Vanillas Ice Cream
4 Quatro
Voltamos para a minha rua. Agora havia mais fãs. Digamos que mais ou menos umas cinqüenta pessoas. Era nisso que eu pensava quando o carro parou. Parecia que eles tinham fechado a rua, ou seja, ninguém mais poderia passar ali de carro e creio que a pé também não, devido aos seguranças, talvez umas poucas sortudas loucas... Imaginei que os shows eram somente para o pessoal da rua mesmo, já que não divulgaram nada a respeito do local. Droga, só porque eu ia chamar a Bea... Anyway, o carro parou e um segurança se aproximou. Danny abriu a janela e tentava explicar que eles eram a banda que ia tocar hoje, mas o segurança retrucava falando que ele era o Príncipe William. Dava pra ver a raiva subindo pelo Danny dude. Tom, como o mais responsável da banda né, ligou para o Fletch e pediu para ele vir tirá-los dali. Não passou nem um minuto direito quando um Fletch, suado e com raiva, apareceu gritando pra deixar a gente passar. Dude, até eu fiquei com medo dele ok.
— Não tem como a Mel descer. – Tom observou e o Danny disse, como se fosse uma coisa óbvia:
— Então ela vai ficar dãr.
Passamos, quase atropelando umas loucas que se jogavam na frente do carro, mas passamos. Chegamos perto do palco e os meninos saíram correndo. Eu imitei-os e quando cheguei perto do Danny, ele pegou na minha mão, talvez para que os seguranças me deixassem passar, mas só sei que corremos juntos, de mãos dadas e rindo. Foi lindo.
Entramos no camarim e os meninos estavam ofegando, principalmente o Dougie e o Harry. Engraçado, dessa vez eles nem tiveram que correr mais do que o Danny ou o Tom.
— Vocês são um bando de marias-moles – comentei, rindo – Olha só pro Dougie suando igual um porco só por causa dessa corridinha de nada- todos riram e o ofendido retrucou.
— Mas acredite, a pressão de que você pode ser agarrado à força a qualquer momento não colabora muito.
— Ninguém mandou vocês tocarem bem – retruquei e eles concordaram – e serem extremamente lindos – acrescentei e eles ficaram um pouco encabulados. Lindo de se ver haha.
— Tá Mel, não precisa ficar puxando saco, mas pode admitir que eu sou o mais lindo, falae. – disse Danny.
— Sim – respondi e ele ficou todo felizinho – e o mais convencido também.
Todos riram e mais uma vez escutei aquela gargalhada maravilhosa do Danny.
Fletch chegou ao camarim e disse para os meninos que eles poderiam fazer o que quisessem enquanto o show não começava, mas que não podiam sair do camarim. Imaginei o que eles ficariam fazendo ali, já que era apenas um camarim. Foi aí que eu olhei ao redor e percebi o conforto do local. Tinha uma TV e um home theater, poltronas bem confortáveis e até alguns produtos de cabelo pro mariquinha do Danny tsc tsc (isso que dá serem músicos internacionalmente famosos). Aposto que o Tom trouxera “De volta para o futuro” e sorri quando o vi abrindo sua mochila e tirando lá de dentro o filme em que eu acabara pensar.
Também reparei no violão preto do Danny, colocado cuidadosamente em um canto. Despertando do transe, percebi que eles riam e devia ser de alguma piada do Dougie, devido a cara de retardado dele de ‘Oi, eu peguei vocês’. Danny me encarou, rindo, e eu aproveitei para lhe fazer uma pergunta, embora pensasse que não receberia uma resposta positiva para ela:
— Eu posso? – perguntei meio tímida, apontando para o violão.
Tom, Dougie e Harry me olharam com uma cara de interrogação e Danny só assentiu com a cabeça, sorrindo. Fui até o violão, peguei-o e pude até sentir o Harry prendendo a respiração, mas Danny falou “Relaxa cara”. Eu sentei em uma das poltronas e comecei a tocar e cantar “Walk in the Sun”.
I wonder what is like to be loved by you
I wonder what is like to be whole
And I don’t walk when there’s a stone in my shoes
All I know, that in time I’ll be fine.
I wonder what is like to fly so high
Or to breath under the sea
I wonder if someday I’ll be good with goodbyes
But I’ll be ok, if you come along with me.
...
Durante o tempo que eu cantei e toquei, os meninos ficaram calados, apenas observando. Confesso que fiquei um pouco (muito!) envergonhada, principalmente porque a música era deles e pelo fato de eles serem músicos profissionais né? Anyway, alguma coisa me fez continuar tocando, por isso não parei. Quando acabei, olhei apreensiva para eles, com um sorriso meio nervoso, e fiquei feliz com o que vi. Danny me olhava com um olhar que UAU! E aquele sorriso... Não precisava de palavras. Dougie e Harry me olhavam com uma cara de incredulidade e surpresa, meio que duvidando que eu fosse capaz daquilo. Tom foi o único que falou meio que dando sua visão profissional (cof cof):
— Muito bom, Mel. Muito bom mesmo.
Sorri radiante para ele.
— Bom, eu sei que não sei cantar e vocês tocam 7468756485746 vezes melhor do que eu, mas...
— Você tocou e foi ótimo – Harry elogiou-me.
— Tá, agora é a nossa vez de tocar pra você – Danny disse e se dirigiu a mim, sorrindo. Pegou o violão, se sentou ao meu lado e eu fiquei com uma vontade imensa de abraçá-lo, mas me controlei er.
It’s all about you
It’s all about you baby.
It’s all about you
It’s all bout you.
Yesterday you asked me something I thought you knew
So I told you with a smile
It’s all about you
...
Ficamos nessa. Danny e Tom cantando e tocando, Dougie e Harry fazendo uns backs doidões e engraçados e eu sorrindo, igual uma boba-alegre, ainda não acreditando em minha sorte.
Apesar de todas as guloseimas que havia ali no camarim, os meninos preferiram comer os meus biscoitos recheados que haviam ficado na minha mochila até aquele momento e ficamos assim uma boa parte da tarde. Já tava dando 18h quando eu tomei coragem para quebrar aquele momento mágico.
— Guys, eu acho que vou dar um pulinho ali em casa, apesar de que eu sei que se eu sair agora não irei mais poder voltar. Saibam que vocês me deram o melhor dia da minha vida. Eu realizei um sonho, sério! Mas eu realmente preciso ir lá em casa, a minha mãe deve tá ficando louca já, afinal pra ela eu fiquei esse tempo todo aqui na rua e não dei nenhum sinal de vida e ...
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