deles se tratava da garota morena que roubava nossas ideias, estranhamente, todos eles se voltavam para a mesma pessoa: Edward.
Aqui eu conseguia pensar com clareza. Mas, mesmo assim, eu não compreendia o que se passava entre nós. Eu o odiava, disso eu tinha certeza, talvez, não fosse tão forte quanto anteriormente, mas o sentimento ainda estava presente dentro de mim. Edward era um cara bastante bonito, mesmo que eu tentasse, eu não podia negar. Seus incríveis olhos verdes, que tinham a capacidade de mudar para o azul, eram muito sedutores. Suas costas eram perfeitamente esculpidas. E, cara, o homem beijava bem pra caramba.
Apesar disso, o que havia acontecido na cozinha e na festa, não poderia voltar a ocorrer. Nós quase havíamos chegado às vias de fato. E eu tinha ficado decepcionada pelo “quase” estar presente na frase. Coisa que não acontecia agora, na verdade, eu estava satisfeita por nada ter ido mais longe. Eu não sabia como poderia encarar Edward depois disso. Tudo bem, eu era profissional. Mas, eu simplesmente não podia conviver com Edward por muito tempo. Eu não conseguia imaginar o quão irritante ele poderia ficar por eu der dado espaço para isso.
“Não era só espaço que você ia dar”
Ri com esse pensamento.
Eu estava confusa. Eu. Não meus sentimentos. Eu sabia que o que eu sentia por Edward era apenas desejo. Puro desejo. O cara era gostoso, quem não ficaria excitada pelo simples toque dele?
Eu não era tão forte quanto parecia. Eu tinha uma pequena queda — pra não falar tombo — por homens com costas fortes. Era uma pequena tara que me acompanhava desde a época da faculdade, quando eu fazia aulas de natação apenas pra passar horas vendo a equipe masculina de natação se exercitando. E cara, era excitante só de lembrar. Eu havia namorado um dos integrantes. Embry Call. Ele não era a pessoa mais agradável de se conviver, mas ambos tínhamos necessidades mais fortes e não ficávamos exatamente conversando o dia inteiro. Ele era quente.
Sorri nostálgica relembrando o meu tempo de caloura. Eu era a caloura mais sexy do campus. O que? Não gosto de falsa modéstia. Eu tinha ido a cada festa que a irmandade havia dado e conciliado isso tudo com dois cursos. Sim, eu havia feito dois cursos ao mesmo tempo. Eu simplesmente estava em dúvida entre moda e jornalismo. Eu tinha implorado ao reitor para que eu pudesse fazer dois cursos numa faculdade só, porém ele recusou. Ninguém nunca havia pedido a ele uma coisa dessas. Eu havia passado tanto na Parsons quanto na Columbia. Ambas eram uma das melhores faculdades do mundo em, respectivamente, moda e jornalismo. Com um pouquinho de charme e muito suor, eu fiz com que ambos os reitores aceitassem que eu conciliasse os dois cursos. As duas faculdades eram localizadas na grande Nova Iorque. E enquanto eu fazia jornalismo de manhã à tarde eu soava a camisa pra ir pro outro lado da cidade aprender moda. E a noite, comparecia as festas da irmandade, das duas faculdades. Eu era um exemplo a mim mesma. Isso tudo sem repetir um semestre.
Eu tive aula com ótimos professores. Piers Morgan — um dos jornalistas mais conceituados do mundo — fora um dos meus professores. Assim como Marc Jacobs e Christian Louboutin. E isso fora ótimo, já que agora eu posso dizer que tenho muitos contatos em cada parte do mundo.
Levantei com um sorriso brotando no meu rosto. O sorriso nostálgico ainda estava no meu rosto. Chequei o relógio e vi que já estava na hora de encontrar aquela cobra. Logo o sorriso se desfez do meu rosto e rumei para o banheiro. Eu precisava de um banho urgente. Lavei meu cabelo e deixei que a água escaldante lavasse meu corpo.
Eu já havia me acalmado. Ao que parecia, Jéssica não havia passado informações confidenciais demais. Mas, mesmo assim eu estava decepcionada comigo mesmo pela garota ter sido minha secretária. Sai do Box com um suspiro e me pus a secar meu cabelo. Fazia frio em Dublin e eu podia apostar que estava a ponto de nevar. Quando acabei de secar todo meu cabelo o prendi num coque com fios soltos e rumei de volta ao quarto para me colocar em uma roupa boa o suficiente para uma festa da vogue. Depois de vasculhar minha pequena mala encontrei um vestido vermelho Stella McCartney e um Jimmy Choo preto com spike. Como fazia frio, peguei uma das minhas milhares de meia-calça Hermes escura e um blazer Ted Baker também preto. Uma pequena bolsa Miu Miu acompanhava minha produção. Depois de pronta, lembrei que ainda faltava a maquiagem e comecei a fazer lentamente, sem nenhum movimento brusco com as mãos para que os traços saíssem perfeitamente. No fim um batom vermelho fosco. Eu simplesmente adorava batom vermelho, eu tinha uma considerável coleção. Eu estava me sentindo bem.
Voltei para o quarto constatando que eu estava um pouco adiantada e puxei o pequeno notebook que eu carregava na bolsa. Eu pretendia ir pro Japão ainda hoje, assim que saísse da festa. Bufei irritada por ter de fazer isso. Eu não tinha mais uma secretária. Guardei o computador na mala novamente e me joguei na cama com o celular na mão. Revirando minha agenda encontrei o número de alguém que poderia me dar uma forcinha. Ângela, a secretária de Carlisle.
Disquei o número que chamou dezenas de vezes a caiu na secretária. Revirei os olhos e me conectei a outro ramal.
[— Escritório de Edward Cullen…
Revirei os olhos.
— Olá Emily…
— Senhorita Swan? A que devo a honra? O Senhor Cullen precisa de algo porque eu…
— Emily, shh, deixe-me falar…
Ela limpou a garganta.
— Ah, sim, claro…
— Pode me fazer um favor?
— Obviamente.
— Preciso de uma passagem de Dublin até Tóquio ainda hoje. São dez horas aqui em Dublin, gostaria de pegar o avião meia-noite. Você consegue fazer isso?
— Hm, sim, vou ver o que posso fazer.
— Obrigado Emily.]
Sorri mandando uma mensagem para Carlisle.
“De: Isabella
Para: Carlisle
Libere o quarto de hotel mais cedo, chefinho. Chego amanhã”
Dei uma risadinha e joguei o celular na Miu Miu que eu carregava. A campainha soou e eu levantei rapidamente indo até a porta e dando de cara com Jacob.
— Ok, vamos acabar com essa palhaçada. — Eu disse saindo do quarto. — Vou embora hoje.
Informei ao meu primo quando entramos no elevador.
— Vou pedir que levem sua mala. — Assenti.
— Temos alguma espécie de plano?
Jacob riu.
— Is, nós não vamos ser uma espécie de James Bond. Nós apenas vamos até ela quando as duas estiverem juntas nós vamos até elas e damos o flagra. Você a despede e fim.
Olhei para ele irritada.
— Só isso? Ela nos sabota e só recebe isso?
— Deixaremos o seu lado teatral de lado, pelo menos dessa vez. A carreira dela na moda estará acabada.
— Hmmm, isso soa bem.
Saímos do elevador e saímos do hotel entrando num táxi já parado.
— Como está a viagem? — Ele perguntou relaxando no banco.
Mostrei minha melhor cara de irritação para ele que riu.
— Ah, vai, você veio do Brasil. O quão bonito é lá?
O olhei estranho.
— Porque você está me fazendo essa pergunta? Quantas vezes você já foi lá, dez?
Ele revirou os olhos.
— Estou tentando te acalmar.
Revirei os olhos.
— Cala boca, Jacob.
Meu celular tocou na pequena bolsa que eu carregava e eu o peguei o colocando no ouvido.
[— Sim?
— Senhorita Swan, aqui é Emily. Não consegui um voo comercial, mas falei com o Sr. Cullen e ele deixou que usasse seu avião particular…
— Carlisle?
— Sim, e ele disse que irá passar todos os detalhes sobre onde ficará hospedada por mensagem de texto já que está ocupado demais pra falar ao telefone. — Ela deu um risinho.
Eu nem queria imaginar o que Carlisle havia dito pra Emily.
— Obrigada Emily.
— Meia noite em ponto haverá um carro na porta do hotel em que está hospedada; ele levará a senhorita até o avião.
— Ah, muito obrigada Emily.
— Disponha.]
— Que coisa, completamente inútil, você estava falando? — Zoei.
— Odeio você.
Eu ri e esperei que chegasse no local.
.
Nós já tínhamos chegado há algum tempo. Havíamos entrado por uma porta nos fundos para que ninguém nos visse. A já tinha avistado a minha futura ex secretária. Jessica estava enfiada num vestido vermelho. Não vermelho como o meu, mas um vermelho que gritava “piranha”. E era o que ela era. A observei andar de um lado a outro no salão procurando alguém. Na sua mão uma Chanel preta passeava de um braço para o outro parecendo estar pesada demais.
Jacob fez sinal e eu levantei da cadeira que estava sentada e o segui. Tia estava ao meu lado. Sorri pra ela que retribuiu o gesto. Havia algumas pessoas espalhadas pela festa. Rostos conhecidos. Algumas pessoas tentavam se de mim, mas meu olhar raivoso, possivelmente, os mantinha afastados o suficiente. Eu, claramente, não estava ali pra jogar conversa fora.
Avistei Jéssica com uma loira conversando. Ela abriu a bolsa Chanel e retirou um pequeno envelope e junto um pen drive. Jacob acenou e eu sorri me aproximando das duas.
— Apreciando a festa, Jéssica? — Perguntei no pé do ouvido dela. Minha voz soou tão ameaçadora que me fez sorrir surpresa.
A mulher deu um pulo e virou-se lentamente.
— N-não é o que você está p-pensando… — Ela estava pálida. Falava coisas rapidamente, gaguejava e quando eu estava farta a interrompi.
— Ah, é? — Debochei. — E em que eu estava pensando?
Ela ficou calada. Ao fundo vi a loira dar um passo para trás na tentativa de fugir, mas Tia foi mais rápida e se pôs no caminho da garota.
Novamente, Jéssica começou a falar. Muito rápido. Fechei os olhos, irritada, e contei até um milhão. Mas, a som agudo da voz dela só me irritava ainda mais. Abri meus olhos lentamente os deixando apenas semicerrados. Algo na minha expressão fez Jéssica se calar.
— Escuta aqui… eu não quero ver essa sua cara de vadia nunca mais na minha frente. O que você fez não tem perdão e eu espero que você saiba que sua “carreira” — aspei — no ramo da moda acaba aqui. Se você acha que sue espaço na Vogue está garantido é melhor repensar. Por agora, saia da minha frente se você não quer um olho roxo e alguns hematomas no corpo.
O rosto dela vacilou.
— E quem vai fazer isso… você? — Ela disse numa falsa repulsa que me irritou. — Logo você? Isabella, você é ridícula e não pode fazer isso aqui. Olhe em volta, há tanta gente, sua carreira estaria acabada.
Uma máscara de ódio assumiu minha face e se não a mão de Jacob segurando minha cintura a garota já estaria no chão.
— Tem razão ela não pode, mas eu posso.
E foi aí que tudo aconteceu.
Tia saiu de algum lugar e desferiu um soco na cara de Jéssica.
— Sua idiota, eu confiei em você! — Tia gritou.
Jacob puxou minha cintura me tirando dali. Eu ainda estava chocada. Mal conseguia me mover. Tia havia feito isso por mim? Por quê? Eu ainda estava meio aérea. Descia algumas escadas que não sabia onde iam parar. E logo estava de volta no táxi.
— O que passa nessa sua cabeça?
Agitei a cabeça buscando compreender o que meu primo havia acabado de dizer. Pedi que ele repetisse e quando ele o fez soltei um suspiro.
— Tia…
Ela balançou a cabeça negativamente.
— Ela não fez isso por você. Ela confiava na Jéssica. Jéssica revisava algumas matérias dela, ela simplesmente surtou.
Assenti. Agora tudo fazia sentido.
— Porque não deixou que eu ficasse lá pra assistir o espetáculo?
Ele riu.
— Seu avião. Já são quase meia noite.
Ah.
— Ah… — Lamentei.
— Não se preocupe, com sorte, alguém estará filmando.
Sorri ficando um pouco mais animada. O táxi parou em frente do hotel e eu desci.
— Já pedi que descessem com as suas malas. — Jacob falou saindo do taxi também.
— Isso significa que eu vou viajar assim? — Apontei minha roupa. Eu viajaria de vestido, isso mesmo?
Ele deu de ombros.
— Vou precisar de uma nova secretária. — Suspirei.
— Posso cuidar disso. — Jacob sugeriu.
Sorri para o meu primo.
Um carro parou perto de nós e Jacob acenou com a cabeça.
Reconheci minha mala na mão de um homem que a colocou na mala do carro. Despedi-me do meu primo com um abraço e entrei no carro. O motorista em deu “boa noite” e logo avançamos com o carro na noite escura.
O aeroporto era perto, então logo eu estava embarcando. Como era um jatinho privado não era necessário que eu passasse em toda aquela coisa de check-in. Caí na poltrona do avião exausta. Agradeci por ser um jatinho particular já que não havia avião direto da Irlanda até o Japão. Retirei meus sapatos e peguei meu computador disposta a pensar sobre a sessão do Japão. Comecei a digitar pensamentos inúteis no computador disposta a dar uma linha de pensamento a mim.
Treze linhas depois eu tinha uma ideia, uma modelo e uma marca pronta. Então eu decidi descansar um pouco. Baixei as luzes e me arrumei na poltrona confortável disposta a descansar.
Exatas quatorze horas e cinquenta minutos depois o avião pousava em Tóquio. Segundo a previsão do tempo, fazia frio no Japão. Eu não havia dormido a trajeto todo. Depois que despertei do breve cochilo tirado liguei pra Carlisle contando o que havia ocorrido. O retardado riu e desligou na minha cara dizendo que estava ocupado com Esme. Idiota. Já era dia no Japão. Eu podia apostar que não se passava do meio-dia.
Fui cumprimentada pelo piloto e pelo co-piloto. Com um sorriso, desci do avião e entrei num carro que me esperava. Minha mala já estava no carro e eu apenas sentei e esperei que chegasse ao hotel. Eu mantinha uma conversa agradável com o motorista sobre o clima na cidade. Logo estávamos na frente do hotel.
Entrei no hote, hesitante. Eu nunca havia estado no Japão antes, que dirá em Tóquio. Olhei em volta assustada com a grandiosidade do lugar. Eu já havia estado em diversos hotéis, mas esse, sem dúvida, era um dos mais bonitos. Eu só esperava que eles falassem a minha língua. Aproximei-me do balcão de atendimento e uma garota típica japonesa com os olhos puxados e o cabelo assustadoramente liso e preto me recebeu em inglês. Naturalmente, ela deve ter percebido que eu não era uma típica japonesa. Depois de dar meu nome, ela estendeu a chave pra mim e eu sorri em agradecimento. Minha pequena mala já havia sido levada e eu entrei no elevador.
Quando cheguei ao quarto reparei que também era um flat e supus que todos eles seriam assim. Avistei minha mala parada ali, no meio da sala, e sorri indo em direção a ela e pegando uma roupa confortável, já que eu pretendia trabalhar.
De banho tomado e devidamente vestida com um conjunto Victória’s Secret confortável me joguei na cama com meu computador no colo. Um sorriso presunçoso tomava conta do meu rosto. Eu digitava rapidamente no computador, excitada com a ideia. Eu já tinha tudo pronto, a única questão na qual eu tinha pensado era sobre a modelo. Até a marca eu já tinha escolhido baseado na última runway*. Nós poderíamos usar uma modelo japonesa, mas seria algo óbvio demais, eu queria algo novo. Esfreguei as mãos tentando pensar em alguma coisa realmente boa. Bufei me jogando na cama e ligando pra Carlisle. Eu havia escolhido Prada e a Miuccia tinha uma quedinha pelos Cullen’s homens. Eu poderia ligar para Edward, mas não daria meu braço a torcer, então comecei a ligar pra Carlisle. Depois de tentar três vezes e cair direto na caixa postal decidi agir por mim mesma. Eu deixaria que Edward escolhesse a modelo para que ele não reclamasse muito comigo.
[N/A:*runway na tradução ao pé da letra significa passarela, mas no contexto significa desfile.]
Miuccia e eu não tínhamos uma boa convivência, Carlisle havia me garantido quer era coisa da minha cabeça, mas eu sempre achei que aquela mulher me olhava estranho. Com um suspiro mandei uma mensagem para Edward:
“De: Isabella.
Para: Idiota
Ligue para Miuccia e peça para ela algumas peças da última runway, aquelas bem espalhafatosas, bem Prada. Fale sobre os sapatos também. Peça umas oito ou nove, e o mais rápido possível. Preciso dessas peças no máximo até depois de amanhã.”
Coloquei o celular na mesinha de cabeceira juntamente com meu notebook e me acomodei na cama. Toda essa ponte aérea e esses fusos horários estavam deixando meu sono totalmente desregulado. Eu poderia dormir um dia inteiro. Eu apenas sentia sono. Me afastei dos cobertores com preguiça demais pra me levantar e ligar o ar. Retirei a blusa do meu pijama ficando apenas de sutiã e com o short. E logo fui levada pra inconsciência.
.
Um barulho alto soava nos meus ouvidos. Xinguei. Eu nunca poderia gastar todo meu no? Me revirei na cama tentando entender o barulho. Aos poucos percebi que eram vozes e eu me forcei a ignorar. Eu não queria levantar. O barulho não cessou e eu me acomodei na cama novamente. Encarei a porta. Minha curiosidade pra ver quem estava entrando era grande.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!Quem poderia ser, afinal?
Ignorei o meu instinto de auto preservação. Aquele era um hotel enorme e eram totalmente nulas as chances de ser um ladrão. Com toda certeza era a camareira.
— Alice, encontrei um quarto… — Ouvi a porta se abrindo e levei meus olhos até ela ao ouvir uma voz conhecida.
E lá estava Emmett com um sorriso nos lábios. Ele deu um grito quando me viu e levou as mãos ao coração dramaticamente. Revirei os olhos e puxei o edredom para cobrir meus seios. Não era necessário que Emmett me visse apenas de sutiã.
— Acho que estou tendo um ataque. — Ele disse se jogando na cama.
Então era isso. Os Cullen estavam em território japonês. Assustada com o grito, Alice apareceu na porta e sorriu pra mim. Segundos depois Edward apareceu atrás da irmã, curioso pra saber o que havia assustado Emmett. Ele revirou os olhos e bufou ao mesmo tempo saindo do meu campo de visão.
Assim como eu, Alice o ignorou e sentou ao meu lado.
— Me diz, me diz, o que aconteceu lá…
Apontei para blusa dobrada ao lado de Emmett, que entendeu o recado e a estendeu pra mim. A peguei colocando-a e logo me sentei.
— Bom, Jake não deixou que eu a matasse…
— Mas você bateu nela? — Emmett perguntou.
— Não, mas Tia parecia bastante irritada, talvez ela tenha feito o que eu queria.
— Tia…? — Alice perguntou.
— A editora do quinto andar. — Emmett disse com um sorrisinho. Depois se levantou e saiu do quarto. — Vou procurar um quarto.
— Você chegou faz tempo?
— Não muito. — Respondi. — Que horas são?
Ela olhou no relógio.
— Cinco da tarde. — Ela respondeu tirando os sapatos e se jogando na cama. Ela parecia exausta. Ela deu um risinho. — Soube que você já adiantou o nosso trabalho, qual o plano?
Arquei a sobrancelha a olhando inquisitivamente.
— O que? Edward encheu o saco dizendo como você era manipuladora e de como você queria que nós fizéssemos tudo que você manda e que você não manda nele e blá blá blá. — Ela finalizou fazendo uma cara engraçada. — Sério, eu amo o jeito como você deixa meu irmão louco, é muito engraçado ver aquela veia na testa dele.
Gargalhei com ela.
Alice era uma ótima amiga. Nós sempre fomos amigas, mas essa viagem estava nos aproximando.
— Agora me diga, me diga, o que você pensou pra sessão… — Ela pediu.
— O futurismo.
Seu rosto se iluminou em compreensão e ela assentiu repetidamente.
— Isso me soa bem… — Ela disse se espreguiçando. — Agora, eu tenho que ir, por mais que sua cama esteja me atraindo como um imã, eu preciso de um banho.
Dizendo isso ela se levantou, mas antes que ela atravessasse a porta eu a chamei e ela virou.
— Edward ligou para Miuccia Prada? — Perguntei. Ela negou. Seu cabelo perfeito, com ondas que eu levaria horas para fazer no meu próprio, balançou enquanto ela mechou a cabeça e saiu do quarto um risinho.
Nem pra isso esse idiota serve, mas se ele acha que eu vou até ele pra pedir, de novo, que ele ligasse para Miuccia. Eu não ia implorar nada pra ele. Cruzei os braços, irritada. Levantei da cama pegando um short e uma blusa. Lá fora fazia frio, mas não aqui dentro. Rumei para o banheiro entrando no Box em busca de um banho relaxante.
Alguns minutos depois eu saia do banheiro já devidamente vestida e penteada. Me dirigi até a mesa de cabeceira onde eu havia deixado meu celular anteriormente. Não havia nenhuma mensagem ou ligação de Carlisle. Peguei meu computador e me dirigi à sala disposta a pensar numa modelo. Se Edward não ligaria para Miuccia ele também não escolheria a modelo.
Você deve estar pensando: “nossa, cadê o espírito de equipe?”
Eu nunca soube trabalhar em equipe mesmo. Eu sempre fui filha única, nunca tive que dividir nada com ninguém, imagina se eu divido trabalho. A sala ampla estava vazia. Me sentei num dos três sofás vermelhos e olhei ao redor. A sala era decorada em vermelho e branco. Liguei o computador e comecei a revirar o meu índice de modelos. Enquanto Edward andava com aquelas fotinhas eu tinha um índice de modelos.
Edward. Edward. Edward. Edward.
Argh, Isabella, para de pensar nesse idiota.
Que saco. Odeio escolher modelos. Ali havia quantas fotos? Trezentas? Trezentas e cinquenta? Não sei. O fato é que eu separei cinco fotos.
— Futurismo… — Murmurei ao ver Edward passar por mim.
Ele parou sem entender e eu não desviei o olhar das fotos no computador.
— O que?
Levantei os olhos o olhando diretamente nos olhos. Edward me olhava desconfiado.
— O tema do Japão. Futurismo.
Ele arqueou a sobrancelha e cruzou os braços. Em seu rosto uma máscara falsa de indiferença. Qual é, eu vivia ao redor de Edward desde os meus onze anos. Eu sei quando ele está mentindo ou fingindo. Suspirei já sabendo o que ele queria.
— Futurismo. Pensei em fazermos algo nas ruas aqui de Tóquio. É tudo tão claro e cheio e parece gritar “FUTURO”. A modelo pode interagir com as pessoas. Isso seria legal. Lembrei que a última runway da Prada era futurista e acho que as roupas cairiam como uma luva. Sobre a modelo, eu pensei em uma garota não asiática. Sem os olhos puxados e, bom, ela podia se loira também, parece que todo mundo aqui tem cabelo escuro. Isso a destacaria. E, bom, é isso. Agora, você pode ligar para Miuccia Prada?
Ele me olhou desconfiado novamente.
— Eu deixo você escolher a porcaria da modelo.
Ele continuou me olhando e eu me irritei.
— Vai se fuder. — Reclamei levantando-me. — As fotos estão no meu computador, escolhe a porcaria da modelo e para de encher o saco.
Sai da sala gritando o nome de Alice e quando a garota apareceu abrindo a porta eu pedi que ela escolhesse um lugar para o ensaio. Assim que expliquei tudo o que pensava voltei pro meu quarto disposta a acabar com o resto do trabalho atrasado. Me surpreendi ao ver que a edição estava completamente atrasada. É, eu teria muito trabalho ainda.
Notas finais
Como sempre quem comenta ganha uma espiadinha e quem recomenda ganha um espiadinha bem, bem, maior, e diferente...
Bom, Edward e Bella estão seguindo rumos diferente do que eu pensava para a fic, mas, ao que parece, eles têm vida própria. Eu queria ressaltar o quanto a Bella está mudando. Vejam as atitudes dela.
Então gente, agora estou indo, não sei quando eu volto, mas deve ser + ou - daqui a um mês, como de costume. Comentem, recomendem e me façam feliz porque se eu estiver inspirada eu escrevo o capítulo e posto semana que vem. Recomendem a fanfic para as suas amigas, aposto que dou um presente especial pra quem trazer uma amiga que comente para cá. Vocês escolhem. Haha.
Beijos, obrigada por tudo.
Juliana.
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