Não tinha me entregue, e eu sabia disto.

Abri meus olhos, e a luz ofuscante entrou pela minha janela. Minha cama estava totalmente desarrumada, e minha garganta deu um nó. Não tinha acontecido nada! Eu tentei me reconfortar.

Mas eu não sabia, não me lembrava.

Mas não tinha acontecido nada, eu reforcei minha mente, com apenas este pensamento. E falei várias vezes, para que eu realmente entendesse o que eu dizia.

Minha porta abriu, enquanto eu arrumava minha cama, olhei para trás e vi Thain.

— Você percebeu alguma coisa, diferente? – ela perguntou, sentando na cadeira.

— Não fico reparando em você. – eu disse, continuando o que estava fazendo.

— Não estou falando de mim, bobinha. Falo de você. Dez que você conheceu um pouco de Bruno, você age diferente, você esta ficando humana. Sentindo as coisas humanas. – ela soltou uma risada histérica – Isso é horrível, prefiro você como a assassina, é mais divertido, acredite. Na minha versão, esta bosta de Amor de Sangue apenas faz os vampiros ficarem bonzinhos. Ei! E se lasquem os bruxos! Eles querem que sejamos bons, mas não somos! Esse amor vai acabar, é... nojento.

Eu girei meu corpo, em direção de Thain.

— E por que se preocupa tanto com Bruno? E olha para ele toda hora?

— Esse é o assunto do ano? – ela perguntou, tentando-me distrair – Bruno, Bruno, Bruno e Bruno. Enjoa.

— Responda... a minha pergunta. – eu disse lentamente.

Ela deu um suspiro.

— Ok! Ok. Você acha, acredita, que Bruno é um menino normal? Que pode ser machucado a qualquer minuto, como suas vitimas? Esse menino tem poder, mas eu vejo, apenas você não vê. Ele pode ficar poderoso, mais que você. Mas ele só é tão poderoso, transformando. E, você não quer. É... inveja? Um humano, mais poderoso que você? Você teme de machucá-lo, e o sangue dele é como se fosse uma droga para você. Pare de resistir, e não o mate, o transforme, mas aproveite e experimente o sangue dele! – ela levantou e começou a chegar perto de mim – Ou eu farei.

— Pare! – eu gritei e pulei em cima dela. Ela me jogou na parede e eu levantei, correndo na direção dela, prendi o braço em seu pescoço e a joguei no chão. Depois a prendi. – Não encoste em Bruno, ou vai morrer.

Ela deu um sorrisinho, e fugiu.

Não tinha visto ela dez de então. E eu e Bruno ficamos mais juntos cada dia que passava, mas eu continuava distante dele, pois não me entregava totalmente. Não tinha inveja, tinha medo. Era o que acreditava, e acreditava, não iria desistir deste pensamento. E também não queria que ele morresse, e com ele toda a vida, o que me irradiava.

Não tinha medo das ameaças de Thain, ela podia ser sedutora, mas Bruno era meu, meu sangue, e não dela. Não sabia se ela podia roubá-lo de mim, mas lembrava que Tanya um dia me disse que se eu transformasse o meu Amor de Sangue, ele seria meu. O meu lorde, como falavam, e nada separaria, pois o “amor” poderia ficar mais forte. Mas eu não via nada amoroso transformando Bruno.

Eu já começava a enjoar da Inglaterra e daquele bairro, queria ir para algum lugar, como eu e Tanya fazíamos nos velhos tempos. Mas não tinha passado muito tempo depois de sua morte. Apenas algumas semanas, quase um mês.

— Bruno, cansei daqui, vamos para algum lugar, logo! – eu implorei para ele de novo.

— Por quê? – ele perguntou, incrédulo.

— Por que enjoa. Eu vou para Portugal, e se você não quiser vim, foda-se. – eu disse, dando as costas para ele e mostrando o dedo do meio.

Alicia concordou em sair do país, mas Leticia não, então seria apenas Alicia e eu.

— E Bruno? – perguntou Alicia enquanto arrumava a mala de viajem.

— Bem, — eu disse em um suspiro, colocando uma mecha lisa do meu cabelo atrás da orelha – Ele não vem, ele gosta muito da cidade. – eu virei e sentei na mochila – Eu acho.

Nós fomos para o aeroporto, e olhei em volta, com uma esperança de achar um menino alto de cabelos castanhos, ou o cheiro reconhecível, mas não achei nada. Mas, minhas esperanças não estavam em um fio, pois conseguia senti-lo, mas não sabia onde ele estava.

Procurei mais um pouco, mas não pude mais, pois tinha que comprar o passaporte. Andei para a caixa, me arrastando, olhando para meus próprios pés. Mas de repente, alguém parou na minha frente, ergui os meus olhos e depois de reconhecê-lo, pulei em seu pescoço e depois o beijei.

— Não iria deixar você ir sem mim. – ele disse, e eu continuei sorrindo.

Depois de ficar uns 10 minutos em espera, nós embarcamos, e Alicia começou a falar agitada sobre várias coisas, principalmente livros. Natalia acabou embargando na conversa, e eu e Bruno também. Não conhecia muitos livros, muito menos de bruxaria.

— Você nuca tocou, pelo menos, em um livro de bruxaria? – Natalia disse, em um tom de voz baixo. E eu balancei a cabeça.

— Nem ao menos vi! – eu exclamei, baixo, e ela ficou boquiaberta.

— Já sabe da novidade? – perguntou Alicia, dando um pulo onde estava sentada – Jake, sabe o Jake? Então, ele é pai de Laura, estranho, né? Os pais dela trabalharam na Casa alguns anos, bem interessante.

— Jake, ele é um bom rapaz, e ainda de ter conseguido de ser bruxo, como humano. Daniely, a amiga dele, era uma bruxa muito talentosa, e era amiga de varias pessoas e vários gêneros. Bruxas, normalmente, vampiros, caçadores, lobisomens, etc.

— Nossa, existem lobisomens? – eu perguntei, surpresa.

— Claro, e muitos não gostam de vampiros, pois os dois são imortais, e eles lutam para quem vai alcançar o auge. Bem, mas eles são bem diferentes, eles se transformam em lobos, e se um descendente não souber da origem, nunca saberá que é. E quando os lobisomens não querem mais aquela vida, e querem ter uma normal, eles apenas acreditam que podem ser, mas é bem difícil deste jeito. O mais fácil é pedir para uma bruxa acabar com o feitiço. Por isso muitos não se mostram, pois estão muito escondidos, e muitos perderam o encanto.

“Mas é um pouco complicado eles, são muitos estressados, enfim, não temos nenhum lobo aqui.”

Passamos muito tempo conversando, até que chegamos uma hora, em nosso lugar destinado.

Como fazia antes, mas antes era Tanya, eu, bem Natalia, alugou com apartamento normal. E ficamos lá, Natalia tentou me ensinar um pouco de bruxaria, e era mais na parte do dia, pois não tinha nada para fazer.

Eu conseguia pegar a mágica, mas muitas coisas não era tão boa quanto Natalia, que nunca perdia a energia fazendo mágicas extraordinárias. Eu conseguia fazer várias coisas, e Natalia me dizia que estava indo muito bem, mas eu não acreditava. Mas ela dizia que eu, como novata, era bem experiente. Pensei em falar:

— É claro, sou um vampira. – mas pensei duas vezes antes de falar.

Não concordava com o que Thain dissera para mim, continuava com as minhas caças normais, e algumas vezes mais excitantes.

Um dia, na floresta pequena do nosso bairro, havia uma mulher com o namorado que, adivinho eu, namorando. Eu cheguei perto da barraca e subi em um galho de uma árvore graciosamente, e fiz um barulho com a unha.

O homem saiu, e então peguei um pedaço de madeira e joguei com força na cabeça dele, ele caiu e depois o ataquei, jogando no galho que estava. A mulher logo saiu, e viu o corpo perdurado e começou a correr, e eu fui atrás dela.

Fazendo barulhos horripilantes, ela começou a gritar, muitas vezes caia, tropeçando em arvores. Eu andava em vários caminhos, para ganha tempo, subia em arvores e via ela correr, com os cabelos loiros atrás. Dei um pulo e fui parar quase no seu lado. Ela pulou e gritou e recomeçou a correr, mas eu fui mais rápida e pulei nela jogando o corpo do chão, depois drenando o sangue, enquanto ela gritava.

É, era assim como era minha caça. E eu tinha tanto prazer em fazer isto que caçava cada três dias, e então recomecei a ser aquela Laura.

Por isso não concordava com nenhuma palavra que Thain dissera para mim. Mas, ficou mais difícil de ficar perto de Bruno, pois o sangue dele era melhor do que o dos outros, e ele via às vezes o meu sofrimento, e se oferecia, mas eu apenas corria para a floresta e caçava qualquer um, em qualquer hora e em qualquer lugar.

As coisas não ficaram fáceis depois, eu tive que caçar mais, e em três em três dias estava quase não dando conta. Então eu tive que me controlar. Foi quando eu entrei na escola de novo, e Bruno e Alicia entraram comigo também.

Pelo menos, o grupo havia aumentado. Eu, Bruno e Alicia. Mas muitos meninos tentavam falar com nós, mas as meninas não. Já com Bruno, os dois gêneros falavam com ele.

É claro, tinha meninas chatas e populares, e que tinha vontade de esganar os pescoçinhos delas. Mas vi, que não existia um Thain da vida, apenas várias Ashleys.

O difícil não era aturar as meninas chatas e, sim, aturar os pequenos flertes. E eu tinha que arrancá-lo do grupo, mesmo que fosse de meninos ou meninas, ou misto.

— O que foi? – ele perguntou, confuso.

— “O que foi?” Eu te digo o que foi, essas... vacas ficam flertando com você e antes que eu mate todo o grupo, é melhor eu te proteger.

— Você? Proteger eu de humanos? – ele perguntou, segurando o riso.

— Sim. Pois elas são inúteis e idiotas. – depois ele começou a rir.

Alicia, tinha uma boa habilidade de fazer amizade com humanos, contrário de mim, que nunca consegui realmente me relacionar com eles. Eu podia estar namorando um, mas não significava que eu queria ser amiga de todas essas pestes, pois Bruno era diferente. Sempre quando pensava nisto, que Bruno era diferente, lembrava do que Thain me disse, mas sempre tentava deixar esses pensamente fora de minha mente, mas era realmente impossível.

A escola estava começando a me ajudar, mas não muito, havia muitas pessoas que me deixavam com raiva, e mesmo que me machucasse, eu não iria cicatrizar, e eu apenas conseguia esvaziar minha raiva, matando.

Parecia que cada dia que saia com Bruno, era mais uma coisa que tinha que observar, ou ouvir. A vida dele não era muita coisa, como ele dizia.

— Bem, eu nem conheci muito bem meus pais, o que eu posso dizer sobre eles? – ele me falava isto, mas não sentia remorso nenhum de ser eu a verdadeira assassina de seus pais, não sentia nada.

Às vezes, pensava no que Thain me dissera, o que era impossível não pensar, pois eu sentia como humana às vezes, me divertia como uma, mas tinha algo que me fazia ser diferente, minha dor e minha sede. Pois parecia que os sentimentos não vinham de mim, e sim do colar, pois sempre que sentia bem, como um humano se sentiria, a pedra vermelha brilhava e esquentava em meu peito.

Em uma tarde de domingo, Alicia quis ir para um parque de diversão que estava na cidade, e nós fomos, pois uma diversão a menos ou a mais, não iria fazer nenhuma diferença para mim.

Quando chegamos, estava lotado de humanos, e eu tentei ignorar minha sede, como fazia sempre. Percebi que tinha gente que reconhecia, como a menina Anna, que era popular e gostava de Bruno. Quando ela nos viu, eu fiquei mais perto de Bruno e, ele me abraçou mais forte. A garota veio na nossa direção, tentando ser sedutora, mas acho que não conseguira, e naquele momento desejei que Thain estivesse lá, para mostrar para ela, e um vento soou e depois parou, muito estranhamente.

— Olá, Bruno! – disse Anna, mordendo um canudinho. Ela olhou para mim com os olhos fervendo.

— Olá Anna, como vai? – disse Bruno, gentilmente.

— Bem, com certeza melhor agora, e você? Espero que esteja se divertindo, mas comigo você vai se divertir mais...

Eu cerrei meu punho, e senti minhas unhas perfurarem a pele.

— Ah... – Bruno não soube o que falar.

— Podemos ir todos juntos. – uma voz falou atrás de nós. Olhei para a voz e engoli em seco, achando que era uma alucinação.

— T-thain? – eu gaguejei.

— Irmã! – ela estava com o cabelo liso e negros, como sempre, com uma jaqueta negra e roupas pretas de sempre – Como vai Bruno?

— Como você veio aqui?

— Quem é ela? – perguntou Anna.

— Thain! – veio Alicia do pipoqueiro.

— Eu fiquei sabendo que vocês vieram para cá, e então eu vim.

— Quem te disse? – eu perguntei, dando um passo para frente.

— Jane. E eu vim em paz, pensei que tinha ouvindo meu nome no ar. – disse ela irônica e eu respirei fundo.

O dia no parque não foi tão ruim. Thain era muito mais sedutora que Anna, e muito mais irônica também. E quando Anna havia desistido de Bruno, ela tentou flertar outros meninos, que Thain se saiu melhor.

Depois, quando nós fizemos um break, eu comecei a falar com Thain.

— Quanto tempo você pretende ficar? – eu perguntei, falando baixo.

— O tempo que você ficar, é divertido.

— Você vai ficar me seguindo?

— Vou. – ela disse, e deu um sorriso irônico depois se levantou e saiu.

Bruno tinha um certo medo de Thain, era o que eu achava. Ele dava respostas curtas e frias para ela, e ela ficava mais feliz, pois Bruno ter medo dela, era uma coisa muito engraçada.

Depois de um dia estranho no parque, era hora de ir para o apartamento, ou seja, ir para a caça. Alicia ficou na casa, cantando no karaokê com Natalia, como eu achei aquilo idiota, eu sai e fui para um bar. Bruno, estava dormindo, então tive que ir sozinha.

O bar estava cheio, mas muitas coisas que eu via era nojento, então fui para o balcão, uma hora alguém, alguma comida teria que falar comigo. Mas não precisei de muito. Tinha um homem que parecia novo, com uma jaqueta de couro marrom, calça jeans normal. Fui para o lado dele e pedi um copo de tequila.

— Viu, preciso saber sua idade. – o garçom disse.

Eu olhei para ele fixamente, deixando-o em transe.

— Não precisa, não.

— Vou te trazer em um minuto! – ele falou, e depois desapareceu. O homem ao meu lado ficou me olhando, então, o encarei, e percebi que ele era muito bonito, qualquer mulher humana iria cair os pés dele. Então eu pensei: Talvez devia apresentar para Alicia. Não sabia por que, mas eu sabia que devia.

— Sam. – ele disse para mim.

— Laura. – eu disse sorrindo.

— Então, conseguiu enganar o cara direitinho. – ele falou, sarcástico – Deveria ter pedido para mim.

— Consigo resolver meus problemas sozinha. – eu disse, ainda sorrindo.

— Ah. Nossa. Bem o que trás aqui? – ele perguntou, e percebi que seu sotaque estava estranho – Desculpe, sou americano.

— Ah. Eu sou daqui, mas vivi maior parte do meu tempo na Inglaterra. – eu disse, falando em inglês.

Ele sorriu.

— Que bom. Melhor para mim.

— Sim. Bem, eu vim para cá por nenhum motivo, na verdade. Estava muito enjoativo aquele apartamento. – e naquele momento, queria ter pensado duas vezes antes de ter falando, pois os olhos verdes de Sam brilharam em um puro desejo. Olhei para o relógio e vi que era ainda 10pm.

— Será que posso fazer companhia? – ele disse, sem disfarçar o desejo em sua voz.

— Ok. – eu disse, e parecia que eu não era dona da minha voz.

Eu e ele saímos do bar, e fomos no caminho do apartamento. Quando estávamos passando por um beco escuro, pensei em atacá-lo. Mas de repente, ele se jogou em cima de mim, batendo meu corpo na parede, ma minha garganta tinha uma faca de madeira, afiada.

— Eu sei o que você é! – ele gritou, e fincou a faca de madeira na parte lateral da minha barriga. Era uma dor insuportável, onde ele havia cortado e onde estava a madeira estava queimando, era pior quando eu estava com sede, pois minhas veias ardiam, um grito doloroso saiu pelo meus lábios, e ele tirou a faca, era uma alivio, mas ainda sentia a dor que ele me causou.

Eu soltei um palavrão, e com as poucas forças que eu tinha, joguei ele contra a parede.

— O que você esta fazendo aqui? – ele perguntou, enquanto eu pressionava o corte.

— Estou fazendo uma peça de teatro! Vivendo, o que mais posso estar fazendo? – eu disse, entre um gemido.

— Caçado! Caçando pessoas inocentes. – ele gritou, e eu soltei uma risada dolorosa.

— Ninguém é inocente, e todos caçam, só faço o que tenho que fazer. Foda-se você caçador! – eu disse, quando recuperei minhas forças. Ele deu um grito e partiu para cima de mim com a faca, e eu me teletransportei para o apartamento.

Eu soltei um suspiro e olhei para o ferimento, que já estava cicatrizando.

— O que ouve? – disse Thain e Alicia veio atrás dela.

— Caçador na cidade... – depois ouvi alguém tentando abrir a porta.

— Abra a merda da porta! – era a voz de Sam, e ele arrombou depois de alguns minutos.

Ele estava com uma arma, e sentia cheiro de madeira, na hora que ele ia atirar, e coloquei as mãos para frente, fazendo um escudo imaginário, e as balas de madeira não fizeram efeito nenhum efeito.

— O que diabos você esta fazendo? – eu gritei para ele, e eles pararam de atirar.

— Vocês são sanguessugas e estão no lugar errado com as pessoas erradas.

— Ah, seus idiotas!

Eu gritei em voz alta uma palavra desconhecida e de repente de onde tinha água nos objetos foram para a palma da minha mão, criando uma esfera enorme, e eu joguei neles, fazendo eles saírem arrastados, pela água, fora do apartamento.

— Como você fez aquilo? – perguntou Thain olhando para mim assustada, e então percebi que estava ensopada.

— Eu não sei... – eu disse, no meio de um suspiro.

— Ele era lindo. – eu ouvi uma voz, que estava em transe, olhei para cima e vi Alicia parada como uma tola, olhando para a porta. E já sabia o que era, para os mais fracos era daquele jeito?

— Ah, não. – eu disse.