Vai Que...
15 Capítulo 15 Pensamentos...
Notas iniciais
Bonnie não acreditava que estava no carro com Damon. Não depois daquela noite, mas ele diferentemente do que ela esperava não se toronou irônico (não mais que o normal) e não deixou um clima desagradável. Talvez ele tivesse ignorado aquele fato.
-Por que você anda com eles? — perguntou Damon enquanto dirigia calmamente pelas ruas. — Quer dizer, você é toda regrada, religiosa...
-Ser religiosa não impede que eu tenha determinadas amizades. — respondeu ela.
-Não, mas você já deve ter ouvido aquela frase : Me diga com quem andas, que eu te direi quem tú és. — debochou Damon. — E nunca vi uma religião que não quisesse ditar a vida de alguém.
-Eu não deixo que ditem a minha. — respondeu levemente incomodada. — Eu frequento pelá fé que tenho em algo superior.
Damon sorriu. Ele parecia esnobar qualquer tipo de organização que não se reunisse para promiscuidades e bebedeira.
-Você é um homem de fé, Damon? — perguntou Bonnie. Ela tinha dom com as palavras, fé é diferente de religioso.
Damon deu de ombros indiferente.
-Não sei porque pedir algo a alguém que não existe se posso fazer por mim mesmo. — respondeu prático. — É um desperdício de autoconfiança.
Bonnie suspirou. Damon tinha fé em si mesmo, só seguia a seus instintos e não era capaz de acreditar em nada. Se Bonnie tivesse ouvido isso de uma pessoa que sofreu na vida entenderia, e de uma pessoa que por princípios particulares também entenderia. Damon era puramente egocêntrico se achando um deus.
-Eu sou minha própria religião e minha própria salvação. — continuou ele enquanto fazia uma curva. — E tenho muitas religiosas que querem que eu as leve para o céu.
OK. Damon estava ficando desagradável. O modo como desdenhava a fé, como desdenhava as mulheres. O tom de voz que usava para fazer das mulheres um objeto de uso.
Ele quer fazer a mesma coisa comigo, pensou Bonnie amargurada.
-Eu digo que sim e que as levo.- Damon não havia percebido o olhar de Bonnie. — Mas elas tem que se ajoelhar diante de mim, se é que você me entende.
Damon virou o rosto para piscar maliciosamente para Bonnie quando viu a cara de nojo dela. Droga, tinha que controlar esse seu lado grosseiro que usava para se defender de acusações.
-Para o carro. — pediu Bonnie com a voz dura.
Damon não parou.
-O carro Damon. — repetiu ela e havia algo afiado ali. Algo que não permitiria discussões.
Ela estava perto de casa e mesmo contra sua vontade Damon foi diminuindo a velocidade. Que diabos, Bonnie não podia ter um pouco mais de senso de humor?
-Bonnie, eu estava... — começou mas não foi ouvido.
Bonnie tirou o cinto e sua mão abriu a porta sem hesitar. Ele se obrigou a pisar no freio e ela saltou, sem se despedir ou censurá-la de qualquer maneira.
Droga. Ele sempre estragava tudo.
PDV Caroline.
Tudo estava confuso diante dos olhos de Caroline. Continuava na pista de dança trocando o peso do corpo de uma perna para outra. Tyler havia ido buscar outras bebidas e pedirá que ela o esperasse.
Caroline tinha consciência que estava chamando atenção aquela noite. O vestido, os sapatos, o modo sensual de dançar. Ela só queria relaxar Tyler, não sabia se aquele modo era correto mas não se importou muito.
Ela estava confuso do porque estar tonta. Ela havia tomado pouco, menos de um copo. Sempre que Tyler trazia bebida ela tomava um gole e quando ele se distraia jogava fora. Queria estar consciente para quando saíssem dali, o suficiente para enlouquece-lo.
Em seu estado de confusão sentiu-se ser puxada e soube que não era Tyler. A mão que a segurava estava em seu braço e o último lugar que Tyler seguraria seria o braço.
Era Matt furioso que a levou para o banheiro e esvaziou. Ele estava gritando e Caroline não conseguia distinguir as palavras.
-Drogas. Tyler. Idiota.
Mesmo sem entender o conteúdo da frase soube que ele estava acusando Tyler de alguma coisa. Sua única resposta foi:
-Ferre-se.
Matt continuou gritando e gesticulando em direção a porta e tentou empurrá-la até lá.
-Não, não vou. — conseguiu pronunciar. — Eu fico. Tyler e eu vamos...
-Você está drogada. — rugiu Matt. Ele estava furioso. — Ele vai se aproveitar disso.
Caroline se sentiu ofendida. Como ele podia acusar Tyler daquele modo?
-Não, não. — repetiu teimosamente batendo o pé no chão. Teria xingado Matt se conseguisse.
-Olha, estou indo embora porque minha mãe ligou falando que minha irmãzinha está passando mal. — muita informação para Caroline. — Você quer carona? O resto do pessoal foi embora.
-Não, fico com o Tyler. — disse levemente mais consciente.
Matt pareceu querer discutir, mas desistiu.
Caroline continuou no banheiro por mais tempo, tentando se estabilizar. Ela estava bem, relativamente. Seus pensamentos estavam um pouco lento, mas ainda assim parecia bem.
Se olhou no espelho e viu seu próprio reflexo. Não gostava daquilo, aquela roupa e maquiagem eram contra todo o bom senso. Mas era necessário, não?
Saiu do banheiro e sentou-se perto do balcão do bar. Foi quando viu Tyler sair sorrindo dos fundos do bar com a atendente. Ele segurava dois copos e ela não tentou disfarçar ao colocar dois compridos dentro deles.
Filho da mãe. Pensou Caroline. Matt tinha razão.
Seu primeiro instinto era ir até lá e socar Tyler. Sua razão disse que primeiro ela tinha que sair dali e se distanciar o mais rápido possível de Tyler.
Caroline se esgueirou para fora da balada e caminhou alguns quarteirões em busca de um táxi. Nada. Ligou para a frota de táxi mas estavam todas as linhas ocupadas, havia um show e parecia que ficar esperando pela multidão ir embora era melhor do que esperar na frente da balada.
Caroline sentiu-se derrotada.
Onde havia ido parar por uma ideia idiota. Queria conquistar Tyler, seduzi-lo. Para quê? Terem uma ótima noite e não ter mais desentendimento?
Caroline sempre valorizara o amor próprio e vivia repetindo isso. Agora ali estava ela, vestida como uma pessoa carente de atenção, sem proteção e a mercê dos perigos que rodeavam a noite.
Ela não queria encontrar nenhum mendigo, nenhuma pessoa de má intensão e sabia que era difícil. Todos os seus amigos moravam longe, e a maldita localização em que estava era do outro lado da cidade.
Ligar para a sua mãe parecia injusto.
Caroline estava com dor de cabeça e seu estômago pareci prestes a escapar, sentia um frio descomunal e seus pensamentos estavam ficando nebulosos.
Engoliu o orgulho e discou um número que mal sabia que tinha. Bastaram apenas dois toques para um voz rouca atendesse.
Os acontecimentos a partir dai ficaram confusos. Eles trocaram umas quatro frases e ela desligou o telefone, sentindo que iriam desmaiar a qualquer momentos.
A distância do lugar onde moravam até ali era longa. Uns quarenta minutos e não queria nem saber o quê poderia acontecer em quarenta minutos.
Sentindo-se humilhada, Caroline sentou-se no meio fio e afundou a cabeça nas pernas, abraçando-se a si mesma. Sentia que podia dormir a qualquer momento, mas o desconfortável frio a impedia.
Ficou em um estado vegetativo em quanto a quantidade de drogas que havia ingerido fazia efeito.
Não saberia precisar quanto tempo havia se passado, mas sentiu que um carro parava diante dela.
Por favor, que não seja um tarado, por favor, que não seja um tarado.
Ouviu passos e alguém parou próximo a ela. Não era um tarado. Naquele estado letárgico em que se encontrava não sabia dizer se foi o perfume, o modo de se mover ou mesmo a intuição. A questão é que Klaus estava ali.
PDV Klaus.
Klaus havia se preparado para pegar uma Caroline bêbada e inconsequente e havia preparado um discurso longo. Ao virar uma esquina todos seus pensamentos foram varridos. Havia um loira sentada no meio fio, tremendo de frio e parecia... bêbada.
Klaus estacionou perto dela e apressou-se em estacionar. Caroline estava encolhida de frio e pareceu notar a sua chegada, mesmo sem levantar a cabeça.
Klaus se agachou frente a ela.
-Caroline, consegue falar comigo? — perguntou. Pulou a parte "você esta bem" porque era obvia a resposta.
-Consigo. — respondeu com a voz abafada.
Ótima, aquilo era um bom sinal.
-Acha que dá para levantar a cabeça? -perguntou pacientemente.
Caroline ergueu a cabeça vacilante. Parecia que o movimento a deixava tonta, mas o olhar dela encontrou com o de Klaus e ganhou foco. Ela continuou a olha-lo sem falar nada até que uma brisa suave passou por eles.
Para a Caroline, aquilo não era uma brisa suave e sim um furacão. Ela se encolheu novamente e seu corpo foi invadido por sensações horríveis que a fez balançar a cabeça.
Klaus tirou o próprio sobretudo e cuidadosamente, de uma forma que ela jamais pensou ser possível, ele a ajudou a colocar. O toque de Klaus era quente, o quê a levou a pensar que ele havia levantado de uma cama quente para buscar uma jovem irresponsável.
-Desculpa. — murmurou ela no ombro dele.
Klaus não disse nada. Alguma coisa havia emudecido ele e simplesmente continuou a vesti-lá.
Ele a ajudou a levantar e ela se apoiava nele com uma força necessária que os alterados quimicamente precisavam.
Klaus sentou Caroline ao lado do motorista e passou o cinto para segura-la melhor. A loira não cheirava a álcool, algo que o surpreendeu e o levou a pensar no que poderia ter acontecido. Ela estava vestida de uma forma que sugeria que estava numa balada. — Klaus se obrigou a não olhar por muito tempo. Ela parecia ciente de que havia errado, vergonha e culpa dominavam o semblante sempre tão sereno.
Ligou o ar e em minutos o carro estava desagradavelmente quente. Caroline pareceu gostar e se aninhou mais no banco e ele a olhou. Mesmo com seu sobretudo por cima, ele conseguia ver o pescoço dela e viu as marcar que ele próprio havia deixado ali. Por mais que nenhuma tivesse sido acrescentada, ele não gostou de vê-la naquela roupa, com o pescoço marcado. Passava uma imagem de quem Caroline não era.
E devido a seu olhar triste, ela devia estar pensando na mesma coisa.
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