Notas iniciais
Ok, não me matem, explico tudo lá embaixo. Leiam as notas finais elas serão importante para esclarecer algumas dúvidas sobre a história. Clique nos links e ouça a música, é importante. E lá se vai um capítulo de 34 páginas. Quem acertou quem seria a modelo pede alguma coisa nos comentários e eu vejo o que eu posso fazer...

Brasil, ah Brasil, terra do samba, do futebol e do calor. Sim, do calor. Pensei que o avião havia errado de destino e pousado no inferno ao invés do Rio de Janeiro. Gemi de tristeza ao perceber que eu estava em terras brasileiras. Porém, a beleza da cidade era uma coisa extraordinária. Mesmo no táxi, eu podia ver as pessoas andando na rua, animadas, conversando e se divertindo. Podia-se reparar o quão acolhedora aquela cidade era, o taxista conversava em inglês conosco e dizia-se animado por estar falando com cidadãos americanos. Eu ria. Ele era realmente engraçado. Beirava os trinta anos. Tinha pele morena, não negra, o cabelo loiro dourado bem curtinho e com gel espalhado por toda sua extensão e por último vinha os olhos, eram azuis, bem clarinhos, quase transparentes.

O taxista, que descobri que se chamava Pablo, nos deixou no hotel com a promessa que voltaria assim que fosse solicitado. Eu ri quando Alice soltou um suspiro engraçado assim que o táxi saiu do nosso campo periférico.



— Parece que o Loiro Gostosão vai voltar. — Alice disse entrando no quarto em que eu estava. Gargalhei.



Assim como em Buenos Aires, ficamos numa espécie de flat, porém, dessa vez, havia suítes até de mais. Não havíamos ficado no hotel mais famoso da cidade, isso por que Carlisle sabia que luxo de mais era besteira. Ficamos num hotel bastante acolhedor e nem por isso pouco luxuoso. Podíamos ver a praia da sacada de cada quarto e isso já era bom o bastante para mim.



Edward ainda não me informara da escolha da modelo, ao que parecia eu só seria informada no dia do ensaio, o que me deixava extremamente irritada. Nós íamos sair por aí, curtir a tarde como turistas, como pessoas da nossa idade.



— Loiro Gostosão é? — Perguntei e ela acenou para mim sorrindo. — Pega um sapato para mim na mala perto da porta, por favor. — Pedi enquanto vasculhava minha bolsa em busca do batom que eu tinha certeza que havia visto ali dentro.



Alice colocou um par de Louboutin prateado em cima da cama.



— Bolsa? — Alice perguntou.



— Na mala perto do closet, uma balenciaga rosa.



Ela pegou o colocou ao lado dos sapatos e me olhou dos pés à cabeça.



— É melhor você trocar de roupa…



Olhei para minhas roupas. Nada de mais, calças Gucci com couro na parte da frente e uma blusa azul de alças.



— Por quê?



— Digamos que essa roupa não combina muito com o lugar em que vamos. — Ela disse com um sorriso travesso nos lábios.



Me joguei na cama de novo.



— A mala do meio é a mala dos vestidos. A do seu lado esquerdo é das saias, shorts e calças. As blusas ficam na mala aberta perto da janela.



Ela sorriu e se aproximou da mala onde ficavam os vestidos e começou a vasculhar. Algum tempo depois ela veio até mim segurando um vestido tricolor Oscar de La Renta.



— Eu estou atrás desse vestido há três semanas, posso saber como conseguiu?



— Nem queira saber, Alice, nem queira saber. — Murmurei rindo e jogando minhas coisas dentro da bolsa.



Não fora muito difícil conseguir um vestido daquele, aliás, ele havia chego até mim sem esforço algum. Fora um presente de um de meus editores.



Peguei o vestido de suas mãos e rumei para o banheiro trocando de roupa. Aproveitei e refiz a maquiagem de modo que ela ficasse mais suave do que anteriormente. Ri um pouco ao reparar que meu cabelo havia ficado mais claro com o sol que eu havia levado de manhã, ou era isso ou eu estava ficando daltônica.



— Já está pronta? — Alice perguntou quando sai do banheiro.



Eu sorri.



— Eu nasci pronta. — Fiz graça calçando o sapato.



Alice jogou uma piscadela engraçada e saiu do quarto comigo em seu encalço. Seus Louboutins pretos faziam eco no chão. Seu short era de couro preto e eu podia apostar que fosse de Alexander McQueen. Sua blusa era no estilo degradê em vários tons de laranja e rosa visivelmente uma Versace.



Logo estávamos na sala. A sala era ampla e com vários tons de branco e marrom. Havia três sofás na sala, todos eram num marrom escuro. Sentei em um deles para que nós pudéssemos esperar Edward e Emmett.



— Ele nem é tão bonito assim… — Murmurei do nada.



— Quem? O taxista? — Alice perguntou.



— Sim… ele não parece ser taxista, sabe? Sei lá, ele parece aqueles carinhas que vivem debaixo do sol o dia inteiro. — Comentei.



Alice pareceu pensar um pouco.



— Agora que você falou, até que parece…



Eu ri um pouco da cara que ela fazia.



— Mesmo assim, ele é um gatinho. — Ela disse abanando as mãos me frente a si mesma.



Gargalhei.



— Ri baixo porque se um dos meus irmãos ouve isso o loiro gostosão deixa de ser nosso motorista.



Ri mais ainda lembrando a maneira protetora que Edward e Emmett tratavam a irmã, e a mãe, e as primas e as namoradas. Coitada da garota que casar com um desses.



— Qual é a graça? — Edward perguntou entrando na sala.



Não aguentei e ri mais ainda sendo acompanhada por Alice. Uma risada alta irrompeu a sala, era Emmett. Minha gargalhada se intensificou ao reparar que ele estava rindo sem uma razão aparente. Alice rolava no sofá. Eu não sabia por que, mas isso estava sendo muito engraçado. Edward nos olhava como se nós fossemos três E.T’s, mas eu não me importava. Ao que parecia, o espírito da viagem havia se impregnado em mim.



Aos poucos minha respiração voltou ao normal. Limpei algumas lágrimas que escorriam pelo meu rosto e me pus de pé indo até a cozinha para pegar um pouco d’água.



Dois copos depois eu voltei para a sala. Emmett estava jogado no chão respirando fundo e Alice estava de sentada no sofá sorrindo pro nada.



— Alguém pode me explicar o que foi isso? — Edward perguntou pausadamente.



Não houve resposta.



— Emmett? — Pediu.



— Estava rindo da cara que Alice fazia, estava muito engraçada. — Emmett disse imitando Alice. Ri um pouco.



— Alice? — Edward pediu.



— Eu estava rindo do jeito que Isabella ria. — A garota se explicou.



Edward se voltou para mim.



— Isabella?



— Alice foi engraçada por um momento. — Eu disse sorrindo.



— Ok, o Pablo já está à nossa espera. — Alice murmurou.



— Ok, vamos. — Eu disse pegando minha bolsa.



Entramos no elevador numa conversa engraçada sobre a cidade. Edward fazia alguns comentários sobre meu humor estar em transição e que eu estava meio bipolar atualmente. Todos foram ignorados por mim. Assim que saímos do hotel reparei no táxi amarelo na nossa frente. O loiro gostosão estava encostado no táxi com os braços cruzados. Sem gel dessa vez, seu cabelo caia por toda extensão de seu rosto. Trajava uma jeans escura e uma blusa branca.



Alice jogou o cabelo sedutoramente para o lado e andou em direção dele.



Depois de nos cumprimentarmos entramos todos no táxi. Alice fora na frente batendo um papo sobre coisas banais com o Loiro Gostosão. Coube a mim dividir o banco de trás com Emmett e Edward. Senti meu celular vibrar dentro da bolsa e quando o peguei vi que era uma mensagem da Alice.



De: Alice



Para: Isabella



Distraia Edward enquanto eu jogo meu charme pro loiro gostosão.



Soltei um risinho baixo.



— Você sabe para onde estamos indo? — Sussurrei olhando para Edward.



Ele negou com a cabeça.



— Eu tenho medo até de perguntar. — Edward murmurou inquieto.



— A sessão está marcada para depois de amanhã mesmo? — Perguntei mudando um pouco de assunto.



Ele assentiu.



— Sim, sairemos de manhã cedo, essa sessão deve demorar um pouco mais…



— Ainda bem que está tudo pronto para essa, não sei se conseguiria pensar numa coisa tão boa quanto essa. — Murmurei incerta.



— Essa foi uma ideia realmente boa…



— Eu realmente queria que fosse na Amazônia, você sabe, é tudo mais real lá. Mas, posso me contentar com a floresta da tijuca.



— É, mas ouvi dizer que tudo que nós precisamos tem aqui.



— O que mais me surpreendeu foi termos conseguido a Chanel. Tipo, um editorial praticamente florestal e ver que a Chanel, uma marca tão mulherzinha aceitar isso, é completamente louco.



Edward concordou.



— Mas vai haver peças bem Chanel…



— O que você quer dizer com isso? — Perguntei.



— Assim que chegarmos no hotel mostro para você algumas das peças.



— E quando eu vou saber quem é a modelo? — Perguntei.



— Só no dia da sessão.



— Como você acha que eu vou me preparar para uma sessão se eu nem sei quem é a modelo? — Perguntei realmente irritada. — Você não consegue entender que eu também faço parte dessa revista?



— Deixa de ser chata, não adianta você encher o saco perguntando quem é a droga dessa modelo se nem eu mesmo sei. Que saco. Carlisle escolheu a modelo e disse que era uma surpresa. Nem eu, nem Alice e nem Emmett sabemos. Satisfeita? — Edward disse. Ele não gritou, ele falava lentamente quase ameaçadoramente fazendo com que meu pelos se arrepiassem.



— Você age como se fosse o dono da revista, sendo que não é. Você não sabe trabalhar em equipe, nunca diz “nós”, para você é sempre “eu vou escolher isso” ou “eu acho melhor isso”. Mas, você não entende que nós todos somos uma equipe. Até o Emmett tem uma opinião a dar.



— Olha quem fala. Você nunca inclui ninguém, você acha que pode resolver tudo sozinha e sempre culpa alguém. Nunca dá o braço a torcer…



— Eu nunca dou o braço a torcer? Tem certeza? Você nunca aceita estar errado, nunca. Não aceita que alguém pode ter uma ideia melhor que a sua. Você não é o dono do mundo!



— É claro que não, você não sabe o que está falando.



Ri sem humor.



— Agora eu sou maluca?



— Isso você sempre foi, mas parece que tudo se intensificou.



— Escuta aqui, Edward, eu não posso dizer que maluca é a sua mãe porque aquela ali é a melhor pessoa do mundo, então o maluco dessa história é você. Você não aceita que alguém possa ser melhor que você. Nunca.



— Minha mãe pelo menos me deu educação…



— Você está insinuando o que?



— Eu? — Disse sínico. — Nunca.



Meus olhos faiscavam fúria, minhas mãos coçavam. Minha cabeça doía de mais para eu continuar a discussão. Encostei-me novamente no banco do carro e fechei os olhos.



— Ok, já que a briguinha idiota acabou e nós já chegamos, nós já podemos entrar? — Alice disse com uma leve irritação.



— Por mim tudo bem. — Murmurei. — Vai Emmett, abre a porta logo, porque eu não aguento ficar muito tempo perto desse idiota aqui não.



— Deus, vocês parecem duas crianças. — Alice disse fazendo com que Emmett e o loiro gostosão rissem.



Quando todos saímos do carro reparei no lugar onde estávamos. Era noite, podia apostar que fossem uma 21 horas. O lugar parecia uma boate, ou algo do tipo. Quando perguntei para Alice onde estávamos ela apenas respondeu Lapa. Eu já ouvira falar nesse lugar, diziam que uma espécie de point carioca, onde as pessoas se encontravam depois de um dia de trabalho para comemorar. Havia pessoas para todo canto. Reclamei quando vi uma fila gigante para entrar no local, se estivéssemos no nosso país de origem não precisaríamos passar por ela. Pessoas influentes apenas entravam, não há filas se você tem dinheiro ou até uma fama miserável, se você é influente você tem tudo nas mãos.



Minha vontade de ir pra casa aumentou enquanto nos aproximávamos do lugar, a fila parecia aumentar sem parar. Felizmente o Loiro Gostosão parecia ser conhecido por ali porque quando nos aproximamos mais ele nos direcionou direto para entrada trocando apenas um aperto de mão com o segurança que ficava na entrada.



Luzes piscavam dando uma sensação luxuriante lá dentro. Os corpos se movimentavam conforme a batida da música. O local estava bastante cheio e logo me vi sendo direcionada para o bar. Sentei em um dos banquinhos do bar junto com os outros e passei a observar as pessoas. Tive curiosidade em saber se aquilo era uma espécie de baile funk, mas não perguntei. Me senti estranha ao reparar que não havia ninguém ali trajando calça e agradeci Alice por isso.



Alice me ofereceu uma bebida e eu aceitei mesmo não sabendo o que era, eu nem mesmo me importava. Vi Alice sair pra dançar com o Loiro Gostosão quando seus irmãos pararam de prestar atenção nela. Mais uma bebida fora oferecida a mim, desta vez por um Emmett risonho. Ignorei o que aquele risinho podia significar. Entornei a bebida na boca e reconheci o gosto. Aquilo ali era Whisky. A bebida desceu queimando minha garganta e provocando aquela sensação gostosa de mais.



Senti alguém se aproximar e sentar-se ao meu lado. Virei dando de cara com um homem de altura mediana sentar ao meu lado. Ele sorriu e deu uma piscada com um dos olhos azuis e mexeu no cabelo castanho. Minha sobrancelha se arqueou automaticamente. O cara era realmente bonito.



Ele falou algo numa língua estranha que logo deduzi ser português e então meu sorriso maroto morreu.



— Não falo português. — Murmurei levemente irritada.



Seu rosto caiu um pouco. Ele pediu uma bebida e depois se afastou acenando.



Ao olhar ao redor notei que estava sozinha. Chamei o barman e depois de muito esforço o fiz entender que queria outra dose de Whisky. Quando o copo chegou em minhas mãos bebi tudo de uma vez e rumei para pista de dança. Eu gostava de dançar, gostava de agir como pessoas da minha idade, pelo menos as vezes.



A música era contagiante. A proximidade com as pessoas era incrível, mas mesmo assim confortável. Meu corpo movia-se no ritmo da música. Um sorriso brotou em meus lábios ao sentir um corpo colado ao meu. Eu não era uma puta que ficava com qualquer um por aí, mas me permiti dançar com um desconhecido que eu nem mesmo havia visto o rosto. Estar num país desconhecido dançando com um estranho sem nem ao menos saber onde meus amigos estavam era algo que ia completamente contra minhas ações, porém eu não me importava, pelo menos não agora. Quem estava no comando agora era a outra Isabella Swan. A Isabella que dominava meu corpo quando alguns copos de Whisky eram derramados em minha boca.



A música acabou e depois veio outra e depois outra. Não lembro quando, mas em alguma parte de alguma música que tocava braços fortes me puxaram para fora da multidão. Olhando para cima reconheci ser Emmett.



— Me larga, idiota. — Reclamei enquanto era facilmente puxada de volta até o bar. Emmett não me largou até chegarmos a uma mesa, e quando o fez me jogou ao lado de Edward. — Qual seu problema?



— Papai mandou eu cuidar de vocês e eu vou cuidar, agora só preciso achar Alice… — Emmett disse olhando em volta.



— Não acredito que você perdeu a Alice, Emmett. — Ouvi Edward reclamar.



— Não foi de propósito…



Arqueei a sobrancelha chocada. Emmett estava surtando ou o que?



Assim que eu ia começar a retrucar me lembrei de Alice e que ela provavelmente estaria em algum canto escuro se atracando com o Loiro Gostosão. Então, ignorando Emmett e Edward me estiquei para pegar minha bolsa — bolsa essa que eu não tinha noção de como havia ido parar ali — e busquei meu celular mandando uma mensagem para Alice.



“De: I.



Para: Alice

Desculpe atrapalhar sua possível foda, mas o maninho maluquinho teve um surto de preocupação e está te procurando enquanto maninho irritantezinho está chateado por não estar no controle da situação. Se esconda!”



Gargalhei da mensagem e logo enviei.



Enquanto Edward e Emmett discutiam sobre onde Alice poderia estar comecei a me perguntar qual era o problema deles e porque eles não podiam me deixar em paz pelo menos uma horinha. Deixar com que eu me divirta um pouco.



Senti meu celular vibrar e abri.



“De: Lindinha bem comida



Para: Isabellinha

Eu cuido do Emmett. Entretenha o Edward um pouquinho enquanto eu acabo aqui. Eu sei, fico te devendo uma!”



O que era Isabellinha? Ri enquanto digitava a mensagem.



“De: Isabella SEM inha



Para: Garota do Loiro Gostosão



Como você acha que eu vou entreter seu maninho irritante?”



Ignorei o apelido e chamei atenção do barman que tinha me atendido antes fazendo um sinal para que ele me desse outro Whisky. Felizmente, ele entendeu e me lançou um sorriso.



O carinha veio até mim e colocou o copo na minha frente.



— Obrigada. — Disse sorrindo, mesmo que ele não entendesse.



Ele sorriu dando as costas, mas quando eu ia colocar a bebida na boca Edward a puxou quase me molhando.



— Você não vai beber mais. — Ele disse colocando novamente na mesa.



O QUE?



QUEM ELE ACHAVA QUE ERA PRA DIZER O QUE DEVO E O QUE NÃO DEVO FAZER?



— Quem você acha que é? — Perguntei gritando. Eu sabia que não devia beber mais, mas eu não queria dar o braço a torcer.



Edward riu um pouco.



— Você fica mais chata ainda quando está bêbada. — Edward disse rindo ainda mais.



Olhei em volta ignorando o idiota ao meu lado e parei meu olhar na cena que me fez gargalhar internamente, Alice realmente sabia o que os irmãos gostavam. Parado ao lado do bar estava Emmett e uma morena bonita. Ela estava claramente se insinuando para ele e mantinha seus seios na cara do bobão que a encarava todo bobo.



(Link da música)



Desviei meu olhar antes que Edward reparasse a mesma coisa que eu. Edward estava sentado em frente a mim. Estávamos num banco gigante que torneava a mesa. Ele até que estava bonitinho. Tinha o cenho que demonstrava claramente a preocupação que estava sentindo. Estava com uma camisa azul bebê com alguns botões abertos e com as mangas dobradas até o cotovelo. Seus olhos azuis estavam mais claros que o normal e seu cabelo mais despenteados que o normal. Ele devia ter passado as mãos lá milhões de vezes o que fazia constantemente e que era intensificado em determinadas emoções.



Me surpreendi ao reparar que sabia tantas coisas sobre ele. Isso era resultado de anos trabalhando junto com ele. Eu conhecia seus gostos, manias, gestos… tudo. Isso era engraçado até para mim que estava um pouco bêbada.



Edward começou a falar coisas sobre eu estar o olhando muito estranho o que me fez rir muito.



Num determinado momento Edward começou a estranhar a demora do irmão. Eu já havia feito de tudo para atrasá-lo e nada deu certo.



Uma música contagiante começou a tocar e eu olhei de relance para o cara que estava preste a se levantar.



Você está me devendo muitas, Alice, muitas.



Levantei rápido indo até a pista de dança, Edward iria atrás de mim. Ele se sentia responsável por tudo que estava a sua volta, até mesmo eu.



Fui pro meio da multidão novamente. Eu ria bem alto. Eu não estava mais bêbada, mas estava sendo realmente engraçado deixar Edward maluco. Além do mais, ele não precisava saber que eu não estava mais bêbada.



Logo depois senti mãos me puxando para fora da multidão, mas não deu certo, era muita gente.



— O que você está fazendo? — Edward perguntou alto suficiente para que eu ouvisse.



— Dançando. — Respondi na mesma altura.



Comecei a dançar novamente, rindo. Ouvi Edward bufar atrás de mim e decidi que ia brincar um pouquinho com ele. Comecei a dançar com um carinha bonitinho do meu lado. Sorri ao reparar que era o mesmo bonitinho que havia me abordado no bar. Nossa dança se tornou sexy e alguns segundos depois fui imobilizada por dois braços fortes.



Desde quando Edward era forte?



Tentei me soltar, mas não consegui. Um sorriso maroto brotou em meus lábios e eu me virei de frente para ele.



Suas mãos estavam nas minhas costas então eu envolvi seu pescoço com meus braços.



Sim aquele era Edward e eu o odiava. Mas, Edward estava até que bastante gostoso e forte… Sim, forte. Eu tinha uma quedinha por homens fortes e Edward me parecia, naquele momento, uma tentação.



Tentei me soltar mais uma vez e novamente não consegui.



Ignorando minha mente que gritava que aquele era Edward e que além de eu o odiar ele era filho do meu chefe, comecei a dançar novamente. Edward fechou os olhos e reparei que seu aperto soltou um pouco; não tentei me soltar.



Eu estava dançando com Edward.



E estava gostando.



Comecei a repensar se estava realmente bêbada, não quis saber a resposta.



A única coisa que me importava no momento era o aqui e o agora e, no momento, eu estava apreciando a companhia de Edward. Soltei um gemido de surpresa ao sentir a voz rouca de Edward no meu ouvido.



— O que você está fazendo?



Ri um pouco.



— Não sei. —Respondi.



Nossos corpos começaram a se mover com a batida da música. Nossa dança estava um pouco sensual de mais. Eu matinha uma das minhas pernas no meio das de Edward. Enquanto esse subia e descia suas mãos pelas minhas costas. Eu estava ficando excitada. Meu corpo estava completamente arrepiado.



Minha cabeça insistia em gritar que aquele era Edward.



Apenas uma música — Decretei mentalmente.



Soltei um gemido audível quando senti a boca de Edward no meu pescoço. Edward passou a depositar lambidas e pequenas mordidas no local. Eu podia jurar que todos os pelos do meu corpo estavam arrepiados.



Minhas mãos passaram para o seu cabelo macio. Isso pareceu deixá-lo mais ansioso. Passei a sentir uma dureza conhecida na minha barriga e comecei a queimar. Eu estava mais excitada ainda. Nossos olhares se cruzaram por um instante e de repente nós estávamos nos beijando com loucura. Sua língua estava em todos os lugares da minha boca. Nosso beijo era selvagem, com um pouco de tudo: luxúria, prazer, ódio, ânsia, excitação… tudo. Edward começou a me puxar lentamente para fora da multidão. Paramos de nos beijar quando o ar era necessário de mais. Sentamos na mesma mesa que antes, mas desta vez Edward deixou que eu bebesse um pouco. Até ele entornou alguns copos na boca. Cada vez que Edward colocava o copo na boca eu ficava mais excitada.



Afinal, qual era o meu problema?



Acabei a quarta dose de algo que Edward havia pedido para nós dois. Eu estava alta de mais. Edward também não estava bem; tinha os olhos vermelhos e a boca da mesma cor, porém eu desconfiava que a culpa da boca dele estar num vermelho sangue era minha.



Eu matinha meus olhos na boca de Edward, louca para que aquela distancia imposta entre nós acabasse.



Edward deu outra golada em sua bebida e eu passei a língua nos lábios inconscientemente.



— Não faz isso, Isabella… — Ouvi Edward disse e apreciei a forma como meu nome saia de seus lábios.



Sorri.



— Fazer o que? — Perguntei olhando de relance para os seus olhos, mas com toda a minha atenção voltada para sua boca.



Ele riu um pouco e me deu um gole de sua bebida. A bebida era estranha, bem forte, não forte do jeito bom, mas forte como se fosse feita de algo azedo de mais. Edward fez sinal para que eu bebesse e eu o fiz meio a contragosto.



— Edward, eu quero ir pra casa… — Murmurei de repente quando uma onda de cansaço se atingiu.



Ele olhou para os lados abruptamente.



— Vou procurar Alice e Emmett. — Ele disse se levantando.



Uma parte da minha cabeça gritou para que eu o impedisse e eu o fiz.



— Edward… — Chamei, ele se virou.



— Quero ir embora agora.



Ele me olhou relutante.



— Isabella…



— Ok, Edward, vá atrás dos seus irmãos, eu te espero.



Gargalhei internamente.



— Cinco minutos, não se mexa. — Edward disse me deixando ali.



Eu podia reparar que minha boca havia se aberto um pouco.



Edward estava bêbado de mais para perceber que eu o obedeceria?



Quando ele saiu do meu campo de visão me levantei a procura da saída do local.



— Oh, merda. — Murmurei quando me lembrei de Alice. — Já fiz muito por você hoje, Alice.



Continuei andando, esbarrando sem parar nas pessoas. A música estava um pouco mais alta que antes e me dava uma dor de cabeça chata. Tudo aconteceu tão rápido que meu cérebro afetado pela bebida não reparou.



Em questão de segundos eu estava com meus dois braços imobilizados e sendo empurrada para a saída do lugar. Um corpo se encontrava atrás de mim.



Seja quem for, é forte.



Soltei um risinho.



Eu não podia virar para ver quem era, pois estava tudo cheio de mais. Continuei a andar abraçada com o estranho ignorando totalmente a parte não bêbada da minha mente que gritava que eu fazia algo totalmente irracional.



Poxa, ele é forte.



Chegamos à saída e eu tentei me soltar, não deu certo o que me fez soltar um muxoxo.



— Fica quieta. — Uma voz rouca soou no meu ouvido fazendo com que eu me arrepiasse completamente. A voz era conhecida, era voz do Edward.



— Estou cansada de andar. — Reclamei e era verdade.



— Só mais um pouquinho.



Conseguimos sair daquela loucura e logo estávamos fora. Edward largou meus braços e rodeou minha cintura com seus braços me fazendo gargalhar.



— Eu não vou desmaiar nem nada parecido. — Murmurei fazendo-o gargalhar também.



— Cala boca, Bella. — Ele disse ainda rindo.



Não pensei em reclamar, a forma como ele falou meu nome era tão excitante que eu nem precisei ignorar a parte de mim que odiava ser chamada assim.



A rua não estava muito movimentada. Havia mais carros do que pessoas. Edward fez sinal para um carro da mesma cor do que o do Loiro Gostosão e eu entendi que aquilo era a cor predominante dos táxis.



Minha consciência está voltando rápido de mais.



Entramos no táxi e Edward disse o nome do hotel para o taxista.



— O que você me deu para beber? — Perguntei tirando meus sapatos e relaxando no banco logo fechando os olhos.



— Nada de mais. — Ele disse risonho.



— Minha cabeça está voltando ao normal. — Murmurei.



— Eu sei.



Ignorei Edward, o cheiro bom que ele exalava e o lugar onde eu estava e deixei que eu fosse levada pela inconsciência. Não me importei o lugar onde estava prestes a dormir, Edward era forte, não era? Ele que me carregasse até lá em cima.



*



Eu estava sendo puxada. Sim, era isso, eu estava sendo puxada. Abri os olhos, piscando algumas vezes para me adaptar com a claridade do lugar. Olhei para a pessoa que me puxava pela mão e reparei ser Edward. Olhei ao redor e vi que estávamos entrando no hotel.



— Edward… — Chamei.



— Shh… — Ele fez e continuou me puxando pelo hall do hotel. Não precisamos esperar pelo elevador, ele já estava ali, parado. Entramos e Edward apertou o botão.



— Edward… — Chamei outra vez.



Ele me olhou esperando que eu falasse algo. Seus olhos estavam vermelhos, ele parecia estar realmente cansado.



— Onde estão Alice e Emmett?



Ele deu de ombros.



— Emmett cuidará dela. — Dizendo isso as portas do elevador se abriram e ele continuou puxando-me. Quando saímos completamente do elevador Edward abriu a porta do flat e me jogou nos ombros como se eu fosse uma boneca e pesasse 5 kg. Soltei um gritinho de surpresa e ele riu novamente. Edward estava muito risonho essa noite.



E forte… Edward estava muito forte.



— Que horas são? — Perguntei enquanto ele andava.



— Devem ser umas quatro da manhã…



Minha boca se escancarou um pouquinho e senti Edward abrindo a porta do quarto. Segundos depois eu estava sendo jogada na cama. Era tão macio que eu nem me importei em trocar de roupa, tirar maquiagem ou tirar tomar um bom banho.



Fui puxada a ponta da cama.



— Levante os braços. — Edward pediu e eu o fiz.



Senti meu vestido sendo tirado e quase o agradeci, quase. Subi outra vez entrando nos cobertores e sentindo o sono pesar e logo depois, fui dominada completamente por ele.



(xx)



Alice POV



Eu deveria agradecer Isabella algumas vezes. Aliás, eu deveria agradecer Isabella sempre que eu a visse. Eu estava no carro do Loiro Gostosão e voltando para o hotel. Até Emmett estava satisfeito, jogado no banco de trás e com um sorriso bobo nos lábios. A noite havia sido boa para ele também.



Eu não sabia como, mas Isabella havia conseguido controlar meu irmão. Pablo disse que os viu indo embora. Isabella era mágica, só pode.



Com um suspiro triste vi que havíamos chegado ao hotel, eu não estava apaixonada nem nada, mas estava perdendo um pedaço de homem.



Me despedi do Loiro Gostosão com um breve aceno e desci do táxi. Emmett estava ao meu lado. Alguns raios de sol começavam a aparecer. Então Emmett e eu rumamos para o flat.



(xx)



Isabella POV.



(link da música)



Uma luz irritante batia no meu rosto. Abri os olhos lentamente tentando me acostumar com a claridade. Quando finalmente meus olhos se adaptaram tive vontade de fechá-los novamente.



Ops!, aquele ali não era o meu quarto.



Onde eu estava?



Gemi de insatisfação.



Eu havia bebido na noite passada. Mas, seria o suficiente para ir pra cama com um estranho num país estranho? Eu estava ficando louca. Fechei os olhos novamente desejando tentado relembrar os fatos da noite anterior.



Minha cabeça, que latejava, começou a rodar e, aos poucos, imagens da noite anterior povoaram minha mente.



Eu nunca mais bebo o que Emmett me der, nunca mais. — Decretei mentalmente.



Eu disse. — Minha mente gritou de volta.



Agora eu estou ficando maluca.



Ok, vamos pensar nos fatos.



1 – Eu bebi, muito.



2 – Dancei com estranhos.



3 – Dancei sensualmente com estranhos.

4 – Dancei com Edward.

5 – Dancei sensualmente com Edward.

6 – Beijei Edward.



Acho melhor eu parar antes que eu fique aqui a manhã toda, primeiro eu tenho que descobrir onde estou. Nem lembro como vim parar aqui.



Meus olhos vagaram pelo quarto e pararam na figura virada de costas para mim mexendo no computador. Não precisei avaliar muito a pessoa para deduzir que era Edward. Edward sem camisa mexendo no computador. Edward que estava insuportavelmente e estranhamente gostoso. Onde ele tinha arrumado esses músculos?



— Edward… — Chamei. Minha dor de cabeça se intensificando.



Ele virou risonho como um grande babaca.



— Posso saber por que você não me deixou no meu quarto? — Perguntei irritada, obviamente ele fez isso pra me irritar, estava claro.



— E perder sua cara de confusa ao acordar? Jamais! — Ele disse gargalhando.



Levantei irritada, a fúria me tomando completamente, indo em direção da porta.



— Hey, Bella…



Edward chamou. Me virei lentamente.



— Tem certeza que você vai sair assim. — Ele disse apontando para o meu corpo.



Olhei para baixo e estava só de Lingerie.



— Edward… por algum acaso, eu dei pra você? — Perguntei hesitante cruzando os braços.



Ele gargalhou muito alto, mais alto do que quando eu havia derrubado o café na roupa de Carlisle ou de quando eu havia caído e levado três modelos juntas.



— Talvez sim, talvez não… Quem sabe?



Ele fez graça.



Obrigada Deus!



Era obvio que se Edward e eu tivéssemos realmente transado ele faria piadas com isso.



Praticamente me ajoelhei mentalmente agradecendo a Deus.



Passei a vasculhar o quarto em busca do meu vestido, mas não achei.



— Edward, onde está meu vestido? — Perguntei, como não obtive resposta virei-me para encará-lo e bufei ao vê-lo jogado na cama com os braços atrás da cabeça e sem camisa.



Respirei fundo.



— Edward, onde está meu vestido? — Repeti.



— No seu quarto. — Ele disse com um sorriso idiota.



Fechei os olhos controlando minha fúria.



— E eu posso saber o porquê do meu vestido estar lá?



— Ah, nada de mais, achei que se eu deixasse aqui ele amassaria, e eu não quero que ele amasse, é claro.



Ele parou de falar e eu abri os olhos não acreditando na cara de pau dele.



— Não quero nem saber porque estou assim.



Era verdade, eu queria saber o mínimo possível da noite passada, se possível esquecê-la toda.



— Ah, já ia me esquecendo, tenho que te mostrar uma coisa. — Edward disse se aproximando do computador.



— Preciso de uma roupa, não vou ficar desfilando pelo seu quarto seminua.



Edward se levantou indo até uma de suas malas, tirou uma roupa de lá de dentro e jogou em mim.



— Anda, coloca isso e vem ver. — Ele disse virando novamente para o computador.



Vesti a blusa azul de botões que ele havia me jogado e fui ver o que ele queria me mostrar no computador.



“Patrick Robinson ataca novamente” — A manchete de uma página de fofocas estampava.



Em baixo do título havia uma foto minha com Patrick. A foto era antiga, meu cabelo ainda estava curto, aquela foto fora há uns dois ou três anos atrás em uma de muitas festas que nós costumávamos ir.



“Patrick Robinson foi visto saindo ontem de uma boate no Brooklin, Maine, com Isabella Swan. Fontes dizem que eles estavam trocando carícias bastantes intimais e…”



Parei de ler quando gargalhar estava se tornando impossível.



Me joguei na cama de Edward rolando de rir.



— Calma, tem mais… — Edward disse e eu me sentei para ouvir. — “não se desgrudavam um minuto se quer. Patrick, que está supostamente namorando a cineasta, Camila Kunis, não foi encontrado para dar explicações. Amigos próximos do casal dizem que Camila está arrasada e chocada com as fotos e não para de ligar para Isabella em busca de explicações, enquanto essa, não atende ao telefone de jeito algum.”



“Já fontes próximas à Isabella dizem que isso não foi um pequeno deslize e que Patrick e ela estão tendo um caso há alguns messes” “ — Isabella e Patrick estão totalmente apaixonados um pelo outro, eles não conseguem se desgrudar um minuto se quer”



— Chega, Edward. — Disse entre risos.



Ele se virou pra mim sorrindo também, aquilo era completamente absurdo. Patrick e eu nunca tivemos um caso ou coisa assim, além de que Camila e ele tinham rompido há algumas semanas.



— Confessa, Edward, essa fonte foi você.



Ele levantou as mãos em sinal de rendimento.



— Ok, ok, eu confesso, fui eu.



Eu ri mais um pouco.



Eu não tinha certeza se era ou não era Edward, mas uma parte de mim dizia que ele só estava brincando. Era engraçado ter um desses raros momentos de paz com Edward e eu me perguntei quando demoraria pra passar esse companheirismo esporádico. Da última vez foram apenas três horas.



— Temos um encontro com a misteriosa modelo em exatamente… — Ele olhou o relógio. — 20 minutos então eu sugiro que você corra.



O encarei atônita.



— Você só pode estar brincando. — Praticamente gritei.



— Porque estaria?



— Qual é o se problema? Como eu vou me arrumar em 20 minutos? Porque você não me falou antes?



—Você estava dormindo.



— E por que você não me acordou?



— Bella, o tempo está passando...



— Meu nome não é Bella!



— Ih, o mau humor voltou…



— E a culpa é toda sua!



— 18 minutos… — Ele disse indo em direção do banheiro. — Ah, você vai ter que acordar a Alice…



Petrifiquei, Alice dormia que nem pedra.



— Nem pensar! — Reclamei.



— Então acorde Emmett…



— Ok, eu fico com Alice! — Murmurei correndo até o quarto de Alice.



Passei pelos corredores apressada adentrando no quarto da garota sem nem bater. Lá estava ela deitada em meio de dois cobertores e três travesseiros, me perguntei qual era o frio que ela sentia. Sentei ao lado dela e comecei a empurrá-la.



— Alice… — Chamei uma vez.



Não obtive resposta.



Dez gritos e trinta cutucões e empurrões depois, Alice continuava do mesmo jeito: imóvel.



— Mary Alice Cullen, se você não levantar dessa cama em cinco segundos você não vai descobrir quem é a tal modelo…



Fui ignorada.



— Alice, eu sei que você está acordada, você tem apenas dez minutos para levantar e ficar descente para conhecermos essa tal modelo, não me obrigue a pegar um balde d’água.



Meio sonolenta e com uma cara muito amassada Alice se pôs de pé e começou ir na direção de seu closet, mas parou abruptamente vindo até mim e parando na minha frente. Ela me avaliou dos pés à cabeça e arqueou a sobrancelha.



— Posso saber por que você está com a blusa do meu maninho favorito? — Ela questionou cruzando os braços divertida.



— Explico depois, não temos tempo pra isso… você tem apenas 10 minutos para se arrumar…



Ela pareceu pensar um pouco e depois sumiu da minha vista indo na mesma direção de antes.



Corri para o meu quarto indo em direção à mala de vestidos e não tinha tempo e nem estava com vontade de escolher uma combinação descente.



Um vestido Valentino assimétrico azul saiu de lá. Já com o sapato em mente, rumei até a mala de sapatos tirando um Jimmy Choo preto e azul. Deixei as peças em cima da cama e, com um conjunto de lingerie, rumei para o banheiro. Tomei um banho rápido, sem lavar o cabelo. Quando saí dele, fiz uma maquiagem leve e penteei meu cabelo deixando-o solto.



Fui para o quarto e me vesti completamente. Me recusei a olhar-me no espelho. Eu odiava ser apresada e me arrumar rápido me deixava completamente irritada. Saí do quarto as pressas esbarrando em alguém. Olhei pra cima e soltei um grito de raiva ao ver Emmett ainda sonolento.



— Emmett Cullen, vá lavar seu rosto AGORA. — Gritei. Emmett olhou para mim com a testa franzida e continuou andando.



— Emmett, estamos atrasados… — Ouvi Edward gritar.



Cheguei na sala e não vi Alice.



— Mary Alice Cullen, se você não aparecer na minha frente em cinco segundos você vai se ver comigo. — Gritei novamente e senti minha cabeça latejar.



Olhei de relance para Emmett que estava tomando alguns comprimidos e me direcionei até ele.



— Divide comigo… — Pedi.



Emmett colocou alguns comprimidos na minha mão e me deu um copo d’água.



Sorri para ele agradecendo. Bebi a água junto com os comprimidos e passei a mão no rosto dele, preocupada. Ele realmente parecia mal. Era estranho estar preoucupada com Emmett, eu nem gostava dele. De qualquer jeito falei:



— Emmett, vá pra cama, dorme um pouco, você está péssimo.



Ele fez um beicinho e eu revirei os olhos. Era por isso que Esme ainda chamava seus filhos de bebê, eles agiam como se tivessem 3 anos.



— Eu quero saber quem é a modelo.



Ri baixinho.



— Almoça com a gente, depois você volta, Emmett. É melhor você ter alguma coisa no estômago. — Edward disse atrás de mim e eu assenti.



Emmett deu de ombros e quando eu virei disposta a arrastar Alice pelos cabelos, ela apareceu. Alice mantinha um óculos de sol e estava impecavelmente arrumada.



— Ok, vamos. — Ela disse.



Entramos no elevador num silêncio total. Todos estavam exaustos de mais para dizer alguma coisa. Descemos e entramos no táxi, para sorte — ou não — de Alice não era o Loiro Gostosão. Sentei na frente dessa vez e vi Edward no meio dos dois irmãos. Alice mantinha as pernas em cima de Edward e Emmett. E Emmett mantinha sua cabeça no ombro de Edward. Ri um pouco. Lembrei rapidamente do beijo que Edward e eu trocamos mais cedo e agradeci pelo incidente estar completamente esquecido.



O lugar não parecia ser longe, mas estávamos presos num engarrafamento à lá Nova Iorque. Meus olhos pesavam, a música que tocava no carro também não ajudava. Porém, reuni toda força de vontade existente para não dormir. Não houveram palavras trocadas durante o caminho. Eu apreciava a paisagem, as pessoas, tudo ao me redor.



Eu estava completamente absorta da realidade, voltada aos meus pensamentos totalmente sem noção e tomei um susto quando ouvi alguém me cutucando. Era Alice.



— Chegamos, Isabella.



Me levantei do acento saindo logo do carro. Avaliei minha roupa e vi que ela ainda estava perfeitamente alinhada. Estávamos todos revigorados. O breve cochilo de Emmett e Alice pareceu despertá-los. Meu sono, por sua vez, estava controlado. E Edward, bom, esse ostentava um sorriso estranho enquanto segurava o braço de Alice. Entramos no restaurante e Edward deu seu nome. Logo a hostess nos acompanhou até uma mesa relativamente afastada das de mais. O ambiente era aberto e nós ficamos numa parte onde podíamos ver o mar e as pessoas que passavam pelo local.



— Ok, quanto tempo de atraso? — Perguntei puxando Emmett quando o idiota parou para ver uma fonte, sim, uma fonte, e sentando-me na mesa indicada.



— 10 minutos adiantados… — Edward disse se acomodando na cadeira. — Graças à mim, devo admitir, se eu não desse um tempo mínimo para que vocês se arrumassem nós nem tínhamos saído do hotel.



— O QUE? — Contrariando as regras de etiqueta, elevei três quintos da minha voz.



Alice olhava embasbacada para o irmão, talvez exausta de mais para pronunciar sua revolta.



Ele me encarou num desafio mudo.



— Ah não, não vamos brigar aqui não, ok? — Alice praticamente suplicou.



— Posso saber onde você passou a festa, mocinha? Emmett e eu procuramos você em todos os cantos daquele lugar e nada de você. — Alguma coisa no rosto de Alice pareceu fazer Edward se lembrar.



Ela mordeu os lábios, coisa que eu nunca a vira fazendo.



— Ah, eu estava dançando… — Desconversou. Prendi a gargalhada que ameaçava a sair. Desviei o olhar.



— Não acho que isso seja verdade por que também não consegui achar o Pablo… — Edward disse grunhindo. — Ele por acaso estava dançando com você?



A ironia estava presente em cada palavra dele.



Alice abriu e fechou a boca algumas vezes.



— Não exatamente.



Mordi o lábio para evitar que o riso escapasse pelos meus lábios. Olhei para Emmett que assistia a conversa com pouco interesse o que me fez arquear a sobrancelha. Edward sempre fora mais ciumento quando comparado à Emmett, mas Emmett nem curioso parecia estar.



— Ah, é? — Edward perguntou.



— Sim.



— Então me conte o que vocês dois estavam fazendo…



Vi Alice tremer como uma menininha sendo pega fazendo arte. Não consegui segurar a gargalhada desta vez. A cara que Alice fez ao ouvir minha risada fora impagável e me fez rir mais. Emmett não riu e logo concluí que ele sabia o que sua irmã estava fazendo no momento que ficou desaparecida.



— Só conto se você me contar o porquê de Isabella estar vestida com uma de suas camisas preferidas hoje de manhã…



Edward olhou de relance para mim e eu engoli minha risada. Emmett me olhou curioso.



Ela me olhou superior.



Vadia!



Era guerra que ela queria? Então era guerra que ela ia ter.



— Sabe, Alice, eu tenho certeza que vi você com o Loiro G… — me corrigi rapidamente. — com o Pablo algumas vezes enquanto eu dançava… Vocês pareciam tão íntimos…



Alice abriu a boca surpresa e devolvi o ato com um arquear de sobrancelha.



— O que você ia dizendo? — Emmett perguntou.



Franzi o cenho e virei-me para ele.



— Quando?



— Antes de você dizer Pablo você disse “Loiro G…” e parou.



Olhei para Alice e quando nossos olhares se encontraram uma gargalhada saiu de nós duas num uníssono engraçado.



— Anda, estamos esperando… — Edward reclamou.



— Nunca, isso vai enterrado comigo no meu túmulo. — Eu disse fazendo Alice gargalhar mais. Estávamos chamando atenção de mais, grande parte das pessoas daquele restaurante.



— Já que vocês não contam nada para mim eu conto o que para vocês como foi minha noite…



Meus olhos se arregalaram um pouquinho. Ninguém precisava saber que eu tinha tomado um porre e beijado Edward.



— Loiro Gostosão. — Disse interrompendo o discurso de Edward.



— Ei! — Alice reclamou.



— Loiro Gostosão? — Edward perguntou gargalhando.



— Invenção da Alice. — Disse antes que ele começasse a tirar uma com a minha cara.



— Ei! — Alice reclamou outra vez.



Sorri me desculpando.



— Boa tarde, vejo que vocês são mais animados do que Carlisle disse. — Fomos interrompidos por uma voz atrás de Edward e Alice. Levantei a cabeça e senti meu queixo cair um pouco.



Ali parada a nossa frente estava ninguém mais, ninguém menos, do que Gisele Bündchen. Fala sério, Gisele Bündchen seria mesmo a nossa modelo?



Sorri levantando para cumprimentá-la.



— Sou Isabella. — Ela apertou minha mão com um sorriso simpático.



Aos poucos todos se levantaram e a cumprimentaram.



— Vocês parecem surpresos… — Ela começou.



— Digamos que Carlisle não disse quem seria a modelo do Brasil. — Edward disse sorrindo bobamente para a mulher. Chutei-o por de baixo da mesa. Ele me olhou irritado.



“Ela é casada, idiota” — Disse mexendo apenas a boca.



Edward revirou os olhos.



— É, isso é bem a cara de Carlisle. — Ela disse e nós rimos. — Bom, infelizmente, eu não vou almoçar com vocês, só passei aqui para porque Carlisle pediu que eu lhes desse essa lista.



Ela estendeu a mão para mim, mas Edward pegou.



— Me dá isso aqui, idiota. — Disse irritada tentando puxar o papel da mão dele.



Gisele riu.



— Calma, ele me deu um pra cada um. — Ela disse distribuindo os papéis.



Fiz uma careta para Edward.



— Carlisle quer manter vocês atarefados, então pediu que vocês se dividam em duplas e comprem esses objetos. Emmett e Alice vão atrás dos objetos que vocês vão usar. Isabella e Edward vão atrás dos objetos que eu vou usar, coisas como jóias, prendedores, etc. Enfim, está tudo escrito aí. Foi um prazer em conhecê-los. Não… — Ela disse quando nós íamos levantar. — Não precisa. Vejo vocês em breve.



Ela deu as costas e depois se voltou para nós como se lembrasse de alguma coisa.



— Ah, não esqueçam, amanhã às sete.



E com um aceno, ela saiu daquele lugar.



Olhei o papel em minha mão, eram coisas fáceis. Nada de mais.



— Porque eu tenho que ficar com Edward? — Reclamei quando lembrei de que eu devia ir com Edward.



— Você não sabe com exatidão das lentes que eu vou precisar. — Alice disse tristemente. — E as coisas são pesadas, por isso preciso de Emmett.



Revirei os olhos, ela estava certa. Mas eu realmente não estava com a mínima vontade de passar a tarde inteira ao lado de Edward. Todo o companheirismo sentido mais cedo se havia, aparentemente, sumido.



O garçom chegou e nós pedimos nossos respectivos pratos. Aparentemente, todos naquele lugar falavam inglês.



O resto do almoço passou calmamente, não havia mais nada para ser dito. Vez ou outra, Alice ou Emmett faziam comentários idiotas que nos faziam gargalhar.



— Papai colocou algumas palavras em português, não é fofo? — Alice disse.



Ri puxando o papel e vendo que os nomes das coisas que nós deveríamos comprar estavam em português.



— Vamos Emmett, temos muito pra comprar, espero que isso seja por aqui por perto… — Alice disse se levantando e levando Emmett junto.



Edward pagou a conta e nós nos levantamos saindo do lugar.



Olhei a lista novamente e reparei que não eram muitos itens.



— Podemos comprar quase tudo no mesmo lugar. — Edward murmurou olhando para o papel.



Ah, claro, Edward havia voltado a ler meus pensamentos.



Revirei os olhos.



— Aqui diz que a primeira loja é perto de onde estamos. — Falei enquanto olhava o pequeno mapa que Carlisle colocara para que nós nos localizássemos.



Edward assentiu e nós começamos a andar pela rua. Havia muitas pessoas naquele lugar. Pessoas falando alto e rindo. O Brasil era um lugar acolhedor. Eu andava pela rua absorta com a beleza do local. Era tudo tão bonito e aconchegante que eu poderia viver aqui para sempre. O calor não estava tão forte como no dia anterior o que me deixava com um humor mais agradável.



— Vem, Isabella… — Edward disse me puxando abruptamente.



— Me larga, seu grosso. — Ralhei.



Edward continuou me puxando até pararmos na frente de uma loja.



— É essa, vem. — Ele disse ignorando minhas palavras ditas anteriormente.



Revirei os olhos empurrando a porta para entrar.



Era uma joalheria. Uma mulher veio até nós e começou a falar português. Cocei a cabeça.



— E agora? — Perguntei.



— Podemos ver os brincos? — Edward disse lendo o que estava escrito no papel. Ri do jeito que ele falou, eu não fazia ideia do que aquelas palavras significavam, mas havia soado muito, muito, engraçado.



A mulher sorriu e jogou o cabelo pro lado, oferecida. Achei engraçado.



— Sigam-me. — Ela disse fazendo um sinal para que nós a seguíssemos.



— É pra seguir ela? — Perguntei hesitante.



— Sim, vamos. — Edward disse rindo.



A mulher nos fez sentar em cadeiras e colocou na nossa frente algumas palhetas de brinco.



Sorri e comecei a olhá-los.



— Só vamos precisar de dois… — Edward disse. — E bem básicos.



Assenti olhando para as peças. Um brinco bem pequeno chamou minha atenção. Eu tinha um parecido com aquele. Era uma bolinha com uma pedra dentro, pedra essa que eu supus ser brilhante. Apontei para o brinco e a mulher o colocou na minha mão. Ele era simples, mas bonito. Não fazia reflexo, pelo menos não na luz em que estávamos, e era perfeito.



Olhei para Edward que estava meio entediado. Isso não era o tipo de coisa que ele costumava fazer.



— São todos iguais… — Edward disse um pouco irritado.



— Claro que não, as pedra são diferentes, esse, por exemplo, é cristal — Eu disse apontado para um dos brincos da palheta.



Ele revirou os olhos.



Depois de muito avaliar, escolhi o outro. Era da mesma forma que o primeiro, mas em vez de diamante tinha uma pedra que eu julguei ser ônix.



A mulher finalmente entendeu que nem eu nem Edward entendíamos nada do que ela falava e fazia sinais estranhos. Dei os brincos para ela fazendo um sinal de positivo e rezando para que ela entendesse.



— Cordões? — Edward disse num português estranho que me fez gargalhar. A moça também riu.



Ela assentiu tirando as palhetas com os brincos e colocando novas palhetas desta vez com cordões.



— Três…



Assenti olhando as palhetas. Foi fácil, escolhi os três cordões que chamaram minha atenção. Eram todos parecidos com os lugares. Hesitei quando peguei um maxcolar.



— Edward qual a cor predominante nas roupas?



— Acho que preto e branco, mas também tem verde e vermelho.



Havia um maxcolar preto e branco realmente bonito e eu o escolhi.



Entreguei para a mulher, que eu descobrir chamar-se Ana quando li o crachá, fazendo o mesmo sinal de positivo.



— Acabamos… — Edward murmurou.



— Não, não, você me fez sair tão rápido que nem deu tempo de eu pegar uma pulseira para mim. — Respondi e peguei o papel que havia recebido de Gisele procurando a palavra que eu queria. — Hm… pulseira?



— Isabella…



— Shh



Ana sorriu retirando as palhetas e colocando duas novas no lugar.



Uma pulseira chamou minha atenção no meio de tantas outras.



Era absurdamente fofa e tinha um pingente com a bandeira do Brasil.



Apontei para ela e a mulher a colocou na minha mão. Coloquei no meu pulso e sorri. Havia ficado perfeito.



Devolvi para a mulher mandando um sinal de positivo.



Ela sorriu.



— Cadê minha bolsa? — Perguntei a mim mesma.



— Eu sei lá. — Edward respondeu.



— Eu não estava falando com você, idiota. — Repliquei. — Ah… — Bati na testa. — não trouxe.



Fiz o melhor sinal de “fim” com as mãos para a mulher, que graças a Deus, entendeu.



— Agora é a hora que você vai pagar, Edward.



Ele levantou revirando os olhos e seguiu a mulher para pagar.



Comecei a andar pela loja observando o lugar. Eu não costumava vir até as joalherias, quando queria alguma jóia elas sempre iam até mim. Era legal poder agir por si mesma, divertido.



— Tome… — Edward disse estendendo uma das três sacolas.



— Ok, vamos, você ainda tem que me mostrar as peças…



Saímos da loja e já estava escuro. Havíamos passado mais tempo na loja do que parecia. Estava escuro e quase não havia gente na rua. A rua era estreita e não passava carros nela.



— Por onde vamos? — Perguntei olhando para os lados.



Edward fez o mesmo.



E de novo.



E de novo.



Umas dez vezes.



— Ah não, fala sério? Nós estamos perdidos de novo? — Perguntei irritada olhando para os lados.



— Fica quieta.



— Eu nunca mais saio com você, nós vamos no perder pra sempre. — A cética dentro de mim gritou.



Edward revirou os olhos.



— Me deixa pensar…



— Ah, você faz isso?



— Você é absurda.



Ignorei-o e comecei a andar para o sul. Não devia ser tão difícil achar um táxi.



— Odeio quando você faz isso. — Edward disse entredentes e logo senti sua aproximação. — Se Carlisle não me matasse eu te largaria aqui, sozinha.



Revirei os olhos.



— E eu odeio você.



— Não pareceu sentir isso ontem a noite.



Revirei os olhos, eu já esperava que ele fosse jogar alguma piadinha sobre o que ocorreu entre nós.



— Fala sério, Edward, eu estava bêbada.



A rua era de paralelepípedo e senti um dos meus saltos ficarem presos no meio deles. Gemi de fúria quando o puxei e senti o salto descolar.



— Que droga! Esse foi caro. — Reclamei tirando os sapatos.



— Você não vai fazer isso. — Ouvi Edward falar entre risos enquanto eu tirava os sapatos de pé.



Não era a primeira vez que acontecia e eu não queria acabar com outro pé torcido.



— Não aja como se fosse a primeira vez. — Murmurei revirando os olhos.



— É sempre tão engraçado, se você ganhasse mil dólares pra cada par de sapatos destruído você já estaria bilionária.



Coloquei o pé no chão, eu sei, isso era insano, mas o que eu poderia fazer? Eu não andaria por aí com chances reais de torcer o pé.



— Pensa, cabeção. Onde nós podemos encontrar um táxi? — Disse passando as mãos no cabelo.



— Espero que esse cabeção seja pra você…



— Sim, claro. — Disse sarcástica.



Edward pareceu pensar um pouco, olhou novamente para os lados e apontou uma direção. Meio a contragosto o segui olhando pro chão, eu não queria pisar em algo desagradável ou cortante.



— Civilização. — Ouvi Edward dizer e levante a cabeça vendo carros passarem e pessoas andarem. Havia uma festa rolando do outro lado da rua e tudo.



Sorri.



Atravessamos a rua em busca de um táxi. Havia uma placa escrita “táxi” e eu deduzi que a palavra era a mesma em português e inglês. Sentei num banquinho que tinha olhando os meus pés, eu precisaria limpá-los com álcool.



Ok, eu estava exagerando um pouco.



Ou não.



Enquanto divagava coisas aleatórias e via Edward fazer caretas engraçadas quando os taxis passavam cheios direto por nós, senti um pingo na minha perna direita.



Ah não…



— Edward, eu acho que…



Não precisei terminar, a chuva já havia caído… e forte. Bem forte.



Edward falou palavrões em diversas línguas diferentes. Entendi apenas o inglês e o francês. Aparentemente Edward “o poliglota” não falava nem alemão nem italiano.



— O que falta mais acontecer? — Edward ralhou.



No mesmo instante um carro passou numa velocidade absurda jogando água no Edward.



Gargalhei.



Eu nunca havia rido tanto na minha vida quanto ria naquele instante. A cena fora tão cômica que até Edward rira — depois de, outra vez, xingar dezenas de palavrões.



— Eu devia ter filmado isso. — Eu disse entre risos.



Sentia as lágrimas escorrendo pelo meu rosto, também podia ser gotas de chuva.



— Ainda bem que eu não lavei meu cabelo. — Agradeci a mim mesma.



— Cala boca, Bella…



— Isabella, já disse… — Ralhei.



— Ok, tanto faz.



— Aposto cem dólares que arrumo um táxi mais rápido do que você. — Desafiei.



Ele arqueou a sobrancelha estendendo a mão, aceitei entregando o embrulho e os sapatos ainda em minhas mãos.



Passei a mão no cabelo tentando dar um jeito nos fios. Meu cabelo estava completamente molhado e colava no rosto. Eu estava descalça e podia apostar que meu vestido tinha encolhido alguns centímetros. Um Valentino. Eu nem queria saber quanto aquele vestido custava, mas eu tinha certeza que era muito para ser estragado pela água da chuva.



Apertei os olhos enxergando um táxi de longe, estiquei meu braço fazendo sinal.



O táxi parou um metro a frente.



Depois de passar por mim e me jogar uma poça d’água.



Ouvi Edward rir atrás de mim e apontei pro táxi ainda parado um pouco mais na frente.



Edward deu de ombros e corremos em direção ao táxi. Não soltei uma gargalhada de surpresa porque eu estava ocupada de mais olhando atonita o motorista. Quem dirigia o táxi era ninguém mais, ninguém menos, do que Emmett Cullen.



Entrei no carro junto com Edward que estava embasbacado com Emmett.



Esse estava sendo um dos dias mais cômicos da minha vida.



— Vou querer saber por que você está dirigindo um táxi? — Edward perguntou.



— Não. — Emmett respondeu começando a dirigir.



Eu não conseguia parar de rir, aquilo era muita maluquice para um dia só, era simplesmente impossível isso acontecer.



— O que aconteceu, Emmett? — Perguntei quando respirar se tornou possível.



Me acomodei no banco do carro, relaxando. Pensei em Alice, mas deixei para perguntar da outra Cullen depois.



— Bom, eu peguei o carro do Loiro Gostosão emprestado.



Eu não ri.



— Emmett, você roubou o carro do Pablo? — Perguntei me exaltando.



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Aquilo era totalmente irresponsável, nós podíamos estar sendo perseguidos pela polícia. Pela polícia brasileira.



— Qual seu problema, Emmett? Você só pode estar ficando maluco. — Edward ralhou.



— Ei! — Emmett reclamou irritado. — Eu disse que peguei emprestado, eu não roubei nada. O Loiro Gostosão me deu a chave do carro.



— Ufa! — Fiz relaxando novamente, o peso de um elefante saindo das minhas costas.



— Pra quê? — Edward insistiu.



— Eu estava com saudade de dirigir. — Emmett disse sorrindo.



Suspirei dando algumas risadinhas e relaxando novamente no banco. Emmett disse que eram sete da noite. Chovia e muito. Ainda mais do que quanto estávamos lá fora. Eu espirrei. Uma, duas, três, dez vezes. Mas não me importei. Meus ombros cansavam. Meus olhos pediam descanso e eu apenas os mantinha de pé.



Emmett estacionou o táxi e vi que já estávamos no hotel. Quando saímos do táxi um homem que eu não sabia de onde saíra nos indicou uma porta do outro lado do hotel. Ele falava num inglês arcaico e eu não estava afim de forçar minha cabeça para entender o que ele falava, mas mesmo assim, deduzi que aquela seria a entrada de banhistas. Emmett não estava molhado, mas mesmo assim fora conosco. A porta ficava no outro lado do hotel e assim que entramos quis me matar. Eram escadas.



ESCADAS.



E nós estávamos hospedados no décimo andar.



Bufamos em uníssono e começamos a subir. Degrau por degrau. Deus, por que essas coisas tinham que acontecer justo comigo?



Emmett e Edward subiam as escadas normalmente, conversando sobre um assunto idiota e que eu estava exausta de mais pra prestar atenção. Edward ainda levava meus sapatos e o embrulho da pulseira. Eu nem conseguia segurar meu próprio corpo.



— Vamos, Isa, deixa de ser molenga. — Emmett zoou.



— Bella, Bella, são 10 andares… — Edward imitou o irmão.



Ralhei e amaldiçoei os dois. Agora só faltava a Alice inventar um apelido tosco para mim.



— Que se dane. — Disse quando vi o número 3 bem grande ao lado de uma porta. — Eu vou de elevador e ninguém vai me impedir.



Passei pela porta indo em direção ao elevador. Como imaginei, era um corredor com vários quartos. Apertei o botão, logo o elevador parou e eu entrei. Emmett e Edward fizeram o mesmo.



— Ué, quem é a molenga agora? — Zombei apertando o botão desejado.



Fui totalmente ignorada pelos dois manés.



4… 5… 6… 7… 8… 9… e finalmente o décimo andar.



Quando as portas do elevador se abriram saí dele as pressas indo em direção à porta, tudo o que eu queria era um banho e depois cama. Xinguei-me ao perceber que havia esquecido minha chave.



Edward chegou e abriu lentamente a porta, de propósito, é claro. Irrompi pela sala indo direto para o meu quarto e entrando no banheiro. Retirei as minhas roupas e enchi a banheira.



Eu estava um caos, mas o dia fora tão louco que quase valera a pena perder um dos meus vestidos preferido. E eu nem queria pensar no sapato.



Entrei no Box e tomei um banho rápido. Lavei o cabelo e esfreguei loucamente meus pés. Depois, entrei na banheira, a água quente queimando minha pele. Era uma sensação tão gostosa que eu me permiti até tirar um cochilo. Levantei-me da banheira num ímpeto antes que eu realmente pegasse no sono. Sequei-me colocando um pijama qualquer — o primeiro que eu achei — e me joguei na cama, totalmente exausta.



Mas antes de ser tomada pela inconsiência pensei no quão divertido havia sido o meu dia e como eu estava me apegando aos Cullen.



Notas finais
Oi gente, foi mal a demora, sério. Aconteceram tantas coisas na minha vida que me surpreende eu ainda estar aqui postando, mas eu gosto tanto sabe? Então, o que vocês acharam? Como vocês podem ver a Bella está mais "aberta" aos Cullen. Ela meio que está mais confortável em relação à eles e isso é algo que ela vai construindo ao desenrolar da história. Antes que vocês me perguntem, a Bella é um pouco cheia de si de mais, ela tem segurança de mais sobre si e é difícil vê-la encabulada. Isso é normal no mundo da moda e como falamos sobre isso achei legal trazer a tona. As coisas esquentaram com a Bella e o Edward, não é? Talvez tenha mais disso no próximo, talvez, não estou prometendo nada. Parece que cada personagem tem vida própria quando eu escrevo. Eu sei, eu prometi que mandaria MP pra vocês, mas como eu escrevi o capítulo todo hoje achei melhor postar, me desculpe. O próximo capítulo não vai demorar tanto, já estou com ele quase todo pronto. Então nos vemos depois. Posso postar semana que vem, mas não será grandão, terá umas 9/10 páginas, é com vocês. Obrigada a todos que comentaram, sério, só estou aqui porque não queria decepcionar vocês. Como sempre, quem comenta ganha espiadinha e quem recomenda ganha uma espiadinha enorme. Beijão, obrigada por continuarem aqui e até o próximo.