Notas iniciais
Olá pessoas eu realmente demorei um pouco e eu sinto muito por isso, eu acabei tendo um final de semana cheio e preguiça de revisar o capitulo até por que ele ficou LONGO então me desculpem e bora pro cap ^^ Boa leitura ♥

Um dia no palácio

Eu acordei no dia seguinte com Caliel me sacudindo levemente, eu nunca tive um sono realmente pesado e ela era bem delicada, eu não sonhei naquela noite apesar de toda a confusão, o que eu achei algo extraordinário já que ontem foi um dia...incomum digamos...

— Acorde borboletinha...nós precisamos fazer algo antes do nosso trabalho...

— A é??

Eu a olhei de certa forma confusa, por que afinal seus olhos estavam fixos nos meus cabelos??...Oh não...não me diga que...

— E-Eu gosto dos meus cabelos assim...

— Mas minha flor de Elanor você precisa cortá-los...o rei vai ficar uma fera se não o fizer...e não vai gostar dele quando irritado ele é assustador!!

Ela dizia com uma sombra em seus olhos...como se já tivesse o visto assim, eu imagino como deve ser...afinal se ele já é aterrorizante normalmente imagine quando está com raiva!!...eu vejo que não tenho muitas opções...

Eu suspirei e então a olhei com uma cara emburrada.

— Ok...se não tenho opções...mas eu gostaria de escolher como ele ficará se não se importa.

— Oh claro!! Não se preocupe...eu até manteria ele longo para você é só pentearmos e talvez cortar as pontas...fazer algo para deixá-los brilhantes...

— Bom...eu gostaria que não cortasse se for possível...

— Bom eu posso fazer isso...mas você vai ter que sair da cama primeiro Hihi...

Eu sai da cama com muita preguiça, fazia tanto tempo que eu não dormia em uma cama de verdade e macia...por mais difícil que seja eu preciso sair da cama de qualquer forma, eu segui Caliel até as banheiras e lá havia muitas coisas espalhadas no chão, eu a olhei questionando sobre aquilo e nem precisei abrir minha boca pra falar algo...

— Eu não sabia o que você queria então peguei o máximo de coisas que vieram a minha mente...pode vir aqui e relaxar...sente e se quiser podemos por uma venda em seus olhos!! Assim vai ser uma surpresa muito agradável...

Ela parecia tão animada que eu não poderia me sentir menos animada que ela, afinal eu estava em uma nova situação...do que adiantaria me lamentar por estar no castelo ou ficar presa como apenas uma serva comum?? Eu não quero estar desanimada no meu primeiro dia de “trabalho”...

— Bom eu acho que fechar os olhos vai me dar uma perspectiva melhor...

— Perfeito...

Eu não era de confiar muito nas pessoas...não de cara sabe, mas ela não parecia uma pessoa má...e afinal o que ela faria de ruim?? Caliel tinha a cara de quem não conseguia machucar nem mesmo um inseto se quisesse!!

— Obrigado por me ajudar com meu cabelo...

— Sabe eu queria que tivessem me ajudado no meu primeiro dia aqui.

Ela pôs a venda em meus olhos e apertou bastante, não que estivesse doendo mas apertou suficiente para que eu não conseguisse ver ao menos minha sombra no chão.

— Espero que não tenha doido.

— Não, não assim tá bom...Caliel...como foi seu primeiro dia aqui??

Caliel parou por um momento e respirou fundo, ela pegou algo que pareciam ser duas chapas de ferro e pelo calor estavam quentes.

— Bom...eu entrei aqui bem nova...eu tinha meus 500 anos...tinha acabado de chegar a maior idade sabe...eu queria um emprego legal no palácio que me confortasse e me deixasse bem...eu consegui depois de uns anos tentando...o rei não é do tipo que contrata muito sabe...no meu primeiro dia eu conheci Aistana...ela parecia legal na época sabe...eu era ingênua e pensei que ela poderia ser minha amiga mas...

— O que houve??

— Ela me humilhou na frente de um homem...importante pra mim...

— Mais que filha de um orc feioso!!

— Pois é!! Ela se aproximou de mim e eu me deixei levar...achei que era minha amiga...mas quando eu contei a ela que eu sempre gostei de certo...bom certo elfo da família real de Rivendell...

Eu quase me engasguei com o próprio ar que respirava.

— Um dos filhos do senhor Elrond??!!

— Bom é...mas eu não quero falar quem é...afinal...eu sou uma serva e apenas isso...Aistana me fez lembrar disso naquele dia e me humilhou diante dele...nunca mais irei ter chances com ele...

Eu senti minhas orelhas pontudas abaixarem, ela tinha uma voz magoada que me fez ficar com pena dela, com ainda mais raiva de Aistana e com certa tristeza dentro de mim...

— Suas orelhas...elas...

— Se mexem?? Pois é...eu devo ser uma das únicas que consegue fazer isso eu sei mas elas abaixam quando estou...bem...triste...

— Você não as controla??

Ela perguntou parecendo interessada em seu tom de voz.

— Não...é algo mais natural mas não é grande coisa, não é bem como os cães e gatos ela só abaixa mesmo...não sobe e eu não tenho como controlar isso.

— Mas você nunca tentou??

— Algumas vezes Hahahaha...mas foi inútil ao fim...

Nos rimos e eu continuei a sentir o calor das chapas quentes nos meus cabelos, era gostoso o calor perto do meu couro cabeludo mas eu imaginei como ela seguraria sem se queimar, eu pensei um pouco sobre se perguntar me faria menos “inteligente” no seu conceito mas então afastei esse pensamento.

— Caliel...como esta segurando as chapas...e bom...o que está fazendo??

Ela riu levemente, sua risada combinava com a voz fina e feminina que ela tinha.

— O que?? Eu disse algo errado??

Disse preocupada, fazia tanto tempo que não falava com outra pessoa que não sabia se meu Quenya estava realmente “afinado”...além disso eu poderia ter dito algo ruim ou bobo...

— Não minha flor...é que com a venda em seu rosto eu já imaginava que perguntaria isso...bom...as chapas que esta sentido na verdade são um só utensílio, elas estão grudadas por cabos e assim eu posso segurar e apertar nos seus cabelos, isso foi feito pra alisar cabelos...eu nunca usei esse utensílio de beleza...

— De beleza??...

— É...tudo bem que seus cabelos parecem já ser lisos mas escová-los ira deixá-los com volume então isso vai resolver a questão...eu acho...

Eu não entendi bem por que usar um utensílio que alisa se os meus cabelos já são “lisos” como ela disse, mas eu não questionaria os métodos dela...embora não pareça que ela sabe muito do que está fazendo.

— Então...Eruvanda me disse que você foi trazia pelo príncipe...como se conheceram??

— Eu...invadi o quarto dele...

Ela suspirou alto em algo que me pareceu um choque pra ela.

— Meus deuses e como foi??

— Eu não fiz de propósito estava na enfermaria quando acordei...fiquei com medo e sai correndo! Eu não vi que era o quarto dele...

— Entendo...deve ser meio difícil para alguém que nunca esteve em um reino antes...

— Bom na verdade...eu nasci em Rivendell e fugi...mas essa é uma história que não gostaria de falar hoje...

— Eu entendo, olha eu acabei a parte de trás mas se você quiser eu posso fazer uma franja em você!!

— Franja??

— É...bom você vai ver e eu sei que vai gostar!!

Ela tinha uma voz animada novamente, isso me fazia sentir feliz...acho que nos dávamos bem afinal...eu nunca fui de fazer amigos, na maior parte das vezes eu me escondia...eu ouvi ela manusear algo afiado e ouvi passos ao longe...

— Oh então a elfa burra resolveu ajudar a macaquinha suja...

— Vá embora Aistana...não há ninguém aqui que deseja falar com você.

— Ah eu tenho uma ideia...mas você não sabe cortar cabelo não é?? Dê-me isso...

— N-Não Aistana!!

Eu não sabia o que estava acontecendo, eu senti a tesoura cortando meu cabelo na frente do meu rosto e eu não sabia se era Caliel ou Aistana mas eu simplesmente segurei as mãos com a tesoura mesmo sem ver onde estavam antes que algo muito ruim acontecesse ou alguém se machucasse, eu empurrei a pessoa pelas mãos e pelo jeito ela cai no chão, eu simplesmente disse desculpas para quem quer que fosse e pelo jeito era Aistana pois a ouvi gritar e tentar vir até mim novamente mas algo a segurou pelo jeito.

— Deixe-a em paz ou eu farei de você uma elfa morta...

Era uma outra voz, não era nem de Caliel nem de Aistana...nem mesmo de Eruvanda era, eu não a reconheci e ouvi os passos dessa estranha e de Aistana saindo do salão, eu tentei tirar minha venda mas então Caliel disse.

— Não!! ainda não tire...eu vou ver se consigo concertar o que Aistana fez na sua franja...me desculpe mas ela é mais forte que eu...

— Não se preocupe...eu vou ter uma palavrinha com ela mais tarde...

— Bom...eu duvido que irá vê-la...uma guarda real a levou e vai ter uma “conversinha” com ela agora...

— Eu não sabia que haviam guardas mulheres no palácio...

— O rei é muito sábio...embora ele não goste de ver uma mulher se arriscar ele sabe que algumas são tão fortes quanto os homens...

Eu me surpreendi com tal conversa.

— É um pensamento bem a frente de seu tempo...

— Bom...elfos costumam ser assim...

Ela riu da forma fina que sempre ria e então colocou a tesoura no chão desamarrando minha venda e eu pude enfim ver as portas do salão de banho, eu a olhei e ela estava sorrindo animada.

— Sua franja não ficou assim tão ruim...eu consegui salvar de qualquer forma...tudo bem que não pude salvar tudo mas...bom...olhe no espelho eu espero que esteja bom pra você...

Ela disse animada se abaixando e pegando um espelho de mão que era muito bonito, tinha um revestimento dourado que apesar de não ser ouro era tão brilhante!!

— Uau que espelho lindo!!

— Hihi obrigado...eu comprei faz bastante tempo...

Eu sempre senti vergonha do meu fraco por coisas brilhantes, coisas douradas me fascinavam desde que eu nasci...minha mãe quando ainda viva dizia que isso era uma característica forte dos dragões e sabendo sobre a minha história...eu devo ter puxado esse fardo brilhante.

— Pega...pode ficar com ele se quiser...considere como seu presente de boas vindas...

Eu me sinto mal por realmente desejar muito esse espelho, mas o que eu posso fazer?? Eu já tentei me conter!! Por mais que eu tente eu sempre tento pegar...nunca roubei claro...mas sempre faço acordos e qualquer coisa legal pra pegar...e bom ela está me oferecendo...eu...eu não resisto.

— E-Eu q-quero...obrigado Caliel...

— Não se preocupe eu posso comprar outro se quiser...pode ficar você merece.

Ela era tão gentil, isso não fazia sentido pra minha voz interior...não fazia sentido ela ser tão bondosa a troco de absolutamente nada e isso começou a me deixar um tanto quanto atônita.

Eu me olhei no espelho e meu cabelo estava liso e como sempre muito longo foi então que ela se aproximou com um sorriso.

— O que foi??

— Hora de cuidar da sua pele e sabe...outras coisas também...

Eu não gostei do rumo disso e passamos mais de uma hora em uma das banheiras numa sessão de tortura pra tirar todos os pelos do meu corpo, eu achei que ela arrancaria minhas sobrancelhas também...era doloroso e eu nunca havia feito antes aquilo, ela simplesmente puxava e os pelos saiam mas doía tanto que poderia me fazer chorar, apesar disso eu não fiquei com raiva dela afinal ela só estava fazendo isso pro meu bem, além do mais talvez até estivesse seguido as ordens de Eruvanda, no final fomos para o meu quarto novamente depois de limpar as coisas que usamos e guardá-las no lugar, bom essa parte foi Caliel que fez já que eu não conheço o castelo.

— Você não recebeu o uniforme ainda...quer dizer...não diria que é bem um uniforme mas enquanto estamos no trabalho temos que vestir um vestido que a muito foi escolhido pela própria rainha!! Cada uma de nós escolhe uma cor a qual o vestido é feito...eu fiz um pra você ontem de noite...me desculpe se você não gosta muito da cor mas eu achei que verde ficaria tão lindo em você...

— Eu gosto muito de verde Caliel...obrigado eu vou ficar com verde mesmo...

Eu sorri para ela lhe dando confiança, ela tinha estrelas em seus olhos e sorriu animadamente para mim, ela pegou uma caixa e tirou de dentro um vestido muito bonito de gola alta que havia detalhes lindos em dourado, era verde como ela disse e tinha botas bonitas...eu nunca pensei que iria algum dia ter um vestido tão lindo, eu a olhei surpresa.

— Esse é o uniforme?? Mas esse vestido é lindo!!

Caliel começou a rir simplesmente, eu não entendi bem aquilo mas logo ela parou para explicar.

— Você está afastada a muito tempo não é...algum dia eu lhe darei um vestido bonito...por hora...vamos!! Não podemos nos atrasar no seu primeiro dia!!...

Caliel foi para atrás do trocador de papel, ele era bem bonito por sinal...era de madeira e tinha flores pintadas no papel, eu estava começando a ficar impressionada com o palácio...tudo lá dentro era tão grande e tão bonito...eu me sentia uma formiguinha em um imenso mar de belezas...assim que ela saiu eu a olhei admirada, ela estava tão linda quanto eu jamais poderia ficar!!

— Meus deuses...você está tão bonita...

Seu vestido embora do mesmo modelo era rosa antigo, os detalhes que no meu eram dourados para ela eram em um outro tom de rosa que brilhava assim como os meus detalhes, contrastando com sua pele tão branca e seus dourados cabelos ela ficava quase como um anjo, ela me olhou por um tempo então sorriu...

— Você está linda Valavë!! Eu acertei em cheio no verde...

— Não tanto quanto você Caliel...você parece um anjo!!

— Oh não exagere hihihi...vamos me siga esta quase na hora de botarmos a mesa para o café da manhã.

Eu não fazia ideia de quanto tempo tinha se passado, eu apenas a segui até um salão que superava os outros em questões de tamanho...era branco e tinha uma arquitetura linda, os pilares se dividiam como galhos de árvores e lembravam uma floresta branca sem folhas...era bonito embora estranho para mim...

— Ah ai estão vocês...eu temia que se atrasassem para o café, tudo está pronto precisamos arrumar a mesa.

Aruvanda nos chamava enquanto entravamos no salão, eu estava tão encantada com tudo aquilo que mal me concentrei no que ela disse, Caliel por sorte me puxou sorrindo e me levou até a cozinha onde haviam pratos, talheres e todos os tipos de utensílios de cozinha...eu não sabia realmente como arrumar uma mesa eu não fazia isso já faz anos, Eruvanda e Caliel já podiam ver isso e eu me senti meio constrangida por ser uma serva inútil afinal...

— Não se preocupe minha flor nos vamos ajudar você...

— Se a senhorita quiser podemos lhe ensinar novamente os costumes élficos...

Eu sorri fracamente para as duas, aprender...se tinha algo que eu adorava fazer era aprender algo novo, isso era útil na floresta, se eu não soubesse como aprender eu morreria de fome, eu assenti positivamente e elas sorriram com ar de piedosas...eu fui junto a elas para a cozinha novamente, nós pegamos os pratos e pouco a pouco elas foram me ensinando como se colocava a mesa lá no palácio, quando tudo estava pronto elas sorriram e disseram.

— Pronto agora nos ficamos no salão caso o rei ou o príncipe precisem de algo.

— Se você quiser pode ficar na cozinha minha flor...

Eu realmente não gostava da ideia de ficar na mesma sala com o rei e eu já havia causado muitas coisas ruins para o príncipe, não acho que ele queira me ver...eu apenas abaixai a cabeça e fui para a cozinha quando ouvi as portas sendo abertas.

Eu fiquei lá na cozinha, era chato mas pelo menos pude comer algo...os cozinheiros eram muito legais e faziam a comida com um grande sorriso em seus rostos, eu me aproximei de um deles com curiosidade, ele olhava para um forno muito grande, quando percebeu minha aproximação se virou e sorriu.

— O que você está fazendo aqui mocinha??

Eu olhei para o forno e então para ele, ponderando no que eu o diria.

— Você quer saber o que tem no forno??

Ele era muito maior do que eu, sei que não é tão difícil já que eu nunca fui uma elfa muito grande...mas sei que ele era bem maior que um humano e era bem forte, será que se adquiri músculos quando se trabalha na cozinha?? Eu apenas assenti e ele sorriu ainda mais.

— Sabe eu estava fazendo um bolo de frutas para o café da manhã...a senhorita poderia entregar a mesa quando estiver pronto??

— Claro...você...você gosta de cozinhar??

Ele riu e eu achei que havia dito algo bobo, de fato disse.

— Eu sou um cozinheiro não é??...bom...eu acho que gosto de cozinhar...talvez não seja meu sonho de criança mas eu gosto disso.

Eu sorri para ele, gosto de pessoas que fazem seu trabalho sorrindo...embora eu não queira ficar aqui, não queira ser uma serva...eu não poderia fazer de mal grado, afinal o príncipe foi muito gentil em me deixar ficar no palácio, eu ouvi então o rei dizer.

— Mas onde está aquela nova garota afinal??

Ele não tinha um bom tom, eu estava começando a acreditar que ele não achava nada na vida engraçado ou feliz...e se estiver certa...ele é um rei digno de pena.

— Acho melhor você levar o bolo agora...

O homem disse preocupado, eu sorri para ele e peguei o bolo que estava enfeitado com frutas vermelhas das quais eu conhecia algumas, eu segurei firme o bolo em um prato bonito de porcelana e abri um sorriso confiante nos lábios, eu sai da cozinha e vi Aistana rindo ao longe e ela estava quase terminando de dizer algo quando cheguei.

— Ela provavelmente deve estar dormindo ainda senh...

— Eu estava esperando o bolo ficar pronto Aistana...você não devia falar o que não sabe...

Eu sorri debochadamente para ela, sabia que essas palavras a deixaram furiosa, mas eu não me importava...eu faria o meu trabalho sorridente não importava quem ficasse contra mim, nem mesmo o rei tiraria meu bom humor.

— Pois bem...da próxima vez quero você neste salão com as outras servas...

Ele não parecia mudar sua expressão e um obrigado seria muito bom mas eu não entraria em questão sobre a educação do rei.

— Obrigado pela consideração Valavë...

O príncipe me ofereceu um sorriso da qual eu retribui feliz, ele parecia bem mais educado do que o pai e eu agradeci mentalmente por ele ser assim, eu coloquei o bolo na mesa sorrindo para ambos e passei pelo rei com minha melhor cara de poucos amigos, demonstrando que eu realmente não ia com a cara dele, mas ele não pareceu se importar...eu também não me importava para ser bem sincera.

Ambos comiam tão quietos que me dava sono, eu fiquei ali parada e todas pareciam tão leais e quietas, eu simplesmente me encostei em um dos pilares e os observei, eu sabia que eu não parecia nem de longe uma serva e que minha “educação” não era bem das melhores mas eu não ficaria parada ali como um 2 de paus sem fazer nada, eles não nos davam ordens então achei que não faria mal isso, o rei não fazia questão de olhar para mim e Legolas suprimiu uma pequena risada que eu não entendi bem a graça, eu fiquei ali parada enquanto algumas servas me olhavam, Caliel sorriu para mim com graça, Eruvanda parecia olhar para mim como uma mãe que dizia “Você não tem jeito menina” enquanto Aistana revirou os olhos negros para mim, tais olhos que não fiz questão de olhar enquanto as outras tinham risadinhas paralelas das quais algumas eu acompanhava e outras ignorava, dependia de como a risada era e da intenção que eu detectava nelas.

— Eu sei que a senhorita não deve ser acostumada com modos mas você poderia por gentileza se portar??

O rei parecia pouco amigável ao dizer aquilo, eu poderia fazer o que ele manda mas eu nunca fui muito boa com pessoas que fazem ordens idiotas, eu mantive-me no meu lugar e sorri gentil por fim.

— Com todo o respeito meu rei...mas devido a sua falta de ordens quanto a isto, devido a falta de informações de como devo me portar e devido a esta ser uma regra um tanto quanto...desnecessária eu ficarei nesta posição confortável por que eu não acho que o senhor queira que eu fique com dor nos meus pés ou coluna.

Légolas parecia surpreso com isso, eu me controlei para não rir...ele ficava realmente engraçado com essa expressão, eu olhei o rei que não tinha um semblante raivoso mas também não tinha um calmo, eu não sabia bem decifrar o que se passava com ele mas ele apenas se levantou e saiu sem dizer nada, Légolas o seguiu com os olhos e depois olhou para mim.

— O que eu disse?? Eu não falei mais do que a verdade você não acha??

Légolas se levantou e suspirou.

— Nunca ninguém falou com ele desta forma...acho que o deixou sem palavras...

— Eu suponho que isso não seja algo bom...né??

— Eu não tenho certeza...se nem um guarda vier lhe banir do reino...acho que não há problemas...

— Eu não tenho medo de ficar lá fora...muito menos de ficar sozinha príncipe.

Ele sorriu para mim, não entendo bem o por que mas sorriu.

— Eu imagino que não...eu vou ver como ele está afinal...talvez lhe veja alguma hora do dia...

— Eu duvido...

Ele apenas riu e saiu, Aistana veio até mim então com ares de revolta.

— Mas o que você pensa que está fazendo sua selvagem imunda??

— Eu sei que você segue a risca o que você acha que o rei gosta que as pessoas façam na sua presença...mas eu não preciso fazer isso...diferente de você eu não preciso ficar bajulando o rei como uma desesperada.

Eu me virei simplesmente, ouvi Caliel rir tímida e correr até mim, andando junto aos meus passos, quando estávamos quase saindo da porta ouvi Aistana dizer mais uma coisa.

— Volte aqui sua suja inútil!! Eu não terminei de humilhar você filha de um orc burro!!

Eu me virei junto a Caliel e apenas a olhei, suspirei e sorri.

— Mas eu acabei de tirar sua moral...com sua licença...

E então saímos do salão, algumas salas depois eu e Caliel começamos a rir como duas malucas, ela olhou pra mim tentando conter suas risadas finas.

— Meus deuses garota!! Ninguém nunca falou com a Aistana assim!! Você é louca!!

Ela disse entre risadas, eu então parei de rir ainda com dificuldade para tal.

— Por que todos acham ela tão...ameaçadora??

— Ela bate nas outras servas, humilha e nos faz perder nossa credibilidade perante o rei e amados sempre que pode.

— Pois sabia que eu não vou apanhar pra ela, não me interesso em ninguém pra ser humilhada e não ligo pra minha credibilidade aos olhos do rei e do príncipe...apenas tenho a agradecer pelo príncipe me deixar ficar aqui...mas não me importo com ele realmente...não da forma como ela desejaria me humilhar...

— Ela não pode chegar em você Valavë!! Você é invencível...

Ela riu e eu apenas fiz uma pose de grande guerreira, eu ri mais um pouco até lembrar da minha floresta...ela deve estar precisando da ajuda de uma grande guerreira agora, Caliel percebeu minha súbita perca de humor e logo perguntou.

— O que há de errado minha flor??

— Eu sinto falta da floresta Caliel...ela está doente...

Eu abaixei a cabeça entre os pensamentos da floresta, sombria...doente...ela precisava de mim...e eu precisava dela.

Eu deixei algumas lágrimas caírem no chão sem querer e respirei fundo me controlando, eu olhei Caliel sorrindo mais uma vez de forma triste.

— Vamos...nós temos que fazer nosso trabalho afinal...

Caliel apenas assentiu e caminhamos em silencio até a dispensa para pegarmos os utensílios necessários para limparmos os quartos, ela disse que eu poderia ficar com a ala sul junto dela, antes ela fazia toda a área sozinha e isso demorava bastante...mas agora que ela tinha há mim isso demoraria menos tempo, eu ainda me lembrava como os utensílios funcionavam...pelo menos isso eu sabia usar...

Eu e Caliel limpamos todos os quartos em um “zig zag”...no corredor haviam muitas salas em ambos os lados do corredor, nós limpamos todos os quartos de hospedes até o almoço e isso foi muito difícil afinal, ela dizia que nunca conseguia fazer a tempo e sempre atrasava as tarefas de tarde por isso...e eu agora consigo ver o por que, quase não conseguimos fazer tudo a tempo, a comida do almoço estava quase pronta quando terminamos e corremos ao salão de refeições, todas já estavam lá e já estavam pondo a mesa, eu as ajudei levando os pratos da cozinha para a mesa e os posicionando, eu entrei na cozinha e vi o cozinheiro sorrindo e segurando um bolo.

— Eu ouvi o que você disse pro rei mocinha...

Ele riu então me entregando o prato com um bolo muito mais bonito do que o que estava no café.

— Sabe eu queria ter toda a coragem que você tem mocinha...

— Obrigado...ah...

— Roy...

— V-Você é humano??!!

Ele deu uma gargalhada bem alta então me olhou divertido, claro que aquele nome não era élfico e isso deixava bem evidente o fato dele ser de outra raça.

— Sou...eu sei que a maioria não acha isso mas eu sou humano...

— Mas você é tão alto...

— Você não é acostumada a ver humanos não é mesmo??

— Bom...não eu devo admitir...mas eu estou com pressa agora...obrigado Roy...

Eu fiquei na ponta dos meus pés e dei um beijo em seu rosto, fazia tempo que não fazia isso com alguém...eu fazia isso com o gullum algumas vezes...bom...as únicas vezes que ele era bom de verdade comigo, eu sorri para Roy ignorando as lembranças e ele sorriu para mim amigavelmente, eu segurei melhor o bolo e bem na hora que sai da cozinha ouvi o rei e o príncipe entrarem pelo salão, eu pus o bolo na mesa e me afastei ficando encostada em uma parede qualquer...

Eu observei o rei enquanto ele vinha para sua cadeira na ponta da mesa, ele tinha um olhar frio condizente com sua expressão, eu simplesmente o olhei com cara de poucos amigos, meio que o desafiando sem as palavras...nossos olhares se encontraram e ele não disse nada apenas se sentou e eu fiz questão de puxar a cadeira para ele e sussurrar um.

— Bom almoço vossa alteza...

Ele me olhou com um sorriso de canto.

— Agradeço senhorita Valavë.

Aquilo realmente me surpreendeu, nunca pensei que ele iria me responder alguma hora, não deixei que transparecesse minha surpresa por isso apenas me afastei e novamente me pus encostada na parede, eu não sabia bem por que ele não havia me jogado para fora do reino...tinha dentro de minha a esperança de que isso fosse ocorrer, olhei Légolas e ele parecia pensativo, distante também...eu não sabia bem por que então apenas ignorei isso...respirei fundo enquanto os observava comer novamente...eles nunca conversavam?? Isso parece muito ruim...eu e minha mãe conversávamos entre as refeições...tudo bem que apenas conversávamos nessas ocasiões mas eles parecem não conversar nunca!! Eu começo a sentir certa pena de Légolas...

Foi assim até o final da refeição, nós servas comíamos o resto dos tantos pratos que ficavam na mesa junto aos cozinheiros e aos guardas mas isso acontecia depois da refeição do rei, por isso os cozinheiros faziam tantos pratos e com tanta quantidade, claro que dentro da cozinha os provadores tinham a certeza de que tudo estava limpo e sem veneno, além dos guardas, comiam junto a nós os homens das fornalhas...os que esquentavam a água, eu não falava muito com ninguém além de Caliel e Eruvanda, eu tinha algumas brigas de olhares com Aistana...ela sempre me olhava furiosa, nem consigo imaginar o por quê...

Eu não entendia ela, por que tanto ódio?? Por que ela se achava tanto??...ela se acha melhor que os outros e por isso trata todos mau...ela come sempre sozinha e com muita razão, quem iria querer comer ao lado de uma pessoa que acha que todos devem se submeter a suas humilhações??

Enquanto olhava para Aistana pensativa alguém chamou minha atenção com um assovio, eu a olhei e vi uma grande mulher elfa, seus olhos era encantadores, azuis como a noite mais limpa...seus cabelos era brancos e ela tinha uma fisionomia grande e forte, ela vestia uma armadura e logo cortou meus pensamentos.

— Hey baixinha...você é a novata não é?? Soube que deu um tapa na Aistana...cara...eu respeito você.

— Ah...sou sim, bom...eu não deixaria aquilo barato...ela tem problemas.

— Eu vivo dizendo pras servas se defenderem...ela é pior que um orc deformado.

Eu quase ri com seu xingamento.

— Então...eu queria lhe dar as boas vindas...Aiya ( Uma forma de se cumprimentar).

Ela sorriu e eu sorri para ela, ao final de nosso almoço ela se levantou e piscou pra mim me dizendo.

— Tenn' enomentielva ( Até logo).

Eu apenas ergui minha mão e acenei sorrindo, Caliel e eu saímos dos nossos acentos e fomos ao trabalho novamente, limpamos a sala de músicas, a sala de reuniões, o salão de festas e mais algumas salas pelo castelo que ficavam na área sul, quando acabamos ela sorriu para mim e disse feliz.

— Então...terminamos agora só precisamos estar no jantar e então somos liberadas...

Eu poderia me acostumar com aquilo, depois do jantar, no qual o rei não falou nada nem Légolas...chatos como sempre, eu fui para os salões de banho afim de banhar-me, eu pedi para os homens água quente e os ajudei a encher as banheiras, eles agradeceram por isso e saíram...eu e Caliel tomamos um banho juntas, falamos sobre o príncipe e seu problema com o pai, ela me disse que não são de conversar muito...Légolas é do tipo “espírito livre” e seu pai gostaria que ele fosse mais “príncipe” mas eu realmente não me importa com o que o rei queria que ele fosse...o rei era grosso e do tipo dominante sobre tudo...eu sei bem como as pessoas do tipo dele agem e eu não gosto nem um pouco...eu poderia ser expulsa mas não me renderia as suas vontades idiotas...

Após isso eu apenas fui dormir...eu estava tão cansada e não tinha nem uma vontade de “explorar o castelo”...eu faria isso amanhã ou algum outro dia...mas agora eu estava realmente com sono...

Eu olhei para Caliel entrando metade do corpo no quarto e deixando a outra metade fora para vê-la, eu sorri para ela e murmurei um “Mará lómë” ( Boa noite)...ela murmurou uma resposta com as mesmas palavras e fomos dormir, seu quarto era ao meu lado e eu gostei disso...ela era a única pessoa que eu conhecia no palácio além do príncipe e eu duvido que o príncipe iria querer falar com uma serva...

Eu deitei na minha cama macia e sorri, foi um dia bom de trabalho, eu fechei meus olhos e levei menos de 5 minutos para simplesmente morrer na cama, se duvidar até roncar eu estava.

Continua...

Notas finais
Espero que tenham gostado desse cap e eu mereça seu comentário, obrigado por ler de qualquer forma e até o próxima cap ♥