- Mel, isso foi lindo, mas dá pra calar a boca um pouquinho? – disse Tom me interrompendo e pegando seu celular – Ei Fletch, dá pra arrumar um crachá com passe livre para o camarim? Sim? Que ótimo! – e desligou o telefone – Pronto, resolvido seu problema menina-tenho-uma-solução-para-tudo. – todos riram.

Cheguei perto do Tom e dei um beijinho na bochecha da covinha dele. Reparei que já era a terceira vez que eu fazia aquilo, mas é que a bochecha dele é tão legal!

— Eu te amo, Tom. – falei brincando – Então, vou lá em casa, mas rapidinho eu volto ok?

Saí do camarim com a maior cara de inocente, ninguém nunca desconfiaria de onde eu havia acabado de sair , afinal eu era uma excelente atriz (cof cof ), mas ninguém desconfiou mesmo er. Muitas pessoas me cumprimentaram na rua, inclusive o Mr. John que tava contando pra todo mundo que os Mcguys haviam tomado sorvete na sorveteria dele e que um deles dera um beijão em uma garota que ele não reconheceu, mas que ele percebeu estar usando um tênis roxo de caveirinha e que depois eles entraram em um carro e isso era tudo o que ele sabia. Andei mais depressa na esperança de que ninguém olhasse para os meus pés. Não olharam mesmo. Cheguei em casa, abri a porta falando – “Mãe, eu tô viva!” e logo senti um abraço seguido de vários tapas e mesmo sem enxergar em sabia que era a Bea. Só ela tinha aquela mão frouxa.

— Amiga, onde você tava? Quase pensei que você não viria para o show! – Bea disse.

— Ah, se eu te contasse onde eu estava você não acreditaria e provavelmente me mataria, então é melhor você só ficar sabendo quando estiver em seu estado emocional normal e não em estado de surto haha Afinal, como você chegou aqui? A rua tá fechada e eles não estão deixando ninguém passar.

— Well, eu cheguei aqui antes do almoço sabe? Lá pras 11h00. Nem sabia do show nem nada, mas quando cheguei sua mãe disse que você já tinha saído e como eu imaginei que eles fariam algo do tipo fechar a rua, fiquei aqui te esperando. Lógico que eu liguei pro seu celular, mas você não o carrega nunca né?

— Ah, desculpa por isso. É que eu pensei que como ia ser aqui na rua mesmo, eu não iria precisar dele, mas aconteceram uns imprevistos aí, ótimos, por sinal, e eu tive que sair da rua.

— Sair da rua? Foi pra onde? E como você voltou se a rua tá fechada?

— IIH, curiosa você né? Longa história...

— Aham, sei, mas você vai me contar essa história. Agora.

— Ai, tá bom Bea, mas tem que ser rapidinho.

Contei, bem resumidamente, toda a história para ela, de como eu tinha visto o palco sendo montado, encontrado o Danny saindo da sorveteria e de como o Tom tinha me beijado. Nessa hora ela soltou um “You must be kidding!” e olhou pra mim, como se esperando que eu risse e gritasse “1° DE ABRIL!”, mas como quando não o fiz, ela me olhou séria e disse “tá, continua”. Contei pra ela sobre a ida às pizzarias e sobre a tarde no camarim deles, onde eu toquei “Walk in the Sun” e eles tocaram para mim. Expliquei também sobre o crachá de identificação. Acho que ela só acreditou nessa história todo por causa desse crachá, se não provavelmente já estaria me chamando de doida varrida.

— Bom, pelo menos você vai poder ficar perto deles de novo – ela comentou tristonha, após soltar o crachá.

— Por que essa cara de enterro? Lógico que eu vou te levar comigo né?!

— Jura?! Aaaah, por isso que eu te amo amiga!!! – disse ela, pulando em mim.

— Até parece que eu não dividiria esse sonho com você né, Bea? – separei-me dela e completei: — Agora vamos né, quem sabe se chegarmos mais cedo é mais fácil?

— É, vai saber...

Despedimos de minha mãe e saímos de casa. Passamos pelas mesmas pessoas e chegamos na porta do camarim, aonde o Fletch estava gritando com mais alguns seguranças. Eu pigarreei e ele olhou pra mim.

— Ah, Adam né? Os meninos disseram que você voltaria.

Eu sorri por dentro e Bea estava com uma cara de panaca e de “Uau, ela tá conversando com o Fletch!”.

— Pois é, eu voltei e trouxe uma amiga comigo. Será que teria algum problema se...

— Não, imagina. Tenho certeza de que os meninos não se importariam. Por aqui meninas. – disse ele, nos indicando que direção tomar.

Sorri e segui pelo caminho indicado por ele e que eu já conhecia, puxando Bea pela mão, afinal ela tava congelada igual uma estátua. Chegamos em frente à porta e eu sussurrei pra Bea — “É aqui, amiga. Are you ready?” – Ela balançou a cabeçaafirmativamente e eu abri a porta, só depois me tocando de que não tinha batido, mas a cena que eu vi não me fez arrepender de meu ato.

Notas finais
Então, gostaram? :D