A viagem foi curta, mais ainda porque eu dormi quase ela toda. Logo eu pude ver Vancouver da janela do avião. Cidade bonita (mas prefiro Seattle). Certo, eu tenho que aprender a gostar daqui. Olhei para o lado e meu pai estava dormindo no banco ao lado. Dei uma cotovelada em seu braço para que acordasse.


— Chegamos.


Ele piscou umas vezes antes de voltar para a realidade e viu Vancouver pela janela.


— Cidade bonita. — Ele falou, e pude jurar que o ouvi sussurrar "Prefiro Seattle".


Desembarcamos e fomos em busca de um Taxi.


— Colégio Vancouver's Heroes — Falou meu pai para o taxista.


— Nunca entendi esse colégio — disse o taxista — Nem o nome e nem porque meu filho não conseguiu estudar nele.


— É um colégio... Especial — disse meu pai.


Quando chegamos à frente do colégio, percebi que ele era bem maior que meu colégio em Seattle ou qualquer outro que eu já estudei. Saímos do taxi e entramos no colégio. Meu pai comsua mochila nas costas e uma mala minha, a outra eu mesma levei. O porteiro que aparenta ter uns 60 anos, falou com meu pai.


— Não acredito... Michael Grace?


— Paul, você ainda trabalha aqui?! — Ele foi dar um abraço no porteiro — Cara, faz tanto tempo...


— Ainda lembro de suas missões bem sucedidas! Eu ficava rezando para que voltassem, e quando os via aqui na porta, ficava tão feliz de terem voltado... — Ele finalmente me percebeu lá — Essa é a sua filha?


— É sim, e veio estudar aqui.


— Só tem ela? — perguntou Paul.


— Eu tenho um garoto de 11 anos. Logo logo estará aqui também.


— Família Grace... Eu estudei com seu pai. Já lhe contei isso, não foi?


— Você vivia me contando as histórias dele.


Me lembrei do vovô, que morreu faz 3 anos de parada cardíaca. Ele também tinha super poderes... Me pergunto a quantas gerações nossa família é especial. Eu entrei no colégio e pude ver vários adolescentes. Não muitos, o colégio era grande e devem estar espalhados em todo o canto. Fomos até a sala do diretor, que fica no térreo. Meu pai bateu na porta semi-aberta.


— Pode entrar — disse uma voz rouca.


Quando o velho negro de tapa-olho viu meu pai, abriu um sorriso de orelha a orelha. Eles ficaram lá falando sobre os velhos tempos um tempão.


— Então essa é a Lucy. — ele me estudou — vejo que será uma ótima aluna!


Como será que ele perdeu o olho? Faz mal perguntar?


— Ah, esse olho?! Akroz o mantém guardado em um pote no seu quarto desde que ele o arrancou de mim.


— Como você... — me lembrei do que Alex me disse sobre o poder de ler mentes — Ah, entendi.


— É por isso que ele é um excelente diretor — disse meu pai — Vocês ainda tem problemas com o Akroz?


— Ultimamente não — disse o sr. Davis.


— Quem é Akroz? — perguntei — Que tipo de pessoa tem esse nome?


— Nosso pior inimigo — disse meu pai — O cara que domina as trevas.


— Um dia pegamos ele — Falou o diretor Davis — Mas até agora ele vem ganhando.


— Senhor — Alex entrou na sala — Ah, oi Lucy.


— Oi


Ele é bem mais bonito pessoalmente, seus olhos mais brilhantes... Estava usando as mesmas roupas que vi em meu sonho.


— Senhor, está havendo uma briga muito feia no 2º andar.


— Quem são os delinquentes?


— John e Thomas estão brigando lá em cima. Eu sentei separar, juro. Mais uma tentativa e eles me surravam também.


O diretor se levantou e eu, meu pai e Alex o seguimos. Cheguei mais perto do Alex.


— John... O seu melhor amigo?


— Ele mesmo. Thomas achou que o John estava dando em cima da namorada dele, aí começou.


Subimos até o 2º andar voando. É, eu já havia aprendido um pouquinho a voar. Logo vi no final do corredor dois garotos, um fazia fogo e o outro gelo. Logo cheguei mais perto e pude ver seus rostos. O ruivinho provavelmente era o John, ele tinha olhos cor de fogo, e dava impressão que seus olhos realmente pegavam fogo. O outro tinha cabelo branco platinado, olhos cor gelo e mais musculoso que John. Eles estavam realmente brigando. Fogo contra gelo.


— Parem!!! — O diretor gritou — Me expliquem agora mesmo!


Eles pararam imediatamente, o diretor realmente era itimidador.


— Ele está tentando pegar a minha namorada! — disse Thomas.


— O que? — John começou a rir — De onde você tirou isso, cara?


— Você tava dando em cima dela! Eu vi!


— Você não tem provas, tá legal!? Eu não dou em cima das namoradas dos outros!


— Ah, é? Diz isso para o James! — Isso pareceu ter afetado o John.


— Não fale dele na minha frente. Nunca mais! — John virou uma fênix em chamas saiu voando para fora do colégio.


— Ele volta — Falou Alex para mim.


—Você vai ter que me explicar isso tudo para mim depois — falei — Deve ser uma longa história...


— E é.


Depois do diretor ficar perguntando várias coisas para o Thomas, ele me levou até meu quarto. Lá estavam uma garota loira e um garoto moreno com cabelos castanhos e olhos verdes.


— Esses são seus colegas de quarto — disse o diretor Davis — Nicole e Wesley. Pessoal, essa é a Lucy.


— Oi Lucy! — Eles disseram em uníssono.


— Olá.


— Bom, Lucy — falou o diretor — Arrume suas coisas, seu pai vai rever um velho amigo agora.


— Derek! — Meu pai estava animado para reencontrar o velho amigo.


— Ele é o pai do John, sabia?


— O garoto da briga?


— Esse mesmo. Vamos.


Eles se foram e eu fiquei lá com a Nicole e o Wesley. Eles pareciam ser pessoas legais.


— De onde você vem, Lucy? — perguntou Wesley


— Eu sou de Seattle.

— Eu também — disse Nicole. — Vim para cá faz um ano, faço primeiro ano. Wesley 8ª série. E você?


— Eu... Faço 8ª também.


— Vamos estudar juntos, então. Provavelmente no colégio que você estudava, trocavam de sala cada aula, não é?


— Sim...


— Aqui é diferente. Cada série tem sua sala. 7ª A e B, 8ª A, B e C e por aí vai... Entendeu?


— Eu acho que eu entendi. E, por favor, digam que podemos usar celular nesse colégio.


— Para sua sorte, sim. — falou Nicole, o que me deixou feliz. Vou ligar para o Sam e a Bianca todos os dias. Logo tirei o celular do bolso, saí do quarto e liguei para o Sam.


— Lucy? — Ele atendeu.


— Sam! Tudo bem?


— Tudo. E você? Como foi a viajem? Já está no colégio?


— Calma, uma pergunta de cada vez. Eu estou bem, a viagem foi ótima e sim, já estou no colégio.


— E aí, o que achou daí?


— A cidade é linda. O colégio é muito maneiro. Logo quando cheguei eu encontrei aquele garoto do meu sonho e uma briga de fogo contra gelo. Deve ser sempre bem corrido aqui mesmo. Acabei de conhecer meus colegas de quarto, Wesley e Nicole.


Ficamos conversando por um bom tempo, e se não fosse o pai do Sam o mandando estudar, passaríamos o resto do dia.


— Namorado? — Me virei e pude ver que era Nicole encostada na porta do quarto.


— Er... Na verdade não.


Logo uma bola de fogo atravessou o céu que já estava escurecendo. ele veio meio que na minha direção, mas depois mudou de rumo para mais ao lado. Era uma fênix, provavelmente o John. Ele pousou ao meu lado e voltou a forma humana.


— Por onde andou, foguinho? — Nicole perguntou.


— Seattle.


— Você vai e volta de Seattle, simples assim? — perguntei.


— Você não?


— Ela é novata — disse Nicole.


— Ah... Seja bem vinda! — ele apertou minha mão.


— Eu sou Lucy. Conheci seu melhor amigo, Alex. Ele me falou de você.


— Suponho que ele que te mandou o recado de vir para cá.


— É, foi ele.


— É bem chato quando ele invade meus sonhos, tipo... Toda noite.


Nicole riu.
— Bem isso. Melhor se acostumar, Lucy.


— Qual é o seu poder? — perguntou John.


— Eu... Posso controlar a água e respirar debaixo del, voar... E nado mais rápido que qualquer um também.


— Uma pessoa capaz de me apagar... Que chato...— Aquela carinha de bobo chateado que ele fez...


— Ela é filha do velho amigo de seu pai — disse Nicole — Michael.


— Já ouvi falar dele. Muito.


Eu pude perceber um corte feio na testa dele.


— Você tem um... Corte profundo na sua testa.


Ele pôs a mão no lugar o corte e viu o sangue.


— Merda. Alguem chama a Victoria!


— Eu vou lá no quarto dela — Falou Nicole, que de repente virou uma pomba e voou até o andar debaixo.


— Legal o poder dela, né? — disse john — As vezes eu até sinto inveja. O que está achando do colégio?


— É um ótimo colégio, eu amei...


— Mas...


— Sei lá. É só saldade mesmo. Dos meus velhos amigos.


— Você faz novas amizades aqui. Vejo que já fez bastante para um primeiro dia.


— Verdade. Foi tudo tão rápido... Uma hora eu era uma garota normal e na outra, uma garota com super poderes.


— Eu meio que nasci nesse colégio, fui criado aqui... Nunca senti isso.


Logo uma garota com cabelos pretos, mechas vermelhas, piercings e tatuagens subiu voando com Nicole, ainda em forma de pomba. Ela me estudou por um tempo e depois voltou a atenção para John.


— Foi na briga de hoje? Dá pra ver seu crânio, garoto. Não estava sentindo dor alguma?


— Não...


Ela simplesmente tocou na ferida e ela curou.


— Mais alguma?


John se revistou para ver se não encontrava outro arranhão.


— Não.


— Novata? — ela se referia a mim.


— É, chegou hoje. Domina a água.


— Alguém para apagar seu fogo. Gostei!


Ela estendeu a mão e eu apertei


— Sou victoria. Eu tenho regeneração instantânea e super velocidade.