Notas iniciais
Oi gente, desculpe a demora, mas conversamos lá em baixo... Cliquem com o botão direito nas palavras destacadas para abrir a roupa das personagens

Sabe quando tudo está bem e do nada alguém te propõe algo tão louco quanto insano? E o pior de tudo é não poder recusar uma coisa absurda como essa. Agora eu consigo entender por que as pessoas tanto odeiam seus chefes, a resposta é: não se pode recusar nada sem que eles coloquem seus empregos em jogo. Comigo aconteceu quase isso, meu emprego nunca esteve em jogo, mas outra coisa, muito mais valiosa e que mais eu dava valor no mundo: toda a confiança e carinho que Carlisle depositara em mim durante anos e mais anos.



Eu nunca pude reclamar de Carlisle. Ele sempre fora um chefe que qualquer pessoa sonha em ter. Amigo, companheiro, um pai pra mim. Eu nunca tive uma forte referência paterna. Meus pais sempre foram famosos e ocupados para me dar atenção. Cresci acreditando que nós poderíamos fazer tudo por dinheiro, que o dinheiro era a coisa mais importante na vida de uma pessoa. Graças a Carlisle, a única pessoa que realmente tem algum poder de persuasão sobre mim, eu mudei. Apesar de estar com a conta bancária abarrotada eu não me importava mais com dinheiro. A única coisa material que realmente importava pra mim é meu trabalho. Eu amo o que faço.


Respirei fundo entrando no aeroporto. Eu não conseguia acreditar que Carlisle tinha feito isso. Se você está achando que eu sou dramática demais, está errado. Carlisle Cullen acaba de arruinar, no mínimo, dois meses da minha vida. Está curioso? Calma, eu já lhe contarei. Carlisle resolveu ter uma ideia que, segundo ele, vai mudar todas as nossas perspectivas e elevar a revista tão alto e rápido que nossas carreiras ficariam marcadas para sempre, o mudo estava a nossa espera.



Revirei os olhos puxando minha mala pelo saguão do aeroporto, agradeci mentalmente, como sempre agradecia quando passava por um aeroporto, o piso deslizante que facilita minha vida e me permite puxar com facilidade minha mala de um lugar para o outro sem esforço algum.



Não se apresse, você já vai entender o porquê de eu estar me sentindo assim. A ideia que o Cullen mais velho, e não caquético, tivera seria boa demais desde que não me envolvesse. E é aí que eu quero chegar. A ideia de Carlisle me envolvia, e se só me envolvesse, eu também poderia aceitar sem pressão. Mas, como nada é tão fácil na minha vida, Carlisle resolveu mandar as duas pessoas que menos se davam bem naquela empresa pelo simples fato de um respirar o ar do outro. Tendo tantas pessoas naquela droga de lugar, mais conhecido como redação, tantas pessoas, mulheres ou não, que dariam a vida para viajar com o filho do poderoso chefão, conhecer o mundo todo, ter várias páginas na revista para contar sua experiência pessoal e o melhor, tudo isso de graça, não é possível contar. Sem contar o quanto seu nome cresceria no mercado, afinal você era viajada, conhecia a moda em todos os continentes e tinha o passaporte todo carimbado. Mas, como estamos falando da minha vida e de um acaso chamado Carlisle a felizarda fui eu, e mesmo depois de muita gritaria e pressão psicológica, eu finalmente cedi, eu tive que ceder. Aqueles olhos grandes e pidões de Carlisle e Esme, sua esposa que também estava metida nesse “grande projeto”, me obrigaram a ceder. Eu iria viajar com a droga do outro diretor geral, a merda do meu pesadelo particular, mais conhecido como Edward Cullen. E antes que você pense que o cara também “chorou as pitangas” com o pai e com a mãe, ele não fez e ainda deixou claro, para Esme e Carlisle, que estava fazendo isso para o bem da revista, mas assim que ambos viraram as costas, me deu um sorriso irônico que me fez entender exatamente o porquê que ele havia feito aquilo, seu sorriso amplo e branco dizia “que se foda, só quero irritar”. Sorriso esse que me deu calafrios.



Acabei de fazer meu chek-in e despachei minhas malas. Em seguida, fui em direção de um cantinho pra descansar. Fechei os olhos tentando pelo menos relaxar um pouco. Eu estava um caco. Havia passado a noite revisando a edição nova da revista e preparando ensaios, photoshoot, entrevistas, decidindo capa para a edição número 297. Ser diretora de uma revista famosa nunca foi fácil. Ainda mais com o outro diretor.



— Hey Bella , pronta pra viajar com os Cullen? — Ouvi uma voz rouca do meu lado. Voz essa que eu poderia reconhecer em qualquer lugar. Eu havia tido pesadelo com ela voz desde que a ouvira. Rangi os dentes ao perceber que o babaca havia me chamado de Bella. Odiava que chamassem assim, parecia que eu tinha três anos ao invés de vinte e três e estava vestida como uma das princesas dos clássicos da Disney.



— Quantas vezes eu preciso dizer para não me chamar de Bella? — respondi emburrada lembrando as palavras de Carlisle.



“Não ceda às provocações do meu filho, Isabella. E, pelo amor de Deus, não se matem.”



Como se isso fosse fácil!



— Não sei se Carlisle falou, mas Emmett está vindo também. — Ele murmurou e eu abri os olhos até então fechados. Não havia resquício de blefe nos olhos verdes dele e tremi um pouco. Não é que eu não gostasse de Emmett… aliás, é isso mesmo. Eu não suportava Emmett e sua imensa capacidade de tirar todos do sério.



É oficial, Carlisle Cullen quer acabar com todo seu patrimônio e com o meu também porque depois disso acho que vou precisar passar todo tempo possível numa clínica psiquiátrica. Eu devo ter jogado a cruz na pedra e as duas, a cruz e a pedra, se voltaram contra mim.



— Onde está Alice? — perguntei tentando me acalmar. Alice era a Cullen que eu menos odiava. Ela era uma fotógrafa muito boa e não fazia nada que me estressasse, pelo menos não de propósito.



Edward pareceu pensar um pouco, mas logo em seguida sorriu. Um sorriso babão. Um sorriso comum de todos os membros da família Cullen ao falar de seus entes queridos. Eu não era invejosa nem nada, mas eu sempre achei incrível a conexão que os Cullen tinham.



— Ela disse que viria sozinha, sabe como é, ela e todas as quinhentas malas que a acompanham em todo canto. — ele zombou me fazendo revirar os olhos. Edward sempre seria Edward. — Continuando o que eu estava falando… Emmett está vindo com ela. Sabe como é né, nós os irmãos Cullen não podemos nos desgrudar um do outro, vamos juntos para todos os lugares.



A ironia de Edward era tão estúpida. Como ele poderia ser tão frio numa hora dessas? Estávamos falando de Emmett, a pessoa que eu mais odiava no mundo depois de Edward. E agora eu estava viajando com as duas pessoas mais terríveis da face da terra.



— E eu tenho certeza que a ideia de levar seu maninho querido foi toda sua. — murmurei inquieta apertando meu casaco. Era inverno em NY e o frio era desconcertante. — Você sabe que isso não vai dar certo Edward…



— O que eu posso fazer se eu amo meu maninho de mais para ficar dois meses sem vê-lo? — Edward fez uma cara de paspalho muito idiota e eu o olhei descrente. Eu não só poderia ter jogado pedra na cruz e elas, a pedra e a cruz, se voltaram contra mim. Por favor, isso só poderia ser algum tipo de pegadinha.



— Por favor, Edward, me poupe de seu sarcasmo matinal. Não são nem cinco da manhã. — murmurei.



— Bom… como nós vamos escolher uma modelo para cada país. Resolvi que ia escolher algumas antes que você tomasse a frente e escolhesse todas. Então fui até sua mesa vasculhei toda ela atrás de uma modelo que prestasse, então… — ele fez uma pausa dramática ridícula e quando eu ia o interromper, continuou. — eu decidi que nenhuma era boa o suficiente, daí um nome veio na minha mente.



Meus olhos se estreitaram. Eu estava curiosa e apreensiva de mais para gritar com ele por ter entrado na minha sala e mexido nas minhas coisas.



— Quem você escolheu? — perguntei incentivando-o a continuar.



— Tanya Denali… eu sei que você se lembra dela, loira, olhos claros, corpão, então ela é a cara da Europa, e ainda é inteligente…



Fechei os olhos instantaneamente assim que Edward proferiu o nome Tanya Denali. Meus olhos estavam comprimidos de uma forma tão forte que eu nem imaginava. Forcei-me a contar mentalmente até dez, e depois até cem. Contei tão rápido que acho que pulei alguns números. Minha paciência, coitada, já tinha ido viajar sem mim. Edward continuava a despejar todo seu veneno em cima de mim. Ele sabia o que Tanya havia feito em um photoshoot antigo na nossa revista, e usou isso para acabar de vez com a minha sanidade. Você está achando que é pouco? Querida, a garota é metida a estrela, fez diversas exigências, se recusou a usar algumas roupas e me deixou completamente louca de raiva.



Edward parou de falar me fazendo abrir os olhos lentamente, os deixando apenas cerrados. E ele estava lá com seu sorriso irônico comum no rosto. Seus olhos denunciavam a risada que ele estava tentando não deixar escapar, até suas sobrancelhas demonstravam sarcasmo. Ele estava mentindo. Sorri presunçosa pronta para falar sobre minha recente descoberta quando meus olhos focalizaram na garota que vinha em nossa direção. A garota e o armário ao lado dela. Assim que a garota nos viu apontou para o armário em seu lado e ambos rumaram em nossa direção.



E era agora que eu gostaria de acordar desse pesadelo.



Pisquei algumas vezes tentando acordar.



Droga, acorda Isabella.



Edward riu um pouco ao meu lado. E foquei meus olhos nos dois Cullen que estavam se aproximando. E até no meio de um aeroporto relativamente cheio para a hora do dia Alice e Emmett se destacavam. Alice deu uma gargalhada alta por alguma bobagem que o irmão chato falou e logo, infelizmente, eles estavam parados em nossa frente com sorrisos enormes que me davam calafrios, os olhos brilhando e aparentemente felizes de mais para ficarem quietos, pois ambos mexiam as mãos insistentemente. E do nada eles começaram a falar ao mesmo tempo. Eu não entendia nada e também não me esforçava.


O que eles tinham na cabeça? Droga eram cinco da manhã, eu estava um caco, cheguei aqui praticamente arrastada e eles nessa animação?



— Calem a boca droga. — reclamei irritada.



Os dois se calaram me deixando um pouco menos irritada.



— Oi Isabella, que saudades, você ta feliz? Porque eu estou, e muito!— Alice perguntou se jogando em cima de mim.



Revirei os olhos aceitando seu abraço.



— Ok Alice, pode me soltar agora… — eu murmurei depois de um tempo sem ser solta pela garota. Alice me soltou. — Nossa, estou muito feliz. É a realização de um sonho viajar com Emmett e Edward na mesma viagem. Estar dois meses com vocês vai ser incrível gente. E nós ainda vamos trabalhar juntos. Nossa, é incrível.



Emmett e Alice trocaram olhares estranhos.



Alô, ninguém sabe o que é ironia? Dois meses com esses dois e vou esquecer até o significado dessa palavra…



— Pensei que não quisesse ir… — Emmett disse sorrindo.



Olhei para ele imaginando o porquê daquele ser humano ser tão lezado. Olhei para Alice e ela parecia não estar entendendo nada.



“Atenção senhores passageiros do voo 144 com destino à Argentina, compareçam ao portão de embarque”

Ufa, essa é minha deixa pra fugir do meio desse bando de maluco. Logo tratei de pegar minha bolsa e rumar para o portão de embarque deixando os três paspalhos lá atrás.


Fiz tudo o que tinha que fazer e logo estava entrando no avião. Carlisle reservara primeira classe.



Pelo menos isso né. Aturar um voo até a Argentina do lado de seus amados filhos não seria a coisa mais agradável de fazer.



Achei minha poltrona e me acomodei pensando tudo que poderia acontecer na minha amada vida que sempre julguei boa de mais.



Ótimo chefe, ótimo emprego, ótimo salário, ótimas festas, ótimos amigos, tudo na hora que queria.



Nunca tive que lidar com um “não” na vida até o momento em que Carlisle me obrigou a fazer a edição comemorativa da revista com seus filhos. Eu não entendia, e ainda não entendo, como ele conseguia acreditar tão cegamente em Edward e eu já que nós nunca fomos um exemplo de boa convivência. Ele mesmo vivia mediando nossas brigas, pois, nós nunca conseguíamos entrar em um consenso. Se Edward queria A, eu queria Z. E sempre fora assim. Eu com meus contatos nas marcas famosas governadas por homens e Edward nas governadas por mulheres. E por isso, as discussões sobre marcas eram muito grande. Um sempre queria “puxar sardinha” para sua marca preferida.



Vi-me inquieta a sentir uma pessoa sentando ao meu lado.



Por favor não seja Emmett, por favor.



Aliás, não seja Edward. Pelo amor de Deus, eu não aguentaria o Edward ao meu lado.



“Seja a Alice. Seja a Alice. Seja a Alice.”



Esse era o meu mantra ao abrir os olhos e me deparar com a figura pálida ao meu lado.



— Temos muito a resolver. — Edward murmurou. Vi Alice e Emmett sentados ao nosso lado. Assenti indiferente sentado corretamente na poltrona. Vi Edward abrir uma pasta que estava em suas mãos enquanto abria a mesa da poltrona. Rapidamente despejou milhares de fotos em cima dela. — Bom todas essas fotos, são das melhores modelos argentinas.



Fala sério. Ali tinha quantas fotos? Cem? cento e cinquenta? Não sei. Olhei para ele descrente.



— Você só pode estar de brincadeira… — murmurei o fulminado com os olhos.



Ele riu e pegou uma foto de uma garota ruiva cheia de sardas. Franzi o cenho e olhei para ele com as sobrancelhas arqueadas esperando a confirmação que eu tanto tentava esconder.



— Essa é Melanie, e ela vai ser nossa modelo. — Ele disse balançando as fotos.



Nesse momento o aviso de cinto de segurança piscou e eu me apressei a colocar meu cinto.



— Não vai ser não. — Eu disse assim que o avião começou a levantar voo.



— Vai sim. — ele me desafiou.



— Já disse que não vai! — murmurei cruzando os braços e o encarando mortalmente.



— E por que não seria? — ele me desafiou.



— Porque eu não quero. — Quase gritei. Senti vários olhares na nossa pequena e baixa discussão. Pequena, pois só nós dois estávamos nela, e baixa, pois, comparada as nossas discussões normais, nós estávamos praticamente sussurrando.



— Oh… — ele fingiu surpresa. — Você não manda em nada.



Senti minhas mãos coçarem. Seus olhos estavam perfurando os meus numa disputa interna que só um olhar sairia vencedor. Nossos olhares compartilhavam uma intensidade absurda, ali estávamos compartilhando todo ódio que sentíamos um pelo outro. Nossos olhares eram tão fortes, penetrantes, que quem ousasse em quebrar essa conexão sairia como perdedor.



— Mando muito mais do que imagina. — Murmurei ameaçadoramente.



— Se mandasse em alguma coisa, ou se fosse tão importante não estaria fazendo algo que não quer. — Ele disse com os olhos cerrados tentando passar algum medo.



Bufei. A vontade de bater estava ficando mais forte e descontrolada.


— Você também não queria estar aqui. Eu sei que você não gosta de mim, não gosta do que eu escolho, nem das minhas preferências, ignora as minhas vontades e recomendações. — Eu disse ameaçadoramente. — Enfim, eu às vezes acho que você só está no lugar que está por causa do seu pai.



Eu sabia que isso era mentira, mas não me importava. Eu só queria irritá-lo mais, se isso fosse possível.



— E quem é você, hein Isabella? Você não é aquela menina sem pais presentes, que tenta roubar meu pai e minha mãe de mim e dos meus irmãos? — Ele acusou me fazendo revirar os olhos. Essa era a pior coisa que Edward poderia inventar. — Você que nunca teve atenção de seus pais e só está lá por que Carlisle tem pena de você.



A raiva estava me deixando vermelha. Eu arqueei minhas sobrancelhas pra despejar todo o meu veneno em cima de Edward.



— Pelo menos eu cheguei até aqui por mim mesma. Trabalhava de noite e estudava de manhã e de tarde só pra pagar minha faculdade. Nunca deixei que meus pais pagassem minha faculdade, pois sempre fui independente. E você Edward? Que foi bancado pelo seu papaizinho até sair da faculdade e começar a trabalhar na revista? — as palavras saiam rápidas e eu nem tinha tempo de detê-las ou me sentir mal por elas. Eu só queria despejar toda a raiva que ele me fazia sentir em cima dele, como nós sempre fazíamos um com o outro. — Você não sabe quantas vezes eu fui expulsa dos lugares que eu procurava trabalho apenas por não ter experiência nenhuma. E quando eu cheguei até o seu pai ele foi o único que estendeu a mão pra mim. O único que não se importou se eu tinha ou não experiência.



Ele riu ignorando tudo que eu havia falado.



— Você acha que isso te dá algum direito? Só porque acha que tem um passado “triste”? — Ele perguntou com certa ironia que eu ignorei bufando.



— Eu não tive passado triste, nunca passei fome, nem nada. Sempre tinha o dinheiro lá para emergência. Eu trabalhei por que eu quis. Eu queria ter algo pra me orgulhar, e você tem algo pra se orgulhar?



Ele balançou a cabeça lentamente negando.



— Você não sabe absolutamente nada da minha vida. Nada! — Ele gritou quase me fazendo estremecer. Quase.



— E você não sabe nada sobre a minha. Absolutamente nada. — Eu gritei mais alto esquecendo completamente que estávamos em um avião cheio. Nem Emmett nem Alice vieram mediar a nossa discussão como Carlisle e Esme sempre faziam.



Nós ficando nos encarando por um tempo. Milhões de perguntas passavam pela minha cabeça. Tantas, tão rápido que eu nem conseguia entendê-las. Depois de algum tempo eu suspirei me rendendo. Peguei uma modelo loira aleatória que havia me chamado atenção e depois de avaliá-la bem virei para ver seu nome. Reconheci a grafia perfeita de Edward, a única coisa que eu realmente gostava nele, e li o nome da loira “Celeste Suarez”. Virei a foto para Edward ver.



— Gostei dessa… — murmurei. Edward pareceu não se importar muito, mas olhou a foto mesmo contra sua vontade. Ele pareceu gostar do que viu.



— Não tinha visto essa… — Edward admitiu.



Sorri. Já imaginando a sessão.



— Vou ligar pra Miuccia e confirmar a exclusividade da coleção e depois para o Louboutin… — Edward começou e eu logo o cortei.



— Deixa que com Christian eu me entendo… — eu disse sorrindo. Christian era um grande amigo meu, e me vira crescer. Edward arqueou a sobrancelha, mas nada falou.



— A discussão infantil de vocês acabou? — Alice perguntou de pé encostada casualmente na cadeira à nossa frente. Como nem Edward nem eu respondemos, ela continuou. — Ótimo. Não sei se papai disse a vocês, mas cada marca fica com um país. Por exemplo, Dior na Austrália, Prada em Paris, etc. Temos que tenta no máximo não repeti-las.



— Hmmm… — murmurei olhando de esguelha para Edward. Se eu bem o conheço ele encheria o saco para implantar a Prada em território argentino. Era tanta obsessão que me deixava louca. Segundo ele Prada era a melhor marca de todos os tempos. Maluquice. Vi Edward seguir meu olhar e neguei lentamente.



— Hey… — Alice bateu palma para chamar nossa atenção. — esperem eu acabar de falar para começarem a brigar novamente. — Bufou. — Já tenho um guia de lugares incríveis. Do campo à cidade. Um lugar mais bonito que o outro… — Alice esperou que nós falássemos algo, mas como não aconteceu ela apensa suspirou. — Ok, podem começar a gritar um com o outro.



Assim que ela saiu da minha visão periférica virei-me para Edward com os braços cruzados.



— Já sabe que não será Prada, não é? — decretei.



Seria maravilhoso um editorial sobre sapatos na Argentina. Sapatos para tango. Wol, eu sou demais. Ri internamente com a minha maluquice, mas concentrada em Edward, eu tinha que fazê-lo aceitar o Louboutin.



— Será Prada, Bella. — Ele disse usando o apelido que eu tanto odiava.



Bufei.



— Qual é Edward, você sabe que a Argentina é terra do tango, Prada definitivamente não combina com a Argentina. E Miuccia não vai querer mandar ninguém fazer uma linha especial de tango, e se mandar, Edward, não dá tempo. — ele abriu a boca para tentar falar, mas eu o cortei. — Nós podíamos colocar uma mulher dançando tango com uma “roupa qualquer” e damos foque no sapato.



Edward estava na minha frente com uma cara tão filha da puta que eu quase, por impulso, dei um soco nele.



— Não. Será Prada e ponto final.



— Não vai ser. — retruquei.



— Claro que vai ser, eu mando. — ele disse se aproximando.



Nossos olhares raivosos estavam lá de novo. Novamente a aura negra estava lá nos rondando.



— Você queridinho, acha que manda. Mas, não manda nada. Quem manda nisso sou eu. — Eu disse com as sobrancelhas arqueadas, fuzilando-o com os olhos.



Ele chegou mais perto inconscientemente como se ele estivesse na iminência de saltar pelo meu pescoço para me matar.



— Quem é o herdeiro disso tudo aqui, hein? — Ele perguntou irônico. Filho da puta.



Já que ele resolveu apelar, eu iria apelar também.



— OK herdeiro, já que eu não sirvo para nada por que você não me demite? — Desta vez, eu dei um passo para frente. Agora, se eu levantasse meu braço eu o tocaria.



Ele pareceu pensar por um instante.



— Por que você é um pouco boa.



— Um pouco? Ok, então se eu sou tão pouco boa eu posso ir embora e você estala os dedos e outra aparece na sua frente? — desafiei.



— Talvez. — provocou. — Ainda não sei por que você ainda trabalha conosco. Ninguém da redação gosta de você, dizem que você é muito autoritária.



Eu ri com escárnio.



— Quem tem que gostar de mim é quem paga o meu salário e tenho certeza que Carlisle não tem nenhuma reclamação sobre meu trabalho. — Nós já estávamos perto, muito perto um do outro. Nossos olhos raivosos estavam em uma disputa interna, um contra o outro, em que um sairia vencedor, só um. Arqueei a sobrancelha ao perceber o quão louco estava sendo o nosso contato visual. Ele era tão forte, que se fosse quebrado abruptamente acharia o vencedor do nosso conflito interno. — Esqueça o seu casinho com Miuccia e pense na revista, pelo menos um pouco.



— Quantas vezes eu preciso dizer que não tenho caso nenhum com a Miuccia? — ele perguntou com raiva e seus olhos assumiram uma tonalidade escura. Minhas mãos se permitiram suar um pouco, eu nunca tive tanta vontade de bater em alguém como agora.



— Desculpe Edward… — eu comecei. Ele recuou um pouco para constatar se eu estava consciente ou não, as sobrancelhas arqueadas como eu nunca vira na vida. — Eu me confundi… você não está de caso com Miuccia, não é? — ele negou ainda paralisado. Um risinho quase escapou por meus lábios. — Você está de caso com a Donatella. Você a chama de quê, de Dona?



A cara que Edward fez foi impagável, ele poderia me matar por dizer isso, com um simples movimento. Mas, eu nunca ri tanto como eu ria agora. Os olhos de Edward assumiram uma coloração vermelha demoníaca.



— Nunca mais repita isso, eu de caso com Donatella Versace… — ele começou e parou abruptamente, assim como eu. Assim que Edward proferiu o nome da irmã de Gianni Versace.



Olhei para ele entusiasmada esquecendo o motivo anterior que eu estava rindo. Nossos olhos se conectaram novamente, mas não como anteriormente. Agora nós nos olhávamos cúmplices, como se pudéssemos nos comunicar pelo olhar. — Vou ligar para Santo Versace assim que chegarmos a Buenos Aires e pedir para que ele disponibilize alguns modelos…



— Vermelho.



Como eu não pensei nisso antes? Versace era perfeito. Todos seus modelitos com enormes fendas eram perfeitos para Argentina. O que tem na Argentina sem ser tango e que eu poderia explorar?



Peguei a foto da garota que eu havia jogado longe na hora da discussão e busquei em minha bolsa algum pedaço de pano vermelho. Nada.



Desisti depois de revirar minha bolsa toda.



— Já tenho uma ideia. — Edward disse assim que eu joguei minha bolsa longe. — E vamos precisar de um cavalo…



O olhei assustada.



— Edward, um cavalo? O que eu vou fazer com um cavalo? — perguntei ainda assustada o olhando estranho.



Ele revirou os olhos teatralmente.



— Vou precisar de um deserto. Um lugar cheio de areia. — ele fechou os olhos imaginando a cena mentalmente, o cenho franzido era prova disso. — A garota loira posa com o cavalo com o versace vermelho com uma fenda. Me ajude a pensar Isabella… — Fechei os olhos tentando imaginar o que passava em sua cabeça.



Hmmm. Vamos imaginar um lugar desértico… Eu nunca tinha ido a um deserto. Que tal uma praia? Quantos desertos eu já havia ouvido falar uns seis?



— Desculpe, o único lugar que eu consigo imaginar é o deserto do Saara. — admiti abrindo os olhos e Edward riu.



— Vamos lá, Bella, se esforce. — Ele fez graça. Quando elaborei um xingamento descente, mas ele me cortou. — Fecha os olhos.



— Você não manda em mim. — reclamei, mas fiz. E de repete uma ideia apareceu em minha cabeça. Ideia essa que eu gostei muito. Comecei a explicar minha ideia à Edward, que assentia absorvendo tudo, nem parecia que há alguns minutos nós estávamos quase nos matando. A minha ideia era perfeita. Imaginei um lugar deserto e um cavalo branco, cabelos esvoaçantes. Não poderia ter muita cor de fundo, pois a modelo estaria vestindo a cor mais forte. E depois algumas fotos com fundo escuro para fazer um mesclado. O cavalo poderia tirar um pouco da sensualidade da mulher que trajaria um Versace vermelho. No final, Edward assentiu.



— Ótima ideia. — ele disse quando terminei meu relato.



— Mais algo que tenhamos que discutir? — perguntei sentindo o sono chegar. Eu não havia dormido direito e só queria descansar um pouco antes de ter que trabalhar novamente.



— Não. — ele negou.



— Então sai daqui por que eu quero dormir. — eu disse fazendo-o rir, mesmo rindo ele contrariou minhas expectativas quando levantou e deu um tapinha no ombro de Alice, a fazendo sentar ao meu lado e começar a tagarelar.



Não lembro o que ela falava, mas murmurava algumas coisas sem nexo para que ela continuasse a falar. Não lembro em qual momento dormi, só sei que adormeci fora dos EUA.



(...)



— Isabella acorda… — Senti alguém me cutucar e despertei automaticamente. Meus olhos avistaram Alice ao meu lado sorrindo largamente. Ela falou algo sobre colocar o cinto e logo o fiz meio grogue me sentado adequadamente. Olhei para o lado e vi Emmett e Edward conversando sobre algo que para eles era relativamente engraçado, pois os dois retardados riam como hienas.



Logo deduzi que o avião estava pousando e logo busquei um espelho dentro da minha bolsa. Assim que achei o objeto o encarei vendo uma Isabella totalmente descansada. A pele escura debaixo dos olhos estava mais clara. Mas os olhos estavam vermelhos devido às muitas horas de sono, eu não lembrava a última vez que havia dormido mais de dez horas. Prendi meu cabelo num coque mal-feito e me arrumei. O avião pousou com Alice falando do hotel que nós iríamos nos hospedar. Ri enquanto ela dizia que queria tirar fotos até das sujeirinhas da rua. Assim que a aeromoça permitiu levantei-me sentindo minhas costas doerem um pouco pelas treze horas que passei sentada. E depois de pegar minha bolsa, minha única bagagem de mão, já estava descendo do avião. Vi Edward mexer no celular e deduzi que estivesse ligando para o Versace.



Olhei em volta reparando na paisagem bonita. O sol de meio de tarde dava um ar quase angelical ao lugar. Havia pouco vento, e não estava tão frio quanto NY, mas ainda sim, estava bastante frio. Logo estávamos dentro do aeroporto. Emmett e Alice estavam ao meu lado. Emmett parecia cansado, pois não falava quase nada e se apoiava em Alice. A cena era tão estranha que eu podia até rir. Pegamos nossas malas e vi Edward se aproximar de nós com uma cara um pouco preocupada. Logo deduzi que ele estava tendo algum problema com a liberação dos vestidos. Ele desligou o telefone o guardando no bolso.



— Emmett pare de se apoiar em Alice, olha o seu tamanho garoto. — Edward repreendeu e eu ri um pouco. Estava bastante descansada e com um bom humor típico de começo de viagem.



Emmett se ajeitou de pé e com poucas palavras começamos a andar até a saída.



— Emmett cansado é uma piada. — Alice desdenhou do irmão. — Você deveria morar em um avião.



Todos riram, até Emmett que nem sabia o que estava acontecendo ao redor de seu corpo. Começamos a caminhar até a saída do aeroporto. Emmett estava andando arrastado enquanto Alice e Edward engataram uma conversa animada sobre a cidade em que estávamos. Eu apenas observava o local. Eu estava debruçada em um daqueles carrinhos que aeroporto em que nós colocamos as malas, e o empurrava facilmente pelo aeroporto. Muitas pessoas passavam por nós. Várias línguas diferentes. Reconheci a minha própria língua, inglês, reconheci também francês, italiano e alemão. O resto parecia tudo muito igual e diferente ao mesmo tempo. Quando achamos a saída do aeroporto fiz sinal e um taxi preto e amarelo parou em nossa frente. Depois de colocarmos nossas malas no carro. Quase não coube, nossa sorte fora que o carro tinha uma mala bastante grande. Alice foi no banco da frente depois de muito pedir. Então eu fui enfiada no banco de trás entre Edward e Emmett. Fiquei espremida entre os dois, Emmett pareceu ter despertado e virava para todos os cantos olhando a paisagem, que era realmente muito bonita.



— Emmett droga, para de se mexer… — reclamei quando Emmett deu um giro de 180 graus.



Alice riu e engatou uma conversa com o motorista. Eu não entendia nada, mas tinha certeza que eles não estavam falando espanhol. Poxa, eu tive algumas aulas e não estava entendo uma palavra. Eu nem sabia que Alice falava essas línguas estranhas. Tudo bem que eu falava muitos idiomas, até latim, que fora obrigada a aprender quando criança. Mas, eu achava que sabia falar, pelo menos, algumas palavras. Ou entender algo.



— Olha que bonito. — Emmett apontou se jogando em cima de mim e de Edward para ver através da janela do lado de Edward.



Bufei.



— Isso não vai dar certo. — murmurei mais pra mim mesmo do que pra alguém. Mas, Edward ouviu.



— Eu sei que não… estou contando quanto tempo você vai aguentar isso. — Ele disse rindo.



O olhei raivosa.



— Edward eu estou falando sério. Essa viagem é muito importante, e eu não sei o que o seu irmão está fazendo aqui! — reclamei.



— Emmett vai ficar lindo no meio de todas essas latinas. O coitado vai até voltar apaixonado, imagina Emmett apaixonado. — ele riu, ele realmente estava tirando uma com a minha cara. Virei minha cabeça para frente e fechei os olhos. Meus olhos estavam sendo comprimidos de uma forma assustadora. — Aí, Emmett conhece uma garota aqui, em Buenos Aires, entra nas praias brasileiras, pula de canguru, caçoa dos japoneses, morre de frio na Rússia, tenta aprender a falar alemão e deixa os alemães irritados, na Espanha ele fica bêbedo e dorme na rua, muitos mojitos, na França o garoto vai escalar a Torre Eifel e vai querer roubar a Monalisa do museu de Louvre, não esquecendo da Grécia, ele nem sabe onde isso fica, e vai sair falando para todos que está em uma cidade perdida… — uma risadinha escapou por seus lábios o que não foi passado despercebido por mim que ouvia o que o maluco falava ainda de olhos fechados. — na Itália ele vai comer tanta pizza que vai querer explodir. — dessa vez uma risada irônica teve vida própria saindo por entre meus lábios, Emmett podia explodir e levar Edward junto. Outra risada. Senti Edward parar por um instante e dar de ombros. — Na Holanda, ele vai querer tirar fotos em todos os moinhos e vai tentar levar um para casa, na Inglaterra… a rainha que o espere, ele vai ficar perseguindo os guardas que nem um retardado e vai cantar o hino dos EUA toda hora. Finalmente Vaticano, Emmett nunca foi lá, vai querer beijar o papa, em Portugal ele vai querer comer todos os pães que encontrar e explodir e nossa última parada na África do Sul, ele vai querer adotar uma criança. Já estou até vendo. Lembre-se disso. Depois disso você vai precisar de um psicólogo.



Abri os olhos o encarando procurando algum resquício de brincadeira, quando não achei nenhum soltei um gemido de frustração. Emmett poderia fazer isso.


— Edward… — chamei. — De verdade, por que Emmett está indo?



Ele riu com todo o sarcasmo imaginável.



— Porque ele decidiu fazer a sua vida um inferno. — sua voz saiu assombrosa e quase me arrepiei por antecipação.



— aposto que a ideia foi sua, com certeza não é ele que passa o dia todo pensando “o que eu vou fazer para irritar a Isabella hoje?” — eu disse tentando imitar a voz dele, sem sucesso, claro, o que o fez gargalhar. Emmett pareceu estar prestando atenção porque riu também.



— Isabella não… Bella. — ele gargalhou imitando minha voz.



— Estou indo por que não vivo sem o meu maninho, Bella. — Emmett disse ignorando o irmão.



— ISABELLA… — me controlei para não gritar. — pare de me chamar de Bella, eu não tenho cinco anos de idade. Qual é a dificuldade de vocês em dizer o meu nome?



Emmett deu de ombros e passou prestar atenção em sua volta.



O taxi parou num hotel muito bonito e grande. Nossas malas foram tiradas pelo mensageiro. E logo nós estávamos passando pela porta do hotel. Alice pediu para que nos esperássemos que ela iria pegar a chave dos quartos com a recepcionista. Como ela era a única que falava língua estranha ninguém se opôs. Sentei na poltrona e parei pra prestar atenção à minha volta. O lugar era muito chique. E o teto era alto. Muito alto. Se eu ousasse chutar, pensaria no número 4. Uns quatro metros de altura, no mínimo, sem dúvida. A decoração era aparentemente colonial. Cheia de detalhes dourados, estátuas e chão num porcelanato ou mármore, não consegui identificar, numa cor meio leite meio bege, tão polido que eu poderia ver meu reflexo no chão. O hotel era realmente muito bonito.



Alice voltou com um sorriso bobo na cara. Emmett levantou do sofá que em que havia se estirado. Alice logo chegou e mostrou a chave nas mãos. Uma chave. Arqueei a sobrancelha duvidosa.



Uma chave?



Carlisle esperava o que? Que nós dormíssemos em um quarto só?



Jamais.



Ele estava realmente louco.



— Papai reservou o apartamento presidencial pra nós quatro. No último andar. — Ela disse e eu relaxei um pouco, isso significava que cada um teria seu quarto. Porém, ainda assim, eu iria topar com os Cullen toda hora. — Mas tem um problema. São três suítes, e um quarto relativamente pequeno, com o sol batendo o dia todo. Nem as cortinas reprimem o sol. Então, é melhor correr, porque não vai ser eu que vou ficar com o quarto pequeno.



Um olhou para o outro, e em questão de segundos vi três idiotas correndo em direção ao elevador. Ri revirando os olhos. Íamos passar apenas três dias aqui, e eu não me importaria em dormir naquele quarto. A porta do elevador abriu, eles entraram se esbarrando e fechou com eles se esbarrando. Revirei os olhos e entrei no outro elevador. Assim que a porta fechou apertei o botão que marcava o número 20. Era aparentemente o último andar. E, exatamente trinta e cinco segundos depois, o elevador apitou revelando o último andar. Sai do elevador e vi que só tinha um apartamento por andar. Não ouvi barulho nenhum ao meu redor, me aproximei da porta e empurrei a porta que estava aparentemente aberta.



— Não, Edward eu quero esse. Sai daqui. — Ouvi Alice gritando e ri. Sem reparar muito no lugar fui à procura de um quarto. Entrei em um corredor e abri a ultima porta e assim que o fiz gargalhei. Eu havia achado a suíte. Enquanto os três se engalfinhavam eu encontrei o quarto “bom” sem nem correr.



Coloquei minha bolsa em cima da cama e parei para observar ao redor. O quarto era amplo e tinha uma vista bem bonita. As cores claras contrastavam bem com os móveis escuros e o carpete preto. Tirei meu tênis o colocando ao lado da cama.



— Ganhei uma suíte. — Gritei. Em seguida ouvi alguns sons inconformados vindo de um dos três cidadãos americanos ali presentes.



Sentei na cama tirando minha jaqueta. Prendi meu cabelo num coque frouxo. E busquei na bolsa, minha câmera. Fotografar era algo que eu aprendi a gostar com a moda. Logo, virou um hobby. Aproximei-me da sacada para fotografar a vista. Assim que coloquei o pé pra fora do quarto vacilei com a vista. Tudo era mais bonito que eu esperava. Se eu forçasse os olhos, poderia ver até o obelisco. Levei minha câmera aos olhos e depois de tirar algumas fotos voltei pro quarto.



Depois de guardar minha câmera, voltei pra sala em busca das minhas malas. E assim que voltei me permiti olhar ao redor. Era tudo mundo bonito e aconchegante, parecia realmente com um apartamento. O lugar era muito iluminado, e tinha uma vista linda. As cores claras das paredes contrastavam com os sofás escuros da sala. Fui andando pelo apartamento admirando o lugar. Parei de observar a casa e me esgueirei na vista que a sala tinha da cidade. A cidade de Buenos Aires era linda. O sol fraco batia na janela e dava a impressão que o frio poderia congelar alguém. Continuei olhando todas as formas dos prédios, o Obelisco aqui, era ainda mais visível. Tentei ver as pessoas, mas o apartamento era alto demais e o máximo que eu via eram pequenos pontos pretos, bem pequenos.



— Mas, Sr. Versace, nós realmente precisamos dessas peças. — Ouvi Edward falar e virei automaticamente. Ele estava no telefone, e estava visivelmente tendo problemas na liberação das peças. Ele revirou os olhos e me olhou com uma cara de tédio aparente.



— Mas, Sr. Versace… — Edward disse com cara de tédio. Andei até ele e num átomo peguei o telefone de suas mãos. Ele tentou pegar de volta, mas não deixei levando o celular ao ouvido.



[— Sr. Versace? — perguntei fingindo hesitação.



— Posso saber com que estou falando? Isso não é uma brincadeira.

— Sou eu, Isabella… não se lembra? — forcei uma voz triste revirando os olhos. Edward me encarou em profunda confusão, coloquei o telefone no viva-voz sorrindo maroto.



— Claro que sim, Isabella… E a que devo a honra? — a voz dele saiu estranha.



— Hmm, o senhor sabe que nós estamos próximo à edição comemorativa, não é? — perguntei com uma falsa empolgação.



— Claro que sim minha cara, o que você deseja de mim?



— Estamos na Argentina, acredita? E nós vamos fazer um ensaio em cada região do mundo, aí vendo essa paisagem tão linda eu lembrei que a sua grife poderia estampar na nossa revista, de novo. — Eu disse com as sobrancelhas arqueadas, Santo Versace tinha uma quedinha por mim e eu que iria me aproveitar disto.



— Fico honrado que tenha se lembrado de mim, minha cara, mas o que esse velho aqui pode fazer por você?



— Preciso que me libere alguns vestidos da sua próxima coleção… não são muitos, apenas alguns vermelhos e com grandes fendas. Sei que há alguns por aqui em Buenos Aires e pensei que você poderia fazer isso por mim. — fiz a voz mais angelical possível.



— Bom… — ele pareceu pensar um pouco. — ok, minha cara, vou pedir que deixem no seu hotel alguns vestidos, mas você tem que me prometer que nada vai sair até a próxima semana, caso contrário Donatella me mata. — ele riu e eu o acompanhei. — Mas, tenho que dizer que não vou poder mandar muitos, nós não temos muitos vestidos assim por aí, vou poder mandar só três, combinado?



Sorri triunfante.



— Muito obrigado Sr. Versace… Edward já falou em qual hotel estamos?



— Acho que mencionou algo sim…


— Ótimo, agora preciso desligar, o trabalho me chama. Foi muito bom conversar com o senhor…



— Claro, claro. Mando as peças até hoje.]

E eu desliguei.



Entreguei o celular a um Edward perplexo. Sorrindo triunfante eu disse:



Entreguei o celular a um Edward perplexo. Sorrindo triunfante eu disse:


— Esse é o tipo de coisa que só uma mulher consegue fazer. — fiz graça.



Ele riu.



— Quer saber que você tem a Versace na mão? — ele perguntou fazendo graça.



— Não só ela. — pisquei para ele.



Notas finais
Oi gente, então tô em semana de prova por isso demorei.
Obrigado por todas as fofas que comentaram. Sério, isso é muito importante pra mim. Olha a responsabilidade batendo na porta.
Espero que vocês gostem, porque gosto muito de escrever essa história.
Então me deem vontade de escrever, me encorajem a entrar de cabeça nessa com tudo.
Comentários e recomendações me motivam, E MUITO!
Beijos, e até o próximo...