Eijirou conferiu o relógio pela quinta vez dentro dos últimos 10 minutos. Havia combinado de se encontrar com Mina às 16h e se divertiriam juntos no shopping, conforme Ochako havia lhe sugerido. Mas tudo começou a desandar quando ele mal pregou os olhos de noite. Estava muito ansioso sobre como seria o desenrolar do encontro. Será que ela iria gostar? Esperava que eles se divertissem juntos e quem sabe no fim do dia rolasse um... Beijo?!

Arregalou os olhos e levou as mãos à boca. Só de pensar nisso já sentia o coração saindo de seu corpo. Tentou se acalmar, lembrando de como Mina parecia calma com tudo isso. Mas obviamente ela estaria, ela era a melhor pessoa que ele conhecia e a mais legal de todas, óbvio que ela não estaria surtando com nada disso.

As últimas duas semanas se passaram com rapidez e os dois mantinham conversas normalmente, como se nada tivesse acontecido. Claro que Eijirou surtava com o mínimo sorriso da amiga ou quando ela o abraçava — o que tinha se tornado mais frequente, para estranheza dele.

Respirou fundo mais uma vez e novamente checou o relógio. Estava pronto havia algum tempo já e franziu o cenho quando constatou que ainda era 14h.

— Ok, talvez eu tenha me precipitado um pouco e me arrumado muito cedo — murmurou consigo mesmo.

Bufou impaciente e se jogou na cama, esperando que o tempo passasse logo.

No mesmo andar, do outro lado do prédio, Ochako tentava não se afundar no meio de roupas que Mina jogava pra fora do guarda-roupa, choramingando que não tinha nada decente pra sair. A morena revirou os olhos impaciente, pegando algumas peças que conseguiu achar pelo chão.

— Que tal assim? — Ochako tentou, apontando para as roupas que conseguiu separar da bagunça.

— Tá doida, Ochako? Essa calça não combina com essa blusa!

— Tá, tá. — Ela jogou em um canto e tentou procurar outra combinação. — E assim?

— É muito chamativo! — ela choramingou.

— Tá zuando com a minha cara? — Ochako olhou para a roupa que segurava, depois para a amiga e a roupa que ela vestia no momento.

— Não, eu só... — Mina se jogou no chão. — Eu só queria a roupa perfeita.

— Mina, olha quanta roupa você tem!

— E nenhuma que preste! Tá decidido. Vou cancelar esse encontro.

— Quê? Tá doida, menina? — A morena voou pra cima da amiga que já estava com o celular em mãos. — Mina, presta atenção! Isso era o que você mais queria, desde que começou a achar que gostava do Kiri!

— Eu sei, eu sei...

— Então tá doida de cancelar?

— Não, eu só... UGH! — A alienígena passou a mão pelo rosto, impaciente. — Tem que ser perfeito, Ochako! Eu quero isso há um bom tempo! E o Eiji é... Ele é super legal. Eu preciso estar legal também. Você sabe como é! Você surtou quando o Katsuki te chamou pra sair pela primeira vez!

— Sim, e se me lembro bem, você me ajudou muito. Segundo você: “ele te chamou pra sair sabendo como você é e gostando de você assim.”

— Eiji... Gosta de mim? — A menina rosa arregalou os olhos.

— Puta que pariu! Você acha que ele te chamou por quê?

— O que a convivência com o Sr. Explosivo não faz, ein.

— Foi isso que você pegou do que acabei de falar?

— Não, desculpe... Eu só... Não sei, não parece que ele gosta de mim. Não de um jeito a mais.

— Não vejo outros motivos para ele te convidar pra sair justo no Dia dos Namorados. — A morena se levantou, voltando a procurar roupas no meio da bagunça do quarto.

— Você acaba de me deixar mais ansiosa...

— Não fique. Como eu disse, ele te conhece e gosta de você assim. Não se preocupe demais, Mina. Apenas seja você.

— Certo, eu vou tentar.

— Ótimo! — a morena sorriu e apontou para algumas roupas. — Agora, que tal isso?

— Está lindo! — Mina bateu palminhas, animada. — Mas agora... E a maquiagem?

Ochako suspirou alto. Precisaria de mais um pouco de paciência.

A maquiagem até que não foi difícil, já que Mina optou por algo simples: delineador, rímel e batom nude, como estava na maioria das vezes e como sabia que Eijirou gostava, já que ele mesmo já havia lhe elogiado uma vez. Pensando bem, agora fazia sentido o elogio.

— Ok, eu tô pronta. — Mina respirou fundo.

— Boa sorte! — Ochako a abraçou. — Espero que seja ótimo. E vou querer saber como foi depois!

— Com certeza! — respondeu sorrindo.

A garota cor de rosa saiu do quarto confiante. Mandou mensagem avisando que estava pronta e já estava descendo. Ao chegar no térreo, percebeu que Eijirou já estava ali no sofá, sozinho e pensativo.

— Oi... — ela disse timidamente. A fala repentina o fez dar um sobressalto e a olhar. — Eu te mandei mensagem...

— Desculpa, eu não vi — ele respondeu igualmente tímido. Encarou a garota por alguns segundos. Ela estava ainda mais bonita do que normalmente, o que o deixava mais ansioso.

— Então... Vamos?

Os dois saíram lado a lado, andando em direção ao shopping próximo dali. O frio e a neve os faziam se encolher um pouco, apesar das roupas de inverno. Kirishima pensou em pegar na mão da garota, mas ficou na dúvida se seria uma boa ideia. Ashido, que apesar de também estar nervosa estava mais calma que o amigo, se aproximou e se agarrou ao braço dele. O ruivo com certeza corou, mas diria que foi por causa do forte vento frio que estava com a face vermelha.

Alien Queen estava entrando em desespero por não conseguir pensar em nada para falar, mas logo conseguiu pensar em um assunto aleatório, o que deixou os dois menos nervosos. E quando perceberam, haviam chegado ao seu destino.

— E agora pra onde? — ela perguntou assim que passaram pelas portas do shopping e chegaram ao imenso saguão, ainda de braços dados com o garoto.

— Eu acho que é para... Lá! — Ele olhava para os lados, tentando encontrar a direção certa. Esperava ter acertado.

E acertou. Assim que percebeu para onde Iam, Mina abriu um sorriso empolgado e começou a balançar o braço do garoto. Ela estava claramente feliz e Kirishima não pôde conter um sorriso aliviado. Precisava agradecer Ochako depois.

— Certo, aonde quer ir primeiro? — ele perguntou após pegar dois cartões para eles usarem em todos os brinquedos, os deixando amarrados em seus pulsos.

— Dançar! — respondeu animada, já o arrastando em direção ao simulador de dança.

— Tem certeza? É que eu não sou muito bom de dança...

— Não se preocupa! — Ela sorriu gentil. — O importante é se divertir, não é mesmo?

Kirishima tentou ficar calmo enquanto era arrastado pela garota. Sabia que ela com certeza iria querer dançar e ele acabaria passando vergonha, mas não achou que seria já logo no começo do encontro. Respirou fundo enquanto subiam no simulador e passavam os cartões. Seria o que Deus quisesse.

Ele deixou Mina escolher a música, até porque não tinha a mínima noção do que escolher. Uma melodia desconhecida começou a tocar e as setas começaram a aparecer na tela. Começou a pular junto com a alien ao seu lado, se esforçando para pisar nas setas no ritmo certo.

Mina pulava e rodava, claramente se divertindo. Sua risada era contagiante, na opinião de Eijirou, e o deixava mais relaxado. Realmente o importante era se divertir: ela se divertir. A música havia começado a ficar mais agitada e a garota estava se segurando na barra atrás de si, enquanto pisava com precisão nas setas que estavam mais rápidas. Eijirou bem tentou acompanhar e a imitar, mas segurar na barra não o ajudou em nada a conseguir pisar direito.

— Ganhei! — A menina deu pulinhos de comemoração ao acabar a música. — Vamos de novo!

— Calma! — Ele a segurou pelo braço, ofegante. — Muita calma. Podemos fazer outra coisa e voltar depois?

A garota riu baixinho, achando graça do desespero que o amigo se encontrava. Ela gostava tanto de dançar que às vezes se esquecia que nem todos tinham a disposição que ela para isso.

— Claro, sem problemas! — Ela desceu do simulador, dessa vez sendo arrastada para outra direção. — Ah, eu adoro isso também!

Kirishima parou em frente a uma pequena pista de carrinhos de bate-bate, entrando na fila com a garota. Não demorou muito e logo foi a vez deles. Os dois eram bons no brinquedo e o garoto não podia conter um sorriso ao ouvir a risada alegre da garota.

Mina se agarrou ao braço dele novamente quando saíram do brinquedo, à procura de mais diversão. Os dois passaram um bom tempo ali se divertindo, mas já estava ficando na hora de comer. O ruivo conferiu o relógio e, apesar de ainda estar cedo, achou melhor já irem para o próximo destino, afinal já sentia seu estômago reclamar.

Decidiram sair, mas o garoto foi interrompido de seu caminho quando sentiu um puxão pelo braço direito. Mina o arrastava até uma máquina que estava ali num cantinho perto da saída, que ele nem havia a visto antes. Pararam em frente à uma máquina alta com diversas pelúcias dentro. Havia ursos, cachorros, unicórnios, zebras e Kirishima jurava ter visto um tubarão também. Os olhos de Mina brilharam ao ver tantos bichinhos fofos juntos, colando as mãos e a testa no vidro numa tentativa de tentar ver tudo.

— Você quer um?

— Sério? — Os olhos dela brilharam mais ainda. — Consegue pegar um?

— Bom, eu posso tentar, né… Não garanto conseguir. — Ele passou o cartão e colocou-se a postos. — Qual você quer?

— Aquela zebra! — Ela apontou empolgada, dando dedadas frenéticas no vidro.

O ruivo assentiu e se concentrou nos movimentos que precisava fazer para a garra ficar posicionada no local correto, enquanto Mina estava com o rosto bem próximo, acompanhando atentamente. Quando ele achou que estava em um bom lugar, apertou o botão para a garra descer. Tudo parecia acontecer lentamente, mas na verdade foi até bem rápido. A garra desceu, fechou em volta da pata da zebra e subiu vazia, fazendo apenas com que a zebra se movesse pro lado. Mina soltou um muxoxo e Eijirou decidiu que não poderia desistir tão facilmente.

— Mina, fica ali do lado e veja quando a garra parece estar em cima da zebra.

— Sim!

Kirishima passou seu cartão de novo e ficou ainda mais determinado a ganhar aquele bichinho. Se concentrou em deixar na direção certa, pedindo que Mina o ajudasse a ver pela lateral também. Apertou o botão quando ela deu o ok, os dois novamente ficando na expectativa de conseguir. A garra pegou a pata da zebra de novo, mas subiu sozinha. Porém, perceberam um vultinho cair no buraco. Aparentemente, a garra trombou em algum bicho que estava ali ao lado quando subiu, e ele estava suficientemente na beirada para cair.

Eijirou franziu o cenho enquanto a garota se abaixava e pegava a pelúcia que haviam ganhado.

— Ah! Agora vou me lembrar mais de você! — Ela riu, colocando a pelúcia de tubarão ao lado do rosto do amigo.

— Acho que isso é bom, né?

— Sim, é ótimo! Eu amei. Obrigada, Eiji! — Mina abraçou o tubarão com um braço e enlaçou o outro no braço do amigo, dando um leve aperto enquanto sorria radiante.

O ruivo sentiu o coração falhar uma batida e só pôde pensar em como gostaria de causar esse sorriso mais e mais vezes. Pigarreou, tentando disfarçar a vergonha que estava começando a sentir, murmurando um “de nada” e a chamando para voltarem a caminhar em direção ao local onde jantariam.

Eijirou era muito cavalheiro e gostaria muito de perguntar à amiga o que ela gostaria de jantar, mas já havia se precipitado e reservado uma mesa para dois num restaurante perto do Heights Alliance. No momento em que ela aceitou, o restaurante lhe veio à cabeça e a reserva foi feita por telefone assim que voltou ao seu quarto. Sua sorte era que a maioria das pessoas deixavam as reservas de Dia dos Namorados para a última hora, então ainda havia algumas mesas vagas. E para a sua sorte, também, os dois eram melhores amigos e sabiam o que gostavam de comer — e ele tinha certeza absoluta que Mina iria gostar de lá, porque ela já havia falado do local diversas vezes desde que ele havia aberto.

— Eiji, a praça de alimentação é para o outro lado.

— Eu sei, mas não vamos comer aqui.

— Ah, não? Aonde vamos? Não me deixe curiosa!

— É uma surpresa. Mas vai ser especial e tenho certeza de que vai gostar!

— Eijiiiii — ela resmungou manhosa. — Não se faz essas coisas com sua melhor amiga!

— Desculpe, Mina. Mas você já vai descobrir, não se preocupe.

Os dois caminharam alguns quarteirões e logo chegaram ao destino: um pequeno restaurante em estilo romântico. Uma fila começava a se formar na calçada, daqueles que haviam se esquecido de fazer uma reserva com antecedência e esperavam um lugar milagrosamente aparecer. Eijirou sorriu internamente, agradecendo por ter sido esperto o suficiente de ter pensado nisso antes.

— Ah, é aquele restaurante fofo que eu te falei uma vez! — ela exclamou feliz, mas logo murchou ao ver a fila. — Mas não vamos conseguir entrar com todas essas pessoas.

— Espere e verá. — Ele deu um sorriso confiante, a guiando para dentro do estabelecimento.

Uma recepcionista simpática estava logo ali no hall de entrada, direcionando as pessoas e pedindo que a maioria esperasse pois estavam cheios.

— Boa noite — ela os cumprimentou sorrindo. — Estamos cheios hoje. Vocês têm reserva?

— Boa noite. Sim, temos reserva para às 19h. Está no nome de Kirishima Eijirou.

Mina arregalou os olhos, enquanto a moça procurava pelo nome em sua lista. Ela logo fez um risco de caneta ali e apertou um botão ao seu lado, chamando uma atendente.

— Chegaram um pouco antes, Kirishima-san, mas nós já estamos com sua mesa preparada. Ela lhes levará até lá. — A moça apontou para a atendente ao seu lado.

— Obrigado.

O casal seguiu a atendente, passando por outras mesas com casais apaixonados. O restaurante já tinha um estilo romântico, parecido com um bistrô, e estava ainda mais romântico com a decoração. Corações vermelhos de diversos tamanhos enfeitavam uma parede de madeira ao fundo, as mesas estavam decoradas aleatoriamente com pequenas velas ou vasinhos com arranjos de rosas vermelhas e brancas. A música era suave e deixava o clima agradável para declarações de amor e pedidos de casamento.

A mesa dos dois estava mais ao fundo, perto da parede de corações. Acomodaram-se um de frente para o outro, com algumas velinhas no meio deles.

— Aqui está o cardápio. Aproveitem o jantar. — Ela curvou-se levemente e saiu.

Mina o encarava com aqueles olhos exóticos, os deixando transparecer o quanto realmente estava gostando de estar ali com ele. Era como se ela sorrisse com os olhos, de uma maneira que o fazia se perder na imensidão e beleza deles. Ah, se ele soubesse quão feliz ela realmente estava naquele momento. O coração dela batia mais feliz, se é que isso é possível. Todos os seus sentidos lhe gritavam em alto e bom som o quanto Eijirou era especial para ela. E teria como não ser? Ele a convidou pra sair, a levou pra passear e depois a trouxe para jantar em um restaurante que ela queria faz tempo — e que ele havia se lembrado que ela queria.

— Que tal escolhermos a comida? — Seus pensamentos foram cortados pela fala do garoto, a fazendo voltar para a realidade.

— Ahn? Ah, sim. Claro! — Ela sentiu as bochechas pegarem fogo e tentou se cobrir com o cardápio.

— Boa noite! — Uma garçonete se aproximou sem que eles nem percebessem, curvando-se educadamente. — Sou Misaki e vou atendê-los essa noite. Já gostariam de fazer o pedido?

— Sim, por favor.

Os dois fizeram seus pedidos e a garçonete retirou os cardápios, deixando a alienígena sem lugar para esconder a vermelhidão de seu rosto. Ela sorriu sem graça para o melhor amigo, que retribuiu. Eijirou também se sentia envergonhado agora que estavam com todo aquele clima romântico, pensando em quão óbvio estava sendo e sentindo um frio na barriga. E se ela percebesse e resolvesse sair e lhe deixar ali? Não, Mina nunca faria isso. Ela era gentil e legal demais para fazer isso. Conhecia sua melhor amiga mais que todos.

— Então... Você... Gostou? Eu lembrei que você queria muito vir.

— Sim, eu gostei muito. — Ela sorriu tímida. — Obrigada, Eiji. Fiquei feliz de ter lembrado que eu queria vir aqui.

— Que bom. — Ele suspirou aliviado, sentindo uma tensão que nem havia percebido antes sair de seus ombros e sorrindo, mostrando todos os seus dentes pontiagudos. — Eu não me esqueço do que você gosta e me pede.

Um silêncio confortável se instalou entre os dois, enquanto se encaravam olho no olho. Ambos os corações batendo rápido, as mãos suando de nervoso e as borboletas dando voltas e cambalhotas no estômago. Não demorou muito para os pedidos chegarem e eles conseguirem começar uma conversa agradável sobre a escola e banalidades. Mina não se lembrava de já ter se divertido assim antes. Não seria mentirosa de dizer que nunca saiu com um garoto, assim como sabia que Eijirou já havia saído com outras garotas.

Cada risada que Mina soltava, Eijirou sentia que gostaria de ouví-la assim pelo resto da vida. E cada sorriso que Eijirou lhe lançava, Mina sentia que poderia se perder ali pela eternidade. Não saberiam dizer se era por já serem melhores amigos, mas a conversa fluía com facilidade, apesar de estarem um pouco envergonhados no começo. Seus gostos eram muito semelhantes, o que ajudava na conversa também.

— E aí o Denki entrou em curto circuito, tipo literalmente. — O ruivo riu alto, sendo acompanhado da amiga. — Eu tive que carregar ele pelos ombros até a enfermaria.

— Eu sei que o Denki tende a exagerar pra se exibir pra Kyouka, mas não achei que fosse tanto. — ela sorriu e ficou o encarando. — Oh, Eiji, tem uma... Peraí.

Mina havia percebido que o amigo havia se sujado um pouco com a comida e pensou que não teria nada demais em ajudar. Sabia que demoraria mais se ficasse tentando indicar para ele onde estava, então decidiu apenas esticar sua mão com um guardanapo e limpar o canto da boca dele. Eijirou paralisou alguns instantes, os olhos arregalados e a vergonha tomando conta de todo o seu rosto. A garota percebeu que havia sido mais estranho fazer do que havia pensado, então logo voltou o braço para perto de si.

— Desculpe, é que... Tinha um... — Ela apontou para a própria boca. — Tava sujo, achei que... Desculpe.

— Não, sem problemas...

O tempo passou mais rápido do que gostariam. Nenhum dos dois chegou a tocar no assunto de se gostarem durante o jantar, mas estava nítido o clima que emanava deles. Eijirou criou coragem e pegou na mão de Mina ao saírem do restaurante, andando calmamente de volta ao Heights Alliance. A menina apenas sorriu, apertando de leve suas mãos.

Estavam chegando ao prédio e Eijirou começava a ficar ainda mais nervoso. O encontro estava no fim e não havia nem ao menos conseguido se declarar para a garota que gosta!

— Mina — ele a chamou de repente, parando de andar antes que entrassem no prédio, fazendo a garota parar também com um pequeno tranco. — Eu queria... Podemos conversar um pouco antes de entrar?

— Claro! — Ela sorriu, mas por dentro estava um pouco nervosa. Tinha uma pequena ideia do que poderia ser a conversa e isso a deixava ansiosa.

Os dois estavam parados frente a frente, com as duas mãos dadas e os corações acelerados. Era agora ou nunca. Eijirou usaria o resto de sua coragem para prosseguir.

— Então... Eu... Eu gosto de você. Não como um melhor amigo... Quer dizer, não apenas como um melhor amigo. Eu amo tudo em você, desde seu cabelo rosa até sua risada contagiante. Gosto do seu senso de humor, porque se parece com o meu. E gosto de ser seu amigo de chifres. — Ele riu e ela acompanhou. — Mas eu... adoraria se pudéssemos ser o casal de chifres.

— Oh! Eiji... — Ela arregalou os olhos, sem saber ao certo como reagir. Esperava uma declaração, mas não um pedido de namoro indireto.

— Eu gosto muito de você, Mina. Muito mesmo. Eu posso não ser a pessoa mais incrível que conhecemos, mas eu vou me esforçar muito pra ser o melhor pra você, pra te fazer sempre feliz. Tudo o que eu mais quero é poder te fazer sorrir todos os dias e te dar o meu amor. Você... aceita?

— Essa foi a coisa mais linda que já me disseram, Eiji... E pode acreditar quando eu digo que você é sim uma das pessoas mais incríveis que eu conheço. Eu vou ser sincera que estava na dúvida se o que eu sentia por você era só aquele amor de amigos ou se estava mudando. Eu sentia que tinha algo diferente, mas não conseguia perceber direito. E desde que você me chamou para sair eu venho pensando nisso. E o encontro de hoje... Pode ter certeza que ele só me ajudou a perceber que sim, eu com certeza gosto muito de você como algo a mais que apenas meu melhor amigo. Então sim, eu quero sim! Mil vezes sim!

O garoto sorriu, aliviado e feliz. Ele fechou o curto espaço que tinha entre os dois, selando seus lábios em um beijo calmo e amoroso. Ambos achavam impossível ter maiores confirmações de que estavam mesmo apaixonados um pelo outro, mas o beijo mostrava cada vez mais que sim. O formigamento que sentiam dentro de si, os corações acelerados, aquela sensação de que não tem lugar melhor e mais seguro do que ali nos braços um do outro... Nenhuma das outras pessoas que já haviam beijado lhe trouxeram essas emoções. A cada toque que suas línguas davam, parecia que sentiam o seu interior se revirar em alegria.

Separaram-se devagar, aproveitando cada segundo de contato que podiam. As respirações estavam um pouco pesadas e os sorrisos eram inevitáveis. Ficaram se encarando por alguns instantes, até o ruivo abaixar a cabeça enquanto enfiava a mão no bolso da calça.

— Eu tenho uma coisa pra você.

— Eiji! Não precisava gastar mais comigo. Já não me deixou pagar minha parte no restaurante.

— Acostume-se a ser mimada. — Ele deu uma piscadela, tirando uma caixinha do bolso. — Sei que não gosta muito da ideia de anéis de compromisso, então...

Ele estendeu a caixinha para Mina, que a pegou prontamente. Olhou-o desconfiada e abriu, revelando um colar com um pingente de coração bem delicado. Ela sorriu, afinal ele realmente a conhecia bem o suficiente para saber que ela iria amar o presente.

— Eu amei, Eiji! Pode colocar em mim? — Ela se virou de costas para ele, estendendo a caixinha para que ele pegasse o colar.

Ele fechou o acessório na nuca da sua agora namorada, que virou-se novamente de frente pra ele. Ela sorriu, aquele sorriso radiante que ele tanto amava, e o beijou. Dessa vez foi mais intenso, com maior urgência. Ela passou os braços ao redor do pescoço dele e ele a segurou firme pela cintura, tentando a trazer para mais perto.

Ficaram com as testas coladas e sorrisos bobos e apaixonados, até ouvirem o sinal do toque de recolher. Era possível ouvir a voz de Iida ao fundo, mandando todos irem aos seus respectivos quartos de forma ordenada e eficaz, o que os fez rir do lado de fora.

— Acho melhor entrarmos — ela sussurrou, mas não moveu nem um músculo.

— Sim. Antes que o Iida venha buscar a gente aqui fora.

Em um esforço muito grande, conseguiram se soltar, entrando no prédio de mãos dadas e caminhando juntos até onde era permitido.

— Boa noite, Eiji. — Ela lhe deu um selinho.

— Boa noite, Mina— Ele lhe deu outro e um abraço amoroso.

Direcionaram-se para suas respectivas alas com um enorme sorriso no rosto.

Deitaram-se em suas camas ainda bobos pelo que tinha acabado de acontecer. Sentiam-se aquecidos por dentro e acreditavam que haviam finalmente encontrado a pessoa com quem seriam felizes pelo resto de suas vidas.

Ah, se soubessem que estavam totalmente corretos.

Notas finais
Primeiramente: Misaki não trabalha mais num maid café. Pegaram a referência? Se não, fiz a garçonete pensando em em Kaichou wa maid-sama. Eu fiz o encontro pensando naquelas lojas de shopping que tem brinquedos, sabem? Tipo Playland. Aqui onde moro tem umas outras e eu adoooooro brincar lá e pegar bichinhos! Sim, eu já consegui pegar várias pelúcias de máquinas, inclusive um tubarão, mas acho que ele ficou pro meu cunhado :’) Ah, e eu sei que no Valentine’s Day deles são as garotas que dão algo e os garotos retribuem no White Day, mas eu fiz a fic assim na época, porque não conseguiria escrever uma pro White Day também (cofcof tava perto de me casar cofcof). E é isso! Feliz dia dos namorados!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!