Valavë The spirit of dragons
5 A morte e a saudade.
Notas iniciais
A morte e a saudade.
Já se fazia alguns dias que eu estava ali no castelo, além do meu primeiro dia o rei não falou mais comigo e tão pouco o príncipe, eu comecei a ganhar amigos...roy, Shantará e Caliel eram exemplos bons, Roy falava comigo durante as refeições e até me ensinou um pouco sobre culinária em alguns dias após o trabalho, ele costumava me chamar de mocinha sempre...ele agia como se fosse mais velho que eu...bom eu não duvidei que em seu coração ele fosse realmente mais velho, mas isso era engraçado...ele me tratava como uma criança quase...mas apesar disso eu não sentia raiva dele, ele tinha uma forma especial de me tratar como uma criança que fazia eu ignorar o fato de ser tratada assim, ele era bem engraçado e bem sarcástico...Caliel costumava achar que éramos “algo a mais” mas ele era basicamente como um irmão mais velho humano para mim!!
Caliel e Shantará eram exatamente opostas, Caliel era delicada, feminina e graciosa...Shantará era masculina, forte e xingava tanto quanto um orc...me perguntava se sua família era assim ou ela era uma “exceção” lá dentro...ela nunca falava muito de sua família, quando tocava no assunto ficava distante e então mudava de assunto...eu estava começando a pensar no pior...pais mortos, irmão ou algum membro importante da família para ela, dada a forma como ela agia quando tocavam no assunto...fugindo...não duvidaria disso.
Nos dias que se passaram eu comecei a gostar muito de costurar, fui a cidade uma vez após o trabalho e comprei tecidos, todos os dias a noite eu voltava para o meu quarto e costurava eles, não deixei que ninguém soubesse disso...eu não duvidaria que Aistana entrasse lá para destruí-los, ela tinha continuado com sua implicância comigo e com as outras, sempre que podia dizia em voz alta para o rei e príncipe que eu era preguiçosa, nem posso contar quantas vezes ela foi refutada e ficou furiosa comigo...isso poderia continua por anos e eu nunca me cansaria por que por mais que ela queira muito me humilhar e me fazer ficar triste eu não iria me render a ela, poderia me render a qualquer outra pessoa mas não para essa filhota deformada de orc...
Eu estava ficando tempo de mais com Shantará...estava começando a pegar suas habilidades com os xingamentos, se bem que essa habilidade se mostrava cada vez mais útil na presença de Aistana...
Eu terminei em poucos dias um vestido rosa que fiz especialmente para Caliel, quando dei a ela não consegui respirar pelas próximas 2 horas de tantos abraços que recebi dela, foi bom...eu gosto de dar presentes pras pessoas que eu gosto...eu me lembro que dava muitos a Gollum...eu caçava para ele quando estava de dia, eu até tentei dar roupas a ele mas ele não gostava da sensação de sua pele coberta pelo tecido, eu lhe protegia quando alguém entrava na caverna, eu apenas não consegui protegê-lo do ladrão que o roubou naquele dia...eu tinha tantas saudades de Gollum, ele podia ter problemas com sigo mesmo...mas eu sei que no fundo ele sempre foi uma pessoa bondosa, ele tinha amor em seu coração...estava sendo controlado por alguém ou por algo apenas, eu podia sentir isso mas eu não sabia onde ele ou esse objeto estava...eu o sentia perto mas não podia destruí-lo, tudo o que eu poderia fazer era protegê-lo de si mesmo...mas não para sempre.
Eu acordei aquela manhã de um sonho terrível...era com Gollum...ele sorria na frente de um vulcão e então pulava, eu podia fazer algo...eu tentei fazer algo...não foi o suficiente, mais uma vez eu vi uma das pessoas que mais amo morrer diante dos meus olhos, eu acordei suada e aterrorizada, eu olhava para todos os lados, meus poderes estava difíceis de controlar...eu esquentei meu corpo tanto no sono que qualquer um diria que estava com febre, eu realmente estava...não posso fazer minha pele entrar em chamas mas posso esquentá-la até que se torne quase como uma rocha vulcânica, mas isso me traz uma febre terrível, eu respirei fundo e cambaleei até as banheiras para um banho frio, quando entre pude ouvir a água fazer um barulho de vapor e em poucos minutos a água estava muito quente e eu apenas um pouco mais fria, eu suspirei e fui para o café mesmo com febre, o rei deve ter percebido que eu estava assim pois me viu encostada na parede de forma mais...“largada” como se eu precisasse me apoiar mesmo, de certa forma eu precisava e ele apenas me olhou, não soube como decifrar aquele olhar mas eu duvidei muito que fosse de pena, ele suspirou em meio a mesa e disse sem me olhar.
— Gandalf o branco deseja falar com a senhorita Valavë.
Eu não sabia realmente quem ele era, havia ouvido falar sobre ele e seus grandes poderes, eu apenas suspirei e me retirei do salão, quando dei os primeiros passos o rei apenas disse.
— Eu lhe aconselho a ir a sala de recuperação após isso senhorita...
Eu não sabia se ele estava preocupado comigo ou preocupado em ter menos uma serva no almoço se eu não me recuperasse logo, de qualquer forma eu não me importava muito com isso e eu apenas respirei fundo e continuei andando, estava suando muito e logo que sai do salão vi um hobbit gordinho ruivo, talvez loiro...não conseguia definir muito bem a cor de seu cabelo, seus olhos eram azuis esverdeados...mas eram escuros e era meio difícil de definir também, ele sorriu para mim quando me viu e eu me encostei em uma parede.
— A senhora deve ser a senhorita Valavë, a senhorita não parece muito bem.
Eu respirei fundo e o olhei sorrindo fracamente.
— Eu estou bem...você vai me levar até Gandalf??
— Oh sim senhora...meu nome é Sam...por aqui por favor...
Eu o segui ainda meio cambaleante, ele percebeu isso e pôs uma mão em meu ombro para me ajudar, ele até que era bem gentil e pessoalmente eu o achei fofo, nós andamos até uma sala na área norte do palácio onde ficavam os hospedes “importantes” eu acho.
— Oh...ela está aqui senhor...mas não está muito bem.
Sam anunciou quando entramos na sala, um homem alto e aparentemente muito velho olhou para mim e sorriu.
— Oh ai esta você mocinha...aproxime-se.
Eu me desgrudei de Sam para cambalear até ele, ele segurou meu braço e tocou minha testa, automaticamente melhorando meu estado de febre, eu o olhei meio surpresa e ele sorriu.
— Você não é a única com dons minha querida.
— Eu sei...
Eu olhei para o chão enquanto ele respirava e olhava para um outro hobbit que estava ali, seus olhos eram inegavelmente azuis e seus cabelos castanhos escuros, ele parecia bem machucado na verdade...parecia que tinha acabado de sair de uma guerra, seus olhos tinham um ar triste e olhavam fixamente para mim.
— Conte a ela...
Eu olhei para Gandalf e logo depois para o hobbit desconhecido, de certa forma eu sabia do que se tratava e pensei que meu coração fosse pular do meu peito.
— Seu amigo...Gollum...
— Como sabem sobre isso.
Gandalf então colocou uma mão em meu ombro e eu apenas soube que ele sabia sobre tudo, eu não sabia como ele conseguiu as informações...mas eu apenas senti que ele sabia.
— Achei que deveria saber...
— Gollum morreu há alguns dias...quando eu fui destruir aquilo que o controlava...ele...ele.
— Ele pulou não foi...
— Não havia nada que você pudesse ter feito Valavë...você sabe que mesmo que estivesse lá ele não a escutaria...
Eu sabia disso, sabia que por mais que tentasse esse era o destino dele...ele morreria pelo seu preciso, agora eu sabia que era um anel, eu tentei manter as lágrimas apenas em minha consciência, mas aquilo não estava adiantando de qualquer forma, ele havia morrido por um maldito anel da qual eu mal sabia o que fazia...um maldito anel e eu não podia fazer nada para impedi-lo...eu não estava lá...eu tinha o abandonado.
— Mas afinal o que aquilo fazia?? Por que todos queria tanto aquele anel idiota!!
Eu não me conformava com isso!! Pela segunda vez na minha vida alguém que eu amo morreu sem que eu pudesse fazer algo para salvá-lo!! Tudo o que eu pensei em fazer no momento foi correr, não me importava para onde...não me importava mais nada, eu estava novamente com febre graças aos meus poderes e agora não tinha condições de correr por muito mais tempo, mesmo assim eu corria...eu poderia desmaiar mas não ligava mais para isso...eu não ligava mais para nada, eu corri até bater em algo que me fez quase perder o equilíbrio, tudo o que pude ter tempo de ver foi cabelos vermelhos e olhos lindos verdes me encarando com preocupação, então eu abracei quem quer que fosse a pessoa que estava ali na minha frente, eu senti a pessoa me retribuir e então tudo ficou escuro...
Eu estava em um desfiladeiro enorme, parecia mais com uma torre negra e em minha frente havia um tipo de espelho suspenso no chão, alguma voz estranha então parecia entra em minha cabeça.
— Você se quer conseguiu salvá-los...você é um monstro tanto quanto aqueles que mataram sua mãe...
Imagens passavam pelo espelho, minha mãe morrendo, o incêndio que causei no celeiro da nossa casa, o sonho que tive com Gollum...e por fim os meus olhos quando uso meus poderes...negros e assustadores, eu apenas me ajoelhei e repeti para mim mesma.
— Não, eu não sou um monstro, eu não sou um monstro...não sou, não sou, não sou!!
— Olhe para si mesma...filha do fogo...tudo o que você toca você destrói...
Então senti o chão faltar, eu estava caindo e logo pude sentir a dor do impacto...eu fechei meus olhos esperando o pior e então...
Eu acordei em um grito e logo percebi que não estava no meu quarto e nem mesmo no quarto de Legolas, bom eu sabia que no quarto de Legolas eu nunca mais entraria então não foi uma conclusão muito surpreendente, eu estava sentada e eu não vi ninguém por alguns minutos, a cama era bem macia e tinha lençóis de ceda brancos...eu me perguntava onde diabos eu estava, me lembrando do pesadelo que eu tive, eu...realmente era um monstro?? Eu não conseguia achar uma resposta para isso...eu não podia negar que era uma aberração...e tudo isso era culpa do meu pai...isso que eu ao menos conheço ele!! Ele a muito deve ter morrido e eu nunca vou saber controlar os meus poderes...no fundo talvez aquela voz esteja certa...tudo o que eu toco e amo...morre...
Meus pensamentos foram abruptamente cortados quando as portas do quarto foram abertas, eu olhei a elfa que entrou, seus olhos eram verdes os cabelos tão vermelhos quantos meus...ela era muito bonita e parecia muito valente, suas roupas eram de guerreira e ela veio até mim com um sorriso doce em seus lábios.
— Que bom que está acordada...
— Quem é você??
— Gandalf me incumbiu de ficar de olho em você e treiná-la...você é Valavë não é??
— Eu sou...quem é você??
— Não se preocupe...eu não vou machucá-la...meu nome é Tauriel...
Se Gandalf a mandou para me treinar isso quer dizer...
— Eu ainda sou uma serva do castelo??
— Por pouco tempo...
— Treinar para o que...??
— Gandalf gostaria de tê-la como aliada, vamos treinar para que você se torne uma guerreira e uma ranger...o anel foi destruído mas isso não significa que o mundo está seguro Valavë...
Eu respirei fundo, algum dia eu sabia que fariam isso...sabia que se espalharia a notícia de uma elfa que controla as chamas e que algum dia isso poderia acontecer, pelo jeito Gandalf esperava por esse dia também, eu observei enquanto ele entrava no quarto...eu apenas abaixei minha cabeça.
— Você está destinada a coisas grandiosas...filha do fogo...
Eu apenas respirei fundo novamente...então olhei para ele e assenti, ele finalmente me achou e eu não fugiria do meu destino como fugi de Rivendell e da morte de Gollum.
— Quanto tempo eu fiquei apagada??
— Bom faz um dia e meio querida...
— Estava com muita febre...Gandalf teve que intervir algumas vezes...
— Passou tão rápido...pareciam minutos...
Gandalf veio até mim.
— Eu sei que teve um pesadelo e creio que seja de um mau que você vem sofrendo há muitos anos sem saber...
— O que você quer dizer??
— Na hora certa você vai saber...por hora deve descansar.
— Não descanso enquanto não me disser o que é esse mau...
Naquele momento uma pessoa conhecida entrou pela porta sorrindo, os cabelos loiros de Legolas eram quase inconfundíveis e eu agradeci aos céus por finalmente ver alguém da qual eu conhecia ali.
— Eu sei que você tem gene forte criança mas precisa concordar em descansar agora pequena.
Eu bufei para ele.
— Eu não sou criança!!
Eu cruzei meus braços e olhei para qualquer outro canto, ele apenas riu e veio até mim, pois uma de suas mãos em meu peito e me pressionou para baixo delicadamente até que eu cedesse e caísse na cama, então sorriu e disse.
— Você não tem muitas opções...ou você dorme ou talvez eu chame meu pai para lhe fazer companhia...já que eu sei que você gosta tanto dele.
Eu bufei mais uma vez e o olhei severa.
— Você não faria isso...
— Você quer mesmo apostar...
Eu me virei, peguei as cobertas e me cobri ainda bufando para ele.
— Eu te odeio...
— Assim vai partir o coração do príncipe.
Riu Tauriel ao fundo, ouvi Legolas caminhar pelo quarto, ele fechou todas as cortinas e eu fiquei vermelha quando ele ficou na minha frente novamente para fechar a última e então eu o toquei no braço, ele se virou e eu, ainda vermelha, olhei para o chão falando.
— D-Deixa uma...eu...eu tenho medo de escuro...
Ele apenas suprimiu um riso e então sorriu gentil de novo.
— Claro...
Foi tudo o que ele disse então saiu junto dos outros dois, realmente...era constrangedor saber que agora o príncipe dos elfos cinzentos sabia que eu tinha medo de escuro, mas era uma verdade...eu dormia no canto mais claro da caverna quando morava com...Gollum...eu sentiria mais saudades ainda sabendo que nunca mais iria vê-lo novamente, uma lágrima escorreu pelo meu rosto e eu apenas deixei que as próximas descessem, entre as memórias da morte da minha mãe e a notícia fatídica da morte do meu até então melhor amigo eu chorei...e chorei...até que caísse novamente no sono profundo da qual eu não queria acordar nunca mais...
Continua...
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