Notas iniciais
Desculpem a demora, quando a gente viaja tudo fica bagunçado, né? Espero que gostem e não esqueçam de conferir as notas finais, pois lá colocarei um questionário que eu gostaria muito que todos respondessem! *-*

Kenna

Era uma vez, em um mundo tão, tão, distante, eu gostava de usar vestidos. Gostava daqueles compridos, floridos, que esvoaçavam ao vento. Sentia-me maravilhosa, parte da realeza com uma vestimenta daquelas. Com o passar do tempo, porém, descobri que preferia um velho e simples par de shorts jeans.

Naquela noite, porém, eu estava novamente me sentindo maravilhosa com o fino tecido azul claro que me cobria. Simples, mas comprido como eu antigamente gostava, cobria-me de meus seios até os tornozelos, onde encontravam um par de sandálias adornadas com pequenas pedrinhas de cor turquesa. Era um traje que eu havia praticamente esquecido que possuía, já que nunca mais havia o usado. Contudo, senti que naquela noite em específico eu deveria desenterrar roupas como essas, nem que fosse apenas por um curto período de tempo.

Já fazia algum tempo que Maxwell tinha invadido a alcateia, e também que Aidan tinha exterminado sua miserável existência. Eu já estava completamente curada, assim como todos os outros lobos que tinham se ferido. Aidan havia comunicado a um dos filhos do Letum sobre a situação. Aparentemente o Letum não estava mais atendendo ao seu próprio telefone, mas Aidan não parecia surpreso e nem aborrecido com isso.

Rebecca estava melhor. Não estava completamente curada do ataque que sofreu, mas estava lidando surpreendentemente bem com a situação. Já conseguia interagir comigo normalmente, talvez por eu ser uma fêmea como ela não parecer tão ameaçadora, apesar de dividirmos dominância. Com os lobos submissos ela também já conseguia passar tempo, tendo voltado a demonstrar os claros sinais de seu real posto na alcateia por sempre querer estar perto deles e protegê-los. Eu sabia que, se o Letum permitisse e mudasse as regras de hierarquia, eu e Rebecca disputaríamos o posto de Beta, Segundo em Comando. Mas isso era algo distante ainda. Independentemente, Becca se importava com eles como se já ocupasse o cargo.

O problema ainda era os três lobos mais dominantes: Connor, Trevor e Aidan. Ela conseguia passar tempo com os outros dominantes, mas com esses três nunca passava sozinha. Ela estava melhorando, isso sim, mas precisava se forçar a encarar Connor ou Trevor nos olhos. Nenhum dos dois parecia nada confortável com a situação, pois queriam que a Becca não os visse como predadores ou ameaças, mas as marcas do que Maxwell fez com ela ainda não estavam totalmente curadas.

Agora, seu comportamento com Aidan era um mistério. Desde o começo ela havia se apegado a ele, pois via nele sua única forma de proteção. Aidan era seu salvador, aquele que a havia vingado e que a ajudava, a cada dia, a queimar toda sua frustração. Porém, sempre que eles voltavam do dojô em que iam para treinar, Becca parecia mudar e até mesmo se tornar outra pessoa. Ela não passava tempo com ele, não sozinha, exceto nas idas e vindas do dojô. E Aidan percebia, é claro que percebia. E sofria.

Eu não tinha a mínima ideia do que acontecia entre os dois, mas tinha certeza de que todos na alcateia queriam, tanto quanto eu, saber.

Suspirei para meu próprio reflexo, vendo a cor dos meus olhos mudarem por uma fração de segundo enquanto minha loba nos admirava. Estávamos muito bonitas.

Saí pela porta do que era provisoriamente meu quarto. Tinha acabado de anoitecer e a casa estava tomada pela leve penumbra, já que nenhum lobo tinha tido a ideia de acender nenhuma das luzes ainda. E não havia motivo, visto que estavam todos apenas me aguardando para sair.

— Fiu fiu, novinha – Becca brincou ao me ver fechar a porta.

Saía de seu próprio quarto, do outro lado do corredor. Carregava uma pequena mochila cheia de coisas. Eu havia esquecido. Rebecca estava de saída. Sua casa, que como me contaram havia sido destruída pelos próprios lobos dessa alcateia, já estava a tempos arrumada. Estavam todos só esperando Becca estar pronta ela mesma para retornar ao seu lar. E parecia que agora estava.

— Fiu fiu para você também. – Pisquei para ela, flertando de brincadeira, absorvendo a imagem de Rebecca com um short camuflado e uma regata preta simples que, sabia ela ou não, acentuava bastante seus seios. Roupas que eu normalmente gostaria de usar, mas, como eu havia escolhido, havia deixado de lado ao menos por uma noite. – Vai direto pra casa depois da corrida?

Ela sabia a qual casa eu estava me referindo.

— Vou – respondeu com um sorriso, certamente ansiosa para voltar para seu próprio canto.

Eu lamentava, pois nesses tempos aqui na casa do Alpha eu e ela tínhamos nos tornado bastante íntimas. Passávamos as tardes juntas enquanto ela me ajudava a procurar emprego e ela aproveitava o resto de sua licença médica. À noite, enquanto os meninos não chegavam para jantar, assistíamos televisão ou saíamos nós duas juntas. Algumas noites até mesmo jantávamos só nós duas e Aidan, o que era um pouco constrangedor para mim, tendo em vista o clima estranho que circulava os dois.

— Finalmente vou, ainda mais que Aidan gentilmente terminou todas as revisões do carro. – Aidan havia dado um sedan novo para ela, pois aparentemente tinha pulado e destruído o capô de seu antigo veículo.

— Vou sentir saudades de passar o dia inteiro com você – confessei. Não pude deixar de demonstrar meu carinho. Na alcateia de Joe eu não tinha desenvolvido nenhuma amizade verdadeira, e certamente não com nenhuma das fêmeas. Nem mesmo com Corrie, que era tão amiga de Rebecca.

— Ah, não fique assim, Kenna. – Veio até mim e afagou meus braços, abraçando-me levemente. – Apareça sempre que quiser. Se quiser, tente convencer o Aidan de que você quer se mudar para minha casa. Caso não queira procurar um lugar só seu, podemos dividir as contas.

— Irei pensar nisso. – Sorri, passando a mão de forma carinhosa por suas costas.

— Não esquenta. – Ela riu. – Eu sei que é difícil dizer adeus a essa casa maravilhosa. Não irei culpá-la se preferir ficar aqui do que dividir minha pequena casa comigo.

— Um pouco você tem razão – provoquei-a. – Aqui as chances do Trevor aparecer para fazer o café da manhã são bem mais altas. Não sei se estou preparada para abrir mão disso.

Nós duas rimos e descemos as escadas até a sala embaixo. Quase todos os meninos já nos aguardavam, os poucos outros que faltavam iriam nos encontrar na floresta próxima ao aeroporto, que descobri ser a floresta favorita de Rebecca. Aidan era o único que não estava sentado no sofá, estava apoiado na parede ao lado da escada, espiando a TV com uma lata de Pepsi já no final em mãos.

— Preparada, Kenna? – perguntou-me com a voz suave. Não esboçava um sorriso, mas seus olhos brilhavam o suficiente para eu saber que ele também estava ansioso como eu.

— Mais do que nunca.

— Então vamos. – Tomou o resto de sua bebida e moeu a lata na mão, fazendo-a ficar muito mais compacta para se jogar no lixo reciclável.

Os meninos passavam por mim e faziam algum tipo de leve carícia ao irem para seus carros. Era não somente um sinal de aceitação, mas de apoio. Queriam que eu fizesse parte da família deles e eu não poderia estar mais grata por nada.

Ao chegarmos na floresta, esperamos pouco tempo para os poucos outros, que estavam vindo do trabalho, chegarem. Becca pediu para todos nós nos agruparmos para ela tirar uma foto e todos fizemos sem hesitar. Caminhamos como humanos até uma bela clareira e, ao ver os meninos se movimentando para se posicionar, eu sabia que seria nesse local que iria começar.

Todos os dez lobos fizeram círculo envolta de mim, eu posicionada justamente no centro de todos. A maioria sorria, mas alguns já estavam tão focados no que viria a seguir que apenas me contemplavam com seus olhos mudados, olhos lupinos. Uma leve brisa começou a ventar, sinal claro de que o tempo estava mudando para chuva, mas Aidan não parecia ligar. Chamou-me para perto dele.

Eu sabia o que viria e já conseguia sentir sua energia lupina dominando a todos nós naquela clareira, o ar carregado com a essência do que era Aidan. Ele levou o próprio antebraço à boca e, com um movimento rápido e calculado, mordeu-se. O canto de sua boca se levantou em um sorriso para mim, divertindo-se tanto quanto eu com a selvageria da cerimônia. Seu próprio sangue escorria pelos cantos de sua boca e pude ver seus caninos afiado reluzirem contra a luz da lua. Lua cheia.

Aidan me chamou com o braço saudável para vir até ele. Olhei de relance para Becca e para os outros, mas todos olhavam fixamente para seu Alpha. Alpha que, em poucos segundos, também seria meu.

Dei os últimos passos que nos separavam e peguei o braço de Aidan em minhas mãos. Fiquei um tempo apenas olhando para o ferimento, o sangue escorrendo sem piedade da enorme mordida que Aidan certamente só conseguiu fazer graças a seus poderes de lobisomem.

— Prove de meu sangue, Kenna, e torne-se minha. – Levantei meu olhar para o dele. – Prometo que farei de tudo para honrar sua decisão de fazer de mim seu Alpha.

Respirei fundo e aproximei seu braço de minha boca. O cheiro metálico de seu sangue impossível de ignorar. O gosto de seu sangue era tão metálico quanto o cheiro, mas não consegui ficar no mundo terreno tempo o suficiente para identificar outro sabor.

Com seu sangue em meu sistema, já comecei a sentir as mudanças principais. Minha loba acordando totalmente, reconhecendo e aceitando Aidan como nossa autoridade e protetor. Uma tremenda ligação entre eu e todos os outros dez lobos se formou, laços que só seriam quebrados se eu renegasse meu Alpha, ou se um deles morresse. Família.

Abri meus olhos para encarar o céu estrelado, suspensa em nada além do próprio ar. Era aquele pequeno momento em que nos reuníamos no mundo espiritual, apenas nossos espíritos lupinos correndo juntos sob os céus.

O lobo de Connor foi o primeiro a me achar, pulando de alegria e logo depois esfregando-se em mim em uma espécie de abraço. Logo em seguida vieram Spencer e Liam, e depois desses dois todo o resto. Bexi corria euforicamente ao meu redor, a língua solta em um claro sinal de completo contentamento.

Mas o ar ficou mais denso nessa outra dimensão quando as patas pesadas de Aidan se fizeram notar. O lobo enorme e de coloração marrom-avermelhada aproximava-se lentamente, imponente como nenhum outro. Quando finalmente chegou até mim, todos os lobos já tendo se afastado, abaixei-me para ele poder encostar seu focinha em minha testa humana e, como se isso fosse um sinal, flutuei cada vez mais alto até achar que poderia tocar nas estrelas.

A transformação veio, mas as dores eu quase não sentia. Uma nova alcateia, uma alcateia tão unida e em tanta harmonia, fazia minha transformação não doer quase nada. Havia apenas certo desconforto, e eu sabia que esse só iria se dissipar quando e se eu acasalasse. Mas já estava tudo mais do que bom. O que mais eu poderia pedir, senão uma alcateia que me deixasse ser eu mesma, que me tratasse com dignidade sem eu ter que me submeter a um macho para consegui-lo?

Desci até o terreno onde todos estavam agora como loba e pronta para correr. Aidan sorriu para mim, meus pelos se arrepiando, e empurrou-me para correr atrás de meus novos irmãos.

Pisquei meus olhos algumas vezes ao perceber que havíamos retornado ao mundo terreno. Becca desfez o círculo quase que de imediato, abraçando-me forte. Quem diria que aquela que eu enfrentei, achando que queria roubar meu maldito ex-namorado, seria uma amiga tão importante para mim? Amiga não, definitivamente irmã. Esmagando minha nuca contra seu próprio pescoço, embaraçou todo meu cabelo antes de se afastar. Besta.

— Rebecca! – reclamei.

— Vai ter que me pegar se quiser se vingar! – provocou, já se virando de costas para todos e tirando seu short.

Ao vê-la apenas de calcinha, instintivamente virei meu olhar. Os outros lobos vinham aos poucos me abraçar ou demonstrar afeto de qualquer outra maneira, mas consegui ver Aidan espiando a moça enquanto ela sofria em tirar a regata, enroscando a gola no cabelo. Os olhos negros dele de repente encontraram os meus e, naquele instante, compreendi tudo.

Aidan abaixou seu olhar no mesmo segundo em que ele percebeu que eu havia visto, e apenas se aproximou de mim para colocar um beijo desajeitado em minha testa. Becca e os outros todos já estavam como lobos, já entraram na floresta, então segurei seu braço por um instante, chamando sua atenção.

Relutante, Aidan encontrou meu olhar e, quando franzi o cenho para ele, ele apenas deu de ombros.

— Não posso fazer nada. Nem sempre sou eu que faço essas coisas. – Como minha expressão certamente demonstrava confusão, ele explicou. – Meu lobo não consegue se conter, e fica martelando em minha mente até eu obedecê-lo.

— Ah – falei simplesmente, sem saber ao certo o que falar. Soltei seu braço então, para podermos nos juntar e eu poder realizar minha primeira caçada com meu novo Alpha.

—x-

Era final de semana e todos os lobos já estavam na casa do Alpha. Aos sábados nós normalmente saíamos em grupo, quem já não tinha compromisso, ao menos. Aos domingos, era praticamente mandatório todos arrumarem um tempo para jantar na casa de Aidan. Não era um costume de todas as alcateias, mas Aidan parecia gostar e, honestamente, eu também.

Desde minha indução à alcateia, eu gostava cada vez mais de passar tempo com todos eles. Antes eu já gostava deles, mas agora era gratificante de uma forma totalmente nova. Era como se eu soubesse que tudo ficaria bem. Mesmo se eu estivesse totalmente machucada, sem qualquer fonte de água ou comida, eu sabia que tudo ficaria bem desde que meus irmãos estivessem comigo. Minha vida nessa nova alcateia era assim.

Estávamos jogados pela sala, alguns na cozinha ajudando, alguns na mesa de jantar jogando truco. Estávamos apenas esperando o grande prato de rondelli que Trevor estava fazendo ficar pronto e Rebecca chegar.

Becca era a única que faltava, mas todos sabíamos o que ela provavelmente estava fazendo. Era o último dia dela antes de ela voltar a trabalhar dando aula de música e ela estava preocupada. Preocupava-se, pois, achava que seu chefe poderia não ter gostado de sua ausência prolongada, seja por qualquer motivo que fosse. Temia ser mandada embora, e não havia exatamente uma enorme procura por professoras de violão em Columbus. Portanto, tinha passado os últimos dias entocada dentro de sua casa praticando e, nas palavras dela, “desenferrujando” suas habilidades.

Justamente por isso, e todos compreendíamos, não estávamos preocupados com a demora de Rebecca. Ela chegaria atrasada, provavelmente, mas ela precisava mesmo priorizar sua carreira.

— Merda.

Todos nos entreolhamos ao ouvirmos o xingamento vindo do escritório de Aidan, que ficava logo do lado da sala. Eu estava deitada em um dos novos sofás que o Alpha havia comprado, quando vi ele chegar pelo corredor. Endireitei-me. Aidan não era de falar muito palavrão.

— Trevor – chamou o moreno. – Tem como você abaixar a temperatura do forno um pouco? Preciso falar com vocês. Com todos. E não acho que queriam comer massa queimada.

Pelo tom de voz dele, percebi que ele não estava mal-humorado, mas eu não conseguia sequer pensar sobre o que o estava afligindo tanto.

— Consigo sim, Aidan. Só um minuto.

— Enquanto isso, quero que todos venham aqui para a sala – ordenou e eu me sentei reta no sofá, dando espaço para outros se sentarem de cada lado meu.

O pessoal que estava na mesa largou as cartas e vieram até nós, os que estavam na cozinha vieram assim que Trevor conseguiu arrumar todas as coisas por lá. Com os seus lobos reunidos, exceto por Rebecca, esperávamos Aidan conversar sobre seja qual fosse o assunto que estava levando ele a xingar por aí.

— Não é fácil para mim falar o que pretendo falar agora, mas é algo que vem me incomodando há muito tempo e preciso deixar claro. Alguns de vocês devem até ter percebido já, mas preciso deixar isso o mais claro possível, ao menos para minha própria alcateia.

— Não acha melhor esperar a Rebecca chegar? – indagou George, mas Aidan apenas olhou para o submisso com uma expressão divertida.

— Eu acho que isso seria uma péssima ideia.

Connor, que tinha sentado ao meu lado, deu uma risadinha contida. O que tinha de engraçado nisso? Por que Aidan queria excluir Rebecca disso? Ela tinha tanto direito quanto qualquer um aqui de ouvir o que Aidan tinha a dizer.

— Já faz tempo que tomei essa decisão – explicou. – Mas infelizmente fico esperando o momento certo e acabo não agindo como queria. Por isso meu lado animal está me infernizando desde o dia em que tomei a decisão e, talvez para apaziguá-lo ou apaziguar a mim mesmo, vim aqui deixar claro como cristal meu posicionamento para vocês, os únicos lobisomens nesse território.

Todos ouvíamos atentamente. Pelo olhar de alguns, como Connor ao meu lado, percebi que eles já desconfiavam do que se tratava, mas eu estava totalmente confusa e não era a única.

— Quero deixar claro que não estou aqui para mostrar que desconfio de nenhum de vocês. Mas meu lobo acha certo eu fazer isso, acha que eu devo, então farei. Mesmo que você esteja aqui, Kenna. – Arregalei meus olhos ao ouvir meu nome, olhando para os olhos negros de Aidan. – Não tenho como saber sua sexualidade ao certo e, honestamente, não é de minha conta.

— O-o quê? – Tossi.

— Não esquente. – Aidan riu. – Acontece que eu tenho novas intenções. Novas intenções em relação a certa pessoa.

— Ah não, Alpha. Não acredito que esse dia chegou. – Clayton levantou e, com uma risada, deu dois tapinhas nas costas de Aidan. – Eu sabia que quando aquela boneca entrasse na alcateia ela iria mudar tudo. Só não sabia que seria isso.

— Clayton – Aidan advertiu com uma voz que não era inteiramente sua. – Se eu já te falei antes para não chamá-la disso, agora realmente fará mal à sua saúde se persistir.

— Bem, dessa vez prometo obedecer então. Puxa, vou ter que dizer adeus ao especial apelido que dei à Becca.

— O que isso tem a ver com a Rebecca? – forcei-me a perguntar. Eu não aguentava mais esse conhecimento escondido que os lobos tinham, enquanto eu e os outros poucos que não entendíamos ficávamos de fora.

— Tem tudo a ver, querida Kenna. Tudo. – Clayton deu-me um olhar sugestivo e voltou a se sentar em seu lugar de antes.

Aidan respirou fundo, mas parecia farto de seus tormentos internos e pronto para soltar o que tinha para contar.

— Daqui para a frente, eu não quero nenhum de vocês sequer olhando torto para Rebecca. Se um de vocês implicarem com ela, terão de responder a mim. Qualquer atitude, qualquer frase que eu identificar como sugestiva, vocês também terão de responder a mim. Por enquanto Rebecca ainda não sabe, quer dizer, a menos que tenha prestado atenção mais a fundo em minhas ações, mas creio que esse não seja o caso. Entretanto, até ela explicitamente me dispensar, eu considerarei um desafio pessoal qualquer homem ou mulher, lobo ou não, que tentar dar alguma investida nela.

Todos prendemos nossas respirações ao captar e realmente entender as palavras de nosso Alpha. Eu nunca havia presenciado isso, apenas ouvira falar e, antigamente, secretamente desejava que Maxwell um dia fizesse isso comigo.

— Estou avisando-os agora, uma única vez, que eu reivindico Rebecca.

Ficamos em silêncio por alguns momentos, esperando para ver se ele tinha mais alguma coisa a dizer. Por fim, Trevor desencostou-se da parede em que havia se apoiado e soltou uma baixa risada.

— Boa sorte com ela, Aidan. Conhecendo o jeito dela, acho que ela não ficará muito feliz em saber que você fez isso.

Aidan suspirou e relaxou sua postura, um sinal para Trevor e os outros voltarem à cozinha e que todos estávamos liberados.

— É, eu sei. – Passou a mão por sua nuca e sorriu. – Ao menos meu lobo está menos inquieto agora que todos os lobisomens das proximidades sabem. Talvez ele me dê um pouco de sossego agora.

Notas finais
Espero do fundo do coração que tenham apreciado esse capítulo! Tenho que pedir para vocês responder um rapidíssimo questionário sobre Dominante e a possibilidade da história virar livro!!! Peço que, por mais que vocês sejam fãs da fanfic, que respondam com HONESTIDADE todas as perguntas, pois é muito importante para eu saber o que vocês têm a dizer! https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSdyWLcXfRypjvSCjPn6JVATOuBxWdJDAEZ4feMD1iBmcIbXaA/viewform?usp=sf_link Muuuito obrigada! Se possível, repassem esse questionário para seus conhecidos e amigos que leem ou já leram Dominante e Valente!