Valentine's Day

1 Chamando ela pra sair


O Dia dos Namorados era um dia feliz, onde todos trocavam cartões e chocolates. Os mais corajosos se utilizavam desse dia para se declarar e tentar alguma coisa, os mais tímidos apenas entregavam bilhetinhos com indiretas. Kirishima Eijirou não se encaixava em nenhum dos dois.

Apesar de ser conhecido por sua bravura, o garoto sentia as pernas tremerem só de pensar em sua colega alienígena. Ashido Mina lhe tirava todos os sentidos por apenas respirar ao seu lado.

Respirou fundo novamente, tentando se acalmar. Ainda faltava alguns dias pro fatídico dia, conseguiria pensar em alguma coisa até lá, mas no momento se encontrava surtando no quarto de Bakugou.

— Me explica de novo por que eu insisto em te ouvir? — o loiro reclamou irritado.

— Porque somos melhores amigos e eu tô precisando de ajuda — ele respondeu, andando aflito pelo quarto.

— Para com essa merda e desembucha. Você tá me dando vontade de te explodir! E SENTA QUIETO, CARALHO!

— Você qualquer coisa é nossa — o ruivo murmurou, sentando na cadeira da escrivaninha. — O Dia dos Namorados tá chegando...

— Eu sei, a Ochako tá enlouquecida falando de trocarmos presentes. — Ele revirou os olhos.

— Eu não estou enlouquecida — a morena se pronunciou pela primeira vez, sentando-se na cama e inflando as bochechas. — Eu só disse que queria.

— Eu preciso de ajuda — o ruivo os pediu. — Eu queria... Mostrar para Mina como eu me sinto.

— Se não conseguiu em três anos, não consegue mais.

— Katsuki! — A morena lhe deu um tapa no braço.

— Eu só estou mostrando fatos.

— É sério, bro! — O ruivo fez um bico, parecendo uma criança. — Eu queria chamá-la pra sair, ou dar alguma coisa que fosse bem significativa... Como você fez pra não surtar quando foi conversar com a Ochako?

— Eu pensei em como eu quebraria o Deku todinho se ele se aproximasse demais dela mais uma vez, o que me deu o incentivo necessário para evitar que isso tivesse que acontecer. Ochako me odiaria se eu quebrasse o nerdzinho maldito.

— Pode apostar que iria mesmo. — ela riu.

— Certo. — Kirishima tentou compreender a lógica do amigo, mas percebeu que não tinha muita. — Eu devo... pensar em como eu quebraria o Denki? Ou o Hanta? Ou você? Ah, mano! A gente tá sempre junto, mas sei lá, não me incomodo com vocês!

— Não, idiota maldito. — ele revirou os olhos. — Você se acerta com isso aí que tá sentindo e vai falar com ela logo.

— E se ela me rejeitar?

— Você parte pra outra, como qualquer pessoa normal!

— Você partiria pra outra se a Ochako te rejeitasse? — o ruivo perguntou, arqueando a sobrancelha.

— Estou doida para saber a resposta. — Ela cruzou os braços, o olhando de maneira intimidadora.

— Lógico que não, cacete!

— Então por que me mandou partir pra outra?

— Faça o que eu digo, não o que eu faço. Conhecem?

— Você não está me ajudando! — o ruivo resmungou.

— É o seguinte, Kiri — a morena se pronunciou, percebendo que não iriam para lado nenhum se dependesse só do namorado. — Mina gosta de encontros animados e dança. Por que você não a chama para irem passear no shopping?

— Muito animador mesmo — o loiro murmurou, mas a namorada ouviu e lhe deu um tapa, sem nem desviar o olhar para ele.

— Lá tem aquela área de jogos, com vários simuladores e um jogo de dança! — ela bateu palminhas animada. — É perfeito para vocês!

— Eu não sei... — Coçou a nuca. — Não sou muito bom dançarino como ela...

— Então vai pro seu quarto e se conforme que não tem como conquistá-la.

— Katsuki! — Ochako lhe deu outro tapa.

— Para de me bater, caralho!

— Tá, eu faço! — Kirishima se desesperou com a ideia de ter que simplesmente se conformar com a ideia de que não conquistaria Mina. — Agora, como eu a chamo?

— Só vai logo e a enfrenta — o loiro respondeu emburrado. Estava ficando irritado de ter o amigo ali há tanto tempo, sendo que poderia estar aproveitando aquela tarde com sua namorada.

— É, apesar de ter soado estranho, concordo com Katsuki. — A morena sorriu gentil. — Vocês estão sempre juntos, Kiri. Não é difícil encontrar uma oportunidade. Vai ter que ser bem másculo!

— Certo... Eu vou! — O ruivo levantou o punho, determinado. — Obrigado, pessoal!

— Tá, tá. Agora vaza logo que eu tenho mais o que fazer!

— Tô indo, calma! — Kirishima sentiu-se ser empurrado com força até o corredor e a porta fechou com um estrondo atrás de si. — Eu, ein. Que desespero.

O ruivo deu de ombros e foi até seu quarto. Teria que estar preparado quando fosse convidar a amiga. Parou em frente ao espelho pendurado na parede e respirou fundo.

— E aí, Mina? — Sorriu, fazendo um jóinha com a mão. — Não, credo…

Passou um tempo ali, tentando diversas poses e falas, mas nada parecia bom o suficiente. Foi interrompido pelo celular apitando repetidas vezes em cima da cama. Se jogou no móvel, desbloqueado o aparelho e abrindo as mensagens.

AlienQueen [17:55]: Eijiiiiiii!

AlienQueen [17:56]: Quero assistir algum filme...

AlienQueen [17:56]: Me faz companhia? :D

Sentiu o coração acelerar. Será que era uma boa oportunidade para tentar chamá-la para sair? E agora, o que faria? Se demorasse muito pra responder, ela acharia estranho. Normalmente ele respondia rápido às mensagens dela, mas nunca havia estado nessa situação antes. Mas ele já tinha visualizado, agora ela já sabia que ele viu... Como ele responderia? Fingiria que estava tudo bem consigo?

AlienQueen [18:01]: Tá aí?

RedRiot [18:02]: Sim! Sim, estou

RedRiot [18:02]: Faço companhia sim!

AlienQueen [18:03]: YAAAAAYYY!

AlienQueen [18:03]: Eu vou tomar banho e já desço! Nos vemos em 15 minutos! :D

Kirishima largou o celular e correu para o banheiro, tomando um banho rápido e se vestindo com uma calça e uma blusa de moletom confortáveis. Não estava tão frio dentro dos dormitórios, afinal havia ar condicionado em todos os cantos, mas não estava tão calor pra sair do quarto sem uma blusa.

Desceu pelo elevador, apertando os dedos em nervosismo e sentindo as palmas das mãos suarem. Assim que chegou na sala, avistou a cabeleira rosa sentada no tapete, que se virou assim que ele se sentou ao seu lado. Mina o encarou séria por alguns segundos, seus olhos passeavam por todo o seu rosto e pararam em seus cabelos. Ela franziu o cenho e ele sentiu-se desconfortável por alguns segundos. O que ela tanto o encarava desse jeito?

— Tá sem gel — ela comentou.

— Ahn... Sim. — Sorriu sem graça. — É que logo é hora de ir dormir, né. Não vou dormir com gel no cabelo.

— Ah, sim! Não me entenda mal, eu gostei. Me lembra da época do fundamental. — A garota levou as duas mãos até a franja caída e as levantou, segurando as pontas pra cima. O ruivo sentiu que teria um ataque cardíaco com a aproximação repentina. — Mas eu também gosto de ser sua amiga de chifres. — Ela riu alto e soltou o cabelo ruivo. — Ah, eu gosto dos dois jeitos, vai.

Eijirou sorriu sem graça de novo. Será que ela percebia as reações que estava causando nele? Ela percebia que a aproximação havia feito seu coração bater tão forte e rápido? Será que ela conseguia escutar? Ela havia percebido que ele estava envergonhado? Não tinha certeza, mas achava que estava corado, porque sentiu as bochechas esquentarem repentinamente — e com certeza não era pelo ar quente da sala.

— Vamos de... — Ela estava passando pelo menu de filmes e havia acabado de achar o que queria.

— Qualquer coisa menos o da menina surda de novo! — Ele arqueou a sobrancelha para ela.

— Ok, então vamos de outra coisa. — Ela continuou andando pelo menu. — Ah, eu achei!

Ela colocou um filme aleatório de romance que o fez revirar os olhos. Mina assistia atentamente o filme, enquanto Eijirou estava inquieto por não conseguir fazer um simples pedido para ela e a chamar para sair com ele. Esfregou as mãos com força no rosto, o que chamou a atenção da garota.

— Tá tudo bem? — ela perguntou, se virando pra ele.

— Quê? Ah, sim. Tá sim... — Ele virou pro outro lado, sem coragem de ao menos olhá-la agora. — Eu vou fazer um lanchinho pra gente.

O ruivo se levantou rápido e foi pra cozinha, certo de que poderia ficar sozinho ali se martirizando pelos próximos dez minutos. Mas estava bem errado. A garota achou estranha a atitude do amigo, ele não era desse jeito. Assim que ele cruzou a porta da cozinha, ela se levantou e foi atrás. Encontrou o garoto sentado em um banquinho, com a testa apoiada na bancada e os braços largados ao lado do corpo.

— Eiji…? — ela chamou com aquela voz doce e um leve tom de preocupação que o fez dar um pulinho de susto. Não estava esperando que ela viesse atrás. — Tá tudo bem?

— Sim — ele respondeu sem levantar a cabeça.

— Por que eu tenho a impressão de que não está?

Mina aproximou-se dele com cuidado, colocando a mão em seu ombro. Sentiu o garoto ficar tenso e retirou a mão rápido, franzindo o cenho. Algo não estava certo ali e descobriria o que era. Sentou-se ao lado dele, esperando que ele falasse com ela sobre o que estava acontecendo.

Merda. Era tudo que ele conseguia pensar agora. Estava sendo o mais covarde de todos em não conseguir ao menos chamar a garota que gosta para sair. Tudo que estava conseguindo era fazê-la pensar que tinha algo muito errado e a deixando mais preocupada a cada segundo. Fechou os olhos com força e suspirou alto. Até Katsuki tinha conseguido chamar Ochako pra sair, e olha que ele era o menos provável em conseguir fazer algo do tipo. Tinha que lidar com isso que sentia e a enfrentar, conforme foi aconselhado. Agora!

— Você tá me deixando aflita. — Ela riu nervosamente.

— Desculpe — Kirishima finalmente levantou a cabeça e a encarou. Tinha certeza que estava corando só de pensar no que estava prestes a falar. — Eu só queria conversar sobre uma coisa...

— Sou toda ouvidos!

— Eu... Você... Gosta de alguém? — Ele sorriu sem graça, seu tom de voz incerto.

A garota estranhou que o comportamento era só por causa dessa pergunta, bem repentina por sinal, e tombou a cabeça para o lado em confusão.

— Você diz amorosamente ou amigavelmente?

— Primeira opção.

— A-ah, eu... Eu não... tenho certeza... — a última parte saiu quase um sussurro, mas Kirishima conseguiu ouvir.

— Certo.

— Por que pergunta? Você gosta de alguém? — Ela bem tentou disfarçar, mas seu tom de voz denunciava quão interessada estava para a resposta daquela pergunta.

— Bem... Digamos que sim.

— Entendi.

Ficaram em um silêncio confortável por alguns instantes. Mina parecia tentar colocar alguns pensamentos em ordem e Eijirou mantinha a coragem para terminar de perguntar o que queria.

— Ei, Mina… — Ela o olhou, parecendo ter saído de um transe. Ela estava realmente perdida em pensamentos. — Você... Vai estar ocupada dia 14?

— Hmm… Não que eu me lembre. Por quê?

— Gostaria de estar?

— Oi? — ela perguntou um pouco assustada. Não tinha certeza se havia entendido direito. Kirishima a estava chamando para sair?

— Eu quero saber se quer sair comigo...

Mina mordeu o lábio inferior, claramente nervosa. Seu coração batia a mil por hora e o tempo parecia estar passando mais devagar. Deu um sorriso gentil que fez Eijirou ficar ainda mais ansioso.

— Eu adoraria.

Os dois estavam corados e felizes por dentro. O ruivo acabou tendo que fazer mesmo um lanchinho para a amiga, pois ela o cobrou dizendo que ele havia a deixado com fome. Os dois comeram e voltaram a assistir o filme, nenhum deles conseguindo realmente prestar atenção no que acontecia. A cabeça dos dois dava voltas e mais voltas, mas sempre voltava ao mesmo lugar: o encontro que teriam em breve.

Ah, se Eijirou soubesse que esse encontro faria Mina ter certeza que gostava dele.

Notas finais
Seguinte, era pra ter repostado essa história antes, aí esqueci. E aí eu lembrei hoje e pensei "PERFEITO! Dia dos namorados é amanhã!". Mas a vida acontece e eu me desorganizei (ainda mais) e só consegui postar agora :')

Essa fic foi feita pro Valentine's Day do ano passado, por isso referências ao dia 14 e por isso eles estão no inverno. Mas segue o baile, tá tudo certo! HAIUEHASIUEHSAEA.

Segundo capítulo vem amanhã, com o encontro!

Até lá! ♡ ♡